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História Depois da Meia-Noite - Capítulo 23


Escrita por:


Notas do Autor


Oi pessoinhas ><
Chegamos enfim ao último cap dessa aventura que eu amei cada segundo escrever. A ficha ainda não caiu pra mim, então vou deixar a falação pra amanhã...
Esse cap pode não ter cara de fim pq ainda temos um epílogo, mas espero que vcs curtam ^^

Boa leitura, perdoem os errinhos e até as NF!

Capítulo 23 - Meu Tudo


Eu terminava de me arrumar, dando um passo para trás para encarar meu reflexo no espelho. Yuta havia insistido em andar comigo pelo centro comercial de Seul em busca de um traje elegante para o baile, já que eu resmunguei que tão tinha nenhuma roupa adequada. Depois de dois meses, essa noite finalmente chegara. Eu enchi minhas bochechas de ar e o soltei fazendo barulho, estava ansioso. A andança pelo menos valera a pena, meu blazer com um único botão fechado no meu abdômen era de um belo cinza metalizado com a lapela preta. Ajeitei a gravata borboleta na gola da camisa branca porque gravatas borboletas são legais. Eu sorri, apesar de toda a apreensão era um ambiente novo que eu estava animado para conhecer.

 – Meu bem, você... – Yuta entrou parcialmente arrumado na suíte, os lábios se mantendo separados enquanto os olhos percorriam todo o meu corpo. Me inclinei na pia ao rir de sua reação e ajeitei um único fio fora do lugar de meu topete ladino – Uau.

 Me virei em sua direção, tomando a gravata de sua mão e avaliando se Yuta realmente precisaria usá-la. Ele trajava um terno de quatro botões pratas dispostos de forma quadricular por cima de uma camisa de seda escura. Eu entendia ele não mudar muito as tonalidades, o poder de seus trajes escuros exalava sem ele ao menos se esforçar para isso.

 – Acho que você não precisa disso – decidi, enrolando a gravata em meus dedos e subindo meus olhos para seu semblante encantado. Sorri antes de beijar seus lábios – E você está muito ‘uau’ também.

 O verão úmido me deixava temeroso de sair com aquela roupa quente, mas eu confiava no requinte da empresa e torcia para que a localidade onde o baile se daria estivesse bem ambientada – ou seja, estava louco por um ar condicionado. Yuta tinha uma mecha fina de cabelos que se encurvavam como se quisesse beijar sua testa e eu não arrumei por achar charmoso demais. A imagem dele todo concentrado nessas roupas de gala enquanto nos levava à casa de festas na parte norte da cidade me fazia suspirar abobado toda hora, tendo que desviar meus olhos para a janela para me concentrar. Quando começamos a nos aproximar da construção onde a comemoração do aniversário da empresa se daria, percebi que não criei expectativas atoa.

 As colunas em estilo grego tinham bons três metros de altura em um branco gelo com entalhes escuros, tudo em mármore. A luz que vinha lá de dentro tinha uma tranquila tonalidade alaranjada e em frente à escadaria que dava acesso à entrada, um longo tapete vermelho recebia os convidados. Yuta foi parado pelo menos quatro vezes para cumprimentar pessoas que eu nunca vira antes de conseguirmos chegar ao tapete. Havia diversos fotógrafos, esfomeados em capturar os detalhes daquela noite luxuosa para suas companhias. Yuta me surpreendeu ao pousar ao meu lado, sua mão em minha coluna e um sorriso pequeno e comercial no rosto. Ele estava sendo um homem de negócios, mas não estava deixando de ser meu por isso. Seguimos ombro a ombro até o espaço lá dentro.

 A decoração era estonteante. As mesas tinham rendas pretas por cima do cetim branco que tocava o chão, as flores em jarros espalhados por pontos estratégicos eram vermelhas e laranjas, nada exagerado. Havia uma pista em frente a um palco baixo onde uma mulher de vestido longo cor de uva e drapeado produzia o som ambiente. Mas antes que pudéssemos explorar qualquer uma dessas coisas, fomos abordados por dois homens em smokings e mascarados.

