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História Depois que te conheci - Capítulo 21


Escrita por: luzinanda

Notas do Autor


Sim, estou atualizando essa hora, desculpa gente kkkkkk
Então, tudo bem? Me desculpem pela demora, eu tive um bloqueio criativo durante todos os dias livres que tive, acontece, gente.
Por isso nem tenho certeza se isso aqui tá bom, então me dêem suas opiniões.
Boa leitura

Capítulo 21 - Avalanche


Paraíso, dormindo em toda a neve branca e brilhante

Eu estou vivo, isso pode ser por tudo que sabemos

Eu estou uma bagunça, não sei o que eu faria, te dizer

Eu poderia chorar, levando você pela mesma velha estrada


Eren saiu quando Armin chegou, porém voltou não muito tempo depois, o loiro não parecia muito melhor que o próprio Jaeger, cabelos espetados, olheiras em volta dos olhos claros e o corpo vestido em peças confortáveis, a única diferença entre os dois, talvez, fosse a expressão abatida e melancólica de Armin enquanto Eren não demonstrava muito, o rosto tão limpo de emoções quanto no primeiro dia dentro do hospital.

Dez dias e Levi ainda estava se recuperando e em coma, apesar de se mostrar estável, segundo Grisha, o garoto permaneceria na UTI até que seus pulmões estivessem bons o suficiente para que pudesse respirar sozinho novamente, até lá, ele não receberia nenhuma visita.

Alternando com Armin, Eren passou a sair do hospital apenas para comer e tomar banho, dormir estava fora de questão e nas vezes que cochilou, foi na cadeira do escritório quando Zeke ou Sasha lhe trouxeram papéis que precisava assinar – Eren agradeceu por poder contar com os dois no trabalho.

Não que ele não estivesse cansado, a idade estava cobrando seu preço e suas costas e pernas estavam doloridas por ficar tanto tempo sentado na cadeira dura da área de espera – um pouco mais confortável que o outro hospital, mas ainda uma cadeira –, além de sempre acabar cochilando aleatoriamente, despertando assustado poucos minutos depois. Eren está cansado e com sono, isso é inegável, porém o Jaeger não conseguia simplesmente deitar em sua cama, antes com o cheiro de Levi nos lençóis, e agir como se pudesse descansar sem a presença dele lá. Que tipo de descanso teria quando, nos poucos minutos de sono, sempre acabava sonhando com o garoto sangrando e machucado? Ou pior, quando ao invés de ver Levi, via uma cova com o nome dele no chão.

Eren não acordava gritando, ou desesperado, nem chorando, ele apenas abria os olhos, piscava e então olhava em volta, não tão confuso quanto acordaria em um dia normal. As lembranças vinham com tanta força, como em um atropelamento, inundando seus sentimentos de uma vez só, a realidade batendo em sua porta e fazendo-o então suspirar. Levi estava internado, machucado e sem dar sinal de que acordaria a dias.

Dias sem qualquer notícia relevante, apesar da cirurgia ter sido um sucesso, a recuperação não era exatamente rápida e Eren se via cada vez mais desesperado pelo menino, em ver seu sorriso, sentir seu cheiro, ouvir seus resmungos e palavrões e tocar seu nariz fofinho e corado, abraçar o corpo pequeno antes de dormir e puxá-lo para cima do próprio corpo como um cobertor particular. Eren estava mal acostumado, acomodado com o conforto de Levi trazendo emoção para sua vida sempre perfeita.

Eren estava tão acostumado com todos se esforçando para fazê-lo feliz, compensando os erros do passado e pisando em falso com ele que o soco de Levi na balada foi recebido com excitação ao invés de raiva, Eren se viu absolutamente encantado pelo garoto que não se restringia por ele ser quem é. Levi estava se fudendo para Eren Jaeger desde o início e Eren amou isso.

Ele adorava deixar o garoto tímido, flertar até que Levi estivesse reduzido a uma pilha de nervosismo e mais do que isso, Eren adorava o fato de que seu nome não tinha qualquer ligação com as reações do garoto. Não importava que ele fosse Jaeger, mais do que rico, dono de empresas, não importava que ele fosse Eren, o homem repleto de cicatrizes auto infligidas. Quando os dois estavam sozinhos eles eram apenas duas pessoas se apaixonando sem perceber, se atraindo e se apegando no processo.

