História Depois da Tempestade - Capítulo 8


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Angst, Dark Lemon, Originais
Visualizações 30
Palavras 1.882
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Eu planejava postar esse capítulo segunda, porém passei uma semana inteira sem Internet. Eu queria ter escrito algo mais complexo que isso mas espero que gostem. Leiam as notas finais.

Capítulo 8 - 8 - Julgamento e Sentença


Capítulo 8 – Julgamento e Sentença


Taylor

Duas semanas após eu tomar aquela decisão ela tivera resultado. O julgamento do meu tio havia sido marcado para quarta-feira.

Já era terça.

Eu não estava preparado para comparecer ao julgamento.

Não é porque eu não quero vê-lo, e de fato, eu não quero ver aquele homem pelo resto da minha vida. 

Eu não queria comparecer ao julgamento por medo.

Eu já vi a justiça dos homens.

“Eu declaro o acusado...”

Sei que ela é falha.

E que a maioria das vezes, mesmo com a grande quantidade de evidências, o acusado sai quase que ileso.

“Eu declaro o acusado inocente...”

Até mesmo nos lugares mais desenvolvidos, onde o sistema de defesa é avançado, acontecem esses erros. Embora eles neguem veementemente que isso acontece.

Mas o que mais me assusta, é o fato que se ele sair livre, ileso, isento de todas as acusações, eu sairei ferido.

Não só ferido.

Eu serei...

Morto.


Já eram 05 da manhã, meus olhos ainda estavam abertos. Eu não conseguia dormir, talvez um chá e um bom livro me acalmasse.

Me levantei e fui até a cozinha, coloquei água e açúcar para ferver e tirei um saquinho de chá do armário. Não tinha de camomila, por isso, optei por um chá misto: chá verde, gengibre, abacaxi e hortelã.

Fui até a sala e tateei a estante, procurando meu exemplar de O Pequeno Príncipe. Uma vez que eu o achei, o coloquei em cima da mesa de centro da sala. A chaleira fez aquele som alto e agudo, indicando que a água estava em ebulição e que eu poderia retirá-la do fogo. Peguei o saquinho de chá e coloquei dentro da xícara, logo, preenchendo-a com a água quente.

Peguei a xícara e fui até a sala, a colocando na mesa de centro com certo cuidado para não derramar a água e me queimar, e mais ainda para que não caísse sobre o livro. Era um dos poucos exemplares de livros que meus pais compraram que ainda estava ali, meu tio queimara a maioria das lembranças de meus pais.

Eles estão mortos, e você não precisa de algo deles para lembrar deles.

Afastei todos aqueles pensamentos com um gole do chá, logo peguei o livro e o abri, e li linha por linha, parágrafo por parágrafo, cada diálogo e analisei cada ilustração como se minha vida dependesse daquilo.

Às vezes eu penso se meus pais liam isso para mim quando eu era mais novo.

Já eram 06h15 quando terminei de ler o livro.

Tomei um banho rápido e vesti a mesma blusa de frio, a mesma calça e o mesmo uniforme. Já eram 06h40. Arrumei meus livros e sai para a escola. 



A manhã estava fria, nebulosa, isso não era comum. Dessa vez eu não estava sozinho na rua, outros alunos faziam o mesmo trajeto que eu, você via poucos carros passando ali. Quando cheguei no colégio, fui recebido com maus olhares. Ouvi cochichos no colégio sobre o que acontecera com Fred e Brian. Eles estavam me culpando por isso. Eles não foram suspensos, mas ficariam na detenção por um bom tempo. O Diretor me chamou, junto com Finley para ir a sua sala e nos explicou as circunstancias, e o porquê de não ter usado uma punição mais severa. Os Capital Cay Eagles iam jogar contra East Vincentia Hawks. Tinham vários patrocinadores, era uma oferta que a escola – Ou o diretor – não poderia recusar.

- Eu espero que vocês entendam o porquê de eu não ter dado a eles uma punição mais severa – Disse o Diretor.

- Nós compreendemos. – Finley respondeu, mas no fundo, ele queria socar aqueles garotos até sua mão doer.

Quando saímos da sala Finley socou a parede. Eu o abracei.

- Não vale a pena, violência gera violência. – Tentei consola-lo. 

- Isso tudo por causa de dinheiro. Inacreditável. – Ele disse.

