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História Depois da tempestade - Capítulo 7


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Notas do Autor


Olá olá
Antes de mais nada, eu quero deixar meu agradecimento para cada um que tem favoritado, comentado e acompanhado essa história. É tão importante ❤️
Sem muitas delongas, boa leitura.

Capítulo 7 - Capítulo 7


—Isso, fique no centro – Emma estava sentada na cerca do redondel, orientando Regina em seu primeiro dia de trabalho direto com Rocinante – Faça-o girar no sentido horário por algum tempo e depois mude a posição.

—E como eu faço ele se mexer? – A morena perguntou, encarando o cavalo que continuava parado próximo a cerca.

—Apenas gire a corda ao lado do seu corpo e se aproxime, ele sabe o que fazer.

Regina fez o que foi falado e quase caiu para trás, se assustando quando Rocinante se moveu. Ele seguia da mesma maneira que fizera com Emma nos dias anteriores, mantinha um ritmo constante e permanecia perto dos limites do redondel.

O que era um grande avanço. Para um cavalo que há poucos dias parecia odiá-la mais do que qualquer outra coisa, ele agora obedecia aos seus comandos com suavidade.

A empresária havia adotado quase que completamente a postura do lugar. Usava o chapéu dado por Emma e pedira para que Henry lhe trouxesse um par de botas, o que lhe causava bem menos preocupações do que os calçados pouco confortáveis que havia levado de Toronto.

—Agora do outro lado – Emma orientou e ela hesitou apenas por um instante, antes de estender o braço diante do cavalo e fazê-lo girar para o outro lado – Isso, vocês estão indo muito bem.

Regina a observara trabalhar com Rocinante por várias vezes. Nos últimos dias, havia se aproximado aos poucos, ficando perto do redondel e mais tarde, dentro dele. Sua presença deixou de incomodar o cavalo e ela começava a ter esperança de que seria capaz de se reconectar com ele.

Na noite anterior, Emma a levara para o campo. Dirigira até que estivessem distantes do rancho e estacionara a caminhonete em meio a grama alta.

Munida de cobertores que estavam na carroceria e algumas cervejas que havia pegado na geladeira, a loira simplesmente a convidou para sentar-se no teto do carro e, por algumas horas, observaram o céu, em completo silêncio.

Regina deixara que lágrimas caladas escorressem em seu rosto, enquanto bebia e agradecia mentalmente por Emma não ser uma pessoa que costumava perguntar sobre tudo o tempo todo. Como se ela mesma, dona de seu silêncio, entendesse a importância dele para outras pessoas.

Sem mais lágrimas para derramar, Regina olhou para as estrelas. Ainda que em Toronto, estivesse sob o mesmo céu, parte da magia parecia se perder quando as luzes da cidade ofuscavam os pequenos pontos brilhantes.

Não podia se lembrar da última vez que vira o céu daquela maneira, tão próximo e tão infinito. E aos poucos, uma paz se colocou sobre ela e seu coração se tornou manso como a nascente, ela sabia que nunca poderia definir a imensidão daquele momento, mesmo se tentasse.

—Pode parar um pouco, se quiser – Emma sugeriu e ela deixou que Rocinante completasse outra volta antes de abaixar a corda e sair do redondel – Provavelmente hoje pela tarde ou amanhã, podemos tentar passar para a próxima etapa.

—Tão rápido? – Regina a olhou.

—Sim, a parte difícil era reaproximar vocês e agora que Rocinante permite que esteja com ele, podemos tentar – Ela deu de ombros – É bem simples, vou te explicar quando chegar a hora.

—Obrigada, Emma – Regina a abraçou e o gesto pegou a loira desprevenida. O toque que, inicialmente seria rápido, acabou se prolongando um pouco mais quando as mãos de Emma descansaram na cintura da morena e elas se viram perfeitamente confortáveis daquela maneira.

O som de uma buzina, ainda distante, pareceu trazer Regina de volta para a realidade e ela se afastou rapidamente, com um sorriso sem graça. Emma apenas levou Rocinante de volta para a baia e a empresária se pegou fitando o horizonte, com o coração cada vez menor no peito.

Teria que partir dentro de poucos dias, já havia passado tempo demais longe da editora. Pretendia ficar no rancho apenas por um final de semana e faltava pouco para completar quinze dias de sua chegada.

Não podia negar que a ideia de voltar para Toronto a deixava deprimida. Por mais que sentisse falta do trabalho e de estar em seu próprio apartamento, não queria ter que deixar o campo para trás. Era tolice, mas pensar nisso e trazer de volta a memória do céu estrelado da noite anterior, a fazia ter vontade de chorar.

Ela observou quando um carro vermelho contornou a entrada e parou diante da casa. Uma Belle sorridente saiu do veículo e correu até ela, carregando um punhado de folhas.

