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História Depois daquela noite - Capítulo 75


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Capítulo 75 - Parte 75


Fanfic / Fanfiction Depois daquela noite - Capítulo 75 - Parte 75

 

DEPOIS DAQUELA NOITE 

PARTE 75 

 

APÓS chegar do supermercado, Lin dispensou a senhora Bong, pois ela mesma iria preparar o jantar. A mais velha insistiu em permanecer na cozinha, porém, a Wang estava decidida. 

— Vamos fazer assim, caso eu precise, eu a chamo. Está bem? 

Apesar de relutante, a empregada aceitou. 

— Sim, senhorita. — fez uma mesura e antes que pudesse sair da cozinha, deparou-se com Park Jinyoung. — Senhor, ajude-a.  

— Farei isso. — ele garantiu, sorrindo e se aproximou de Lin até segurá-la pelo rosto com as duas mãos, beijando-a de modo suave, primeiro na bochecha e depois nos lábios.   

— Oi pra você também. — ela riu beijando-o de volta, quase derretida pelos carinhos gostosos dos lábios macios do amado. 

— Oi. — Jinyoung passou uma das mãos nos cabelos claros da namorada, pondo algumas mexas para trás da orelha direita. — Precisa de ajuda? 

Lin acenou com a cabeça, tirando as compras das sacolas. 

— Você pode guardar o que não vamos precisar, enquanto eu lavo os legumes. 

— Certo. 

Pelos próximos cinco minutos eles trabalharam em silêncio até que tudo estivesse pronto para o começo da preparação da janta porque, segundo Lin mesmo tinha declarado, “jantar” era uma palavra sofisticada demais para denominar aquela rara tentativa de cozinhar. 

— Se você não esquecer de colocar sal, para mim está ok. — Jinyoung falou tampando um dos muitos potes que enchera com cereais. — Você raramente acerta o tempero. 

— Sal em demasia faz mal pra saúde. 

— Comida insossa também. 

— Falou o renomado chef. — Lin o desafiou. — Vamos fazer duas porções do mesmo prato para saber qual de nós cozinha melhor. 

— Uma competição. — ele se interessou. — Quais as regras? 

— Não pode passar de duas horas de preparação e, um vai avaliar o prato do outro. 

— É claro que vamos dizer que o que fizemos ficou melhor. — o Park não estava totalmente convencido de que a competição seria justa para qualquer um deles. — Não vai ser justo. 

— Não vamos comer tudo. — Lin esclareceu, terminando de pôr os legumes de molho na água com detergente alimentício. — Vamos deixar algo para que a senhora Bong e o Jackson avaliem. 

Ele acenou em concordância, pensando que daquele jeito poderia funcionar. 

— Parece que você pensou em tudo. 

— Acordei com essa ideia. — ela sorriu alegre. — Eu acredito que é uma ótima forma de conversarmos sobre como foi o nosso dia e ainda, no final, termos algo gostoso para comer. 

— É, mas a gente pode também ir direto para o quarto. — a olhou de modo significativo. — A propósito, quem é o grande urso branco lá na sua cama? 

— Senhor Kim. 

— Senhor Kim? 

— Foi um presente. 

Jinyoung não insistiu, mas cogitou consigo sobre quem deu o tal urso, lembrando-se de que Jackson contou sobre Lin estar saindo com alguém semanas antes de eles voltarem a ter contato efetivo.  

— Que bico é esse? 

— O quê? 

Lin percebeu que era ciúmes e não perdeu a chance de brincar com isso porque Jinyoung raramente mostrava aquele tipo de sentimento. Ele era sempre calmo e muito seguro da paixão que sentiam um pelo outro, por isso era algo grande quando ele se incomodava com uma coisa tão boba, na opinião dela, e fofa como um grande urso de pelúcia dado por alguém que ela considerava um amigo. 

— Você não precisa ter ciúmes do senhor Kim, pois, apesar de estar na minha cama, ele não é dono do meu coração. 

Um tanto exasperado, Jinyoung desconversou: 

— Agora você está falando bobagem. 