 – Boa noite, senhores – nos cumprimentaram – O tema desse ano é Baile de Máscaras, gostariam de se juntar a nós?

 Eu olhei confuso para Yuta, mas ele apenas sorriu de forma a me convencer a ir em frente. Cada um segurava uma bandeja de prata contendo diversas máscaras de formatos diferentes e eu comecei a analisar as que me eram mais atrativas.

 – Caso nenhuma os agrade, podemos trazer mais opções – o homem parado em frente a Yuta completou, mas eu já havia escolhido.

 Olhei para Yuta e o vi sorrir sugestivo, nós dois nos recordando da fatídica noite que nos uniu. Acabei escolhendo uma que tampava apenas os meus olhos e esbarrava em minhas maçãs. Era de renda preta e tinha quatro pedras que ornamentavam suas quatro extremidades. A vesti e vi um espelho de mão ser erguido em minha direção – céus, eles pensavam em tudo. Mas, puta merda, eu fiquei bem demais com essa. No espaço entre meus olhos, acima da pedra colada, havia um arremate com três pontas que faziam toda a diferença. A máscara era extremamente sensual. Ao me virar para Yuta, percebi que ele havia escolhido uma máscara branca com poucos detalhes além de pedras espalhadas em alguns pontos que conferiam brilho. Ela tampava metade de seu rosto e me lembrou O Fantasma da Ópera.

 – Vamos? – ele me ofereceu um braço e eu sorri antes de aceita-lo ao passar minha mão pelo espaço.

 – Esperamos que aproveitem a festa – os homens que nos ofereceram as máscaras abriram caminho e se inclinaram enquanto passávamos. Eu me sentia parte da realeza entrando em um lugar como esse sendo acompanhado por Yuta.

 Observei os vestidos discretos e os extravagantes, os cabelos arrumados e as maquiagens pomposas. As máscaras coloridas e as sem brilho algum. Haviam muitas personalidades diferentes ali, mas todas intimidadoras. Foi um alívio encontrar Taeil desfrutando de um drink no que parecia ser uma mesa reservada. Ficava perto do palco e ligeiramente mais afastada do que as outras.

 – Sisi! – ele me saudou feliz, pondo-se de pé para me abraçar. Taeil era a personificação de elegância em seu traje azul marinho que marcava seu corpo bonito. Há muito as marcas do acidente haviam sumido e eu o apertei sem medo no abraço – Finalmente, não aguentava mais ficar no meio dessa gente rasa.

 Eu ri. Taeil havia escolhido uma máscara discreta como a minha, com exceção da pena azul turquesa que se projetava no meio de sua testa. Mas estava lindo mesmo assim.

 – E o Johnny? – questionei, rodando meus olhos pelo lugar sem encontra-lo. Taeil deixou um som falsamente indignado sair.

 – Você está prestes a descobrir que eles só nos trazem aqui para ter um ponto bonito para o qual olhar enquanto conversam com acionistas – eu ri e Taeil olhou sobre meu ombro – Estou errado, Yuta?

 Me virei contemplando meu acompanhante que tinha o sorriso mais matador nos lábios.

 – Infelizmente ele está certo, meu bem – ele disse, se aproximando mais de nós dois – Essas festas tem uma concentração enorme de bons investidores e acaba sendo mais trabalho do que diversão para nós, na maioria das vezes – foi inevitável não fazer um bico inconformado, mas recebi um selar rápido de Yuta então até que valeu a pena – Preciso encontrar o Youngho, mas prometo passar aqui sempre que puder, ok?

 Assenti porque não tinha o que eu contestar, era o trabalho deles. Me sentei com Taeil e logo um garçom apareceu me oferecendo uma linda taça de sex on the beach, a qual não fui louco de desprezar.

 – Aproveite porque se tem uma vantagem em ser casado com o dono da empresa, são os mimos nas festas – eu ri da fala do Moon, vendo-o sugar uma boa porção de seu drink azul pelo canudinho preto.

 – Eles sabem que vocês estão juntos? – questionei, quase gemendo de aprovação quando o sabor doce se intensificou no meu paladar.