—Regina, eu consegui – A moça parou, ofegante – Só não consegui fazer a pesquisa com o pessoal que mora ao redor da cidade e não esteve lá nos últimos dias – Conforme falava, ela passava as folhas para Regina, que ainda a encarava, sem saber o que dizer – Eu também fiz uma relação das salas que podem ser alugadas na rua principal, tamanhos e valores.

—Uau.... Você foi rápida – A morena olhou para as folhas – Eu vou tirar um tempo para analisar isso direito. Provavelmente nessa semana eu estou voltando para Toronto, posso te dar uma resposta mais certa.

Belle a olhou, com as mãos na cintura. A postura da jovem se desfez um pouco ao ouvir que Regina iria embora, mas ela sorriu.

—Claro que uma hora você teria que voltar. Mas não esqueça a minha ideia, está bem? – Ela apontou para as folhas – Eu perguntei para as pessoas sobre os hábitos de leitura e se estariam dispostas a ler mais, caso tivessem acesso fácil aos livros e eles disseram sim.

Belle continuava falando, no entanto, sua voz se tornava cada vez mais baixa e seu semblante derrotado. Por alguma razão, ela acreditava que poderia convencer Regina, se tivesse mais tempo. Mas se a morena fosse embora tão cedo quanto pretendia, Storybrooke continuaria sem acesso fácil aos livros e, consequentemente, ela não poderia ler tanto quanto gostaria.

—Isso é perfeito – Regina comentou, acrescentando a frase um entusiasmo que não sentia realmente, apenas para tentar animar a moça – Eu vou conversar sobre isso com minha sócia e dou um jeito de falar com você, provavelmente através de Emma.

—Ou você mesma pode voltar, não pode? – Belle a encarava, esperançosa.

—Sim, talvez – Ela franziu o cenho, estranhando um pouco a situação – É bem provável que eu venha ver pessoalmente o andamento de tudo. Só.... Belle, não crie muitas esperanças, está bem? Eu vou estudar o caso, vou conversar com minha sócia, mas nós sempre tivemos apenas a editora, nunca pensamos em investir em uma livraria ou algo do gênero. São coisas do mesmo ramo, mas totalmente diferentes.

—Eu entendo.

—Em compensação, se algum dia você decidir ir para Toronto, eu certamente te pagaria um bom salário se aceitasse ser minha secretária – Regina ergueu as folhas – Eu não vejo alguém com tanta agilidade faz algum tempo e é algo necessário na editora.

—Certo – Belle sorriu outra vez, um pouco mais contente – Só é difícil que eu consiga deixar esse lugar para trás. Não consigo me imaginar vivendo em uma grande cidade – Ambas olharam para Emma, que saia com Lily para um passeio – Não se esqueça de nós, está bem? Mesmo que essa coisa toda da livraria não dê em lugar nenhum. E não esqueça.... Não esqueça dela, nem por um segundo.

Sem esperar que Regina respondesse, Belle correu de volta para o carro e deu a partida, seguindo para fora do rancho.

Regina amava o trabalho, isso era inegável. Muitos poderiam dizer que isso era um defeito grave ou, como sua irmã, pensar que se afundava nele para fugir de alguma realidade dolorida. Mesmo que, de certa forma, usasse seu trabalho como desculpa, poucas coisas poderiam deixa-la mais contente do que acompanhar um projeto do início ao fim e depois observar os resultados, sabendo que participou ativamente de cada etapa.

Foi pega desprevenida pela proposta entusiasmada de Belle, na feira e não esperava que a moça fosse levar o assunto tão a sério. Já estivera em confraternizações e noitadas o suficiente para saber que negócios discutidos em lugares como aqueles, não passavam de ideias geniosas movidas pelo álcool. No entanto, as coisas pareciam funcionar de outra maneira quando se tratava de Storybrooke.

Sua mente já estava a todo o vapor quando se sentou na cama do chalé onde estava hospedada e leu o material entregue por Belle. Ela não havia mentido sobre sua pesquisa. Todas as folhas continham nomes, endereço e as respostas, que em sua maioria, deixavam claro a insatisfação daquelas pessoas com o fato de que Storybrooke não tinha uma livraria.

A maioria dependia de viagens até a cidade grande para conseguir um livro e geralmente, não faziam esse trajeto com tanta frequência. E, é claro, as famílias com crianças em desenvolvimento ou jovens fascinados por quadrinhos, sofriam em dobro cada vez que era lançado um novo volume de alguma série.

Era um fato consumado que nenhuma grande rede de livrarias teria interesse em uma cidade tão pequena quanto Storybrooke. Além do tamanho, também levariam em conta que a cidade não contava com nenhum ponto turístico, logo, as pessoas não costumavam ficar durante muito tempo e não havia fluxo de turistas, o que a tornava inviável para um investimento.