Levi era tão honesto com suas emoções, mal conseguindo esconder suas dores e inseguranças que Eren se viu perdidamente apaixonado pelo garoto, ele se apegou a sensação de liberdade de si mesmo que sentiu, pois Levi era parecido com ele, carregando olhos solitários e mesmo assim, Levi não o tratava diferente, era apenas os dois sendo humanos e se entregando as emoções.

Eren sente falta disso, de apertar a mão menor entre as suas, de beijar os lábios de Levi e se acalmar instantaneamente, de sentir que pertencia a algum lugar, de ter seu lar resumido em seus braços em segurança. Era pedir muito? Ele não foi capaz de proteger a única pessoa que o enxergou além de sua própria máscara – e nunca o pressionou para isso –, como Eren poderia merecer qualquer uma dessas coisas de volta? Era sim, pedir muito, Levi não merecia outra pessoa machucando-o.

– Vocês estão com Levi Ackerman? – Eren não esperava receber qualquer notícia tão cedo, sendo pêgo de surpresa ao perceber o médico plantonista parado na sua frente, por causa disso Armin foi mais rápido ao reagir, levantando da cadeira e concordado quase desesperado ao balançar a cabeça. – Nós acabamos de ligar para o doutor Jaeger, ele está a caminho.

– O que aconteceu? – Armin foi quem, novamente, teve forças para reagir, perguntando enquanto Eren engoliu em seco, as pernas ficando fracas debaixo dos olhos suaves do médico. – Levi está bem?

– Acalme-se. – Eren quis socar o idiota por demorar tanto a falar. – Ele está bem, estável e felizmente fora da sedação.

– O que isso… o que quer dizer? – Eren juntou as sobrancelhas, sua voz finalmente funcionando, não soando tão fria quanto o moreno gostaria que soasse, mais inseguro do que soou em todos os dez dias em que se manteve no controle, as emoções firmemente amarradas e contidas dentro de si mesmo.

Suas emoções agora escapando, a mínima esperança desmascarando-o com apenas um sopro.

– Levi consegue respirar sem ajuda, ele está sendo transferido para um quarto na enfermaria agora, em breve poderá receber visitas e um acompanhante. – O homem sorriu levemente para os dois, Armin estava de olhos arregalados, sem saber como reagir a notícia, os olhos cheios de lágrimas. – Agora é questão de tempo até que o garoto Ackerman acorde.

– Deus… – Armin murmurou, chorando silenciosamente enquanto tenta alcançar o celular no bolso. Eren mal piscou para o médico que se afastou, dando privacidade para eles. – Ele está bem, senhor Jaeger…

– Sim. – Puxando o ar com força, Eren olhou para o loiro, percebendo que assim como ele, Armin estava prestes a explodir, muito mais suscetível às fortes emoções que ele próprio, o Arlert mal conseguia se manter de pé. – Venha aqui. – Não foi preciso dizer duas vezes, Armin se chocou em seus braços, chorando em seu ombro, alto o suficiente para fazer quem estava em volta virar o rosto em respeito, lágrimas molhando seu moletom enquanto suas mãos acariciam os fios loiros embolados.

Eren nunca imaginou que abraçaria o namoradinho de Mikasa desse jeito, com esse tipo de intimidade, mas ele não poderia fazer diferente, não quando Armin aparentemente é a única pessoa do passado  de Levi que o respeita e trata com alguma afeição. Se Eren, que conhece Levi a apenas três meses se sente desse jeito, então não há como mensurar a angústia do amigo de infância, então o mínimo que poderia fazer nesse momento é dar conforto, é ter alguma utilidade enquanto Levi luta pela própria vida, enquanto Levi prova, mais uma vez, que é mais teimoso do que parece.

– Ele vai acordar. – Eren se viu dizendo, se era para convencer Armin ou ele mesmo, não sabia. 

&&&

Foi dito na recepção que eles deveriam esperar alguns minutos e depois de olhar para Armin, Eren já sabia quem seria o acompanhante, então apenas pediu alguns minutos com Levi antes de sair. Queria ver e sentir seu garoto sem o monte de máquinas em volta, uma prova visual e física de que de fato, Levi está bem, se recuperando e prestes a acordar.

As coisas que Isabel separou dias atrás logo foram dispostas e levadas pelas enfermeiras, provavelmente deixadas no quarto para uso pessoal de Levi. Também foi preciso que Eren assinasse outra papelada, agora relacionada ao pagamento da estadia de Levi no UTI e agora quarto, custeando também a cirurgia e todo o resto necessário para que o Ackerman recebesse o melhor cuidado possível.

