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História Depois da tempestade - Capítulo 3


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Notas do Autor


Olá, minhas preciosas e preciosos.
Nesse capítulo, nós começamos a ir um pouco mais a fundo nas personagens, saber um pouco mais de cada uma.
Eu li os comentários, vou estar respondendo todos e vi que umas pessoas acertaram na teoria sobre o acidente hahaha. Mas já quero ir deixando claro que não é tão simples assim, vamos descobrir no decorrer da trama.
Boa leitura ❤️

P.S. Passem pelas notas finais, tem umas coisas interessantes lá.

Capítulo 3 - Capítulo 3


Naquela noite, Regina se juntou a Emma para o jantar. Ouviu, sem muita atenção, quando a loira explicou que ela poderia receber seu jantar no chalé – onde dormiria – e recusou. Haviam cavalgado durante boa parte da manhã, Boxer era um cavalo dócil de trote tranquilo e apesar de ter passado o resto do dia com o joelho reclamando, Regina pretendia repetir a atividade no dia seguinte.

Henry providenciara um almoço digno dos filmes sobre o campo que a empresária assistira e o jantar, preparado por Emma, não ficava atrás disso. Falavam sobre o dia no campo, compartilhavam notícias sobre cavalos que passaram por ali e agora progrediam com seus donos e começavam a se preparar para ir a um casamento, que aconteceria na próxima semana.

Regina mais escutava do que falava.

Era bom estar dividindo a mesa com outras pessoas e, sobretudo, pessoas que não se preocupavam em olhar para ela antes de comentar sobre um casamento futuro e muito menos pareciam pisar em ovos ao seu redor, cuidando com as palavras que iriam dizer em seguida.

Foi provavelmente naquele momento que ela admitiu para si mesma que precisava estar longe de Toronto por mais algum tempo. Necessitava da tranquilidade daquele lugar e da familiaridade com que era tratada, mal fazia vinte e quatro horas desde sua chegada e Regina se sentia acolhida.

—Eu vou ficar aqui por algum tempo, se estiver tudo bem – Comentou, enquanto ajudava Emma com a louça.

—Claro que sim – A loira sorriu, lhe passando um prato.

—Apenas vá somando tudo isso e eu lhe pago depois. Mas também não pretendo simplesmente não fazer nada, não sei ficar parada e quero ajudar com alguma coisa.

—Não fale bobagens, apenas aproveite e....

—É sério, Emma, eu não sou uma pessoa que consegue ficar horas parada, fazendo absolutamente nada – Ela suspirou – Me dê alguma tarefa simples, não sei.

—Certo – Emma secou as mãos e se recostou no balcão, encarando-a – O que você é acostumada a fazer?

—Honestamente? Eu leio histórias que as pessoas enviam para a editora e decido se vale a pena publicá-las – A outra levantou as sobrancelhas – Mas eu sou ótima lidando com papéis e documentos, fazendo contas.... Posso recolher os ovos, talvez.

Emma gargalhou.

—Aquelas galinhas a colocariam para correr – Regina sorriu – Tudo bem, se você insiste, eu realmente tenho uma papelada para lidar.

—Eu faço isso.

—São contas, cálculos de gastos e ganhos do último ano.

—Perfeito – Emma a encarava – É sério, eu faço essa papelada na editora, é algo que estou acostumada a lidar e posso deixar tudo resolvido em pouco tempo.

—Por Deus, está bem, amanhã eu entrego tudo isso para você – Ela suspirou – E também não posso negar que vai ser ótimo me livrar desses papéis, porque eu estou enrolada com eles há meses.

—Viu só? Todos saem felizes – Ambas sorriram – E Henry? Vocês têm algum tipo de relacionamento?

