História Depois da Meia-Noite - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oi pessoinhas ><
Depois de tanto tempo, eu voltei com esse casal maravilhoso em uma nova aventura :3
Eu amo yuwin e, diferente de Protection, eu vim com ideias completamente batidas já shuehsue amo um clichezão as vezes e me deu vontade de fazer uma história nessa linha para eles ~
Novamente, não deu pra ser uma shortfic, pq eu me empolgo e ideias novas vão surgindo e... psé kk espero que me apoiem mais uma vezinha ><
Temos cinco caps completos até agora, então postarei quinzenalmente até finalizá-la. Provavelmente será uma fic maior do que as que costumo fazer, por focar mais detalhadamente no desenvolvimento dos personagens e não só no background.

ENFIM, eu tô empolgada, NCT é um dos grupos sobre o qual mais adoro escrever e espero que vcs sejam participativos como sempre, isso me motiva D E M A I S
Boa leitura, perdoem os errinhos e até as NF!

Obs.: pra quem acompanha minhas outras fic de NCT, o título foi mera coincidência shuehsue não tem ligação com Sol da Meia-Noite (apesar deu querer uma 2 temp pra ela cof)

Capítulo 1 - Surpresa?!


Yuta

Meus olhos ardiam quando cheguei à última estrofe da ata contendo informações sobre a reunião realizada com nossos colaboradores, mas me forcei a ler até o final. Era o último documento que me prendia à sala de paredes de vidro no décimo quinto andar do prédio luxuoso em que trabalhava, finalizando essa leitura eu poderia – finalmente – chegar em casa e me afundar em minha banheira até os nós de tensão se desfazerem de meus músculos. O andar estava afundado no mais puro breu, com exceção da luminária que me ajudava a ler. Provavelmente apenas eu e os seguranças continuávamos habitando a instalação da subsidiária, mas ver o relógio digital marcar meia-noite era um acontecimento comum para mim.

Suspirei, em parte aliviado e em parte exausto, depois de organizar minhas folhas em suas devidas pastas, guardando tudo o que não precisava permanecer em cima da mesa e trancando minha sala com satisfação por estar encerrando meu expediente. Os detalhes abstratos do elevador me fizeram piscar mais forte quando o sono embaçou minha visão, mas logo meus sapatos lustrados encontravam o chão polido do hall de entrada e, com um menear de cabeça, me despedi dos seguranças noturnos ao seguir para a porta giratória com entalhes em dourado. Mal pude sentir o frescor da brisa noturna antes de sentir o celular vibrando em meu bolso. Franzi as sobrancelhas e estalei a língua contra o céu da boca antes de atender.

– O que você quer? – perguntei ao aceitar a chamada, suspirando com a risada que recebi em resposta.

­– Isso é jeito de atender seu chefe, Nakamoto? – escutei sua voz em uma falsa repreensão e deixei a maleta de couro bater em minha coxa ao relaxar os braços, sentindo o frio da noite encontrar meu corpo por baixo do sobretudo e das roupas sociais.

– Quando meu chefe me liga de madrugada é esse o tratamento que ele merece – ele se limitou a rir de minha fala, sempre soube que era uma piada para ele.

Eu conheci Seo Youngho em uma viagem bancada por uma nova empresa que queria estender suas associações para a Ásia. Era outono quando desembarcamos em Nova Iorque para conhecer a sede da nova empresa tecnológica, mas o representante ansioso que nos levou pelos andares iluminados do prédio em vidro espelhado deixou óbvio em seus olhares trêmulos que metade das informações que nos passava era fachada, apenas para conseguir nossa contribuição monetária e oferecer produtos de baixa qualidade em troca. Foi em um revirar de olhos que percebi Youngho segurando o riso e vi que ele também notara que aquela longa viagem em nada nos adiantaria, não fecharíamos negócio com empresas assim. Quando ele me percebeu olhando, gosto de pensar que foi automático estabelecermos uma ligação e no final daquela tour que em nada resultaria para nós, eu e Youngho paramos em um bar. Bebemos até que o singelo laço de nossa amizade começasse a se consolidar e foi quando ele me chamou para ocupar a recém liberada vaga de gerente geral da subsidiária de uma das maiores empresas automobilística asiática. Antigo cargo seu, mas agora que ele precisaria ocupar o singelo cargo de presidente, a vaga podia ser minha. Completamente descontente com meu antigo emprego, não vi motivos para negar sua oferta.

