História Depois da Crise. - Capítulo 5


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Categorias Saint Seiya
Personagens Aiolia de Leão, Saga de Gêmeos, Saori Kido (Athena)
Tags Saga De Gêmeos, Saints Seiya
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Palavras 9.439
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fantasia, Fluffy, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Suspense
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Então, eu demorei, sim! Admito: mereço uma surra, mans...confesso que demorei pois estava sem inspiração e também por uma coisinha que achei que devia fazer: povo, informo que "Uma estranha no ninho Vol.1 e 2" foi editado! Foi acrescentado alguma diálogos e coisas que achei que devia. Na época eu era muito leiga na escrita, então por conta disso eu tomei a decisão de editar os dois primeiros volumes. Espero que vocês gostem. Esse capítulo tá gigante pq eu queria escrever tudo de uma vez. Eu ia dividir, mas achei meio nada a ver, então coloquei tudo logo. Espero que gostem desse último capítulo. Já agradeço do fundo do meu coração a todos os leitores que chegaram até aqui. Um beijo enorme e até.

Obs: a música que encerra a fic é Pelo mundo. Claro! Sim, tinha que ser ela. A música de abertura da Saga de Hades. Vou deixar o link a música completa nas notas finais.

* A arte da capa não é de minha autoria e pertence a @mickeysteamboat. Créditos total a ela.
♥️♥️

Capítulo 5 - Por você.


Fanfic / Fanfiction Depois da Crise. - Capítulo 5 - Por você.

Ao chegar em Gêmeos, Saga seguiu direto para seu quarto, sentando-se na poltrona negra. Sem se dar conta do tempo permaneceu ali durante horas, observando Kyoko dormir como um anjo. Fazia alguns poucos meses que não a via dormir daquela maneira. Sua mente fervilhava com tantos pensamentos, principalmente sobre as palavras de Shion temperadas em demasia com o sorriso de Minos misturado com as verdades que não paravam de martelar em sua cabeça. Era verdade, sim iria envelhecer. Oitenta, cem anos não eram nada comparado com a vida que Kyoko ainda teria pela frente. Na verdade, Saga nem saberia por onde começar a calcular quanto tempo mais sua amada viveria. Não que isso fosse ruim, mas o fato de imagina-la sozinha era o que mais lhe doía. Aquela dor intensa que ela tentava esconder, mas que agora rasgava sua própria carne, fazia o cavaleiro entender cada passo desesperado que ela deu em toda sua vida.

Ela suspirou mais alto, se movendo na cama, tateando o vazio. Saga piscou duas vezes, despertando de seus devaneios e notando que ela já começava a lhe procurar. Estava frio e o costume de sempre estar agarrada a seu corpo até que demorou a se manifestar. Suspirou cansado, ficando de pé e indo até ela. O som da armadura no chão de mármore fez a kitsune abrir os olhos de forma sonolenta. Saga apoiou um dos joelhos na cama, debruçando sobre ela e lhe dando um beijo cálido na testa, tocando o rosto dela com carinho.

—Tá de armadura. – falou baixo, tocando o peitoral de Saga.

Ele sorriu de lado, acendendo o cosmo e fazendo a armadura inteira sair de seu corpo, sumindo num brilho dourado e retornando à posição de descanso. Kyoko sentiu o calor da armadura ser substituído pela pele quente e macia, gostando e muito da rigidez dos músculos.

— Agora não estou mais. – sussurrou, aproximando o rosto do dela e se esfregando como um gatinho carente. Kyoko fechou os olhos, deslizando a mão pelos gominhos do abdômen de Saga, raspando a unha com cuidado até a virilha, acariciando ali devagar. Saga arfou, sentindo a mão quente e macia de Kyoko envolver seu membro, masturbando-o devagar. A raposa ergueu um pouco a cabeça, observando os lábios entreabertos do amado e sua respiração calma. Saga entendeu bem o gesto, segurando a nuca dela com carinho e firmeza, tomando-lhe a boca de forma sedenta descarregando ali sua aflição. Sua frustração. A mão ousada de Kyoko parecia em brasas, subindo e descendo num ritmo lento e torturante.

Sem cerimônias ou meias palavras, Kyoko apartou o beijo em busca de ar, serpenteando a língua pelo corpo dele até o membro e logo o abocanhando, engolindo até onde aguentou, chupando com avidez. Saga fechou os olhos, fechando os dedos nos cabelos de Kyoko enquanto um gemido rouco saiu pelos lábios entreaberto, acariciando os ouvidos da raposa numa melodia sexy que a instigava a se empenhar ainda mais, sentindo o vai e vem lento dos quadris estreitos em busca de alívio. De olhos fechados as lembranças e preocupações sacodiram os sentimentos de Kyoko, reverberando em Saga. Ele crispou o cenho sem abrir os olhos, vendo como tatuado nas pálpebras a face vitoriosa do Juíz de Hades. A voz de Minos que o lembrava com sadismo que no fim, por mais poderoso que Saga fosse, o Juiz havia vencido, ou melhor, o tempo. E lembrar dessa derrota iminente e massacrante fez Saga abrir os olhos num rompante, sentindo Kyoko se afastar. Os olhos se encontraram de forma perplexa e confusa, pois de forma inédita Saga havia brochado. Kyoko ficou paralisada, sem saber como reagir; pensou em dizer algo que confortasse o cavaleiro, mas no fundo sabia bem o motivo para tal situação.

— Saga...

O Geminiano piscou confuso, olhando a si mesmo por um segundo e logo olhando nos olhos dela. A mente confusa com tantos pensamentos e sentimentos que o faziam se sentir ainda pior. A voz de Minos soando maliciosa em sua cabeça o fazendo estremecer por dentro.

“...aproveite cada segundo de sua vida medíocre ao lado dela, porque...quando você se for na sua velhice eu vou estar lá...pra tomar o seu lugar. Tomar o que me pertence. O que é meu por...livre e espontânea vontade.”

“Livre e espontânea vontade” ...

Saga crispou o cenho, se afastando rápido e indo em direção a uma toga estendida sobre a poltrona negra próximo a janela, entrando nela de qualquer jeito. Kyoko engoliu em seco, ficando de joelhos na cama, sentindo-se miseravelmente culpada.

—Saga, espera. Não! – pediu nervosa, deixando o cavaleiro ainda mais nervoso.

Saga ignorou os apelos, puxando o ombro de sua toga e saindo do quarto sem olhar para trás, batendo a porta com força, causando um estrondo que ecoou pelo templo de Gêmeos. Os pés sapateando o chão frio até se dar conta de que se desse mais um passo estaria fora da Casa de Gêmeos. Um vento frio soprou contra seu corpo seminu, abrindo ligeiramente sua toga. Saga ergueu os olhos, deslizando pela vila de Rodório, mas sem vê-la realmente. Um nó se apertando em sua garganta como a tempos não sentia.

— Vai...me deixar sozinha?

Saga fechou os olhos com força sentindo o nó se apertar ainda mais . A voz chorosa de Kyoko e o desespero dela era a batalha mais difícil que já havia enfrentado na vida. A respiração acelerada pela vergonha e desespero. Kyoko dera um mísero passo, segurando com força o tecido grosso da capa da Armadura de Gêmeos ao qual usou para se cobrir, logo deu mais um, se aproximando a distância de um braço sentindo sua aflição aumentar com o silêncio.

— Eu...sinto muito, Saga. Sinto tanto. – fez uma pausa, sentindo as lágrimas embaçar sua visão. — Eu não sabia que...isso ia acontecer. Que você...o Minos...

