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História Depois dos 30 - Capítulo 1


Escrita por: e xbrightness


Notas do Autor


Finalmente a fanfic está sendo postada, heyyy
Eu só queria dizer que amei esse tema e por mais que eu tenha feito uma estória até que diferente das outras, amei escrever.
Obrigada por estar disposto a ler, boa leitura ♡

Capítulo 1 - Eu me apaixonei depois dos 30.


Park Jimin 

— Acho que seria bem mais conveniente se você mostrasse para sua filha que se importa com ela — falei baixo, eu não queria acordar minha filha.

— Eu me importo com a Hanna, Jimin, mas olha onde moramos! Acha que ela gostaria de ficar aqui? — Yoongi gritava, sem se importar se Hanna escutava ou não, e eu juro que iria matá-lo se ouvisse minha filha chorando. 

— Você mora aqui, eu e ela não moramos! Então, fique sozinho nessa merda, acho que a maconha afetou o seu cérebro. Amanhã quando estiver são a gente conversa — falei por fim, saindo do campo de visão dele e pegando minha filha nos braços antes de sair daquele apartamento.

Tudo bem, eu sei que tudo parece muito confuso agora, mas eu explico com toda a calma do mundo. 

Eu me chamo Park Jimin, tenho 30 anos e uma das piores coisas que poderiam acontecer com quem tem 18 anos e um espírito livre ocorreu comigo: eu tive um filho, ou melhor, uma filha. Mas como eu nunca fui do tipo aventureiro e sempre preferi brincar de a hora do chá com a minha irmã mais velha, não foi um grande problema. 

Quando eu era mais novo sempre me imaginei casando e tendo uma família perfeita e feliz para todo o sempre — eu gostava demais dos filmes da Disney —, mas algo me incomodava em pensar que algum dia me casaria com uma mulher, até que me descobri gay e tudo voltou a andar nos trilhos para mim, ou pelo menos, pensei que tinha sido assim.

Eu já não era o mesmo menino que assistia todos os filmes de princesas e depois corria para o quarto da minha irmã para tomarmos chá e comermos biscoitos quentinhos. Eu saía com meus amigos, virava a noite em festas, fazia festas do pijama e me apaixonava frequentemente. 

Eu fazia isso, mesmo sabendo que no fundo só queria maratonar alguns filmes da Barbie com minha irmã ou apenas deitar de conchinha com o meu namorado. 

Min Yoongi, 22 anos, o garoto que todos tentavam uma chance.

Aí você me elogia, "poxa, Jimin, você conseguiu namorar o cara?" Pois é! Bom… pelo menos era um namoro, pela minha parte.

Como vocês devem ter imaginado, de início era como se eu finalmente estivesse vivendo o meu felizes para sempre. Eu andava pelos corredores da minha escola com músicas românticas estourando em meus ouvidos e me imaginava em um filme romântico ou um clipe de alguma música, onde mostrava Yoongi e eu passando por todos que não apoiavam nossa relação — como minha mãe, que na época dizia que ele era apenas mais um traficante e que eu acabaria vendo o sol nascer quadrado por culpa dele — e nos casando no fim.

Mas, então, começou a complicar. Muitas vezes Yoongi me dava um bolo por estar ocupado com o seu "trabalho", mas o que eu poderia fazer? Eu tinha que agradecer por um gostoso universitário querer namorar comigo, um garoto de 17 anos.

E por mais que ouvisse uma voz na minha cabeça dizendo que o melhor a se fazer era terminar com Yoongi, eu deixei pra lá. Distanciei-me de amigos, de professores, de familiares e da pessoa mais importante da minha vida, minha irmã mais velha.

Mas eu era apenas um garoto imaturo, que pensava que Yoongi sempre me apoiaria, sempre estaria ao meu lado e nunca me abandonaria. No meu aniversário de 18 anos, seu presente para mim foi a nossa primeira noite juntos. E eu não posso mentir, ela foi incrível.

Aquele dia foi o nosso último dia bom. Pena que não sabemos que o último dia bom é o último dia bom, na hora é só um dia qualquer. Um filme me ensinou isso.

Eu engravidei da minha filha naquela noite, eu estava tão realizado! Yoongi não ficou contente e terminou comigo alguns meses depois de Hanna nascer. Hoje não me julgo tanto por não ter seguido os conselhos das pessoas que realmente se importavam comigo, porque se tudo isso não tivesse acontecido eu não teria a minha filha.

Quando terminamos e negociamos a guarda de minha bebê, entrei em contato com todas as pessoas que eu havia perdido e consegui fazer com que nossa relação voltasse.

Mas minha vida nunca mais foi a mesma e por mais que eu tente não demonstrar isso para Hanna eu sei que ela também está triste. Provavelmente não é comum para seus amigos de escola, uma criança ter dois pais, um viciado e irresponsável e o outro… o outro é apenas mais um fracassado da vida.

Só que eu sou feliz! Sou feliz por recentemente ter conseguido uma promoção importante no meu emprego em pouco tempo, sou feliz por ter por perto pessoas que se importam comigo e sou feliz por ter minha filha ao meu lado. Pode não ser o felizes para sempre que eu imaginava ter, mas esse está bom. 

— Papai? Quando saímos da casa do Yoongi? — Hanna perguntou-me sonolenta ao acordar. Estávamos sentados em um banco no ponto de ônibus, havia começado a chover e Hanna pega gripe muito fácil.

Suspirei ao ouvir ela chamando Yoongi pelo nome, desde mais nova eu tentei fazê-la chamá-lo de pai, mas ela nunca quis. Não a julgo, também não chamaria alguém de pai apenas porque ele me fez e me vê uma ou duas semanas no mês. Havíamos ido até a casa dele para conversar sobre isso, sobre os momentos que ele passava com nossa filha, mas ele pouco se importou.

— Não faz muito tempo, antes de começar a chover. O ônibus deve chegar logo, então poderemos ir para casa, pode voltar a dormir — tossi um pouco ao falar, estava uma noite bem fria. Mas para a minha (nem tanta) surpresa, Hanna pulou de meu colo e se sentou ao meu lado enquanto me abraçava com um de seus braços. 

— O senhor poderia ter me acordado, sou muito pesada para o senhor me carregar papai, já está na casa dos trinta, velhinho  — cantou a última palavra, me fazendo fingir uma expressão raivosa.

— Posso estar com trinta anos, mas estou inteirinho. Desculpa, meu bem, mas ter um corpo desses não é pra qualquer um! — ri, exibindo meu corpo para minha filha que colocou uma das mãos na barriga que já doía por conta das risadas.

— Concordo com o senhor — cessou as risadas, enxugando uma lágrima solitária que escorreu. E então eu também parei de rir, porque a beleza da minha filha e os momentos que nós costumamos passar, me faz querer parar no tempo. A nossa família está completa, e não precisamos incluir ninguém para estarmos felizes.

E quando eu novamente faria alguma brincadeira, um carro preto passou lentamente perto da gente e parou na entrada do beco do apartamento de Yoongi, como se quisesse observá-lo.

