História Depois do fim - Capítulo 25


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Daniel, Marian, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Vovó (Granny), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Lana Parrilla, Once Upon A Time, Outlaw Queen, Outlawqueen, Regina Mills, Robin Hood, Sean Maguire
Visualizações 168
Palavras 4.579
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Heey bolinhos,
Como vocês estão??
Sei que demorei um pouquinho pra voltar, e peço desculpas por isso, tentarei ser mais rápida da próxima vez, especialmente porque acho que vocês vão querer me matar pelo que há nesse capitulo.
De qualquer forma, antes de irmos a ele, quero agradecer.
A historia chegou aos 93 favoritos, e eu não poderia estar mais feliz!!
Muuuuito obrigada por tudo, vocês são incríveis!!
Prometo responder a todos os comentários do capitulo anterior o mais rápido que puder (me desculpem pela demora!).
Espero que vocês gostem do capitulo!
Boa leitura e me desculpem por qualquer erro :)

Capítulo 25 - Cacos ao chão


“Errar é intrínseco ao ser humano.

Todos nós erramos no decorrer da nossa vida.

Erramos por excesso ou por falta. Erramos mesmo, e talvez, principalmente, quando estamos querendo acertar.

Alguns dizem que o ser humano é uma junção nada equilibrada de erros e acertos, um acúmulo de aprendizados. Particularmente, não acho que esse seja um raciocínio errôneo, embora, em certas épocas de minha vida, tudo que eu encontrava quando olhava para mim fosse apenas os erros.

Sabe, teve momentos em que eu pensei não ter sobrado nenhum acerto do qual eu fosse digna ou capaz. Eu me aceitei como um grande erro ambulante, e honestamente, ainda não consegui chegar à conclusão se sou ou não esse amontoado de decisões conflituosas.

A questão agora nem é tanto o erro, mas sim o que vem depois que ele já aconteceu, quando não pode mais ser desfeito, embora muitas vezes seja justamente isso que queremos que aconteça.

Sim, eu sei que é muito mais fácil querer que o erro nunca tenha acontecido do que ter que aprender a lidar com ele. Falo por experiência própria de alguém que lida com o peso de muitas decisões erradas, ou mesmo precipitadas, que já tomou na vida.

É claro que em muitos dias, tudo que eu quero é desfazer os gestos e palavras que ficaram para trás. É claro que eu queria não ter permitido que você saísse pela porta a fora naquele dia de chuva. Claro que eu queria ter prendido você junto de mim e não soltado mais. Mas querer todas essas coisas, de maneira quase inconsciente e a todo o tempo, não apaga o que realmente aconteceu, não apagam meus erros.

Sim, eu errei muito. Errei com você e comigo, errei com nós dois, e agora, que já não tenho seus conselhos para me guiar os passos, cada dia é uma nova luta que tenho que enfrentar, comigo mesma e com o mundo.

Não é fácil reconhecer que cometeu um erro, mas a partir do momento que este reconhecimento acontece, abre-se a porta para algo infinitamente mais complicado, que a maioria das pessoas não costuma pensar até ter que lidar com isso. Uma simples pergunta, que a depender do erro cometido, parece não ter resposta alguma. “E agora?”

Agora, eu torço para que ainda haja tempo para que eu possa consertar as coisas, para consertar tudo.

Agora, sentada nessa cadeira desconfortável e dura a mais tempo do que posso contar, escrevendo palavras para tentar entender o que me parece incompreensível e completamente confuso, tudo que eu espero é que ainda haja tempo, que nós ainda tenhamos tempo.

Sim, eu sei que errei, errei muito, e o peso destes erros faz meus ombros se encurvarem como ombros de uma senhora idosa, doloridos e cansados.

Sim, eu sei que não fui nem um pouco justa, e que esbravejei antes de ouvir. Criei uma tempestade, e você acabou sendo engolido por ela.

Hoje, escrevendo em um caderno ao invés de falar olhando em seus olhos, tudo que eu posso pedir é pela benevolência do tempo.