Armin entrou primeiro então, assinando como acompanhante e recebendo um crachá, Eren ficou alguns minutos ali, esperando ansiosamente, mas dando tempo para que o loiro pudesse ter algum momento a sós com seu melhor amigo, os dois merecem isso, afinal.

– Eu vim o mais rápido que pude. – A voz de Kuchel foi o que fez Eren virar o pescoço, desviando sua atenção do corredor da enfermaria para trás, os olhos queimando na direção da mulher parada ao seu lado. – Como está meu filho? Foi difícil convencer Erwin a dizer onde ele estava esse tempo todo, eu procurei em hospitais públicos, mas-

– O que você está fazendo aqui?! – Eren não foi delicado ao perguntar, olhando então para Erwin atrás de Kuchel com raiva antes de encarar a mulherzinha de novo. – Saia daqui antes que eu arraste você pelos cabelos até a sarjeta, onde pertence. – Sussurrou a última sorte, soando ameaçador o suficiente para fazer a Ackerman se arrepiar e encolher.

– Eu sou a mãe dele, pois, senhor Jaeger. – Ela tentou chegar até a recepção, mas Eren foi mais rápido, pegando no braço de Kuchel e a puxando em direção a saída. –Espere…

– Não. Você não irá mais chegar perto do Levi. – Era um aviso. – Escute-me, Kuchel, você não vai me manipular como fez com ele. – Apontou para Erwin, que seguia os dois confuso. – Eu me lembro de cada palavra sua no salão, lembro de como tentou nos envenenar contra seu próprio filho quando foi você quem o fez fugir da festa. – Soltou Kuchel quando os dois estavam na porta, empurrando a mulher na direção do estacionamento. – Da próxima vez que você tentar se aproximar dele novamente, eu juro por meu sobrenome, senhora, posso arruinar minha vida, mas darei uma coça que você com certeza merece. – A raiva fervendo sob sua pele queimou quando Erwin tocou em seu ombro.

– Eren, acalme-se, não vale a pena. – Suspirando, o loiro lançou um olhar venenoso para Kuchel antes de encarar Eren com preocupação agora. – Kuchel disse que pediria perdão pelo que fez-

– Não interessa, eu não me importo com o que vocês dois acham. – Cuspiu, batendo na mão em seu ombro. – Você é velho demais para se deixar acreditar desse jeito, Smith.

– É maduro pensar que uma mãe pode querer se reconciliar com o filho em estado grave, Jaeger. – Erwin torceu o nariz. – Mas você está certo, ela não merece estar aqui, peço desculpas por tudo. – O loiro suspirou. – Se eu soubesse… nunca teria ficado com essa mulher, principalmente por conhecer Levi, sei que ele é um garoto bom, interessante e esforçado.

– Interessante? – Eren quis socar a cara do idiota que estava falando desse jeito do seu namorado, suas palavras saindo como rosnados de sua garganta. – Saiam daqui e não ouse chegar perto de Levi.

– Eu- – Kuchel tentou, mas Erwin a calou, parando na frente da mulher sem desviar os olhos de Eren.

– Isso é Levi quem deve decidir. – Eren apertou os punhos, mas não se moveu. – Por enquanto, vou tirar essa mulher daqui, Eren, acalme-se antes de entrar no hospital.

E dando as costas, o homem mais velho arrastou a Ackerman para longe dali, apenas um olhar de Eren foi aviso suficiente para que o segurança não se movesse do lugar, fingindo não ver o que acontecia ali.

Seu pai poderia cuidar das câmeras mais tarde.

Apertando as mãos e respirando fundo algumas vezes, Eren deixou que a fúria escapasse de seu corpo antes de se permitir entrar no mesmo quarto que Levi. Ele queria ver seu garoto sem estar envenenado pela presença de sua mãe asquerosa.

Eren já tinha certeza do mal caráter da Ackerman quando Levi revelou parte de sua história, do que passou e na época, Eren não entendia como uma mãe podia deixar que o próprio filho pensasse isso de si mesmo, como que ela poderia ter feito Levi acreditar que era sujo, como ela o fez acreditar que ele nunca poderia ser amado. Eren a odiou com força o suficiente para abraçar o garoto a noite inteira e sussurrar palavras calmantes, prometendo o mundo e tentando, de alguma forma, aliviar a dor constante do menino.