Senti um arrepio pela minha espinha e olhei para a minha filha, sabíamos que ele estava envolvido com coisas perigosas e por algum motivo aquilo me parecia muito suspeito, por isso agarrei um dos braços de Hanna sem muita força e me levantei cobrindo meu rosto.

— Vamos caminhando, Nanah, vai ser mais rápido — comecei a andar ao ver ela assentir e se pôr de pé. 

Tentei andar rápido sem parecer que estávamos fugindo de algo, e nesse ritmo não demorou para chegarmos em casa. Destranquei a porta da frente e Hanna correu para dentro de casa, jogando os tênis que usava no meio da sala.

— Minha casinha, que saudade — Hanna se sentou de cabeça para baixo no sofá enquanto ria.

— Hanna, eu vou contar até três e se depois disso os seus tênis ainda estiverem aqui, você vai se ver comigo — disse brincalhão e me virei para a janela, começando a contar até três. 

Quando me virei, consegui ver ela quase caindo ao subir as escadas e virando para o corredor que dava pro quarto dela.

Ri baixinho comigo mesmo e fui até a janela, afastei a cortina para que eu pudesse ver o movimento da rua, e não tinha sinal algum daquele carro preto.

— Pai, não tô achando minha toalha — gritou da escada, me fazendo negar pesadamente.

— Meu Deus, garota, você não sabe procurar nada — brinquei, subindo as escadas para procurar a toalha dela, mas algo me dizia que eu também não iria achar tão cedo.

 

 

Narradora

 

O cheiro de tabaco impregnava o ambiente, deixando algumas pessoas desestabilizadas ao sentirem o efeito do odor. 

A vibração das batidas das músicas que tocavam nos dois enormes paredões faziam as paredes tremerem e os outros moradores do prédio ficarem com dor de cabeça. Pessoas estavam espalhadas pelo apartamento dançando, tirando a roupa, banhando na piscina, fumando e bebendo. 

JP caminhava pelo seu apartamento com um charuto na boca, homens vestidos de preto da cabeça aos pés lhe seguiam e duas mulheres se encontravam cada uma ao seu lado. Muitas pessoas tentavam falar com ele enquanto este andava, mas não conseguiam e se podia distinguir se era por culpa deles não conseguirem nem piscar sem sentir vontade de desabarem duros no chão ou se porque JP passava reto com uma carranca, apressado em chegar no seu escritório. 

Ao parar em seu destino a porta foi aberta por ele e as duas mulheres ao seu lado foram puxadas pelos seguranças, deixando bem claro que JP não queria a presença delas lá dentro. Três destes seguranças entraram com ele, o resto ficando de guarda na porta. Dentro do escritório não parecia que estava tendo uma festa do lado de fora se não fosse pela música, que estava abafada. De costas para JP havia um homem sentado na cadeira em frente à sua mesa. 

— Demorei demais, foi mal, me ocupei com uma loira — ele levantou as mãos para cima e se alongou, antes de sentar de frente para o homem, não dando muita importância para o que ele pensava sobre — Vamos logo ao assunto, conseguiu o que eu pedi?

— Está aqui — jogou as fotos em cima da mesa e viu JP sinalizar para que um de seus seguranças pagasse as fotos — Pode me informar logo como irei fazer? Não sou como seus funcionários que estão trabalhando 24 horas para você. 

— Calma, Jeon, está estressadinho, garoto? — JP parecia ter engolido todo o veneno do mundo e agora cuspia-o no rosto de Jeon.

— Sabe que se eu pudesse não estaria tendo essa conversa com você, Jay Park. E minha paciência está acabando, então anda logo — respondeu enquanto rolava os olhos e aguardava as instruções de Jay Park.

— Calminha, assassino de aluguel. Você ainda tem muito trabalho pela frente e o primeiro é dar um jeito no pai da filha de Yoongi, Park Jimin — o segurança jogou as fotos novamente na mesa após ouvir a fala de seu chefe, só que dessa vez em três delas havia um círculo vermelho em volta de uma pessoa, Jimin, especificamente — Isso será um aviso para Yoongi, se ele não der que eu quero ele e sua filhinha serão os próximos da lista.

As orbes escuras de Jeon que observavam as fotos que continham o tal Jimin se direcionaram até Jay Park, o assassino de aluguel estava abismado ao ouvi-lo dizer que poderia matar uma criança.

— Eu não mato crianças — Jeon avisou, direto, a voz saindo mais séria do que o esperado.

— Não será você que matará ela e não é certo que alguém precisará matá-la — ele foi franco ao falar, mas logo colocou um sorriso ladino em seu rosto e se levantou — Pode ir embora ou ficar na festa, eu estou indo aproveitar. 

E assim, JP saiu do escritório, deixando o assassino de aluguel com as fotos, uma dor de cabeça e um trabalho em mãos. 

 

 

Park Jimin

 

Atrasados!

Nos encontrávamos totalmente atrasados para a aula de Hanna, maldito filme de romance que passou da meia noite.

Após Hanna tomar um banho ontem à noite, ela me informou que às 12h em ponto começaria Um amor para recordar, e eu, claramente como um romântico  de carteira assinada, não poderia perder aquele filme incrível. Bom, fomos dormir às 2h após discutirmos todo o filme, e como eles formavam um casal perfeito. E agora, às 7h, estávamos apressados para chegar na escola até às 7h10min, coisa que vai ser bem difícil já que a escola é bem longe. 

— Pai, pelo amor de Deus, para de comer! — Hanna gritou apressada, correndo pela mesa pegando um pão e enfiando na boca. 

— Vamos, vamos — chamei com dificuldade por estar com minha boca cheia de pãezinhos, peguei a chave em cima da mesa e me apressei para pegar a mochila que usaria para levar algumas coisas para meu trabalho hoje, sentindo duas mãos macias pressionarem e empurrarem minhas costas quando abri a porta.

— Como vamos chegar lá tão rápido, pai? — ela me perguntou ao sairmos de casa e observarmos o trânsito, que graças ao universo, estava calmo.

— O táxi, anda! — bradei ao ver um táxi encostando do outro lado da rua, segurei a mão de minha filha e juntos corremos para alcançar o veículo, parecíamos dois doidos que haviam visto uma alma penada.

Abrimos a porta e entramos com tudo, dando o endereço ao taxista que assentiu e começou a dirigir normalmente, mas não tão normal para que está atrasado como Hanna.

— Moço, pelos céus, acelera esse carro — suplicou, passando a mão pelos cabelos lisos que iam até seus ombros. Eu estava quase pedindo mesmo ao motorista para que acelerasse, minha filha é uma estraga prazeres!

— Hanna! Não fale assim com o homem. Siga nesse ritmo moço, não tem problema — repreendi minha filha e dei um sorriso singelo ao motorista, que me observou pelo espelho do carro e deu um aceno gentil. O problema foi que logo após me arrependi de ter dito essas palavras, já que parecia que ele estava indo ainda mais lento — Ai, meu senhor, acelera aí! Acelera! — meu tom de voz saiu mais desesperado do que eu consegui controlar, mas meu pedido foi atendido pois no mesmo instante o homem acelerou o carro.