Hoje, peço seu perdão por todos os meus erros, mesmo que nesse momento não possa ouvir uma resposta sua.

Hoje, eu acredito que amanhã possa ser um dia melhor, quem sabe com alguma mudança nesse estado estagnado no qual nos encontramos no momento.

Eu espero ainda ter o direito de pedir uma chance.

Não sei se você pode me ouvir, mas se a resposta for sim, por favor, me escute com atenção. Sei que não tenho o direito de pedir nada, mas estou pedindo por nós dois, estou pedindo por mais uma chance”.

 A mensagem parece pulsar da tela, uma estrela supernova, brilhante e abrasadora, que chega para ofuscar tudo ao seu redor. Os olhos castanhos se inundam como em uma enchente, enchendo-se de água, e logo as letras que aparecem na mensagem se embaralham, tornando-se uma confusão incompreensível, um borrão distorcido.

O corpo desaba no chão, uma das mãos cobrindo a boca enquanto a outra continua a apertar o telefone celular, com tanta força que poderia acabar quebrando. Sua mente está um turbilhão, ela não consegue formular uma única frase completa, é como um estado de choque, as palavras de Marian se repetindo em sua mente, girando e girando como a mistura para um veneno letal.

Um filho. Robin e Marian teriam um filho. Regina não conseguia acreditar no que estava acontecendo, não podia acreditar que mais uma vez, o destino tinha lhe pregado uma peça cruel. Como ela pudera se iludir tanto? Como pudera acreditar que tinha uma chance, que realmente poderia ser feliz, quando estava mais do que claro que isso nunca aconteceria?

As perguntas fervilhavam em sua mente cada vez mais atordoada, e ela continua ali, caída ao chão, os olhos cheios de lágrimas que pareciam lhe queimar o rosto, sem saber o que fazer, sem saber como agir. Está entorpecida, presa em sua tristeza, afundada na fumaça translucida de seus próprios fantasmas.

Um filho. O homem que ela amava teria um filho. Um filho que ela não pudera trazer ao mundo, que perdera por sua total irresponsabilidade e imprudência. Um filho que fora arrancado de seus braços antes que ela pudesse ouvir o som de seu primeiro choro, agora Robin teria essa oportunidade, com a diferença de que não seria ela a mãe, mas sim a ex-esposa dele.

Ex? Será que era mesmo esse o titulo que Marian deveria receber? Tudo que Regina sabia era o que o loiro havia lhe contado, detalhes pouco nítidos sobre uma traição que ela nunca procurara saber mais, por achar que aquele fosse um assunto delicado para ele. Será que aquela história era verdade, ou Robin e Marian estavam juntos durante todo aquele tempo?

Não, aquilo não era possível. A criança deveria ter sido concebida antes da viagem a Nova York, antes que o relacionamento deles engrenasse, antes que ela entregasse seu coração a ele, acreditando que poderia realmente ser feliz de novo. Ele não poderia tê-la enganado a esse ponto, poderia?

Não...tudo parecia tão verdadeiro entre eles. Não era possível que a carência tivesse deixado que ela se enganasse tanto assim, seria? Seja qual for a resposta para as perguntas que se acumulavam, o fato era que nenhuma delas mudava a realidade das coisas. Nenhuma delas alterava o fato de que Robin seria pai. O fato de que pelo visto, ele já estava sabendo dessa informação a algum tempo, e simplesmente tinha decidido não contar nada, preferira esconder, mantê-la na ilusão, presa na bolha de felicidade na qual estava emersa ate alguns minutos atrás.

Amargo como fel é o gosto que sube a boca da morena enquanto seus pensamentos viajavam por aquelas perguntas e indagações. As lágrimas queimavam, e um a um, ela sentia os cacos de seu coração se esparramarem novamente pelo carpete. Ela vivera uma ilusão, acreditara em algo que não tinha a menor possibilidade de ser verdade, e agora ali estava o destino, abrindo seus olhos para a realidade que não era nem de longe parecida com um conto de fadas.

