1. Spirit Fanfics >
  2. Depois que te conheci >
  3. Lightweight

História Depois que te conheci - Capítulo 13


Escrita por: luzinanda

Notas do Autor


Hey gente, como vocês estão?
Espero que gostem desse capítulo, ele é um dos meus xodós, tem bastante ereri hoje 🥰🥰🥰

Boa leitura

Capítulo 13 - Lightweight


As pequenas palavras que você disse, foram todas para a minha cabeça

Eu ouço anjos cantarem na sua voz

Quando você me abraça forte, sentimentos que eu nunca tinha conhecido

Eles significam tudo e me deixam sem escolha


– Senhor Jaeger. – As bochechas de Marco estavam vermelhas. – Com licença, aqui estão os contratos que pediu.

– Obrigado. – Sorrindo suavemente, Eren se afastou para que o mais novo colocasse a pilha de papéis na mesa, esta que foi encarada com tédio. – Preciso dar um jeito de digitalizar essa merda, temos computadores para quê? Um sistema seria muito menos complicado.

Marco riu dos murmúrios mal humorados do chefe, se inclinando levemente para ajustar a pequena bagunça na mesa, como sempre costuma fazer, Eren apenas encostou as costas na cadeira confortável enquanto observava.

– O senhor mesmo já disse que assim é mais seguro. – A risadinha divertida de Marco era fofa, Eren não podia negar. – Mas concordo, um sistema tornaria o trabalho menos complicado.

– Nem tão seguro. – Suspirou. – Ligue para o escritório da Sasha, talvez possamos fechar contrato com uma empresa de tecnologia e segurança.

– Claro. – Ainda sorrindo, Marco ajustou as canetas espalhadas e os post its colados em todos os cantos disponíveis, Eren podia ser mais velho, mas em questão de organização ele sempre pareceria um adolescente atrapalhado. – É uma ótima ideia, se me permite opinar.

– Não precisa falar tão formalmente. – Rolando os olhos, Eren sacudiu a mão, deixando claro que não se importava com a formalidade. – Agradeço por sua opinião, você está aqui a bastante tempo, Marco, seria idiota da minha parte não te escutar.

– O senhor é gentil. – Marco sussurrou, as bochechas ainda mais vermelhas e os olhos brilhando. – Há algo mais que eu possa ajudar?

Aquela pergunta, Eren mordeu os lábios, correndo os olhos pelo corpo bonito do assistente, se fosse antes, esta seria a deixa perfeita para jogar o rapaz na mesa, mas Eren apenas suspirou, balançando a cabeça em negativa.

– Não, você pode ir. – Focou toda a sua atenção nos papéis sobre a superfície, esperando que Marco saísse, mas isso não aconteceu. 

Eren bateu os dedos na madeira, sentindo-se de repente muito cansado, era um tanto irritante ter que dispensar Marco toda vez, criando uma tensão constrangedora e desnecessária entre os dois e colocando-o em um papel de vilão que ele não é bom em fazer.

Marco é uma boa pessoa, gentil, prestativo, puxa sua orelha quando necessário e trabalha muito bem, porém o envolvimento pessoal entre os dois acabou trazendo mais do que Eren planejou. Sexo casual sempre foi um tópico comum, porém levar tal coisa para o trabalho foi um erro que Eren não quer mais cometer, pois atrapalha não só o rendimento dos dois como o dia a dia e a convivência.

Virou a cabeça, pronto para repetir as mesmas palavras de sempre, tentando ser o mais gentil possível enquanto deixa claro que não quer foder sem sentido em sua mesa. Não com Marco, pelo menos.

Piscou quando a imagem de Levi estendido e bem aberto em sua mesa surgiu, clara em sua mente, ele quase pode sentir o cheiro do perfume suave do Ackerman e escutar seus sons agudos e abafados.

– Eren. – Marco ainda está ali, certo, encarou o moreno com sardas, esperando que ele completasse o raciocínio. O assistente só lhe chamava pelo nome quando o assunto seria pessoal, coisa que Eren nunca reclamou, eles se conhecem há tempo suficiente para superar isso. – Você tem… alguém? 

– O que? – Piscou surpreso. – Do que está falando?

– Eu sei que não é da minha conta, mas… – Suspirou – O senhor sempre me deu muita atenção e nos últimos dias não tem me procurado, eu pensei que...

– Marco. – Ajustou a coluna, olhando dentro dos olhos castanhos do Bodt. – Nossa relação foi imprópria, principalmente quando aconteceu no escritório. – Mordeu o interior das bochechas, sentindo a carne sensível entre os dentes. – Foi apenas algo casual e não vai mais acontecer.

– Entendo. – Parecendo um pouco contrariado, Marco deu as costas, apertando o passo e saindo do escritório como se estivesse fugindo, Eren não se moveu, deixando que Marco lidasse com o que quer que ele tenha pensado, visto que Eren sempre deixou claro que nenhum sentimento maior surgiu entre os dois, não de sua parte.

E não por quê ele é um assistente, Eren nunca se importou realmente com a condição social de seus casos, não, a situação com Marco apenas não despertou nada, ele não ficava nervoso, ou sentia a barriga borbulhar, nem ansiava por um mínimo sorriso como se viu ansiando desde que viu um no rosto de Levi, no café da manhã.

Simplesmente não aconteceu e Eren não tem explicação para isso, ninguém controla por quem se apaixona, se fosse tão fácil assim, ele ainda estaria casado com sua melhor amiga, afinal, ele e Mikasa sempre se deram muito bem, só que nunca existiu nada além de fraternidade.

