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História Depois da tempestade - Capítulo 8


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Notas do Autor


Olá olá ❤️

Outro capítulo prontinho. Eu revisei, mas bem provável que tenha passado alguma coisa kkkk

Boa leitura ❤️

Capítulo 8 - Capítulo 8


Henry era um rapaz silencioso.

Levantava cedo, realizava suas tarefas e, ocasionalmente, saia para um encontro com alguma jovem. Não gostava de se gabar, mas já há algum tempo estava saindo com Cindy e começava a pensar em um futuro ao lado da moça, que se mostrava tão simples e apaixonada quanto ele mesmo.

Ele não tinha grandes sonhos. Ao contrário da maioria dos rapazes, não nutria nenhuma vontade de deixar Storybrooke pelos rodeios ou por uma faculdade, gostava da vida como ela era e sorria sempre que pensava em conseguir uma pequena fazenda para si.

Uma das vantagens de se viver em um lugar como Storybrooke era que, na maior parte do tempo, eles viviam sob suas próprias leis. Por isso, quando os pais de Henry morreram, Emma o ajudou a alugar a casa onde costumavam viver, sem que a justiça precisasse ser acionada.

O dinheiro do aluguel, mais o salário que recebia pelo trabalho no rancho, garantiram que pudesse manter suas necessidades em dia, além de reservar uma quantia razoável no banco. Se tivesse sorte, logo teria o suficiente para comprar uma propriedade próxima.

Pensava nisso quando viu Emma atravessar o quintal com Rocinante. Havia percebido que ela estava contente nos últimos dias, seu sorriso um pouco mais solto e bastava apertar um pouco os olhos para enxergar o motivo, que vinha caminhando um pouco atrás dela.

Ele conhecia a loira bem o bastante para saber que ela não iria admitir que começava a se apaixonar por Regina Mills, talvez ela nem soubesse disso ainda. Sempre tão preocupada com o rancho e seus animais, Emma acabava se colocando em segundo plano e seus sentimentos, convenientemente esquecidos em algum canto da mente.

—Se lembra do que eu falei? – Emma questionou, assumindo seu lugar habitual sobre a cerca.

—Sim, só não tenho certeza de que entendi – Regina a encarou – Você quer que eu vire de costas para ele?

—Exato. Faça-o girar como de costume e depois se vire de costas e se afaste alguns passos.

—Mas....

—Ora vamos.... E eu achando que você estava pronta para ser uma vaqueira.

Regina empinou o queixo, aceitando a provocação e girou a corda ao lado do corpo, iniciando os giros de Rocinante.

A morena estava concentrada. Observava cada um dos movimentos do cavalo, seus músculos se retesando e expandindo a cada passo, sua pelagem bem escovada ao vento. Estava tão atenta no que fazia, que não percebeu que Emma a olhava com ainda mais atenção.

—Quando estiver preparada – Ela comentou e Regina se limitou a assentir, sem dizer nada.

Regina fez Rocinante girar mais algumas vezes e então abaixou o braço, esperando até que ele parasse. Depois, com um olhar rápido na direção de Emma, ela se virou e deu exatos três passos para a frente, colocando um pouco mais de espaço entre si mesma e o cavalo.

A princípio, nada aconteceu e ela se sentiu tola. Emma não havia explicado muito sobre aquele exercício, apenas orientado que o fizesse, mas por alguma razão, ela sentia que era importante. No entanto, permaneceu parada pelo que pareceu vários minutos e o que quer que fosse esperado, não veio.

Estava prestes a questionar Emma, quando ouviu Rocinante se movimentar. O som de seus passos cada vez mais próximo e, por fim, um relinchar baixo por sobre o ombro da empresária. Ele viera até ela.

A primeira carícia foi tímida, um leve roçar de dedos no queixo de Rocinante, mas a macies dos pelos sedosos sob sua pele e nenhuma reação violenta por parte dele, logo a deixaram mais livre para espalmar a mão entre seus olhos.

Ele relinchou baixo outra vez e inclinou levemente a cabeça, recebendo a carícia com deleite.

—Aqui, dê isso a ele – Emma havia descido da cerca e lhe entregou um cubo de açúcar, que Rocinante aceitou com um suspiro – É isso, Regina. A conexão entre vocês está se fortalecendo outra vez – Lentamente, Regina passou a corda ao redor do pescoço do cavalo e eles começaram a andar em direção ao pequeno campo – Agora temos que trabalhar os medos que resultaram do acidente, barulhos altos e trailer, mas o principal está feito.

—Emma, eu.... Eu tenho que ir embora – Ela comentou e a loira parou de andar para encará-la – Já fiquei por tempo demais, preciso voltar para casa.

—Mas o tratamento de Rocinante não está completo, Regina. Se tentarmos colocá-lo em um trailer agora, é bem provável que ele entre em pânico e tenhamos que recomeçar tudo do zero.

