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História Depois da Guerra - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Passarinho


Nathaniel estava a ouvir algo naqueles blocos de apartamentos abandonados. Parecia que estavam a bater em alguém ou em alguma coisa. Lentamente foi subindo as escadas para ver o que era aquilo, Nathaniel sempre foi curioso e desde pequeno que se metia em sarilhos por esse motivo, ele pensava que com o avançar da idade e finalmente ao chegar a adulto isso iria melhorar, mas não, continuava o mesmo puto curioso de sempre ou até mais curioso. Ele tentava não fazer nenhum som enquanto subia nas velhas escadas com soalho de madeira, no entanto era quase impossível, a madeira estava a estalar toda nos seus pés, e algumas delas nem mais madeira havia era só pedra. Como ele desejava que todas fossem de pedra assim não faria muito barulho, mas fosse o que fosse, não se apercebeu disso continuava a fazer o mesmo que estava. Quando finalmente Nathaniel chega na sala que vinha o som,viu ninguém mais, ninguém menos que Mateus a socar uns sacos de areia, como se eles tivessem feito muito mal. Nathaniel prendeu a respiração quando o viu, de todas as pessoas, tinha de ser logo ele. Se o Z06 corresse dali para fora, Mateus iria de certo o ver, se ele ficasse, aconteceria o mesmo. Nathaniel estava encostado na parede do lado de fora escondido, só esperando que o LP não estivesse a olhar para a porta. Então o tatuador teve uma ideia, continuar a subir o prédio abandonado e ficar no quarto acima daquele, assim ia perceber quando ele saia. Mas o que ele não se apercebeu foi que ele teve muita sorte por Mateus não ter o percebido nas escadas quando estava a subir do rés do chão para o primeiro andar, no entanto a mesma sorte não se voltou a repetir, mal ele subiu três ou quatro escadas começou a ouvir os passos de Mateus a se aproximar da porta, Mateus era um pouco mais alto que ele mas era muito mais pesado, por isso Nathaniel ouvia perfeitamente, então tomou uma decisão meio estúpida, começou a correr escadas acima, na verdade também não podia ir para a rua visto a ronda. O PL se apercebeu definitivamente que estava lá alguém e quando ouviu ele a correr escadas acima foi atrás, mas lá estava, ele não era tão rápido o que fez com que Nathaniel se escondesse em um dos quartos fechados, tudo ali estava podre mas mesmo assim se dirigiu ao banheiro e se escondeu lá. Mateus deixou de ouvir os passos por isso gritou bem alto no andar que parecia que tinha deixado de ouvir o outro a correr.

-Quem está aí? Não gosto de brincar ás escondidas.- Nathaniel também não gostava, mas gostava ainda menos de encarar Mateus, ele nunca tinha pedido tanto aos anjos como naquele dia.- Por isso é melhor apareceres seja lá quem fores.- Mas não ouvia nada, os apartamentos estavam completamente vazios, o que fazia muito eco e a voz de Mateus se fazia soar por uma carrada de andares, ou seja, Nathaniel ouvia perfeitamente.- Se for aquela ratazana novamente eu te juro miúda que te atiro da janela deste andar.- Nathaniel sabia que ele estava a falar de Luna, visto que ela mesma disse que o tinha encontrado.- Me diz lá princesa do esgoto, o que queres?- Abriu uma porta de um quarto aleatório esperando que aquela mulher estivesse lá dentro. Procurou mas nada. Nathaniel entrou em pânico ele estava a entrar em todos os quartos. Até que teve uma ideia, todos os quartos eram ligados com um aquecimento central, como os apartamentos eram muito antigos, muito mesmo o aquecimento era uma chaminé. A única coisa que tinha de fazer era subir ou descer pela lareira, no entanto Mateus tinha acabado de entrar naquele quarto.- ONDE ESTÁS PASSARINHO, ESTOU A FICAR SEM PACIÊNCIA.- Gritava mais alto. Medidas desesperadas requerem atos desesperados, a janela do banheiro era suficiente grande para ele por isso, Nathaniel iria praticar parkour, ele só rezava para dar certo, há muito tempo que não fazia. Quando Mateus entrou não encontrou nada. Nathaniel estava a escalar o prédio pelo lado de fora.

-Só espero que esta parede seja suficiente resistente.- Pensava. Mateus estava confuso, havia lá alguém e ele ia descobrir quem.- Nunca pensei nisto, mas preferia ter sido apanhado na rusga.- Dizia para si mesmo. Respirava fundo.- Para de ser idiota, continua a subir o prédio e te vais livrar dos dois, espero.- Rezava.