— Eu não acho. — riu apontando para os lábios masculinos. — O bico continua aí. 

— Sinceramente. — ele deixou escapar um fiapo de risada e revirou os olhos, ato que fez a chinesa achá-lo ainda mais engraçado. 

— Seu bobinho. — o segurou pelo queixo, dando-lhe alguns beijinhos estalados nos lábios. — Não precisa ter tanto medo de me perder. Eu só tenho olhos pra você. 

Ele de ombros, ainda incomodado. 

— Você diz isso agora, mas quando conseguir ter um bebê, só vai ter olhos pra ele. 

— Por favor. — o encarou com certa decepção. — Você vai mesmo ser do tipo que tem ciúmes do próprio bebê com a mãe? 

— Não sei. — deu de ombros, não sabendo se explicar direito. — Só estou tentando desviar a atenção de mim e falar de você. 

— Certo. — Lin não estava convencida, mas permitiu que a conversa tomasse outro rumo. — O que você quer saber? 

Jinyoung tinha estado curioso sobre aquilo, então agora que tinha a chance de saber, ele não perdeu tempo em questionar: 

— Você está grávida? 

Agora foi Lin quem deu de ombros e tentou desviar do assunto. 

— Não sei. 

— Como você não sabe? — ele franziu o cenho, juntando as sobrancelhas. 

— Não tenho nenhum sintoma e também não fiz nem um exame para saber. 

— E não vai fazer? 

— Caso eu tenha algum sintoma daqui umas duas semanas, sim, eu farei. 

Jinyoung não estava gostando daquela lentidão. 

— Todo esse tempo? 

— Por que a pressa? 

— Quero me gabar para o pessoal da delegacia que eu vou ser pai. 

Ela o olhou analítica. 

— Nunca pensei que você fosse do tipo exibido.  

— E não sou, mas ter é um bebê é um feito e tanto, aliás, sou um dos poucos lá que ainda é solteiro e não tem filhos. 

— Você se sente excluído ou sofre bullying por causa disso? — Lin bem sabia como alguns colegas de trabalho poderiam ser maldosos. 

— Não exatamente. 

— Como andam as coisas por lá? 

Imediatamente, Jinyoung se lembrou de como teve que dispensar Jiae tão duramente. 

— Ainda é um pouco estranho ter que fazer apenas trabalhos administrativos. Vou começar a me sentir melhor quando voltar a fazer plantão e diligências ostensivas. 

Espero que demore bastante, Lin não disse, mas também não precisou, pois, seu olhar cheio de temor disso tudo. 

Jinyoung percebeu e rapidamente tratou de mudar o tópico da conversa porque não queria falar sobre algo que tinha potencial para fazê-los discordar e se magoar mesmo que não fosse a intenção de nenhum deles. 

— Você disse menos de duas horas? — ele olhou para o relógio no pulso esquerdo. — Devemos começar o quanto antes. 

Lin entendeu a tática e sorriu agradecida porque ela também não queria interromper a aura divertida daquele começo de noite. 

— Mãos às panelas e que vença o melhor! 

 

— EI, calminha. — Wu Yifan fez com que a irmãzinha parasse de correr pelo gramado, segurando-a pelos ombros. — Vamos dizer olá para o nosso visitante. 

A garotinha de quatro anos direcionou sua atenção para o veículo que vinha se aproximando do portão de entrada da residência da família Wu, que fazia alguns anos, consistia somente nela própria, no irmão mais velho e nos empregados; papai e mamãe sempre estavam viajando e vivendo em outros lugares. Xia, mesmo sendo tão pequena, já entendia que a vida implicava em obrigações que não permitiam que todos estivessem juntos o tempo todo em casa. 

Segurando a pequena mão da irmã, Yifan caminhou em direção ao carro recém estacionando, cujo de dentro saiu Zhang Yixing. Por um momento, o Wu se sentiu estranho pela evidente magreza do amigo, mas decidiu guardar para si aquela impressão não tão positiva. Sorrindo, deu as boas-vindas, com direito a abraços com tapinhas nas costas, mas bem leves, pois não queria causar qualquer desconforto no visitante. 