Saga respirou fundo, virando rápido e fazendo Kyoko engolir as palavras. Não queria pensar nele e muito menos ouvir o nome dele ser pronunciado pelos lábios e voz de Kyoko. Estava com raiva, sim. No fundo, lá no fundo sentia raiva de tudo, mas não era hipócrita a ponto de culpar Kyoko. Ela conhecera Minos a mais de 200 anos atrás onde nem seus tataravôs existiam, então, como poderia culpá-la?!

— Não estou culpando você e nem estou...com raiva de você. É só... – fez uma pausa fechando os olhos por alguns segundos. — ...eu só preciso ficar sozinho. Isso! Só preciso ficar um pouco sozinho.

Kyoko engoliu em seco sem conseguir dizer nada. Seus olhos desviaram para o chão e logo voltaram até o cavaleiro. Saga desviou o olhar e mesmo sentindo vontade de abraça-la se afastou, dando as costas e voltando a observar o horizonte.

Sem saber o que fazer e muito menos o que dizer a kitsune branca girou nos calcanhares, colhendo as próprias lágrimas e saindo dali.

Quando se viu sozinho Saga suspirou pesadamente pensando nas batalhas que já havia enfrentado na vida e, sinceramente, aquela estava sendo uma das – se não fosse a mais – difícil de toda sua vida. Agora entendia muito bem porque muitos não aceitavam aquele tipo de situação. Sua mente e coração se dividia de tal forma que mesmo com todo treinamento e “lavagem cerebral” de toda a vida, não conseguia mais se ver sem Kyoko. Pensar em não estar mais com ela ou ter de escolher fazia seu estomago embrulhar pela sensação ruim. Fechou os olhos cobrindo o rosto com ambas as mãos e abafando um urro.

— Cê devia ir atrás dela. - Saga não se moveu, sentindo a aproximação do outro. — Sabe como ela é louca... – acendeu um cigarro.

— Ela não vai fugir. – respondeu sem vontade.

— Você duvida? – ironizou soltando a fumaça pelo nariz.

— Veio aqui só pra me deixar pior? – respondeu Saga mal-humorado.

— “Qualé”, Saga. Merda! Justo você se deixando intimidar por um lixo como Minos?! – soou raivosa a voz de Kanon.

—Não! Minos não me intimida. – Saga olhou o outro sobre o ombro esquerdo. Kanon se aproximou mais, encostando em um dos pilares na entrada, cruzando os braços enquanto seus longos cabelos bailavam com o vento.

Saga olhou para os degraus por alguns segundos e logo voltou ao irmão, observando os cabelos longo do outros; estavam tão diferentes agora que chegava a ser estranho.

— Só existe uma coisa no mundo que me faz me sentir...apavorado e você sabe muito bem quem e porquê. – fez uma pausa voltando a olhar o Santuário. — Tenho medo do que ela possa fazer, medo pelo meu filho. Pelos deuses, eu sou um cavaleiro e esse sentimento me faz me sentir ainda pior.

Saga se afastou, voltando alguns passos para dentro do templo, passando as mãos nos fios curtos de seu cabelo, nervoso. Kanon crispou o cenho acompanhando o irmão pelo olhar.

— Sentir medo de perder quem ama não faz de você um fraco, Saga.

— Mas não me faz pensar com clareza. Você conhece a Kyoko. Ela é inconsequente, não pensa em seus próprios atos quando está desesperada.

— Tem medo que ela faça alguma bobagem?

— Sim! Afinal...é o que ela faz de melhor. Fazer bobagens, tomar péssimas decisões quando se vê acuada. Depois do que ela fez com Ares... – bufou fechando os olhos.

Kanon deu um meio sorriso se aproximando do mais velho. O cosmo inquieto de Saga estava tão forte, incomodava tanto que já pensava se seus companheiros não estariam sentindo aquilo. O ato de Saga não estar conseguindo controlar seus sentimentos por conta do Elo dado para ele por Cheshire fazia Kanon acreditar que o ato fora um erro. Saga não era como Cheshire e nem nunca seria, o que, na verdade, era a raiz do problema. Os sentimentos intensos de Kyoko mexiam demais com Saga que, infelizmente, não conseguia – ainda- distinguir com exatidão seus verdadeiros sentimentos.

— Ei, relaxa. Assim você vai acordar o santuário inteiro e também...tem um ponto, bem no meio da barriga dela que eu tenho certeza que vai manter aquela maluca nos eixos.

Saga suspirou cansado. Não gostava nem de pensar naquilo. Pensar que qualquer atitude descuidada de Kyoko que não estivesse lá para impedir poderia custar a vida de seu herdeiro.

— Ela está com medo. Está com medo pelo que eu sou. Um Cavaleiro. Que dá sua vida pelo bem da humanidade. Não importa se... há um acordo entre os deuses. Ela não credita neles, não confia em nenhum dele e com razão. Se Poseidon tivesse cumprido sua palavra ela não teria passado por tudo que passou. Kyoko está traumatizada. Cansada de ver pessoas que ama morrendo e não conseguir fazer nada e ela...vai fazer qualquer coisa para impedir que me aconteça algo. – confessou Saga, triste.

— Pelas bolas de Zeus, Saga! Ela não confia em você? No quanto você é forte? Você é um Santo de Ouro e ela sabia muito bem disso quando te conheceu, principalmente na Guerra Santa. – reclamou Kanon.

— Exatamente. E se você não se recorda foi nessa mesma Guerra Santa que ela me viu morrer. – falou entredentes, irritado. Kanon não disse nada. — Ela já perdeu demais. Viu muita gente morrer, inclusive eu. Nós. Ela sabe que...se estourar uma nova Guerra, seja ela qual for, não vamos hesitar em dar nossas vidas e é isso, sempre foi isso que ela se esforçou ao máximo para evitar. Ela nunca duvidou de nossa capacidade, de nossa força. Ela só quer evitar que você, eu, qualquer um de nós morra outra vez. Ela se sente bem aqui, Kanon, entre nós...e dói bem lá no fundo da alma dela saber que no fim Hiroaki estava certo. Eu não posso dar a ela o que ela merece. Nem se eu vivesse cem vidas seria o suficiente. No fim eu a deixarei sozinha.

Kanon ficou sem palavras, desviando o olhar tamanho o nó que apertou sua garganta. Sentiu vontade de abraçar Saga e dizer que cuidaria dela caso acontecesse algo ao irmão, mas não podia. Não era medo de morrer em batalha que incomodava Saga, pois tinha autoconfiança o suficiente para não temer nenhum adversário, a não ser o tempo. Sim, pois esse nem mesmo as reencarnações dos deuses podiam vencer.

O mais velho sentiu o peito arfar e o frio se intensificar em seu rosto onde o vento gélido da noite tocava o caminho deixado por suas lágrimas. Lágrimas de uma frustração e impotência que Saga nunca pensou que sentiria em toda sua existência.

oOo♊oOo

O sol já estava nascendo quando Saga achou por bem ir para cama, mas assim que entrou notou que – assim como Kanon havia avisado – Kyoko não estava ali. Olhou de um lado a outro, indo ao banheiro, cozinha, escritório e nada; ela não estava em Gêmeos. Respirou fundo preocupado e na preocupação de seu cosmo um chamado foi ouvido.

“Ela está em Virgem, Saga. Não se preocupe ficarei de olho nela, mas pode vir busca-la assim que desejar.”

