História Depois do fim - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Daniel, Marian, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Vovó (Granny), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Lana Parrilla, Once Upon A Time, Outlaw Queen, Outlawqueen, Regina Mills, Robin Hood, Sean Maguire
Visualizações 227
Palavras 4.891
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Heey bolinhos,
Como vocês estão??
Bom, aqui estou eu, com mais um capitulo fresquinho procês.
Antes de irmos a ele, tenho um agradecimento a fazer: obrigada a todos que estão lendo essa historia.
Obrigada a todo mudo que comenta, ou que vem falar comigo no twitter/whats. Vocês sao realmente incriveis, e cada palavra de carinho que eu recebo enche meu coração de alegria!
Sobre o capitulo, nao tenho muito dizer, apenas espero que vocês gostem!!
Boaa leitura a todos e me desculpem por qualquer erro :)

Capítulo 12 - Um convite inesperadamente inesperado


"Mudanças são difíceis. Aceitar mudar, sair de seu casulo cotidiano, daquilo que conhece e pensa ser seguro, nunca é realmente simples.

Mudar exige que você esteja pronto, que aceite tentar, mesmo que não saiba exatamente o que te espera do outro lado daquela ponte incerta.

Quando você muda, ou aceita dar o primeiro passo para que uma mudança aconteça, tem que estar preparado para o fato de que as coisas nunca mais serão do jeito como você as conhece. Nada será como antes, e você também não será a mesma pessoa.

Existe um ditado na filosofia, um conceito na verdade, que diz que se você pular em um rio, sair das aguas, voltar meio segundo depois e pular lá de novo, não será a mesma coisa de quando você pulou a primeira vez.

O rio não será mais o mesmo, ele terá sido modificado por você, e o mesmo irá te acontecer. Você também não será o mesmo de quando pulou lá, terá sofrido mudanças pelas águas do rio, mesmo que demore para se dar conta disso, ou que talvez nem chegue a perceber, as mudanças estarão lá.

A vida é como esse rio. O destino é como as água que seguem seu curso, independente de nossa vontade.

Mudanças acontecem. Elas passarão por você, independente da sua vontade. Como um bonequinho de barro, você será moldado pelas águas, e terá que aceitar que isso aconteça, acompanhar as mudanças, antes que ela acabem por arrasta-lo.

Não se preocupe, nada será como antes, e sabe, essa é a melhor parte.”

Flashback on

Washington, três dias antes

O computador estava ligado já algum tempo. Na tela, uma página em branco parecia encara-la como se a desafiasse a tocar em uma tecla que fosse. Seus dedos estavam ali, a postos, suspensos sob o teclado negro, esperando apenas um comando seu para começarem com a mágica que há tanto tempo ela conhecia os truques.

Diferente do que geralmente acontecera quando estava sentada ali, naquela mesma posição, as palavras pareciam não estar mais em sua cabeça, apenas esperando o momento de mancharem de negro o alvo da tela do computador.

Não havia palavras, apenas silêncio, e a mente da morena voava para longe, para o passado saudoso, para o futuro incerto e vazio...era difícil para ela se concentrar naquele presente, tão distante do que um dia imaginara para si.

Finalmente, depois do que lhe parece ser uma verdadeira eternidade, mas que provavelmente foi composta por apenas alguns segundos, as mãos dela se afastam do teclado, caindo uma para cada lado da mesa, provocando um pequeno barulho de frustração, e um suspiro irritado escapa de seus lábios.

Não adianta. Ela não consegue escrever. Parece que perdeu o dom, perdeu a receita de como fazer para as palavras saírem, simplesmente não consegue mais se encontrar em meio às curvas daquele labirinto.

Aquela é o que, a quarta vez que ela tenta escrever alguma coisa aquela semana? No inicio, Regina acreditara que só precisaria de um ou dois dias para colocar as coisas em ordem. Quando todo o álcool que havia ingerido finalmente deixasse seu corpo, ela estaria pronta para tentar de novo. Ou pelo menos fora isso que ela pensara.

Já fazia quase quatro dias desde que vira Robin pela ultima vez, e ainda assim, a lembrança daqueles olhos azuis não saia de sua cabeça. Desde o jantar que tiveram, ela decidira que chegara a hora de parar com todo aquele martírio. Estava na hora de recomeçar, de tentar de novo.