— Não me diga que essa é a bebê Xia? — Yixing se abaixou para cumprimentar a menina. — Você ainda se lembra de mim? Dá última vez que nos vimos, você estava começando a correr por aí. 

— Tio Zhang. — Xia sorriu, mostrando os pequenos dentinhos alvos. 

Yixing sorriu, fazendo aparecer suas graciosas covinhas antes de beijar a criança na testa. 

— É bom ver você, princesinha. 

Conquistada pelo carinho do mais velho, a menina deixou-se ser abraçada e levantada do chão, rindo quando foi rodopiada duas vezes enquanto seguia segura nos braços do tio. 

— Cuidado. — Yifan advertiu. — Vocês podem ficar tontos. — sorriu da forma como aqueles dois pareciam tão apaixonados, às vezes, o Wu chegava a pensar que o amigo poderia ser um irmão mais velho ou até mesmo um pai melhor do que ele era, porque Yixing tinha toda a delicadeza, diversão e paciência para lidar crianças, coisas que ele próprio ainda estava aprendendo, apesar do tempo de convivência com a irmãzinha. — Eu pensei que você ia passar mais tempo em Gangsha. 

— Se dependesse da vovó eu não sairia de casa nunca mais. — Yixing riu. — Ela só me deixou vir porque eu disse que vinha visitar vocês, a propósito, ela mandou presentes e comidas. 

Yifan sorriu. A vovó Zhang era uma doce senhora com muito jeito para presentear e preparar boas refeições, especialmente sobremesas. Saber que ela tinha preparado e enviado algo, o fez sentir fome, e olha que mal tinha acabado de tomar café da manhã! 

— Você já comeu? A senhora Annchi fez um verdadeiro banquete, Xia e eu não conseguimos comer nem metade da metade. 

— Acho que eu não posso pensar em comida pelas próximas 48 horas. Eu passei os últimos três dias sendo alimentado como se tivesse passado anos sem comer direito. 

Yifan quase deixou escapar que a aparência de Yixing praticamente gritava que era isso mesmo, mas se refreou, preferindo encaminhar o amigo para uma das mesas cobertas no centro do jardim. O sol já estava ficando alto, perfeito para que todos se recolherem à sombra. 

— Xia, peça para a senhora Annchi trazer água. 

Quando a menina saiu correndo, ambos os homens a seguiram com seus olhares atentos e sorrisos apaixonados, Yixing foi o primeiro a falar. 

— Eu fico feliz em saber que ela está bem, que você ainda cuida dela. 

— Eu seria a pior pessoa do mundo se não cuidasse, mas por incrível que pareça, eu não tomo isso como obrigação, sabe. — Yifan sorriu. — Ter a Xia na minha vida é um presente. 

— Pena que nem todo mundo vê as crianças dessa forma, nos últimos dois anos eu tenho presenciado verdadeiras atrocidades.  

Não era como se o Wu não quisesse dar atenção ao amigo naquele assunto, porém, aquele tipo de conversa quase nunca era bom, então ele tratou de mudar o tópico do bate-papo. 

— Seu avô comentou alguma coisa sobre o Huang Zitao finalmente ter sido nomeado diretor de um dos negócios da família dele em Qingdao? 

— Sim. — Yixing riu adorando fazer fofoca. — Tem até um boato de agora ele se sente honrado o suficiente para ir atrás da Lin Wang.  

Yifan também riu. 

— Acho que ele vai quebrar a cara bonito. 

— Ela já está comprometida com alguém? 

— Com aquele mesmo amigo do Jackson. 

— Mas eles não tinham se separado uns cinco anos atrás? — Yixing ficou confuso, pois até onde sabia, aquele relacionamento tinha terminado. 

— Não tenho todos os detalhes, mas, faz uns dois meses que ele quase morreu durante um cerco policial. Durante o tempo de recuperação, foi Lin quem cuidou dele, então eles acabaram reatando. 

