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História Depois da tempestade - Capítulo 2


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Notas do Autor


Olá, minhas preciosas e preciosos ❤️
Nesse capítulo, começamos a conhecer um pouco mais da história da Regina.
Boa leitura.

Capítulo 2 - Capítulo 2


Regina entrou e gastou vários minutos tentando entender onde estava.

Acostumada com a decoração limpa e simples de seu próprio apartamento, foi atingida pela explosão do rústico colorido interior da casa de Emma, com artigos em couro, móveis antigos, tapetes abstratos e os belos quadros aquarelados nas paredes.

Tudo ali dentro fazia questão de lembra-la que estava muito distante de sua vida em Toronto. O que lhe trazia o motivo que a fizera deixar tudo para trás e dirigir por tantas horas para chegar ao rancho e de forma automática, ela se via deprimida, disposta a recomeçar a perder a compostura e chorar vergonhosamente, como fizera ainda há pouco.

—Chá? – Emma ofereceu, tirando-a de seu momento.

—Sim, obrigada. Desculpe pela cena, lá fora – Ela tentou sorrir – Eu perdi o controle.

—Não se preocupe – Enquanto a loira se ocupava com o chá, Regina continuou olhando ao redor.

—Você e aquele rapaz cuidam do rancho? – Questionou, sem saber direito porque o fazia.

—Sim e não – Emma sorriu – Henry é meu único funcionário fixo. Mas sempre acabo contratando alguns rapazes, entre as temporadas do rodeio, em um rancho como esse, mão de obra nunca é demais. E você, com o que trabalha?

—Eu tenho uma editora – Regina comentava, enquanto olhava as fotos que estavam sobre uma estante – Sou uma das proprietárias, na verdade. Meu pai fundou a empresa há muitos anos e minha irmã e eu assumimos depois.

Elas ficaram em silêncio por alguns minutos, enquanto a morena observava os quadros pintados por Emma.

—Você pretende ficar? – Regina a encarou – Nós temos chalés, do outro lado do celeiro. Caso queira acompanhar o tratamento do cavalo ou passar alguns dias no campo. Só não são permitidas festas e coisas assim.... Barulhentas.

Era apenas uma interação comum. Emma fazia essa oferta para todos que traziam seus animais. A princípio, os chalés seriam alugados para qualquer pessoa. Essa ideia, no entanto, se provou ruim quando jovens passaram a pegar o lugar apenas para suas festas barulhentas, o que rendeu para Emma uma boa porção de reclamações dos vizinhos, além de gastos extras com reparos dos danos deixados pelos adolescentes.

Ainda assim, ela ficou olhando com expectativa para a empresária, que parecia perdida em seus próprios pensamentos.

—Acho que.... Não sei o que dizer ainda – Ela suspirou – Ficarei por dois ou três dias, para descansar e ver como Rocinante se adapta. Depois disso preciso ligar para minha irmã, eu realmente não trouxe muito comigo.

—Tudo bem, apenas me deixe saber. Daqui a pouco eu vou organizar as coisas para você passar a noite – Regina parecia relaxada o suficiente agora e se Emma queria começar a trabalhar com o cavalo no dia seguinte, precisava de informações – Eu preciso que você me fale um pouco sobre Rocinante, como ele era e o que aconteceu.

Emma pôde observar cada nervo do corpo da empresária se tornar uma bola de tensão e teria se arrependido da pergunta, se não estivesse acostumada a lidar com situações desconfortáveis como aquela.

Tratar cavalos traumatizados trazia, no pacote, proprietários inconstantes. Alguns estiveram presentes no momento do trauma, outros apenas amavam o animal o suficiente para serem atingidos com intensidade. Mas todos sempre perdiam o controle e isso os deixava desestabilizados.

—Eu o ganhei de presente – Regina falava devagar, escolhendo as palavras – Ele costumava ser um cavalo doce, nos seguia pela fazenda, mas.... – Com um longo suspiro, ela se virou e Emma não estava preparada para encontrar tanta dor em seus olhos castanhos – Batemos o carro, Rocinante estava no trailer que se soltou e honestamente, foi um milagre que esse cavalo não tenha se ferido fisicamente. Mas nunca mais foi o mesmo. Agora ele está sempre assustado e se torna agressivo de repente, não deixa que eu chegue perto, é quase como se tivesse pegado raiva de mim e eu posso jurar que nunca levantei sequer um dedo contra ele.