Saga respirou aliviado. Pensou em ir na Sexta casa buscar a amada, mas lembrou de que a festividade se aproximava, e tinha muitas responsabilidades, por isso achou por bem deixar Kyoko onde estava por enquanto mesmo não se sentindo confortável com isso. Pelo menos não estaria sozinha. Shaka cuidaria dela com todo prazer.

E na grande e espaçosa cama Kyoko dormia embalada por uma música oriental bem baixinha e um incenso de lavanda que o Indiano deixara aceso a fim de acalma-la. Ela se remexeu um pouco, rolando ali e num rompante abriu os olhos, levantando a cabeça de forma assustada, olhando de um lado para o outro.

— Pesadelos?

Kyoko olhou para um canto onde, sentado em posição de lótus no meio das almofadas douradas, marrons e vermelhas Shaka a “observava”. Transtornada pelo sono ela olhou novamente ao redor como que tentando se localizar, ter a certeza de que estava realmente acordada.

— Você...ainda ouve a voz dele, não é?!

A voz rouca e calma de Shaka voltou a ganhar a atenção da kitsune que engoliu em seco por conta da frase. Shaka deu um mísero sorriso tendo a certeza de que aquilo que desconfiava era real. Ele então ficou de pé e caminhou até a cama e sentando nela. Kyoko mantinha os olhos amedrontados no rosto plácido do indiano sem dizer uma única palavra.

— Você ainda escuta a voz dele. Saga se sentiu da mesma forma quando voltou a vida. – respirou fundo. — Ele já lhe disse que foi o último de nós a ser ressuscitado?

Kyoko desviou o olhar. Shaka sorriu mais.

— Tudo na vida tem um preço e o preço para...trazer os Gêmeos “traidores” foi mais alto ainda. – fez uma pausa, Kyoko se sentou. — Kanon deverá servir a Poseidon pro resto de seus dias mesmo que viva no Santuário e Saga...

— Ele virou o elo de Ares com o mundo humano. – respondeu Kyoko para surpresa de Shaka. Kyoko se encolheu abraçando as próprias pernas, o olhar sério e indignado. — Todos os deuses tinham de estar em acordo. Todos tinham de concordar e...mesmo que todos eles soubessem que Ares era um...lixo e que Saga não tinha culpa nenhum deles se importou. Nenhum deles ligava. Só os prazeres deles é o que importa. – fez uma pausa. — Saori levou sete anos tentando convencê-los, mas não conseguiu e então ela cedeu. Colocou um selo dentro dele pra que Ares não o controlasse. Mas Saga precisava ser forte, não podia...se desviar. Se desviar de seu propósito como Cavaleiro para provar ser realmente digno.

— Exato! E se sentindo duplamente culpada você tomou a marca negra dele para si. – Kyoko sentiu os olhos embaçarem, forçando-se a não chorar, virando o rosto para que, mesmo de olhos fechados, Shaka não a visse daquele jeito. — Você o vê, não é?! Ouve a voz dele em sua mente. Ele está aqui não está?! Sentado do seu lado, sorrindo vitorioso com sua desgraça, Kyoko.

— Não é real...

— Ele é um deus, Kyoko e mesmo estando no Tártaro ele ainda é um deus.

— Ele tá morto.

— Não pode lidar com isso sozinha. – rebateu Shaka sem se alterar.

— Por favor, Shaka. Por favor, não conta pra ele. – Kyoko implorou, nervosa. Shaka não se moveu.

— Ele tem de saber.

— Não...eu to implorando, Shaka. Por fav...

Shaka não movera nada além do que o cenho ao atingir a mente de Kyoko com seu cosmo poderosíssimo, fazendo a Kitsune paralisar de olhos arregalados, pulverizando o último resquício de Ares que sobrara na mente dela. Kyoko deu um pequeno suspiro e logo fechou os olhos caindo desmaiada na cama. O indiano a observou de olhos fechados, ficando de pé em seguida e saindo dali em direção a seu jardim afim de meditar. Caminhou descalço sobre a grama verde até as belas árvores Sala Gêmeas, sentando em posição de lótus. O vento fresco da manhã ensolarada balançou seus cabelos dourados levando junto várias pétalas das flores de cerejeira criando um espetáculo onde lembrou do sorriso de Kyoko ao estar ali pela primeira vez.

— Uall! Você é impressionante. Foi mais fácil e rápido do que pensei.

Shaka não se moveu ao ouvir a voz próxima a si.

— Era só um resquício. – respondeu calmo.

— É... – o homem se sentou próximo ao indiano, se recostando na árvore.

— Me responda uma coisa, Eros: foi você quem guiou ela até Saga?

O jovem Eros sorriu matreiro, desviando os olhos acinzentados para as folhas e flores da árvore, vendo os pequenos raios do sol atravessar algumas delas.

— Ela não tinha ninguém, estava sozinha. Caiu no mar sangrando. Hiroaki logo a encontraria. De qualquer maneira a Guerra viria até vocês com ou sem Kyoko, então...porque não juntar o útil ao agradável?

— Hum...como pensei. Você manipulou as coisas. – respondeu Shaka.

— Ah não, não me confunda com meus irmãos ou com meu pai. Eu não obriguei Saga a se apaixonar por ela, eu só...coloquei ela de volta no caminhou dele. Athena me pediu ajuda e eu...- fez uma pausa. —...queria ajudar. Meu pai já tinha torturado o Cavaleiro de Gêmeos mais do que o suficiente, não era justo continuar. Então, nada como o amor para salvar alguém da escuridão.

— E então você deu a Kyoko a ele. – sorriu de lado.

— Bom...a verdade era que eu tentei com Eva, mas...*fuuuu...* não funcionou muito bem. Daí eu pensei: e se fosse algo especial? E daí, voalà! Lá estava ela. Se esgueirando pelo navio, procurando um lugar pra se esconder. Daí eu só precisei fazer ela me seguir e ver ele. Confesso que não foi tão fácil e eu fiquei bastante preocupado de Saga não se apaixonar por ela, mas ainda bem que deu tudo certo. – sorriu feliz.

— Hum! Eu olho para o mundo agora e vejo toda essa calmaria, e me pergunto: qual o propósito de Athena para nós? Um acordo de paz de mil anos, nos trazer de volta a vida...eu reflito e medito, com toda minha plenitude, mas não consigo achar uma resposta. – confessou Shaka pensativo.

— Ahhh por favor, Virgem! Você é só um homem. Poderoso, mas é carne e osso. Um homem cheio de necessidades que nem sabe o que é a real plenitude da vida de um ser humano. — Eros gargalhou ficando de pé, rodeando Shaka. — Plenitude. O que é plenitude para você? Poder? Ficar sentando aqui meditando pro resto de sua vida esperando uma Guerra que não lhes pertence mais? Alcançar o Arayashike pela, sei lá, milionésima vez? Ah Shaka não a nada mais pleno para um ser humano do que o amor. Amar e ser amado. Sentir o cheiro, o calor, o toque da pele, o sexo com quem se ama. Isso é plenitude! – girou de braços aberto como uma criança.

— Eu não preciso disso. – respondeu frio o indiano. Eros caiu deitado ao lado dele, apoiando o rosto na mão.

— Claro que não. Você nunca sentirá falta de algo que nunca teve. Mas se você quiser eu...posso dar um jeitinho. Você é tão bonito e jovem...

—Não, obrigado! – cortou ríspido.

— Está bem, está bem. Não precisa ficar nervosinho.

Eros ficou de pé achando graça de como Shaka havia ficado constrangido com a conversa. Não conseguiu deixar de imaginar como aquele indiano metido a besta ficaria ao estar de quatro por alguém e pensando nisso sorriu mais começando a se afastar.

