1. Spirit Fanfics >
  2. Depois da tempestade >
  3. "Mery"

História Depois da tempestade - Capítulo 4


Escrita por:


Capítulo 4 - "Mery"


Fanfic / Fanfiction Depois da tempestade - Capítulo 4 - "Mery"

Q.G, Eldarya: 07:00 am

Data: 23/03/20**


Erika acordou com alguém batendo em sua porta freneticamente. Se levantou meio zonza e foi até a porta, a abrindo sem se importar ou sequer lembrar que estava apenas de lingerie.

—Se arrume e c– O que?— Ezarel franziu o cenho ao olhar a mulher esfregar os olhos tentando espantar o sono.

—O que foi...? Bom dia pra você também...— resmungou mal-humorada.

—Vista alguma coisa!— o azulado disse virando o rosto totalmente corado.

—Desembucha Ezarel, fala logo o que tu quer pra eu poder voltar a dormir...— Erika disse revirando os olhos.

—Esqueceu dos seus compromissos também?! Eu tenho mais coisas a fazer garota.— rosnou evitando olhar para a faeliana.

—Ah. Os testes... Tudo bem, obrigada por me lembrar. Só vou me vestir e comer algo antes.— murmurou bocejando.

—Estarei na sala de alquimia.— Ezarel disse rapidamente saindo dali.

Erika revirou os olhos e fechou a porta, indo se trocando rapidamente. Acordou Ártemis e lhe alimentou, em seguida saiu do quarto e foi ate o refeitório sendo seguida pela mascote. Decidiu que já era tempo de mandá-la explorar as proximidades, então deixou a Minaloo livre para achar algo ou só dar uma volta.

Ao chegar no refeitório vazio, apenas pegou sua porção e comeu rapidamente para não levar xingos de certo elfo. Ao terminar seguiu em direção a sala de alquimia, batendo levemente na porta e entrando ao escutar a permissão de Ezarel. Ao ver o elfo concentrado em um livro, apenas se sentou em um canto e o observou em silêncio. Erika admitiu a si mesma que a expressão concentrada dava um ar mais sério e sexy ao elfo debochado.

—Muito bem, obrigado por não me atrapalhar. Eu não achei nada referente a efeitos atrasados ou formas diferentes da poção agir. Então vou ter mesmo que fazer alguns testes com você e talvez isso demore semanas ou meses. Ou apenas algumas horas.— Ezarel explicou.— Porém eu só posso fazer no máximo quatro testes por dia, em horários específicos para não ter confronto ou efeitos colaterais.

—Eu entendo. Qualquer coisa que precisar de ajuda, eu posso fazer o máximo que conseguir.— Erika disse olhando seriamente para o elfo.

—Por hora não preciso de nada muito difícil, só preciso do seu sangue.— a faeliana olhou confusa para o elfo.— Para Ewelein saber o quanto de sangue faery ainda tem em você e se temos chances de recuperar caso sua parte mágica tenha se perdido.— complementou pegando uma pequena seringa.

—Vai doer muito? Eu não gosto de agulhas...— murmurou encolhendo os ombros e desviando o olhar. Ezarel parou por um momento e sorriu fraco de costas para a mulher.

—Não se preocupe, vai ser como uma mordida–

—De um musarose.— Erika murmurou antes do elfo poder completar a frase. Sempre pensava isso quando tinha que ir ao médico, porém nunca soube o que era um "musarose" e nem de onde vinha aquela frase, só sabia que era equivalente a "como uma picada de formiga".

—Isso mesmo... Eu preciso que você responda algumas perguntas, tudo bem?— indagou baixo enquanto chegava perto da faeliana com a agulha e um pequeno algodão.

—Sim.— murmurou virando o rosto e esticando o braço.

—O que você sentiu ao acordar aqui?— indagou colocando cuidadosamente a agulha na veia da faeliana.

—Eu escutei vozes familiares, a de Ykhar e a de Kero. Ewelein estava se referindo a mim como uma humana. Eu senti que aquele ambiente, e até mesmo o cheiro da enfermaria eram familiares para mim. Eu escutei a chuva e na mesma hora me perguntei como poderia estar chovendo aqui, já que as chuvas são raras. Miiko e Valkyon também eram famiares para mim.— contou enquanto o elfo puxava seu sangue para dentro da seringa, em seguida colocando o pequeno algodão no furinho. Erika segurou o material fofinho e pressionou no local, mantendo o braço esticado.

