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História Depois da última carta - Capítulo 2


Escrita por: e Zambac


Notas do Autor


Eis o segundo capítulo

Capítulo 2 - A dor da culpa


Gilbert foi até o escritório, onde seu irmão o aguardava, enquanto observava o exterior da casa. O mais novo sabia que não seria uma conversa fácil e também entendia os sentimentos do irmão.


– Estou aqui, irmão… - disse o mais novo.


– Gil, como pôde?! Como pôde ter sido tão egoísta?! Você… Tem noção?! Tem noção do quanto nos fez sofrer?! Tem noção da dor que senti ao saber que meu irmão havia perdido sua vida na guerra? Você sabia que a doença da nossa mãe avançou depois da sua morte?! Por que, Gil? Para quê?! - Dietfried cerrou os punhos demonstrando sua raiva. 


– Eu sinto muito, eu… - dizia Gilbert, quando o irmão bateu com força contra a mesa de madeira à sua frente.


– É só o que sabe dizer?! Que sente muito?! Sentir muito não explica nada, merda! - vociferou mais velho, furioso. – Nem isenta sua culpa.


– Sei que está furioso comigo e você tem razão para isso, mas, preciso que você me escute, Dietfried. Por favor, sente-se. – disse Gilbert tentando acalmar o irmão.


– Arg… - Dietfried rosnou, puxou a cadeira na sua frente, sentou-se e levou as mãos até a cabeça. – Estou ouvindo, Gil…


– Obrigado… – respondeu o mais novo que puxou uma cadeira na sua frente e se sentou de frente ao irmão. – Bem… Antes de qualquer coisa, quero que você entenda que isso que eu fiz… Tudo o que fiz, foi necessário.


– Necessário?! – soltou um riso sarcástico – Fingir que morreu era tão necessário assim?! 


– Sim… Foi necessário para que eu não desistisse de viver de vez… - disse Gilbert.


Dietfried arregalou os olhos, assustado. Ele uniu as mãos na frente do corpo e olhou com atenção para o rosto do irmão.


– Foi por causa dela, Gil? Você fez isso por causa da Violet? - perguntou Dietfried um pouco mais calmo.


– Não foi por causa dela. Foi por causa do que eu fiz com ela. 


– E o que você fez!?


– Eu a traí. 


– O que isso quer dizer?! - perguntou Dietfried arqueando as sobrancelhas.


– Você não vê, irmão!? Não vê o que eu fiz?! Eu a tirei de você, eu a levei para minha casa, cuidei dela, lhe dei educação e para quê?! Para deixá-la pensar que era minha arma! Eu a criei para ser livre, mas, eu a fiz sentir como se fosse minha serva. E ao permitir que ela fosse para o campo de batalha, eu deixei que ela acreditasse que ela só existia para seguir ordens. 


– E o que havia de errado nisso?! Ela havia sido criado para isso, para ser uma arma!


– Ela não era uma arma! Ela era uma pessoa, com um coração como o meu e como o seu! Ela não tinha que estar lá! Ela não tinha que ter se machucado tanto! Ela não merecia! E foi tudo culpa minha! Eu a deformei! Eu arranquei seus braços! - gritou Gilbert. 


– Gil… Não foi culpa sua…


– Foi tudo culpa minha, Dietfried! Eu machuquei a Violet! Eu a fiz sofrer por mim! E como você acha que eu poderia encará-la depois disso?! Como você acha que eu poderia ir até ela e dizer que estava tudo bem, se tudo o que ela havia sofrido havia sido culpa minha?! Isso me doeu tanto, que eu questionei várias vezes se deveria viver! Eu me questionei se eu era digno de ter a admiração dela! E tudo o que pude fazer foi me afastar, me afastar dela, de tudo, de todos! - disse Gilbert.


– Você não precisava ter se afastado de nós! Nós somos sua família! Nós te acolheríamos, entenderíamos a sua dor! - disse Dietfried.


– Mas, se eu voltasse, ela viria atrás de mim… Se eu voltasse, ela ficaria presa a mim… Ela ainda seria uma arma… E eu não queria mais que ela fosse uma… Eu só queria que ela fosse livre, que ela pudesse viver intensamente… E se eu permanecesse ao lado dela, ela não conseguiria seguir em frente, por isso, minha morte, mesmo que fictícia, era um fator necessário para que ela pudesse viver com alguém livre… Sei que paguei um preço muito alto, mas, por ela, me sacrificaria novamente... - disse o mais novo, que abaixou a cabeça e deixou as lágrimas caírem de seus olhos.


– Gil…  Você a amava tanto assim?


Gilbert levantou a cabeça e encarou o irmão. 


– Eu a amo, irmão.


– E você sabe como ela te procurou como uma louca?! Sabe que ela sofreu com sua ausência?! - perguntou Dietfried


– Eu… Sei tudo sobre o que ela passou… Eu a acompanhei de longe, todo esse tempo… E mesmo sofrendo ao vê-la chorar por mim, eu tive que ser forte, pelo bem dela e apenas torci para que ela fosse forte…  


- Isso parece um pouco cruel, não acha?! - perguntou o mais velho.


- Eu sofri muito ao vê-la perdida no mundo da dor, mas, ela precisava passar por isso para finalmente ser livre de suas obrigações comigo. E assim, ela tornou-se uma mulher livre… Não me orgulho de tê-la feito sofrer, mas, não foi fácil para mim também… - disse Gilbert.


- E onde estava durante todos esses anos?


- Estava na regional sul, a mais distante de Leiden… Eu busquei meus próprios meios para que Violet não precisasse mais voltar ao campo de batalha… E devido ao resultado bem sucedido na última missão, consegui três promoções. Eu assumi a segunda mês passado e me tornei coronel. Daqui a um ano, eu receberei a terceira e me tornarei General. - disse Gilbert enquanto caminhava até a janela envidraçada do escritório..