Mas é claro que fazer tudo que fez não foi o suficiente, Kuchel precisava surgir na vida de Levi novamente para causar estrago não só em sua mente, ela precisava aparecer como um verme faminto por carne – graças ao Smith, Eren nunca esqueceria –, e estragar todo o difícil e lento progresso do garoto, interrompendo tudo sem fazer esforço.

– Senhor? – Eren piscou, prestando atenção no guarda parado no corredor. – Você precisa de uma plaquinha de visitante com o número do quarto para passar.

Acenando, Eren voltou até a recepção para pegar a placa, a situação anterior deixada para trás enquanto focava sua atenção onde deveria.

Ele veria Levi em breve e mais do que isso, ele beijaria e abraçaria seu garoto, ele levaria as alianças e finalmente diria que os dois estão sim, namorando – porque Eren sabe que Levi só se convenceria disso depois de receber o pedido e ter algo físico para reafirmar a relação.

Sorrindo depois de tanto tempo, Eren se sentiu relaxar lentamente enquanto avançava pelo corredor, tudo finalmente estava dando certo, eles ficariam bem.

&&&

Levi estava dormindo, o corpo tão relaxado que Eren quase acreditou nisso, claro que os acessos em seus braços e a palidez em sua pele não deixaram que o pensamento continuasse por mais tempo, mas foi uma boa perspectiva, visto que o garoto acordaria logo.

Sem mais pontos pelo corpo, Levi carregava apenas cicatrizes espalhadas por toda a pele, poucas escapando da camisola hospitalar e dos lençóis cobrindo seu corpo, porém era o suficiente para fazer Eren engolir em seco, culpado.

Se aproximou o suficiente para tocar Levi dessa vez, suas mãos tocando a dele com suavidade, sentindo a pele ressecada contra a sua com carinho, seus dedos acariciando-o como se fosse feito de vidro.

– Eu volto já. – Armin disse baixinho, Eren mal notando ele saindo do quarto ou na porta abrindo e fechando, seus olhos verdes focados no garoto na cama, em nada além dele.

Dessa vez Eren não sentiu vontade de dizer nada, não havia o desespero alucinante fazendo-o perder o controle e chorar, não havia mais tanto medo para que existisse uma despedida, Levi resistiu e estava tão bem quanto poderia, respirando sozinho, sobrevivendo como sempre fez, seu garoto rabugento lutou e Eren só queria assisti-lo abrir os olhos para que pudesse dizer o quanto estava orgulhoso por Levi ser tão forte e voltar para ele, talvez enchê-lo de beijos e nunca mais deixar que saísse do seu lado.

Eren seria o merdinha presunçoso da qual sempre era acusado de ser, se bastasse isso para ver os lindos olhos de Levi novamente, então ele poderia começar agora.

Sorriu levemente, apertando a mão de Levi um pouco mais, sentindo como os dedos pálidos estão mornos e querendo esquenta-los, Eren cobriu a mão menor com as suas, envolvendo em um casulo antes de senti-la ser arrancada dele em um puxão fraco, porém firme o suficiente para obrigar Eren a levantar os olhos.

Levi estava de olhos abertos, cenho franzido e boca meio aberta, peito subindo e descendo com força.

Por um segundo, nenhum dos dois se moveu, Eren estava surpreso demais para ter uma reação que não fosse se aproximar para abraçar e beijar seu namorado, mas Levi parecia diferente, confuso, atordoado, sua voz mal saindo quando tentou falar, então Eren não terminou seu movimento, parando a mão estendida no ar, os olhos verdes focados no rosto de Levi ainda confuso, talvez mais quando analisou seu rosto.

– Quem… – Levi tentou falar, tossindo no processo, Eren se apressou em apertar o botão para chamar os enfermeiros.

– Calma, você acabou de acordar, alguém vai vir te ajudar. – Levi concordou com a cabeça, encostando a cabeça no travesseiro e fechando os olhos, cochilando rapidamente, sem nem notar.

Eren não mexeu no garoto, deixando ele descansando enquanto explicava para os enfermeiros tudo que viu, Armin vibrou ao seu lado e os dois assistiram animados as enfermeiras aplicando os cuidados necessários. Exames rápidos foram feitos e logo Grisha estava no quarto também, sorrindo ao ver o rosto do filho iluminado outra vez.

– Eu sabia que ele conseguiria. – Grisha bateu de leve nas costas do filho depois de examinar o garoto mais uma vez. – Tudo parece em ordem, ele deve acordar de novo, é normal que ele durma aleatoriamente por um tempo.

