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História Depois que te conheci - Capítulo 18


Escrita por: luzinanda

Notas do Autor


Me desculpem pela demora, gente, estou em meio a um momento meio caótico e 100% sem tempo para escrever direito, tô literalmente fazendo de pouco em pouco.
Esse é um capítulo MUITO importante para história, apesar de não parecer, ele trás o ponta pé para o início do novo arco da história que começa já no próximo capítulo, onde teremos FINALMENTE a festa de aniversário, o que vocês esperam?
Boa leitura bbs 🥺

Capítulo 18 - Control


Não quero perder o controle

Não posso fazer mais nada

Tentando todos os dias quando prendo minha respiração

Girando no espaço, pressionando meu peito

Não quero perder o controle

Preciso que você saiba

Jamais seria tão forte assim sem você

Você viu como cresci

Você tirou todas as minhas dúvidas

Porque você era meu lar


Eren piscou sonolento quando o burrito humano debaixo de seus braços se moveu. Durante a noite Levi havia se mexido de tal forma que estava completamente enrolado em todos os cobertores enquanto Eren estava sem nada, os braços e pernas jogados sobre o casulo de tecido procurando calor.

Foi fofo enxergar apenas o topo dos cachos escuros bagunçados, os olhinhos pequenos piscando confusos quando apenas a cabeça de Levi saiu para fora da proteção quente.

– Bom dia. – Eren murmurou ainda sonolento, rolando apenas o suficiente para puxar a beirada dos cobertores e descobrir o outro. – Estou com frio. – Mentiu quando, ao invés de se levantar, se juntou a Levi na primeira oportunidade, recebendo um olhar nem um pouco impressionado.

– Bom dia. – Levi bufou quando Eren se enrolou em seu peito como um bebê gigante, as pernas abertas em volta de seus quadris e os braços em seus ombros e costas. – Eren…

– Só mais um pouco. – Fechando os olhos e fazendo bico, Eren afundou o rosto no pescoço de Levi, agindo mais manhoso que o normal, divertindo o mais novo. – Você está tão quentinho.

– Deve ser porque eu me cubro à noite. – Sem ter como resistir, Levi abraçou as costas de Eren, aproveitando o acesso que a posição cedeu do corpo moreno e forte, da cintura fina e da bunda redonda dentro da boxer preta.

– Você sempre rouba os cobertores para se enrolar. – Eren murmurou completamente relaxado contra o corpo firme de Levi. – É tão fofo que não consigo impedir.

– Não sou fofo. 

– Você é. – Levi podia sentir Eren sorrindo contra sua pele agora. – Totalmente lindo e fofo, baby.

– Eu quero ver… – Desceu suas mãos até os montes de carne macios, agarrando ambas as bochechas da bunda de Eren com as duas. – … se vai me achar fofo quando eu te foder, amor.

– Amor? – Levantando a cabeça interessado, Eren ignorou completamente os dedos apertando sua bunda, ou a declaração nem um pouco inocente de Levi enquanto pisca sorridente na direção dele. – Se me chamar assim, você pode me foder sempre que quiser, bebê.

– Eu estava sendo sarcástico. – Levi disse entredentes, as bochechas pegando fogo e vermelhas pelas declarações nem um pouco sutis de Eren, que mal se incomodou com a possível troca de dinâmica entre eles. 

– Eu não. – Sorrindo provocador, Eren beijou o maxilar marcado de Levi antes de se levantar, esticando os braços e sacudindo o corpo para espantar o sono enquanto desperta para o dia. – Vou fazer o café, quer tomar banho enquanto isso?

Boquiaberto e sem palavras, Levi apenas acenou com a cabeça enquanto Eren vai até o banheiro tranquilamente, andando com aquela bunda empinada com um leve balançar de quadris em direção a sua higiene matinal sem parecer sequer incomodado com o efeito no corpo alheio.

Quando voltou para o quarto vestido apenas em um shorts larguinho preto repleto de nuvens vermelhas, Eren riu ao encontrar Levi no mesmo estado, ainda esparramado no meio da cama, envolvido por cobertores e com os cabelos tão bagunçados que parecia adorável, o homem mais alto colocou a mão na cintura antes de sair do quarto, coçando a garganta.

– Você ainda trabalha hoje, Levi, não esquece. – Saindo enfim, Eren foi direto para a cozinha, preparando o chá branco preferido do baixinho, torradas, ovos, separando geleia, alguns frios e separando café para si mesmo enquanto cantarola, observando o balcão de café da manhã quando terminou, sorrindo consigo mesmo, satisfeito. 

As coisas estavam indo bem, Levi tem se esforçado muito nos últimos dias e para isso Eren dá muito valor, apoiando o máximo possível qualquer pequena vitória ao buscá-lo todos os dias no trabalho – dormir sem Levi se tornou difícil em algum ponto –, e se envolver tão intimamente em questões tão problemáticas acabou aproximando ainda mais os dois, a rotina confortável e os beijos diários deixando-os mais que confortáveis.

E apesar das pequenas crises de abstinência surgindo em momentos aleatórios, Eren sente que mais um passo importante é dado na relação dos dois quando está lá para abraçar e enfatizar como Levi importa para ele, apoiando o garoto que poderia ser teimoso quando queria, principalmente quando Levi queria negar o envolvimento mais sério dos dois – Eren ainda estava esperando o momento certo para isso, um embrulho muito específico guardado no fundo do seu closet.

E foi com um sorriso no rosto que o Jaeger esperou por Levi, encostado no balcão da cozinha, os olhos presos no chão enquanto aguarda os passos leves e pequenos do baixinho que sempre se aproximaria de forma tímida, os braços na frente do corpo e os olhos inseguros escaneando toda a sala antes de iniciar qualquer contato físico com ele e só aí, ele o abraçaria antes de se sentarem.