Lá em cima, o chuveiro é desligado e a porta se abre, deixando que o vapor do banho quente saia para o corredor, enquanto um loiro de cabelo molhado e expressão serena o acompanha, indagando-se o que sua escritora favorita estaria fazendo fora da cama, já que ainda era cedo.

A porta do quarto está aberta, mas não há sinal de Regina, o que só pode indicar que ela já desceu as escadas, provavelmente indo parar na cozinha, atrás de algo para lhe encher o estomago vazio, o que é triste na sua concepção, já que em sua cabeça os planos eram de surpreendê-la com um café da manhã. Regina amava surpresas, e ele amava ver o sorriso elusivo que surgia nos lábios dela quando era surpreendida. A bem da verdade, ele amava não só esse, mas todos os sorrisos que desenhavam os lábios carnudos da morena que não saia de seus pensamentos nem por um minuto que fosse. Infelizmente, ao menos por aquele momento, a surpresa teria que ser adiada. Tudo que ele esperava, no entanto, era que, quando chegasse lá em baixo, a encontrasse bem e sorrindo.

A cabeça estava enterrada nas mãos, os joelhos se prendendo ao corpo. A dor que a consumia naquele momento era quase física, e o celular, o Hermes que trouxera as más notícias, jazia jogado ao seu lado no carpete. A cabeça de Regina girava, e ela não se importou em contar os minutos que estava ali, apenas sentada, deixando que as lágrimas tomassem seu rosto, o choro lavando suas feridas recém-abertas.

Ela não sabia o que pensar, não sabia o que fazer. Honestamente, não estava com vontade de fazer nada. Só queria ficar ali e deixar que toda a água saísse por seus olhos, até que não restasse mais nenhuma, até que aquele dia se tornasse apenas uma lembrança.

Como ela pudera ser tão tola a ponto de acreditar que fosse realmente possível? Como pudera se permitir criar aquele castelo de ilusões, para agora estar ali, completamente em frangalhos, partida em milhões de pedaços, tentando imaginar o que seria de agora em diante, tentando entender como se encaixava naquela nova e assustadora realidade.

Ao menos para aquela pergunta, uma entre muitas que fervilhavam em sua mente, a escritora teve uma resposta, que surgiu em sua mente quase tão rapidamente quanto à pergunta lhe viera. Ela não se encaixava. Não havia espaço para ela naquele cenário. Ela se tornara apenas um figurante em palco de estrelas, alguém que entra e sai de cena sem ter sua presença notada.

Não haveria, não havia mais espaço para ela na vida de Robin, se é que um dia ela realmente um tivera um lugar ali. Agora, o mundo dele seria aquela criança, Regina o conhecia bem demais para saber que seria assim que as coisas se dariam. Talvez ele até retomasse o casamento com Marian. Que pai não iria querer estar presente na vida do filho?

Ela não poderia condena-lo por fazer essa escolha. Talvez, se fossem outros tempos, se ela ainda tivesse seu bebê em seu ventre, fizesse uma escolha parecida com essa. A questão agora era que, já não se tratava apenas dela, de Robin ou de Marian. Havia uma criança no meio disso, uma criança que mudava tudo.

Porque Robin não lhe contara nada? Porque preferira esconder aquele acontecimento? Porque preferira fingir, ao invés de partilhar o que estava acontecendo? Ela não tinha respostas. Não tinha soluções para aquelas nem para as outras milhões de perguntas que inundavam sua mente. Tornara-se uma confusão, um caos completo, e nada de coerente ou ordenado parecia sair dela naquele momento.

Se sua mente estava um verdadeiro turbilhão, a verdade era que não podia ser comparada ao estado de seu coração, que ferio e estilhaçado, se contorcia dentro do peito, como se tentasse, sem sucesso algum, escapar dos ferrolhos que o furavam e prendiam. O choro era convulsivo, e a morena sentia como se seu corpo inteiro estivesse se quebrando, estilhaçando um pouquinho mais a cada segundo que passava.