Trabalhou levemente aborrecido naquele dia, se embaralhando com o trabalho ao evitar chamar Marco o máximo possível e somente quando Zeke entrou em sua sala, o rosto preocupado, Eren se permitiu parar de escrever.

– Ei, você não parece legal. – Zeke se sentou no sofá bem ao lado da mesa do outro Jaeger, cruzando as pernas e sorrindo, Eren fez uma careta para o irmão. – Problemas no paraíso?

– O que?

– Com Levi, vocês brigaram? Você parece constipado e eu sei que não foi com a mãe e o pai. – Eren fez bico com o quão transparente ele pode ser e o quão seu irmão o conhece. – Não diga que vocês terminaram, eu gostei dele.

– Não aconteceu nada, Levi está bem. – Cruzou as próprias pernas, relaxando contra a cadeira. – O que faz nesse andar?

– Eu vim admirar sua cara bonita. – Os dois rolaram os olhos. – Preciso de mais alguém me ajudando lá embaixo, Frieda é uma boa assistente, mas ela não está dando conta do arquivo, são muitos papéis, o sistema atual é antigo.

– Você pode contratar quantas pessoas quiser, Zeke, mesmo que tenha um setor inteiro trabalhando para você. – Alfinetou, sorrindo. – Mas entendo o que quer dizer, vou falar com a Sasha hoje e irei aplicar um sistema mais moderno.

– Isso ajudaria, mas acho que vou precisar de uma pessoa extra mesmo, pelo menos até Frieda conseguir lidar com tudo… – O loiro então piscou algumas vezes, ficando em silêncio e claramente pensando em algo, Eren esperou pacientemente, com preguiça de perguntar. – Marco trabalha desde que você entrou, certo?

– Sim.

– E ele sabe lidar muito bem com a papelada. – Eren murmurou outra afirmativa. – Você poderia me emprestar seu assistente, então, é menos complicado do que lidar com a burocracia de uma vaga temporária.

– Não posso ficar sem assistente, Zeke. – Ele realmente precisa de Marco, apesar de tudo.

– Você aguentaria Frieda por algumas semanas? Ao menos até ela aprender. – Cruzou os braços. – Foi você quem a contratou.

– Você está certo. – Rolou os olhos. – Eu quis fazer um favor e ajudar Historia e realmente, Frieda precisa de um pouco de experiência. – Encarou Zeke por um minuto inteiro, o irmão sustentando o olhar, ele não ia desistir agora que expressou a ideia, Eren conhece a natureza teimosa do irmão. – Tá, tá bom, pode roubar meu assistente.

Balançou a mão como se não importasse, mas por dentro Eren lamentou a possível bagunça que ficaria seu trabalho sem o organizado assistente. Zeke sorriu, satisfeito em ter convencido Eren, se levantando de seu lugar então. 

– Não me faça mudar de ideia. – Murmurou diante o sorriso satisfeito do loiro. – Vou marcar a reunião para as quatro, esteja aqui.

– Pode deixar, vou levar Marco de uma vez, preciso explicar algumas coisas e Frieda precisa mostrar o necessário. – Eren deu de ombros. – Até mais tarde, Jaeger.

Sem dar atenção, Eren jogou a cabeça para trás em sua cadeira, relaxando por longos minutos de olhos fechados, a dor de cabeça que vinha crescendo nas últimas horas agora parecia prestes a explodir, o que quase o convenceu a voltar para casa e relaxar.

Mas ele ainda tem trabalho a fazer e uma reunião em cima da hora para organizar. Pegou o telefone e discou o de Marco, mas ninguém atendeu e com um suspiro, Eren foi até a porta, apenas para abrir e descobrir que o assistente não estava lá.

– "Ele foi com Zeke." – Bufou, então ele deveria buscar o próprio café, o que não seria um problema se não houvesse uma pilha de papéis em sua mesa. 

Se arrastou impaciente até o elevador, indo para o terceiro andar, onde fica uma das cafeteiras da empresa. Confirme avançou até a máquina, colocando a cápsula e seu copo, foi encarado pelos funcionários, todos curiosos com a presença imponente do CEO na sala de café.

Mas Eren não deu atenção, focado no líquido escuro e no cheiro bom que sai dele, esperou pacientemente sua bebida.

E foi igualmente surpreendente quando Jean, chefe do setor de Marketing, apareceu ali, gerando ainda mais burburinhos nos corredores, dois figurões pegando seu próprio café, incrível. Eren quis rir da idiotice.

– Jean. – Chamou, recebendo um olhar nem um pouco impressionado, Eren não se abalou. – Reunião às quatro, vou precisar de você lá.

– Poderia ter mandado seu assistente. – O mais alto alfinetou, fazendo Eren estalar a língua.

– Marco está trabalhando com Zeke agora. – Observou a reação de Jean pelo canto do olho. O Kirsten piscou e travou por um momento, antes de continuar o que estava fazendo, o próprio café. Isso gerou uma dúvida na cabeça de Eren, afinal, ele sabe que seu envolvimento com Marco foi o que o afastou de um de seus melhores amigos. – Jean, eu e Marco não temos mais nada, você sabe, não é?

– Eu não me importo com quem você fode. – A resposta de Jean foi rápida e malcriada, mas Eren não se importou com isso, a relação deles sempre foi assim, porém em tons mais amigáveis. – Senhor Jaeger.

Eren bufou.