Vinte minutos se passaram e nada disso aconteceu, Eren percebeu, preocupado e olhando para o relógio digital do forno que Levi já deveria estar ali a muito tempo, ele tinha levado não menos que quinze minutos na preparação de toda a comida e somando com o tempo que esperou, deu tempo mais que o suficiente para o banho matinal de Levi.

–"Talvez ele tenha voltado a dormir?" – Pensou, andando até o quarto em passos leves, mal fazendo barulho, encontrando a cama arrumada e vazia no caminho que fez diretamente até o banheiro.

A garganta de Eren se fechou conforme se aproximava da porta fechada, não ouvindo nada, nem o barulho da pia, nem do vaso ou do chuveiro, apenas um silêncio angustiante saindo do outro lado.

– Levi? – Chamou, batendo na madeira, esperando alguma resposta, alguma confirmação. – Baby? Você está bem aí dentro? Precisa de ajuda?

Tentou soar o mais suave possível, mascarando sua crescente preocupação para não alarmar Levi desnecessariamente, mesmo que por dentro, Eren esteja lentamente entrando em desespero com a falta de resposta.

– Ei, pode me responder? – Bateu novamente na madeira, ignorando a picada em seu punho ao esmurrar com força, sua respiração engatando no meio da frase. – Levi, por favor…

Silêncio.

– Só me deixe saber que está bem, sim? Eu só preciso ouvir você, Levi. – Sua boca tremeu quando seu punho bateu outra vez na madeira, uma sensação horrível passando por sua espinha enquanto seu cérebro trabalha em criar imagens horríveis. – Só uma vez, por favor…

Uma tosse seguida de uma longa fungada, Eren percebeu, mal respirando para escutar melhor enquanto mais desses sons surgiram. Levi está vomitando, soube quase imediatamente, o coração batendo forte dentro do peito com a necessidade de ajudar.

Respirou com força contra a porta, pensando no que poderia dizer em uma situação como essa, com Levi obviamente pertubado dentro do pequeno cômodo, a porta fechada tornando-o inacessível e dando o recado silencioso de que o garoto queria lidar com isso sozinho, mesmo que não concorde, o que Eren pode fazer? É tudo sobre Levi e ele não vai forçar o mais novo a sua própria vontade.

A tampa do vaso bateu com força e em seguida o som de passos desajeitados ecoou pela porta, Levi deveria estar tropeçando, provavelmente confuso como ficou em momentos anteriores, chateado demais para expressar sua angústia em palavras.

– Você não precisa lidar com isso sozinho. – Sussurrou, batendo a testa contra a porta, respirando fundo. – Eu estou aqui para você, eu só preciso que você faça isso, abra a porta e eu poderei te abraçar, Levi. – Estava difícil controlar o volume do desespero, seu lábio inferior tremendo com o nervosismo, os olhos enchendo de água.

–"Acalma-se, Levi está seguro, ele apenas está confuso, acalme-se." – Pensou repetidamente, encostando a cabeça na porta enquanto ouve os passos aleatórios pelo banheiro, Eren sabe que Levi agora deve estar andando de um lado para o outro, tentando – sozinho –, encontrar alguma razão em si mesmo. 

– Eu não deveria estar aqui. – O Ackerman disse tão baixo que Eren mal escutou, seu corpo reagindo quase imediatamente com o som, os dedos pressionando na madeira da porta. – Eu-

– Você está onde deveria estar, Levi, apenas me ouça, sim? Abra a porta e poderemos conversar…

O silêncio durou mais alguns minutos, Eren escutou claramente Levi andando de um lado para o outro, falando consigo mesmo, praguejando e murmurando dentro do banheiro.

Chamar Levi e tentar criar qualquer exercício de respiração claramente não funcionaria, a situação não era diferente de muitas outras em que os dois estiveram, dessa vez porém, havia o acréscimo da abstinência cada vez mais comum, pequenos momentos de enjôo, vômitos, irritabilidade, confusão mental e fraqueza estavam acontecendo quando os dois menos esperavam, criando situações como essa e que Eren sabe terem o potencial de se tornarem perigosas. E Eren não é médico, ele não pode tratar o garoto como deve, ele não sabe o certo a dizer em momentos assim e por mais teimoso que Levi seja, Eren sabe que em algum momento mais deverá ser feito.

É o certo a se fazer.

E como se estivesse lendo sua mente, Levi abriu a porta, surgindo na frente de Eren repentinamente, os olhos vermelhos pelo choro, completamente desfocados, o cheiro de álcool denunciando o motivo da demora.

Olhando por cima do ombro de Levi, Eren conseguiu enxergar uma garrafa pequena de whisky em cima da pia, daquelas da edição de luxo de uma coleção que ele tinha na sala, pequenas garrafas empilhadas que serviam como decoração.

Trincando o maxilar, Eren segurou os ombros de Levi quando ele tentou sair, o rosto pálido e repleto de culpa era um pouco demais para Eren nesse momento, mas ele precisava aguentar, afinal, parte da responsabilidade por manter álcool em casa com Levi ainda em recuperação era dele mesmo. Foi completamente idiota de sua parte não pensar em se livrar das garrafas ao levar o Ackerman tantas vezes para o apartamento.

– Desculpe. – Levi murmurou, olhando para tudo, menos Eren. – Eu deveria ir embora, me desculpe.