Ela queria parar com aquela dor. Queria calar as perguntas, calar todas as vozes que murmuravam em sua mente, incessantes. Queria esquecer que seus olhos haviam registrado aquelas palavras, esquecer que o homem que lhe roubara o coração seria pai do filho de outra mulher. Ela quer esquecer, e por sentir esse desejo lhe queimar as entranhas, Regina se levanta do chão, esforçando-se para não tombar novamente diante dos tremores que lhe atingem o corpo.

Seus passos são lentos e dolorosos, ela mal enxerga para onde está indo, sua visão turvada pelas lágrimas. Alguém a chama, a voz parece a de Robin, mas está distante demais. Ela parece emersa m um torpor que a impede de se virar para atender ao chamado, por isso simplesmente continua em frente, seguindo na direção da cozinha, em direção ao esquecimento que tão desesperadamente necessita.

Alguém a puxa pelo braço. É um toque leve, carinhoso, ela o conhece, e mesmo sem se virar ainda, sabe que se trata de Robin, o perfume amadeirado que emana do corpo dele invadindo suas narinas.

 – Morena, o que foi? Porque está assim, teve um pesadelo? – o tom de voz no qual as palavras dele saem é doce e preocupado, mas ao invés de as palavras a acalmarem, só servem para que ela sinta o aperto em seu coração aumentar ainda mais, as lágrimas aumentando de intensidade.

Ela se vira, e cena que vem a seguir parece acontecer em câmera lenta. Azul e castanho se encontram, e sem precisar fazer nenhuma outra pergunta, o fotografo entende perfeitamente bem o motivo dos olhos marejados que o encaram. A decepção nos castanhos, misturada a tristeza e muitas perguntas sem resposta, e ao encarar toda aquela intensidade, ao se depara com caos e desespero onde seu maior desejo era despertar apenas alegrias, Robin sente seu mundo desabar, o coração se contraindo como se ele próprio fosse o ferido.

- Porque não me contou? – a pergunta sai sussurrada, antes mesmo que Regina tenha se dado conta de que as palavras estavam ali, antes que Robin esteja preparado para responder.

Ele a encara, tentando, através de seu olhar, transmitir todas as palavras que seus lábios parecem incapazes de proferir. Porque ele não contara? Porque escondera de Regina aquela história sobre a gravidez de Marian, na qual ele não conseguia acreditar?

Talvez o motivo fosse justamente esse, o fato de que ele não acreditava que o filho que Marian esperava fosse realmente seu. Talvez porque na época em que estavam juntos, seu relacionamento já estivesse tão esgotado que não sobrara muito espaço para noites de amor regadas a vinho ou champanhe. Talvez porque tivesse medo de que, mesmo a remota possibilidade de ser pai dessa criança, pudesse vir a causar algum estrago em seu relacionamento com Regina.

Ele fizera tantas promessas para ela, para eles. Prometera que iria ficar, e talvez em nome dessa promessa, ou por medo de como ela reagiria quando soubesse, é que ele preferira manter silêncio sobre aquela história. Havia tantas possibilidades de resposta para a pergunta que a morena acabara de formular, mas a verdade é que, agora, enquanto olha para os olhos castanhos confusos e decepcionados, nenhuma explicação parece suficiente.

Lá fora, os trovões ressoam, formando a trilha sonora daquela cena que, em um filme, seria acompanhada com tensão e expectativa pelo publico, que esperaria com o ar preso em seus pulmões, pela próxima fala ou atitude de um dos personagens. Mas o que acontece aqui não é uma produção hollywoodiana, é a vida real, e ela não vem com um script. Ela estremece afastando-se dele alguns centímetros e desvencilhando-se do contato antes existente. Está magoada, ferida, e não sabe se quer saber a resposta para a pergunta que acabara de fazer.

Os olhos castanhos se desviam para o chão, ela não consegue encara-lo, não quer ver o que os olhos dele têm a dizer. Os lábios de Robin se abrem, ele parece prestes a dizer alguma coisa, mas as palavras continuam presas em sua garganta. A chuva lá fora continua forte, como se o tempo pudesse externar o que a morena está sentindo, uma completa confusão, um verdadeiro caos.

