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História Demônio ou maldição? - Capítulo 6


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Notas do Autor


Olá, tem alguém aí?

Capítulo 6 - Demon


They're all around me

Circling like vultures

They wanna break me and wash away my colors

Wash away my colors

 

_____

 

Mas se não foi você... Quem foi?

- Acho que não estamos mais sozinhos. - Jungkook falou num tom sério. Preocupado.

Estas poucas palavras foram suficientes para calar o mais velho, um frio na espinha o alertando do possível perigo. Ele ainda estava tomando coragem para fazer a pergunta óbvia quando Jungkook se manifestou.

- Fica aqui. - ele mandou, tentando sentir as energias da casa. Nada bom.

O machado atrás dele havia misteriosamente desaparecido.

- Como assim?

- Eu já volto.

Nem esperou a resposta de Jimin e sumiu, correndo até o lugar mais negativo daquela mansão. O porão.

Desceu as escadas, sentindo um cheiro de morte que a tempos não se fazia presente nos ambientes. Algo ali estava muito errado. E não enganou-se em seus sentidos apurados, captando restos de uma presença maligna recentemente liberta.

O "túmulo" de Jeon Sungmin... Foi violado. A pequena caixinha adornada jazia ali, no chão sujo e empoeirado sem qualquer vestígio das suas cinzas.

O garoto de cabelos negros correu, como nunca antes na vida, assustando Jimin quando passou reto por si, indo direto para o escritório do pai. 

Entrou lá num baque, quase arrebentando a porta e sentindo os olhos brilharem de uma má maneira ao presenciar o que viu. A sombra negra havia acabado de evaporar no ar, deixando para trás seu pai. Morto. Esquartejado. Os quatro membros brutalmente despedaçados, agora sem vida e espalhados pelo pequeno escritório.

O sangue fresco pintava o ambiente, escorrendo lento por entre as frestas do chão, dos livros e das grossas paredes, pingando inclusive do teto. O rosto com a expressão terrorífica ainda estava cravada na face do homem, os olhos arreganhados e a boca entreaberta travada num temor medonho e desumano.

- Jungkook, pra que tanta pr-

Jungkook imediatamente tapou a boca e olhos do garoto, o poupando da cena mórbida. Jimin havia o seguido, descendo dois degraus antes de ser mandado novamente para cima.

- Vai embora. Você não pode ver isso. - Jeon falou tenso, empurrando o garoto e fechando a porta com ele do lado de fora.

- O-o que... - balbuciou embaralhado, digerindo a pequena cena que acabara de presenciar. - Jungkook! Não me deixa aqui sozinho! E-eu vou-

- Você não está sozinho. Se mais alguma coisa estranha acontecer, grita. - avisou, falando alto o suficiente para o outro ouvir. 

- Mas-

- Eu vou te salvar, não se preocupe. 

Sem forças para seguir com a discussão, Jimin deixou-se amolecer, abraçando os joelhos e recomeçando a chorar. Eram muitos acontecimentos para entender de uma vez só.

Enquanto isso, Jungkook sentia-se igualmente desesperado, tendo noção do que havia acabado de acontecer. A cena em si não lhe afetava, mas quem havia feito tal atrocidade o assustava, nem que de forma mínima. Seu pai cometera o pior erro de sua vida quando optou por violar o eterno descanso de Jeon Sungmin.

O avô fora indevidamente convocado, libertando-se na forma de um demônio amorfo, agora vagando pela casa sem rumo, a procura de medo e vingança.

O garoto não sabia o que fazer perante a situação, optando por limpar a cena do crime do que pensar. A primeira coisa que fez foi fechar os olhos do pai, ensopando-se de sangue pelo caminho. O homem morrera no tapete, o tronco ainda colado à cabeça.

Não houvera tempo para o demônio arrancá-la.

Jeon não orou pelo falecido, notando apenas a presença de um revólver próximo ao corpo. Segurou-o com cautela, guardando no bolso apesar do sangue. É, limpar isso sozinho vai demorar uma eternidade.

Escolheu por recolher e enrolar os restos dentro dos sacos de lixo que o garoto sabia da existência. Sentia-os por perto com seu poder, tirando o pacote da gaveta do quarto no fim do corredor. Em seguida recolheu pedaço por pedaço, a carne morna e macia sob seus dedos lhe transmitindo uma estranha calmaria.

- Jimin-ssi! - chamou após feito o serviço. - Sai da frente da porta que eu quero sair.

O garoto nada falou, a muito custo se deslocando para fora do caminho. 