Eren identificou os olhos vermelhos, as bochechas inchadas e as mãos trêmulas, assim como o brilho de mais lágrimas querendo descer e assistir isso foi como levar uma facada no peito, assistir Levi sofrer desse jeito nunca seria fácil, Eren sabe que não pode lidar com isso, mexe com ele mais do que deveria.

– Ei, olhe para mim. – Respirou fundo ao prender seus olhos nos dele. – Eu me importo com você, entende? Não quero que vá embora.

– Mas eu-

– Não. – Encostou a testa na de Levi, encarando-o por baixo das sobrancelhas grossas. – Apenas fique, certo? Eu estou aqui para você, baby.

O apelido funcionou de alguma forma pois com os olhos ainda mais marejados, Levi concordou com a cabeça, suas mãos subindo desesperadamente para procurar calor em Eren, espalmando o peito e depois costas morenas, o corpo buscando conforto conforme se aproxima, colando-os juntos.

– Eu não consegui. – A voz de Levi saiu abafada contra o peito de Eren, lágrimas ainda escorrendo dos olhos estreitos. – Desculpe, Eren, eu não deveria…

– Você tomou banho? – Eren não iria estender o assunto. No momento não faria sentido puxar isso em Levi, não quando Eren sabe o quanto Levi se martiriza o suficiente com cada erro, não vai ser ele a machucá-lo ainda mais. Então, quando Levi negou com a cabeça, Eren o levantou no no colo, encaixando os braços nas costas e nas pernas do mais baixo. – Vamos cuidar disso primeiro.

– Eren, você não deveria…

– Sabe o que eu deveria fazer? – Interrompendo o raciocínio de Levi, Eren pausou sua fala apenas para ligar o chuveiro, deixando que a água caísse sobre os dois ainda vestidos enquanto deposita o mais novo no chão novamente. – Buscar você no trabalho hoje.

– Por que?

– Se Armin não estiver lá, você confia em ficar sozinho? – Eren perguntou após agachar sobre as pernas, olhando Levi de baixo enquanto o ajuda a tirar o tecido da cueca agora molhada. 

– Eu já estou dormindo na sua casa há dias. – Teimoso, Levi fez bico quando Eren levantou uma sobrancelha, claramente sem vontade nenhuma de ceder. – É sério, eu não deveria ficar aqui por tanto tempo.

– Você deve ficar o tempo que precisar. – Dando ênfase no 'deve', Eren se levantou para tirar a própria roupa molhada antes de alcançar o sabonete e a esponja macia, criando bastante espuma com as mãos. – É por isso que estarei te buscando no trabalho e na faculdade.

– Por que está se incomodando com isso? – Juntando as sobrancelhas, Levi piscou várias vezes ao ver Eren ficando corado. 

– Eu disse que quero cuidar de você. – Suspirando baixinho, Eren se aproximou para começar a esfregar e limpar a pele pálida de Levi, seus dedos trabalhando em esfregar sem nenhuma malícia, apenas cuidado. – O motivo é um sentimento mais forte do que posso admitir agora. – Sussurrou a última parte como se fosse um segredo, a pele dourada com um belo tom de rosa nas bochechas, colo e orelhas.

– E o que é esse? – Levi perguntou em uma respiração só, um arrepio involuntário subindo por toda a pele. – O que você sente por mim?

Ao invés de responder, Eren sorriu, depositando um leve beijo nos ombros e depois bochechas de Levi, continuando a limpar enquanto cantarola baixinho.

– Eren.

– Tudo no seu tempo, bebê. – Riu baixinho quando começou a lavar a parte mais sensível do corpo alheio, passando os dedos sobre todo o comprimento despertando com seus toques para retirar qualquer resquício de suor e bagunça. – Incluindo isso.

Levi suspirou, sensível e se apoiando nos ombros largos enquanto fecha os olhos, os quadris arqueando involuntariamente para frente, procurando contato. No entanto Eren apenas continuou a limpar, ignorando propositalmente a semi ereção sensível esfregando em sua coxa.

– Levi, fique quieto. – Eren tentou chamar a razão batendo nos quadris pálidos com as duas mãos espalmadas, fazendo o garoto pular de susto e fazer biquinho, frustrado por não receber a atenção que o corpo pede. – Estou quase terminando.

– Depois. – Levantando o rosto, Levi ofereceu seus lábios para Eren, seus dedos deslizando pelos músculos saltados da madruga, passando as unhas curtas em cada um deles. – Eren…

– Não podemos.

– Por favor… – Pediu, semi cerrando os olhos enquanto desliza os dedos para os contornos dos braços fortes e tatuados, delineando cada curva. – Toque-me.

– O quão… – Eren ofegou, sem saber como fazer a pergunta. Levi tinha bebido uma garrafa pequena de whisky inteira e para algumas pessoas, a quantidade poderia ser o suficiente para causar embriaguez, transar com Levi nesse estado estaria fora de questão.

– Não estou bêbado. – O Ackerman entendeu, mordendo os lábios para segurar um gemido quando Eren pressionou a coxa macia entre suas pernas, causando alguma fricção em seu pênis sensível. Suas mãos desceram dos braços até a barriga, indo direto até a ereção do mais velho, sentindo o longo comprimento entre os dedos das duas mãos. – Deus, tão grande…

– Não tenho muita certeza disso. – Eren admitiu, chegando ainda mais perto antes de agarrar o pau tenso de Levi, deslizando a mão até a base em uma estocada lenta, fazendo o Ackerman gemer daquele jeito manhoso e irresistível. – Você está bem? – A preocupação não pôde ser disfarçada, mas Levi não se apegou a isso, balançando a cabeça de um lado para o outro, negando.