As palavras dele saem tão sussurradas quanto as que escaparam pelos lábios dela, uma confissão de apenas uma linha, insuficiente e incompleta. – Porque eu tinha medo que isso acontecesse.

As palavras dele parecem acender algo dentro dela, uma chama arroxeada, que não é de tristeza, mas sim de raiva. Regina não sabe de onde aquele sentimento vem. Em um momento, é apenas a tristeza, o desalento, que a consome. No outro, há a raiva, que queima como uma fogueira, cuspindo suas brasas pelo ar.

Ela sente raiva de Marian e Robin. Sente raiva de si mesma, da fraqueza que a acomete. Raiva por só conseguir chorar, quando o certo seria se acalmar e conversar. Raiva por não ser ela a gerar um filho de Robin. Raiva por ter sido tão imprudente e perdido as pessoas que mais amava na vida. Sente raiva do destino, esse cruel inquisidor, que a colocara numa bolha apenas para ter o prazer de estoura-la depois, apenas para poder assistir a ela desabar em meio ao vazio.

- E então você achou que fosse uma boa ideia me esconder algo assim? Achou que o melhor seria me manter na ignorância? Por quanto tempo você pensou que ia me esconder que vai ser pai...pai de um filho de sua mulher? – a falta do “ex” na fala da escritora não passa despercebida para o loiro, que sente o coração se contrair, dolorido.

- Ela não é minha mulher Regina, minha mulher é você. Marian não voltará a fazer parte da minha vida. – responde o loiro, tentando manter um tom de voz controlado, embora a desconfiança presente nas palavras dela o machuque. – Eu não te contei porque tinha medo da sua reação, eu estava esperando um momento certo, não esperava que...

As palavras dele são cortadas pelas dela, que saem estridentes e altas, um belo contraste com os sussurros anteriores. – Vocês vão ter um filho Robin. É claro que ela voltará a fazer parte da sua vida, se é que um dia realmente deixou de fazer. – responde, deixando que a raiva que se acumula finalmente transborde para suas palavras. – A questão é que eu talvez já não tenha um espaço na sua vida. – as últimas palavras saem mais baixas, e Regina não consegue reprimir o soluço que a atinge quando elas saem.

Aquela é uma premissa que ela gostaria de ter guardado apenas para si. Algo que rondava sua mente desde o momento em que lera a mensagem de Marian, mas que até aquele instante, tivera medo de enfrentar. Aquele era um medo irracional, talvez advindo dos traumas e cicatrizes que a formavam. Aquilo podia não ser uma verdade para Robin, que queria mantê-la perto, que mais do que tudo, quer que o relacionamento deles floresça, mas naquele instante, para Regina, o fato é que esta é uma verdade incontestável.

Agora não são apenas os olhos castanhos que se enchem de lagrimas. Também os azuis estão marejados, e o fotografo da um passo a frente, diminuindo a distancia que o separa da morena a sua frente, incapaz de conceber a frase que acabara de ouvir, incapaz de entender aquelas palavras como uma verdade. – Regina, por favor, não faz assim. Vamos conversar. Por favor, me escuta. Sei que deveria ter te contado sobre a possibilidade de Marian estar esperando um filho meu, mas...

“Um filho meu”. As palavras dele a atingem em cheio, é a confirmação de algo que, embora ela já soubesse ser verdade, tinha um fiozinho de esperança de que não passasse de uma simples brincadeira de mau gosto, a esperança que ele dissesse que nada daquilo era realmente verdade. Por mais que quisesse ouvir uma negativa assim, uma parte da escritora, talvez a parte mais machucada pelas sombras do passado, a parte que já formou sua convicção sem ouvir argumentos, já não quer ouvir mais nada, e interrompe a fala do loiro antes que ele a complete.

- É, um filho. Você vai ter um filho com ela, e me desculpe, mas não quero me interpor no meio disso. Não quero impedir que essa criança cresça numa família de verdade. Quero que ela tenha tudo que eu não pude dar ao meu bebê. Vá atrás de Marian e cuide do seu filho Robin, essa criança vai precisar muito de você. – ela para de falar, e agora apenas as lágrimas escorrem. Não há mais palavras por parte da escritora, que, cansada, escora as costas na parede e fecha os olhos, tentando fingir que nada daquilo está acontecendo, que nada é real.