— Parece coisa de novela. — o Zhang era um romântico que sempre se impressionava com histórias daquele tipo. 

— Coisa de novela mesmo vai ser quando a mamãe Wang ficar sabendo. 

— Ele é tão ruim assim? 

— Digamos que, para a mamãe Wang, o Park Jinyoung não é tão bom quanto o Zitao, você ou até mesmo eu. 

Yixing negou com a cabeça. 

— Não é por nada, mas eu não sou um candidato a noivado para a Lin. Eu não a vejo dessa forma. 

Yifan sabia por qual motivo. 

— E a Victoria Lee? 

— O quê? 

— Você pode vê-la como noiva? 

— Sinceramente, eu não sei. — deu de ombros, numa tentativa falha de negar o que todo mundo sabia desde sempre. 

Yifan também não conseguia negar que se sentia um pouco decepcionado pelo amigo ser devagar naquele ponto, se fosse ele naquela situação, já teria declarado com todas as letras e ações o que queria com aquela bonita mulher. 

— Yixing, você é tão lento. 

— Cuidadoso é a palavra certa. — ele de fato acreditava nisso, pois mesmo que fosse muito corajoso para arriscar a própria vida para cuidar e salvar as de outras pessoas, quando dizia respeito ao que sentia por Victoria ele precisava tomar muito cuidado com o que dizia e fazia. 

— Se você diz. 

— Eu vou saber como a vejo realmente na próxima semana. 

— Você vai pra Coreia? 

— Sim, mas especificamente para Jeju. Você se lembra do Kim Junmyeon? 

Yifan acenou positivamente com a cabeça, pois era capaz de recordar do filho rico de uma das famílias mais influentes da Coreia do Sul. 

— Ele vai inaugurar um novo empreendimento na ilha, um hotel fazenda, bem na época do aniversário de 30 anos. Uma festa grande. Eu tenho alguns tickets de hospedagem. Quer ir? 

— Eu tenho alguns compromissos marcados. 

— Será que eu terei que convidar o Zitao? 

Eles riram, lembrando-se de uma piada interna que surgiu depois que o Huang estragou algumas festas as quais fora convidado, com todos aqueles seus golpes de artes marciais. 

— Por que você não convida o Jackson? Daqui no máximo dois dias ele estará por aqui. 

— Ótimo. Podemos marcar de tomar uns drinques. — Yixing sorriu animado. — Você não vai acreditar, mas eu aprendi a fazer umas bebidinhas caseiras com um pessoal maneiro lá de Johanesburgo. Tem uma que é assim... 

Yifan escutou atentamente o amigo falar e falar até que fosse interrompido pela chegada da senhora Annchi, que trouxera além de uma jarra de água, alguns bolinhos recém saídos do forno e muito carinho para o visitante. Não a primeira vez que aquilo acontecia, e o Wu sabia que também não seria a última porque Zhang Yixing era daquele jeito mesmo, apaixonante. 

 

— ACREDITO que até o final da semana eu terei algumas informações pertinentes. — Jun Jiae falou após analisar rapidamente a ficha técnica e ouvir sobre o funcionário Kang Yi Hyun. 

Victoria queria ir para Jeju com aquela história esclarecida ou pelo menos bem encaminhada, então não fez cerimônia em dizer o que queria: 

— Gostaria de obter essas informações antes do final de semana. 

Jiae não estava disposta a se desdobrar numa investigação particular só porque a contratante estava com pressa.  

— Não posso prometer que isso será possível. Como a senhora deve saber, eu sou funcionária efetiva do centro policial de Seul, e o meu trabalho lá é prioridade. 

— Entendo. — a Lee achou interessante como a outra estava próxima do modo defensivo, concluiu que era melhor falar com mais cuidado. — Aliás, você me foi muito bem recomendada pelo delegado Kwon.  