- Vai tomar um banho. - Jungkook falou ao pé da escadaria, os sacos pesados apoiados no ombro.

- Banho!? Como é que eu vou tomar banho se eu posso morrer a qualquer momento? - gritou irritado pelo tamanho da calmaria que assolava o mais novo.

- Você está seguro agora. Posso sentir.

- Você pode, por favor, me explicar o que tá acontecendo? Eu quase morri, sabia? E o seu pai... Ele...  - deixou a voz morrer, percebendo então que o homem não estava mais entre eles. Eu nunca vi tanto sangue na minha vida.

- Eu só não quero que veja isso. Ninguém vai te atacar. Por favor, Jimin.

O menor optou por obedecê-lo, subindo as escadas devagar até o quarto. Não queria mais pensar naquilo e talvez um banho bem quentinho pudesse o ajudar com aquilo.

Espero que Jungkook não esteja mentindo sobre a minha segurança.

������

Já era madrugada quando os garotos finalmente puseram-se a conversar de verdade, esclarecendo os fatos.

- Então. - Jungkook começou, sentado em sua poltrona habitual. - Você já sabe que foi atacado... E não foi por mim.

- Aaah para de enrolar e conta logo o que aconteceu! Eu não aguento mais sofrer.

Jungkook havia acabado de tomar banho, livrando-se de todo o sangue impuro antes de compartilhar as suas novas descobertas. Ele estava cansado e um pouco nervoso, tentando tomar a devida coragem para revelar todas as cartas na mesa.

As notícias não eram nem um pouco favoráveis para o lado dos dois, e o mais novo estava com uma pontada de medo no coração pelas possíveis consequências dos atos de seu falecido pai.

Burro.

- Bom, você foi atacado por um demônio. Mais especificamente pelo demônio do meu falecido avô, Jeon Sungmin.

Jimin não conseguiu falar nada, encolhendo-se minimamente em seu pijama listrado enquanto tentava entender a gravidade da situação com a boca entreaberta.

- E isso significa que agora ele está a solta pela mansão. Pronto pra nos matar na primeira oportunidade. - continuou calmo apesar das circunstâncias.

- Mas Jungkook... Como assim um demônio!? De onde raios ele veio? E o que você tem a ver com isso?

- Digamos que eu tenha matado meu avô há alguns anos atrás. E digamos que com os anos a energia negativa dele tenha o transformado num ser maligno. E por último, digamos que meu pai tenha resolvido o libertar.

- Você matou seu próprio avô? - perguntou estupefato porém sem se sentir realmente surpreso.

- Ele matou a minha mãe. Apenas devolvi o favor na mesma moeda.

O mais velho ainda continuava muito confuso.

- M-mas um demônio? Como assim Jungkook? Me explica melhor essa história!

Jeon simplesmente suspirou, pensando num modo de resumir a sua suposta teoria.

- Esta terra, onde estamos pisando agora, tem poderes Jimin. Poderes estes que transformaram as cinzas de meu avô em algo maligno, que busca por vingança pelo que eu fiz.

Park assentiu, pedindo para o garoto continuar.

- Ele estava trancafiado até hoje, quando meu pai teve a brilhante ideia de despertá-lo.

- E por que ele o libertou?

- Pra me matar. Tenho certeza que ele achava que um demônio lutando contra outro seria razão o suficiente para interessar meu avô. Mas digamos que não se convoca demônios por motivos fúteis.

- Foi ele quem...

- Sim, depois de tentar de atacar, vovô resolveu ir atrás de quem o despertou de seu descanso eterno. E isso é problema. Um grande problema. - Jungkook declarou sério, uma pontada de preocupação evidente na sua voz.

- E-ele vai tentar te matar?

- Vai. Mas não é algo tão simples assim. Demônios alimentam-se de medo e infelicidade. Se os livros e estudos do meu pai estiverem corretos, ele ainda vai brincar muito conosco antes de ir até onde realmente quer chegar.

- Se isso é realmente verdade, por que ele matou o seu pai tão rápido...? E por que nenhum de nós ouviu nada? - Jimin perguntou, sentindo-se quase dentro de um livro de contos de terror.

- A morte também o alimenta. E matar o meu pai brutalmente foi apenas um aviso do que ele é capaz de nos causar. E quanto aos sons, acho que faz parte dos poderes dele. Eu teria escutado se ele tivesse gritado.

- Então ele vai nos torturar antes de matar? - ele perguntou baixinho, sentindo a ficha cair aos poucos. Nós vamos morrer.