Mateus não tinha desistido e continuou a procura do seu passarinho nos andares seguintes, ou ele se tinha enganado no andar, ou o passarinho era mais esperto ou fazia magia ou então ele estava a ficar louco e não estava lá ninguém. Nathaniel chegou ao telhado, o que não esperava era que o terraço do prédio estava infestado de pombos o que soaram o sinal de alarme, o dia não estava a correr bem. Mateus percebeu isso e correu para o telhado, o seu passarinho tinha pés de bailarina no meio da subida das escadas e ele nem tinha percebido. Nathaniel mandava os pássaros ás p****, nunca tinha pensado mas preferia Luna a aqueles malditos pombos. Quando ele ouviu os passos pesados e o arrastar da porta pesada de metal ele sabia que estava na hora de mais um pouco de parkour. E correu saltando para o próximo prédio. Mateus também correu até ver uma figura completamente desajeitada a saltar desesperado para o outro prédio realmente parecia um pássaro, ele nunca tinha sido muito bom em parkour, nem queria tentar naquele momento, apenas viu seu pássaro voar para longe ficando de boca aberta a ver a figura.

-EU TE VOU ENCONTRAR PASSARINHO, SEJAS TU QUEM SEJAS.- Mateus gritou o mais alto que podia para que o seu passarinho ouvisse, Nathaniel sabia que estava ferrado.

-Atrasado.- Disse o cliente vendo Nathaniel a bater á porta completamente suado e morto.- Fugir da rusga?

-Mais ou menos... Dás-me um copo de água?

-Isso serve como pagamento?

-Sabes que não, não trabalho com favores. Mas desta vez passa. Dá é o copo de água.

-Claro que não. Tenho intenção de pagar como faço nas outras vezes.- Deu um grande copo de água ao Nathaniel.- A caçada foi boa, fazes a meus rapazes uma tatuagem cada que eu te dou dois porcos selvagens.

-Não consigo levar dois.

-Eu te levo na carrinha até ao túnel.- Todos eram muito pobres, e faziam muitos sacrifícios para conseguir comida, os Z06 não eram exceção. Nathaniel conhecia as pessoas certas por isso em troca de tatuagens e de trabalho bem feito, como também suas plantas medicinais, ganhava comida. Nathaniel gostava de plantas e perdia muito tempo com elas, as suas plantas, tatuagens, desenhos e esculturas eram o que o faziam distrair quando não estava a pensar derrubar o governo.

-Agradeço imenso.- Nathaniel tirou algo de seu bolso.- Elas já deram flor, te trouxe algumas sementes para plantares.

-Estás a me dar sementes, a carne só cobra as tatuagens.- Apesar de todos serem pobres, muitos ainda usavam as tatuagens para simbolizar alguma coisa, era a única coisa que os destingia uns dos outros, as marcas que tinham e os sentimentos que elas representavam. Naquele caso, era um grupo de caça que estavam juntos pela fome e pela sobrevivência das suas famílias, se tornaram amigos e queriam algo que os mostrasse que apesar de tudo aquilo valia a pena.- Eu não tenho como te pagar, isso é mais importante que as tatuagens, vale muito mais.

-Eu tenho muitas, a tua filha precisa do chá delas para sobreviver, com as sementes não precisas mais de me pedir as ervas, terás as tuas próprias.

-Não posso miúdo, não era o combinado, quando eu tiver mais comida me vendes as ervas.

-A questão aqui Miro, é que eu não te estou a vender, eu te estou a dar.- Ele pegou na mão dele e deu o saquinho de pano com as sementes dentro.

-Eu ainda tenho ervas, fica para outra vez,por favor.

-Se o teu orgulho é assim tanto para recusar então faremos uma troca.- Voltou a dar o saquinho.- O copo de água pelas sementes. Feito e eu não volto atrás.- Sorria. Miro então sorriu e aceitou.- Já agora não digas a ninguém que eu fiz isto.

-Claro que não, ninguém pode saber que o feroz Nathaniel tem bom coração.- Colocou a mão no ombro dele.- Obrigado miúdo, obrigado mesmo.

Nathaniel fez as tatuagens e como sempre ficaram perfeitas, Miro fez o que prometeu e o levou os porcos e o Z06 até ao túnel bem escondidos. 



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