A policial Jun não era de corar com elogios, mas ficou bem perto disso ao ouvir o sobrenome do seu chefe imediato, que a tratava com carinho quase paternal, mais cuidadoso, gentil e presente do seu próprio pai biológico. Era bom, mas deprimente, às vezes, que alguém que não tinha nenhum grau de parentesco consigo fosse mais efetivo em sua vida do que aquele que foi um dos responsáveis por trazê-la ao mundo. 

— Vamos fazer o seguinte. — Victoria decidiu facilitar as coisas para as duas. — Você começa a investigar assim que possível e me manda atualizações, menos no final de semana, eu estarei fora por uns três ou quatro dias e não quero me preocupar com isso. — o que era totalmente verdade, pois queria estar o mais concentrada possível em seus amigos e no namorado. — Na volta, eu mesma entro em contato. Está bem? 

Jiae repensou seu conceito inicial sobre aquela mulher, afinal de contas, ela não parecia tão ruim se estava disposta a ser flexível quanto as condições do trabalho que estava contratando. Assim, não viu problema em concordar. 

— Sim. 

— Ótimo. —  a Lee mostrou um dos cartões de contato da policial, que recebera do senhor Kwon na noite anterior. — Eu tenho os números de contato e o seu e-mail, mas preciso da sua conta bancária. Pretendo fazer a transferência de metade do valor do serviço. Quem sabe assim você não se anima um pouco mais? 

Ah. Então ali estava a mulher rica, que achava que dinheiro poderia resolver tudo. Iria se decepcionar, pois Jiae não era do tipo que se deslumbrava com cifras.  

— Não trabalho dessa forma, senhora Lee. 

— Não? 

— Costumo receber o primeiro pagamento apenas quando estou com o trabalho já encaminhado. 

— Certo. —Victoria se sentiu meio constrangida, pois estava mais do que claro que a policial Jun não simpatizara consigo, por isso resolveu terminar a conversa o quanto antes. — Será como você está acostumada então.  

Jiae se levantou e concedeu uma mesura respeitosa antes de deixar a sala do escritório do restaurante Lees Gourmet, local que, por conta de sua antipatia e seriedade extrema ao interagir com a dona do estabelecimento, tinha perdido a chance de ter um almoço saboroso e um reencontro interessante. 

 

PORQUE o Falkner estava lotado demais, Mark mudou a rota, indo direto para o apartamento de Bonah, lá ele acionou o serviço de delivery do restaurante mexicano não muito longe dali.  

— O molho doce até que não é ruim. — a Choi estava se lambuzando com os tacos, mergulhando-os no molho de tomate cereja com mel, e devorando-o como se fossem o melhor alimento que ingeria em dias. — É ótimo. 

Vendo-a mastigar com tanta vontade, o Tuan achou que ela parecia absurdamente infantil, com aquele apetite e o rosto sujo daquele jeito. 

Ele sorriu, dando uma piscadela marota. 

— Prefiro algo mais picante.  

Bonah apenas riu e continuou comendo. 

— Quem vai limpar a bagunça? — ele perguntou ao terminar de limpar os lábios com um guardanapo de papel. — Acho que não seria justo o visitante fazer isso.  

Ela o encarou com seriedade, e ao terminar de mastigar e engolir, rebateu: 

— Não seria justo a dona do apartamento fazer tudo sozinha, sendo que, ela não sujou sozinha. 

Mark não via problema em limpar e arrumar as coisas, porém, gostava de implicar com a namorada quando tinha chance. 

— Que tal uma partida de vídeo game? — propôs porque estava, fazia alguns dias com vontade de jogar com ela. — Quem perder limpa. 

— Você parece confiante. 

A Choi levantou uma das sobrancelhas, lambendo os dedos sem qualquer propósito a não ser tirar o excesso de molho, mas para Mark aquilo pareceu com uma bendita provocação, que ele aceitou, olhando de modo compenetrado. 

— Admita, sou melhor do que você. 

— Veremos. 

Cinco minutos depois, Bonah estava rindo da expressão abismada de Mark, que perdera não só uma, mas três partidas seguidas no jogo. 