– Eu vou avisar todo mundo. – Armin avisou, trêmulo ao puxar o celular, tropeçando para fora do quarto enquanto já falava com alguém do outro lado da linha, Eren piscou algumas vezes, o coração acelerado demais para pensar com clareza.

Alívio inundou o Jaeger mais novo, pequenas lágrimas escaparam de seus olhos enquanto um sorriso bonito estava em sua boca novamente. Trêmulo e feliz, Eren segurou a mão de Levi novamente, apertando apenas para ter a certeza de que não é um sonho, Levi acordou e está bem, falando, escutando, o garoto voltou para ele e seria recompensado por isso com muitos mimos.

– Ele está despertando novamente. – Grisha avisou, dando um passo para trás para dar algum espaço para Eren, que sorriu alegremente, aproximando o rosto do de Levi enquanto o mais novo lentamente desperta do cochilo, talvez mais atordoado que antes, seus olhos agora focados nos verdes vivos de Eren.

– Você voltou para mim. – Eren disse sem fôlego, ainda sorrindo. – Como se sente?

Piscando, olhos azuis acinzentados estudam Eren com cuidado antes de olhar em volta e então encarar Eren novamente, porém ao invés do olhar tímido e comum no garoto, Eren assiste confusão e irritabilidade tomar conta da expressão de Levi, que se sacudiu incomodado com a proximidade, fazendo Eren se afastar, o coração batendo ainda mais rápido em expectativa. 

– Levi? – Perguntou baixinho, sendo encarado com impaciência por Levi que, coçando a garganta dessa vez, conseguiu falar:

– Quem caralhos é você? – Mesmo com a voz falha e muito rouca, Eren sentiu como se todo seu corpo tivesse sido atingido pelas palavras.

– Eren. – Grisha surgiu rapidamente ao lado do filho, puxando-o para longe do leito. – Espere lá fora.

– O que… – O olhar que recebeu de Levi foi o suficiente para fazer Eren engolir em seco, caminhando em passos erráticos até a porta, deparando-se com um alegre Armin, que franziu as sobrancelhas ao perceber seu estado.

– Eren? – O loiro olhou para a porta e então para o Jaeger novamente. – O que aconteceu? Levi está bem?

– Ele acordou de novo. – Murmurou, apoiando-se na parede, seu coração batia rápido demais, a garganta fechando, ele não podia respirar.

– Eren? O que foi? 

– Ele está bem. – Conseguiu dizer, os olhos arregalados e secos, Eren não conseguia chorar, ele não podia chorar, Levi estava bem, isso deveria ser o mais importante. – Ele está bem…

– Então o que… o que foi? – Armin sacudiu levemente o homem mais alto, tentando obter alguma resposta.

– Ele só… – Olhou em volta, percebendo as pessoas passando, algumas fazendo parte da equipe do hospital, outras apenas visitando os entes queridos. – Ele só não se lembra de mim.

Armin arregalou os olhos, sem saber o que dizer, o loiro encolheu o corpo, abrindo e fechando a boca várias vezes.

– Co-como assim? – Tentou perguntar, mas Eren apenas balançou a cabeça em negativa, tão confuso quanto ele. – Ele não esqueceria de você, ele-

– Armin. – Grisha saiu do quarto com as sobrancelhas franzidas. – Você vai precisar ficar com Levi, ele está agitado.

– Agora? 

– Sim, só preciso explicar a situação primeiro. – Eren não perdeu a forma como seu pai evitou olhar em seus olhos. – Ele está perguntando por você e alguém chamado Mike. – Tanto Eren quanto Armin arregalaram os olhos, o segundo engolindo em seco. 

– Não é possível… – Armin sussurrou, confuso com a atitude do amigo, Levi não pediria por Mike, não depois de tudo que aconteceu.

– Ele diz ter quatorze anos, acha que estamos em dois mil e dezoito e está confuso quanto ao tempo e espaço, além de desorientado. – O médico suspirou cansado. – Eu sou cirurgião, então infelizmente isto já não está mais em minha calçada. Levi é meu paciente ainda, mas precisarei entregar o caso para outros especialistas para que possam lidar corretamente com a situação.

– Que situação? – Eren perguntou seco, a resposta já era óbvia, mas o Jaeger precisava ouvir diretamente, ter certeza de que não era mais uma peça pregada por sua própria mente. – Ele vai ficar bem?