Alguns minutos depois chegamos à escola de Hanna, que fazia a última chamada para os alunos entrarem. Suspirei aliviado e Hanna correu para dentro da escola, me surpreendendo ao parar no meio do caminho e voltar até meu encontro com os lábios em uma linha reta.

— Por favor meu amor, não me diz que esqueceu alguma coisa — pedi quando ela estava um pouco distante, mas esta apenas negou e com um de seus dedos, me sinalizou que eu precisava me aproximar e me abaixar. 

Ao fazer isso senti os lábios macios e finos de minha filha depositarem um selinho rápido em minha bochecha. Selinho este que fez o meu coração bater mais rápido e eu sentir meu peito ficar quente, minha filha é a coisa mais preciosa da minha vida.

Com um sorriso pressionei meus lábios de sua bochecha até a testa de Hanna, deixando cinco selinhos estalados por toda a sua testa. Isso fez Hanna soltar uma risada parecida com a que soltava quando era um bebê e eu fazia isso, uma risada que faria qualquer pessoa sentir vontade de morrer por conta de tanta fofura.

— Quando terminar aqui, direto para a J&C, viu? — lembrei, J&C é o local de meu trabalho, era o primeiro dia de aula da Hanna lá, ela faria aulas de dança — Te amo meu amor, estude muito.

Despedi-me dela, que sorriu e me deu mais um beijo para logo depois correr para dentro da sua escola, que esperou apenas ela entrar para fechar os dois grandes portões. 

Sorri sozinho e então me pus a andar até o meu local de trabalho, J&C não é tão longe, mas também não é tão perto. Após alguns minutos andando eu finalmente cheguei lá, minha chefe me esperava com um sorriso no rosto na porta da academia. Ao me ver, correu ao meu encontro fazendo o sorriso crescer cada vez mais.

— Jiminnie! Não imagina o tamanho da minha felicidade — ela me rodopiava e agarrava em meu braço direito, eu já estava ficando tonto, mas não conseguia me impedir de sentir uma felicidade por ver Momo assim — Fomos classificados como a segunda melhor academia de dança do país. 

Coloquei minha mão na boca abafando o grito eufórico que saiu da minha garganta quando soube da notícia, totalmente incrível! 

— Eu não acredito, Momo! — ela deslizou sua mão do meu braço até minha mão, entrelaçando-as e me puxando para dentro da academia.

Lá dentro consegui ver Lisa nos esperando sentada no sofá da recepção, mas ao nos ver fez uma dança estranha e bateu palminhas, demonstrando que também estava animada com tudo que acontecia.

— Eu estou chocado, céus! — gritei, Momo que segurava apenas uma das minhas mãos, segurou a outra e começou a pular comigo.

— Essa notícia está ganhando o cargo de melhor notícia envolvendo a academia do ano, está ganhando disparado! — Lisa exclamou com um sorriso de rasgar os lábios.

J&C sempre fora uma academia de dança grande, tendo filiais por 5 continentes, Ásia, Europa, África, América e Oceania. Mas já havia feito mais de 20 anos que a academia havia disputado por um lugar no ranking nacional. Eu sempre amei observar esse lugar desde criança e, bom, eu finalmente realizei um de meus sonhos, trabalhar no lugar que me arrancava suspiros.

— Tudo bem, iremos comemorar mais tarde, agora pro trabalho — minha chefe bateu palmas ao falar, me desvencilhei dela e corri para o balcão.

Tirei minha mochila das costas, sentindo o peso e a pequena dor sumirem. Graças aos céus. Retirei de dentro da mochila o meu pen-drive e o pluguei no computador da empresa no mesmo instante em que ouvi a porta ser aberta. Ergui o olhar apenas para ver algumas crianças entrarem, todas já conhecidas por mim. Sorri ladino e voltei a me concentrar em passar os dados de Hanna para a ficha de crianças inscritas na academia. 

— Bom dia, tio Jiminnie — as crianças me cumprimentaram em uníssono, parando em frente ao balcão esperando que eu falasse com elas para enfim poderem esperar o horário de suas aulas.

— Bom dia, crianças.

— Por que está no balcão hoje? Não vai mais dar aula de dança? — Uma delas perguntou, se apoiando no balcão. 

— Porque o Taemin só irá poder chegar hoje às 12:00, então vou cobrir o turno da manhã dele. E é óbvio que vou continuar dançando, vocês viveriam sem mim? — respondi, arrancando risadas destas que afirmaram que eu era o melhor professor da academia. 

Ao terminar de passar os dados, levantei meus braços para me alongar e quando olhei para frente, levei um susto silencioso. Um homem estava apoiado no balcão, me observando atentamente com sua filha ao lado.

— Olá, uh… — tossiu forçadamente ainda me observando — Bom dia, eu fiquei sabendo que haviam vagas disponíveis aqui e vim matricular a minha filha — falou, agora com a voz mais grossa que antes, e por citar a filha na fala, ele fez a minha atenção ser voltada à ela — Poderia me ajudar com isso?

Tive que morder meu lábio inferior e mover meu olhar para a tela do computador antes de olhá-lo novamente, só assim para conter o suspiro que eu iria soltar. A forma como ele me perguntou mexeu comigo de uma maneira estranha e eu senti vontade de… foco, Jimin! O que está acontecendo com você? 

— Oh, sim, claro que posso — sorri, tentando parecer o mais simpático possível e não fazer uma expressão que parecesse dizer: eu poderia ficar excitado ouvindo você fazer aquela pergunta. Que droga. — Vou precisar de alguns documentos dela, vocês trouxeram? — perguntei, alternando o olhar entre ele e ela.

— Sim, trouxemos sim — a menina respondeu, retirando uma pasta amarelo queimado da bolsa dela.

Agradeci e peguei a pasta, explicando-os sobre a taxa de inscrição e mensal, os horários e os dias de aula.

— Pois então, está tudo certo, eu só quero saber se tem como ela ter a primeira aula ainda hoje? — ele perguntou novamente, mas dessa vez eu não me senti ao ponto de beijá-lo, talvez seja porque essa frase não tinha como eu encaixar um duplo sentido. 

— Olha, nesse horário não… mas posso encaminhá-la para uma aula às 13h  — informei, vendo a menina, que descobri que se chama Yeri e tem 12 anos, assim como Hanna, assentir freneticamente e um sorriso nascer no rosto dos dois, mostrando como realmente se pareciam. Mas minha atenção foi totalmente voltada ao homem, que descobri que se chama Jungkook, Jeon Jungkook.

Seus cabelos eram mais ou menos da altura de suas orelhas, os lindos fios castanhos caíam sobre seus olhos. Estes que me hipnotizaram assim que os vi, as orbes negras pareciam carregar todas as estrelas da galáxia, mas também algum tipo de mistério, e me observavam de cima a baixo, como se pudesse ver a minha alma. Sua pele me dava vontade de afagá-lo por parecer tão macia, não era totalmente branca pois tinha um toque de bronzeamento, mas o que mais me chamara atenção era os seus lábios, finos e rosados que estavam abertos em um sorriso onde podiam ser vistos os dois dentinhos mais avantajados dele, dando um ar fofo que me cativou. 