– Eu estou saindo com outra pessoa, sabe. – Pegou seu café finalmente pronto, jogando dois cubos de açúcar nele e mexendo rapidamente. – Eu segui em frente, você deveria fazer o mesmo.

A expressão pensativa de Jean foi o suficiente para fazer Eren ir embora mais tranquilo, bebendo um gole de seu café e pensando que o de Levi é infinitamente melhor, talvez um dia eles pudessem ser como antes, Eren torce por isso.


&&&

Quando parou em frente a academia, Levi não esperou encontrar o recado impresso em papel A4 colado na porta, um aviso que fez com que gemesse de frustração, as mãos tremendo conforme lê cada linha.

O lugar faliu, sem previsão de retorno, o único lugar que ele pode pagar, onde ele desconta suas frustrações, a única fuga saudável em sua vida. A única coisa que ele fez por vontade, que ele deu tudo de si e conquistou sem a influência de ninguém.

A luta é algo de Levi, íntimo, somente dele e ficar sem treinar é como drenar todo o combustível que faz tudo funcionar, sem isso Levi não tem para onde correr, ele não tem como esconder, como descontar, como sentir menos.

E tudo porque ele não foi corajoso, porque não lutou pelo lugar, não investiu seu próprio tempo nas competições e trouxe a verba necessária, se ele não estivesse com a cabeça tão ferrada, Levi poderia ter feito algo, mas como sempre ele não conseguiu, ele apenas assistiu enquanto mais uma coisa boa ia embora.

Forçando seus pés para dar meia volta, Levi se viu andando devagar, os olhos correndo pelas lojas duvidosas do bairro decadente, parando em um lugar já comum para ele, e foi pra lá que Levi caminhou, pegando duas latas do freezer ao lado do balcão, seus olhos sem foco, o corpo cansado e as mãos tremendo.

Abriu a primeira delas enquanto andava até o apartamento, bebendo um gole e se sentindo de repente com muita sede, o líquido descendo pela sua garganta aliviou os tremores e a sensação pesada de seus ombros. Ele não percebeu que precisava disso até beber, o que foi bom, ao menos acalmou temporariamente seus nervos.

Estava na segunda lata quando chegou em casa, Armin estava na sala, lendo um de seus livros, como sempre, parecendo muito distraído e não querendo conversar, não nesse momento, o Ackerman foi direto para o banheiro, terminando a cerveja e jogando no lixo, se despiu e entrou no chuveiro com a mente ainda nublada.

Algumas lágrimas salpicaram seus olhos, mas ele se esforçou para ignorar, esfregando a pele com mais força que o necessário, deixando a epiderme vermelha e sensível.

Ignorou a respiração descompassada e a sensação de desmoronamento, ignorou os pensamentos dolorosos, focando na limpeza total, ele precisa ficar limpo, puro, ele precisa tirar todas as bactérias do corpo, tudo de ruim que ele carrega.

Ele é tão sujo.

Seu celular tocou e com um pulo, Levi percebeu que estava a tempo demais ali, a água já estava fria e o pequeno basculante no alto denunciando a chegada da noite. Tremendo com a água gelada na pele sensível, desligou o registro e secou as mãos rapidamente antes de pegar o celular e perceber que Eren era quem tinha ligado, abriu as mensagens, lendo uma do Jaeger informando que estava lá embaixo esperando ele.

Levi tinha se esquecido disso, Eren iria buscá-lo para eles ficarem juntos novamente. Ele não sabe como se sentir com isso, como lidar com um Eren tão interessado, ele quer os braços fortes do Jaeger em volta do seu corpo, trazendo segurança, o cheiro reconfortante e a sensação de lar que tem sempre que os dois estão abraçados e sozinhos, ele quer o aconchego único de Eren, mas ele não está realmente agradável nessa noite, o que Eren diria se o visse tão taciturno? Ele não queria tratar o Jaeger mal, porém seu humor não ajudaria em nada.

Duas cervejas não foram suficientes.

Se vestiu rápido, ignorando o olhar conhecedor de Armin quando passou pela sala, alcançando o carro chamativo de Eren e entrando no automático, os olhos caídos e focados em qualquer coisa, menos no homem cheiroso no banco do motorista.

Eren lhe observou por um momento, em silêncio, uma das mãos pegando no queixo pálido, lutando com Levi até que estivesse olhando dentro dos olhos verdes.

Levi travou os lábios, a mandíbula em uma mordida firme, ele não queria que Eren percebesse seu péssimo humor, sua chateação, mas parecia que o Jaeger podia ser observador, principalmente com ele.

– Como foi seu dia? – A pergunta saiu em um tom normal, calmo, fazendo Levi arregalar os olhos de leve. – Tomamos café da manhã juntos, mas você parecia um pouco distraído hoje, não me enviou mensagens, foi um dia cheio no café?

Despreocupado, Eren largou Levi, pegando no volante e então dando partida com o carro enquanto o Ackerman permaneceu tonto e confuso, Eren queria saber sobre seu dia?

– Por que?

– Hum?

– Meu dia…

– Quero saber o que fez. – Sorriu suavemente, não desviando os olhos da rua por muito tempo.

Levi então olhou para a frente também, respeitando fundo, merda, Eren é astuto, não é? Ele percebeu seu desconforto com o confronto, ele sabe que Levi não gosta de ser pressionado, puxando um assunto descontraído e soando tão leve.

Eren é precioso demais para Levi, não é? Ele não sabe como lidar com isso.

Eu trabalhei com a Annie. – Murmurou, revirando os olhos e fazendo Eren rir. – Não é engraçado, ela é uma vadia insuportável.

