História Depois daquele beijo - Capítulo 3


Escrita por: e AgathaLuz07

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Drama, Lesbicas, Lgbti, Romance, Yuri
Visualizações 16
Palavras 3.535
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo 3 - Esquisita


Júlia

Minha noite foi terrível. Eu não conseguia me acalmar, tudo que eu pensava era em voltar naquela festa e arrastar a garota dos óculos arredondados comigo. Queria entender o que eu sentia, queria que ela me explicasse o que fez comigo. Mas já estava tarde, e eu nunca teria coragem de fazer uma coisas dessas. Dentro de mim a raiva me consumia,raiva da garota, raiva de mim mesma, " o que está acontecendo comigo?", "será que enlouqueci de vez?'.

No outro dia pela manhã, eu poderia literalmente ter matado alguém. Dormir só fez com que eu sonhasse com a cena da garota da festa toda a noite.E quando terminava, se repetia, num looping sem fim. Intrigante? Desesperador? Meu mal humor estava contagiante aquele dia.

Léle e eu almoçávamos no restaurante universitário todas as terças feiras. Apesar de fazermos o mesmo curso agora,ela estava adiantada,então raramente nossos horários estavam batendo.

__ Queria que tivéssemos mais tempo pra fazer coisas juntas - Disse ela choramingando.

__Eu sei, eu também queria. O primeiro semestre me matou. Agora esse segundo, estou péssima. Tenho provas a semana toda, e não sei se vou conseguir recuperar o tempo de estudo perdido. Isso me preocupa. - Digo, olhando a com expectativa por um sermão.

Minha amiga se ofereceu para estudar comigo. Ela tinha muita facilidade em tudo que eu odiava estudar. Além da faculdade, eu fazia cursinho pré vestibular a noite, porque eu não havia desistido da medicina. Era meu sonho e eu precisava ir até o fim. No caminho para a biblioteca, eu quis passar no xerox do pavilhão de aulas,para me certificar que estava com todo material em mãos. O senhor Matias do xerox, era uma fera. Ele odiava os estudantes da faculdade. Ele nos atendia a pontapés, e quando disse que precisava da pasta do professor Santiago, para ver os conteúdos, ele pareceu me fuzilar com os olhos.

Depois da agradável recepção do velhinho do mal, minha amiga e eu nos dirigíamos a biblioteca, quando eu avisto aquele rosto familiar. Senti meu coração bater tão forte que parecia que ia vomitá-lo. Meu estômago se revirou todo,e por um instante eu não sentia mais minha própria respiração. Não tinha mais nada ali, só a garota da festa. Minhas mãos suavam. E quando comecei a pensar melhor...

__ Ai! O que foi isso Léle? - Disse em tom raivoso para minha amiga.

__ Um tapa! Pra ver se você está me escutando. Estou falando a horas, e você parecia estar em outro planeta. Tá maluca é ? - Minha amiga tinha um tom sarcástico.

__ Desculpe, estava tentando lembrar a data da minha prova - resmunguei com a cara mais angelical que pude. Eu confiava muito nas minhas amigas,mas eu não estava preparada para falar sobre essa garota. Não queria lidar com isso agora. Eu precisava me concentrar no que era importante : Não enlouquecer antes das últimas provas semestrais.

 

Mari

Era setembro de 2015 quando eu acordei com uma mensagem no facebook super esquisita, porém que me deixou muito intrigada e curiosa. Uma mulher que eu nunca havia visto ou ouvido falar antes, me escreveu dizendo que a amiga dela tinha sentido uma conexão muito forte comigo, como se fosse de outra vida. WTF ?! Era como se sua amiga tivesse me conhecido em outra vida e de alguma maneira precisássemos nos conectar também nesta. Eu que já era espírita na época, continuei lendo a mensagem para ver do que se tratava. Esta mulher, que aparecia com o nome de Ester no facebook, disse ainda que mesmo que não rolasse nada,nem mesmo amizade, para eu conversar com essa amiga dela e ver qual era. Que muitas vezes,coisas estranhas assim aconteciam por um motivo.