—Henry e eu? Por Deus não – Emma riu outra vez – Os pais dele eram amigos dos meus pais. Tinham uma casa pequena na cidade, mas Henry passava mais tempo aqui, porque eles viajavam muito – Ela olhou para a sala de jantar, apenas conferindo que o rapaz não havia descido outra vez – Eles faziam trabalho voluntário em áreas afetadas pela guerra. Levavam alimentos, alfabetizavam as crianças. Mas em uma dessas viagens, uma bomba explodiu na área onde estavam e bom.... Ele vive aqui desde então.

—Seus pais o adotaram?

—Oh não, digamos que o sistema não se importa muito com o que acontece em uma cidade como Sotrybrooke – Emma deu de ombros – Eles gostam de nos trazer adolescentes problemáticos para seus trabalhos de condicional porque o campo os afasta de más influências. Mas quando alguma de nossas crianças perde os pais e fica sozinho no mundo, não se dão conta – Ela voltou ao trabalho, terminando de lavar a pia – Henry simplesmente veio viver conosco. Não quis ir para Toronto onde os avós viviam e acho que eles ficaram aliviados por isso, não estavam preparados para uma criança em casa.

—Ele parece feliz – Regina comentou, sem saber o que dizer além disso.

—Ele ama esse lugar. Nunca conheci alguém que tivesse tanta esperança e alegria quanto ele.

—E você? Nunca pensou em sair daqui?

—Passei quatro anos longe quando era mais nova e simplesmente não podia aguentar a falta que esse lugar me fazia – Regina sorriu, desejando ter um lugar no mundo que a fizesse sentir assim – Meu pai queria que eu fizesse faculdade, aquela velha conversa sobre o quanto é importante ter um diploma na parede. Fui para Vancouver e me formei em artes.

—Aqueles quadros.... – A empresária apontou para a sala de jantar, onde algumas pinturas mostravam cavalos aquarelados e paisagens.

—Todos meus. Eu gostava de pintar, então apenas escolhi um curso que não me fizesse cometer suicídio. Também não posso negar que consigo um dinheiro extra nas feiras, alguém sempre compra uma tela ou encomenda algo específico.

Com a louça devidamente lavada, Regina se preparou para voltar ao chalé. Por haver dormido pouco na noite anterior e se movimentado além do costume durante o dia, estava cansada o suficiente para esquecer o quão silencioso o rancho podia ser.

Mal tinha colocado seus pés na varanda quando Emma surgiu atrás dela, com duas cervejas.

—Meus avôs maternos construíram esse lugar do zero – Comentou, entregando uma das garrafas para a morena – Meus pais mantiveram quase tudo do mesmo jeito.

—Sempre foi uma espécie de reabilitação para cavalos? – Regina perguntou, antes de beber um pouco.

—Não, isso começou comigo. Antes nós apenas abrigávamos cavalos que os donos não tinham lugar para deixar – Deu de ombros – Pessoas ricas que compravam os animais por capricho e não possuíam uma fazenda ou sequer um estábulo. Os animais ficavam aqui. Alguns competidores também traziam seus cavalos para que minha mãe os treinasse, ela era boa nisso. Acho que as coisas teriam continuado assim, se não fosse por Storm.

—Storm?

—O primeiro cavalo que eu cuidei – Emma sorriu com a lembrança – Era um cavalo velho, havia ganho tantos prêmios e seu dono o mantinha em um pequeno sítio onde vivia. Mas quando o celeiro pegou fogo, Storm se queimou e não deixava ninguém se aproximar. Não era um lugar espaçoso, haviam outros cavalos e Storm simplesmente atacava qualquer coisa viva que se aproximasse o suficiente.

—Tantos prêmios para terminar assim.

—Exato. O dono achou melhor trazê-lo para cá, apesar de amá-lo e blábláblá, não podia colocar seus novos campeões em risco. Storm ficaria aqui até morrer, pastando tranquilamente – Ela bebericou da garrafa, rodando-a entre os dedos em seguida – Mas eu não queria que fosse assim. Sempre fui apaixonada por cavalos e havia acompanhado algumas vitórias dele. Então eu só.... Não sei, fui me aproximando devagar, passava horas sentada, imóvel no campo onde ele pastava, apenas deixando que se acostumasse com minha presença e fui chegando cada vez mais perto, até que ele me deixasse tocar seu pelo.