- É o palpite mais certeiro que eu tenho até agora. Mas não sei de verdade qual seu próximo passo.

Era disso que Jungkook tinha medo. Da incerteza.

- Mais alguma pergunta? - indagou depois de alguns segundos de completo silêncio. - Eu preciso dormir.

- Então é só isso? Deitar e dormir até alguém vir nos matar? - perguntou incrédulo. Dormir numa situação dessas?

- Mas você esperava o que? Que eu tivesse uma arma pra caçar demônios?

- Ah, sei lá. Você tem tantos poderes, poderia ter um GPS pra sentir presenças demoníacas. - brincou.

- Eu não consigo senti-lo. - respondeu sério. - Só capto a anima de seres vivos. Além disso, eu não faço ideia como matá-lo. Preciso fuçar mais no escritório do papai. - Jungkook admitiu, levantando-se para voltar ao seu amado quarto.

- Tá, você vai fazer isso amanhã, né?

- Boa noite. Durma bem e prepare-se. Amanhã temos muito o que fazer. - Jeon desejou com um pequeno sorriso, ignorando a pergunta por puro tédio em responder.

Ele disse isso e não esperou por uma resposta, deixando Jimin ali, no salão mesmo. Sozinho pelo resto da noite.

X

O que Jungkook não esperava era que o demônio fosse atacá-los no meio da noite. Quase ao nascer do Sol.

E esperava menos ainda que Jimin seria o escolhido, seu quarto sendo invadido pela presença maligna.

O ser das trevas apareceu como uma fumaça espessa e negra, aos poucos tomando a forma de uma de suas personificações, alguma besta semelhante a um palhaço.

As movimentações dele eram amedrontadoras, e ele enviava energias para o garoto que dormia, chiando e se contorcendo próximo a porta do quarto.

- Shhhhhhhssssshhhhhhhh.

O menor de repente acordou, deparando-se com a criatura deformada no cantinho do quarto. Inicialmente ele pensou estar sonhando, ou então vendo coisas. Mas um grito ainda ficou entalado na garganta, causando-lhe um arrepio na pele muito verdadeiro após ouvir a voz lenta do demônio. Ecoando no quarto.

Hey hey hey! Quer brincar comigo? Sou Hobi e preciso de um amigo.

Jimin sobressaltou-se na cama, deixando o pequeno grito escapar enquanto desesperadamente ligava o abajur. A besta o observava com um olhar brilhante, sádico, ainda de cócoras no chão, contorcendo o pescoço de modo desumano como se fosse uma coruja.

Ele sorriu, mostrando suas presas afiadas e lambeu os lábios com sua língua negra, começando a se aproximar de sua vítima, rastejando sorrateiramente. O suposto Hobi continuava a emitir sons agoniantes aos ouvidos, e tudo que o garoto conseguia fazer era ficar parado, literalmente paralisado pela sua presença.

Jimin desde criança tinha coulrofobia.

O pequeno agarrava seu cobertor com ambas as mãos, suando frio e tentando recobrar o raciocínio para gritar. Quando o ser finalmente subiu na cama e tocou na perna coberta de Jimin, ele sentiu um calafrio sombrio percorrer a espinha.

Hey hey hey! Sempre me lisonjeio em ver alguém tão feio. - o demônio chiou pausadamente, quase face a face com Park.

Ao ouvir aquilo, o garoto conseguiu recobrar os sentidos, gritando por Jungkook ao inalar o hálito doce e tóxico do palhaço. A besta, irritada por ouvi-lo gritar por socorro, pegou um dos travesseiros que estava na cama, calando-o ao enfiá-lo contra face.

Sem ar...

Sem ar... Eu vou morrer sem ar... Por que tudo está tão escuro? Eu vou mesmo morrer?

Jimin se remexia na cama, o desespero de morrer asfixiado consumindo ainda mais do ar tão precioso naquele momento.

Estava prestes a desmaiar devido a falta de respiração quando uma adaga fora enfiada no peito do pequeno demônio, não causando muito efeito, mas sendo o suficiente para fazer o demônio prestar atenção atrás de si, aliviando o aperto no travesseiro.

Se alguém vai matá-lo, esse alguém sou eu.

Jungkook disse, fazendo uma expressão de raiva misturada ao pavor, girando a faca pelo coração inexistente, numa tentativa falha de afastar o palhaço dali. Sungmin, porém, não gostava de acabar as brincadeiras tão rápido assim, então com um último sorriso macabro, Hobi preferiu desaparecer no ar, abandonando um Jimin praticamente inconsciente na cama.