– Não posso discordar disso, não depois do que ouvi. – Juntou as sobrancelhas. – Armin está bem?

– Ele está superando. – Suspirou, ele sente falta do amigo, mas precisa se manter longe enquanto o loiro insiste em tentar salvá-lo, Deus sabe que isso não é possível. – Eles começaram a namorar cedo, foram os primeiros um do outro, acho que merda assim é difícil de superar.

Ele sabe que é, mas não admitirá para Eren.

– É uma pena que tenha acabado assim. – Eren soou honesto. – Mas se não faz bem aos dois, então o melhor é seguir em frente, deixar ir.

– Armin é melhor sem ela. – Foi sincero também, expressando uma opinião pouco dita em voz alta. – Annie nunca foi alguém agradável, nem com ele.

– Você realmente não gosta dela.

– Nem um pouco. – Deu de ombros. – Você entenderia se trabalhasse com ela.

– Eu acredito em você. – Eren balançou a cabeça. – Trabalhar em um ambiente com alguém irritante é estressante.

Com a frase, Levi observou melhor Eren, percebendo os cabelos molhados em um coque muito desleixado, o aspecto cansado em sua expressão, a roupa levemente amarrotada no corpo, Eren estava bonito porém parecia um pouco… estressado?

– E você? – Levi se viu perguntando de volta, gostando da forma como seu interesse fez os olhos verdes brilharam, Eren pode ser fofo as vezes, parecendo um cachorrinho animado. – Como foi seu dia?

– Eu precisei buscar meu próprio café. – Fez uma careta, rindo do olhar desacreditado de Levi. – É sério, eu, o chefe bambambam precisei ir buscar meu próprio café, entende o absurdo disso?

– Você está sendo ridículo.

– Ridículo é eu, um homem tão importante e impressionante ter que buscar meu próprio café, absurdo. – Bufou, falsamente chateado, fazendo Levi negar com a cabeça.

– Você também precisa que alguém limpe sua bunda, alteza?

– Hum… – Juntou as sobrancelhas, parecendo realmente pensar no assunto, fazendo Levi soltar um riso desacreditado, o som fez Eren sorrir e então negar com a cabeça. – Não, acho que isso eu posso resolver sozinho.

– Você é um idiota. – Comentou, não conseguindo segurar o movimento de suas bochechas, um pequeno sorriso nos lábios, Eren pareceu muito animado com a pequena expressão. 

– E fiz você sorrir, então vale a pena. – As palavras de Eren fizeram Levi morder os lábios, a barriga cheia das famosas borboletas, por que ele sempre faz isso? Sendo sempre tão bom, Eren não está ajudando Levi a não se apegar demais.

Eren saiu do carro e então Levi percebeu que eles já tinham chego no apartamento, piscando um pouco confuso, o Ackerman saiu também, seguindo Eren até o elevador. O caminho até o apartamento e então para a cozinha do Jaeger foi silencioso e confortável, nenhum dos dois sentiu necessidade de puxar assunto e quando uma senhora mais velha entrou no elevador também, Levi se viu querendo sorrir novamente enquanto Eren balançou as sobrancelhas na sua direção, principalmente depois que a senhora disse que ele é um jovem muito adorável.

– Você é um idiota, sabia? – Disse assim que o Jaeger encostou no balcão. 

– Não seja tão mau, foi engraçado. – Fez um biquinho fofo, fazendo Levi estalar a língua. – Você é realmente adorável, ela não mentiu.

Bufando, Levi não se importou em se aproximar, seu corpo pedindo por isso, como ímã, parando na frente de Eren, que abriu os passos, passando por sua cintura e segurando suas costas. Foi bom, confortável.

– Eren. – Disse baixinho. – Obrigado.

O Jaeger não respondeu, abaixando a cabeça e encostando os lábios dos dois levemente, desviando então para as bochechas até o pescoço, onde beijou lentamente, aspirando o cheiro de Levi, que fechou os olhos, relaxando em seus braços.

– Você está com fome? – Agarrou uma mecha escura, enrolando em um dedo e fazendo um cacho fofo. – Tenho ingredientes para um Fondue de queijo, o que acha? 

– Parece bom. – Levi controlou a vontade de se aconchegar ainda mais em Eren, ele estava com fome, então poderia esperar até mais tarde. – Nunca comi isso.

– Você vai gostar. – Se afastando devagar, Eren pegou alguns ingredientes na geladeira e na dispensa, deixando no balcão antes de vestir o avental fofo. 

– É muita coisa. – Comentou, vendo a quantidade de coisas variadas que Eren pegou. – Onde está seu irmão?

– Vou fazer apenas uma porção de cada e meu irmão saiu para beber com amigos. – Pegou metade do pão que eles tinham comido de manhã, cortando em vários pedaços quadrados e pequenos. – É basicamente um molho de queijo com alguns petiscos, pensei em pão, carne, frango, batata, brócolis e linguiça, gosta?

– É mais do que o suficiente. – Observou Eren partir então para os brócolis, lavando cuidadosamente antes de cortar em pedaços pequenos e por em uma panela de vapor para cozinhar, na água ele pôs pequenas e redondas batatas. – Sua comida é incrível, eu sei que vai ficar bom.

– Eu não costumo cozinhar muito. – Admitiu, pegando uma tábua bonita e cortando em pequenos pedaços de frango e depois calabresa. 

– Você não precisa fazer isso se não quiser. – Juntou as sobrancelhas.