– Será preciso mais exames para que ele possa ser diagnosticado formalmente, fiz o encaminhamento para que ele faça ressonância, eletroencefalograma e exames de sangue e urina. Mesmo assim, de acordo com as perguntas que fiz, tudo indica uma amnésia.

– O senhor sabe se é temporário? – Foi Armin quem perguntou dessa vez, esperançoso.

– Não há como dizer, precisamos dos resultados antes de determinarmos, esse é um diagnóstico complicado pois a amnésia pode ter várias causas, como trauma, uso de drogas, alcoolismo, lesão no cérebro e até mesmo doença crônica. Só posso dar qualquer certeza para vocês depois que encontrar a motivo. – Suspirando novamente, Grisha folheou os papéis em suas mãos. – Infelizmente Levi sofreu duas paradas cardíacas e esse pode ter sido o motivo. De qualquer forma, fisicamente ele parece bem agora, não o deixem sozinho, por favor, volto para falar com vocês em breve.

Acenando com a cabeça, os dois assistiram Grisha se afastar em passos apressados, provavelmente indo conversar com outros especialistas para encontrar uma saída para Levi. Eren e Armin se encararam conhecedores, Levi não só carregava traumas grandes o suficiente, como também bebeu mais do que seu corpo poderia aguentar diversas vezes, abusando do álcool sendo tão novo.

A situação toda é uma merda, Levi estava acordado, aparentemente saudável, se recuperando de um acidente que o deixou na UTI e agora sofre com as consequências disso, talvez consequências de outras situações às quais ele nem mesmo se lembra agora.

Mordendo o lábio inferior com força, Eren se virou para a saída, pronto para ir embora.

– Ei. – Armin chamou. – Não é culpa dele, senhor Jaeger, Levi nunca esqueceria você de propósito.

– Eu sei. – Murmurou ainda de costas, os olhos presos na parede branca do corredor e os ombros caídos. Armin está certo, é a mais pura verdade, Levi não tem culpa. No entanto, isso não significa que não dói.

Ir para seu próprio apartamento não foi recompensador, mas Eren se sentiu confortável em sua cama pela primeira vez em dias, agarrando os travesseiros com força o suficiente para doer, os olhos apertados para que nenhuma das lágrimas que segurou todo o caminho caíssem.

Ele não deveria estar desmoronando assim, ele não tem o direito.

Mas é inevitável e quando o primeiro soluço rompe, Eren perde a noção de tempo e espaço, grossas lágrimas lavando seu rosto inteiro, inundando os lençóis e travesseiros quando os usa para abafar a própria voz.

Eren não notou o quão exausto estava, o sono o alcançando de forma quase violenta, aproveitando o tecido macio sob o corpo e os olhos fechados para dominar sua vontade e levá-lo para a inconsciência. Desta vez sem sonhos ou pesadelos, apenas o incontestável cansaço.

&&&

Acordar com o celular tocando não foi tão ruim quanto acordar depois de dormir horas na mesma posição desconfortável, tênis ainda nos pés e rosto pressionado contra o travesseiro. Eren mal tinha se movido a noite e manhã inteiras em que dormiu, os músculos reclamando e os ossos estalando a cada movimento para alcançar o objeto barulho em algum lugar debaixo do corpo.

– O que? – Perguntou sonolento, coçando os olhos ardendo e cheios de remelas para tentar despertar, a voz saindo em um murmúrio abafado.

"Ei, parece que alguém estava descansando, finalmente." – Havia uma suavidade incomum na voz de Sasha, esta que Eren escolheu ignorar, preguiçoso demais para lidar com isso agora. – "Sabe que horas são?"

– Não sei se quero saber. – Ainda resmungando, meio dormindo, meio acordado, Eren colocou o celular no viva voz enquanto se senta e estica os braços. Olhou ao redor, as lembranças do dia anterior encheram sua mente, lembrando-o de que em outro momento, ele não estava sozinho ali.

Ainda não, pensou se levantando.

"Como você está?" – É claro que Sasha tocaria no assunto, Eren quis rir da previsibilidade disso. – "A Isa dormiu com a gente nessa noite, ela não aceitou muito bem…"

– Não há o que aceitar. – Disse de uma vez, retirando as roupas e deixando no cesto no banheiro, antigamente ele teria deixado pelo caminho, lembrou-se com um sorriso pequeno no rosto. – Precisamos lidar com isso até que os resultados cheguem e um tratamento adequado seja feito.