Isso foi há três anos e, desde então, Youngho – além de meu chefe – se transformara em meu melhor amigo.

– Preciso que volte para sua sala – ele anunciou enfim e eu suspirei derrotado.

– Sabe que eu trabalhei dezesseis horas hoje e posso te processar por escravidão e abuso de poder, certo? – disse apenas para ouvi-lo rindo novamente.

– Apenas suba logo, Yuta – ele disse e eu já girava em meus calcanhares quando ele completou – E com seu salário, a última coisa da qual você pode me acusar é escravidão.

Rimos juntos. Eu podia odiá-lo momentaneamente por adiar minha tão desejada chegada em casa, mas era impossível ficar irritado com ele por muito mais tempo.

– Vou desligar, estou entrando no elevador – anunciei e ele concordou. Antes que eu afastasse o celular da orelha, no entanto, ele acrescentou.

– E feliz aniversário, idiota.

Eu sorri, agora entendendo um pouco melhor suas motivações. Todo ano, mesmo com minhas represálias e negações, Youngho planejava algo para meu aniversário. Ele sabia que não era nenhuma data extremamente importante ou comemorada por mim, mas sempre acabávamos viajando juntos ou em uma festa surpresa – tudo organizado por ele. Provavelmente havia um presente esperando por mim em minha sala dessa vez. Mas conforme eu me aproximava do lugar que eu acabara de deixar, algumas coisas começaram a fazer um pouco menos de sentido. Por exemplo: eu tenho certeza de que estava cansado demais para abaixar as persianas que me conferiam certa privacidade em minha sala de vidro, então por que elas estavam abaixadas? Franzindo as sobrancelhas, percebi outro detalhe: eu não trabalhava escutando música, então o que era aquele arrastar lento que escapava em batidas intensas e volume baixo pela minha porta? E o pior de tudo: por que a maçaneta rodou em minha mão quando eu a girei sendo que eu tenho certeza de que tranquei minha porta?

Talvez o início de um ataque de pânico tenha se iniciado antes de eu adentrar completamente minha sala e a visão que eu tive apenas piorou tudo. Estático na porta, observei as costas protegidas pela seda fina de uma camisa social de alguém sentado com o peito contra o encosto de uma das cadeiras de minha sala. Seus fios eram loiros, mas agora tinham a tonalidade púrpura pelas luzes que sabe Deus como ele ligara pela sala. A calça justa delimitava coxas e glúteos bem trabalhados e, mesmo em choque, não pude negar que a postura impecável de seu corpo esbelto me enviou uma onda de calor pelo corpo. A fita preta entre seus fios me fez notar que ele usava uma máscara e, em um singelo segundo, a música mudou e ele começou a se mover.

Os braços ondulavam no ritmo envolvente da canção sussurrada, para depois se apoiarem no encosto a frente e ele envergar toda a coluna em um giro sensual. E ele rebolava na cadeira, a mesma cadeira que às vezes eu usava para leitura em minha hora de almoço. Engoli em seco. Como se não pudesse piorar, ele se ergueu, engatinhando para cima da mesa maciça e me dando a visão de seus quadris avantajados. Eu podia olhar tão fixamente como estava fazendo? Tarde demais para desviar os olhos, ele já tinha se virado para mim. De joelhos, pude ver os olhos escuros me encarando por detrás da máscara que os cobria em detalhes negros e strass. Ele ergueu os braços, entrelaçando os próprios dedos e tombando a cabeça antes de começar a deslizar os joelhos de forma que parecesse... Meu Deus, parece que ele está sentando. Dessa vez eu desviei o olhar. Ele não foi parado pela minha reação, apenas se ergueu lentamente, ondulando o quadril e passeando as mãos finas pelo próprio corpo, tomando minha atenção novamente. Mas eu me desesperei quando ele começou a desabotoar a camisa.

– C-calma – pedi, andando apressado em sua direção para parar suas ações. Mas acho que ele me entendeu errado, pois logo estava ajoelhado novamente em minha mesa, aproximando o rosto do meu e me encarando muito de perto. Seu perfume era forte e eu tremi inteiro pela maneira que ele me observava, mas percebi suas mãos voltando para a camisa mais uma vez – Não faça isso.