- Impressionante… Bem… Não sei o que pensar sobre tudo isso… Você deve entender a minha vontade de socar a sua cara agora mesmo, mas… Vejo que você também passou por maus bocados… Mas, me diga, você irá atrás dela? Você irá atrás de Violet? - o mais velho perguntou ao parar atrás do irmão.


- Eu… Eu não sei… Não sei como ela reagiria ao me ver, ao saber que menti para ela, todo esse tempo… Eu não sei se estou pronto… 


- Bem… Isso não temos como prever…


- Mas, me diga, nossa mãe.... Ela, sofreu muito? - perguntou Gilbert, virando-se para o irmão. Seu semblante era triste.


- Sua alma deixou o corpo enquanto dormia… Ela não sofreu pela doença… Apenas, por sua ausência… - disse Dietfried.


- Entendo… Bem… Eu acho que… Preciso de um tempo… - disse Gilbert, que levou a mão até o casaco.


- Tire o tempo que precisar, Gil… Eu vou precisar resolver umas coisas… Agora que você está vivo, preciso organizar a divisão dos bens da nossa família… 


- Eu… Não faço questão de nada, irmão… - disse Gilbert.


- Mas, eu faço. Descanse, durma. Deixe que eu resolvo isso… - disse Dietfried, que caminhou até a porta. Ele parou e se virou - E, Gilbert…  - ele disse. Gilbert virou para encarar o irmão. - Ela ainda espera por você, mas, não acho que vai esperar para sempre… - disse Dietfried, que saiu e fechou a porta.


Gilbert viu o irmão sair e depois ficou parado por alguns instantes. Ele levou a mão até o bolso do casaco e puxou o envelope. Ele deslizou os dedos sobre ele e olhou para a mesa. Gilbert usou uma ferramenta para abrir o envelope e retirou um papel de dentro dela. Ele o abriu e se posicionou confortavelmente na cadeira.


“Ao meu amado Major Gilbert Como você está? Está tudo bem com você? Onde você está agora? Tem algo lhe causando problemas? Primavera, verão, outono, inverno. Várias estações passaram. E ainda espero por aquela na qual você irá voltar. No começo, eu não entendia. Eu não entendia nenhum dos seus sentimentos. Mas, durante essa vida nova que você me deu, eu aprendi a sentir. Por meio das pessoas que conheci, por meio das cartas que escrevi. Eu ainda acredito que você está vivo, em algum lugar por aí. E é por isso que eu irei viver. Eu viverei, viverei, viverei. Mesmo sem saber quanto de vida eu terei, eu a aproveitarei, intensamente. E se um dia ainda nos encontramos, será isso que irei dizer: eu entendo, agora, o significado daquelas palavras. Eu sei o que ‘eu te amo’ quer dizer.”


-Violet… Violet… - sussurrou Gilbert, que caiu em um choro copioso. - Eu preciso te reencontrar…


Enquanto isso, na estação de trem, Violet Evergarden retornava de sua última viagem. Havia atendido mais uma família, que sofria com a dor de perder alguém querido na guerra. Violet entendia muito bem como eles se sentiam. Há um tempo atrás, aquilo lhe machucava. Mas, sentia-se mais forte, mais resignada. Não que não desejasse todos os dias que Gilbert aparecesse, que ele retornasse, mas, aquilo não doía mais como antes. Aquilo havia se tornado uma doce lembrança, uma eterna saudade. Violet desembarca do trem e é recepcionada por Benedict, que no começo era um carteiro, mas, havia sido promovido a assistente de Hodgins.


- Nossa, como demorou… Eu quase morri de tédio… - disse Benedict.


- Tivemos um pequeno contratempo com uma ponte interditada, então, perdemos alguns minutos no retorno. Está tudo bem, por aqui? - perguntou Violet.


- Sim, melhor impossível. Vamos, eu vim te buscar. O senhor Hodgins pediu para que eu viesse. 


- Tudo bem, vamos. - disse Violet.


Violet entrou no carro, seguida por Benedict. Ele conduziu o automóvel pela estrada, enquanto tentava puxar assunto com Violet. Diferente de anos atrás, era mais fácil manter um diálogo com ela.


- Então, mais um caso de sofredores da guerra?! Nossa… Mesmo depois de cinco anos, as pessoas parecem ficar presas ao passado… - disse Benedict.


- Bem… Quando se perde alguém que se ama, nem sempre é fácil de se esquecer a pessoa… E ele era o filho único deles, então, você deve imaginar o tamanho da perda… 


- Me desculpa… Eu não queria parecer insensível… - disse Benedict.


- Tudo bem… Eu já me habituei com sua falta de sutileza… 


- Como é?! Vai ficar me ofendendo gratuitamente?! Quanto ingratidão! - disse Benedict, que fez uma careta.


Violet abriu um sorriso discreto. Já estava habituada a “espirituosidade” de Benedict.


- Sinto muito. Não quis ofender… - falou a autômata.


- Hahahaha. Está tudo bem, boba! Bem, estamos chegando. 



Os dois chegaram em frente a companhia postal. Benedict estacionou, desceu do carro e ajudou Violet a descer. Violet deu alguns passos à frente, mas, Benedict a segurou pelo braço.


- Violet, eu… Preciso falar algo com você… - disse Benedict.


- E o que seria?! - perguntou Violet, surpresa.


- Bem, é que… É que eu… Preciso da sua ajuda! -  o jovem falou enquanto coçava a cabeça.


- Da minha ajuda?! - perguntou Violet, confusa.




Notas Finais


Gilbert está de volta, mas uma dúvida surge, será que ele vai atrás da Violet?
E, Benedict, o que será que ele quer com a Violet?


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