— Então, está tudo certo? Preciso assinar algo? — indagou após pagar a inscrição. Neguei sentindo as orbes negras em mim, alguma coisa nelas me fazia pensar que ele sabia algo de mim, me fazia sentir que eu já havia visto ele antes — Obrigado, nos vemos logo — agradeceu, me fazendo sair do transe em que havia entrado.

Despedi-me dele e de Yeri, soltando a respiração que nem percebi que havia prendido ao vê-los saindo pela porta.

Aquele homem me deixava curioso, e eu não sabia por qual motivo.

 

 

Às 11:50, Hanna entrou pela porta da J&C admirada. Observava tudo com a boca entreaberta e acho que ela quase teve um ataque ao ver a cabine fotográfica ao lado da TV. Vê-la dessa forma lembrava-me de quando era eu ao passar por essas portas. Eu apenas entrei porque minha mãe trabalhava como balconista aqui, então sempre que podia, ela me trazia.

Obviamente não tinha tantos objetos recentes ou tecnológicos, mas ainda assim era um lugar mágico aos meus olhos. Quando entrei naquele local pela primeira vez, caía uma chuva densa lá fora, cúmplice do meu nervosismo que cada vez mais se fazia presente. As portas que hoje se abrem automaticamente ao se colocar os pés em um tapete eram apenas portas giratórias que você tinha que empurrar. E eu me lembro bem que estava tão absorto e nervoso por estar a um passo de entrar onde eu queria estar, que só o fiz porque minha mãe havia me puxado para dentro.

A TV que hoje em dia é uma Smart TV, antigamente eram três TVs grandes de tubo em cada canto da recepção. As pessoas dançavam e cantavam enquanto esperavam as aulas começarem, o balcão nunca ficava vazio, minha mãe adorava isso.

A cabine fotográfica sempre esteve ali, com inúmeras fotos pregadas em decoração nas suas laterais, fotos com pessoas sempre sorrindo, algo que demonstrava o que elas sentiam ao dançar ali, felicidade. Lembro-me que enquanto observava tudo alegre vi no fim do corredor uma senhora, Kim Heri, ela era a zeladora. Todo dia — pelo menos, era isso que ela me falava — ela parava em frente a cabine fotográfica e ficava olhando, eu sempre me perguntei o que era e um dia aproveitei para ver. Na cabine, havia fotos dela e de um homem, ao que parece eles trabalhavam ali há alguns anos juntos, mas o homem acabou morrendo. Ela sentia que se continuasse a trabalhar na academia seria uma forma de reviver toda a felicidade que sentiu e que mesmo com 65 anos ela ainda se sentia feliz de ao menos colocar os pés dentro da academia.

E então isso me fez refletir se eu ainda sentiria tudo que eu sentia na época apenas por estar na academia. Se eu ainda sentiria o coração bater mais forte, as mãos tremerem um pouco e um sentimento estranho dar um calor para o meu peito. Sentimento este que me deixava ansioso por não saber o que aconteceria lá, também me deixava com vontade de gritar e de dançar, pois isso era minha paixão. E bom, hoje eu posso confirmar que ainda sinto isso. Talvez não com tanta intensidade como antes, pois outras coisas ficaram no lugar da academia na minha vida, mas eu ainda sinto o que eu sentia antigamente.

— Terra para Jimin, Terra para Jimin — despertei da minha onda de nostalgia ao ouvir a voz de Hanna e ver ela estalar os dedos na frente de meu rosto — No que pensa tanto, pai?

— Só me lembrando de quando era eu a entrar por aquela porta — esclareci, com um sorriso nostálgico no rosto. Passei meus braços pela cintura dela e a abracei fracamente, me afastando ao ouvir sua voz melodiosa. 

— Faz muito tempo não é pai? — perguntou-me.

— Não faz tanto tempo assim — fingi estar ofendido, me afastando ainda mais dela e cruzando os braços em meu peito.

— Pai, tudo que aconteceu depois dos 29 é considerado velho — afirmou, rindo da careta que eu estava fazendo.

— Pois vamos fazer um trato, entre nós agora é depois dos 30 e como eu fiz 30 anos apenas há 3 meses, eu não posso ser chamado de velho. Só quando eu for fazer 31 anos — sussurrei, deixando claro que era um segredo nosso. 

— Aí vamos ter essa conversa de novo? — perguntou, brincalhona.

— Isso mesmo, espertinha — dei um tapinha na testa dela e a puxei pela mão para fora da academia — Vamos almoçar. 

Andamos até um restaurante perto da academia, quase do outro lado da rua. Hanna balançava o cabelo e pulava até a nossa mesa, revirei os olhos ao perceber que ela estava me provocando. Já fazia mais de um mês que ela pedia para eu deixar ela pintar o cabelo,  e realmente, não posso negar que a minha filha ficaria linda com o cabelo pintado, puxou o pai, não é mesmo?

— O que acha de pedirmos bulgogi? — perguntou sem olhar para os meus olhos, seu olhar estava focado no cardápio em suas mãos.

Antes de responder, observei o quanto somos parecidos. As sardas mais ou menos apagadas que Hanna puxou para mim salpicavam seu nariz e metade das bochechas. Era o que eu mais gostava de olhar para ela e o fato dela estar sempre contorcendo e fungando o nariz fazia a minha atenção ir sempre para lá. Mas se me perguntassem o que eu achava mais bonito em minha filha, que também tem em mim, eu diria que são os seus olhos. 

Não é segredo para ninguém que eu amo os meus olhos, os encaro com a parte mais bonita de meu rosto, e sem querer me gabar, eles são atraentes. Gosto da cor preta deles e de como eles ficam quando eu sorrio, gosto de quando eu pisco e gosto quando o meu olho esquerdo pisca involuntariamente quando estou com fome. Eu gosto deles apenas por entrarem em contraste com a minha pele, e posso dizer que minha filha puxou os meus olhos. Eles são um pouco maiores no rosto dela e não ficam tão pequenos quando ela sorri, mas dá para enxergar a semelhança, da para me enxergar neles. O resto do rosto ela puxou quase todo de Yoongi, a boca, o tamanho das bochechas, o nariz e até mesmo as sobrancelhas. 

Mesmo que ela negue, ela é bem parecida com seu outro pai.

— Por mim, tudo bem — respondi, vendo ela assentir e sorrir para mim ao ver eu chamando o garçom e fazendo os nossos pedidos. Não demorou tanto para nossa comida ficar pronta, aquele restaurante era famoso pela comida ser boa e preparada em pouco tempo.

— Ainda quer pintar o cabelo? — perguntei como quem não quer nada, enquanto colocava a minha última porção de bulgogi na boca. Por não receber resposta alguma, levantei meu olhar para a minha filha que me encarava boquiaberta e com os olhos arregalados. Arqueei as duas sobrancelhas esperando uma resposta, e ao ver eu fazer isso, Nanah balançou a cabeça rapidamente, ação esta que deveria representar uma resposta positiva.