—Você acha que somos familiares para você?— indagou passando o sangue para um tubinho e o deixando em um lugar seguro.

—Acho. Mesmo antes de saber sobre tudo eu achava que esse lugar era familiar, além das vozes e nomes. Eu os reconhecia de algum lugar.— Erika respondeu observando o elfo pegar um pequeno fraco de água purificada e outro com um liquido verde.

—Tome isso.— pediu entregando o frasco verde. Erika tomou rapidamente, sentindo um gosto amargo. Ezarel estendeu a mão.— Toque em mim, por favor.

—Pedindo assim...— brincou rindo, tocando a mão do elfo. Seu sorriso sumiu aos poucos quando não obteve reação alguma.

—Beba.— entregou a água purificada em seguida.— Isso vai anular o efeito mais rápido, dentro de cinco horas poderemos fazer mais um teste. Vá descansar ou brincar com Mery, apenas não se esgote muito, não é bom treinar agora. Evite fazer muito esforço.— Ezarel dizia mexendo em meio aos ingredientes que haviam naquela enorme estante.

—Entendo... Obrigada por estar me ajudando com isso Ezarel.— o elfo resmungou em resposta.— Mas... Você poderia me dizer por que age assim?

—Eu não posso. Preciso que ela volte, só então poderei te falar algo.— respondeu calmo.

—Ela? Você... Tem alguém?— o elfo parou por um momento e assentiu.

—Quase isso. Eu sei que você ouviu a conversa com a Ewelein.— resmungou novamente.— É muito feio ouvir a conversa alheia sabia?

—Oh, desculpe.— pediu sarcasticamente, fazendo um biquinho. Ezarel se virou e estreitou os olhos para a faeliana. Com apenas dois passos estava em sua frente.

—Sarcasmo é a minha área, não a sua.— disse apertando e puxando o biquinho da mulher.

—Ai! Isso dói!— resmungou quando o elfo a soltou.— Você é cruel...

—Você ainda não viu nada.— um sorriso malicioso surgiu nos lábios de Ezarel enquanto olhava de canto para Erika.

—Mas o que...?— a garota o olhou confusa, Ezarel havia mesmo feito uma piadinha maliciosa?

—Será que poderia, por gentileza, me deixar trabalhar e ir se perder pelo Q.G?— o tom gentil na voz do azulado fazia parecer que não estava querendo esganar a faeliana.

—Ain desculpa senhor trabalhador. É melhor me perder por ai mesmo do que ficar perto de você.— resmungou revirando os olhos.

—Digo o mesmo.— mais uma vez o sorriso sarcástico estava nos lábios de Ezarel. Erika bufou e saiu do laboratório, fechando a porta em seguida. 

Ezarel suspirou e se jogou na cadeira, tapando o rosto com as mãos.— Por que tem que ser tão difícil...?


Q.G, Eldarya: 10:08 am

Data: 23/03/20**


Erika estava sentada em uma pedra, observando Mery e Ártemis brincando na água do mar. O pequeno corria atrás da Minaloo abobalhada, tentando pegá-la, porém ela era mais rápida. A faeliana ria observando ambos, portanto logo decidiu molhar os pés também. Retirou as sandálias e a capa que usava, ficando apenas com uma saia azul e um collant branco.

—Mery! Eu vou te pegar!— a acastanhada proferiu com um grande sorriso, caminhando rapidamente em direção ao brownie. Mery riu alto e saiu correndo junto de Ártemis, fugindo das garras da mais velha. Ficaram brincando de pega-pega por um tempo, a criança conseguia facilmente escapar de Erika que apenas ria alto sempre que caia na água depois de uma falha tentativa de pegar o loirinho.

Em determinado momento, Ártemis passou correndo na frente de Mery e acabou distraindo o mesmo, dando a Erika uma chance de pegar o menino. E assim ela fez. Agarrou-o por trás e o levantou no ar, logo o levando para a areia. Ambos estavam encharcados com a água do mar. Erika deixou a criança no chão e se abaixou.