Fui procurar a garota da qual a tal Éster estava falando, uma garota chamada Julia Miller. E descubro que não só já tínhamos trocado algumas palavras , como também, ela era a mesma menina com o facebook com menos de 100 amigos, com mais fotos de cachorro do que dela mesmo, e 3 likes por foto.Aquela que eu super julguei e ainda continuava julgando. E para piorar tinham umas fotos embaçadas que não dava para ver a cara dela direito. Eu reli a nossa conversa para lembrar de qual assunto conversamos, e vi que foi a conversa mais inútil que eu já vi em todas as minhas mensagens.Confesso que nem lembrava da existência dessa tal Júlia, ela se perdeu nos meus 3000 amigos. Além disso eram muitas meninas,eu não conseguia saber quem eram todas elas e o que tínhamos conversado.Sempre fui muito educada respondendo a todas, entretanto se a conversa ia pra frente já era outra história. De todas as garotas na face da terra, tinha que ser Julia, a garota do cachorro!Eu não tenho nada contra cachorro , mas se quer ter um facebook que ponha foto sua e não do cachorro. Na pior das hipóteses cria logo um facebook pro seu dog, e fim da história. Naquela situação eu mal sabia se o facebook era realmente da sapatão ou do cachorro dela. Mas acho que eu teria que pagar pra ver.

Apesar de essa ser uma das mensagens mais esquisitas que eu já havia recebido, algo dentro de mim me chamava, eu queria saber no que isso ia dar, eu queria descobrir o porquê de tanta esquisitice. Se a garota queria chegar em mim, ela realmente decidiu por uma maneira muito, muito estranha. E também tinha a parte de mim que desconfiava, que ela pediu para a amiga me escrever tudo aquilo.Talvez fosse alguma destas garotas psicóticas que ficam obsessivas por alguém, e em algum momento quando não consegue o que quer, mata a outra pessoa. Acho que eu só saberia de qualquer forma, falando com ela.

Relevei todas os julgamentos que tinha sobre Julia e enviei para ela uma mensagem, pois a minha curiosidade era muito maior do que qualquer preconceito. Eu enviei meu número para ela, dizendo para conversarmos melhor e fiquei na espera de ela me contactar.

Nesta fase, eu estava passando por um processo interno intenso, eu queria mudar. Mas querer é diferente de fazer, então comecei a passos pequenos.Eu precisava de alguma coisa nova na minha vida .Precisava ter uma vida além das mulheres e faculdade, eu sentia falta de algo. Foi quando resolvi ir atrás do meu pai. Sim,aquele mesmo pai que eu só sabia o seu nome e que morava na Colômbia. Eu sempre tive curiosidade de saber quem ele era, mas nunca tive como fazer isto, na realidade acho que depois que minha avó morreu, minhas preocupações eram outras, então devo ter esquecido dessa parte da minha própria história. Não haviam muitas informações úteis sobre ele na internet, nem sequer uma fotinha para saber como era o seu rosto.

Aproveitei este momento de querer algo novo e fui em busca do que eu precisava. Fechei um intercâmbio voluntário para a Colômbia para minhas próximas férias de fim de ano. Iria ficar 3 meses lá, 2 meses participando de um projeto onde eu seria ser palhaça em hospitais de crianças que estavam com câncer, e me dei 1 mês de férias para focar na busca pelo meu pai.

Possibilidades infinitas passavam pela minha cabeça.Ele poderia me rejeitar e ser um desastre. Poderia não saber que eu existo. Poderia ser rico e achar que eu queria dar um golpe. Mas por outro lado eu estava em busca de emoção, de sentir algo real, então precisava arriscar, mesmo que no final tivesse um mal resultado. Em paralelo comecei a ler livros de auto ajuda do tipo "inteligência emocional" para já ir me preparando para o que estava por vir. Na pior das situações eu estaria parcialmente preparada. Eu queria que algo mudasse internamente em mim nesta viagem, ao mesmo tempo que não sei como, mas eu sabia que algo estava a caminho.

Júlia

Minhas tão temidas provas chegaram. Eu estava orgulhosa de mim mesma. Graças a minha amiga Léle é claro, eu consegui me sair bem, e penso ter recuperado os pontos que eu precisava. De uns dias para cá estava mais difícil fugir da garota da festa. Todos os lugares que eu estou, ela parece estar lá também. No supermercado, no banco, na faculdade, no restaurante universitário. Poderia dizer que estou sendo perseguida, mas dúvido muito que ela saiba da minha existência. Parecemos ser de mundos muito diferentes.Como se não bastasse ela aparecer sempre onde eu estou, e eu sempre ficar com cara de idiota, o facebook também resolveu me trolar. Todas as vezes que abro minha página pessoal, lá está a foto dela.