—É bem comum, na verdade – Emma sorriu, tentando tranquiliza-la – Você estava com ele na hora do acidente e, de alguma forma, Rocinante ligou sua imagem ao trauma. É quase o mesmo princípio de quando não gostamos de uma música porque ela tocou em um momento triste. Podemos trabalhar nisso.

—Certo – Regina pegou o celular, franzindo o cenho.

—O sinal aqui é inconstante, desculpe – A loira apontou para o telefone na parede, ao lado da janela da cozinha – Temos aquele telefone e um no celeiro. Celulares funcionam quando o tempo está bom, mas em dias como hoje... E tempestades são comuns, no fim do verão.

Regina apenas assentiu. Para alguém acostumada a estar com o aparelho quase o dia todo, previa que seria uma provação estar sem sinal.

Como se para provar o ponto de Emma, as primeiras gotas se fizeram ouvir no telhado e rapidamente se tornaram uma chuva forte e constante.

—Eu acho que vou deixar você no quarto de hóspedes essa noite – A loira comentou, olhando pela janela – Se estiver tudo bem....

—É claro, não se preocupe.

Emma deixou-a sozinha a fim de arrumar o quarto. Em sua mente, já montava um plano de tratamento para Rocinante, com as informações que tinha.

Ele era, aparentemente, um cavalo de família, usado para cavalgadas esporádicas. Recomeçar com a doma básica seria o bastante para aprender sobre sua personalidade e encontrar um caminho para a reabilitação, que provavelmente acabaria incluindo mostrar que o trailer não lhe faria mal algum. Ou Regina.

Esse era um assunto que precisaria discutir com ela, no dia seguinte. Se o cavalo tinha problemas em tê-la por perto, teria que trabalhar com os dois juntos, em algum momento.

Com o quarto já arrumado, Emma desceu as escadas e a encontrou massageando o joelho direito.

—Está tudo bem? – Perguntou, percebendo que seus cabelos estavam úmidos e os saltos haviam sido colocados sobre a mala, que ela buscara no carro.

—Sim, não se preocupe – Ela se levantou – Eu não posso dirigir por muito tempo, depois do acidente.

A conversa foi encerrada com um tour rápido pela casa e Regina subiu para um banho, alegando que se retiraria para o quarto em seguida e Emma não precisava se preocupar com jantar.

Emma sentiu-se tentada em responder que não poderia admitir alguém que não jantasse. Mas algo na expressão cansada da outra a fez se calar e com o som da chuva no telhado, acabou se dedicando aos papéis que precisava lidar por pouco tempo, já que o cansaço do dia logo a fez se retirar para o próprio quarto.

 

(....)

 

Se na noite anterior, a chuva forte banhou os campos, o sol da manhã tinha brilho e calor mais do que o suficiente para secar a terra outra vez.

Emma seguiu sua rotina comum. Despertou cedo, alimentou os animais e tomou seu próprio café, deixando a garrafa e os pães sobre a mesa, com um bilhete de ‘bom dia’ para quando Regina se levantasse.

—Esse cavalo é louco – Henry resmungou ao vê-la, enquanto Emma ajustava a cerca provisória para levar Rocinante ao redondel – Pensei que teria que usar o sedativo até os trovões pararem.

—Ele esteve em um acidente de carro, o medo de sons altos deve fazer parte do trauma – Emma suspirou.

—E a dona dele? – O rapaz a encarava, com um sorriso maroto – Um colírio para os seus olhos, não é?

—Henry! – A repreensão veio com um sorriso e logo ele gargalhava.

—Eu sabia. Ela é linda, isso nem eu posso negar – Ele deu de ombros – Mas como eu não sinto atração por pessoas que devem ter a idade da minha mãe.... Sei que ela faz seu tipo.

Emma jogou seu lenço na direção dele, que já se afastava enquanto desenhava no ar a silhueta de um violão.

Como esperado, Rocinante não vacilou por sequer um segundo ao correr para o cercado, mas não mostrou estar contente quando Emma se juntou a ele.