- Regina, não faz isso. Mesmo que esse filho seja meu, eu não vou voltar com Marian por causa dessa gravidez. Meu casamento com ela acabou, ela não é a mulher que eu amo. Eu não vou permitir que ela nos separe assim, não vou permitir que você me afaste por uma suspeita que ainda nem se confirmou, por favor, você tem que me ouvir. – ele está suplicando, e ela consegue ver o desespero impresso em cada palavra que sai de seus lábios.

O coração dela, mesmo estilhaçado como está, bate um pouco mais forte, lutando para ser ouvido, lutando para que ela dê uma chance, que apenas ouça o que ele tem a dizer, mas a mente, resoluta e irredutível, não permite que isso aconteça. Não, ela não quer ouvir mais nada. Quer apenas ficar sozinha, apenas esquecer.

- Eu não quero ouvir mais nada. Chega Robin. Você teve a chance de me contar o que estava acontecendo e escolheu não fazê-lo. Você não confiou em mim, e agora, eu não consigo confiar em você, não consigo ver um futuro para nós dois. Você me fez acreditar que era possível sabia? Por um tempo eu realmente pensei que o que tínhamos era forte, que eu ainda podia ser feliz, quem sabe vir a formar uma família um dia. Mas olha só que surpresa? Eu não posso, e o destino acaba de me mostrar isso da forma mais cruel possível. – sua voz está embargada, e as palavras saem cortadas. Ela não precisa abrir os olhos, consegue sentir a presença dele, próximo, se recusando a acreditar naquele fim abrupto.

- Regina, por favor, não fala assim. Um filho de Marian não muda as coisas, não muda o que sentimos, não nos impede de realizar cada sonho ou plano que venhamos a fazer. Eu sei que essa é uma situação complicada, e acredite, eu não queria ou esperava por isso. Não queria ver você nesse estado atormentado, sofrendo por culpa de algo que não devia te afetar. Eu prometi que ia ficar, por favor, morena, não me mande embora. – as palavras dele são sentidas, desesperadas.

Ele sente que ela está se afastando, que está se fechando dentro de si novamente, que está se embrenhando em tristezas e remorsos, e tenta a todo custo puxa-la de volta a superfície, trazê-la de volta para si, mas parece tarde demais. Ela parece se refugiar em algum lugar inalcançável, uma fortaleza com muros altos que, por mais que ele se esforce, não consegue transpor. Ela parece se afastar, e por mais que ele corra, não consegue alcança-la.

Quando se abrem novamente, os olhos castanhos estão resolutos, decididos, e a morena se afasta do fotografo, indo para perto da escada e se apoiando na base do corrimão. Ela não o olha mais, porque se olha-lo, duvida que tenha força para proferir as palavras que agora tumultuam sua mente. – Vá embora Robin. Por favor, me deixa sozinha.

O pedido sai mais fraco que as outras falas, mas ainda assim, ela se sente fraca, completamente sem forças quando as palavras finalmente preenchem o espaço entre eles. Ela está cansada, cansada de tudo aquilo. Cansada da bagunça que são os seus sentimentos e emoções, cansada daquelas cicatrizes, que parecem se abrir ao menor sinal de problema. Está cansada de ilusões quer apenas ficar sozinha para poder esquecer.

Aquelas são palavras doloridas, Robin não consegue acreditar que está mesmo as ouvindo, não consegue entender como foi que eles chegaram a aquele ponto, como foi que, de um casal apaixonado, se transforam em duas pessoas que nem mesmo conseguem se encarar enquanto falam.