– Estou bem, vomitei tudo que bebi, só… me faça esquecer. – Admitiu entre suspiros, ofegante quando Eren juntou os membros juntos em sua palma, acariciando-os ao mesmo tempo, quente e pesado. – Me-meu corpo não aceitou… A-ah! Merda, Eren, preciso de mais…

– É claro que precisa. – Os olhos verdes brilharam escuros e nublados, as pupilas dilatadas quando puxou uma das coxas de Levi até sua cintura. – Quantos dedos acha que aguenta?

&&&

– Eren disse que você deveria almoçar com a gente. – Levi falou com o celular em uma das mãos, os pés se movendo sem parar em direção a saída do campus onde Isabel e Farlan já esperavam os dois. – Provavelmente o casal também vai.

– Como se vocês dois não fossem um. – Armin resmungou, mal humorado por conta do teste absurdamente longo e na opinião do loiro, sem sentido, que fizeram naquela manhã. – Acho que vou negar comida de graça? 

– Acho que ele já está aqui. – Levi estava distraído respondendo as mensagens do Jaeger, mal prestando atenção nas palavras do loiro, que juntou as sobrancelhas enquanto analisava o garoto de cabelos pretos.

Levi está mais cheio, as bochechas coradas e saudáveis. As enormes olheiras já comuns em seu rosto desaparecendo lentamente e os olhos contendo um brilho muito diferente, quase como se ele estivesse mais feliz. Armin não tem dúvidas disso, mesmo sabendo que o processo é longo, principalmente sem um acompanhamento psicológico adequado. No entanto, a perspectiva parece boa, Levi parece bem e se Eren é o motivo da aparente evolução, não vai ser ele a impedir.

– Você parece péssimo. – Isabel comentou assim que Armin se aproximou, os dois ficando para trás enquanto Levi e Farlan atravessavam a rua conversando, distraídos. 

– O teste foi uma merda. – Reclamou, bufando e cruzando os braços como uma criança mimada, fazendo Isabel levantar uma sobrancelha em sua direção. – Como tá o neném?

– Não mude de assunto, você realmente parece uma merda, o que tem te tirado o sono? – Depositando a mão na própria barriga, Isabel riu quando Armin abriu e fechou a boca, sem palavras. – O bebê está bem, já comecei o pré natal e mamãe me deu um cartão para comprar as coisas para ele.

– Ele? Então acha que é um menino? – Isabel deu de ombros. – Não sei exatamente o que tem me feito ficar acordado, eu só… – Armin suspirou, se perguntando como Isabel poderia adivinhar tão facilmente seu estado de espírito, talvez fosse coisa de grávida. – Acho que estou confuso.

– É com a Annie? 

– Sim e não, eu não acho que ainda goste dela. – O loiro sorriu com o alívio claro da ruiva com sua declaração. – Acho que é… outra pessoa.

Corando completamente, Armin levantou a cabeça quando Levi acenou no outro lado da rua, já parado diante um carro que deveria ser de Eren.

– Não me diga que é a tia Mikasa? – Abrindo a boca, Isabel mal disfarçou seu choque. – Qual o problema dos meus amigos com os mais velhos, hein?

– Eu… – Mordendo o lábio com força, Armin encolheu os ombros. – Não foi de propósito, às vezes só parece que ela está… flertando?

– Acho que devemos ir. – Isabel disse suavemente, sorrindo gentil ao pegar na mão de Armin para puxá-lo até o carro.

– Você não está brava?

– Não, só um pouco chocada, acho. – Juntou as sobrancelhas. – Você deveria pensar bem sobre isso, sei que acabou de sair de um relacionamento, não quero que vocês dois acabem se machucando.

– Você está certa…

– De qualquer forma, esqueça isso por enquanto. – Todos entraram no carro, cumprimentando Eren no processo, Levi falava alguma coisa com o mais velho no banco da frente, baixo e reservado enquanto Farlan apenas segurou a mão da ruiva, que se inclinou para Armin, sussurrando: – Pois tia Mikasa vai estar lá. – Sorridente, Isabel mal notou os arrepios e o estado zonzo do garoto de cabelos loiros.

Eren sorriu para Mikasa quando chegaram no restaurante indicado, a Azumabito já estava sentada em uma mesa grande na área externa, com o celular nas mãos e óculos escuros sobre os olhos.

– Vocês estão atrasados. – Ela disse, olhando para todos rapidamente, demorando seu olhar em Levi com a sobrancelha franzida antes de se virar para Armin. – Tenho certeza que a culpa é do Eren, você sempre costuma ser muito pontual.

– Acho que sim? – Armin disse baixo, tímido o suficiente para olhar para os pés enquanto um silêncio estranho se formava no grupo, Eren com um sorriso debochado e Farlan com uma risada desesperada.

– Você está me perguntando? – Mikasa perguntou divertida.

– Oi, tia. – Isabel foi quem quebrou o momento, praticamente se jogando em cima da asiática para um abraço de urso que foi prontamente correspondido. – Obrigada por vir.

– Nós ainda vamos conversar, mocinha. – Mikasa avisou, sua voz saindo severa. – Mas estou feliz em participar desse momento.

– Que momento? – Eren perguntou enquanto se sentava ao lado de Mikasa, puxando Levi pela mão para se sentar no outro lado.

– Vamos comprar coisas para o bebê. – Farlan foi quem respondeu, sentando ao lado de Levi com Isabel ao seu lado, seguida de Armin, que ficou bem ao lado de Mikasa, ninguém disfarçou o sorriso divertido com a reação tímida do loiro. 

– Pensamos em roupinhas e talvez um berço.