__ Sugestão de amigo querida -- Escuto aquilo com uma voz de E.T, como se o facebook tivesse uma voz, e pudesse me provocar.

Três longos meses. Esse é o tempo que eu penso na garota da festa, e não falo com ninguém sobre. Porque eu estou escondendo isso de todos? Eu não sei esta resposta, é como se fosse algo íntimo demais para eu abrir a alguém, mesmo minhas melhores amigas. Era uma situação totalmente louca,e eu não sabia como explicar tudo que eu estava sentindo. No meio disso tudo, ainda tive que lidar com a Laura aparecendo na faculdade para me procurar. Minha sorte foi que, eu soube da sua visita e resolvi me esconder na casa do meu amigo Edu. Por mais que nos conhecíamos a pouco tempo, eu tinha uma grande confiança nele, e sabia que pra me proteger daquela mulher insana, eu precisaria de um homem grande e forte.

A estadia da minha ex foi curta, então em dois dias eu pude voltar para casa.

Era uma tarde chuvosa, Éster e eu estávamos vendo um filme pra passar o tempo. E eu pensei : "porque não falar com ela sobre a garota da festa, pelo menos ela não pode me julgar, ela acredita em papai noel, não existe nada mais ridículo que isso." Enquanto eu me consolava, minha amiga gargalhava daquele filme bobo.

__ Preciso de contar uma coisa! - Minha amiga com olhos esbugalhados, se virou para mim esperando. Aconteceu... uma coisa... Ehrr... ahnn... Não sei como explicar...

__ Tá me deixando preocupada maluca. Fala logo! -- Ela parecia um pouco impaciente.

Então tomei coragem e contei a ela, tudo que houve desde a festa em que Victor esteve na nossa cidade, dos sentimentos, das perseguições, e do facebook trolador . Ela parecia muito surpresa.

__ Eu não acredito que você não me contou isso antes. Mas ela deve ser importante pra você,já que você resolveu manter tanto mistério. Cadê a garota? Quero ver, as vezes eu posso conhecer. Quem sabe....

Abri meu facebook rapidamente.

__ Porque você não adicionou a garota até hoje Júlia? Ela não vai saber da sua existência sem você mostrar pra ela que você existe. -- E em um minuto da minha distração, Éster adicionou a garota e enviou uma mensagem dizendo : " Nossa, você toca teclado muito bem, e eu adoro a música love me like you do".

Com todas as minhas forças, eu queria matá-la naquele momento. Onde eu estava com a cabeça quando confidenciei uma coisa dessas, pra pessoa mais maluca que eu conheço.Como eu iria desfazer toda aquela merda. Meu desespero foi interrompido por batidas leves na porta. Agora o circo estava armado, e minha amiga Léle que acabara de chegar ia botar ainda mais fogo neste picadeiro.

Eu estava arrasada, desesperada, queria enfiar minha cabeça num buraquinho e nunca mais sair. A essa altura, a garota que eu já sabia chamar Maria, devia pensar que eu era uma stalker psicopata, que fica vigiando as postagens dela. Meu Deus, o que eu fiz para merecer isso. " Me manda para outro planeta Jesus, não!Me manda pra outra galáxia, por favor". Minha cabeça estava a mil, e Éster e Léle riam da minha reação na sala. Eu escutava suas gargalhadas e queria matá-las. Por mais que a intenção tenha sido boa, eu não estava preparada.Meu celular vibrou no meu bolso, e eu não podia acreditar no que eu via. Não só a garota da festa, vulgo Maria me aceitou como amiga, como também respondeu a mensagem da minha amiga.

" Obrigada"

Isso é uma resposta? Eu sabia!Agora ela pensa que sou uma psicopata. Ótimo. Além de a garota saber que você existe Júlia, ela também pensa que você é uma stalker e que não bate bem das bolas. Parabéns, seus piores pesadelos estão se realizando. Minha cabeça dava voltas e voltas. Eu não fazia ideia do que falar com Mari. Eu estava envergonhada demais. Tudo que eu consegui dizer foi " Eu sempre gostei de instrumentos musicais". Porque ela se interessaria por uma informação tão inútil. A merda estava feita. E aquela altura, a garota da festa já não me responderia mais.

Foram dias de silêncio da parte dela, e desespero da minha parte. Eu estava arrasada. Tudo que eu conseguia pensar é que ela nunca mais me responderia. E que eu nunca descobriria o que estava passando comigo.