– Levi, eu gosto de cozinhar, principalmente quando é para você. – E como se estivesse falando do dia, Eren jogou o frango e a linguiça em duas panelas separadas, colocando alguns temperos antes de seguir até um bife grande e bonito de carne, temperando rapidamente com sal e pimenta, selou os dois lados na frigideira com manteiga antes de pôr no forno com o pão.

Levi piscou, olhando os movimentos do mais velho um pouco atônito, Eren sempre foi direto, sim, mas ele não se lembra do Jaeger ser tão aberto em coisas tão sentimentais, geralmente os momentos eram mais pesados e rápidos, não tão descontraídos como nesse momento, como se os dois fossem um casal.

Balançou a cabeça, mordendo o lábio inferior, ele não pode se iludir com isso.

– E como é o molho de queijo? – Perguntou, fazendo Eren sorrir enquanto deixava outra panela no fogão de seis bocas. 

– Vou te mostrar. – Afastando as mangas da camisa de botões, Eren exibiu os braços fortes e tatuados, lotados de veias sobressalentes, olhos verdes observando Levi de baixo para cima agora que o mais novo está sentado em uma das banquetas altas. – Um pouco de farinha e manteiga vão ser a base.

Despejou a quantidade certa na panela, ligando o fogo e pegando um fouet em uma gaveta em seguida, mexendo sem parar a mistura.

– Eu vou mexer até a mistura parecer uma farofinha, sabe? Esse é o ponto. – Fez exatamente isso, sorrindo quando Levi fez uma careta para a aparência esquisita.

– Parece que vai dar errado.

– Sim, essa é a graça. – Pegou então a garrafa de leite ao seu lado, despejando um pouco, sem parar de mexer, seus braços se contraindo com a repetição, Levi tentou não prestar muita atenção nisso. – Agora começa a tomar forma, veja.

Foi colocando o leite e mexendo, até que a mistura estivesse bem lisa.

– E agora? – Eren continuou sorrindo, gostando da curiosidade quase infantil de Levi, foi algo agradável de assistir. 

– Agora eu tempero, sal, cebola em pó, só um pouco e enfim, nós moscada. – Colocou todos os ingredientes, fazendo um cheiro gostoso dominar a cozinha. – Se eu parasse aqui, seria um simples molho branco.

– Sim, isso eu já comi.

– É a melhor parte. – Confidenciou, pegando então alguns potinhos do balcão. – Queijo muçarela, queijo branco, queijo e prato e o melhor por último, gorgonzola.

Levi levantou as sobrancelhas, se inclinando para enxergar os queijos desmanchando no molho, deixando ele elástico e muito cheiroso, aquilo realmente parecia bom e Levi se segurou para não enfiar o dedo lá dentro e provar.

– Você parece com fome. – Eren brincou, mexendo nas outras panelas e desligando o forno, tirando o pão e cortando a carne, colocando tudo em uma bandeja grande de petisco.

– Claro, você faz essas coisas tão gostosas, me deixa com água na bo- – Foi interrompido quando um dedo sujo de molho entrou em sua boca, enchendo suas papilas gustativas com o gosto celestial de queijo, estava incrível.

Quase gemeu, seus olhos seguindo Eren que olhava vidrado o dedo ainda dentro da sua boca, se enrolando em sua língua, os braços fortes e tatuados esticados e a expressão no mínimo, predadora.

Suas pernas ficaram bambas.

E tão rápido quanto se aproximou, Eren afastou o dedo, sorrindo quase maldoso enquanto preparava a panela de fondue.

– Gostoso, não é? – Eren falou rouco, fazendo Levi corar e desviar o olhar. – Está na hora da refeição, Levi.

Fazendo um biquinho e cruzando os braços, Levi respirou fundo enquanto segue Eren até a sala, assistindo o Jaeger colocar tudo na mesa de centro e se acomodar no tapete fofo no chão em seguida, Levi iria sentar no lado oposto, para ficar de frente, mas seu braço foi puxado e sem desistir, sentou ao lado de Eren, que ficou o mais próximo possível, estendendo um garfo longo e com apenas dois dentes em sua direção.

– Agora é só mergulhar no queijo, o que você quer comer primeiro? – Eren pareceu animado, movimentando o próprio garfo enquanto falava.

– Acho que o pão. – Juntou as sobrancelhas, pronto para fazer isso, mas Eren foi mais rápido, espetando a comida e mergulhando metade no molho.

– Prova. – Com os olhos brilhando, Eren alimentou Levi, que corou e comeu, cansado demais de discutir sobre as mesmas coisas. Eren é assim e apesar de não admitir nunca, ele até gosta de ser mimado.

Mastigou lentamente, gostando muito do que comeu, ansioso para provar os outros ingredientes, Eren é realmente um grande cozinheiro.

– É incrível. – Elogiou, recebendo um aceno e durante o jantar, os dois ficaram em silêncio, mastigando silenciosamente e apenas quando o ritmo dos dois diminuiu, Eren se moveu, ficando de frente para Levi.

– Então, como foi seu dia? – A pergunta fez Levi enrugar o cenho.

– Você já perguntou isso.

– Sim, mas quero saber o que aconteceu. – Levantando a mão livre, Eren bateu no nariz de Levi, fazendo com que corasse. – Você não estava tão bem quando entrou no carro hoje.

Levi ficou rígido, soltando o garfo para apertar as mãos no colo, ele não quer falar sobre seus fracassos para Eren, ele não quer que o Jaeger veja o quão perdedor ele pode ser, o quão frustrante seria ver quem ele é por trás de tudo.

