História Depois do Sol se pôr - Capítulo 6


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Palavras 2.331
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lírica, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oii pessoas que moram no meu coração <3 Como vocês tão? Bem? Então tá bom^^
Agradecimento especial para todos que comentaram e favoritaram
Capítulo relativamente na medida (nem muito grande, nem muito pequeno) então acho que vão gostar.
Como o nome já diz, nossa personagem vai se recordar de algumas coisinhas...
Postagem dentro do prazo ehh
Então #partiu-ler
Boa leitura!!
Nos vemos nas notas finais! >w<

Capítulo 6 - Capítulo 03: A lembrança do guarda-chuva


Fanfic / Fanfiction Depois do Sol se pôr - Capítulo 6 - Capítulo 03: A lembrança do guarda-chuva

Mas e quando a música termina?

Bom nesse momento eu já tive uma crise.

Eu já derramei todas as lágrimas que me deu vontade.

E nem me dei o trabalho de secá-las já que o frio me fez esse favor.

Nunca mais uma frase com “nós”.

E todas as nossas memórias, agora são só minhas.

E sequer compreendo a imensidão dessas palavras.

Você nunca entendeu meus poemas,

Mas sempre me fez rir de coisas sem sentido

Rir até minha barriga doer

E eu bater minha cabeça no seu guarda-roupa

E agora eu quero chorar

Até meu vazio me deixar farta de sentir

Até meu coração parar de sangrar

Essa ferida aberta um dia vai fechar?

Eu estava coberta de cicatrizes quando te conheci

Mas você também estava

Eu achei que pudéssemos nos curar

Eu não imaginei que você tornaria do meu resfriado

Uma doença terminal

Me sinto morrendo com todas essas sensações

Eu olho para todos os lados

E você está lá em todos os lugares

O seu fantasma está aqui

Você tentou se matar da minha vida

Mas quem morreu fui eu

A música acabou e eu tento dar play

Mas o arquivo não é mais encontrado

E dói muito e nada muda isso

Você danificou o meu vídeo preferido

Me fez feliz-triste

Mentiu dizendo até breve

E aquele dia foi o último

E eu envio a mensagem, mas você me excluiu,

“Esta pessoa não pode receber mensagens suas nesse momento”

Nesse momento não descreve o para sempre que eu vejo

Onde você estará?

Minha mente está tentando te trazer de volta

Mas eu sei que nunca vai voltar

Nunca mais uma frase com “nós”

 

Eu acordo de madrugada, no meio de mais um dos meus pesadelos. Tão reais. Tão tristes. Tão “você”.

O tempo tem passado depressa e já faz duas semanas que estou aqui, duas longas semanas, mas eu encontrei uma pessoa que pode me ajudar a concretizar meus planos.

Não sei se digo que ele é um enfermeiro, já que ele é um estudante e está apenas estagiando para cumprir horas para faculdade em troca de uma bolsa de estudos. Mas, ele é a pessoa ideal.

Foi fácil até convencê-lo a me ajudar. Ele tem pena de mim, eu ainda não consigo falar nada. Nós trocamos alguns bilhetes, e ele concordou que vai levar até o correio as cartas que eu escrever.

Sinto-me louco mandando uma carta que sei que será devolvida, mas por algum motivo tenho esperança de que isso me ajude a lembrar de algumas coisas. Eu tenho fé.

Dizem que há sempre uma pequena chance de o impossível acontecer, e eu vou me agarrar até o fim a essa filosofia.

Tenho esperança que em algum momento estas cartas vão acabar parando nas mãos do meu Sol. E quando isso acontecer o Sol voltará para me buscar, e nós poderemos ser felizes de novo.

Chame de fantasia se quiser. Essa é minha maneira de continuar seguindo em frente.

 

CARTA 01

 

É estranho escrever para você. Eu lembro apenas que era meu tudo e que agora não tenho nada. É, a verdade é que não me lembro do seu nome, mas veja bem eu não me lembro do meu também. Aqui me chamam de A. 004, ah! Aqui é onde estou desde que você partiu, mas você não sabe – acho – que me mandaram para um lugar ruim. Realmente ficar te chamando de “você” não é muito certo na minha visão, então vou dizer que é o Sol.

Por que estou dizendo que é o meu Sol?

Porque eu sou seu girassol. Eu costumava girar em torno de você. Não sei, mas eu era assim estranha, e talvez se lembre melhor das coisas que aconteceram do que eu sou capaz de me lembrar. Eu não sei se estou sofrendo de amnésia. Mas, veja bem, meu coração confiava em ti, mesmo que agora eu não me lembre de como é o seu rosto, sei que meu coração bateria por você se o visse de novo, e eu certamente o tornaria meu Sol de novo.

Mas, agora que estou aqui eu não tenho nada. Eu sequer tenho lembranças nossas. Eu tenho lembranças da minha família e dos meus amigos, e de muitas outras coisas e pessoas antes e depois de ti, mas de você não tenho nada. O que não parece exatamente uma amnésia para mim, por que será que de todas as pessoas que eu conhecia e eram importantes pra mim só você foi apagado?