Com o dia claro, ela pode observar melhor seu porte firme, os músculos brutos das coxas sob a pelagem marrom que cobria quase todo o seu corpo, com exceção dos pelos que iam desde entre as orelhas até o nariz, que eram brancos.

—Vamos lá, cavalinho – Ela comentou.

Com um pedaço de corda, ela o estimulou a correr em círculos, acompanhando a cerca.

Rocinante tinha energia de sobra. Provavelmente, após o acidente, havia passado muito tempo em uma baia e isso o deixava ainda mais nervoso.

A cada cinco minutos, Emma o estimulava a mudar de direção, sempre usando comandos de voz neutra junto aos gestos.

Dentre todas as formas de doma gentil, ela preferia o redondel. Além de proporcionar exercício saudável para o cavalo, também o fazia acostumar-se a trabalhar ao redor dela, se aproximando cada vez mais conforme ganhava confiança.

Um cavalo que estivesse no início da doma, giraria várias vezes ao dia por no mínimo uma semana até que estivesse pronto para uma aproximação. No entanto, para cavalos que já haviam sido domados e estavam apenas revisitando essa etapa, o tempo poderia variar para mais ou para menos, dependendo dos motivos que o levaram até ali.

A prova final acontecia quando Emma parava de estimular o animal e se virava de costas, deixando-o decidir o que faria. Se o cavalo estivesse pronto e confiasse nela, viria devagar até estar ao seu lado ou, caso não se sentisse confiante, permaneceria parado e ela sabia que deveria prosseguir com a doma por mais algum tempo.

A linguagem corporal de Rocinante lhe dizia que ele sabia do que se tratava, já estivera fazendo aquilo antes. Ele iniciava a mudança de direção no momento em que Emma ajustava o corpo para lhe ordenar que fizesse isso e não se mostrava assustado, apenas mantinha uma distância desconfiada.

Regina saiu da casa, segurando o celular para o alto e virou-se bem a tempo de ver Emma acenar, sorrindo.

A empresária deu alguns passos em sua direção, mas no instante seguinte o celular tocou e ela se afastou para atender, recebendo um sermão da irmã antes que pudesse dizer qualquer coisa.

—Você não podia ter ligado, Regina? Pelo amor de Deus.

—Nem eu poderia ter tanto azar a ponto de cair com o carro de um barranco duas vezes, Zelena – Rebateu, mau humorada – O sinal fica ruim quando chove, descobri isso tarde demais.

—Você chegou bem? Como foi? Ela vai cuidar do cavalo? – Regina massageou a têmpora.

—Emma já está trabalhando com Rocinante, dentro de um cercado que eu não faço a mínima ideia do porque é redondo – Ela suspirou – Quase não consegui. Ela já estava com a agenda fechada, mais um pouco e eu precisaria dirigir de volta para Toronto com o cavalo coiceando o trailer.

—Meu Deus, Regina – Zelena riu – E quanto é que precisou desembolsar a mais para o atendimento fora de época?

—Nada, até onde eu sei – Regina olhou em volta. Havia caminhado enquanto conversava com a irmã e dado a volta no celeiro – É lindo aqui.

Ela estava diante de uma estrada ladeada por dois campos largos, onde alguns cavalos pastavam. Cercas impediam que os animais invadissem a estrada ou o espaço dos chalés, que ficavam na outra ponta.

Os chalés estavam dispostos em um semicírculo agradável que rodeava um pequeno espaço de camping, onde havia uma fogueira pronta para ser acesa e bancos de madeira.

A estrada subia, o que significava que se ela parasse na porta de qualquer um dos chalés, teria uma vista de toda aquela área da fazenda, dos campos atrás e das montanhas, que cortavam a linha do horizonte.

Por um instante, Regina teve certeza que se pudesse habituar-se ao silêncio quase constante que pressionava seus ouvidos, podia considerar um sujeito sortudo qualquer um que tivesse aquela vista ao sair da cama.

—Quanto tempo vai ficar por aí? – Zelena perguntou, trazendo-a de volta para a realidade onde era apenas uma visitante naquele paraíso e sua vida movimentada a esperava em outro lugar.

—Não sei ainda, como estão as coisas na editora?

—Estão ótimas, não quero que se preocupe com isso. Essa é nossa época mais tranquila.