Sim, a dor ainda estava ali. Durante todos aqueles dias em que não tivera o conforto do álcool para ajuda-la a esquecer, a dor da perda estava mais presente do que nunca. Quando encostava a cabeça no travesseiro, as lágrimas já estavam ali, inundando seus olhos, impedindo-a de enxergar com clareza o que havia a sua volta, e não, ela não conseguia se impedir de chorar.

Ainda assim, os dias estavam se tornando mais suportáveis. Ela não bebera mais, estava realmente tentando.  Por isso estava ai, sentada na frente do computador, esperando que as palavras viessem. Escrever era parte de quem ela era, uma parte essencial, e se ia se reerguer, tinha que começar por algum lugar.

Ela estava tentando, mas como a maioria das coisas que acontecia em sua vida ultimamente, parecia que nada estava dando muito certo. Encarar aquela tela em branco a estava deixando nervosa, irritadiça.

Droga. Porque tudo tinha que ser tão difícil?

Essa pergunta martelava em sua mente, e a morena abaixou a tela do computador, com um pouco de força demais. Estava frustrada e irritada. Só queria que as coisas voltassem a ser como eram. Só queria poder ser a Regina de antes.

Seus olhos pararam no celular que estava a pouca distancia do computador. A tela estava tão negra quanto o breu da noite, não havia novidades. Por um louco segundo, ela considerou pega-lo e discar o numero de Robin. O que será que ele estaria fazendo aquela hora?

Desde que haviam se despedido na porta de sua casa alguns dias atrás, ela não tivera mais noticias dele, e por mais que não quisesse admitir nem para si mesma, aquela distancia há incomodava um pouco. Robin a ajudara muito, e a verdade era que ela começava a sentir falta daqueles mares tempestuosos que eram os olhos dele.

Quase de forma inconsciente, automática, a mão da morena se aproximou do telefone. E se ela ligasse e o convidasse para almoçar? O máximo que poderia receber era um “não”, e bom, sua vida já estava tão cheia de coisas que lhe eram negadas que uma recusa a mais não faria diferença.

Sim, era isso. Iria ligar para Robin, saber se o fotografo tinha tempo para um almoço entre amigos. Estava mesmo precisando de companhia, e talvez uma hora ou duas de distração e boa conversa pudessem enfim ajuda-la a desanuviar a mente. Quem sabe quando voltasse ela não pudesse tentar escrever de novo?

Com esse pensamento em sua mente, a morena fechou os dedos frios sob o aparelho, mas um barulho de porta se fechando a fez afastar a mão antes de chegar a retira-lo da mesa. – Regina?- a voz de Daniel chegou aos seus ouvidos, vinda do hall de entrada da casa, e por um instante, ela prendeu a respiração. O que seu quase ex-marido estaria fazendo ali afinal? Ele fora bem claro quando dissera que queria distancia dela....

Por um segundo, tudo ficou em silêncio de novo, e a morena se perguntou se não estaria imaginando coisas. Por que Daniel voltaria ali depois da discussão horrível que haviam tido? Mas então, antes que qualquer resposta plausível pudesse surgir à voz dele voltou a invadir seus ouvidos. – Regina? Você está ai?

Antes que o eco das palavras desapareça, a morena já está de pé, caminhando em direção à porta do escritório. – Daniel, o que você está fazendo aqui? – a pergunta escapa de seus lábios assim que ela o vê, parado ao pé da escada, segurando um envelope pardo em suas mãos.

Daniel não diz nada no primeiro momento, apenas a encara, e a expressão em seu rosto é impassível, distante, quase fria. Tentando ignorar o quanto aquele olhar desprovido de emoção a machuca, Regina continua seu caminho, atravessando uma pequena parte do corredor e descendo os degraus da escada, ainda buscando entender qual o real motivo daquela visita.

Quando faltam três degraus para que eles estejam no mesmo patamar, o advogado consegue recobrar sua fala, e as palavras que deixam sua boca saem em um tom ligeiramente duro. – Nós precisamos conversar. – diz, sem encara-la nos olhos.

Regina parecia bem. Bem melhor do que a ultima vez que a vira, quando ela saíra correndo no meio da rua. Havia olheiras em volta dos seus olhos, e ele se perguntou se ela ainda estaria tendo dificuldades para dormir.