 – Oficialmente só os extremamente necessários – ele disse antes de se inclinar em minha direção para sussurrar – Mas qualquer um que nos olhe sabe disso, eles só fingem que não.

 Eu ri, pensando que era verdade. Qualquer um que reparasse por alguns minutos em mim e Yuta saberia que não éramos apenas amigos ou conhecidos, não fazíamos tanta questão de esconder mesmo que fossemos discretos. Talvez por isso a nossa mesa fosse sempre a mais servida e para quem as pessoas sorriam mais. Era loucura essa vida de acompanhante do gerente. Eu já havia trocado o pêssego com laranja do sex on the beach pelo abacaxi com coco da piña colada e as luzes se esticavam de forma engraçada pelo teor alcóolico em meu sangue quando ouvimos alguns aplausos e olhos atentos no palco. Ainda com o canudo preso em meus lábios e brincando de fazer bolhas com minha bebida, girei na cadeira para encontrar um Johnny sorridente onde antes estava a cantora elegante. O sorriso era grande, mas não era sincero como os que ele dividia conosco. Johnny também estava apenas sendo polido pelos negócios. Logo senti braços em minha cintura e soube que Yuta ocupara outro dos bancos vagos na mesa, sentando pela primeira vez desde que chegara na festa. Eu não estava consciente o suficiente para reparar se alguém nos olhava antes de me ajeitar de maneira ladina como ele. Da forma que estávamos, eu ficava entre suas pernas com apenas a cadeira nos separando, mas isso não impediu que ele se inclinasse e beijasse meu ombro, descansando o queixo ali enquanto esperava Johnny começar o discurso. Levei o canudo aos seus lábios, inspirando o aroma de uva que exalava deles. Acho que ele se absteve aos vinhos até agora, mas não negou minha piña.

 – Está aproveitando? – ele questionou, dando um beijo gelado abaixo da minha orelha que me fez contorcer pelo arrepio.

 – Uhum – respondi, engolindo a porção que havia sugado – São os melhores drinks de Seul.

 Escutei ele rir baixinho atrás de mim antes de apertar minha cintura e beijar meu maxilar. Quando os aplausos soaram de novo, soubemos que Johnny começaria a discursar e como funcionário exemplar, Yuta se aprumou na cadeira para se concentrar. Eu ouvi Johnny agradecer por cada um presente naquela noite de comemoração, desde o maior acionista até os garçons do famoso buffet. Mas só vi seus olhos se iluminarem e seu sorriso se espalhar pelo rosto todo quando olhou em direção à nossa mesa. Nesse momento, eu já havia deixado meu drink de lado e aceitado as taças de champanhe que distribuíam rapidamente pelos convidados, Johnny também segurava uma.

 – Por último, mas não menos importante, preciso agradecer às pessoas que me ajudam para além dos limites do escritório – ele disse, os olhos pesados em nós me fizeram sorrir – Aos amigos de anos e aos que chegaram agora, eu sei que minha vida seria um vazio sem vocês, os que estiveram ao meu lado nas minhas horas mais escuras e nas mais brilhantes. E ao meu amor, por dormir e acordar ao meu lado, por me dar motivos para continuar voltando para casa e buscando sempre o melhor, sempre ser o melhor para você. Eu amo todos vocês, mas à você em especial por ser a razão de eu continuar de pé.

 Johnny ergueu a taça e todos o imitamos, e enquanto eu virava um gole e sentia o sabor suave deslizar em meu paladar, vi que Taeil tinha lágrimas presas no canto dos olhos. O puxei para um abraço desajeitado e plantei um beijo molhado em sua têmpora. Não demorei muito até sentir as consequências das bebidas em minha bexiga, avisando para Taeil que precisava ir ao banheiro. Precisei de dois segundos para estabilizar meu equilíbrio antes de abrir caminho pelas mulheres e jovens que se arriscavam na pista de dança, provavelmente familiares das pessoas importantes. Eu prendi uma risada ao ver o quão contidos todos se moviam, como se estivessem lá obrigados, apenas para encher espaço. Revirei os olhos, eles matavam a alma da dança assim. Eu já avistava a porta negra que levava ao banheiro, mas parei abruptamente ao sentir que era observado.