—Quanto tempo levou isso? – Mesmo na escuridão, Emma podia ver o brilho dos olhos castanhos da morena, a encarando.

—Um mês e meio, mais ou menos. Depois que Storm passou a confiar em mim, o trouxe para o redondel e refiz todo o processo de doma. O dono o levou de volta para o sítio e espalhou aos quatro ventos que eu havia feito um milagre.

—E foi aí que começaram a chegar os cavalos – Regina comentou e Emma sorriu.

—Como água durante uma tempestade. Eles vinham de todos os lados, eu teria ficado louca se meu pai não tivesse assumido o controle e montado uma agenda para organizar meus estudos e o trabalho com cavalos. Depois disso, fomos ficando sem espaço para receber os animais que não estavam em tratamento e meus pais decidiram parar com o que faziam. Passaram a me ajudar e foi assim durante muito tempo.

—O que houve com eles? – Regina podia sentir que estava indo longe demais. Era raro que deixasse sua curiosidade movê-la através de perguntas como aquela, que invadiam a vida de outra pessoa e a destrinchavam em fiapos de informação. Mas se Emma se sentia assim, não demonstrou.

—Minha mãe teve um infarto quando eu tinha dezenove anos – Emma sorriu, com tristeza – Ficamos apenas meu pai e eu por cinco anos. Ele faleceu dormindo, o laudo médico indicou causas naturais, mas se você quer saber.... Acho que ele morreu de tristeza.

—Isso é possível? – A morena sentiu seus próprios olhos se arregalarem.

—Cientificamente? Não faço ideia. Mas eu o vi definhando durante cinco anos – Ela suspirou – Depois que minha mãe morreu, foi como se meu pai tivesse perdido uma parte importante dele mesmo. Ainda se levantava todas as manhãs, cavalgava e fazia todas as refeições, mas não tinha mais aquele brilho nos olhos, entende? Não ria de suas próprias piadas como antigamente, não sorria assistindo programas bobos na televisão. Aos poucos, todos os detalhes pequenos que o faziam ser ele, foram sumindo.

—Entendo – Regina bebeu, para disfarçar a falta de palavras.

—E você? Como foi o acidente com Rocinante?

—O trailer onde ele estava se soltou com o impacto e desceu escorregando em um barranco. Como eu disse, foi um milagre que ele não tenha se ferido.

—Mas você se feriu, certo? O joelho....

—Eu.... – Regina franziu o cenho, terminando sua cerveja – Acho melhor ir me deitar. Boa noite, Emma.

Ela se virou, mas uma mão pousou em seu braço.

—Me desculpe, eu não devia ter perguntado.

—Está tudo bem – Regina se virou outra vez e tentou sorrir – É justo que você pergunte, porque eu perguntei sobre sua família. Eu apenas não estou pronta para falar sobre isso, não hoje.

—Não se preocupe, Regina – A mão da loira se moveu sobre sua pele, numa carícia leve – Boa noite.

E Emma entrou, deixando-a parada no meio do quintal, sem ter muita certeza de que desejava mesmo voltar para o chalé, onde estaria sozinha.

Que ninguém entendesse mal, Regina gostava da solidão. Precisava dela da mesma forma que precisava de ar para respirar e estar só, era geralmente tão confortável quanto a ardência da dose de whisky que ela bebia todas as tardes, quando voltava para casa.

Mas assim como qualquer outra pessoa, ela necessitava de calor humano. Pequenas doses de conforto que seriam capazes de acalmar seu coração.

Sua fama de dama de ferro a precedia. As poucas pessoas que haviam tentado se aproximar dela, depois do acidente, tinham escolhido momentos péssimos para isso e acabaram sendo rejeitadas com tanta intensidade, que dificilmente voltariam a tocar no nome Regina Mills sem uma careta de desgosto.