—Eu sei disso – Sem prestar a atenção, Regina deslizou sua mão peço pescoço do cavalo, enquanto falava. Um gesto automático que voltava a ser repetido após tanto tempo – Por isso estava pensando em deixa-lo aqui para terminar o tratamento. Eu posso voltar daqui há alguns dias e visitar, para que ele não pense que o abandonei. Se estiver tudo bem para você....

—Ah, é claro – Emma sorriu, sem humor – Podemos fazer isso.

—Faça as contas de quanto eu lhe devo, até agora e pagarei antes de ir. Depois acertamos os custos restantes do tratamento – Elas voltaram a caminhar em silêncio – Emma.... Acha que Rocinante deixa que eu o monte?

—Acho que sim, vamos colocar uma sela nele e podemos sair para uma volta. O que acha?

—Perfeito.

Regina sorriu e foi para o celeiro com o cavalo. Emma a observou por alguns momentos, querendo negar para si mesma que seu coração afundava no peito.

 

(....)

 

O jantar da noite foi por conta de Henry, que foi até a cidade e garantiu uma refeição completa com Granny, além de passar pelo bar e levar consigo uma garrafa de espumante, a fim de comemorar a vitória com Rocinante.

Tão logo terminaram de comer, o rapaz se desculpou e saiu, a fim de ir ao cinema com Cindy e piscou rapidamente para Emma, que o repreendeu em silêncio.

—Henry nos trouxe um espumante, para que comemorássemos nosso avanço com Rocinante – Emma comentou, enquanto buscava pelas taças.

—Ele é realmente um menino de ouro – Regina sorriu – Espero que dê tudo certo com essa moça que ele está saindo.

—Cindy? Oh sim, ela é tão maravilhosa quanto ele – A loira abriu a garrafa sem grandes rodeios, agradecendo aos céus pela tampa não acertar em cheio a lâmpada – Você sabe.... O nome dela é na verdade Cinderela, mas ela prefere usar Cindy por pura vergonha.

—Meu Deus, a mãe dela era fascinada por contos de fadas?

—Sim – Emma sorriu – E de todos os nomes de princesas que poderia ter escolhido, foi logo para Cinderela. Vamos lá fora? Apenas pegue uma coberta, as noites estão começando a ficar mais frias.

Sentadas na varanda, elas permaneceram em silêncio por alguns minutos. Apesar da brisa fresca, as estrelas estavam tão brilhantes quanto na noite em que haviam ido para o campo.

—Emma.... Posso te perguntar uma coisa? – Regina questionou

—Claro.

—No outro dia, quando estávamos na feira, Bella pensou que nós duas estávamos juntas – Regina começou a falar, sentindo os olhos verdes sobre ela – Você.... Você namora mulheres?

—Sim – Emma acabou sorrindo – Mas namorar pode ser uma palavra intensa demais para alguém que não se interessa por ninguém há tanto tempo.

—Como foi.... Você sabe, com seus pais e tudo mais?

—Foi normal, eu acho – Emma franziu o cenho – Quero dizer, eu me assumi com dezessete anos. Tinha tentado namorar Neal, um rapaz que gostava de mim, na época. Mas me sentia uma mentirosa, mesmo sem entender direito o porquê – Ela deu de ombros – Eu terminei com ele e pouco tempo depois Anna se mudou para cá, só então eu entendi o que me fazia sentir tão mal sobre estar com um rapaz.

—Vocês ficaram juntas? – Regina encarava sua própria taça, que havia enchido outra vez.

—Sim, por um tempo, mas em segredo. Os pais dela eram conservadores demais, jamais aceitariam uma filha lésbica. Quando contei para os meus pais e eles foram tão receptivos, ela entrou em pânico e terminou tudo.

—Como você fez para contar aos seus pais?

—Em minha família, nós tínhamos essa tradição.... Quando um de nós tinha algo importante para dizer, preparava um prato especial para a família. Era nossa maneira de dizer que precisávamos conversar – Ela sorriu com a lembrança – Geralmente era uma sobremesa ou algo assim. Eu preparei uma torta de framboesa, nós nos sentamos aqui nessa mesma varanda e eu contei. Falei sobre Neal e sobre a garota que eu estava saindo, sobre como eu me sentia ao pensar em mulheres.... No fim das contas, eles riram do meu nervosismo e disseram que já sabiam desde que eu tinha três anos e adorava aquelas propagandas na televisão, onde as mulheres apareciam de biquíni nas praias.

—Meu Deus, Emma – Regina acabou rindo.

—É sério. De acordo com minha mãe, eu me sentava na frente da televisão e apontava para os homens que apareciam, chamando-os de feios e fazia corações em cima da imagem das mulheres. Mas porque está me fazendo todas essas perguntas?

—Por nada – Regina deu de ombros – Espero que não tenha ficado ofendida com os comentários de minha irmã, na outra noite.