— Por favor, deixe tudo bem limpo e arrumado, sim? — ela saiu em direção ao quarto. 

— Essa mulher. — Mark riu e começou a limpar. 

Quando tudo já estava ordenado tanto na sala quanto na cozinha, ele foi atrás da namorada, encontrando-a sentada na beira da cama, trajando um pequeno vestido cor de rosa, parecendo mais nova e pequena do que realmente era, sorrindo para a tela do celular. 

— Parece ser algo interessante. — o Tuan se aproximou, até sentar-se ao lado. 

— A senhora Byun KyungMi está se saindo uma mãe muito coruja, olha as fotos que ela posta nas redes sociais. — inclinou a tela do aparelho para que o namorado visse as miniaturas das imagens do menino Nathan de onze anos de idade.  

— Acho que qualquer mãe se sente orgulhosa de seus filhos, ainda mais quando são bonitos. A minha irmã Tammy é um bom exemplo. 

— Você me mostrou a fofo de uma bebê, alguns anos atrás. — Bonah relembrou. — Ele deve estar bem grandinha agora. 

— Vai fazer cinco anos no final dessa semana. 

— Você já comprou o presente? 

— Não, estou contanto com sua ajuda para isso. Aqui. — tirou o próprio celular do bolso e mostrou as fotos e vídeos caseiros que a irmã enviava de vez em quando para compartilhar os feitos não somente de Kylie, mas também da bebê Leila. 

— Elas são lindas.   

A Choi não se considerava uma pessoa aficionada por crianças, mas era capaz de reconhecer a beleza e a fofurice daquelas pequenas pessoas, e as sobrinhas de Mark eram bonitas como bonequinhas do tipo que você admira automaticamente, sentindo vontade de abraçar e não soltar tão cedo. 

— Faz quase um ano desde a última vez que as vi. Leila ainda era uma bebê de pouco mais de vinte dias de vida. — Mark contou. — Já está mais do que na hora de vê-las outra vez.  

— Também acho. 

— Vou aproveitar o aniversário da Kylie para fazer isso. 

— Então você vai para San Francisco? 

Pronto. Ali estava a oportunidade. 

— Sim, e quero que você vá comigo. 

Bonah não respondeu de imediato porque sua mente processou cuidadosamente a ideia de ir para casa da família Tuan, numa ocasião tão íntima, especial e importante quanto o quinto aniversário daquela menininha linda. 

— É verão por lá agora. — o namorado falou numa tentativa de persuadi-la. — Acredito que vai ser ótimo aproveitarmos as praias. 

— Igual nos filmes? 

— Até melhor. 

— Eu não sei, Mark. 

— Qual é o problema? 

— Não é realmente um problema, mas... — hesitou, se remexendo para ficar meio de frente para ele. — É a sua família. Eu não acho que seria legal uma estranha aparecer por lá pra comer bolo e docinhos. 

Ele riu. 

— Você não é estranha para eles. Está certo que não houveram as apresentações formais, mas todos eles sabem que você é minha namorada. 

— Sabem? — Bonah realmente ficou surpresa e curiosa sobre o que os pais e as irmãs de Mark sabiam sobre o relacionamento deles. 

— Sim, e estão todos ansiosos para te ver pessoalmente. A minha mãe principalmente. 

A Choi sabia que nem todas as mães eram tão legais como a sua própria mãe, ela tinha sabido de histórias o suficiente sobre sogras que não aprovavam as noras por alguns mínimos detalhes que fossem. Ela não pensava que a senhora Tuan fosse tão exigente, mas também não estava disposta a se deixar iludir com uma simpatia não garantida, afinal, elas nunca tinham se visto. 

— Ok. Agora estou mais nervosa ainda. 

— Não precisa ficar assim. — Mark a beijou na bochecha. — Eles vão te adorar, não tanto quanto eu, mas vão. — segurou-a pelas mãos. — Por favor, aceite ir. Será apenas um final de semana. 

— Um final de semana na casa da família. 