Apesar das olheiras, Regina não aparentava estar sobre efeito de álcool. Ela parecia realmente bem, parecia estar realmente se reerguendo.

Este pensamento não teve muito tempo de se formar em sua mente antes que a fala da morena, dura e inflexível, a fizesse evaporar. – Achei que você tinha dito que não havia mais nada para conversarmos. – foram às palavras dela, que curvou os braços em torno do corpo, assumindo uma postura de autoproteção.

- Temos que resolver nossa situação, decidir o que vamos fazer. – responde o moreno, tentando ao máximo manter um tom de voz neutro. Não queria discutir com ela de novo, já estava ficando farto de todas aquelas discussões.

- Achei que você já tivesse decidido isso por nós dois, afinal, foi você mesmo quem deixou os papeis do divorcio aqui para que eu assinasse. – o tom da voz dela era baixo, e Regina não conseguia encarar Daniel nos olhos, não queria ver a decepção que deviam agora habitar aqueles olhos, por isso, olhava para os seus braços, respirando devagar e se esforçando para manter a pose apesar de naquele momento sentir uma vontade imensa de desabar. Pensar no fim de seu casamento era doloroso demais.

- Papeis que você não assinou e ainda foi fazer um escândalo em frente ao meu trabalho. – responde Daniel, percebendo naquele instante que não, eles não teriam mais uma chance. A história deles estava terminada, porque ele simplesmente não aguentava mais lidar com ela.

- Ah...então agora a culpa de você estar aqui é minha, porque eu não assinei a porcaria dos papeis? – o tom de Regina não continha mais nenhuma nota de controle, e sua voz saiu alta e irritada. – Diga Daniel, o que você realmente veio fazer aqui? Tripudiar? Eu não achava que você jogasse tão baixo assim. – completou, uma raiva que ela não sabia estar sentindo subindo para sua garganta.

Quem Daniel pensava que era? Ele já não tinha se decidido pelo divorcio, sem nem ao menos lhe dar a chance de tentar concertar as coisas? Porque agora estava ali, com aquele envelope e suas palavras duras? Queria apenas verificar o estado no qual ela estava ou viera apenas para causar-lhe ainda mais sofrimento?

As perguntas borbulhavam na mente de Regina, e ela finalmente tomou coragem e subiu o olhar, encarando os olhos de Daniel, que continuava em silencio, como se estivesse pensando no que iria dizer. – Vamos Daniel, diga. O que está fazendo aqui? – questionou, mantendo um tom gélido em sua voz apesar da tristeza que a acometia.

O moreno suspira, perdendo a pouca paciência que ainda lhe restava. – Seja razoável Regina, vai ser melhor para todo mundo se você assinar logo esses papeis. Ai cada um de nós poderá seguir com suas vidas e....- Daniel não chegou a completar a frase, sendo interrompido pelas palavras de Regina. – E você poder ir correndo pros braços daquela advogadazinha songa monga. – esbravejou, referindo-se a Belle.

A lembrança do dia em que os vira juntos invade sua mente, e a morena sente os olhos queimarem, as lagrimas se acumulando. Não. Ela não iria chorar na frente de Daniel, não ia mostrar o quanto aquela história ainda a afetava.

- Não é nada disso Regina. Belle não tem nada a ver com isso. Nossa história acabou, não dá para continuarmos com isso, você sabe que eu tenho razão. Eu não posso mais...- Daniel interrompeu sua própria fala, preocupado que o que iria dizer só colocaria mais lenha na fogueira daquela discussão, e ele queria acabar de uma vez com aquele assunto, queria conseguir seguir em frente.

- Você não pode mais lidar comigo, não é Daniel? É isso que você ia dizer. Que não quer mais lidar comigo, porque uma mulher cheia de problemas emocionais atrapalhava sua vida perfeita. – disparou à morena, a raiva e a tristeza estampando cada uma de suas palavras.

Sim, sua história com aquele homem chegara ao fim, quanto antes ela aceitasse isso, melhor seria. Seu olhar se direcionou para o envelope, e antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ela voltou a falar, lutando para manter a voz firme apesar do nó que se formara em sua garganta. – São estes os papeis? Você tem uma caneta ai?

Ligeiramente surpreso ela reação da morena, Daniel também olhou para o envelope pardo em suas mãos antes de responder. – Sim, são estes. Mas antes de assinar, queria conversar com você, explicar quais são os termos....- falou, ligeiramente inseguro.