"Não precisa fingir para mim." – Eren se fez de surdo, não respondendo. – "De qualquer jeito, senhor teimoso, olhe suas mensagens, Armin enviou uma transmissão para todos com as atualizações, os resultados já saíram."

– Quanto tempo eu dormi? – Perguntou para si mesmo, abrindo o aplicativo de mensagens e lendo o texto feito para Armin, basicamente explicando que a Amnésia de Levi não foi causada pelo acidente, fisiologicamente Levi está bem, o que significa que ele pode estar sofrendo de amnésia dissociativa, um tipo raro e que no caso de Levi, é mais raro ainda, visto que os traumas em si quase nunca são esquecidos, pelo contrário. – Isso não faz sentido.

"Talvez a situação da festa-*

– Não, não pode ter sido isso. – Se calou no mesmo instante, deixando para completar a frase em sua própria cabeça. Levi tinha passado por um trauma muito maior no passado, mesmo que o tapa de Kuchel tenha deixado toda a situação pior do que já estava, Eren não consegue acreditar que aquilo tenha sido o suficiente para despertar um gatilho forte o suficiente para Levi sofrer esse tipo de trauma.

Em sua aba de conversa privada, Armin explicou mais detalhadamente para não expor Levi, contado sobre o médico e o psicólogo que atenderam Levi e revelaram que tanto a pancada, o ataque cardíaco quanto o trauma podem ter agido em conjunto para levar o garoto até o estado atual, haviam muitos termos que nenhum dos dois entendeu, porém era o suficiente para deixar claro que o tratamento seria em sua maioria psicológico e terapêutico e que as memórias poderiam retornar em horas, dias, meses, anos ou nunca, gradualmente ou tudo de uma vez.

Respirando profundamente, Eren esqueceu que Sasha ainda estava na linha quando bateu a cabeça com força contra a porta de madeira, não o suficiente para partir sua testa, mas o suficiente para causar alguma dor física e despertar seus sentidos entorpecidos.

"Eren." – Sasha chamou em um tom de repreensão que o Jaeger odiou. – "Eu sei que não é o melhor momento, mas precisamos conversar."

– É sobre os hotéis? – Ele não estava com cabeça para trabalhar agora. – Repasse para a vice presidência, eu-

"É trabalho, sim, mas só você pode resolver isso agora." – Eren ficou em silêncio, ele não quer discutir com sua melhor amiga, mesmo que uma raiva irracional esteja chegando a superfície rápido demais para que possa se controlar. – "É sobre a contabilidade."

– Zeke?

"Ainda não falei com ele…" – Sasha parecia preocupada agora, cuidadosa. – "Eren, há lacunas na contabilidade, cerca de duzentos mil dessa vez…"

– Por que Zeke iria movimentar essa quantidade? – Apertou a ponte do nariz, já se movendo para ligar o chuveiro.

"Eu não sei, mas essa valor não foi depositado em nenhuma conta comercial da marca." – Eren não gostou de como isso soou. – "Não temos como saber se realmente foi Zeke quem fez essa transferência sem olhar recibo por recibo."

– Zeke é quem tem acesso. – Eren apertou os punhos, enfiando as unhas na carne. – Levaria dias até sabermos para qual conta esse montante foi transferido.

"Eu sei que é pouco para você, mas… talvez seja bom que esclareça isso com seu irmão, não acredito que seja a primeira vez."

– Eu vou resolver isso, sim. – Sasha anuiu mesmo sentindo a água quente bater no corpo, Eren não conseguiu se sentir minimamente relaxado, os ombros tensos e a mandíbula cerrada com força quando a amiga desligou, anunciando o fim da conversa.

Colocando um terno pela primeira vez em dias, Eren dirigiu em alta velocidade até a sede da empresa onde Zeke ainda estaria trabalhando. Acabou estacionando na frente da recepção mesmo, sem se importar em ir até o estacionamento, subindo nos elevadores com todos os outros funcionários e sendo encarado com surpresa e choque, uns por ter o presidente e dono de tudo com eles ali e outros por vê-lo depois de dias sem dar as caras. Foi diretamente até o andar de contabilidade, mal respondeu as saudações que recebeu no caminho.

A raiva acumulada no chuveiro só tinha aumentado em todo o caminho, o sangue subindo quente por seu pescoço e bochechas, seus olhos queimando todo o caminho até a sala de Zeke.