Querendo que Bonah se sentisse à vontade, ele se dispõe as fazer as melhores concessões para que aquele final de semana fosse tão bom quanto ele imaginava que seria. 

— Se for muito incômodo para você, podemos nos hospedar num hotel.  

Aquele não era realmente o ponto, mas ele estava mostrando tanto empenho que a Choi sabia que iria se sentir muito mal se recusasse. 

— Você não vai desistir até eu aceitar, vai? 

Ele balançou a cabeça em negação. 

— Certo. Eu irei. 

— Oba! — Mark a beijou repetidas vezes nas bochechas e nos lábios, causando risos em Bonah, que mantinha em algum canto de sua mente a preocupação por estar tão perto de conhecer a família Tuan. 

 

“EU fiz a coisa certa?” 

A questão passeava pela mente de Jaebum, impedindo-o de dormir. Ao seu lado esquerdo, deitada na cama, estava Sooyun, agora, oficialmente sua futura esposa. Outra vez. Antes, dois anos atrás, ele tinha feito aquele mesmo pedido, todavia, as dúvidas sobre se estava fazendo a coisa certa e sobre o futuro não eram tão insistentes e incômodas como agora.  

O que estava errado? 

Ele tinha medo da resposta, que ameaçava tomar sua mente, fazendo-o rever suas próprias decisões até aquele momento. Por isso, preferia mentir para si mesmo, convencendo-se de que não sabia, pois queria acreditar que era melhor assim.  

Mas... 

Lá estava ele, se questionando se não havia outro meio de fazer as coisas certas de modo que não precisasse ter tanto temor de errar. Era um fraco por não se sentir seguro de permanecer com aquela com quem estava havia mais de oito anos. A garota por quem tinha se apaixonado na escola, que o acompanhou na faculdade, aquela que se tornou a mulher com quem planejou todo um futuro, uma família para chamar de sua. Estava tudo certo, até aquela noite... 

O que ela estará fazendo agora?  

Jaebum raramente se permitia ter qualquer tipo de questionamento ou preocupação em relação àquela que o fez sentir euforias distintas, mais intensas e proibidas do que as que estava habituado. Porém, na semiescuridão daquele quarto, a mente vagou para o outro lado do mundo e, quando um vislumbre da última vez em que estiveram juntos apareceu nítido demais, ele relutou, resmungando ao sair da cama. Sooyun se remexeu, mas não acordou e o Im deu graças aos céus porque ela não merecia vê-lo tão miserável. Não merecia ter seu sono perturbado por um homem que covardemente a traia em pensamentos. 

Já fora do quarto, Jaebum seguiu para a sala de estar, onde até menos de duas horas atrás fizera a proposta que ditaria o rumo de sua vida com Park Sooyun dali adiante. Ela tinha dito sim, e na hora ele tinha sorrido e a abraçado e beijado com alegria, mas agora... Aquele momento de felicidade estava cada vez mais ofuscado pelas lembranças daquela que, em apenas uma noite, conseguiu bagunçá-lo para sempre. 

— Será que eu te baguncei também? — ele perguntou, mesmo sabendo que naquele momento ela não pudesse responder. — Talvez você nunca me deixe saber. — sorriu com amargura. 

Olhando para o pulso direito, constatou que o relógio marcava pouco mais de onze horas. 

— A noite vai ser longa. — se esparramou no sofá, prometendo voltar para o quarto assim que conseguisse acalmar a própria mente, o que aconteceu apenas quando o sol já estava quase nascendo. 

Movimentando-se com cuidado, ele voltou para a cama e se abrigou debaixo das cobertas, aliviado por não ter perturbado Sooyun. 

Ele não sabia, mas ela estava acordada, ressentida por ele ter passado a noite no sofá, justo na primeira noite oficial deles como noivos. 

“Se já começamos assim, isso não vai dar certo”, ela não conseguiu conter aquela maldita lágrima quente e dolorida. 

 


Notas Finais


Oi ;)
Tudo bem?
Só quero dizer que, EXO-CBX é real aqui em DDN, é isto. Beijos!


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