– Levi. – Eren chamou, encarando-o preocupado. – Você não precisa dizer, é só que eu… me importo.

– Não é nada. – Disse rápido, desviando o olhar, normalmente ninguém presta tanta atenção nele para perceber tão facilmente que está mal, talvez Armin, mas Levi nunca deu espaço para as perguntas do loiro, Armin é condescendente demais para insistir.

Mas Eren não, Eren diz que se importa, o suficiente para insistir, ele não está pressionando, Levi sabe a diferença, ele percebe que pode não responder se quiser, mas a porta está aberta, Eren lhe escutará se ele quiser falar.

E isso talvez fosse o empurrão que ele precisa, talvez falar alguma coisa ajude, Levi não tem certeza, ele só quer contar a Eren.

– Não sobra muito dinheiro para pagar uma academia com o espaço que preciso para lutar. – Começou, abaixando a cabeça envergonhado. – Eu achei uma no meu bairro, não é a melhor, mas me atendia, só que hoje eu fui treinar e…

Engoliu em seco, ele não fez nada para ajudar.

– O lugar faliu e eu… eu poderia ter ajudado mas não fiz, gosto de lutar mas não consegui fazer isso para manter o lugar, eu não consegui fazer o mínimo. – Seus ombros caíram, pesados. 

– Você luta muito bem, eu vi, mas também percebi que é uma parte íntima sua, Levi, não se culpe por não fazer algo a qual não se sente confortável. – Sorriu levemente, esticando os braços e puxando o Ackerman para seu colo, sem luta Levi se aconchegou, fechando os olhos com o cafuné que recebeu. – Sabe, minha mãe tem uma academia focada em artes marciais e alguns outros estilos de luta.

– Sério? Sua mãe? – Levi não conseguia imaginar a mãe de Eren batendo em alguém, não que ele a conheça, mas sempre que pensa em 'mãe de Eren', ele imagina uma senhora fofa e simpática, talvez gorda e baixinha com intensos olhos verdes.

– Sim, ela é mestre em alguns estilos. – Continuou deslizando os dedos no couro cabeludo de Levi, relaxando junto com ele. – Posso te levar até lá, providenciar uma diária para você.

– Não.

– Levi.

– Eren. – O baixinho suspirou. – Você já fez muito por mim, isso não é algo necessário.

– Mas-

– Não está em discussão. – Levi finalizou o assunto, a voz soando baixa e quebrada, o que fez Eren desistir, por hora, ele não quer pressionar Levi demais e estragar o clima entre eles.

– E meu aniversário?

– Hum?

– Eu e meu irmão mais novo, Berthold, fazemos aniversário próximos um do outro. – Levi lembrou do rapaz alto de olhos verdes, bem, eles são irmãos então, como imaginou. – Nossa família vai fazer uma festa bem grande para comemorar, será nesse mês, março, eu normalmente não me importo muito.

– Legal. – Comentou sem emoção, sem saber como responder a informação, mas Eren apenas riu.

– Quero que vá comigo.

– Não.

– Levi, é só uma festa.

– Você quer me levar para conhecer sua família? – Descrente, Levi se afastou do colo aconchegante de Eren, ficando de frente para ele e cruzando os braços. – Eu conheço seu irmão, ele é amigo da Annie e do Reiner, não é? Os filhos de Hanji, dono do café, ele já não gosta muito de mim.

– Ele só não conhece você o suficiente.

– Eren, você é quinze anos mais velho.

– Está preocupado com o que minha família vai dizer? – Balançando a cabeça, Eren estendeu uma mão, acariciando as bochechas coradas de Levi. – o vô te adora, Zeke também e Berthold apesar de quieto, é um bom garoto, ele só não é próximo de você, Levi.

– Mas…

– Minha família nunca julgaria antes de te conhecer, independente das circunstâncias, você já é maior de idade, não é? – O sorriso de Eren foi como uma cartada final, o que era covardia.

– Eu vou pensar. – Cedeu um pouco, encolhendo os ombros, quando Eren fala de sua família ele com certeza está citando seus amigos, Isabel, não é? Merda, ele precisa mesmo contar a Braus, mesmo que o relacionamento dele com Eren seja apenas físico, ele sabe que não pode continuar mentindo para ela, não quando eles são tão próximos agora.

Puxando seu celular do bolso, Levi digitou uma mensagem rápida, sua testa franzindo enquanto diz para Isabel que quer conversar, sendo respondido rapidamente por ela, dizendo que também tem algo a dizer, o frio na barriga foi inevitável.

– Você parece preocupado. – A voz de Eren faz com que Levi guarde o smartphone, ele não quer pensar no que Isabel tem a dizer agora, não é o melhor momento para sofrer por antecipação.

– Coisas da faculdade. – Mordeu o lábio inferior. – Você não deveria se importar com as minhas merdas.

– Isso é um problema? Eu me importo mesmo. – Eren falou tão genuíno, com a voz limpa e a expressão suave, que Levi quis gritar no rosto dele, dizer que é perda de tempo, mas ele não o fez.

– Por que? – Sua voz falha.

– Por que não? Você não é só muito adorável e lindo, Levi, você é esforçado, cuida de tudo sozinho e trabalha tanto, é alguém a se admirar, é sincero e honesto, mesmo soando estúpido as vezes, é tão sincero que não dá brechas para a raiva, ao contrário, você é tão… você, me diverte também, me faz sorrir demais, rir fora de hora, eu me sinto bem com você, então sim, eu me importo, eu gosto de me importar, é o que faço quando gosto de alguém.