– Talvez? É claro que vocês precisam de um berço, acha que o pirralho vai dormir aonde? Dentro da banheira? – Levi balançou a cabeça desacreditado. – Crianças precisam de todo tipo de tralha, carrinhos, cadeiras estranhas, um monte de cobertor e tudo mais.

– E o que você sabe sobre crianças? – Farlan cruzou os braços. 

– Mais do que vocês, aparentemente. 

– Falou o cara mais gay dessa mesa. – Resmungou o loiro, recebendo um tapa na cabeça do amigo baixinho, que bufou envergonhado. – Eu não menti.

– Levi não está errado. – Eren se meteu, sorrindo sem disfarçar na direção do garoto de cabelos escuros. – Vocês deveriam se organizar melhor, ler alguns livros sobre o assunto…

– Dindo, você nem quer ter filhos! – É claro que Isabel defenderia o namorado, o dedo levantado na direção do padrinho. – Não fale como se soubesse trocar uma fralda.

– E você sabe? – Levi perguntou com a sobrancelha levantada, fazendo o Jaeger rir abertamente quando a ruiva se calou.

– Por que não pedimos o almoço de uma vez? – Armin tentou perguntar, mas foi ignorado.

– Eu vou ter que aprender, afinal, o filho é meu! Você será apenas o padrinho. – Farlan esbravejou, cruzando os braços.

– Não cuide bem do pirralho para ver se eu não quebro a sua cara, filho da- – Levi então arregalou os olhos, encarando os verdes divertidos de Eren e depois os verdes carinhosos de Isabel, que confirmou com a cabeça. – Padrinho?

– Seu idiota, eu queria fazer o convite direito. – A ruiva bateu a mão na mesa, inconformada enquanto Levi apenas piscava, emoção transbordando de seus olhos azuis cinzentos, quase pratas com a luz refletindo neles. – Eu e Farlan acreditamos que você e Armin poderiam ser ótimos padrinhos para o bebê.

– Serão dois padrinhos? – Eren perguntou surpreso, sua pergunta ficando no ar, ignorada.

– Vocês tem certeza? – Armin perguntou baixinho, olhando de um para o outro, olhos azuis bem abertos. – Quero dizer… vocês conhecem muitas pessoas.

– Realmente tem, muita gente ficaria feliz em ficar no lugar de vocês, mas… nós decidimos que deveria ser alguém que os dois confiamos e amamos, então decidimos por vocês. – Farlan disse naturalmente enquanto Levi permaneceu chocado. – Oe, fale alguma coisa. – Batendo na cabeça de Levi, Farlan arregalou os olhos quando o baixinho não esquivou, sendo jogado para frente com força. – Cara, você está bem?

– Qual o seu problema? – Isabel enrugou as sobrancelhas para o namorado, batendo do mesmo jeito nele em retaliação.

– Isso é muito especial da parte de vocês, eu nem sei o que dizer só… obrigado, acho. – Armin disse baixinho, corado e olhando para as mãos sobre a mesa, emocionado demais para se importar com o pequeno caos no grupo, sempre era assim de qualquer maneira.

– Ele me bateu primeiro! – Farlan se queixou, fazendo biquinho para a ruiva. 

– Você tem certeza disso? – A voz repentina de Levi fez com que todos inclinassem a cabeça em sua direção, os olhos dele agora fixos na mesa, distantes. – Outra pessoa não seria mais… adequada?

– Levi… – Isabel balbuciou, sem saber como lidar com a repentina fragilidade do amigo, a ruiva mordeu o lábio inferior com força, olhando para Eren em busca de alguma ajuda, olhos verdes refletidos nos seus repletos de preocupação. – Eu não acho que-

– Não seja idiota! – Farlan interrompeu, batendo outra vez na cabeça do Ackerman, o loiro dessa vez cruzou os braços, tentando soar ameaçador enquanto balança a cabeça de um lado para o outro. – Eu não vou ficar aqui escutando nenhuma merda desse tipo, pode parar de cagar pelos lábios, cara, não quero ouvir um absurdo desses novamente.

– Farlan está certo. – Eren disse baixinho, segurando a mão de Levi por baixo da mesa. – Por que não foca na notícia, hum? Vamos escolher as coisas do seu afilhado.

Eren observou atento Levi piscar algumas vezes e respirar fundo, provavelmente se lembrando da plateia os assistindo e colocando a cabeça no lugar antes de concordar lentamente, sorrindo minimamente – e um pouco falso, na opinião do Jaeger.

– Ao menos poderemos interceder para que o mal gosto dos pais não influencie a criança. – Estalando a língua, Levi apertou sua mão debaixo da mesa antes de beliscar o braço de Farlan com a mão livre, arrancando um grito agudo e surpreso do loiro.

– O que é isso agora? 

– Isso é pelo tapa, babaca.

– Foda-se, anão.

– Ao menos sei usar uma camisinha, filho da puta.

– Por que? – Isabel resmungou, fazendo o padrinho rir e dar de ombros, deixando clara sua diversão com a situação, mesmo que Levi pareça tudo menos sincero com as próprias emoções no momento, Eren pode entender ele.

– Ele é um bom garoto. – Mikasa sussurrou tão baixo que Eren quase não entendeu, a cabeça virando de uma só vez na direção da asiática, que bufou com o movimento indiscreto.

– Eu sei disso. – Disse quase orgulhoso, arrancando outro suspiro de crítica da ex. – É sério, ele é tão bom quanto o loirinho aí.

– Idiota.

- Nós somos parecidos, você sabe. – Riu da expressão desacreditada de Mikasa, batendo a cabeça na dela suavemente antes de se afastar.

– Você não teria tanto bom gosto. – A Azumabito resmungou, sorrindo de canto com o gesto.

