História Depois do Café Eu Me Expresso - Capítulo 2


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Categorias As Provações de Apolo (The Trials of Apollo), Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Annabeth Chase, Apollo, Jason Grace, Nico di Angelo, Paolo Montes, Percy Jackson, Piper Mclean, Reyna Avila Ramírez-Arellano, Will Solace
Tags Jercy, Nico Di Angelo, Percabeth, Pipeyna, Solangelo, Wico, Will Solace
Visualizações 106
Palavras 1.048
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Pansexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


O nome do meu atraso é escola (ಥ﹏ಥ)

A música do capítulo: Mystery of Love, Sufjan Stevens

Capítulo 2 - Ultimato


Fanfic / Fanfiction Depois do Café Eu Me Expresso - Capítulo 2 - Ultimato

A tinta escura escorre pelo cabelo de Paolo, pintado na tela que, antes branca, agora está coberta por tons de preto, marrom, verde e amarelo. O tom escuro de sua pele. O castanho dos seus olhos. O preto de sua regata. A cicatriz em seu braço. O vermelho escuro de sua raiva. O vermelho vivo do seu amor. O vermelho morto. 

Mystery of Love começa, suave e confortante, preenchendo a sala, preenchendo a minha mente. A minha apreciação por Sufjan Stevens. Fecho os olhos, enquanto penso no que fazer em seguida, acompanhando a melodia da música com meu corpo. O dedilhar do violão. A voz suave e melódica. A palheta de tinta na mão, os pincéis descansando sobre a mesa de madeira, um deles entre meus dedos. O aroma de um incenso, canela e baunilha. A memória de Paolo circulando na minha mente, às vezes um abraço apertado, às vezes um punho fechado, direto no meu rosto. 

O vermelho do meu sangue. 

Oh, will wonders ever cease?  

Abro os olhos quando volto a pintar. Mexendo meus quadris no ritmo da música. O piso do ateliê sob meus pés descalços. O piso da minha casa sob meu rosto após ser empurrado contra ele. A maciez do colchão em seguida. A brutalidade de suas mãos. A suavidade de seus beijos. A dureza de suas palavras. O divertimento em seu sorriso. A seriedade de seu rosto pintado na tela. A culpa. A última pincelada.  

A última noite. 

A última vez. 

Paolo, sentado em sua cama, vestido com apenas uma boxer preta, pedindo-me para ficar, tentando me abraçar. As coisas seriam diferentes dessa vez. Ele seria melhor. Ele pararia de beber. Ele não me bateria mais. Ele me daria o mundo se me der o mundo fosse me fazer ficar. Ele me levaria para jantar num restaurante chique no dia seguinte, no Palace ou no di Ângelo, nos Estados Unidos ou em Paris, dinheiro não era um problema para ele.  

Não, Paolo, dinheiro não era um problema, o problema era você.  

O último beijo. 

Seu sorriso. 

Antes de me beijar, antes de me bater, sacana, sério, divertido, bêbado, bravo, amoroso, cheio de ódio. Lágrimas descendo pelo meu rosto, um pouco agora, todas as noites antes de dormir, depois de um pesadelo, depois de ser usado, abusado, esquecido, deixado no chão, sentindo dor. As lágrimas, nunca acompanhadas de ódio ou tristeza, apenas vazio, um sentimento sufocante e entorpecente que não consigo explicar.  

Blessed be the mystery of...  

O tempo acaba. A pintura. A música. O despertador me avisa que é hora de sair. São 22:45. A Big House está fechada. Quíron deve ter saído há algumas horas, deixando-me sozinho no último andar, não escuto nada vindo dos andares debaixo.  

Quíron. Meu chefe. Meu avô adotivo.  

O homem que cuidou do meu pai quando quem deveria fazê-lo estava ocupado demais com sua empresa e suas amantes para se preocupar com o próprio filho. O homem que cuidou de mim quando vim para Nova Iorque. O homem que fundou a Big House, onde eu trabalho, uma antiga e querida livraria no Brooklyn, conhecida por ser um refúgio para os amantes do passado, pela beleza estonteante de sua estrutura e pelo seu dono, Quíron Riordan, o famoso escritor de diversos romances e histórias de mitologia.  