Era manhã de domingo.O dia que eu mais odiava em toda semana. Eu acordei lentamente como se estivesse de ressaca, mesmo não tendo feito absolutamente nada na noite anterior. Eu estava triste e envergonhada. Tinha medo de ir a algum lugar e dar de cara com a Mari. Eu não conseguiria. E se ela me reconhecesse? E se ela... não me reconhecesse? Eu não sei o que seria mais doloroso aquela altura, ser reconhecida como uma idiota, ou não ser nem reconhecida. Tomei meu café, escovei os dentes, e comecei a procurar meu celular. Ele estava perdido em meio as coisas da casa e coisas da Bella. Sim, aquela cachorrinha que gostei, minha irmã a trouxe para mim a umas semanas atrás. E achei que ela tinha cara de Bella. Pego meu celular, acho que minha cadelinha pensou que ele era um chinelo, talvez pela capa de proteção ser de borracha. Ela o escondeu embaixo da sua cama.

Meu olhar parou quando vi a tela. Eu não conseguia piscar. Eu não respirava. Eu achei que iria desmaiar.

Mari disse : " Me adiciona no whats app pra gente conversar melhor 998656332.Beijos."

Tudo que eu consegui pensar foi " respire, por favor, você não pode morrer agora".

Mari

Quando finalmente Júlia e eu começamos a conversar pelo whats app eu percebi que minha curiosidade me deixava atenta ao que ela me escrevia, eu dava mais atenção a ela que qualquer outra peguete que já tenha tido Ela me irritava um pouco, sério! Que menina que gostava de escrever! Ela falava demais, e até me dava um pouco de preguiça de responder a tudo que ela queria saber, porém essa coisa de vidas passadas tinha me atraído muito, e eu queria saber o que ela tinha a falar sobre.

Os dias iam passando, Júlia não tinha papos desagradáveis, mas não me parecia muito normal. Se eu estivesse afim de alguém, e falasse com a pessoa, jamais falaria as coisas que essa garota fala. No fim das contas marcamos um encontro, mas não foi um encontro comum numa mesa de bar com álcool desregrado. Íamos nos encontrar no centro espírita, que eu acabei descobrindo, ela frequentava o mesmo que eu. Eu não tinha o mínimo interesse em ficar com ela, eu só queria saber o porquê da amiga dela ter me mandado aquela mensagem.Quem marca um encontro num centro espírita, onde não podemos conversar porque está rolando uma palestra? Bom, nós marcamos.

Eu estava sentada, um pouco nervosa e quase desistindo da palestra quando percebi que Júlia veio se aproximando, eu olhei para ela e não a reconheci, era um pouco diferente das fotos do facebook, mas como estava vindo na minha direção pressupus que era ela. Nem alta nem baixa, cabelos negros com mechas azuis e branca feito leite. Eu sinceramente, nunca gostei muito de cabelos coloridos, remete muito a adolescentes que viam rebelde e pintavam o cabelo com papel crepom. As que tinham o cabelo vermelho , me davam arrepios , acho que me remetia a mulher doida e psicopata. Aquelas mechas azuis naquela idade, sério, deprimente! A primeira conclusão que tive ao ver Júlia foi a mesma que tive com nossas conversas : que menina esquisita!

Ela chegou, se apresentou, e sentou e foi assim que nos conhecemos. Eu não estava nada confortável naquela situação, mas, até que me senti cult e evoluída por estar marcando um encontro em um centro espírita. Por mais que não fosse um encontro com fins de recreação,me senti com um ar de intelectual . Estava enganando a mim mesma pensando que era uma pessoa espiritualizada. Depois que acabou a palestra, Júlia foi me acompanhando até o meu carro e trocamos algumas palavras, ela não parecia a matraca que era pelo whats app, me parecia um pouco tímida. A presença dela me incomodava de certa forma, o silêncio dela também não era reconfortante, eu só queria chegar no meu carro logo.Pensei, "porque deixei a porra desse carro na outra quadra", "porque essa menina não toma um outro rumo". Eu não sabia exatamente o que eu estava sentindo, mas também não queria prestar atenção nisso agora. Eu só me interessava pela bendita informação das vidas passadas. Eu comecei até a suspeitar que era só uma desculpinha para se aproximar de mim, com certeza ela estava afim.