– Claro que tenho, é o melhor gosto de todos, inclusive. – Lambeu os lábios, arrancando um barulho de enjôo da mulher que riu em seguida, Eren fazendo o mesmo, parando apenas quando o barulho repentino de cadeira arrastando se fez ao seu lado.

– Preciso ir ao banheiro. – Levi disse apressado, mal ouvindo qualquer resposta antes de sair. Eren não reagiu imediatamente, parado com a mão no ar e a boca meio aberta enquanto as costas de Levi somem no centro de alimentação.

– O que aconteceu? – Perguntou baixinho, apenas para si mesmo enquanto bate os dedos na mesa, olhando ao redor.

– Tudo bem? – Mikasa perguntou, mas Eren concordou com um movimento leve de cabeça, os olhos presos na figura dela, porém distantes, presos na memória da expressão perturbada de Levi ao sair da mesa.

Algo definitivamente não estava certo e apesar de querer procurar pelo Ackerman, eles estavam em público, com os amigos dos dois. Eren não poderia simplesmente dizer suas suspeitas, não quando isso resultaria em expôr Levi desnecessariamente. 

Eren espera estar errado. Eles tem feito muito avanço, com Levi ficando a maior parte do tempo consigo, Eren não pensou sobre como qualquer situação poderia servir de gatilho para o garoto, ele na realidade não pensou que Levi ainda estaria tão suscetível, ficando obviamente abalado com o convite para padrinho, deixando seu complexo de inferioridade tão claro para todos com a pergunta abalada.

Querendo roer as unhas de nervoso, Eren se contentou em bagunçar o cabelo com ansiedade enquanto espera a volta de Levi – muito tempo já se passou agora –. Ele deveria ter sido mais atento, mesmo que não fosse culpa sua, Eren não consegue evitar pensar em como poderia ter feito mais.

Quando Levi retorna, Eren mal nota o dia passando, a comida do restaurante e Isabel que o perdoe, ele não pensa no bebê. 

Levi está obviamente diferente, sorrindo mais – falso –, mais solto e desinibido, escolhendo as roupas junto do casal e dando muitas opiniões, a timidez comum completamente de escanteio enquanto ele conversa e fala com os amigos de uma forma que Eren não está totalmente acostumado.

Com ele, Levi é tímido, fechado e totalmente emocional. Agindo de um jeito tão fofo e honesto que fica difícil não achar adorável, mesmo quando está carrancudo. No entanto, ali estava o Ackerman, agindo daquela maneira solta como se fosse natural, forçando sorrisos que não alcançam os olhos e dando mais opiniões do que normalmente gostaria de fazer.

E o que mais surpreende o Jaeger é a naturalidade com que os três adolescentes lidam com Levi, agindo como se ele mudar assim fosse normal, parecendo quase… acostumados com essa personalidade criada especificamente para agradar, como se não conhecessem a verdadeira pessoa ao lado deles.

Eren também não pode se enganar, claro. Ele percebe os olhares mais atentos de Farlan, os toques sutis nas costas, ombros, a preocupação contida e desconfiada. A bolha parecia prestes a estourar e mesmo assim, Levi tentava manter alguma postura, distraindo os amigos com assuntos aleatórios ou apenas xingando em voz alta, fazendo-os rir.

Esse é o efeito do álcool, afinal. Mas Eren não caiu nessa.

E foi assim que o dia terminou com Levi chorando em seus braços, encolhido em seu colo enquanto deixa as lágrimas escorrerem sem controle, desculpando baixinho. Poucas palavras foram necessárias para chegar a esse ponto, Eren já tem experiência com Levi o suficiente para saber quais botões apertar e apesar de gostar de saber que conhece o baixinho, Eren não consegue evitar se sentir mal.

Levi precisa de ajuda médica e especializada. É mais que óbvio agora e por mais boa vontade que tenha, Eren não pode obrigar o garoto a se cuidar, ele não pode agir sem o consentimento de Levi e também não pode continuar agindo como se tudo estivesse bem. Não está e enquanto Levi se desfaz em seus braços, Eren respira fundo, sentindo como se a dor do Ackerman fosse sua, tomando para si cada resquício de desespero, tentando da mesma forma, ajudar com alguma coisa.

Eren quer muito ajudar, mas Levi é teimoso o suficiente para dificultar isso, Eren sabe, o caminho vai ser longo e mesmo assim, ele está ansioso para chegar lá.

&&&

Mike deveria ser um pensamento distante, porém é difícil não pensar nele enquanto assiste Eren dirigir de volta para a empresa, o terno bem colocado no corpo, a colônia extremamente cheirosa e a mão calorosa em sua coxa mostram a óbvia diferença entre os dois.

Levi realmente não estava em si quando aceitou ficar com o loiro quando, no meio de todo o caos de sua vida, ele tinha Eren ali, disposto, lindo e completamente Eren ao seu lado, com pele morena, olhos verdes e compreensão além do limite reservados apenas para si. A comparação é inevitável, principalmente quando a sensação de ainda dever algo ao loiro persiste, mesmo que Levi sinta alguma distância desse sentimento prisioneiro, ele sabe que ainda está lá.

Mike estava bloqueado a bastante tempo e na rotina confortável dos dois, Levi mal percebe o tempo passando, os dias se tornam borrões e a cada dia mais difícil, a cada dia mais tranquilo, mais intenso, mais feliz, Levi pensa que está mais perto do que nunca do que um dia considerou ser felicidade.