— Sim, pai, quero muito! — exclamou animada, seus olhos brilhavam e seu rosto faltava rasgar por culpa do enorme sorriso.

Ela me bombardeou com inúmeras perguntas sobre o dia que poderíamos ir, se poderia levar alguma amiga com ela e outras além, era super engraçado ver ela animada com algo tão simples e comum na minha percepção. O caminho até a academia foi repleto de sorrisos e reflexões sobre as melhores cores para se pintar um cabelo. Eu só sabia rir de Hanna, esta que pareceu não gostar muito disso.

— Olha, sua roupa está na mochila que está no balcão, peça ao Taemin. Você tem 20 minutos até a aula começar — instrui-a, não demorou para ela pegar a mochila e correr até um dos banheiros da academia para se trocar.

Eu já estava com a roupa que usaria para dar aula, então apenas me sentei no sofá de espera e peguei uma das revistas que estavam na mesinha de centro. Uma música internacional tocava na TV, se não me engano do Brasil. Quando finalmente consegui me concentrar na revista senti algo gelado tocar o meu ombro coberto pela manga da camiseta. Virei meu rosto rapidamente para o lado e encontrei Yeri, filha de Jungkook. Ela me observava com o rosto corado e o cabelo curtinho cobrindo um pouco da parte esquerda de seu rosto.

— Oi, moço, Jimin, não é? Eu sou a Yeri, a de mais cedo — ela falava com um sorriso envergonhado, sorri de volta e deixei a revista de lado — Eu vim para a aula das 13h, posso me sentar ao seu lado?

Ela perguntava tudo baixo demais e se eu não estivesse muito perto dela acho que não conseguiria ouvi-la.

— Claro, sem problemas — respondi, vendo-a sentar ao meu lado envergonhada.

Entrei em uma conversa com ela, sobre porque escolher a dança e porque gostava tanto. Continuamos conversando até Hanna chegar animada até nós, parando de pular ao ver Yeri ao meu lado, seus olhos brilharam. 

— Oi — cumprimentou, recebendo um aceno tímido da parte de Yeri. Hanna virou o rosto na minha direção discretamente e ergueu as duas sobrancelhas, aparentemente esperando que eu as apresente.

— Hanna, essa é a Yeri, ela também é nova aqui e tem a sua idade. Yeri, essa é a Hanna, minha filha — apresentei-as, que começaram uma conversa animada sobre como a academia era legal.

Com um sorriso fraco no rosto, virei o mesmo na direção da porta e me esfriei totalmente. Vi um vulto preto sumir assim que eu olhei e não demorou muito para que o mesmo carro que havia passado por mim e por Hanna na noite em que saímos da casa do Yoongi passasse em uma velocidade exagerada. Eu posso estar imaginando coisas, mas não fazia sentido eu imaginar logo isso.

Balancei a cabeça tentando afastar esses pensamentos e me virei para frente novamente, vendo um de meus alunos no corredor, assenti sozinho e me virei para as meninas que agora conversavam sobre que cor Hanna deveria pintar o seu cabelo.

— Meninas, acho que a aula de vocês já vai começar — avisei-as, vendo-as assentir e se levantarem.

Caminhamos juntos até o corredor, mas lá elas duas foram para um lado e eu e meu aluno fomos para o outro. Chegamos na sala depois de alguns passos e todos os alunos já me esperavam lá.

— Boa tarde, gente. Hoje vai ser a última aula de dança contemporânea. Logo entraremos no ritmo latino — disse, arrancando risadas divertidas e palmas dos alunos.

 

 

Sai da aula às 16h10min e segui até a recepção, parando no meio do caminho ao ver o Jungkook sentado no sofá. 

Não fique parado como um idiota, vá falar com ele, vá falar com ele!

Falei para mim mesmo, então desamassei a calça moletom que usava e comecei a andar em sua direção, desviando do caminho antes que ele pudesse me ver. Olhei em volta para ver se mais alguém havia visto ou eu não tinha passado vergonha para ninguém além da minha consciência. No fim, acabei percebendo que Taemin ria da minha cara, idiota.

Comecei a andar na sua direção, até o balcão, mas fui impedido por uma voz grave.

— Jimin! — ouvi, a voz fez-me arrepiar da cabeça até os pés. Dei meia-volta para encontrar a pessoa de quem estava fugindo me chamando com a mão.

Tudo bem, minha consciência estava dividida nesse momento, como se fossem duas pessoas. Uma estava com um ponto de interrogação enorme acima da cabeça, me perguntando porque diabos eu estava fugindo de um gostosão que aparentemente queria falar comigo e a outra estava apenas mandando eu me fingir de doido e sumir. 

Resolvi parar de agir como um adolescente ao ver seu crush — por mais que eu ache que ninguém iria fugir se visse o crush, a não ser que estivesse totalmente suado e desarrumado como eu — e caminhei até Jungkook com o meu melhor sorriso no rosto.

— Olá, Jeon — cumprimentei ao parar na sua frente, tendo que me afastar dois passos quando ele levantou, ficamos tão próximos que fiquei até zonzo.

— Por favor, nada de formalidades, pode me chamar de Jungkook — sorriu fofo, fazendo com que eu pudesse ver os seus dentinhos parecidos com os de um coelho. Isso me fez derreter — Você tem algum sinal da Yeri?

— Na verdade, não. A minha aula acabou nesse exato momento, então você é a primeira pessoa com quem estou falando desde que saí da sala, mas não se preocupe. A minha filha saiu com ela para a aula, então logo elas duas aparecem por aqui — disse tentando arrumar meu cabelo, que parecia ter criado um amor platônico pela minha testa. 

— Olha, você já me traz duas surpresas — falou e logo após mordeu os lábios, fazendo a minha sanidade ir para o espaço — Não sabia que era professor de dança aqui, muito menos que tinha uma filha.

— Não tivemos muito tempo para conversar, mas por que a surpresa? Não tenho o perfil de pai ou de professor? — fiz as perguntas em um tom brincalhão ao me sentar no sofá, porque senão eu iria cair duro no chão caso ele mordesse novamente seus lábios. Ele se sentou ao meu lado enquanto ria.

— Não achei que fosse professor pois estava aqui na recepção mais cedo e sobre a questão do perfil de pai eu já não sei, apenas me surpreendi. É casado, então? — algo no seu tom de voz me fazia pensar que ele já sabia a resposta, mas que de alguma forma estava me estudando. Eu realmente não sei o que anda rolando na minha cabeça desde que eu vi aquele carro preto ontem à noite.

— Não, eu e o outro pai dela somos solteiros — disse, revirando os olhos após sentir alguns fios de meu cabelo caírem novamente sobre minha testa.

— É estranho eu ter ficado feliz com essa notícia? — perguntou-me com seus olhos queimando o meu rosto. Senti minhas bochechas ficarem quentes, e ao ouvir a risada maliciosa que ele soltou, apenas consegui sentir seus dedos retirando os fios de cabelo que estavam na minha testa e colocando no lugar deles.