Antes de decidir ir à casa de Regina, ele se preocupara com as possíveis reações que ela teria, e começara a pensar em como faria para que ela finalmente assinasse aqueles papeis. Em nenhuma das hipóteses que elaborara em sua mente, entretanto, ele pensara que seria assim, tão fácil.

Preparara-se para um escândalo, uma verdadeira tempestade, mas não para a calmaria e condescendência que estava recebendo. O que havia mudado em tão poucos dias para que Regina tivesse uma reação como aquela?

- Não me importam os termos Daniel. Vamos acabar logo com isso. – respondeu Regina, a impaciência perceptível em cada palavra que ela pronunciava. Sua cabeça estava começando a doer, e tudo que ela queria naquele momento era ficar sozinha para deixar que suas lágrimas fluíssem livremente.

- Mas Regina, você não quer saber qual é o acordo? Não quer saber o que pensei em fazermos com a casa? – questionou Daniel, atônito com a pressa que sua quase ex-esposa parecia ter em terminar logo aquele assunto.

Naquele momento, os olhos de Regina se ergueram do envelope para Daniel, e o moreno pode ver as lágrimas que se acumulavam ali, e sentiu uma pontada atingir-lhe o coração. Não importava o quanto à situação deles estivesse complicada, ele nunca fora muito bom em lidar com as lágrimas dela. Ele abriu a boca, prestes a dizer alguma coisa, talvez uma palavra de consolo, mas ela não lhe deu chance, mantendo um tom de voz gélido e firme apesar do choro que ameaçava despencar a qualquer momento.

- Nada disso me importa Daniel. Pode ficar com a casa se quiser, não quero nada disso. – disse simplesmente, pegando o envelope das mãos dele e se dirigindo a sala, onde sabia que encontraria uma caneta perto do bloquinho de bilhetes.

Ela ouve os passos dele atrás de si, mas não se vira, não tem coragem de encara-lo agora. – Estou deixando a casa com você Regina. – diz o moreno, esperando que aquelas palavras possam servir de algum consolo para ela, esperando que consiga tirar alguma reação dela que não seja raiva.

Regina não responde. É claro que a noticia de que ficará com a casa não deixa de ser boa, afinal ela não teria que procurar outro lugar para morar, mas, ainda assim, a assinatura daqueles papeis significava o termino de um ciclo. Significa o fim definitivo de seu casamento, e ela ainda não sabia direito como lidar com isso, não sabia muito bem o que pensar, e casa nenhuma aplacaria aquela confusão que se instalara em seu interior.

Sem encontrar nada para dizer, a morena simplesmente ficou em silêncio, abriu o envelope pardo e assinou as folhas indicadas. Ficou de costas para Daniel enquanto fazia isso, e quando se virou, os papeis já estavam guardados no envelope novamente. Seus olhos encontraram os dele novamente, e ela estendeu o amontoado de folhas na direção dele. – Pronto. Agora você está oficialmente livre de mim, pode seguir em frente com sua vida perfeita. – disse simplesmente.

Não haviam mais lágrimas em seus olhos e a postura dela era fria. Daniel abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Regina foi mais rápida. – Agora, já que não temos mais nada para conversar, você, por favor, me dê licença. Quando sair deixe a chave na mesinha, você não mora mais aqui.

Aquelas foram as ultimas palavras dela para ele, e antes que Daniel pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, Regina colocou o envelope em suas mãos e saiu da sala, subindo a escada de dois em dois degraus, querendo se afastar daquela história toda o mais rápido que pudesse.

Ela não consegue chegar nem ao meio da escada antes que seus olhos estejam cheios de lágrima, que agora, sem plateia, executam sua dança belamente coreografada por seu rosto. Seu corpo tomba na cama quando ela chega ao quarto, e quando seu rosto já está afundado no travesseiro, escuta a porta da frente bater, anunciando a saída definitiva de Daniel de sua casa, e principalmente, de sua vida.

Flashback off

O barulho do chuveiro já estava alto quando ele decide sair do quarto de Regina. Desçe as escadas e chega a sala, onde encontra uma garrafa de vinho quase no fim e uma taça cheia pela metade. Então deveria ser ali que Regina estava quando eles se falaram por telefone.