 Acho que todos temos essa espécie de sexto sentido, como um comichão na base da nuca, que nos avisa quando algo ruim está à espreita. Girei lentamente, pousando os olhos nos rostos desconhecidos e cobertos pelas máscaras fornecidas. Suspirando, resolvi ignorar por ora a sensação incômoda e me aliviar antes de tentar focar meus pensamentos. Já lavava minhas mãos nas pias ovais e reparava nos entalhes dourados dos vasos de flores no balcão quando uma segunda presença me sobressaltou ao erguer meus olhos para o espelho. O homem usava uma máscara que cobria todo o seu rosto, mas eu o reconhecia. Engoli em seco antes de fechar a torneira, sacudindo minhas mãos para tirar o excesso de água.

 – Posso ajuda-lo? – perguntei, mas ele apenas continuou parado, os olhos me fitavam de volta no espelho de um jeito que fazia meu estômago revirar. Receoso, desviei os olhos dos seus para alcançar uma das toalhas macias dispostas entre as pias e soltei um som sobressaltado quando senti certa pressão em minha cintura.

 Ergui meu semblante e vi suas mãos grandes apertarem minha cintura enquanto ele tentava forçar uma de suas pernas entre as minhas. Eu podia estar alto, mas não bêbado o suficiente para não conseguir me defender. Girei com força e rapidez o suficiente para espalmar minhas mãos em seu peito e empurrá-lo para trás, ajeitando minhas roupas e passando as mãos geladas em meu rosto quente. Meu coração estava acelerado pelo desespero momentâneo e vê-lo apenas parado me olhando me enviava ondas intensas de medo.

 – Se me tocar de novo, eu te mato – ameacei entre dentes, mesmo que soubesse o pavor estampado em minha face.

 Diante de seu silêncio, apressei meus passos na direção da porta. O único movimento que ele fez foi virar minimamente a cabeça em minha direção, mas eu o escutei quando ele murmurou.

 – Aproveite a liberdade enquanto ainda a tem.

 Eu sentia um gosto horrível na boca e havia gelo em minhas veias. Fiquei momentaneamente desnorteado quando saí do banheiro, passando os dedos em minha testa suada e procurando pela mesa com Taeil. Quando me virei novamente, trombei com o corpo de alguém e senti dedos familiares em meus braços.

 – O que aconteceu, meu bem? – soltei o ar aliviado e o abracei sem fazer questão de sair do meio das pessoas.

 Yuta não me repreendeu, apenas subiu e desceu as mãos em minhas costas para que eu me acalmasse e me separou com gentileza ao perceber minha respiração voltar ao normal, me examinando com os olhos cuidadosos. Eu forcei um sorriso e apertei seus braços para mostrar que estava tudo bem.

 – Não precisa se preocupar – disse sincero, pois por pior que tenha sido a experiência, eu sentia que tudo aquilo estava chegando a um fim – Vou voltar para a mesa.

 Yuta não estava convencido de minhas respostas vagas, mas me acompanhou até a mesa e pediu para que Taeil tomasse conta de mim. Johnny havia sentado lá por um minuto e me desliguei das conversas que trocavam para enviar a mensagem pronta que fazia parte do plano. Inspirei e soltei o ar devagar, me recompondo. Precisava estar atento, era agora que tudo realmente começava.

 Eu provavelmente esperei mais duas horas até levantar novamente. Algumas das pessoas importantes já haviam partido, mas eu sabia que quem eu precisava ainda estava ali. Me ergui e comecei a caminhar pelo amplo salão, duas pessoas em mente para encontrar. Primeiro encontrei um ponto de apoio e segurança, assentindo quando ele olhou para mim. Em seguida, caminhei até sentir o olhar pesado que havia me atingido mais cedo, e lá estava o homem mascarado do banheiro, sentado com mais duas pessoas e os olhos indiscutivelmente em mim. Eu fiz questão de olhá-lo por longos segundos antes de dar as costas e caminhar para a porta lateral que eu sabia que levaria ao estacionamento. Mesmo que eu pensasse que nada de ruim me aconteceria, não consegui evitar o calafrio que subiu minha espinha ao me encontrar sozinho no amplo espaço aberto lotado de carros luxuosos. Eu não tinha um objetivo específico em mente, apenas caminhava no labirinto de carros, vez ou outra olhando sob o ombro para verificar se alguém se aproximava, e foi em uma dessas vezes que fui pego de surpresa.