Tem mais uma coisa. Mais uma coisa que eu não compreendo. É que desde que tu partiste em uma noite de chuva e escura, eu perdi minha voz. É estou mesmo muda. Nenhum som é emitido por meus lábios exceto os soluços de quando eu choro.

Queria muito que estivesse aqui agora. Talvez pudesse me ajudar a encaixar as peças que eu perdi desse infinito quebra-cabeça de memórias, memórias que eram nossas. Memórias naufragadas.

Vamos fazer uma aposta?

Quem perder mais lembranças vence e pode ir até o encontro um do outro. Eu acho que vou vencer. Espero me lembrar de ti logo, espero te encontrar em breve e espero estar livre em breve”.

Atenciosamente: A.004

Para meu Sol anônimo

 

Dobrei cuidadosamente o papel cartão que Petrus – meu amigo estudante e mensageiro, – comprou especialmente para a ocasião e coloquei no envelope branco. Ele sorriu para mim e perguntou se poderia selar com cera e colocar um carimbo para que a cera ganhasse forma.

Eu achei a ideia criativa. Sempre me liguei em tradições antigas e fiquei fascinada por ele conhecer os segredos daquele selo vermelho especial que aparecem nos filmes. Eu o vi queimar delicadamente a cera sob o fino papel e carimbar em seguida. Ficou tudo tão perfeito.

Eu fiquei analisando a carta por um tempo. Depois de eu me deslumbrar um pouco demais a risada de Petrus encheu meu cômodo e eu parei de sorrir abruptamente.

- Desculpe, desculpe – ele disse e me pediu a carta – Sei que está curiosa sobre a técnica, mas não posso lhe contar é segredo.

Acenei positivamente com a cabeça, mas não sorri.

- Ora vamos não fique chateada comigo.

Peguei o meu bloquinho e lhe escrevi:

- Não teve graça.

- Oh se visse sua expressão também teria rido comigo – ele sorriu terno – Não leve tudo tão a sério. Afinal este também é um segredo – ele aponta para a carta.

Mais um aceno positivo meu.

- Tenho que ir agora, eu acho que já estão desconfiados com a minha demora aqui – ele sempre está sorrindo enquanto fala, é tão humano.

Sua mão afaga meus cabelos e ele me olha desse jeito “Petrus” inexplicável e único. Lhe lanço o meu olhar mais convincente de obrigado, mas infelizmente não nos conhecemos a tanto tempo para que ele seja capaz de compreender meus olhares.

Ele me promete levar a carta no correio assim que sair e, voltar daqui a dois dias. Sim, ele vem apenas de três a quatro vezes por semana o que eu considero uma pena porque ele me faz sentir menos sozinha.

Por ser uma paciente nova eu não tenho permissão para ir até o jardim que fica na área externa. Só poderei sair depois de um mês de internação. Eu acho isso tão absurdo quanto você pode ter certeza.

A realidade nua e crua é: enquanto meu diagnóstico não sai o único ar fresco é o que entra por entre as grades de ferro da minha janela.

A boa notícia é que Petrus é também meu informante. Ele conhece o prédio todo enquanto eu conheço apenas meu quarto, o corredor e a sala de exames – a qual às vezes eu não compareço muito consciente. Ele me jurou que não existem câmeras nos quartos dos pacientes, só áudios. Ou seja, se tivermos um pouco de cuidado podemos “emudecer” os áudios e ficarmos bem.

Ele é discreto e insuspeito e isso ajuda muito também.

Mas, essa descoberta nova me permitiu saber como os médicos souberam tão depressa sobre a crise de Anastásia para “socorrê-la”. Nada me tira da cabeça é claro, que ela teria morrido se eu não tivesse intervindo.

Mas a questão é por quê?

O que ela sabia de tão crucial, grave ou importante para que quisessem lhe colocar um fim a sua existência?

Podiam simplesmente ter a mantido em um quarto isolado, a dopado e a torturado para que ficasse quieta. Mas, não foi isso que se sucedeu.

Vou pedir a Petrus que procure por ela para mim. Não deve haver muitas pessoas com o nome de Anastásia fichadas nessa clínica, e para ele não vai ser difícil ter acesso aos dados que procuro.

Depois bem, é história. Uma longa trama cuidadosamente arquitetada na minha cabeça desmemoriada. Sim, um passo de cada vez.

Não sou psicopata, nem louca, nem nada do tipo. Apenas sou inteligente o bastante para criar um enredo para sair.

Olho pela janela pela milionésima vez desde que cheguei. A mesma cortina para qual Anastásia se perdia em coisas que eu não via. Agora sei que ela via o que ela escondia, do que tinha medo, agora eu sei, eu a entendo.

Sou oficialmente a paciente perseguida por salvar uma paciente de morrer. Tenho olhos me observando e eu sei disso.

Por isso meus passos lentos também são silenciosos.

Se para sobreviver sem suspeita eu tenho que ser uma louca apenas. Eu vou ter ar de louca, mas ser inteligente.

