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História Depois da tempestade - Capítulo 5


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Notas do Autor


Olá preciosas e preciosos.
Me adiantei e postei mais cedo do que de costume hahaha
Ainda estou devendo resposta de alguns comentários e vou respondê-los durante o dia.
Boa leitura ❤️

Capítulo 5 - Capítulo 5


Storybrooke era minúscula.

A cidade contava com apenas uma rua principal e se estendia por cerca de nove ou dez quadras, para ambos os lados, terminando abruptamente aos pés das montanhas e em campo aberto.

Sendo uma típica cidade interiorana, todos se conheciam e a permanência de Regina não passou despercebida. A maioria dos habitantes, acabara vendo ou ouvindo sobre o sedan preto que passara por ali, vários dias antes e seguira para o Rancho Swan, de onde não retornara.

O primeiro domingo de cada mês, era como um grande evento em Storybrooke. Os comerciantes locais e alguns moradores de fazendas próximas, armavam pequenas barracas na rua principal, preenchendo-a com o colorido de legumes, verduras, frutas e artesanatos de todos os tipos. Além da clássica geleia de Moe French, feita manualmente por ele mesmo e vendida por sua filha, Belle.

—Henry, pode tirar o resto do dia de folga, está bem? – Emma comentou, enquanto estacionava a caminhonete e o rapaz a olhou, contente – Você tem como voltar depois?

—Claro, peço para algum dos rapazes me levar – Ele olhou para Regina, que estava espremida entre os dois e tentava não se mostrar desconfortável – Não beba demais, Emma já faz isso por dois e alguém precisa dirigir de volta.

—Jesus, Henry, foi só uma vez – Emma resmungou.

—Eu.... Claro – Regina olhou de um para o outro, um pouco incerta de que seria capaz de dirigir aquela monstruosidade que chamavam de carro.

—Vejo vocês mais tarde – Henry desembarcou praticamente aos pulos, saindo do campo de visão delas com uma rapidez surpreendente.

—Eu só tenho que entregar uma pintura – Emma falou, arrumando o chapéu – E depois estamos livres. Aposto que você nunca viu uma feira como essa, viu?

—Não, é tão colorido e as pessoas realmente conversam – Ela olhou pela janela, se lembrando das tediosas feiras que costumava frequentar.

Regina normalmente podia ser encontrada em dois tipos de feiras, as de arte, onde o silêncio era uma regra não dita e as pessoas se limitavam a comentar em voz baixa suas opiniões sobre o que era exibido e as temíveis feiras literárias.

Seu ramo de trabalho se tornava cada vez mais competitivo. A concorrência entre era forte e ela não se permitia relaxar ou de fato desfrutar do que era mostrado. Em um mundo como aquele, se alguém a visse lendo uma obra de outra editora e mais tarde seu sobrenome estivesse na capa de uma história parecida, seria uma longa briga judicial para provar que ambas as obras não eram gêmeas.

—Vamos lá, você vai gostar.

Emma a guiou pelo meio das pessoas, parando o tempo todo para responder cumprimentos e questionar sobre a saúde de algum animal que havia passado pelos seus cuidados. Não foi preciso que caminhasse muito para atravessar a feira inteira e ainda assim, Regina sentiu que não conseguira ver quase nada do que era exposto.

—Aqui você encontra a melhor geleia do Maine – Emma comentou, conforme se aproximavam da última barraca e a vendedora de olhos doces sorriu largamente, deixando um livro de lado.

—Você não consegue evitar ser galanteadora, não é? – A moça perguntou, vindo até elas.

—Não, é natural – Ambas sorriram e a loira apontou de uma para a outra – Belle, Regina.

—Prazer em conhece-la – Belle mediu a morena da cabeça aos pés – Uau, fazia realmente um bom tempo que você não me apresentava uma garota.

—Não é..... Não é desse jeito – Emma respondeu, envergonhada – Regina está passando uma temporada no chalé.

—Ah.... Meu Deus, desculpe – Bella segurou a mão da empresária, apertando-a – Desculpe, eu pensei que estivessem juntas ou algo assim.

—Eu trouxe a pintura que seu pai encomendou – Emma falou rapidamente, antes que Regina pudesse ter qualquer reação ao que acabara de ouvir – Acho que consegui fazer como ele queria.

Só então Emma descobriu a tela, que mostrava uma mulher abraçada a um cavalo e no mesmo instante, os olhos da moça se encheram de lágrimas.