 Quando voltei a olhar para frente, um vulto ágil e robusto contornou meu corpo pressionando o braço em meu pescoço e me privando do ar. Era desesperador me debater e sentir que não surtia efeito algum, tentar pisar forte em seus pés apenas me desequilibrou e a asfixia se intensificou quando ele começou a tentar me arrastar para algum lugar. Quanto mais eu lutava, mais zonzo ficava e as estrelas pontuando o céu escuro foram as últimas coisas que vi antes que um solavanco abrupto retirasse o peso de mim e eu desabasse no chão, desesperado por ar.

 – Sicheng! – a voz era familiar e preocupada vinda do homem agachado ao meu lado. Eu senti os dedos firmes em meu braço, mas estava concentrado demais em forçar palavras coesas pela minha garganta machucada – Você está bem?

 Eu podia ouvir a movimentação atrás de mim enquanto os homens de Wong levavam o homem que tentara me sequestrar, apenas um terceirizado que levaria até o verdadeiro culpado. Eu vi os olhos agitados de Wong enquanto eu assentia e fazia minha voz sair com dificuldade.

 – Yang – foi tudo o que eu disse, mas acho que meus olhos transmitiram todo o restante que eu queria que ele soubesse. Assentindo, o detetive se pôs de pé e pediu para que um dos homens ficasse comigo enquanto ele entrava correndo com facilidade pelo comprimento de suas pernas.

 Me ergui lentamente, meus dedos contornando a pele de minha garganta enquanto eu pigarreava e sentia a adrenalina abaixar em meu sangue. Fui guiado até a lateral da casa de eventos por um policial simpático que logo me ofereceu uma garrafa de água enquanto eu sentava em um dos bancos pretos cumpridos. Eu havia esvaziado metade do conteúdo quando mais um par de passos apressados chegaram até mim sendo parado momentaneamente por outros policiais que me cercavam como se eu fosse uma testemunha importante. Talvez eu fosse.

 – Yuta – sussurrei e o policial simpático sinalizou para que liberassem a passagem dele.

 Um instante depois eu o tinha ao meu lado, afobado enquanto decidia se me abraçava ou segurava meu rosto com as mãos em busca de ferimentos. Eu tentei sorrir para tranquiliza-lo, mas não sei se funcionou.

 – O que você tinha na cabeça?! – ele exclamou, me apertando novamente em seu abraço e eu passei os meus até tocar suas costas, um carinho suave como o que ele havia me dado mais cedo. Tão apertado estávamos que pude sentir o bater forte de seu coração em meu peito e me compadeci, Yuta estava aterrorizado. Aterrorizado com a ideia de que algo pudesse acontecer comigo.

 – Eu pensei que poderia ajudar a pegar a pessoa que estava causando isso a nós – eu disse e Yuta nos separou para olhar bravo para mim.

 – Servindo de isca?! Isso foi perigoso e imprudente, Sicheng. E por que você não me contou?

 Eu acariciei suas mãos, ouvir meu nome nesse contexto não era assustador. Era apenas o reflexo do quão preocupado ele estava e isso era como uma caixinha lotada de provas de amor para mim. Eu continuei calmo, querendo passar a mesma calma para ele.

 – Se eu contasse você nunca me deixaria tentar – ele apertou os lábios e soltou o ar de forma inconformada, ele sabia que era verdade. Suas sobrancelhas franzidas encaravam o chão ao invés dos meus olhos e eu toquei seu rosto com a destra para que me olhasse – Eu estou bem, amor. Não precisa se preocupar. Deu tudo certo e você não precisa ficar pensando em todas as alternativas negativas que poderiam ter acontecido. Porque não aconteceram.