Zelena insistia que a solução seria Regina falar sobre o que acontecera. E ela queria isso, queria se livrar das palavras que pesavam dia após dia em sua alma, contar sobre a dor que sentia e a insegurança que não admitia nem para si mesma. Porém, continuava esperando uma circunstância exata, uma pessoa que se mostrasse digna de confiança, que não a olhasse de forma diferente depois ou tentasse a consolar com palavras pequenas que ela já ouvira tantas vezes e que não significavam absolutamente nada.

Sem escolha, deixou seus ombros se curvarem um pouco e foi para o chalé, onde, por sorte, se deitou na cama e adormeceu logo.

 

(....)

 

Emma observou pela janela até a luz do chalé ser apagada.

Andou de um lado ao outro, encarando o notebook e tentando convencer a si mesma de que não era certo o que queria fazer.

Porém, não muitos minutos depois, pulou sobre a cama e puxou o computador para o colo, digitando rapidamente ‘Regina Mills’ no campo de pesquisa.

Uma série de links apareceu na tela. O site da editora, vários livros que haviam sido publicados sob o logo Mills e algumas fotos de Regina com a irmã, uma ruiva de olhos claros que não tinha semelhança alguma com a morena.

Nada daquilo interessava para Emma, que voltou para a página inicial e refinou sua pesquisa, digitando ‘Regina Mills acidente’ e dando enter.

As imagens vieram primeiro.

Um carro praticamente destruído, virado com as rodas para cima na base de um barranco. Mais além, um trailer deitado, seriamente danificado pela queda.

Sem ter muita certeza do que fazia, mas movida por uma curiosidade maior, Emma escolheu um dos links e clicou.

 

“Na manhã desta sexta-feira (24) a Royal Canadian Mounted Police (RCMP) registrou um acidente na Rodovia 401, entre Toronto e Pickering. Por volta das 10h, uma motorista perdeu o controle do carro em que viajava com o marido. O passageiro faleceu e a motorista teve ferimentos moderados.

A fatalidade aconteceu quando o casal retornava da fazenda da família, há cerca de 30 km de Toronto. Eles tinham um trailer de transporte animal engatado no carro, que se soltou no momento do acidente.

O carro derrapou na pista e capotou em um barranco, nas margens da rodovia, parando apenas ao bater contra uma pedra.

A motorista foi identificada como Regina Mills, uma das proprietárias da Editora Mills e o passageiro, seu marido, foi identificado como Robin Locksley.

Regina sofreu uma fratura na perna esquerda e foi encaminhada para o Toronto General Hospital.

O animal que estava no trailer não ficou ferido.”

 

Emma encarou as imagens novas que o site mostrava. Regina ferida e desacordada, sobre uma maca móvel, Rocinante sendo sedado para ser retirado do trailer e um corpo coberto com um pano branco.

A loira sentiu um frio que pareceu invadi-la até os ossos. A reportagem era datada de dois anos atrás, mas a dor que ela vira nos olhos de Regina era bem recente.

Imaginou se a empresária revivia aquele momento quase todas as noites, antes de dormir, da mesma maneira que ela revivia o instante exato em que encontrara a mãe caída dentro de uma das baias do celeiro.

Teria que ter cuidado, ela sabia, para não deixar sua expressão entregar a pesquisa que havia feito. No dia seguinte, precisaria se esforçar para não usar palavras doces ou estragaria tudo.


Notas Finais


A RCPM é real. É a polícia canadense, a única no mundo que mantém o policiamento federal, estadual e municipal em uma só organização. Eles também são basicamente um marco cultural do país, pela vestimenta, pela importância e etc. Sabem aqueles filmes/séries que a parte de cima da roupa do policial é vermelha, praticamente uma túnica até no meio das coxas, a calça azul e um cinto de couro atravessado no peito? Pois então, são eles. Mas atualmente, esses uniformes são mais usados em desfiles e cerimônias, não como farda do dia a dia.
Também é válido dizer que os cavalos também são usados apenas em determinados eventos.


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