Ela parecia tão desnorteada, tão sem chão quando ele chegara...vê-la assim cortara  o coração dele, o atingira mais do que ele conseguia admitir até para si mesmo. Esperando que ela estivesse bem lá em cima, o loiro recolhe a garrafa e a taça do chão, e se dirige a cozinha.

Depois de lavar a taça e jogar a garrafa no lixo, Robin para um instante no meio da cozinha, imaginando onde estará guardado o pó de café. Abre dois armários, mas em um há panelas, e no outro, produtos enlatados, nada de café. Por fim, tudo que ele encontra é uma caixinha com chá de camomila, e resolve que o chá terá que servir, ao menos por hora.

Quando a água já está fervida e o saquinho de chá já está dentro da caneca, Robin decide subir para ver como Regina está. Aquela altura ela já deve ter terminado de tomar banho, e ai sim, eles poderão conversar e ele vai poder entender o que realmente aconteceu.

- Regina? – perguntou, batendo na porta antes de entrar. O barulho do chuveiro já havia parado, então Robin ficou parado na porta, esperando que ela dissesse que podia entrar.

Um momento de silêncio se passou, e o loiro começou a se perguntar se alguma coisa havia acontecido com a morena. – Entra. – foi à única palavra que ela lhe dirigiu, e Robin empurrou a porta, encontrando a morena sentada na ponta da cama, parecendo extremamente abatida.

- Como se sente? – pergunta o loiro, que se aproxima a passos rápidos e se senta ao lado de Regina, entregando-lhe a caneca de chá. – Desculpe, não consegui encontrar o café. – diz, quando ela olha para a caneca com uma expressão de interrogação.

- Péssima. – responde Regina, levando a caneca de chá aos lábios e tomando um gole da bebida quente que há ali dentro. – Nós precisamos parar com isso. – diz baixinho, erguendo os olhos para encarar o azul tempestade dos olhos do fotografo.

- Parar com o que? – a pergunta dele sai quase no mesmo tom sussurrado que a fala dela, os olhares conectados e as respirações se misturando. Estão muito próximos, e Robin sente seu coração bater um pouco mais rápido com toda aquela proximidade.

- Com esse ciclo vicioso. Eu fico mal, acabo bebendo demais e você vem ao meu socorro, sempre disposto a me ajudar, a me entender. – responde à morena, com uma voz fraca. Sua cabeça estava pesada e seus olhos começavam a se fechar. Ela estava tão, mas tão cansada...

O loiro a olhou por um instante, percebendo o cansaço que a dominava, e decidiu que aquele não era um bom momento para que eles conversassem sobre aquele tal “ciclo vicioso” ao qual ela acabara de se referir. – Você precisa descansar Regina. Tente dormir um pouco, depois nós conversamos com calma. O que acha? – perguntou, em um tom de voz delicado que não dava muitas margens para recusas.

Regina estava prestes a protestar. Queria agradecer a Robin por ter ido em seu socorro. Queria contar o que a tinha feito ficar daquele jeito. Mas ao mesmo tempo, tudo que ela queria era encostar a cabeça no travesseiro e fechar os olhos por algumas horas. Sem responder, a morena tomou o restante do chá em sua caneca, sentindo o liquido aquecer sua garganta, e entrega a caneca para Robin. – Obrigada. Obrigada por tudo. – diz simplesmente, sabendo que o restante das palavras terá seu tempo depois que ela tiver descansado.

- Não á nada para agradecer milady. – respondeu Robin, abrindo um fraco sorriso enquanto a ajudava a se levantar e puxava as cobertas da cama. – Sente-se melhor? – perguntou em seguida, quando a morena já estava deitada e ele puxou as cobertas por cima do corpo dela.

- Vou ficar. – foi à resposta de Regina, que aquela altura já estava de olhos fechados, entregando-se ao sono que a dominava. Antes que o fotografo tivesse terminado de fechar a porta, ela já havia adormecido por completo.

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Os olhos castanhos se abriram para o quarto escuro, e levou alguns segundos para que Regina entendesse o que realmente estava acontecendo. O rosto de Robin surgiu em sua mente, e junto dele, imagens misturadas de uma garrafa de vinho e uma taça cheia.

Sua cabeça está doendo, um reflexo dos excessos da bebida, e junto dessa dor, a morena sentiu seu estomago se contrair. Estava morrendo de fome. Como se seus pensamentos fossem ouvidos, ela ouviu o barulho da porta da frente se fechando e um cheiro de pizza parece subir pela escada, chegando até seu quarto, que está com a porta entreaberta.