Passaram-se alguns dias, eu estava tendo sérios problemas com a minha família. Nesta época a minha mãe estava tendo crises esquizofrênicas fortes, nenhuma enfermeira parava com ela, elas tinham medo, porque minha mãe dizia que estava incorporada por espíritos. Uma hora ela era uma criança má, outra hora uma beata sem nome. Alguns familiares que moravam perto, a irmã e sobrinhas da minha avó me pressionavam para que eu cuidasse dela. Na cabeça deles esta era a minha obrigação. Eu deveria largar os meus estudos e viver na função dela, cuidando dela 24 horas por dia..

Eu não aguentava mais essa pressão, alguns dias, eu só queria sumir. Lidei com isso com a ajuda da minha avó por quase toda minha infância e adolescência. Entre internações em hospícios e minha mãe residindo conosco. Isso não foi nada fácil. Não que eu não gostava da minha mãe. Só não tínhamos uma relação. Era mais uma relação de amizade, como o pessoal da faculdade. E eu jamais teria que parar de viver minha vida, porque um amigo da faculdade está com problemas. O que eu poderia fazer pela minha mãe? Eu não era médica, não poderia curar o que não tem cura. E por mais que eu fizesse o que a família dela queria, isso não mudaria muita coisa, eu jamais seria capaz de ajudá-la sozinha. Tinha também a outra parte de mim que queria viver a vida e seguir em paz, que tipo de vida eu teria, enfiada em Delfinópolis, sem estudar, cuidando da minha mãe sem saber realmente como cuidar.

Era sábado, e eu estava muito triste com toda essa situação,estava carente, queria minha avó ou algum familiar que eu pudesse desabafar ou ter algum apoio, mas isso eu não teria.Júlia me enviou uma mensagem me chamando para dar uma volta.Por mais que eu não tivesse muita paciência para ela, eu ainda estava esperando para saber sobre o lance de outras vidas. Todos sabem que odeio gente no meu pé. Eu procuro quando eu quero e estou afim, mas Júlia era insistente tentava puxar conversa o dia todo, mesmo quando eu era grossa e seca. Eu demorava horas, dias para responder uma mensagem dela, não estava nem um pouco afim de ficar com ela, mas continuava respondendo, tudo pela minha maldita curiosidade.Esse era o único motivo que me fazia respondê-la.

Eu estava num momento de fraqueza, acabei optando por sair com ela, era melhor que ficar em casa remoendo todo esse drama familiar. Apesar de estar cercada de muitos "amigos", nós não conhecíamos muito bem a história de vida e os problemas um do outro. Conhecíamos superficialmente, mas não adentrávamos muito nisso. O que nos unia eram as festas, as pegações e o álcool. Além de não ter familiares para me apoiar com meus problemas, eu tinha apenas uma amiga que me escutava de verdade, e ela estava viajando. Desde que eu entrei pra vida louca, eu me afastei dos amigos que realmente se preocupavam comigo e me aproximei dos amigos festeiros, e quem vai querer escutar problemas dos outros numa festa? Ali eu sempre era a engraçada da turma, a good vibes e de bom humor, então não tinha como transparecer meus momentos ruins. Ela também disse que queria me levar em um lugar diferente, o que me ajudou a ter motivação para ir, eu era movida a curiosidade.

Enquanto ela entrava no carro eu rezava por dentro para ela não falar muito no caminho. Eu sabia que eu precisava de alguém naquele dia e não via meus "amigos" como uma possibilidade muito menos as minhas peguetes, então foi um outro grande motivo para aceitar sair com a ela. Ela não falou muito. Novamente me pareceu tímida e nervosa. Era óbvio que ela estava afim de mim. E eu jamais tocaria neste assunto, porque por mais legal que ela fosse comigo naquele dia, meu interesse por ela, era zero.

 

 

 


Notas Finais


Nota: Olá meninas, espero que estejam gostando do nosso livro!!

Ágatha Luz e euzinha Reina Kali queremos saber as histórias de vocês! Já passaram alguma situação parecida com nossas personagens Júlia e Mari? Contem pra gente!!!

contato: depoisdaquelebeijo

Insta: @depoisdaquelebeijo

Não esqueçam de colocar nossas história nos favoritos para não perderem nossas atualizações, estaremos atualizando sempre que tivermos um tempinho, e é muito importante para nós a divulgação do nosso primeiro trabalho,especialmente por ele contar sobre a nossa história pessoal!

Um grande abraço,

Reina Kali


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