Por mais que não queira, por mais que tente entender os motivos de Regina para formular um pedido como aquele, a verdade é que ele não consegue deixar de se ressentir um pouco. Achava que, a aquela altura, ela teria um pouco de confiança nele, que fosse ao menos ouvi-lo antes de dar tudo por encerrado. Seu coração doí, magoado pelas palavras dela, magoado consigo mesmo por não ter sido aberto com relação a aquele assunto, o medo de perdê-la se inflando como um balão que alça voo, indo cada vez mais e mais longe.

- Regina não faz isso, vamos conversar...- ele pede uma ultima vez, os olhos azuis pregados nas costas da morena, que continua parada ao pé da escada, incapaz de se mover um milímetro que seja.

Quando fala novamente, sua voz se confunde com o ribombar dos trovões lá fora, enquanto sua visão se esfumaça, perdida em meio a névoa de lágrimas que a inundam. – Eu acreditei em ilusões Robin, mas agora meus olhos estão abertos. Eu me enchi de esperanças, mas o que restou para mim foi apenas o vazio que elas deixam quando são frustradas. Não há mais nada que eu queira ouvir, não há mais nada pra ser dito. Eu preciso de ar, e não consigo respirar com você aqui.

No momento em que diz aquelas palavras, ela sente que talvez tenha sido demais, mas já não há mais como reverter o que já foi dito. A escritora escuta os passos do loiro, que são rápidos quando ela         queria que fossem lentos. Ele está próximo agora, e seu hálito quente roça no pescoço dela, provocando um arrepio ali. – Eu não vou desistir de nós Regina. Não vou deixar que Marian destrua o que temos, nem que você faça isso. Respira fundo, porque isso ainda não acabou.

Ele não dá chance para que ela diga mais nada, entendeu que naquele momento, com os dois de cabeça quente, não adianta dizer nada. Ela precisa de um tempo, precisa respirar, e ele lhe dará esse tempo. De maneira alguma, entretanto, isso significa que desistiu dela, que desistiu de lhe explicar toda aquela confusão, ou que tenha desistido deles. Não, isso não poderia estar mais longe da verdade, mas naquele momento, palavras só causarão mais atritos e mágoas.

O barulho de chuva se intensifica quando a porta é aberta, e o corpo da morena estremece. Não adianta, ela não consegue se habituar a tempestades, sejam as que acontecem dentro de si ou aquelas que a natureza provoca. 

A chuva está forte, mas Robin não se importa nem um pouco com o mau humor do tempo. Não, suas preocupações estão focadas na morena que permanece no abrigo da casa. Enquanto as gotas de água o enxercam e ele fecha a porta da suntuosa casa da escritora, a única coisa que passa pela cabeça do loiro é que precisa arranjar um jeito de resolver essa situação, um jeito de fazer Regina entender que nada, nem mesmo um filho de Marian, pode afasta-lo dela.

Seus passos são vacilantes, e ele considera a possibilidade de voltar para dentro da casa, para perto da morena, e fazê-la entender o quão equivocada está em seus julgamentos precipitados. Mas não, ele não pode fazer isso, não agora. Ela lhe disse que precisava de um tempo, e por mais que lhe doa, ele sabe que é muita coisa para assimilar, que precisa dar m espaço a ela.

Com esse pensamento em sua mente, ele caminha até seu carro, estacionado na entrada da casa de Regina, que está ali desde o dia em que ele a levara para jantar, assim de surpresa, poucos dias depois da volta a Washington. Ele poderia correr para evitar se molhar, mas apenas caminha, como se quisesse retardar ao máximo o momento da partida, como se quisesse dar tempo de Regina mudar de ideia e chama-lo de volta. Mas ela não o chama, e o silencio é quebrado apenas pelas gotas de chuva e pelo som de seus passos, até que finalmente ele está dentro do carro, o motor ligado e a mente completamente fazia de destinos. 


Notas Finais


Por favor nao me odeiem, prometo que tudo tem um jeito de ser resolvido.
Espero que tenham gostado, estou meio nervosa com esse capitulo, então espero as opiniões de voces, haha
Mais uma vez, muito obrigada por todo o carinho, tia Jú ama vcs.
Twitter da fic > @Escarlate_JCM
Beijoos e até o próximo capitulo


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