Suspirei, ele estava certo. Mas tinham outras preocupações na minha cabeça.

- O julgamento do meu tio foi marcado.

Ele me olhou.

- Quando será? 

- Amanhã, às 15h horas no Tribunal Local.

- Taylor, eu estarei lá com você, ok? – Ele depositou um beijo na minha testa e me olhou, sorrindo.

- Ok. – Falei, desanimado.


Finley e eu passamos o resto do dia juntos, embora eu estivesse meio aéreo. O julgamento de seu pai ainda não tinha sido marcado, mas não deveria demorar. 

- Você está bem? – Ele me perguntou.

Eu mexi com a cabeça, assentindo.

O sinal bateu e mais uma vez seguimos caminhos diferentes.


Já era noite.

Amanhã eu veria aquele homem.

Aquele homem que fora a razão dos meus pesadelos, das minhas lágrimas...

E também a causa das minhas feridas e cicatrizes.

Tudo vai ficar bem, Taylor, tudo vai ficar bem...



Eu não consegui dormir, quando conseguia tinha pesadelos com meu tio. 

“ – Tio, por favor, me desculpe! Eu não fiz por... – Ele me deu um tapa forte no rosto. O gosto metálico de sangue logo invadiu a minha boca.

- Não fez por querer hein? Você não presta para nada!

- E.…Eu não fiz por querer! Eu...

- CALA A PORRA DA SUA BOCA! SUA VOZ ME IRRITA! – Novamente, ele me deu um tapa, dessa vez me fazendo cuspir sangue.

- Escute aqui garoto, enquanto você viver debaixo do meu teto terá de seguir as minhas regras! Goste sim ou não! – Me mantive calado, não havia nada que eu pudesse falar, e eu já sabia o que estava por vir, e era isso o que me assustava...

- Não Tio, tudo menos isso. – Implorei, me afastando, minhas costas encostaram na parede, eu estava encurralado, não havia escapatória e eu teria que passar por aquilo mais uma vez.

- JÁ FALEI PARA FICAR CALADO! – Disse ele, logo, afrouxou seu cinto, baixou sua calça e com ela sua cueca.

Ele se aproximou de mim, me pegou pelo pescoço e me jogou na cama, tentei me afastar dele, mas minha tentativa foi em vão e só serviu para enfurece-lo mais ainda, tive certeza disso quando ele rasgou minhas roupas e me segurou com força, impedindo que eu movesse. Meu corpo inteiro estremeceu de dor quando ele se forçou dentro de mim, senti um líquido escorrer pela minha entrada, percorrendo por uma de minhas nádegas até manchar a cama. Ele finalmente começara a se mover, as lágrimas escapavam de meus olhos sem nenhum pudor, e eu me senti sujo, impuro. Algumas das feridas que ele me fizera vários dias e noites atrás, distribuídas em meu corpo se abriram novamente”


Já eram 06h.

Me levantei, tomei um banho e fui para a escola.

Não consegui me concentrar nas aulas.

Passei horário por horário, com a cabeça deitada em cima da mesa, olhando pela janela. Finley tentava me consolar, mas nada que ele dissesse me acalmaria. Eu estava com medo. Talvez ele soubesse do que, e porquê, mas, ele não tocou no assunto.

Mais uma vez seguimos caminhos opostos.


***

Vesti uma camisa social e uma calça preta, calcei o meu sapato preto e segui meu caminho até o tribunal. Eram 14h30. Patrick, o tio de Finley havia se oferecido para me levar até o tribunal, eu tentei recusar, mas ele insistiu. Junto com Patrick, estava sentada, Suzanna e Finley.

- Você achou mesmo que eu não ia cumprir minha promessa? – Ele falou ao me ver 

Entrei no carro e me sentei ao lado de Finley.

- Obrigado, Senhor e Senhora Hamilton. – Agradeci.

- Obrigado Finley.

- De nada, querido.

Ele deu partida e logo nós estávamos a caminho do Tribunal.


***

Nós chegamos lá com 10 minutos de antecedência. Eu estava perdido, não sabia como isso funcionava. Porém, o Oficial Roy estava ali, nós entramos e ele me indicou a cadeira onde eu deveria me sentar. Eu não hesitei em me sentar, eu estava nervoso, logo o julgamento começaria e seria dada a sentença.

Já eram 15h.