Qualquer pessoa que decidisse tentar abrir um negócio como aquele, precisaria investir alto em produtos. As editoras não confiariam nas vendas o suficiente para um crédito inicial.

Por outro lado, se essa pessoa fosse alguém com ligações diretas dentro da editora, as coisas se tornariam mais viáveis.

Munida de sua agenda, Regina começou a fazer anotações.

 

(....)

 

—Você passou boa parte do dia escondida – Henry comentou, quando terminaram o jantar – Sua irmã foi embora pouco antes do almoço – Ignorando o olhar repreensivo de Emma, ele continuou e deslizou sobre a mesa um pedaço de papel, com o número de Killian – Ela falou que vocês conversam quando voltar e deixou isso.

—Claro.... Outra coisa que eu preciso resolver – Ela suspirou, colocando o papel no bolso da calça – Eu estive trabalhando hoje. Belle conversou comigo sobre abrir uma livraria em Storybrooke.

—Isso serial legal – O rapaz balançou a cabeça – É um atraso nós não termos nada do tipo aqui.

—Belle já enviou e-mails para o mundo inteiro – Emma suspirou – Editoras, imprensa.... Mas ninguém demonstrou nenhum interesse. Você não precisa fazer isso.

—Na verdade.... Eu creio que é algo que possa ser feito – A morena sorriu ao ver a expressão de Emma – É claro que eu ainda preciso ter uma longa conversa com Zelena sobre isso, porque é um investimento alto e eu não acho que a pesquisa feita por Belle vai ser o suficiente para fazer ela concordar com isso tão rápido.

—Se ninguém mais se interessou.... – Henry deu de ombros.

—Não, realmente, a leitura é algo que precisa ser incentivado e nós não vamos conseguir isso se continuarmos ignorando a existência de cidades como Storybrooke – Regina tamborilou as unhas vermelhas sobre a mesa – Como eu disse, é um investimento alto que pode não dar um retorno satisfatório no início. Mas, a longo prazo, isso vai acontecer.

—Qual foi a pesquisa que Belle fez? – A loira se recostou na cadeira, interessada. Estranhamente, a amiga não havia falado com ela sobre isso, algo que sempre fazia.

—Digamos que ela bateu na porta das pessoas e perguntou sobre o hábito de leitura delas. A grande maioria assume que existe a possibilidade de que passem a ler mais, se tiverem como comprar seus livros aqui mesmo.

—É uma realidade que quase ninguém está disposto a viajar duas horas para comprar um livro e depois viajar outras duas horas para voltar.

—Por isso eu digo, seria um investimento a longo prazo. Levaria algum tempo até que as pessoas desenvolvessem o hábito de ler mais. Mas quando isso acontecer, elas passarão a comprar mais livros e isso significa o retorno do dinheiro investido.

—Então, qual é o problema? – Henry questionou – Se você tem certeza que teria um retorno, qual é o obstáculo?

—Se a editora Mills fosse assumir apenas o papel de repassar os livros para a venda, como nós geralmente fazemos, nosso investimento nessa parte, seria mínimo – Ela pensou um pouco – É claro que arcamos com custos de impressão, diagramação, capa.... Mas quando o livro está pronto, as pessoas responsáveis pela livraria, entram com uma porcentagem como garantia e o restante é abatido dos livros, conforme são vendidos. Então, caso as coisas não saiam como o esperado, nós não temos uma perca financeira tão brutal. Todos os gastos do imóvel onde fica a livraria, é por conta dos responsáveis por ela.

—O que não seria o caso de Storybrooke, porque por mais que as pessoas daqui estejam interessadas no assunto, ninguém se arriscaria com isso.

—Exatamente. Sendo assim, a editora teria que arcar com os custos do imóvel, aluguel, móveis, funcionários e, além disso, colocar os livros nas prateleiras. Por isso, precisaríamos de alguém de confiança para administrar o negócio aqui na cidade, porque se por acaso não desse certo ou a pessoa decidisse nos passar a pernas, teríamos um prejuízo em cima de 100% do negócio – Ela suspirou – Eu tenho poucas pessoas em quem eu confiaria para assumir essa responsabilidade e posso garantir que nenhuma delas teria a mínima disposição em vir para cá. Suas casas estão lá, suas famílias....

—Parece que Storybrooke vai continuar sem uma livraria, no fim das contas – Emma riu, sem humor – Nossa pequena cidade esquecida pelo mundo.

—Não.... – Regina rebateu, com seu tom autoritário que fez a loira sentir um arrepio – Eu vou dar um jeito nisso. De qualquer forma, precisaríamos de outras editoras no negócio e eu posso convencê-los a investir um pouco mais. Se eles tiverem que investir tanto quanto nós, também terão interesse em colocar uma pessoa confiável para administrar e eu só precisaria enviar alguém para checar os números mensalmente.

Storybrooke não seria esquecida, ao menos não por ela.



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