—Meu Deus, Emma.... Nem uma foto conseguiria isso – Ela sorriu – É quase como ver minha mãe de novo.

—A foto que ele me emprestou está presa atrás da tela, foi fácil me lembrar dela, do quanto ela amava cavalos – A loira deu de ombros e se virou para Regina – A mãe dela e a minha eram grandes amigas. Eu vim ao mundo cinco anos antes, mas nós fomos criadas juntas e acabamos nos tornando tão próximas quanto nossas mães.

—Eu sou a que tem juízo, caso esteja se perguntando – Regina sorriu com a declaração de Belle.

—Tenho que fazer uma coisa – Emma falou, de repente – Te encontro depois.

—Então.... Como foi que você veio parar aqui? – Belle questionou.

—Meu cavalo precisava de ajuda, alguém indicou Emma e bem....

—Ah, ele não poderia estar em melhores mãos. Ela tem um dom, sabe? E eu não falo isso só porque Emma é minha melhor amiga. Já a vi salvar animais que ninguém mais acreditava que pudessem ser salvos.

—Eu espero que Rocinante entre para essa lista, Emma é minha última esperança.

—Você não ficou chateada, ficou? – Belle a olhou, envergonhada – Por eu ter achado que estavam juntas....

—Não, claro que não – Regina sorriu, para provar seu ponto.

—O que você faz? Onde mora? – A moça se empenhava em separar alguns vidros de geleia, enquanto falava – Meu pai diz que eu falo demais, mas eu gosto de saber sobre a vida das pessoas e imaginar o que elas fazem no seu dia a dia.

—Eu vivo em Toronto, gerencio uma editora.

—Você publica livros? – Belle a encarava, com os olhos arregalados.

—Sim, pode se dizer que sim. Nós.... – Ela foi interrompida pela jovem, que a segurou por ambos os braços.

—Regina, você precisa abrir uma livraria aqui. É que nós não temos uma e eu preciso sempre esperar que meu pai vá para a cidade grande e me traga algum livro novo – Belle pensou um pouco – E claro que seria bom para as crianças também. Você pode fazer isso, certo?

—Eu.... Quer dizer, nós temos parcerias com livrarias, é claro. Mas abrir uma livraria própria? Não posso dizer que é uma coisa que tenha passado pela minha cabeça – Regina tamborilou as unhas vermelhas sobre um dos vidros, pensativa – É algo complexo, porque eu não teria a mínima ideia de qual seria o retorno em uma cidade como Storybrooke.

—Ok, digamos que eu fizesse uma espécie de pesquisa – Belle a olhava, esperançosa – Algum formulário ou algo assim, eu poderia perguntar para as pessoas sobre seus hábitos de leitura e se elas comprariam. Isso ajudaria?

—Sim, creio que sim – Ela suspirou – Mas mesmo que tivéssemos esses dados, Belle, eu teria que levar a ideia para a editora, o que ficaria entre o sim e o não. Se, por um acaso, fosse aprovado, ainda teríamos muitas etapas a serem cumpridas.

—Quais?

—Procurar um lugar onde a livraria poderia ser colocada. Levando em conta o padrão da editora e o tamanho da cidade, teria que ser uma sala de tamanho médio na rua principal. Contratação de funcionários, gerência e acredite que essa é a parte mais difícil, porque precisamos de alguém de confiança e dificilmente uma pessoa estaria disposta a se mudar de Toronto para cá.

—Eu poderia trabalhar lá, então a parte de funcionários já estaria resolvida – Belle sorriu, mas deu de ombros logo em seguida – É difícil que dê certo, não é?

—É, é difícil – Regina viu a moça murchar como uma flor exposta ao calor por tempo demais e suspirou – Mas faça a pesquisa, está bem? Quando você tiver os resultados eu vejo o que posso fazer.

—Obrigada – Belle quase a abraçou, mas se conteve no último minuto e ao invés disso, estendeu uma sacola com vários vidros em sua direção – Aqui, leve isso, Emma adora e você vai gostar também.

Regina aproveitou para sair da barraca quando outro cliente entrou, sua cabeça tentava montar um plano coerente para a ideia de Belle. Era inevitável que entrasse em um ciclo de pensamentos como aquele cada vez que seu tino para negócios era ativado.

Estava pensando quando se viu diante de uma barraca repleta de esculturas de madeira. Elas tinham todos os tamanhos e mostravam as mais diversas figuras, cavalos, lobos e bonecos articulados. Era algo tão simples e ainda assim, ela se viu atraída por aquelas figuras.