— Ah! Antes que eu me esqueça. Obrigado por ter...terminado o serviço. Espero que agora a Kyoko consiga pensar mais claramente.

O deus saiu caminhando deixando Shaka em meio a divagações. O amor, amar alguém. Nunca havia sequer pensado nisso, mas agora tinha que admitir que seus amigos haviam sim se tornando mais fortes depois dessa tal “plenitude”. Aiolos, Aiolia, Mu, Saga e até mesmo Camus que, mesmo sem dizer, sofria por não ter mais Naomi. Sofria por não ter se dado uma chance e se até mesmo Camus que era o mais frio dos 12 pensava sobre isso, Shaka não conseguiu deixar de se questionar: Será que Eros não estava certo?

oOo♊oOo

O relógio marcava as 16:30 de uma sexta-feira. Pontualmente a esse horário os portões da pequena escola da vila se abriam e as crianças logo saíam como loucas portão a fora cada qual em direção a seus acompanhantes. Gritaria, risos e também choros eram frequentes para o olhar mais do que apurado de Cheshire. As mães e pais, agora já acostumados com sua presença sinistra, cumprimentavam o youkai com acenos de mão e cabeça. O nekko correspondia de forma simples. Ele não dizia a ninguém, mas no fundo gostava daquilo. Para quem viveu a vida inteira sob a sombra de outra pessoa, ter a sua própria não era nada mal.

— Testelis! – soou a voz ofegante.

— Oi, garoto. – sorriu de lado.

Luy deu um abraço nas pernas do nekko e sorriu sendo correspondido. Todos os dias era a mesma coisa. Segurou na mão dele e saiu caminhando feliz, falando sobre todas as atividades que havia tido naquele dia e mais feliz ainda por ser sexta-feira, o que resultava em folga no fim de semana.

— Eu quelia ir vê a Tioko amanhã. Voxe me leva?

— Se você fizer todo seu dever de casa...sim. Eu levarei você.

— Oba!!!

O menino se soltou e saiu correndo na frente sendo logo recebido por sua mãe. Lena abaixou, recebendo um beijo no rosto e um forte abraço. Cheshire se aproximou retirando das mãos da moça um cesto cheio de lixo e o colocando no portão antes de entrar. Lena sorriu; adorava o jeito frio, mas cuidadoso do companheiro.

— Qual é a graça? – perguntou ele ao se aproximar.

— Nada é só que...eu adoro esse seu jeito. Você é tão atencioso e carinhoso comigo e com o Luy que...parece um sonho. – confessou ruborizada. Cheshire sentiu o peito inflar e um friozinho no estômago.

— Fico feliz em saber. Faço o melhor que posso. Não sabe como isso me deixa satisfeito. – tocou o rosto dela. Lena fechou os olhos, sentindo a mão cálida lhe afagar com carinho. Cheshire observou o rosto dela gostando muito do resultado da sua ação, se aproximando e beijando a mulher. Lena suspirou, envolvendo o pescoço dele e intensificando o beijo. Cheshire sentiu o corpo esquentar, puxando a mulher para mais perto, roçando o corpo no dela sem se importar que ainda era dia e a vizinha acabava de chegar da feira. Lena abriu os olhos por alguns segundos e vendo o espanto no rosto da pobre senhora, se afastando de Cheshire com dificuldade.

— Para, tem gente olhando. – sussurrou, encabulada.

— Quem disse que me importo? – rebateu o nekko com o rosto afogueado, buscando a boca de Lena.

— Eu me importo. – se afastou sorrindo. — E além do mais o Luy ainda está acordado, esqueceu?!

— Não, mas eu posso colocá-lo pra dormir se esse for o problema.

— Cheshire! – repreendeu Lena. — A gente fez ontem a noite. – cochichou encabulada.

— Sim, ontem. Hoje é outro dia. Kyoko e Saga faziam sexo todos os dias, e as vezes várias vezes num único dia. – disse. Lena ruborizou como um pimentão.

— Obrigada, mas eu não quero saber sobre a intimidade da Kyoko e do Senhor Saga. – entrou indo para cozinha e começando a cortas os legumes.

Cheshire ficou parado um tempo observando a mulher e seus quadris cheios. Aquelas sensações eram novas para si, ou melhor, maravilhosamente novas e talvez por isso ou por estar apaixonado por Lena não conseguia se cansar de estar com ela em seus braços. Por não ser humano, Cheshire parecia ter mais energia do que um ser humano...pelo menos era isso que Lena tentava se convencer, pois para ela aquilo também era inédito.

Lena era a filha mais nova de uma família pequena que depois da Guerra Santa ficara sozinha na vida. Conheceu o ex-marido no porto e se apaixonou à primeira vista pelos belos olhos verdes e seus cabelos cor de ouro, se entregando a ele de corpo e alma. Mas infelizmente todo o amor que dava ao homem nunca recebeu de volta. Em contraste com sua bela aparência Filipe era infiel, violento e tinha sérios problemas com bebidas e jogos de azar. Logo Lena engravidou e Luy era sua única coisa boa no mundo depois da Guerra Santa. Sozinha, acabou por se deixar levar pelo costume ao aprender a aceitar e a lidar com as atitudes do marido até a chegada de Kyoko e, claro Cheshire onde finalmente fora libertada e amada como se devia. Por mais frio que o shinobi de Kyoko fosse, com ela, ele era diferente. Sempre atencioso e prestativo, cumpria com louvor a promessa de cuidar de Luy como se fosse seu próprio filho e essa era a maior recompensa que podia receber. Athena havia ouvido suas preces e agora só tinha a agradecer.

Distraída com os legumes Lena levou um susto ao ser prensada contra a pia da cozinha, sentindo as mãos grandes lhe apertar os quadris, a língua molhada e áspera era estranhamente deliciosa, deslizando pelo lóbulo da orelha direita e seguindo o caminho para o pescoço. Lena apertou o cabo da faca como se aquele pequeno objeto pudesse lhe dar alguma sustentação, fechando os olhos ao passo que as mãos de Cheshire subiam e massageavam seus seios fartos, apertando os bicos com cuidado.

— Che...Cheshire...o...Luy.

— Shiii...ele está na banheira e ficará lá entretido. Não se preocupe, ele não irá nos atrapalhar. – desceu a mão até as coxas de Lena, enfiando a mão por baixo do vestido e rasgando a calcinha com facilidade. — Confie em mim.

Lena soltou a faca, gemendo baixinho de olhos fechados, sentindo a rigidez do sexo dele contra seu bumbum. A respiração quente dele batendo em sua nuca deixando-a ainda mais arrepiada.

— Como sabe que ele não virá? – sussurrou sentindo ele encostar na entrar de sua vagina.

— Porque eu estou lá. – respondeu virando o rosto dela e tomando a boca com ânsia, abafando o gemido ao passo que se enterrava cada vez mais dentro dela. Lena sentiu os olhos girarem sob as pálpebras, se entregando ao ato libidinoso, se apoiando na pia a fim de se manter de pé em cada estocada que levava. O nekko começou a ronronar, deslizando a língua áspera pelo pescoço, levando a mão até a perna esquerda de Lena, erguendo um pouco para ter mais acesso, intensificando os movimentos para o delírio de ambos. Lena mordeu os lábios para não gemer mais alto, sentindo o corpo sacolejar e se excitando mais com o som da pelve dele se chocando em suas nádegas. Os dentes finos raspando em sua pele, chupando e marcando lhe faziam alcançar um prazer quase indescritível e tão maravilhoso que nada mais ao seu redor parecia existir.