Porque afinal, quem poderia não estar bem com alguém como Eren? Disposto a ajudar, nunca pedindo nada em troca, nunca exigindo nada, apenas doando amor e deixando que o sentimento por si só desperte o melhor. É difícil não se apaixonar por esse tipo de coisa, é covardia pois Eren não lhe deu qualquer chance de escapar.

– Não precisava se incomodar. – Disse novamente, recebendo um bufo irritado do homem mais velho, que apertou sua coxa em alerta. – Você ainda tem mais uma hora de trabalho, não precisava me buscar no café tão tarde.

– Eu já disse, Sasha faz questão de conhecer você oficialmente. – Os olhos verdes reviraram nas órbitas. – Faz mais sentido que você me espere na empresa para irmos juntos.

– Não quero atrapalhar.

– Levi. – "li-vai" pareceu mais uma ameaça do que o chamado sensual de outrora, mesmo assim, Levi não conseguiu evitar se arrepiar com a forma como essa voz soa. 

– Eu só não quero que seus colegas pensem demais sobre a gente. – Murmurou, fazendo bico e encolhendo os ombros diante o olhar rápido que recebeu de Eren. – É seu local de trabalho.

– Eles devem pensar demais sobre a gente, eu não me importo com essa merda, desde que respeitem você. – Suspirando, Eren balançou a cabeça antes de abrir um sorriso de canto, perigoso demais para ser ignorado. – Além do mais, eu sou o chefe.

– E isso quer dizer o que?

– Que posso fuder você com todos eles assistindo e mesmo assim, ninguém irá dizer nada. – Engasgando, Levi mal notou o carro descendo e então parando no estacionamento, a boca aberta em uma bagunça desesperada enquanto encara o Jaeger surpreso. 

– Seu-

– Chegamos, baby. – Sorrindo e beijando os lábios rosados de Levi, Eren saiu do carro rapidamente, sendo seguido pelo mais novo ainda catatônico, as bochechas vermelhas e as mãos juntas na frente do corpo de forma tímida. – Vamos para a cobertura.

– Tudo bem. – Levi disse baixo, as sobrancelhas franzidas e os lábios repuxados, incerteza e confusão estampadas em seu rosto.

– Ei. – Os dois entraram no elevador, que não demorou a começar a subir. – Não vamos demorar aqui.

– Mesmo? – Inflando as bochechas, Levi relaxou quando sentiu o toque conhecido e carinhoso em seu rosto e cabelos.

– É uma promessa, nós vamos para o jantar e depois para casa.

– Para casa? – Encarando aqueles olhos verdes, Levi não conseguiu evitar sentir como se estivesse flutuando, algo no fundo da sua mente gritando que 'casa' não é nada além de Eren, que um lugar não poderia descrever isso. 

– Sim, para casa. – Sorrindo após a repetição, Eren soltou Levi apenas quando o elevador parou, revelando os dois para o andar presencial.

E ao contrário do que Levi esperava, o lugar estava coberto de calmaria. Uma música calma tocando baixinho nos alto falantes, as paredes e o piso claro dando impressão de limpeza e espaço, poucos móveis ocupando a recepção enquanto apenas uma mesa em frente a porta de uma sala com janelas de vidros e persianas faz parte do ambiente.

– Senhor Jaeger. – A assistente cumprimentou, Frieda? Levi aposta que sim, a mulher não é muito diferente das fotos nas redes sociais onde foi marcada em saídas em grupo com os amigos de Eren, em sua página pessoal o cargo como assistente do Jaeger bem destacado. – Marco deixou alguns documentos da contabilidade para que assinasse, deixei todos em sua mesa.

– Fez bem, Frieda, obrigado. – Esticando a mão pelos ombros de Levi, Eren o guiou sala adentro, ignorando o olhar fixo da mulher no garoto mais novo, que acenou em cumprimento antes de sumir no escritório.

– Não vai me apresentar sua amiga? – Levi perguntou sem muita intenção, falando apenas para passar o tempo enquanto olha ao redor, notando os detalhes chiques - e caros - do enorme escritório, desde a mesa com um computador branco de última geração, até os sofás, cadeiras e estantes bem organizados. 

– Frieda é apenas minha assistente temporária. – Dando de ombros, Eren sentou-se atrás do computador, espreguiçando os braços de forma preguiçosa antes de pegar os papéis dispostos na mesa, analisando-os um por um com um suspiro cansado. – Você pode ficar confortável, se quiser café, a máquina fica alguns andares abaixo, posso pedir Frieda para buscar.

– Não quero café. – Juntando as sobrancelhas, Levi olhou ao redor.

– Pode deitar no sofá ou ficar onde quiser, fique confortável.

– Você já disse isso. – Sorrindo suavemente, Levi andou pelo lugar, analisando as estantes e as paredes rapidamente antes de caminhar até Eren, parando ao seu lado.

– Precisa de alguma coisa?

– Você me disse para ficar confortável. – Dando de ombros, Levi se esgueirou pelo colo do mais alto, encolhendo as pernas ao ficar sobre as coxas dele, a cabeça e as costas apoiadas no peito e ombros fortes.

– Bom, eu não posso reclamar. – Rindo soprado, Eren ajustou Levi no colo de forma que pudesse enxergar a mesa e o computador, esticando a mão para o trabalho sem se preocupar com o peso extra.

– É melhor mesmo. – Suspirando baixinho, Levi encostou a cabeça no peito forte, sentindo e escutando cada batida do coração de Eren, deixando-se embalar por elas, relaxando contra ele o máximo possível.