—Olá – Um senhor de idade surgiu ao lado dela – Interessada em alguma?

—Elas são lindas – Regina segurou um pequeno cavalo entre as mãos, maravilhada pelos detalhes de pelagem e cascos.

—Eu as faço de madeira morta – O velho comentou – Ando pela floresta e recolho os galho e tocos do chão e dou vida a eles novamente. Aliás, sou Gepeto.

—Regina – Ela apertou a mão dele.

—Você é nova por aqui....

—Sim, estou no Rancho Swan.

—Oh sim, todos sabemos – Ele riu e deu de ombros – Cidade pequena, as notícias voam.

—Eu vou levar essa – Regina lhe mostrou o cavalo e o semblante do homem se iluminou.

—Considero um dos melhores que já fiz, é uma boa escolha – Gepeto pegou a peça com cuidado e a embalou em papel – Aqui está.

—Obrigado – A morena segurou a escultura junto ao peito, abraçando-a e pensando para qual barraca ir em seguida.

Era incrível e mesmo um pouco triste, pensar que não se viam frutas ou verduras como aquelas nos mercados. Os tomates coloridos podiam ser comidos ali mesmo, ao passo que qualquer coisa comprada em um mercado de Toronto, precisava ser lavada antes de mais nada.

Houve apenas um momento de hesitação, antes que Regina acabasse com as mãos repletas de sacolas, pronta para levar para o Rancho uma infinidade de produtos naturais, de uma qualidade que ela não via há mais tempo do que gostaria de contar. Acabou decidindo, em um impulso, que cozinharia para Henry e Emma, naquela semana.

Só restava torcer para que a loira não se chateasse.

—Regina – Emma se aproximou, assoviando baixo ao ver as sacolas – Vejo que conseguiu se encontrar direitinho na feira.

—Apenas algumas coisas.... Vou cozinhar para você e Henry essa semana.

—Ah, vai é? – Emma levantou as sobrancelhas, a encarando – Mal posso esperar para conhecer os dotes culinários da moça da cidade – Regina corou, mas acabou sorrindo – Aqui, eu comprei um presente para você.

Antes que a morena pudesse falar qualquer coisa, Emma ajeitou um chapéu em sua cabeça. Ela se afastou um pouco e então se aproximou outra vez, encontrando o lugar certo para duas ou três mechas de cabelo que haviam ficado fora de lugar.

—Agora sim, você oficialmente faz parte do lugar – Emma falou, mas sua mente vagava nos traços daquela mulher diante dela. Existia alguma peça de vestuário que não a deixasse ainda mais bonita do que era?

—Obrigada – Regina segurou a ponta do chapéu e inclinou um pouco a cabeça, testando o cumprimento que vira as pessoas trocarem entre si – É assim?

—Quase uma vaqueira nata.

Dali, seguiram para a Granny’s, a lanchonete local que levava o nome da proprietária e servia de ponto de encontro para os moradores de Storybrooke.

Era, de fato, o único estabelecimento alimentício da cidade e como a própria Granny gostava de dizer, o lugar onde muitos rapazes haviam se ajoelhado para pedir suas namoradas em casamento. Nesse ponto, ela suspirava e acrescentava que também servira de testemunha visual para muitos divórcios assinados e brigas estúpidas.

Mas a simpática senhora não abria mão de alimentar as pessoas e muito menos fazia questão de fingir que não ouvia as centenas de fofocas que tinham como ponto de início, sua lanchonete.

—Emma Swan – Ela sorriu, ajeitando os óculos e indo até as duas mulheres – Agora, faz algum tempo que eu não te vejo.

—As coisas andaram meio loucas, no Rancho.

—Foi o que eu imaginei, pela quantidade de pessoas perguntando por Emma Swan, a moça dos cavalos – Granny sorriu e se virou para Regina – E você é nova por aqui.

—Regina Mills, prazer – A empresária começava a ficar chateada com aquilo.

Seguiu Emma para uma das mesas, mas não podia deixar de pensar em como sua chegada fora comentada pelos moradores da cidade. Todos sabiam que ela estava ali, onde estava hospedada e subitamente, aquela exposição a fez sentir-se péssima.

Em seus pouco mais de trinta anos de vida, Regina fora capaz de manter sua vida privada totalmente fora dos holofotes ou, ao menos, controlar o quanto dela seguia diretamente para a coluna social dos principais jornais de Toronto, o que era bom.