—Eu ganhei.— disse sorrindo e tocando a testa alheia com o indicador, dando uma leve empurrada. Foi então que aconteceu.


"—ERIKAAAAA!!!!— Miiko gritou mais uma vez enquanto eu e Nevra riamos. Havíamos posto um balde de tinta na porta do quarto dela.

—Agora é cada um por si! Boa sorte!— eu disse rindo e me separando de Nevra. Corri até o refúgio, pronta para me esconder quando acabei trombando com uma criança.

—Ei... Tudo bem pequeno?— perguntei me abaixando perto do brownie, que esfregava o rostinho vermelho.

—M-minha m-mamãe... E-ela su-sumiu!— dizia entre soluços.

—Esta tudo bem, nós vamos achar sua mamãe. Eu sou Erika, sub-líder da Guarda Reluzente. Como você se chama docinho?— perguntei pegando a criança no colo.

—Mery...— fungou abraçando meu pescoço.

—Muito bem Mery, qual o nome da sua mamãe?— comecei a andar em direção ao Quiosque Central.

—Twylda. Ela se parece comigo...— murmurou limpando o rosto.

—Oh eu sei quem é. Ela esta ajudando Karuto na cozinha, deve ter esquecido de te avisar antes de sair de casa. Posso ficar com você enquanto ela trabalha.— eu disse passando a mão delicadamente nas bochechas dele.

—Brinca comigo?— Mery perguntou sorrindo fraco.

—Brinco sim, docinho.— o sorriso aumentou com minha fala. Naquele momento senti que aquele garotinho seria alguém extremamente especial para mim.

—Erika...!"


—Moonie? Mana, o que aconteceu?— Mery indagou preocupado.— Seus olhos ficaram brancos do nada e depois voltaram ao normal...

—Esta tudo bem, docinho. Vamos voltar, sim? Não queremos pegar um resfriado.— a faeliana disse sorrindo e pegando o brownie no colo.— Sua mãe já deve estar terminando de ajudar o Karuto.

—Aah! Eu tenho que mostrar as conchinhas que eu achei pra mamãe!— disse animado agarrando o pescoço de Erika.

—O que acha de fazer uma pulseira de conchinha pra mamãe?— indagou assobiando para Ártemis seguir ambos, enquanto caminhava pela praia de volta pro Q.G.

—M-mas eu não sei f-fazer...— murmurou rapidamente ficando desanimado.

—Eu vou te ajudar docinho. Faremos uma surpresa pra sua mamãe.— beijou a bochecha molhada do pequeno, sentindo a cabeça doer levemente. Flashes se passaram novamente por sua mente enquanto caminhava para Eel. Não entendia como e nem o porquê, mas suas memórias sobre Mery estavam voltando com o toque que estava tendo naquele momento com ele. Precisaria falar isso para Ezarel.

Ezarel... 

A voz que escutou lhe chamando no final da memória parecia ser a do elfo. Mas, estava tão animada e... Doce... Seria mesmo Ezarel que havia lhe chamado?

Sua cabeça doía quanto mais pensava sobre aquela memória e sobre o azulado. Respondeu fundo ao passar pelo grande portão, Mery cochilava em seu colo e Ártemis lhe seguia farejando o ar para se localizar.

—Erika!— Ykhar gritou ao longe ao ver a faeliana molhada com a criança no colo.

—Shii... Ele dormiu. Pode leva-lo para a casa dele?— indagou baixo ajeitando os cabelos que caiam na testa molhada do pequeno.

—Claro, posso sim. Ezarel me pediu para lhe avisar que já pode ir até o laboratório para mais um teste.— murmurou pegando Mery com cuidado, sem tocar em Erika.

—Eu vou apenas me trocar e alimentar Ártemis, então irei até lá.

—Boa sorte! Espero que dê tudo certo!— o sorriso de Ykhar escondia sua angustia em não ter a amiga presente, porém a esperança nunca lhe deixou desde que encontrou-a na floresta. Ykhar sabia que Erika voltaria. Ela tinha que voltar.

—Eu também...



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...