Pela primeira vez ele pareceu confuso, mas se recompôs e espalmou a mão em meu peito. Eu não esperava o toque e senti calor, uma onda quente queimando todo o meu tórax e me fazendo suar. Dei um passo para trás quando ele me empurrou gentilmente para que conseguisse descer da mesa e continuou dançando em minha frente. Eu não me movi quando ele se virou de costas para mim, rebolando de forma que seu quadril resvalasse no meu e – mil perdões, Pai Celestial – dessa vez não consegui me afastar. Olhei para o teto, como se pedisse ajuda ao universo, e proferi em uma mistura de angústia e incredulidade.

– Não acredito que ele contratou um garoto de programa como presente.

E pronto. Apenas a junção de onze palavras mal escolhidas foi necessária para quebrar toda a aura sensual que o dançarino criara ali. Ele se virou abrupto e, antes que falasse, percebi que estava irado.

– Eu não sou um garoto de programa! – e, mesmo com a voz carregada de raiva, seu timbre era tão doce que me surpreendeu – Eu sou um streeper, seu ignorante.

Se eu achava que estava em choque antes, é porque não havia vivenciado essa cena ainda. Como alguém tão delicado em traços poderia ser tão ácido em palavras? Seus lábios cheios se apertavam em um bico irritado enquanto eu tentava pensar em algo a dizer. Socorro, uma reunião com os associados me parecia muito mais simples de administrar do que essa situação.

– Me desculpe, não quis te ofender – disse e ele suspirou. Parecia completamente perdido em suas próximas ações também – Vou ligar para o Youngho te buscar.

Foi apenas eu dar as costas para conversar em particular que o mundo pareceu desabar. O homem, que antes tão graciosamente dançava para mim, jogou seu corpo contra o chão enquanto se agarrava ao meu sobretudo, me sobressaltando antes que conseguisse virar para trás e encará-lo. Os olhos tão firmes e penetrantes se transmutaram rapidamente em desespero, ele parecia me implorar.

– Por favor – ele pediu e me surpreendi ainda mais ao ouvir sua voz tremer. Ele estava chorando? – Deixe eu terminar a apresentação, por favor.

Engoli em seco vendo o brilho de seus olhos. Ele realmente vai chorar?

– Não precisa – reafirmei.

Ele não me deixou sair, os dedos se grudando em definitivo na minha roupa e me fazendo parar novamente.

– Ele vai me matar se eu não terminar! Eu preciso do dinheiro, por favor.

Meu coração se apertou quando vi ele desistir diante de meu silêncio. Seus braços caíram ao lado do corpo e eu paralisei quando vi seus ombros tremendo: ele enfim começara a chorar. Suspirando, desisti de usar o celular, guardando-o no bolso antes de me agachar em sua frente. Ele não se moveu, nem mesmo quando levei meus dedos até o nó que atava a máscara a seu rosto. Por alguma razão, ter seu rosto escondido daquela forma começara a me incomodar, queria poder vê-lo para tentar confortá-lo. Depositei a máscara ao seu lado e analisei os traços delicados de seu rosto, as maçãs pontuadas, os olhos amendoados e os lábios cheios. Lindo, como um anjo renegado.

Não sabia se ele ficaria confortável com um toque meu, mas eu era do tipo que confortava os outros com carinho apesar de tudo, então apoiei minha mão em seu ombro. Ele continuou imóvel, tentando controlar os soluços.

– Não precisa se preocupar – eu sussurrei, apertando um pouco mais de seu ombro – Vou garantir que você seja pago.

Ele ergueu o olhar. Parecia desconfiado, mas já controlava as lágrimas. Os olhos vermelhos me fizeram apertar os lábios em uma linha fina, ele era adorável, mal podia imaginar que era ele quem rebolava da forma que vi momentos antes.

– Mas eu não terminei a apresentação, não é justo – ele disse, fungando enquanto limpava o rastro das lágrimas. Sorri pequeno para ele, tentando confortá-lo.

– Ninguém precisa saber sobre isso e – confidenciei, umedecendo os lábios antes de completar – Eu fiquei satisfeito com o que vi.

Ele ficou surpreso com minha constatação e eu, constrangido. Me ergui e estendi a mão para ele, ajudando-o a se colocar de pé. O ajudei a recolher os objetos utilizados para ornamentação da minha sala e seguimos em silêncio até a porta do prédio, ignorando os olhares zombeteiros dos seguranças. Andávamos em direção ao meu carro quando ele falou novamente.