—Algum trabalho promissor?

—Até agora não – Zelena suspirou – Apenas mais do mesmo.

—Certo – Regina encarou os chalés – Qualquer novidade entre em contato, deixe uma mensagem ou alguma coisa assim e eu retorno assim que puder.

Como de costume, não esperou pela resposta antes de encerrar a ligação.

Sem saber que rumo tomar ou o que fazer, ela voltou pelo mesmo caminho de onde havia vindo, mas dessa vez, entrou no celeiro.

Logo o odor forte dos animais invadiu suas narinas. Algumas baias estavam vazias, outras continham cavalos tranquilos, que deixaram a empresária acariciar o espaço entre seus olhos e farejaram as mangas de sua blusa, atrás de algum petisco.

Um dos cavalos chamou sua atenção. Inteiramente branco, se aproximou da porta da baia e moveu a cabeça na direção dela, suspirando ao receber um carinho.

—O nome dela é Lily – A voz de Emma soou atrás dela, fazendo com que estremecesse – Desculpe, não quis assustá-la.

—Tudo bem – Regina sorriu – Ela é linda. Está fazendo algum tratamento?

—Não, Lily é minha – A égua havia se virado na direção de Emma e recebeu com alegria um cubo de açúcar – Eu a tenho desde que nasceu, literalmente. Rocinante está descansando no campo, deixei-o livre para pastar por algum tempo, depois vou exercitá-lo outra vez.

—Você acha que vai demorar? – Emma deu de ombros, seguindo até um pequeno escritório que Regina não tinha percebido.

—É difícil dizer, cada cavalo tem seu tempo. Rocinante conhece a doma que estou fazendo, ele prevê meus movimentos, só resta convencê-lo que isso não vai leva-lo para um trauma dessa vez – A loira suspirou, sentando-se – Eu preciso que vocês dois trabalhem juntos. Não agora, mas daqui há algum tempo. Por enquanto, eu o deixarei com outros cavalos, para que se torne mais sociável.

—Certo – Apesar de concordar, Regina se virou de costas e passou a analisar as fotos e prêmios que cobriam as paredes.

—A conexão entre vocês foi rompida pelo trauma – Emma continuou explicando – Então depois que eu conseguir trabalhar a confiança dele, vamos focar em reestabelecer esse laço.

—Podemos fazer isso – Ela se virou – Não podemos?

—É claro – Emma franziu o cenho. Era desconcertante como em alguns momentos, a postura de Regina parecia desaparecer e ela demonstrava uma vulnerabilidade profunda – É claro que podemos.

—Você ganhou muitos prêmios – Regina voltou a olhar para a parede – Essas competições de salto, não pensei que existissem realmente, vi em alguns filmes, mas....

—São bem reais – Ela sorriu – Eu costumava competir quando era mais jovem. Lily é uma saltadora nata, merece mais crédito do que eu.

—Não compete mais?

—Não tenho muito tempo para treinar – Emma deu de ombros – Depois que meus pais faleceram eu fiquei sozinha para cuidar do rancho. Entre as tarefas e os cavalos em tratamento, não me sobra tempo o suficiente para me preparar e eu não confio em ninguém para tomar conta daqui enquanto vou para alguma competição.

—Nisso eu te entendo. É difícil para mim ter deixado a editora e estar aqui, mesmo que seja minha irmã a cuidar de tudo em minha ausência.

—O que acha de um passeio a cavalo? – Emma perguntou, de repente – Ainda tenho Lily e Boxer para exercitar, poderia aproveitar e conhecer melhor o lugar.

—Claro, eu preciso mesmo relembrar como é cavalgar, se pretendo voltar a montar Rocinante.

Elas partiram em silêncio, seguindo em direção ao largo campo que margeava o rancho. Avançaram preguiçosamente em meio a grama alta e Regina resistiu ao impulso de desmontar e passar uma boa hora ao sol, ali mesmo, sem pressa ou compromisso.

E quando Emma propôs que acelerassem o galope a fim de aquecer os músculos dos cavalos, sentiu-se como se pudesse voar. Pela primeira vez, em muito tempo, Regina Mills sentiu paz.


Notas Finais


E então? Teorias? Digam-me o que acham que aconteceu nesse acidente.


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