Todos já estavam ali, incluindo o Juiz. Exceto o promot...

- Boa Tarde, Senhores e Senhoras do Júri. – Disse uma voz grossa. – Obrigado por estarem aqui. Meu nome é Abraham Bordon, e eu serei o Promotor desse caso.

- Se o juiz permitir, iremos começar o caso.

- Boa tarde, Senhoras e Senhores do Júri. O Senhor Charles Edgar Reign é acusado de ter estuprado o Senhor Taylor Reign.

De repente, o olhar de todos caiu sobre mim.

- Então, Taylor, nos conte sua história.

Eu olhei para trás, Finn estava ali, olhando para mim. Ele moveu sua cabeça como se me dissesse “Está tudo bem, não precisa ter medo, vá em frente” e então, eu me levantei.

Disse tudo a eles, tudo o que eu passei nas mãos daquele homem.

- Os abusos não eram algo novo para mim, ele saia para beber e voltava agressivo, a primeira vez que ele tocou em mim eu tinha 8 anos. Ele não me tocava com desejo, ou algo carnal, ele me batia, me espancava até eu desmaiar. Ele me batia com a desculpa que a vida dele estava o que estava por minha causa. Meu tio nunca foi uma pessoa apta para cuidar de si mesmo e de uma criança, ele não queria esse fardo para si. Ele sempre saia as noites para beber e voltava um, ou dois dias depois, por isso eu tive que me tornar independente muito novo. Quando eu completei 13 anos, ele saiu para beber com uns amigos e voltou de madrugada, eu estava deitado, dormindo. – Falei em um tom claro e direto, de forma que todos ali ouvissem.

- Eu tenho sono leve então com a menor inquietação eu acordo. Eu escutei a porta do meu quarto abrindo naquela noite, eu me sentei na cama e meu tio estava ali, me encarando.

“ - Seu merdinha, isso tudo é culpa sua. Mas você vai pagar muito caro por isso. ” Foi o que ele me disse antes de arrear seu cinto e vir para cima de mim.

- Ele disse palavras torpes. Disse que a culpa era minha, coisa que eu não entendo até hoje, e veio para cima de mim. Essa foi a primeira vez que ele abusou sexualmente de mim.

Eu lembro de me debater debaixo dele feito louco, eu gritava e gritava, pedia por socorro, mas ninguém vinha ao meu auxilio.

- Objeção! – Disse o Advogado de Defesa de meu Tio.

- Você se opõe? – Disse o Juiz.

- Sim meritíssimo, e se o senhor não se importa, eu gostaria de fazer algumas perguntas ao senhor Taylor.

- Faça.

O homem alto de terno veio até mim.

- Porque o senhor só tomou coragem para denunciar todos esses abusos agora, se eles acontecem há anos?

Ele foi direto ao ponto.

- Porque eu tinha medo, e não tinha coragem. Mas eu conheci alguém que me fez mudar esse ponto de vista – Olhei para trás e sorri ao ver Finley.

- Sem mais perguntas.

O resto do julgamento passou rápido, meu tio fez um juramento “Eu juro solenemente dizer a verdade, apenas a verdade”, aquelas palavras saindo da boca dele já era uma grande mentira. Ele tentou se defender mediante as acusações, mas falhou, nem mesmo seu advogado acreditou nas suas mentiras. Não demorou muito até que a sentença fosse dada.

“ Eu declaro o acusado... 

... Culpado de todas as acusações.

O Senhor passará o resto de sua vida na Prisão Federal da Florida.

E diante ao poder, concedido a mim, eu declaro este caso oficialmente encerrado. ”

Finley veio até mim e me abraçou, não pensei duas vezes antes de retribuir seu abraço. Eu não conseguia acreditar... Suzanna e Patrick me convidaram para jantar em sua casa, e Finn me convidou para dormir lá.

Ao sair do tribunal, demos uma passadinha na minha casa e eu peguei o essencial. Meu pijama, roupas intimas, uniforme e voltei para o carro.

Seguimos caminho para a casa dos Hamilton


Notas Finais


Não é novidade que faltam apenas 4 capítulos para a fanfic acabar, por isso, eu já comecei a escrever um novo livro, ele será a continuação de Depois da Tempestade e se passará pouco tempo depois do último capítulo que deve sair até semana que vem. O que vocês sugerem para a continuação da fanfic?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...