— Isso é tão bom. Não consigo parar, tenho vontade de fazer isso o tempo inteiro com você. – confessou o nekko ao pé do ouvido, sorrindo malicioso ao ver a moça tapar a boca com a própria mão. — Não precisa se conter assim. Geme! Eu quero ouvir. Já disse pra confiar em mim, está tudo bem. Deixa-me te ouvir, Lena. Minha Lena.

A mulher sentiu o corpo em brasas, tirando a mão da boca e gemendo despudoradamente. Cheshire sorriu satisfeito, se arremetendo mais forte e rápido, sacudindo o corpo da amada ao passo que o prazer aumentava. O suor brotando na pele como a fumaça que saía da água fervendo na chaleira, misturando seu apito com os gemidos de Lena e do shinobi. As pernas adormecendo, um arrepio subindo pela espinha e o típico zumbido no ouvido indicando a Lena o orgasmo forte e divino. O nekko sorriu mais com as contrações do órgão dela ao redor do seu, o levando quase a loucura. Cheshire soltou a perna dela, a puxando mais para trás fazendo com que Lena se inclinasse sobre a pia, agarrando nas ancas dela e se arremetendo com mais intensidade, gemendo quase como um animal ao passo que gozava dentro dela pela milésima vez, mas que sempre parecia a primeira. O corpo espasmando, contraindo a musculatura de forma intensa e deliciosa. Lena fechou os olhos, sentindo o líquido lhe invadir e escorrer pelas pernas. Cheshire debruçou sobre ela ofegando enquanto sorria, satisfeito.

— Você é louco. – disse Lena se esticando para apagar o fogo.

— Você não é a primeira a dizer isso. Mas foi você quem me apresentou a esse mundo, então...- saiu de dentro dela, virando-a de frente a si. —...a responsabilidade é sua.

Lena sorriu ao ver seu reflexo nos olhos incrivelmente azuis do amado, tocando em seu rosto e logo o abraçando com força. Cheshire gostou do carinho, retribuindo.

— Eu sei, por isso eu amo você. – confessou Lena.

Cheshire sentiu o peito se aquecer com a frase, sorrindo feliz e a abraçando forte.

—Eu também amo você. – confessou sincero.

oOo♊oOo


Sentado em sua mesa de escritório, Saga sentiu-se satisfeito ao finalmente terminar suas obrigações. Com cuidado organizou todas as folhas, colocando em ordem alfabética a pilha razoável sobre os possíveis candidatos a aspirantes e discípulos. Uma xícara de café jazia fria sobre um suporte de madeira ao lado do recipiente onde a caneta bico de pena descansava próximo ao nanquim.

- Achei que não voltaria mais para casa. – falou ainda olhando para os últimos documentos.

- Você disse que queria ficar sozinho.

Saga ficou de pé indo até a estante de livros e pegando um e voltando a mesa, abrindo no índice. Kyoko cruzou ao braços observando a feição concentrada do cavaleiro.

- Sim, realmente eu disse, mas...- voltou a ficar de pé e guardando o livro para enfim olhar Kyoko. - ...eu só precisava ficar sozinho algumas horas e não uma semana inteira.

- Então, porque não foi me buscar?

- Porque eu sou homem e maduro o suficiente para deixar e concordar que você tome suas próprias decisões.

Kyoko não respondeu, observando a expressão naturalmente séria de Saga. Ele respirou fundo voltando a atenção ao papéis deixando somente o som do fogo ao queimar a madeira na lareira. Kyoko mordeu o lábio. Um pouco sem jeito caminhou até a mesa, parando diante dela e cruzando os braços, tentando de maneira curiosa identificar o que Saga terminava de escrever. Ele pareceu não se importar, assim assinando o último documento com sua caligrafia bem desenhada e muito elegante.

- Shaka fez alguma coisa comigo e eu...perdi a noção do tempo. – confessou preocupada. Saga respirou fundo, guardando o papel e, finalmente, olhando Kyoko nos olhos.

- É...eu sei. – ficou de pé.

- Ele...te contou?

- Sim...

Saga começou a caminhar, devagar, dando a volta na mesa e parando quase de frente a Kyoko, mirando os olhos assustados dela. No mesmo ritmo levou a mão ao rosto dela, encaixando o queixo na palma de sua mão enquanto os dedos quase se enterraram na carne. Kyoko soltou um leve gemido, mas continuou em silêncio diante do olhar sério a detalhar sua face.

- Quantas vezes eu já lhe disse que você é...a criatura mais bela que já vi em toda minha existência?

Kyoko ficou em silêncio, surpresa pelas palavras do amado. Espera uma chuva de broncas, mas não aquilo; um elogio sincero, apaixonado e muito sexy. Um arrepio gostoso subiu por sua espinha até a nuca onde os pequenos pelos se eriçaram, os olhos preso na feição indecifrável que aos pouco fora mudando. Saga, no fundo, bem lá no fundo sentiu-se irritado e ainda mais frustrado, mas mesmo assim não conseguiu deixar que aqueles sentimentos fossem colocados para fora através de palavras e sim num tesão absurdo que o enrijeceu de forma dolorida.

- Não há uma única vez que eu olhe pra você que não sinta vontade de fazê-la gritar...- se aproximou mais, olhando os detalhes do rosto dela com mais intensidade. - ...sucumbir em minhas mãos. Tortura-la.

Kyoko sentiu as pernas bambas e num ato para se manter de pé, apoiou uma das mãos na mesa, subindo com a outra pelo braço de Saga até a mão que segurava seu rosto, fechando os olhos e virando um pouco para beijar a palma. Saga ficou parado, sentindo os lábios macios e molhados seguirem por seus dedos e pulso, dando pequenas lambidas.

- Eu não vou ficar com ele. – falou baixinho no intervalo dos beijos. – No dia que você se for, se eu...não puder mais ficar com você, então...não há porque eu viver.

Saga não disse nada, somente observou o caminho que ela percorreu através de seu braço, encurtando a manga da toga, lambendo o antebraço e indo em direção aos lábios dele, beijando o queixo, mordiscando, descendo até o pescoço e refazendo o caminho em direção aos lábios bem desenhados de Gêmeos. Saga sentiu o beijo doce tomar sua boca devagar, voltando a mão para o rosto dela, acariciando um pouco e logo seguindo aos cabelos da nuca enquanto retribuía o beijo de olhos abertos. Kyoko gemeu baixinho, passando a língua nos lábios de Saga, abrindo os olhos bicolores e com a voz maliciosa disse:

- Me come! Me faz sua.

Saga admirou e se deliciou com o pedido, vendo seu reflexo em meio as chamas dentro do olhar desejoso de Kyoko. Num arroubo ensandecido, Saga agarrou a cintura dela a sentando sobre a mesa, se encaixando entre as pernas de Kyoko ao passo que a devorava como um lobo faminto, mordendo o pescoço; chupando e lambendo, subindo para o queixo e lábios, empurrando a raposa e a forçando a deitar. Kyoko arqueou em cima da mesa, sentindo a boca e dentes marcarem sua pele, a mão grande e possessiva massageando seu seio a fazendo delirar. Ela gemeu languida com o calor dos lábios do cavaleiro ao tomar o bico direito do seio, mordendo e sugando, arrancando um gritinho dela. Kyoko se remexeu sobre a mesa, levando uma das mãos aos cabelos de Saga acariciando enquanto o outro esbarrou desesperado na papelada em busca de apoio, levando toda a pilha milimetricamente organizada a desorganização no chão daquela sala.