Levi ficou em choque, o coração tão acelerado que o fez tremer, os olhos bem abertos, observando Eren falar essas coisas de forma tão obstinada, fazendo seus olhos ficarem úmidos, não deveria ser assim.

– Isso não é só sexo? – A pergunta foi quase automática, seus lábios tremendo quando Eren tombou a cabeça.

– Começou assim, admito, mas… – O Jaeger respirou fundo, como se estivesse tomando coragem para falar, Levi não sabe o que fazer agora, ele apenas está lá, assistindo Eren mexer com seus sentidos. – Eu quero cuidar de você, me importo a ponto de me preocupar, penso em você em momentos aleatórios. – Mordeu os lábios, corando, envergonhado por ter falado tanto. – Isso te incomoda?

A pergunta insegura fez Levi se mexer e reagir, algo quente e confortável de repente tomando seu peito, como um cobertor fofinho em um dia frio, é tão bom, ele se sente feliz e eufórico e então calmo, Eren é muita coisa em uma só, ele é bom demais para ser verdade.

– Não. – Disse baixinho, como poderia ser um problema? Até então, Eren não fez nada que quebrasse sua confiança, que o fizesse questionar isso. – Não me incomoda.

Eren então sorriu, um sorriso enorme que iluminou tudo e fez Levi afundar ainda mais na sensação quente, quase como se ele estivesse se declarando.

– Nunca… – Levi disse, baixinho. – Nunca foi assim antes, nem com meu ex namorado.

– Então seu ex namorado é um idiota. – Apesar das palavras, Eren soou sério, quase puto com o que escutou. 

– Sim, ele é. – Levi se viu concordando, querendo rir da sua hipocrisia, pois mesmo Mike sendo um idiota, eles ainda se viam, não é?

Eren estava encarando intensamente, quase como se pudesse ver além de Levi, que se mexeu, inquieto. Levi não sabe se quer falar de Mike, se é o momento certo, se ele consegue fazer isso sem parecer tão patético, o que Eren pensaria dele? 

– Eu já tive um relacionamento longo, mas ela não é uma idiota. – Eren sorriu levemente. – Mikasa e eu nos conhecemos na infância, fomos vizinhos e como todo clichê, ficamos juntos no ensino médio e nos casamos, nós realmente nos amamos, até hoje, mas isso nunca passou de um sentimento fraternal, somos como irmãos e amigos, nada mais.

Levi engoliu em seco, Eren já foi casado com uma mulher, provavelmente bonita e bem sucedida e agora estava ali, se abrindo para um garoto ferrado como ele, porque? Não faz sentido Eren se importar tanto.

– Mikasa pode parecer dura e até esnobe, ela realmente tem essa pose. – Eren falou sorrindo. – Mas eu nunca senti essa vontade de cuidar, proteger e então ter alguém, nunca foi tão… intenso. – Eren agarrou uma das coxas de Levi, apertando levemente e deixando a mão ali. – Não como é com você.

– Eu acho que também nunca me senti… assim. – Respirando fundo, Levi pensou se iria realmente fazer isso, dar informações, se abrir, deixar Eren cavar mais fundo e enxergar ele totalmente, ele iria gostar? Continuar se importando? – Quando conheci Mike eu estava no pior momento da minha vida, meu pai tinha acabado de morrer e eu estava… perdido, ele foi como uma luz e foi natural que eu me apaixonasse, ele concordou em namorar comigo, apesar de eu ter apenas quatorze anos.

– Duas crianças.

– Ele tinha dezesseis. – Revelou, desviando o olhar de Eren. – Ele cuidou de mim e fez muito, ele esteve lá quando minha mãe… quando minha mãe não esteve, ela estava muito focada na própria dor para me notar. – Olhando para cima, Levi lutou para segurar as lágrimas que surgiram, falar disso sempre seria como tacar sal na ferida, ele sabe disso, mesmo assim, sua voz continuou saindo. – Ela agia como se eu não estivesse lá, não se preocupava com nada, alimentação, roupas, escola, eu precisava me virar sozinho e quando fiz quinze anos-

A parada abrupta faz Levi soluçar, ele só tinha quinze quando seu vizinho lhe abusou, apesar de não ser mais virgem, Levi era apenas um menino, ele não sabia que sexo poderia doer tanto, poderia cavar tanto sua alma a ponto de quebra-lo em tantos pedaços, transformando-o em uma fração de quem ele realmente é, tomando tudo como um furacão, desordenado e destruidor.

Depois disso, Levi perdeu tudo, o namorado, a dignidade e principalmente, ele perdeu a si mesmo, ele perdeu o controle.

– Xii… – A voz de Eren ressoou em suas orelhas, seus olhos molhados pelo choro não contido, soluços escapando de sua garganta, ele mal percebeu quando foi encaixado no colo de Eren novamente, mas não reclamou, procurando consolo no peito macio. – Ninguém vai te machucar, baby, estou aqui para você.

Levi não respondeu, a dor que surgiu não foi como a de mais cedo, não foi desesperadora, como se estivesse corroendo ele por dentro, não, pareceu a dor de tirar uma farpa, dói até que ela esteja fora, então vem o alívio e fica apenas o latejar lá, a lembrança e o motivo de ainda doer, mas não como antes.

Seus olhos foram esfregados e as lágrimas retiradas por dedos morenos, Eren perdeu tempo lhe acalmando gentilmente, esperando que o choro cessasse e restasse apenas um silêncio tímido entre os dois.