Ficamos nos olhando por alguns segundos, ele com um sorriso ladino e os olhos nos meus a todo momento e eu com o coração quase saindo pela boca e o rosto ganhando cada vez mais um tom avermelhado.

— Pai! — ouvi a voz de Hanna me chamando, desviei o olhar e virei minha cabeça na direção em que ouvi a voz. Ela vinha de mãos dadas com Yeri, as duas estavam com um sorriso sapeca no rosto, provavelmente estavam aprontando alguma.

Mesmo com o rosto na direção contrária do de Jungkook, eu ainda sentia o seu olhar queimar o meu, e esse fato era o que me impedia de não corar — A Yeri pode ir com a gente quando formos pintar o cabelo? — perguntou, enquanto entrelaçava as próprias mãos na frente do corpo.

Me virei para Jungkook, que ainda me olhava. Ele apenas aumentou o sorriso e assentiu.

— Tudo bem, claro que ela pode ir — permiti. Yeri arregalou os olhos, animada, já Hanna apenas deu um sorriso e sussurrou algo para que apenas as duas ouvissem. — Jungkook, eu vou te dar o meu número e avisar quando poderemos ir, provavelmente será quinta-feira — disse, vi ele arquear as sobrancelhas e seu sorriso cresceu ainda mais. Esperei ele me dar o celular para eu poder salvar o meu contato.

— O senhor também vai, papai? — Yeri que até então estava calada, perguntou para o pai que havia me entregado o seu celular.

— Não, mas tenho que te deixar e buscar, meu amor — explicou quando recebeu seu celular de volta.

Yeri assentiu e entrou em uma conversa com seu pai sobre a aula de dança, já eu fiquei esperando Hanna voltar com as duas mochilas, coisa que não demorou para acontecer.

— Bom, até logo — me despedi, recebendo uma olhadela de Jungkook.

— Eu te mando mensagem quando eu chegar em casa, Hanna. — Yeri avisou, vendo minha filha apenas assentir. Acenamos para eles e então saímos da academia de mãos dadas, em direção a nossa casa.

Quando chegamos em casa, deu tempo apenas para nós dois tomarmos um banho e Hanna começou a me bombardear com inúmeras perguntas que envolviam eu e Jeon. Ela perguntava sobre como havíamos ficados tão próximos para eu chamá-lo pelo seu nome e não sobrenome, se iríamos ficar ou se eu havia gostado dele. Eu criei uma filha extremamente curiosa!

 

 

Narradora

 

A quarta-feira havia chegado, e com elas mais uma manhã de trabalho. Enquanto Jimin começava uma dança diferente com seus alunos, Jungkook observava a rotina do acastanhado para seu trabalho terminar logo. Obviamente o moreno estaria mentindo se falasse que não se sentiria triste ao fazer esse trabalho, mas também não sabe o que sentiria, seus sentimentos ainda não estão lúcidos o suficiente em sua cabeça.

Já de noite, após Jimin fechar a academia, ele não encontrava nem um táxi e não estava afim de esperar o ônibus. Enquanto ia andando em direção à sua casa, se deparou com um beco escuro, um atalho que lhe faria chegar bem mais rápido. Mas Jimin já havia assistido a filmes de terror demais e passou direto por lá, porém esta pode não ter sido uma escolha tão boa para ele.

No meio do caminho, Jimin começou a se sentir desconfortável. A sensação de estar sendo seguido já estava quase virando palpável por estar tão presente ali, mas a coragem de se virar não se encontrava no acastanhado, seu medo era de virar e dar de cara com aquele mesmo carro preto de dois dias atrás. Ventava muito e isso fazia as folhas das árvores balançarem e assustarem Jimin, que tentava não correr. 

Mas esquecendo tudo isso e se Jimin apenas se virasse e notasse que não estava sendo seguido, ele com toda a certeza falaria que aquela noite estava completamente linda. As estrelas brilhavam fortemente no céu escuro, a ventania batia contra o Park e o deixava com uma ótima sensação e não fazia barulho algum. Noite perfeita para relaxar e era exatamente isto que ele iria fazer ao chegar em casa.

A onda de pensamentos foi interrompido pelo barulho de rodas de carro se aproximando, Jimin fechou os olhos por um instante e sentiu suas mãos começarem a tremer e seu coração bater fortemente em seu peito. O barulho parou e, com ele, Jimin também.

— Jimin, não está muito tarde para andar a pé em uma rua escura? É perigoso, entra aí, eu te dou uma carona — Jimin ouviu a voz grave de Jungkook, isso o fez virar a cabeça rapidamente, vendo-o com o corpo inclinado na direção da janela de seu carro vermelho.

— Oh, olá, Jungkook. Não se preocupe, logo eu chego em casa — disse envergonhado, a presença de Jungkook o deixava assim, envergonhado e doido por um beijo. Obviamente Jungkook percebia isso e se aproveitava às vezes, e agora, mesmo tentando manter o foco em apenas fazer o seu trabalho, não tinha como ele não ficar sobrecarregado de fofura. 

— Nem ouse, não aceito um não como resposta. Entra no carro, Jimin — ordenou, foi uma ordem disfarçada de pedido, mas foi uma ordem.

Jimin assentiu em silêncio e sorriu sem mostrar os dentes, para depois rodear o carro e abrir a porta da carona. Informou seu endereço e eles seguiram metade do caminho em silêncio, até Jungkook quebrá-lo.

— Você deve estar se perguntando por que diabos aceitou uma carona de um pai solteiro que você mal conhece — começou a falar risonho e com o canto do olho viu Jimin assentir brincalhão e fingir estar pensativo, então tratou a continuar — Ainda mais, pai de uma de suas alunas.

— Engraçado, eu estava mesmo me perguntando isso. Mas estamos no mesmo barco, também sou um pai solteiro e sou professor de minha filha. Então, também deve estar se perguntando por qual motivo me ofereceu carona — brincou, arrancando risadas de Jungkook, que já encostava o carro na calçada da casa de Jimin — Obrigado pela carona, temos amanhã para vermos se as nossas decisões foram boas mesmo, você vai conosco para o salão de beleza? 

— Não, infelizmente tenho assuntos de trabalho a resolver, mas que tal nos encontramos mais tarde amanhã para jantarmos? Eu, você e as meninas? — perguntou, sorrindo meigamente. Ao ver Jimin assentir feliz, seu sorriso se alargou. — Mas não vou precisar de amanhã para saber que minha decisão foi boa, eu sei que foi — afirmou com um tom galanteador, movendo alguns fios de cabelos que estavam caídos sobre a testa de Jimin para seus devidos lugares, fazendo com que as pontas gélidas de seus dedos tocassem a pele de sua testa e o acastanhado tremer com o contato dos dois. 

Jimin estremeceu ao ver Jungkook inclinar seu corpo lentamente para mais perto dele e seus rostos se aproximarem cada vez mais. O moreno deu um sorriso ladino ao ver Jimin fechar os olhos e quando os dois puderam sentir os hálitos em seus rostos, um trovão alto pôde ser ouvido e fortes gotas de água começaram a cair.