É meu modo de sobreviver a tudo isso.

 

***

 

 

Eu peguei no sono e acordei com leves batidas na porta.

Era apenas uma enfermeira trazendo meu café da tarde.

Ela nem me dirigiu a palavra, tá que eu não gosto dela e nem ela de mim, mas um oi, tudo bem, não arrancaria pedaço. Devo ter feito uma careta já que seus lábios se repuxaram em um meio sorriso. Ainda assim, ela não me disse nada, apenas saiu fechando a porta atrás de si.

Coloquei a bandeja no bidê e me joguei de volta na cama em direção ao meu travesseiro. Afundei minha cabeça de encontro a ele e só me virei para o lado quando o ar começou a me faltar nos pulmões.

Quando Anastásia partiu, eu me mudei para sua cama que ficava perto da janela porque quando eu não tinha nada para fazer ver a cortina balançando era como um calmante natural.

No entanto, desta vez, eu percebi algo diferente. Ventava muito e um sereno entrava pela janela aberta. Fiquei curiosa, por isso me levantei da cama e fui até a janela.

Olhei por entre as frestas da grade.

Chovia!

O vento veio na minha direção me trazendo uma brisa molhada e eu fechei os olhos e me deixei sentir aquela sensação nova e estranha. Meu rosto formigava.

Coloquei minhas mãos nas grades e elas foram molhadas pela chuva.

Fechei meus olhos sentindo meu coração acelerar no meu peito, então eu tive um “insight”. Uma lembrança nova e antiga me preencheu de novo como se eu nunca a tivesse perdido.

Havia uma porta. O Sol estava fechando-a, portanto estava de costas para mim. Eu me virei para frente e senti a chuva fria começar a me molhar.

O Sol se posicionou ao meu lado e abriu um enorme guarda-chuva preto, sem nos olharmos corremos juntos até um portão. Ele o abriu, nós passamos por ele, então ele tornou a fecha-lo.

Ventava muito e não importava o quanto nos esforçássemos para não nos molharmos, a chuva vinha de todas as direções e nosso guarda-chuva se arqueava ao vento.

Nós devíamos ir para algum lugar, mas estava difícil seguir em frente em meio aquela tempestade. Eu sabia que devíamos pegar um ônibus, num ponto não muito distante dali... Mas, não conseguíamos ir em frente.

O Sol me disse: vamos voltar para minha casa.

Ao que eu respondi: não podemos perder o ensaio!

Sol: o que fazemos?

Nós rimos da situação banal em que nos encontrávamos. Começamos a refazer o caminho curto que percorremos na chuva de volta a casa do Sol.

Ele pegou as chaves do bolso e abriu a porta, riu e reclamou de ter ficado encharcado de água. Eu não olhei para ele, pois estava ocupada entrando e fechando o guarda-chuva.

O Sol se abaixou e colocou o guarda-chuva em um balde. Eu só o ouvi, pois estava tirando meus tênis ensopados e reclamando da minha roupa molhada e de que íamos perder o tal ensaio.

Ele desapareceu no corredor.

Eu rapidamente coloquei minhas pantufas e o segui.

O guarda-chuva preto ficou lá esquecido no balde pingando suas lágrimas, ao lado nossos tênis molhados. Um cenário que merecia ser fotografado e colado em um álbum.

Isso me lembrou de que ao lado do Sol todos os problemas se tornavam insignificantes. Que nós vencíamos tempestades dividindo um único guarda-chuva que era tudo o que nós tínhamos, mas era suficiente, nos bastava. Não nos importávamos tanto assim de nos molhar, de ter só um guarda-chuva, ou de perder um compromisso. Estar juntos era mais importante, passar por isso juntos era mais importante, poder contar uma história engraçada era mais importante.

Tudo podia ser suportado contanto que fosse dividido.

E eu queria poder ver mais de nós, mas minha memória acabou quando cruzamos o corredor.

E eu fui puxada de volta ao presente, sentindo novamente minhas mãos molhadas entre as grades da janela e o formigamento bom e quente no rosto, e então eu percebi que chorava.

O formigamento tornou-se frio e as lágrimas solitárias que deslizaram por meu rosto começaram a secar. Mas, eu comecei a voltar de novo e de novo naquela cena feliz e as lágrimas se avolumaram nos meus olhos até que não pude mais contê-las.

Se nós éramos tão felizes juntos por que o Sol foi embora?

O que pode ter acontecido?

Acho que outra pessoa no meu lugar passaria a odiar a pessoa que te abandonou, mas eu apenas sentia saudade e a queria de volta. Ela devia ter um motivo para ter partido.


Notas Finais


Oi de novo! ashauashua @[email protected]
Hora de pedir pra vocês comentarem, dizerem umas coisas legais e pah kk isso motiva a gente
Todos os meus leitores são importantes pra mim, e é por esse motivo que gostaria de poder contar com a opinião de vocês!
Podem interagir comigo, eu não mordo não! Kkk
Beijos açucarados, e até a próxima! <3


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