 Vi quando os ombros dele cederam um pouco e a tensão pareceu começar a se dispersar. Yuta esfregou a testa com a mão cujo cotovelo estava apoiado na coxa, parecia prestes a explodir de dor de cabeça.

 – Você me assustou – ouvi ele murmurar e prendi o sorriso bobo – Achei que fosse desmaiar quando o detetive Wong me contou dos planos de vocês.

 – Oh meu Deus – exclamei, puxando-o para meu peito novamente, acariciando as costas curvadas.

 Yuta era um amontoado de características preciosas em um ser humano só e eu sentia meu peito explodir toda vez que ele as demonstrava para mim. Quando ele se acalmou e voltamos para o salão, descobri que a preocupação pode trazer a sobriedade para as pessoas quando Taeil apareceu e teve reações muito parecidas com as de Yuta, um tanto mais contidas como uma mãe mais aliviada do que transtornada. Eu agradeci sua preocupação e me desculpei com Johnny por ter acabado com o clima da festa, recebendo um sorriso tranquilizador e um abraço do anfitrião que usava uma máscara dourada sustentada por um palito preto. Digno da realeza, como ele. Com tudo o que acontecera, Yuta e eu acabamos indo direto para a delegacia para prestar alguns depoimentos, minha certeza de que Yang era o nome por trás de tudo se concretizou quando o bandido responsável pelo meu sequestro o delatou. Aparentemente sigilo não era parte do pacote dessa gangue. No fim da noite, eu sabia que ainda precisaríamos lidar com muita burocracia prisional, mas só queria uma boa ducha, o aconchego da minha cama e os braços do meu Yuta.

 Eu fui o primeiro a ir para cama, suspirando enquanto afundava minhas costas nos travesseiros que ergui contra a cabeceira. Nada tocava meu corpo além do roupão macio, eu sentia que precisaria de certa liberdade de movimentos por algum tempo; sempre que pensava no braço firme contra mim, me agoniava. Antes de pensar demais sobre isso, Yuta saiu do banheiro com o próprio roupão azul marinho, ele ser calorento era uma benção para meus olhos. Eu tinha notado que não havíamos nos falado muito desde que deixamos a delegacia. Mesmo assim ele se sentou ao meu lado, ainda quieto, e me olhou quando percebeu que eu o olhava demais. Encarei seu peito parcialmente exposto pelo roupão frouxo, nenhuma malícia em meus pensamentos, apenas um pedido mudo no olhar. Ele não disse nada, mas abriu os braços para mim, me fazendo conter dolorosamente um sorriso por ele ter me dado abertura. Me aconcheguei da forma que gostava e suspirei quando ele me acariciou dentro de seu abraço. Era como chegar ao paraíso depois de uma estadia no outro lado. Me permiti experimentar um pouco mais de seus cuidados antes de começar a falar, encarando meu indicador fazendo desenhos abstratos em sua pele.

 – Está com raiva de mim? – questionei. Eu estava mais exausto do que conseguia me lembrar, mas minha mente estava tranquila na medida do possível. Eu não sentia que Yuta estivesse assim e se precisasse conversar a noite inteira para que ele melhorasse, eu o faria. Ele suspirou, fazendo a expansão de seu peito mover minha cabeça.

 – É claro que não – ele respondeu, aparentando estar cansado também. Esperei que ele continuasse – É só que... Eu fiquei com tanto medo.

Ergui meu semblante sem desfazer nosso abraço, parando de brincar com seu peito para abraçar sua cintura.

 – Eu sei, meu amor – disse e ele negou, havia uma melancolia em seus olhos que quase me machucava.

 – Se coloca no meu lugar – ele disse e minha garganta fechou – Como se sentiria se soubesse que eu quase fui vítima de um sequestro, que eu me voluntariei para isso? Como se sentiria se soubesse disso só depois que tudo aconteceu e me encontrasse rouco de tanto que apertaram minha garganta enquanto eu lutava para fugir?