Ansioso, Saga enfiou a mão por baixo da longa túnica que ela usava, expondo as coxas grossas que logo tratou de deixar a marca de seus lábios e dentes. Os gemidos angustiados da kitsune deixavam Saga ainda mais excitado e com fome, rasgando a calcinha que ela usava e, se isso não bastasse, logo seguiu para o maldito vestido e fazendo mesmo. Kyoko sorriu satisfeita, olhando a feição desejosa sobre cada pedaço de seu corpo. Saga a lambeu desde os lábios até o meio das pernas, provando o mel que vertia em abundância da fenda da raposa. Kyoko gemeu alto, encolhendo as pernas num ato de desespero onde Saga a segurou pelos quadris para prova-la com mais ímpeto. Kyoko estava tão excitada que não tardou a ver as pequenas estrelinhas piscando sobre seus olhos, arrancando um gemido alto e agoniado, tremendo forte nas mãos do cavaleiro de Gêmeos. Saga sorriu por dentro, saindo do meio das pernas delas, lambendo os lábios e a pegando no colo.

E com carinho e saudade as bocas não se desgrudavam, ao passo que Saga se arremetia devagar contra o sexo de Kyoko, deitados sobre o carpete. Os corpos molhados de suor pelo esforço e calor das chamas dançantes na lareira, deixando tudo ainda mais excitante. Saga apertou Kyoko em seus braços, mordendo o ombro dela ao passo que aumentava as estocadas, sacudindo o corpo dela e arrancando gemidos mais intensos e delirantes, as unhas afiadas desceram pela carne das costas de Saga, tirando sangue, e um gemido de dor e prazer do fundo da garganta do cavaleiro. Saga fechou os olhos com força sentindo o prazer aumentar e quando os abriu logo eles se encontraram com os marejados de Kyoko. Ela resmungou chorosa e Saga a abraçou forte outra vez, se movendo com intensidade, sentindo o corpo delicioso dela vibrar sob o seu, gemendo juntos em meio ao gozo forte, intenso.

Saga sentiu-se satisfeito e completo, deitando ao lado dela e a acomodando em seus braços. Ficaram assim, abraçados durante vários minutos. Kyoko deslizava a ponta dos dedos pelo rosto do amado enquanto ele fazia o mesmo pelo braço e mão em seu rosto.

E foi ali, naquele instante, ouvindo o som dos fogos que indicavam a abertura do festival das Panateneias que o Cavaleiro de Gêmeos entendeu e admitiu que sua vida não tinham mais sentido se não estivesse com Kyoko, e que, ser um cavaleiro já não era mais sua prioridade desde que a conhecera. Desde que Kyoko havia entrado em sua vida, ou melhor, lhe dado uma vida. Lhe dado amor. E sem aquilo Saga admitia que não conseguia mais respirar porque mesmo sua mente berrando que ser uma Cavaleiro, servir a Athena em prol da paz no mundo foi o motivo de sua existência seu coração era agora duplamente mais forte que sua razão.

- Peça-me o que quiser e eu farei. – disse Saga olhando nos olhos de Kyoko.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, acariciando a tez úmida dele com a ponta dos dedos, indo até o lóbulo da orelha esquerda e massageando devagar, pensando.

- Eu quero ir embora daqui, quero que seja só nos três, longe de tudo isso. – confessou depois de alguns segundos

Saga respirou fundo, sentindo a angústia dela refletir em sua própria carne, a puxando para mais perto para beija-la e amá-la mais uma vez.

E quando o sol daquela manhã fria nasceu Saga depositou um beijo terno na testa de uma adormecida Kyoko, seguindo para o décimo terceiro templo onde diante de Athena seus joelhos se dobraram de aflição e alívio. Saori sorriu feliz enfim por Saga finalmente entender o porquê de ter voltado a vida. De entender que era para ser recompensado por tudo que fizera e essa recompensa havia criado forma e ganhado nome muito antes de sonhar em existir, moldada com cuidado e delicadeza pelas mãos de todos os deuses, e lhe entregue pelo próprio amor.

- Você sempre será o Cavaleiro de Gêmeos, Saga. Aqui ou em qualquer lugar do mundo e eu sempre saberei onde lhe encontrar. Agora vá e viva em paz, na paz que eu sempre sonhei para todos os meus amados Cavaleiros. Que eu sonhei para o mundo inteiro.

Saga sorriu depositando um beijo na mão de sua deusa e recebendo o abraço terno de Shion. E depois de descer degrau por degrau e se despedir de seus companheiros lá estava ela, rodeada por Julieta, Luy e seus Shinobis, e ver o sorriso e sentir a alegria dela era a maior recompensa e ato de amor que Athena lhe concedeu mesmo não se achando digno.

- Eu vou sentir sua falta. – Saga sorriu ao ouvir a voz do irmão.

- Eu sei. Somos gêmeos, esqueceu?! E Gêmeos tem uma ligação única. – brincou rindo junto do outro.

- É...tem sim.

Kanon observou a interação de Kyoko com os presentes, recebendo abraços, beijos e presentes. E não lembrar de tudo que havia acontecido era impossível e agradecer por ser ela o alívio que seu irmão merecia era inevitável. Kanon abraçou Saga com força assim como quando o viu partir para o Makai atrás de Kyoko, mas diferente daquela ocasião ele sentiu alívio e felicidade.

- Vá em paz, meu irmão.

- E você fique com ela.

Kanon segurou a nuca de Saga e olhando em seu rosto beijou sua testa com força. Saga fez o mesmo com o mais novo. Quando se separaram um sorriso refleti na face um do outro. Saga caminhou devagar, virando um pouco ao chegar no meio do caminho, disse:

- Eu mandarei um postal assim que chegar lá.

- É claro que vai, e não pense que se livrou de mim. Ainda quero ver a cara do meu sobrinho.

Saga sorriu mais acenando, indo até Kyoko. Da casa de leão Naomi observava de longe a despedida, vendo Saga e Kyoko caminhar até a vila onde várias pessoas se aglomeravam para se despedir.

- Tem certeza que vai deixar ela partir sem seu perdão? – perguntou Aiolia, abraçando a morena por trás.

- Ela não merece perdão. – respondeu amarga.

- *Fuuuu*... Todos merecem ser perdoados, meu amor.

- Por que você insiste tanto nisso?

- Porque eu não quero que você se arrependa. Eu sei como é odiar alguém que nos tirou coisas importantes. – fez uma pausa. – Saga...sucumbiu a Ares e...mandou matar meu irmão. Aiolos foi acusado de traição e eu...humilhado desde de criança por...ser irmão do traidor. Eu odiei meu irmão por muitos anos, mas quando descobri a verdade passei a odiar Saga. Tinha sido ele o fraco, mas não. Ele não era. Era só...uma vítima assim como meu irmão também foi e é por isso que hoje, assim como todos os outros, o perdoei. – fez uma pausa vendo a morena desviar o olhar. – Naomi o ódio, o rancor é como beber veneno e...esperar que a outra pessoa morra. Eu sei que não é fácil, mas eu também sei que não é impossível perdoar alguém que se arrependeu de seus atos.

Naomi olhou Aiolia, logo voltando a desviar o olhar marejado, tentando prender o choro e ser forte – coisa que o leão sabia bem que ela não era. No fundo, mesmo não admitindo a morena sentia falta de tudo, pois no momento que decidiu amaldiçoar Kyoko, perdeu tudo; seus amigos e, claro, sua única e melhor amiga.