– Você – ele hesitou e encarou o chão enquanto andava. Meu sobretudo estava por cima de suas roupas em uma tentativa de aquecê-lo mais do que os panos finos o fariam – Não gostou da dança?

Parei com a mão na BMW X6 que aguardava nossa entrada e o encarei surpreso.

– Claro que gostei, eu não menti quando disse que tinha ficado satisfeito – respondi e me virei para ele quando percebi que ele ainda encarava o chão.

– Por que não me deixou continuar então? – ele enfim me olhou, me surpreendendo novamente. Cocei a nuca, era uma pergunta complicada porque eu mesmo não tinha certeza da resposta. Suspirei.

– Eu respeito muito seu trabalho, por mais que eu seja ignorante nesse aspecto – disse, rindo baixo ao me lembrar de sua explosão de fúria e ele desviou o olhar, constrangido ao lembrar da mesma coisa – Mas me parece desconfortável ter alguém dançando para mim por ter sido pago por isso. Eu não sei, é estranho não ter certeza se você está confortável com isso. Consegue me entender?

Ele parecia estar escutando algo de outro mundo, ligeiramente espantado com o que eu acabava de dizer. Suspirei e abri a porta para ele, seguindo para o volante logo depois e me assegurando com o cinto.

– Onde eu te deixo? – questionei e ele suspirou, trazendo o sobretudo para mais perto do próprio corpo como se tentasse se afundar nele.

– O acordo foi que eu ficasse duas horas com você, não posso voltar agora.

Engoli em seco enquanto encarava seu semblante triste antes de ele virar para a janela, mesmo que o carro permanecesse parado. Acho que ele não queria que eu o visse abatido. Pensei em perguntá-lo se ele queria passar a noite em um hotel, mas podia perceber que ele não teria como pagar e – pela personalidade forte e honesta que me mostrara – não aceitaria que eu o fizesse por ele. Suspirei e liguei o carro, seguindo pelas ruas que já me eram familiares.

– Aonde vamos? – ele perguntou, talvez preocupado. Meu Deus, como explicar de uma forma que não me comprometa?

– Se não tem para onde ir, pode ficar na minha casa – disse, evitando olhá-lo – Tem espaço o suficiente para que você fique confortável.

Ele não respondeu, mas quando o olhei, ele assentiu devagar olhando o próprio colo. Acho que percebeu que realmente não tinha muitas opções. Todo o caminho foi feito em silêncio, assim como a chegada em meu apartamento. O indiquei o banheiro comum e segui para meu quarto. O banho na banheira teria que esperar, ainda precisava arrumar o sofá para que ele dormisse. O dançarino saíra antes de mim, vestindo o pijama cinza que o emprestei. Mordi meu inferior ao perceber o quão inocente ele parecia nas roupas largas, encolhido no sofá. Deixei um travesseiro no braço do sofá, chamando sua atenção e entregando-o um cobertor. Regulei o aquecedor para ficar mais confortável e percebi que ele embolara o próprio pé no cobertor quando me virei para voltar. Ri baixo e me aproximei, ajudando-o a se soltar. O suor frio se impregnou em minha nuca quando senti seu olhar em meu rosto, tão próximo. Com um pigarreio, me ergui com o cobertor e o estendi sobre o corpo encolhido no sofá que não precisava ser tão enorme, mas agora o comportava bem. Em uma mania adquirida de minha mãe, ajeitei o cobertor em seu corpo com as mãos e o senti tremer com o contato. Me afastei para não incomodá-lo, mas não percebi medo em seus olhos. Apenas curiosidade e... Gratidão.

– Obrigado – ele murmurou quando fiquei de pé e sorri, seguindo para meu quarto.

– Boa noite – respondi, apagando a maioria das luzes e regulando as encravadas no gesso como ornamentação apenas para não deixá-lo no completo escuro.

Senhor, ele não é uma criança. O que estou fazendo? Suspirando, segui para meu quarto e me escondi em meus cobertores esperando que com um novo amanhecer as coisas voltassem a fazer mais sentido.

 


Notas Finais


É isso, galeris!
Me digam o que o que acharam, mesmo que a história nem tenha começado direito haha
Eu juro que tentei fazer uma planta 3D do ap do Yuta, mas eu não levo jeito nenhum com isso, então espero que tenham conseguido imaginar sheuhsue qualquer dúvida respondo com mt amor :3

Obrigada por lerem até aqui e até o próximo ~
XOXO


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