– Você me deixa cuidar de você, Levi? – Eren perguntou baixinho, como se fosse um segredo, a voz ansiosa por uma resposta positiva, Levi pode sentir isso.

– Talvez. – Desviou o olhar quando respondeu, ele não quer afastar Eren, porém ainda é cedo demais, ele não sabe se pode deixar o Jaeger entrar totalmente, ele não sabe se está preparado para uma possível partida.

Levi está caindo, ele sabe disso.

– Você tem vinho? – Levi sabe que tem, mas mesmo assim, ele perguntou, sem conseguir se controlar, o Ackerman precisa disso para pensar com clareza, para deixar sua mente menos cheia de tantos pensamentos, para aproveitar a noite com Eren sem surtar.

– Sim, vou buscar. – Eren deixou Levi cuidadosamente no tapete antes de sair, voltando com duas taças de vinho, ele encara Levi sério quando o mais novo vira a bebida, tomando tudo e pedindo mais, não fala nada, porém seus olhos seguem atentos quando Levi termina a segunda.

Ignorando o olhar de Eren, Levi come mais um pouco, ele não tem coragem para pedir uma terceira taça, então se contenta com o que tem, se apegando ao álcool que bebeu mais cedo e agora, ao menos suas mãos não tremem mais.

Eren se forçou a comer mais um pouco, não comentando sobre a quantidade de álcool que Levi bebe, ele não é idiota, mas não quer invadir o espaço do mais novo, talvez ele apenas está em dias ruins, algumas pessoas agem assim quando estão no limite. Então Eren ignora, pois há coisas mais importantes para se apegar agora, como por exemplo os limites que foram ultrapassados hoje, essa não é mais uma relação casual e Eren está cauteloso, ele quer Levi, sim, ele está fodidamente apaixonado? Sim, mas ele não pode dar passos grandes demais, não com Levi tão cuidadoso em se abrir com ele.

Ele quer conquistar o Ackerman, mostrar que ele pode mostrar todos os seus lados, Eren não vai desistir dele.

Mas falar isso fica em segundo plano e conforme terminam de comer, eles conversam sobre assuntos aleatórios até acabar, limpando a bagunça juntos e então seguindo para o banheiro, onde escovaram os dentes também juntos.

Levi tenta ignorar o quão casual eles agem, confortáveis um com o outro como se fossem um casal e quando Eren sorri em sua direção, Levi sabe que ele percebeu também e apesar de um pouco assustado com isso, Levi não consegue disfarçar o calor que se espalhou de seu peito para o corpo, antecipação rastejando sob a pele.

Entrando no quarto, Eren não disse nada quando tirou a camisa, exibindo seus músculos definidos, seus olhos presos em Levi, que silenciosamente fez o mesmo.

A pele pálida arrepiou com o olhar que recebeu, mas nenhum dos dois disse nada e quando nus, Eren foi quem se aproximou, puxando Levi até que estivesse sentado na cama com o mais novo em seu colo.

– Você é tão lindo. – Eren sussurrou, admirando profundamente o homem sobre suas pernas, a pele branca pálida e os olhos azuis, claros e agora tão emotivos. Ele quer desarmar Levi, levá-lo ao limite e então beijar suas lágrimas, ele o quer tanto que dói, com uma ereção já apontada desde o primeiro vislumbre de sentimentos nos olhos azuis.

Ao invés de responder, Levi relaxou, segurando o rosto de Eren com as duas mãos, então ele sorriu, um sorriso confortável, não gigante, mas bonito o suficiente para virar o jogo e desarmar completamente o mais mais velho, fazendo Eren ofegar com a visão.

Então eles se beijam e é como brasa, as mãos procuram mais pele para sentir, os dedos correndo por cada detalhe e as bocas nunca se separando, nem mesmo quando Eren prepara Levi ele se afasta, esticando-o enquanto desliza a língua na boca dele, perdendo-se um no outro.

Quando Levi se ajusta e Eren afunda nele, ainda por baixo, os dois gemem juntos, bocas juntas e corpos colados, muito perto, muito quente, eles estão pegando fogo, sentindo cada impulso como se fosse o último, o prazer se enrolando em seus estômagos.

Levi é o primeiro a tremer, quase lá e enquanto procura o orgasmo, Eren cai para trás, deitando na cama e deixando que ele fizesse o que queria, dando o controle total para Levi, que grita satisfeito, quicando e se esfregando no colo de Eren, perdido demais na sensação para sentir vergonha da forma como é observado, em como ele tem esse homem lindo e incrível em suas mãos, ao menos nesse dia, nesse quarto, Levi o tem.

Caindo sobre Eren, Levi respira descompassado, ele está tão perto, o prazer no limite, faíscas espalhando por todo seu corpo e então, com as mãos entrelaçadas nas de Eren, ele vem, tremendo e convulsionando, fazendo Eren gozar também enquanto se beijam desleixadamente.

Então eles se encararam, estudando o rosto um do outro, ofegantes, os peitos subindo e descendo profundamente e quando Levi morde o lábio, pronto para desviar o olhar, Eren puxa Levi para seu peito, apertando-o entre seus braços, compartilhando seu calor, segurando-o.


Faça uma promessa, por favor, você sempre vai estar por perto

Apenas no caso de eu precisar de você lá quando eu chamar (aqui quando eu chamar)

Isso tudo é tão novo, parece bom demais para ser verdade

Poderia isso ser realmente um lugar seguro para cair?






Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...