Dali a alguns minutos eles encontrariam Sasha, a melhor amiga de Eren e mãe de Isabel, a mulher que já tinha conhecido, mas se apresentado com o nome falso. Quando Eren sugeriu o jantar, Levi precisou de alguns minutos para se decidir sobre isso, principalmente quando os dois parecem tão confortáveis em agir como se fossem um casal, dormindo juntos, pegando caronas, se falando o dia todo por mensagens e agora até mesmo frequentando o trabalho um do outro. Conhecer a melhor amiga parece pouco diante tudo isso, mesmo assim Levi não consegue evitar o nervosismo, o medo da rejeição.

– O que você tanto pensa? – Levi piscou, confuso ao perceber grandes olhos verdes observando-o de perto, dedo moreno pressionando seu nariz. – Você parece fofo agora.

– Cala a boca. – Fez bico, ignorando o riso de Eren. – Só estou… nervoso.

– Sobre a Sasha, Connie e Nicolo? – Levi anuiu impaciente ao invés de responder, fazendo Eren rir novamente. – Você já conhece dois deles.

– Não desse jeito.

– Que jeito? – Eren perguntou com os olhos quase brilhantes, fazendo Levi bufar, desviando o olhar e corando.

– Como… isso?

– É uma pergunta? Como o que? – Divertido em encurralar o mais novo, Eren balançou a cabeça, beijando os lábios de Levi em seguida, encostando e afastando a boca apenas para repetir o ato mais duas vezes. – Está falando disso?

Levi resmungou, recebendo os selinhos carinhosos sem reclamar, levantando o rosto para dar acesso e receber mais, o que foi prontamente atendido por Eren, que segurou seu rosto com uma mão para acariciar sua pele com os lábios grossos.

– Isso. – Murmurou, quase não conseguindo segurar o sorriso com o contato dos lábios de Eren. – Essa coisa.

– Coisa? – Eren riu contra a boca de Levi, apertando a cintura fina em resposta.

– Você sabe. – Fazendo bico, Levi não resistiu quando foi beijado outra vez, correspondendo dessa vez com seus próprios beijos. 

– Eu sei. – Eren respirou fundo antes de sugar o lábio inferior de Levi, mordendo antes de soltar. – Nós sabemos.

– Sim, sabemos. – Gemeu quando finalmente foi beijado de verdade, a língua de Eren afundando em sua boca com dominância, roubando seu ar enquanto aperta seu corpo com força. 

Nenhum dos dois percebeu Frieda entrando e saindo do escritório.

&&&

Levi soube que estava se preocupando à toa assim que o jantar terminou e todos eles se sentaram na sala para conversar. Para seu conforto, em momento algum ninguém falou sobre Levi ser amigo de Isabel e ter mentido o próprio nome. Provavelmente a informação foi esquecida ou apenas ignorada, com todos seguindo em frente como todo adulto maduro deveria fazer.

– Isabel nos contou que escolheu dois padrinhos para o bebê. – Sasha puxou assunto, olhava interessada para Levi. – Ficamos felizes por ser justamente o namorado do Eren, quero dizer, é ótimo manter a família unida.

– É muita responsabilidade. – Começou, corando com o termo 'namorado', mas sem coragem para contrariar a mulher animada. – Estou feliz por saber que confiam em mim dessa maneira, é… muito bom me sentir assim, obrigado, Isa.

– Você é meu melhor amigo, duh. – Isabel mostrou a língua, falando como se fosse o óbvio. – Apesar desse momento não ser o certo. – Encarou a mãe com certa tensão, fazendo Levi se mexer no lugar, incomodado. – Estou feliz por dividir isso com você e Armin.

– Sim, acho que agora devo ajudar a colocar juízo na sua cabeça oca.

– Por favor! – Connie exclamou, risonho. 

– Eu não preciso de babá! – A ruiva fez bico, virando a cara para o pai.

– Precisa sim. – Para dar apoio, Nicolo se aproximou de Connie no sofá, passando o braço por cima dos ombros dele sem deixar de sorrir na direção da família, o que não passou despercebido por nenhum deles.

– Deixem a garota em paz. – Eren se intrometeu, abraçando a afilhada de lado. – Ela sabe que agora precisa ser responsável.

– Sim. – Isabel respondeu confiante, mas Levi apenas levantou a cabeça, desacreditado, sua expressão refletindo nos outros três adultos.

– É… não. – Sasha disse sem dar real atenção para os donos de olhos verdes presentes. 

– Ei! – Eren protestou.

– Você é o principal culpado por mimá-la demais, Jaeger. – Connie disse sorrindo,balançando a cabeça em negação. – Criou um monstro

– Não fale assim da minha princesinha.

– É exatamente disso que eles estão falando, velho. – Levi disse rabugento, fazendo Sasha e Connie gargalharam enquanto Eren sorri, as bochechas vermelhas assim como as suas próprias, Isabel também parecia divertida.

Foi impossível disfarçar o sorriso em seu rosto, as covinhas e as bochechas vermelhas, seus olhos pequenos quase sumindo quando o movimento da boca os alcançou, completamente sincero.

A maioria dos dias são ruins, Levi se sente quebrado, o aperto no peito sendo uma ocorrência comum em todo o tempo, mas às vezes os dias são bons, como esse.


Não sei se você entende

Porque não consigo expressar o quão grata eu sou

Por você sempre estar comigo quando doía

Sei que você entende




Notas Finais


No próximo capítulo Levi conhece toda a família Jaeger, sendo oficialmente apresentado como namoradinho do Eren, que também tem suas surpresas 😌 o que esperam para esse momento?
O que foi isso do Levi citando Mike bloqueado, eu ouvi um amém? Agora só falta ele não lidar mais com a mãe fdp, com uma rede de apoio dessas Levi tem muitas chances de fazer a coisa certa para melhorar 🥰
Até o próximo, bbs.


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