- Jimin-ah! - Jungkook finalmente se manisfestou, aproximando-se da cama. - Respira fundo, por favor. Vai ficar tudo bem. Ele já foi embora.

O mais velho tentava a todo custo se acalmar, sentindo os pulmões arderem ao receber novamente o tão bom oxigênio. Jeon o ajudava, massageando seu ombro com um olhar preocupado. Não estava esperando um ataque tão cedo. Nem que seria tão difícil combatê-lo.

- Jungkook... - Jimin chamou minutos depois, ainda tomando o copo d'água que o outro trouxera magicamente. - P-posso dormir no seu quarto hoje?

O mais novo apenas arqueou uma sobrancelha, um pouco confuso com o pedido.

- Eu não quero mais dormir sozinho. Não consigo. - Park admitiu, apertando o cobertor amarelo com a mãozinha vaga. - E... E se ele voltar?

- Ele não vai voltar.

- Você também disse que ele não iria me atacar hoje. - rebateu, erguendo a voz.

Jungkook suspirou, não vendo outra alternativa. É melhor assim do que acordar novamente. 

- Ok, você venceu. Pode vir comigo.

O quarto dele era a suíte master, com uma cama king size e um banheiro quase do tamanho de outro cômodo. Jimin ficou maravilhado ao sentar-se na beirada da cama, admirando o tom escuro e sofisticado que o ambiente transmitia a quem entrava.

- Podemos dormir, por favor? Eu não te chamei aqui pra babar pelo meu bom gosto em decoração. 

- Ah, desculpa. É só que é muito lindo. - o menor comentou, levemente envergonhado.

- Obrigado. - ele agradeceu já deitado em seu lugar, apenas o abajur aceso e um leve cobertor negro sobre si. - Boa noite e durma bem.

- Boa noite... - o outro respondeu, se acomodando na outra ponta da cama. Caberia ali umas três pessoas com facilidade.

- Sem pesadelos. - Jungkook disse, apontando para cima, onde um filtro dos sonhos (dream catcher) com penas negras estava pendurado. 

Jimin imediatamente sorriu, sentindo-se feliz e protegido. De repente a visão da pequena besta demoníaca pareceu amenizar-se dentro de sua mente, o dando oportunidade de descansar mais um pouco antes de enfrentar um longo e perigoso dia.

O Sol já nascia lá fora quando finalmente pegaram no sono.

X

Jimin se remexia muito durante seu sono, o cobertor amarelo praticamente jogado do outro lado da cama quando acordou. Ele abriu os olhos devagar, sentindo a pouca claridade transpassando o blecaute das cortinas. Levou um pequeno susto ao deparar-se com Jungkook bem em frente ao seu rosto, ainda adormecido.

Era um visão esplêndida, os lábios entreabertos e os cílios escuros emoldurando a face alheia. Lindo demais para a sociedade alguma vez ter a oportunidade de admirar.

Queria tanto tocá-lo.

Mas resolveu ficar ali, parado e observando o garoto sobrenatural por tanto tempo que perdeu a noção dos minutos, apenas esperando-o acordar. E quando o fez, Jungkook não pareceu se assustar, não movendo um músculo sequer quando umedeceu os lábios, um pouco confuso com a proximidade repentina.

- Bom dia Jungkookie. - falou com a voz rouca, rompendo o silêncio antes que o outro pudesse fazê-lo.

- Bom dia. Por que você está me olhando assim? - perguntou devagar, ainda com sono, piscando muito e a franja desarrumada bloqueando a visão de um dos olhos.

- É que... Você é muito bonito.

Admitir aquilo em voz alta foi um tanto quanto embaraçoso, porém Jimin estava contendo-se em não se deixar envergonhar.

- Obrigad-

- Eu posso te tocar? - o menor perguntou, interrompendo o outro antes que perdesse a coragem. - O seu rosto... Ele... É tão lindo.

Jeon franziu o cenho, estranhando e muito aquele pedido repentino. Todos que moraram ali já disseram que ele era bonito, mas nunca com tanta intensidade como Jimin o fez naquele momento. Acabou por ceder o pedido, curioso pelo quê o pequeno queria tanto fazer.

- Se quer tanto, vá em frente.

Park assentiu, pondo o dedo indicador na bochecha de Jungkook, quase como se quisesse ter a certeza de que ele estava ali, não sendo apenas uma alucinação de sua complicada cabecinha.