O acastanhado abriu os olhos rapidamente e olhou para fora pelo vidro da frente do carro, abriu a porta do carro e virou rapidamente para Jungkook, que sorria sem jeito, mas ao mesmo tempo animado.

— Obrigado Jungkook, obrigado mesmo. Amanhã a gente conversa e termina… não sei o quê que aconteceu aqui — riu e saiu correndo em direção À porta de sua casa, abrindo-a após espiar em direção ao carro vermelho de Jungkook.

Atrás dos vidros escuros, encontrava-se um Jungkook sorridente. Não por avançar mais de dez passos em seu trabalho, — para ser sincero ele estava tentando ao máximo não lembrar disso no momento — na verdade era porque pela primeira vez em muito tempo ele havia sentido seu coração bater mais rápido por alguém como sentia quando era adolescente. E ainda com um sorriso no rosto ele desbloqueou seu celular ao ouvir o som da notificação de mensagem, mas desmanchou-o ao ler o que estava escrito na caixa de texto. 

 

Número desconhecido:

Eu quero o trabalho feito até sábado, Jeon, você só tem essa semana. [21:30]

 

Sentiu uma gota de suor escorrer pelo seu rosto, mas não era por culpa do calor e sim por ser lembrado do seu propósito desde o início ao se aproximar de Park Jimin: matá-lo.

Já Jimin estava escorado na porta de sua casa, quem o visse ali o confundiria com um adolescente que acabara de ter o seu primeiro encontro com a pessoa que amava e era assim mesmo que ele se sentia.

Podia ser muito cedo para falar em amor e com toda certeza ele achava isso estranho, era por isso que ele não diria que o amava. Mas talvez Jimin estivesse começando a sentir algo por ele, começando a gostar de Jungkook.

— Estava com o Jungkook, hein, papai? — Hanna perguntou maliciosa das escadas, estava com uma das sobrancelhas arqueadas e com as mãos na cintura. O seu tom de voz deixara Jimin incrédulo, quem havia ensinado essas coisas para a sua filha?

— Não enche, Nanah, não enche, garota — reclamou brincalhão, desencostando da porta e caminhando até a cozinha em meio à risadas.

 

 

— Vamos, Nanah, aposto que Yeri já está nos esperando — chamou ao lado da porta enquanto esperava Hanna descer de seu quarto, ela estava demorando até demais.

— Já desci, já desci. Podemos ir — disse após descer as escadas, pegou sua bolsa e se pôs ao lado de seu pai, que negou rindo e abriu as portas.

Não demorou para chegarem até o salão, o trânsito estava bom demais hoje, tudo estava bom demais hoje.

Ao chegarem, viram de relance os cabelos curtinhos e super pretos de Yeri. Hanna correu até a amiga, surpreendo-a ao tampar seus olhos.

— Pronta para pintar o cabelo, dama? — Yeri perguntou, se soltando cada vez mais.

Hanna assentiu animadamente e começou a dar pulinhos de ansiedade. Para Jimin, a coisa mais reconfortante de sua vida era ver a relação delas duas, saber que Hanna tinha alguém que podia confiar e amar era uma das coisas mais felizes de sua vida.

— Boa tarde, você é o senhor Park? O que marcou o atendimento pras 14h? — uma recepcionista perguntou ao se aproximar dos três e sorriu singela ao ver Jimin assentir — Apenas vocês duas irão pintar o cabelo? 

— Não, nós três pintaremos — Hanna tomou a dianteira, falando pelos três.

— Hanna, esse não era o combinado — argumentou, ou melhor, apenas tentou.

— Papai, meu aniversário está chegando, esse é o melhor presente que pode me dar. Aproveitar um dia no salão de beleza comigo e com minha melhor amiga, por favor — pediu, juntando as mãos em pedido e Yeri seguiu a deixa da amiga. 

Jimin pensou por um momento, mas acabou se dando por vencido ao ver os olhos suplicantes de sua filha, ela precisava daquilo.

Caminharam juntos até uma sala grande, várias mulheres e homens andavam pela sala e cumprimentavam a recpicionista a sua frente, mas ela não parou para bater papo com ninguém e apenas parou de frente para uma mulher, que os três identificaram como uma cabeleireira.

— Fico feliz que tenham chegado e vejo que iremos trabalhar com cabelos ótimos. — a mulher com covinhas fofas e cabelo chamativo disse animada ao chegar perto dos três, sinalizou com os dedos para que mais dois cabeleireiros viessem e então sorriu maliciosamente — Vocês vão ficar lindos.

Algumas horas depois, Jeon entrou no salão. Ele havia recebido algumas mensagens de Yeri dizendo que ele já poderia buscá-la e que na verdade, já era melhor eles irem direto para o restaurante porque estava anoitecendo.

Não demorou para ele avistar o rosto de Hanna em meio às pessoas que estavam no salão, agora a menina estava com os cabelos pintados de um verde limão. Ela ria e balançava os cabelos, e logo depois, Jungkook conseguiu ver Yeri ao seu lado, com os cabelos pintados de rosa.

Ela olhava-o carinhosamente e apreensiva, estava curiosa em saber a reação do pai que parecia estar em seu mundo particular.

— Você está linda, docinho! — exclamou ao sair do transe, arrancando risadas das duas garotas. Mas não passou despercebido por nenhuma das duas amigas que Jeon procurava com o olhar por Park, então sorriram travessas.

— Ele está ali — Hanna indicou, sinalizando com a cabeça para o outro lado da sala da recepção. Jungkook se virou e ficou perplexo, Jimin estava mais lindo que nunca. Seu cabelo estava tingido de laranja e continha cachos, estes que balançavam de acordo com os passos que ele dava em direção aos três.

— Oi — disse ao finalmente parar em frente aos três, arrancando um sorriso e um suspiro apaixonado de Jeon, que arregalou os olhos ao perceber que não conseguiu segurar o suspiro.

— Merece um beijo — Yeri cantarolou, fazendo Hanna confirmar animada e começar a bater palmas, enquanto as duas pediam um beijo. Jimin envergonhado, apenas corou e abaixou a cabeça, mas Jungkook que estava estupefato com a beleza de Jimin apenas se aproximou, levantando com seus dedos o queixo de Jimin e o beijou.

Jimin arregalou os olhos, mas aos poucos os fechou, se entregando totalmente ao beijo, que não passou de um selinho. As duas amigas gritaram animadas e isso fez Jungkook sorrir durante o beijo, agarrando com certa firmeza a cintura de Jimin, que arfou baixinho.

Ao perceberem que estava começando a se formar uma tensão sexual entre os dois, se separaram com mais um selinho pequeno, fazendo as meninas se abraçarem com um ar de sonhadoras.

— Fez isso pelas meninas? — Jimin perguntou, corando ainda mais ao ter o olhar de Jungkook queimando em seu rosto.