- Ah meu amor, vem cá.

E nos braços de Aiolia, Naomi chorou descarregando no ombro dele toda sua angústia.


oOo ♊ oOo


- Obrigado. – respondeu Saga ao aceitar o copo de whisky oferecido por Guilhermo.

O grandão logo se sentou em outra poltrona, bebericando o líquido caramelo e observando também a interação de Kyoko com seus 10 filhos menores. Logo uma youkai apareceu segurando uma bandeja e a depositando na mesa de centro. Saga desviou o olhar para a youkai, sorrindo.

- Espero que goste. Não se preocupe é totalmente seguro para humanos. – disse a youkai.

- Obrigado mais uma vez pela hospitalidade e...por se preocupar.

- Ahh que isso! Ter Kyoko-sama e você, o assassino de Hiroaki, em minha casa é uma honra para nós.

Saga sorriu mais erguendo o copo a mulher em sinal de agradecimento. Logo ela saiu, pegando outra bandeja e levando até o jardim onde uma grande algazarra se iniciou entre as crianças arrancando um belo sorriso de Kyoko.

- Então, você não é mais cavaleiro. – disse Guilhermo.

- Não exatamente. Enquanto não existir alguém para ser meu sucessor eu sempre serei o Cavaleiro de Gêmeos.

- Entendo. E...você já pensou em como vai viver com Kyoko-sama fora do seu Santuário?

- Não! – sorriu nervoso. – Na verdade, eu...pensei que você pudesse me ajudar.

- Ora! E como quer minha ajuda? – indagou Guilhermo, curioso. Saga suspirou.

- Eu tenho algum dinheiro, mas...não é o suficiente. Fora do Santuário eu sou só um homem qualquer para a sociedade. Kyoko precisa estar segura. Ela precisa de mim e também...não dá pra viver só de brisa e sexo. – riu.

- Ahh quem dera pudesse. – brincou Guilhermo rindo alto. – Bom, eu tenho muito apreço por Kyoko-sama, então deixa eu pensar...- fez uma pausa. - ...eu tenho uma casa. Uma casa de campo e conhecendo Hime-sama sei que ela vai gostar. É afastado e longe de curiosos, e tem um belo lago.

- Uall! Isso é...muito bom! – confessou Saga.

- É...e também tem mais uma coisa.

- Estou ouvindo.

- Eu tô precisando de alguém. Alguém de confiança pra me ajudar...me ajudar lá na boate.

Saga sorriu meneando a cabeça e bebericando seu whisky.

- Não posso. Não posso ficar longe dela. Ela está grávida e fora do Santuário ela só tem a mim.

- Ei! Cama, cara. Eu sei e concordo. Você faz bem, mas...você não precisa estar lá...sempre pessoalmente.

Saga respirou fundo se acomodando melhor na poltrona.

- Olha, eu tive uns problemas; financeiros. Um idiota lá que eu confiava tentou...me passar a perna. O desgraçado tentou me roubar e ninguém rouba do Guilhermo aqui e sai vivo pra contar história!

- Então, quer que eu tome conta do seu dinheiro, é isso?! – ironizou Saga.

- Basicamente isso. Ah Saga, não faz essa cara. Você mesmo acabou de dizer que não pode viver de brisa e sexo, muito menos Kyoko. – Saga ficou em silêncio por alguns segundos, pensando.

- Quanto? Quanto isso vai ser lucrativo pra mim?

- 20%

- Eu quero 40. – rebateu Saga. Guilhermo empalideceu.

- Quê?! 40%?! Você está louco? – reclamou o grandão se remexendo na poltrona.

- Por que está tão nervoso? Eu sei que você ganha muito ali e que não tem só aquela boate, e também...pense que o dinheiro não é só para meu benefício. É pra Kyoko e pro meu filho. – Saga respirou fundo, voltando o olhar para o jardim, mas precisamente em Kyoko. – Ela era tratada como uma deusa, uma princesa como vocês mesmos a chamam e...ela deixou tudo isso por mim; por nós. Dar a ela o máximo de conforto e cuidado é o mínimo que posso fazer.

Guilhermo ficou pensativo, mas no fundo muito satisfeito com as palavras sinceras de Saga. O olhar terno e apaixonado dele não deixava dúvidas que o que ele mais queria era a felicidade e o bem estar da kitsune. Nada mais justo. Kyoko havia sofrido demais; maltratada e abusada nas mãos de humanos, então porque não dar a chance de um deles provar que nem todos eram maus?!

O grandão deu sua típica gargalhada, ficando de pé e indo até uma gaveta de um móveu mais que elegante e de bom gosto. Aliás, toda a casa era fantástica e belíssima, de muito bom gosto que o dinheiro podia comprar, afinal não era para menos. Se Guilhermo tivesse realmente todos aqueles filhos que havia dito ter aquela casa era uma das poucas que tinha para abrigar todos eles.

De repente Saga sentiu algo em sua mão e quando virou viu um pequeno yokaizinho com orelhas pontudas como a dos elfos e caninos como o do pai. O pequeno crispou o cenho, mirando a trança branca que era a aliança de Saga e Kyoko.

- Marido de Kyoko-sama...cuida bem dela? – falou o pequeno, sério e sisudo. Saga sorriu, achando graça do jeito como ele falava.

- Sim. Eu vou cuidar bem dela, eu prometo. – respondeu gentil.

O pequeno ruborizou e sem jeito entregou uma pedra de rio branca nas mãos de Saga.

- Sorte. – disse e saiu correndo de volta ao jardim.

- Uma pedra de rio? É o Jasper gostou de você. – disse Guilhermo voltando a sentar, jogando alguns papéis sobre a mesinha e começando a assinar alguns. Logo voltou os mesmos a Saga. O cavaleiro leu cada um deles, sublinhando algumas coisas e depois de acertar algumas coisas assinou a papelada. Não era preciso dizer, mas se sentiu muito aliviado com a proposta de Guilhermo. No santuário Saga tinha tudo que precisava e desse tudo muito também era dado a Kyoko, mas fora de seu “ninho” dar o mesmo conforto a ela era agora sua maior preocupação.

E depois de tudo acertado e de um jantar maravilhoso Guilhermo explicou a Saga a localização da casa para em segundos após a Outra Dimensão ser aberta chegassem ao local. Kyoko ficou maravilhada, observando o grande e confortável chalé. A sala era ampla, com um tapete imitando pele de urso e uma lareira ao fundo. Um sofá grande cheio de almofadas, uma cozinha espaçosa e moderna, com três quartos e uma varanda com cadeiras de balanço. Kyoko caminhou pela casa, admirando tudo sem acreditar que era ali que teria sua vida com Saga e seu bebê. Sorriu com os próprios pensamentos, sentindo os braços de Saga lhe envolver por trás com carinho.

- Você gostou? – perguntou baixinho.

- Eu amei, Saga. – girou dentro do abraço.

Saga deslizou os dedos pelo rosto de Kyoko, segurando com ambas as mãos e a beijando com carinho, feliz por sentir a felicidade dela.

- Eu vou te fazer muito feliz, eu juro Kyoko.

- Você já me faz feliz em cada segundo. – respondeu Kyoko, emocionada.

- Eu não vou desperdiçar nem um minuto, nem um segundo. Eu prometo Kyoko, eu...vou fazer tudo que eu puder pra te...fazer feliz. Eu sei que nem por cem anos seria o suficiente, eu sei que não é muito, mas...