No entanto, após o acidente, ela se vira enrolada em sua própria teia de criações e meias verdades e não conseguia ver nenhuma saída próxima. Ao conversar com Emma, passara perto de revelar mais sobre si mesma do que jamais fizera, mas ao perceber como sua presença na pequena cidade era tratada, ficou feliz por não ter dito nada.

—Você está bem? – Emma perguntou e só então ela se deu conta de que Granny esperava que fizesse seu pedido.

—Sim – Regina franziu o cenho – Vocês vendem algo mais forte do que cerveja?

—Temos whisky – Granny abaixou a cabeça, olhando-a sobre o aro dos óculos – Qualquer coisa além disso e vai precisar ir até o bar, algumas quadras para a frente.

—Whisky está ótimo. Uma dose dupla, por favor – A velha apenas assentiu, se retirando.

—Uau, uma amante de whisky – A loira arqueou as sobrancelhas – Não imaginava.

—Há muito de mim que ninguém imagina – Regina respondeu, um pouco mais rude do que pretendia – Desculpe.

—O que aconteceu na feira, Regina? Alguém falou alguma coisa ou.... – Emma se lembrou das palavras de Bella e sentiu seu corpo gelar no mesmo instante.

—Não, não é nada disso. Na feira todos foram ótimos comigo, mas.... Eu não sei o quanto gosto da ideia de que todos comentem sobre a forasteira que está no Rancho.

—É uma cidade pequena, é normal – Emma deu de ombros, claramente aliviada – Aconteceria o mesmo com qualquer outra pessoa, não é algo com o que se preocupar. Eu vivi um pouco na cidade grande, sei que lá as coisas funcionam de outro jeito, mas aqui....

—Eu sei, só é estranho – Regina suspirou – Eu não sou uma grande celebridade ou qualquer coisa do gênero, mas as pessoas me conhecem. Meu pai foi uma figura pública, minha irmã gosta de se manter diante da imprensa, eu.... Eu acabo indo de brinde, seja pelo sobrenome ou pelo acidente. Você ficaria surpresa em saber como as vendas aumentaram por um período depois do acidente.

—As pessoas gostam de se aproximar do drama alheio, de qualquer forma que seja, porque isso sempre torna seus próprios dramas menores – Ela sorriu um pouco – Aqui todos somos como celebridades. Não vou negar que as vezes isso parece ruim, porque todo mundo sempre sabe de tudo. Por outro lado, eu não conseguiria contar quantas pessoas foram salvas por isso.

—Como assim?

—Esse é o tipo de lugar onde cada indivíduo é percebido – Emma pensou um pouco, buscando pelas palavras certas – Se você costuma ir à igreja todos os domingos e de repente não aparece, as pessoas percebem. Ou, se você sai para caminhar todos os dias no mesmo horário e não passa na frente da casa do vizinho em um dia, ele vai até a sua casa perguntar como você está. Eu sei que você pode pensar no quanto isso é chato, que as pessoas são intrometidas e, como eu disse, as vezes isso é ruim. Mas.... No mês passado, Ruth, uma senhora que vive em uma fazenda afastada, não apareceu para trazer os queijos que sempre traz, Gepeto foi até lá e a encontrou caída na porta da casa. A velha teve um infarto e só está viva porque Gepeto apareceu. Esse é o tipo de coisa que não acontece em grandes cidades, onde as pessoas moram longe de quem realmente se importa e não passam de um número a mais para todos os outros.

Granny trouxe os pedidos e ao perceber que as duas estavam no meio de uma conversa, preferiu não falar nada e logo se retirou, mantendo-se perto o suficiente para entreouvir o que diziam.

—Meu ponto.... – Emma voltou a falar, após ver a empresária tomar um longo gole de sua bebida – Você pode se sentir exposta, todos nós nos sentimos assim em algum momento. Mas você também está protegida, porque qualquer uma dessas pessoas não pensaria duas vezes em verificar se você está bem, mesmo que mal a conheçam ou que você seja uma filha da mãe irritante, como Ruth costuma ser.

Regina a encarou por longos minutos, antes de finalmente assentir e voltar sua atenção para a bebida que tinha em mãos. Talvez, apenas talvez, pudesse relaxar ali.

Então Emma tirou a jaqueta e, por um instante todos os seus pensamentos foram substituídos pela visão dos braços bem definidos.



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