— Fiz isso por mim — sussurrou para Jimin, que ficou chocado — Não acredito que vou me apaixonar depois dos 30 anos. Vamos — murmurou a primeira parte para que apenas ele pudesse ouvir, aumentando seu tom de voz ao chamá-los para irem logo para o restaurante.

Seria uma noite e tanto, para os quatro.

 

 

Jeon Jungkook 

 

Uma das coisas que mais me deixa aflito é não saber o que eu estou sentindo. E eu estou muito aflito nesse momento, mas não por não saber o que eu estou sentindo e sim por saber exatamente o que estou sentindo.

Eu sempre tenho conhecimento dos meus sentimentos e gosto de debater internamente comigo mesmo, não saber o que eu sentia em relação a Park Jimin era algo extremamente desconfortável, mas me deixava intrigado. Jimin sempre foi minha caixinha de mistérios e creio que ainda é. 

Eu sei que não faz sentido eu fazer o que faço, ainda mais servindo de exemplo para minha filha. Tudo começou quando eu era mais novo, me envolvi em uma vida que eu não queria sair e hoje o que eu mais quero é isso. Já estava tudo planejado, esse seria meu último trabalho e eu nunca mais mataria ninguém, eu consegui uma entrevista de emprego para uma empresa e mesmo que eu tenha dinheiro o suficiente para não trabalhar até a minha aposentadoria ou até mesmo, até minha morte, seria legal ter um trabalho normal.

Mas então, Park Jimin chegou na minha vida. Enquanto eu estudava a vida de Yoongi, ele apareceu nas minhas pesquisas muitas vezes, eu até já tinha colocado na cabeça que Jay Park me pediria para fazer algo e eu estava completamente certo. Comecei, então, a estudar a vida do Park, sua família, seus amigos, sua rotina e seu trabalho, tudo dobrado para eu tentar deixar de lado a queda que eu estava começando a sentir, mas tudo isso ia para os ares ao vê-lo.

Até a noite passada, eu não sabia exatamente o que estava sentindo em relação ao acastanhado — que agora tinha os fios tingidos de laranja. Bom, pelo menos não até sentir seus lábios juntos aos meus. Ali eu percebi que eu estava gostando de Jimin, gostando tanto que eu poderia estar apaixonado.

Um vício é a dependência física ou psicológica que faz alguém buscar o consumo excessivo de algo, e eu posso afirmar com todas as letras, o nosso beijo virou meu vício. 

E agora, enquanto estou dirigindo meu carro em rumo a sua casa, penso seriamente em largar o volante ou capotar o carro de propósito, mas lembro que tenho uma filha para cuidar e abandono essa idéia estúpida. Eu estava indo para a sua casa com um propósito — que infelizmente não era pedi-lo em casamento —, o convidar para um encontro amanhã à noite. E por mais que parecesse incrível e o que eu mais quisesse naquele exato momento, na verdade, era uma ordem para eu cumprir o meu propósito. Jay Park parecia querer arruinar tudo que havia de bom na minha vida e eu não sabia o que fazer em relação ao Jimin e aos meus sentimentos.

Meus pensamentos foram interrompidos por mim mesmo ao parar o carro na calçada da casa dele, e eu nunca havia sentido uma sensação tão ruim quanto a que estava sentindo naquele momento. Minhas mãos estavam mais geladas que o comum e os nós dos meus dedos se encontravam brancos por eu apertar com força o volante, minhas pernas também tremiam um pouco e por isso constantemente se chocavam. Meu estômago parecia querer me pregar uma peça, eu estava com náuseas e meus olhos estavam fechados enquanto eu contava mentalmente até 10, para ter certeza de que isso não era um pesadelo. Com uma ânsia de vômito presente, abri meus olhos e peguei meu celular que estava no banco ao meu lado.

Desbloqueei-o e mandei uma mensagem para Jimin, pedindo a este que me encontrasse fora de sua casa. Ele visualizou e me respondeu na hora, falando que logo desceria. Ri comigo mesmo por notar a pressa que o alaranjado tinha de me reencontrar, então respirei fundo e fechei meus olhos ao sair do carro, apenas os abrindo ao ouvir a porta da casa sendo aberta.

Tudo pareceu ficar em câmera lenta na minha percepção. Abri meus olhos e o vi fechando a porta rapidamente, trajava uma calça jeans rasgada nos joelhos e coxas e um moletom cinza da NASA, o cabelo laranja estava desarrumado e os fios estavam jogados por sua testa, deixando-o com uma dualidade incrível, uma pessoa sexy e fofa ao mesmo tempo. Os fios de seu cabelo balançavam no mesmo ritmo  em que ele corria ao meu encontro, seu sorriso fazendo meu peito ficar quente. Ele abria lentamente o sorriso, fazendo com que seus olhos sumissem e se transformassem em duas meias-luas lentamente também. Consegui ver seu sorriso completo assim que ele mostrou seus dentinhos pequenos e eu me senti completo também ao vê-lo assim, estiquei meus braços em sua direção e senti o impacto de seu abraço. 

Ele rodeou meu pescoço com seus braços e eu segurei firmemente sua cintura, erguendo-o poucamente do chão. Ficamos alguns segundos naquela posição em silêncio, eu sentindo sua respiração e o seu hálito refrescante em meu pescoço e ele sentindo o cheiro de meu perfume. Levantei um pouco seu moletom, para poder encaixar ainda mais minhas mãos em sua cintura. 

— Sei que apareci de repente, mas preciso te falar algo  — disse, chamando a sua atenção que tirou o rosto da curvatura do meu pescoço, para me olhar com um sorriso em seu rosto. Mas, para a minha surpresa, quando eu iria retomar a minha fala, fui surpreendido com um beijo de Jimin.

E foi isso, um beijo, um selinho. Um ato que falava mais que mil palavras, um ato que falava mais do que eu poderia falar, um ato que falava mais que uma declaração de amor. Era um ato simples, carinhoso, simbólico e importante, um ato estilo Park Jimin.

E com aquele ato tão Park Jimin, percebi que não tinha como eu fazer isso, percebi que precisava dele na minha vida a partir de hoje. Eu faria tudo que eu pudesse, eu faria até o impossível para tê-lo ao meu lado e pudesse ter esse ato todos os dias. Eu iria contar tudo para ele, eu queria ser feliz e eu teria Jeon Yeri, Park Hanna e Park Jimin ao meu lado, custasse o que custar.

É, parece que eu encontrei o meu amor depois dos 30 anos, e mesmo que não tenha aparecido nas melhores circunstâncias, ainda era o meu amor. Park Jimin foi a minha melhor caixinha de mistérios e além de me trazer apenas mistérios, me trouxe também mais um motivo para viver, o amor que eu sentia por ele.

 


Notas Finais


E então? Gostaram?
Comenta ai, eu respondo todo mundo.
Agradeço muito a @Millegguk pelo design maravilhoso, eu dei um berro quando vi a capa. Agradeço também a @MiaMiatzo pela betagem, sem você eu não postaria essa fic.
Obrigada por lerem e quem sabe gostarem, favoritem e adicionem na biblioteca, isso faz o meu coração ficar quentinho.
Foi isso, até a próxima


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