A última obra de Quíron. Publicada há 04 anos.  

Velho demais para essas coisas, é o que ele dizia quando questionado.  

Eu discordava.  

Mystery of Love nos fones de ouvido. Ajeito o casaco antes de sair. O estojo dentro da mochila. A mochila nas costas. Arrumo meu cabelo no reflexo da janela de vidro. Cachos. Paolo me chamando. Paolo me puxando. Dor de cabeça. Olhos cansados. Saudade.  

Apollo.  

Meu peito aperta de saudade quando penso na minha família. Apollo, meu pai, sua risada escandalosa, sua personalidade calorosa e sempre otimista, alegrando todos ao seu redor apenas por estar presente, seu marido, Jacinto. A filha deles, Meg, adotada no ano passado, Kayla, filha de Jacinto e sobrinha preferida da tia Ártemis, o tio Hermes e sua esposa, Héstia, o tio Dioniso, até mesmo Hera e meu avô, Zeus, que aparecem uma vez por ano para dar um presente caro para cada um, causar uma discussão e sumir do mapa. 

E Daisy, claro. 

Meus pensamentos sempre voltam para Daisy. Sorrio ao pensar nela. Seu cabelo escuro, sua pele clara, seu sorriso, sua voz, seus olhos, tantas semelhanças, tantas memórias. A última vez que eu a vi. Me sinto sufocado. Saudade. Vontade de chorar. Olho para a casa atrás de mim mais uma vez antes de sair. A última vez. Tentando deixar o meu passado para trás por um momento para que eu não comece a chorar no meio da rua, olhando para o presente, seguindo em frente, como ela queria que eu fizesse. 

As últimas palavras.  

A casa grande e antiga de três andares, a Big House, onde os cômodos do primeiro andar foram desfeitos e paredes foram quebradas para abrigar obras empoeiradas e novas em folha, plantas por todo canto de dentro para fora, poltronas, sofás, mesas, estantes de madeira e escadas. O segundo andar, o escritório do dono da Big House, um senhor simpático, sábio e bondoso chamado Quíron, e um depósito. O último andar, uma pequena sala de descanso, uma cozinha, o banheiro, e o ateliê de um artista em pedaços.  

Artista. Jovem. Solitário. Sinta-se à vontade para chamar como preferir. Quebrado. Depressivo. Garoto. Moço. Andando pelas ruas do Brooklyn onze horas da noite de uma sexta-feira. É feliz, só que as circunstâncias da vida não ajudam, então ele não está feliz agora, talvez nem seja mais uma pessoa feliz, mas costumava ser, deveria ser, deveria estar em uma festa ou um bar, tem apenas vinte e quatro anos, deveria estar saindo com os amigos, entretanto, sua melhor amiga é um frasco de remédios tarja preta e o único bar que ele tem em muitos anos é uma cafeteria chamada After Coffee perto do loft onde ele mora.  

O loft vazio.  

O loft vazio de um artista jovem e solitário.  

Quebrado. Depressivo.  

A cafeteria está vazia quando ele entra, tirando a atendente conhecida, uma senhorinha chamada Marta, que sempre está naquele horário bebendo um café latte com baunilha sem açúcar e fazendo tricô, e um grupo de três amigos, um deles segurando vela. Ele prefere quando ela está vazia, por conta disso costuma vir ou muito tarde ou muito cedo. O cheiro de café. O som baixo. Blessed Be The Mystery of Love. A tranquilidade. O refúgio. O refúgio do artista. O refúgio do namorado. Ele apenas queria ser melhor, ser como antes, feliz, desinibido, extrovertido, menos ferrado. Menos Will. Menos Eu.  

Eu.  

Eu, perdido em uma cafeteria no Brooklyn, um caderno de desenho na mesa, um lápis, uma borracha, esperando meu cappuccino  e meu croissant de chocolate veganos.

Blessed Be The Mystery of Love. 


Notas Finais


Paolo, bebê, meu amor, querido da minha vida, desculpe ter te tornado um vilão nessa história, mas era necessário, só que eu te amo, todos te amamos, o Apollo te ama.

Beijos do Apollo procê ヾ(⌐■_■)ノ♪


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