Robin coloca a pizza em cima da mesa da cozinha, imaginando se deveria subir e chamar Regina ou esperar que ela acorde sozinha. A morena já está dormindo a muitas horas, mas ele sabe que ela realmente precisava descansar. Enquanto esse dilema ocupa a mente do loiro, ele começa a arrumar a mesa para o jantar que no seu caso seria mais um almoço-janta, já que ele não havia comido nada antes de ir fotografar o memorial de Martin Luther King e depois fora direto para a casa de Regina.

Concentrado em seus pensamentos e em seus afazeres, o fotografo demora a perceber a presença de Regina, que desceu do quarto e agora está ali, escorada na porta, observando-o em silêncio. Um pequeno sorriso brota em seus lábios, e ela se pergunta como alguém que mal conhece pode se preocupar tanto com ela.

Depois de tudo que acontecera em sua vida nos últimos meses, a verdade é que ela já não está mais acostumada a ser o motivo da preocupação de alguém. Muito pelo contrario, já estava se acostumando com o fato de que ninguém mais se importava com o que lhe acontecia.

Quando Robin passa com os talheres do balcão da cozinha para a mesa que está arrumando, seus olhos esbarram na figura de Regina, e ele para no meio do caminho, o azul de seus olhos se chocando com o castanho que habita as orbes dela.  O meio sorriso ainda está preso nos lábios dela, e o loiro não consegue se impedir de sorrir também.

- Como se sente? – pergunta, depois de alguns segundos, ainda parado no mesmo lugar, seus olhos fixos nos dela. – Estou um pouco melhor, obrigada. – responde Regina, que caminha na direção do fotografo, e tira os talheres de sua mão, arrumando-os na mesa. – Estou morrendo de fome. – completa, sentando-se na mesa e abrindo a caixa de pizza, o cheiro que sai dali fazendo seu estomago se contrair por conta da fome.

- Confesso que eu também estou com fome. – as palavras de Robin saem em um tom meio alegre, e ele não consegue negar o alivio que o invadiu ao ver que ela realmente parecia um pouco melhor do que quando chegara ali. – Eu não sabia quais sabores de pizza você gostava, então acabei pedindo os meus favoritos, Peperoni e Quatro Queijos. – termina, sentando de frente para ela na mesa.

- Estes estão ótimos Robin, obrigada por ter pensado em um jantar. – responde a morena, pegando uma fatia da pizza de peperoni e colocando em seu prato.

- Não tem que agradecer nada. Agora...que tal você me contar o que foi que aconteceu para deixa-la naquele estado? – questionou o loiro, pegando uma fatia da pizza de Quatro Queijos e colocando em seu próprio prato.

Um suspiro escapa dos lábios da morena, e ela desvia os olhos dos de Robin, baixando-os para o seu próprio prato antes de responder. Quando fala, sua voz é baixa e em um tom de desalento. – Meu casamento acabou de vez Robin. Assinei os papeis do divorcio. A única pessoa que restava em minha vida foi embora, e...depois que isso aconteceu, eu me senti tão sozinha. Eu estraguei tudo. Acabei com tudo de bom que havia em minha vida. Minha mãe, minha irmã, meu marido, até meu bebê, foram todos embora.

Regina parou de falar por um instante, e sentiu seus olhos se encherem de lágrimas de novo. Droga, se tudo ia embora de sua vida, porque as lágrimas também não podiam ir? Mas não, lá estavam elas de novo, fazendo seus olhos arderem.

- Ei...não, nada disso. Você não estragou nada. As coisas aconteceram assim por conta de um acidente. Você não tem culpa de estar sofrendo Regina, e se seu marido a amasse de verdade, era ele quem deveria estar aqui agora, te ajudando a melhorar. – no instante em que essas palavras saíram da boca de Robin, ele se arrependeu das palavras ditas. Não sabia o que havia acontecido entre a morena e seu marido, não tinha o direito de julgar nada.

Regina continuou em silêncio, e o loiro aproveitou aquela oportunidade para tentar remediar suas palavras, não queria que ela ficasse chateada com o que havia dito. – Olha Regina, eu não posso julgar, não sei o que realmente aconteceu entre vocês, mas...talvez, tudo que você precise seja uma mudança. Talvez sair daqui por algum tempo, respirar novos ares....- começou, sua voz saindo em um tom ligeiramente incerto.