Saga sentiu os dedos de Kyoko o calarem e logo os lábios dela tomaram o lugar. Saga fechou os olhos com força, apertando Kyoko dentro de seus braços, querendo, desejando com todas as forças fundir o corpo dela ao seu para que assim nunca se separassem.

- Eu te amo e te amarei até a morte. – ela disse.

- E eu te amarei por toda a eternidade.

E em cada segundo, cada minuto Saga cumpria sua promessa. Tudo o que fazia, todas as suas decisões envolviam Kyoko, estar com Kyoko. Na vidinha pacata e gostosa onde se amavam e, claro, se desentendiam. Brigavam para logo fazerem as pazes em meio aos lençóis entre beijos, carinhos e juras de amor que se cumpria a cada dia. E também a cada dia, para Saga, ela ficava ainda mais linda, com seu andar engraçado e o pote de sorvete nas mãos tentava saciar a fome e o desejo por dois.

- Você está linda! – ele disse ao vê-la enfiar uma grande colherada de sorvete na boca, surpresa com seus olhos bicolores arregalados.

Mas mais surpresa Kyoko ficara ao acordar de madrugada, naquela mesma noite e sentir a cama molhada.

- Saga! – sussurrou o suficiente para quase enlouquecer o centrado Geminiano.

O relógio badalou às quatro e quinze da madrugada onde um minuto depois Kanon finalmente surgiu ali com Aiolia e Naomi. Sim, a médica havia cedido enfim. Saga sorriu de alívio e felicidade, pois mesmo com medo sabia que ela era a única que poderia fazer aquilo.

- Pelos deus! – falou Saga

- Cadê ela?

- Tá no quarto.

Saga sai correndo na frente, abrindo a porta e dando acesso a médica. Em cima da cama Kyoko gemia, suada e amedrontada.

- Naomi! – chamou chorosa.

A médica sentiu um misto de emoções e como que num passe de mágica todo ódio e mágoa que sentia por aquela kitsune teimosa desapareceu. Naomi correu até ela sem pensar duas vezes, tomando a mão dela entre as suas.

- Tudo bem, calma.

- Naomi! Naomi! Me ajuda...

- Shiiii...tudo bem! Eu vou te ajudar. Vai ficar tudo bem, calma! – disse a médica.

- O que ela tem? O que está havendo? Isso é normal? Por que está demorando tanto? – perguntou Saga duplamente nervoso.

Naomi não respondeu de início, calçando as luvas e indo até o meio das pernas de Kyoko, dando o toque.

- A quanto tempo ela está assim? – perguntou

- Umas... três horas ou quatro horas, eu não sei. – respondeu Saga

Kyoko ofegava, fechando os olhos com força e depois relaxando, suando em bicas.

- O que...o que tem de errado comigo? Meu bebê...

- Você está sem passagem, mas não dá mais tempo pra uma cesárea. Eu vou ter que forçar.

Naomi retirou uma das luvas e sua mão começou a brilhar. Kyoko entendeu o que ela faria e, com medo, começou a ofegar mais ainda. Saga correu até a cama, sentando ao lado dela sem desgrudar os olhos do que a médica faria. Naomi respirou fundo e devagar começou a introduzir a mão na vagina de Kyoko indo até o colo do útero. Usando sua energia a médica forçou a dilatação. Kyoko começou a gritar, estremecendo dos pés a cabeça. Saga sentiu a dor dela na própria carne e começou a se desesperar.

- Pelo deuses, para! – bradou.

- Se eu parar seu filho morre. – respondeu a médica.

Com a outra mão Naomi pegou uma injeção e sem dó enfincou na coxa de Kyoko, fazendo a kitsune relaxar e se aliviar da dor por alguns minutos. Logo a médica conseguiu o que queria e, por conta da dor anterior, agora vinha a parte difícil.

- Kyoko, já passou da hora do seu filho nascer. Vamos, faça força. – ordenou

- Eu... – Kyoko tentou forçar, mas sentia-se fraca.

- Kyoko-chan seu filho precisa nascer. Eu posso sentir a cabeça dele. Só faça força, vamos! Você consegue. – insistiu a médica.

Kyoko segurou na mão de Saga e tirando forças de onde nem sabia ter forçou. Naomi incitava e na quarta tentativa em meio o último fôlego a kitsune berrou ao finalmente dar a luz. Naomi segurou o bebê e um silêncio tomou conta do quarto. Saga sentiu um frio na espinha, pois...até onde sabia bebês nasciam chorando e...porque seu filho não chorava?

- Ele não está respirando.

- O quê?! – balbuciou Saga, pálido.

Naomi virou o bebê de lado, esfregando a mão bem rápido nas costas dele, virando de ponta cabeça e batendo em seu bumbum.

Saga se desesperou, ficando de pé, sem saber o que fazer. Na cama Kyoko começou a chorar apavorada.

- Vamos, chore! Chore, chore! – pediu.

Sua mão brilhou outro vez e deslizou pelo peito do pequeno e como num passe de mágica o resmungou aquietou a todos. A médica moveu o bebê outra vez, lhe dando um tapa no bumbum e agora sim o que todos queriam ouvir ecoou pelo quarto. Saga caiu de joelho, chorando de desespero e alívio. Naomi começou a rir e a chorar, segurando o pequeno, observando ele se mover e berrar em suas mãos.

- É um menino! Um menino! – ela disse sorrindo em meio ao choro.

E depois de quase uma hora lá estava ele, limpinho e muito bem vestido por sinal; com suas orelhinhas miúdas no meio da cabeleira azulada e seu pequeno rabinho fofo, vestido em seu primeiro macacão azul para conhecer as visitas nos braços de Kanon.

No quarto Saga cuidava da limpeza enquanto no banheiro Kyoko relaxava na banheira. Naomi sentou no sanitário, observando a outra. Kyoko respirou fundo e uma lágrima escorreu por sua face.

- Obrigada! – disse

Naomi piscou algumas vezes, acariciando seu ventre, disfarçando, tentando fugir da situação, mas não conseguiu. Seus olhos marejaram e ela acenou positivamente. Kyoko sorriu, erguendo um pouco a mão e esticando a ela. A médica ficou pensativa, mas logo se rendendo e aceitando, segurando a mão de Kyoko e deixando ela sentir os movimentos de seu bebê.

- Ele tá quase nascendo também. – disse Kyoko.

- Ela. – respondeu Naomi. Kyoko sorriu.

- Vai se chamar Kyoko.

- Nem ferrando! – rebateu a médica, logo elas riram. – Vê se cuida e...me avise se acontecer alguma coisa.

- Você também, até porque...alguém tem que fazer o seu parto, não é?!

Naomi ficou de pé indo até a porta e parando. Acariciou o ventre e disse:

- O Aiolia da conta.

- Aiolia?! Ele mal sabe lavar a própria bunda. - riu

A médica não respondeu, saindo dali. Na banheira Kyoko sorriu e seu sorriso se tornou uma gargalhada em meio a lágrimas de um alívio que arrancou um sorriso de Saga.

E na banheira a kitsune fechou os olhos, se recostando e pensando que nunca havia sido tão feliz em toda sua vida.


Tudo que eu conquistei

Por você!

Eu não quero mais perder

Pra sempre!

Guarde tudo o que falei!

E escute

Deste amor não desistirei!

É o meu sonho!


Fim...


Notas Finais


Tá aí gente, espero que vc gostem e curtam. Eu amei escrever essa fic e a Kyoko e o Saga ficarão no meu coração. Desejo a todos tudo de bom e fiquem na paz!

Link da música completa: https://youtu.be/IKhE3XD7Si8


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