—Regina.... O que mais existe nesse mundo, são pessoas com comentários ácidos contra qualquer um que seja diferente – Emma suspirou – Acho que eu aprendi a filtrar algumas coisas, deixo que elas passem por mim sem me afetar tanto quanto antes – Ela encarou sua própria taça por alguns momentos, antes de voltar a falar – E sabe.... Nem todos falam porque tem algum preconceito objetivo, ao menos não no começo. É uma coisa tão enraizada, tão grudada na base das famílias. Piadas de mau gosto, brincadeiras ofensivas, assuntos que pais evitam discutir por medo de influenciar seus filhos. Esses filhos crescem sem ter a mínima noção de que isso ofende outras pessoas. Geralmente, só conseguem aprender isso quando alguém que foi ofendido, diz como se sentiu. É aí que as pessoas se dividem, eu acho. Porque enquanto alguns passam a cuidar de suas palavras e procuram evitar esse tipo de comentário, outros simplesmente se tornaram realmente preconceituosos e, nesse caso, na melhor das hipóteses externam isso através de piadas. Na pior.... Em socos.

—Zelena sabe bem o que está falando – Regina olhou para suas unhas, o esmalte vermelho começava a descascar – Isso veio de nossos pais. Eles não evitavam discutir nada, apenas deixavam bem claro como se sentiam sobre as coisas e bem.... Você conheceu minha irmã.

—Mas você não é como ela....

—Não – A empresária sentiu o rosto esquentar e agradeceu por estar escuro – Tento não ser.

—Em outra época eu tentaria rebater Zelena, ficaria ofendida, mas eu acabei me cansando disso com o tempo – Outro suspiro, mais longo dessa vez – A luta contra o preconceito se arrasta através dos anos e faz isso tão lentamente, que as vezes fica difícil perceber que estamos conseguindo chegar em algum lugar. Quando era jovem, briguei muito com pessoas preconceituosas e quando digo briga, estou falando de discussões, socos e tudo mais. Todas as formas de luta contra o preconceito, são válidas e eu tentei estar em todas elas. Mas as vezes a única forma de manter nossa saúde mental em dia, é nos afastando delas, mesmo que por um tempo. Hoje eu procuro ajudar de outras maneiras, já acolhi aqui no rancho, jovens que foram jogados para fora de casa e tenho sempre as portas abertas para aqueles que precisarem.

—E se esse preconceito tivesse acontecido dentro da sua casa?

—Sinceramente, Regina, não sei. É mais fácil enfrentar essas coisas na rua sabendo que se pode voltar para casa e ser acolhido pela família. Eu tive vários amigos e amigas que não tiveram esse apoio, pessoas que os pais deserdaram simplesmente porque sua forma de amor era diferente e eu nunca entendi.... – Apesar de manter a voz baixa, o tom de Emma era irritado – Nunca entendi porque algumas pessoas se incomodam tanto por outras pessoas se amarem. Quero dizer, que diferença faz para o mundo se eu divido a cama com um homem ou com uma mulher? Isso não afeta em nada o dia a dia das tantas famílias que existem por aí e mesmo assim, as pessoas se sentem incomodadas. A pobreza devia incomodar, a fome, a miséria.... Os seres humanos e animais que são abandonados ao relento, dependendo de caridade para ter uma refeição por dia, o dinheiro que os políticos depositam em suas contas no exterior.... Isso deveria ser motivo de protestos.

—Essas coisas dão lucro – Regina comentou, amarga – Qualquer político cria um programa de assistência e desvia milhões. Porque acabariam com uma coisa que lhes dá tanto dinheiro? É mais fácil condenar outras coisas e manter esses assuntos sob o pano. E pessoas como minha irmã.... Que tem uma mente fraca e acham que são mais importantes, engolem essas desculpas todas e apontam o dedo na direção errada.

—Um dia isso vai mudar. Ao menos, temos que acreditar nisso – Emma sorriu, sem muito humor – Quando pretende ir embora?

—Depois de amanhã. Saio ao amanhecer e consigo ir trabalhar na segunda.

—Apenas não se esqueça de vir visitar Rocinante, ele vai sentir sua falta, agora que conseguiram se reconectar.

—Não é só de Rocinante que eu não vou esquecer, Emma – Regina sorriu – O que você fez por nós.... Eu estava prestes a desistir e você nos deu esperança, além disso, nos deu uma conexão muito maior do que a que tínhamos antes. Você, Henry, esse lugar....

—Sabe que pode voltar quando quiser, não sabe? Mesmo depois, quando Rocinante estiver curado e tudo mais.

—Eu sei.... Obrigada.

Regina não pensou muito quando segurou as mãos de Emma entre as dela, não calculou que esse gesto pudesse trazer uma avalanche de sentimentos em si mesma e outra inda maior na loira. Ela quase conseguia imaginar, se fechasse os olhos por tempo o suficiente, como seria segurar aquela mesma mão nas feiras de domingo.

Ambas acabaram ficando sem jeito e ela apenas sorriu, desejando boa noite e caminhando lentamente para seu chalé, quando tudo o que queria, naquele momento, era caminhar diretamente para Emma.



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