Jimin sorriu, um pouco envergonhado, e tirou a franja da frente dos olhos do garoto, permitindo que o olhar brilhante e escuro dobrasse de intensidade. Era estranho para ele ser tocado daquele jeito, e seu coração estava confuso sobre o que sentir.

Os dedinhos percorriam todos os cantos de sua pele alva e ligeiramente fria, fazendo-o ter a sensação de que era um Sol morno quem lhe tocava o rosto. Nariz, testa, sobrancelhas, queixo, todas as regiões. Um leve arrepio fez Jungkook fechar os olhos, Jimin tendo a liberdade de lentamente passar o polegar pelos lábios alheios, corando logo após o ato.

Seu coração começou a bater tão rápido que ele teve medo do outro ouvir, tendo em mente que Jungkook possuía uma audição bem mais aguçada que si. O menor então acabou por cessar os toques, recolhendo a mão para junto do corpo novamente. Ela parecia quase dormente.

- Obrigado. - Jimin falou, sem saber ao certo como dissipar a tensão.

Jeon apenas abriu os olhos, fitando o garoto com um leve sorriso nos lábios. Ele levantou-se sem qualquer aviso, abrindo a janela para logo depois ir ao banheiro colossal.

Jimin apenas piscou muitas vezes, quase xingando por ter tanta luz entrando em seus olhos de uma vez só. Devia ser quase meio dia e Park nunca havia acordado tão tarde naquela mansão.

Demorou mais uns quinze minutos até ambos finalmente saírem do quarto, trocando praticamente nenhum diálogo até o momento que o mais velho notou que não havia café da manhã, muito menos almoço para os dois.

- Eu dispensei os funcionários ontem por segurança. - Jungkook falou espontaneamente. - Parece que somos nós quem precisamos fazer a comida.

- Ou então podemos pedir a comida. Se alguém entregar até aqui, o que eu duvido muito.

- Pedir comida? - Jeon perguntou confuso. - Tipo uma oferenda aos deuses?

Jimin tapou a boca, tentando não rir ao perceber que ele nunca havia pedido uma pizza na vida.

- Pelo amor de Deus, não é assim que o mundo funciona. Precisamos pedir por telefone pra algum estabelecimento que entregue em domicílio. Aqui não tem internet então eu preciso de uma lista telefônica. Eu acho. - falou pensativo.

- Ok, então faz isso enquanto eu como alguma fruta. - deu de ombros, não ligando muito para a explicação. - Tenho muito o que fazer e você vai me ajudar.

Park assentiu, preparando-se psicologicamente para voltar ao século passado onde não havia internet.

Foi demorado mas ele conseguiu. O único lugar que aceitou entregar lá foi uma pizzaria, e os dois comeram em silêncio depois de muito tempo de espera, Jungkook preferindo não se manifestar acerca do que precisavam fazer para livrar-se do avô demoníaco.

Jimin ainda estava morrendo de medo de ser atacado pelo palhaço, porém o Sr. Bigodes pareceu transmitir-lhe segurança, mostrando-se indiferente a presença de demônios ou seja lá o que fosse.

O gatinho apenas comeu sua ração em paz, pedindo um pouco de carinho depois de usar a caixinha de areia.

- Jungkook-ah, o que eu preciso fazer pra te ajudar? - falou depois de alguns minutos, cansado de tanto suspense.

- Primeiro precisamos enterrar meu pai decentemente. Depois eu te explico o próximo passo.

Jimin estremeceu, não gostando da ideia de enterrar alguém, fosse vivo ou morto. Jeon havia conseguido limpar grande parte do escritório graças aos poderes, faltando apenas o enterro para finalizar o trabalho braçal.

O local escolhido foi uma surpresa para o mais velho, principalmente porque ele não fazia ideia de que havia um cemitério dentro do jardim. Ele nunca havia se dado a curiosidade de explorar o jardim com afinco, e bem ao fundo da paisagem passou-lhe despercebido a visão de pequenas lápides.

Haviam cinco delas, três pertencentes as garotas, uma para o pai e a última do único garoto que Jungkook já assassinou. Estava escrito apenas o nome dele, Min Yoongi, sem quaisquer datas ou frases bonitas. Nem sequer o Dr. Jeon teve esse luxo.

O lugar ao menos era bonito, a grama verdinha e os portões bem cuidados, com nenhum indício de ferrugem.

- Por que seu avô não está aqui com os outros?

- Um monstro jamais merece sair do porão. - ele respondeu simplista.