 – Para – eu pedi, fechando meus olhos com força e me desencostando dele para me sentar melhor. Quando os abri, eu e Yuta possuíamos lágrimas insistentes no canto dos olhos, meus lábios tremiam enquanto eu tentava evitar que elas caíssem. Doía, era isso que eu sentia ao me imaginar em seu lugar, traído por não tê-lo ajudado em nada, em ser o último a saber. Morto de preocupação pelo perigo a que ele estaria exposto – Eu sinto muito.

 Yuta soltou o ar de forma trêmula enquanto encarava o próprio colo, fungando quando a primeira lágrima desceu por seu rosto. Peguei suas mãos em uma tentativa de conseguir sua atenção e vê-lo chorar me fez derramar minhas próprias lágrimas.

 – Sinto muito ter preocupado você – continuei, vendo seu peito dar um solavanco com o próximo soluço – Me desculpe não ter contado. Foi o que achei que seria melhor na hora, não pensei muito mais além de ajudar a pegar o culpado.

 Yuta negou, eu sabia que ele me entendia e que ele teria feito o mesmo. Ele só estava externando tudo o que vínhamos sentindo nas últimas horas, nos últimos meses. Era um choro de alívio que colocava para fora todas as preocupações que vínhamos tendo e agora encontravam um fim. Eu funguei quando Yuta levou uma das mãos ao meu rosto, limpando o caminho de lágrimas.

 – Você é meu tudo – ele murmurou e eu sentia que o que doía agora era aquele espaço entre nós dois.

 Ainda fungava quando passei a perna pelas suas, sentando em seu colo e passando os braços por seu pescoço. Ele me apertou pela cintura, me deixando próximo o suficiente para que nosso calor quebrasse a barreira dos roupões. Continuamos assim até o choro cessar e os soluços desaparecerem, nos afastando lentamente para dispersar o torpor. Beijei seu rosto inteiro enquanto ele limpava os resquícios das lágrimas e eu sorri enquanto fazia o mesmo.

 – Nós somos chorões demais, não tem condições assim – eu disse e ele riu, expondo os dentes perfeitos para mim.

 Sua mão ainda estava em minha cintura quando ele ergueu o rosto para selar meus lábios. Foi apenas um esbarrar suave e ele riu da minha careta indignada, mas não negou quando firmei minha mão em sua nuca e iniciei um beijo mais profundo. Eu o amava com todas as minhas forças e cada ação dele me mostrava que ele me amava na mesma intensidade. Eu amava seus toques, suas palavras e seus pensamentos. Amava suas birras e sua seriedade, amava sua dedicação e seu carinho para tudo. Amava o homem incrível e forte que ele era e o homem confiante e seguro que me inspirava a ser. Era nisso que pensava enquanto o beijava com tudo de mim e acho que ele sentiu, pois tinha os olhos úmidos quando nos separamos.

 – Realmente, o sentimentalismo aqui chega a sufocar – ele disse, esfregando os olhos para dispersar as lágrimas e me fazendo rir.

 Perdemos mais algumas horas assistindo Trip to Agartha, mas não sei se realmente prestamos atenção já que preferíamos trocar carinhos bobos toda hora. O sol já nascia do lado de fora quando desliguei a televisão e me virei para ver um Yuta adormecido. Eu sorri para os lábios separados e os fios tocando os olhos, acariciei seu rosto com sutileza e selei seu lábio com doçura, me embolando em seu corpo até estar encaixado com a cabeça abaixo do seu queixo.

 – Você também é meu tudo.

 Eu não estava o olhando para poder reparar, mas como isso é uma narrativa minha eu posso usar de minha liberdade para dizer com toda certeza: Yuta estava sorrindo.


Notas Finais


É isso galeris!
Mais uma vez não consegui revisar como queria. Volto assim que eu puder pra corrigir oq não estiver nos conformes ^^

CURIOSIDADE: eles não iam chorar aí no finalzinho pq eles já choraram demais nessa fic. Mas aí pensei "eu fiz eles pra serem chorões msm fodase" e deu nisso aí kkk

Obrigada por lerem até aqui e me contem oq acharam :3
Até o próximo ~
XOXO


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