- E para onde eu iria Robin? Não tenho destino nem companhia, e não sei se na minha situação seria aconselhável viajar sozinha...- respondeu a morena, um pouco incerta.

Sim, é claro que viajar lhe faria bem. Pelo menos poderia sair daquela casa cheia de lembranças, mas o problema era que ela não se sentia pronta para deixar tudo para trás, pelo menos não sozinha.

- E quem foi que disse que você iria sozinha? – questionou o fotografo, cujo cérebro começava a trabalhar em uma ideia que, se desse certo, poderia acabar ajudando a nós dois.

Ao ouvir aquelas palavras, os lábios de Regina se curvaram em um sorriso incrédulo. – E quem iria me acompanhar em uma aventura assim Robin? Eu estou sozinha. – respondeu, em um fio de voz, voltando a se concentrar em sua fatia de pizza.

- Eu vou com você. – falou o loiro, antes que a coragem sumisse. – Vamos tirar alguns dias, quem sabe uma cidadezinha do interior? Depois de tudo que passamos, acho que nós dois precisamos de um tempo longe daqui. Então...o que me diz? – perguntou, espetando com o garfo o ultimo pedaço de pizza que ainda restava em seu prato e levando-o a boca.

Regina mal podia acreditar no que estava ouvindo. Sim, Robin a havia ajudado muito. Ficara com ela no momento em que o mundo todo parecia ter-lhe virado as costas. Era gentil e atencioso, com toda certeza uma boa companhia. Eles haviam sido colegas de classe, e ela sentia que poderia confiar nele. Mas dai a viajarem juntos? Assim, às pressas, sem nenhum tipo de planejamento? Além do mais, ele tinha sua vida, seu trabalho...estaria mesmo disposto a largar tudo para tirar uns dias de férias e ajuda-la? Robin já havia feito muito por ela, não seria justo pedir que fizesse mais isso.

- Robin, eu agradeço o convite, mas...não posso atrapalhar a sua vida aceitando que vá comigo. E o seu trabalho? – questionou a morena, recebendo em resposta um aceno com a mão que mostrava insignificância.

 – Não tenho nada muito serio programado para estes dias, e os que tenho posso pedir para alguém me cobrir. Além do mais, desde que me separei que estou querendo dar um tempo dessa cidade, só que, assim como você, não queria ir sozinho. Então...aceita me fazer companhia? – perguntou o fotografo, de repente se dando conta do quanto queria que a resposta dele fosse sim.

Enquanto fazia aquela pergunta, Robin estende a mão sobre a mesa, à palma virada para cima, um claro convite que não precisava de palavras para complementa-lo. Os olhos castanhos se dirigiram para a mão estendida, e a morena pareceu pensar por um instante.

O que realmente a prendia ali? O que a segurava naquela casa, naquela cidade? Não lhe restara família, e seu casamento estava definitivamente acabado. Ela não tinha projetos ou emprego...o que a prendia então?  Ela vasculhou a mente atrás de uma resposta, mas não encontrou nada. Apenas o vazio. Uma página em branco, de uma história nova, sobre a qual ela não sabia absolutamente nada.

Regina está prestes a responder, mas Robin a interrompe, lançando seu ultimo argumento. – Nós dois precisamos de umas “férias do mundo”. Você talvez até mais do que eu Regina. Se dê esse tempo, eu não duvido que te fará bem. – disse, e com aquelas palavras, ganhou a atenção das galáxias castanhas dela de volta ao encontro do seu olhar.

A mão da morena se encaixou na do fotografo, e seus olhares continuaram conectados, como se um imã os atraísse um para o outro. – Tudo bem, eu aceito. Vamos tirar nossas “férias do mundo”. – respondeu Regina, abrindo um pequeno sorriso na direção do homem a sua frente, que abriu um imenso sorriso de covinhas ao ouvir aquela resposta. 


Notas Finais


E então...o que acharam??
Deixem um olá pra mim, eu amo ler as opiniões de vocês estão achando da história!
Twitter da fic, caso queiram falar comigo por lá > @Escarlate_JCM
Espero que tenham gostado!!
Beijooos e até o proximo capitulo!


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