Jungkook abria um buraco no chão com a telecinese, a pá movendo-se sozinha ao destruir o gramado tão bem crescido. Jimin fazia o mesmo só que com os próprios braços, sendo obrigado a trabalhar ao invés de só ficar olhando. Devia ser difícil a vida de um coveiro.

Feito aquilo, puseram o saco preto com o corpo do pai lá em baixo, tapando o local que incrivelmente já possuía uma lápide pronta. Por alguns instantes Park ponderou se havia alguma pronta para si também, e imaginou que sim. Algum dia ele estaria ali, ao lado dos outros.

- E agora?

- Vamos voltar lá pra dentro.

Jimin mais uma vez suspirou, querendo logo saber o que precisava fazer para ajudar de verdade. Até agora ele sentia-se um inútil sem quaisquer conhecimentos verdadeiros, as palavras de Hobi não sendo esquecidas com facilidade.

Sempre me lisonjeio em ver alguém tão feio.

O garoto nunca havia se achado daquele jeito, mas comparado a Jungkook, era óbvio que bonito ele não era.

- Jimin-ah, preste muita atenção no que você tem que fazer.

- Pode falar. - ele falou como se estivesse prestando atenção o caminho todo.

Eles estavam na entrada do escritório do falecido pai, Jungkook usando seus poderes para carregar a maior quantidade de livros possíveis até o salão. Todos eles tratavam-se de demônios, área de estudos da demonologia. Dr. Jeon pesquisava muito sobre o assunto, tentando achar alguma solução para o filho "endemoniado".

Tolo.

Quando os garotos acharam a quantidade de livros suficiente, foram até seus lugares habituais, agora ao lado do novo animalzinho de estimação.

- Eu quero que você vasculhe o notebook do meu pai e tente encontrar algo que seja útil para matarmos o demônio. Ou ao menos enfraquecê-lo. - Jungkook instruiu, entregando o aparelho fino e de cor prata.

- Ok... - Jimin concordou, um pouco desconfortável por não ter uma poltrona confortável como o mais novo.

- Mas Jungkook, como eu vou acessar o usuário dele se eu não tenho a senha? - perguntou depois de ligar a máquina.

- Se vira. Eu te dei um trabalho e você vai cumpri-lo. - falou seco, folheando o primeiro da pilha enorme de livros.

- Posso te fazer algumas perguntas antes de começar?

- Vai. Fala. - bufou, um tanto quanto impaciente.

- Por que foi uma espécie de palhaço que me atacou? E não... O demônio?

Só falar sobre o assunto deixava Jimin desconfortável. Mas ele iria se controlar.

- A maior parte dos demônios podem adquirir a forma que quiserem. E como eles se alimentam do medo, ele se transformou num medo seu. Que eu suponho ser palhaços. - Jeon explicou, felizmente não zombando do garoto.

- I-isso. Aish, ele é assustador. - comentou quase tremendo ao se recordar do rosto dele.

- Eu não acho. É tudo questão do psicológico. - Jungkook falou cutucando a cabeça. - Ele também pode controlar isso. E quanto mais medo você tem, mais forte o demônio fica.

- Oh. Isso não é bom.

- Nós vamos achar um jeito de enfraquecê-lo, não se preocupe. - o mais novo falou, sempre tentando apaziguar o clima ruim.

Jimin assentiu, tentando lembrar como Taehyung havia o ensinado a hackear computadores. O garoto lhe fazia muita falta, e de repente ele sentiu saudades da sua vida antiga. Onde tinha uma mãe e quem sabe amigos.

Agora só havia Jeon Jungkook. Ele e nada mais.

A sua vida virou de cabeça 'pra baixo em poucas semanas, levando-o ao nível de enfrentar demônios que sequer sabia da existência.

Agora estava hackeando máquinas alheias, a busca de algo que pudesse os ajudar. Havia diversos documentos sobre demônios dentro da memória do notebook, mas nada que falasse acerca de fraquezas ou quiçá morte.

Jungkook estava na mesma, surpreendendo-se com os livros estranhos, alguns escritos a mão e outros que chegavam a usar idiomas desconhecidos por si. Ficaram duas horas lendo sem parar, a vista já cansada e a coluna de Park pior ainda.

Foi somente no décimo terceiro livro que Jungkook achou uma pista. Ou quase isso. Seus olhinhos brilharam, na expectativa de ter uma resposta para os seus problemas.

- Jimin-ah. Eu acho que encontrei algo que pode nos ajudar...


Notas Finais


Jimin quase morreu mas vai ficar tudo bem! Eu acho...


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