Encontrou então Marco e Frieda trabalhando na frente do escritório pretendido assim que chegou, mal dando uma segunda olhada nos dois antes de romper na sala pertencente ao irmão, na sala que tinha dado para que o outro Jaeger pudesse se sentir útil novamente, para que pudesse se recompor e superar tudo que passou naquele ponto da vida.

Zeke nunca foi um problema e Eren nunca chegou a brigar verdadeiramente com o irmão, o afastamento aconteceu algumas vezes quando ambos seguiram rumos diferentes em suas vidas, mas nunca chegaram ao nível de discutir, menos ainda de brigar. Eren sempre respeitou e adorou a pessoa que era o loiro, que mesmo não sendo tão agraciado quanto ele e Bert com toda a herança do avô Eren, Zeke construiu seu próprio nome a partir do nada, estudando e se sustentando sozinho por anos. O moreno sempre admirou tudo que o irmão mais velho fazia, mesmo com sua personalidade de tio chato, Eren nunca disfarçou seu contentamento com Zeke.

Então foi surpreendente para o loiro quando Eren rompeu com força para dentro da sala, caminhando em passos pesados até que estivesse em sua frente, dedo levantado e apontado em sua direção.

– Eu não te coloquei nessa porra de cadeira para ser feito de otario, Zeke! – Eren falou alto, empurrando o irmão para que caísse sentado em sua cadeira, atônito e de olhos arregalados. – Eu confiei em você, porra, confiei em você porque é meu irmão!

– Do que você está falando? – Ajustando os óculos, Zeke tentou tocar no braço do mais novo, mas foi repelido. – Eren?

– É meu único aviso, filho da puta! Devolve tudo que roubou ou eu vou até a polícia, Zeke, foda-se o que nosso pai vai achar, seja minimamente decente ou eu te coloco na cadeia. – Suas palavras impulsivas só serviram para deixar o homem de óculos em choque. Batendo as mãos na mesa com força, Eren respirou fundo pelo nariz antes de sair praticamente correndo dali, batendo os pés pesadamente no chão até que estivesse novamente na frente do prédio.

Se alguém o chamou, Eren mal ouviu, os olhos turvos por lágrimas que não reparou descendo por seus olhos, as mãos tremendo e um bolo conhecido se formando em sua garganta.

Ele quer gritar e mandar o mundo se fuder.

– Cara, ei! – Alguém sacudiu Eren com força, arrancando-o de dentro do carro, as chaves arrancadas da ignição. – Você não pode dirigir desse jeito, quer se matar porra?

– Foda-se! – Cuspiu as palavras, encontrando os olhos castanhos de Jean se apertando em sua direção. – Não é como se você se importasse, de qualquer jeito.

– Infelizmente eu me importo. – O mais alto torceu o nariz. – O que te deixou desse jeito, Jaeger? Faz anos que você não explode assim.

Levantando os olhos devagar, Eren quis rir por perceber que apenas Jean seria indelicado o suficiente para dizer algo assim sem nenhuma culpa, para tocar nesse assunto sem mais nem menos, Eren não só quis como riu na cara do amigo, quase aliviado por lidar com alguém que não estivesse passando a mão na sua cabeça como se ele precisasse ser consolado e controlado, ele está perfeitamente bem.

– Você bebeu alguma merda? – Olhando com cuidado todo o chefe, Jean balançou a cabeça quando o Jaeger deu de ombros. – É sério, idiota, da última vez que você explodiu desse jeito acabou cortando os próprios braços, não me faça ser sua babá agora.

– Eu não preciso de babá. – Disse sem muita vontade, empurrando Jean para longe e ajeitando o terno caro em seu corpo, o riso desaparecendo de seu rosto e toda a diversão sumindo. Eren está bem, ele pode lidar com isso, ele apenas explodiu por um momento, mas ele podia lidar com o resto.

Ele pode lidar com a suspeita em cima do próprio irmão, ele pode lidar com sua explosão, mesmo que tenha dito aquelas coisas sem prova nenhuma, ele pode lidar com Levi desacordado e quase morto por dias, ele pode lidar com o homem de sua vida esquecendo-o quando ele ansiou todo esse tempo…

Então por que estava, novamente, chorando?

– Idiota. – Jean resmungou, empurrando Eren até o outro lado do carro, praticamente obrigando-o a sentar-se no banco de carona. – Você sabe que não precisa lidar com tudo sozinho, não é? Ninguém vai te chamar de fraco por isso.

– Você não se importa. – Resmungou, limpando as lágrimas grosseiramente enquanto Jean começa a dirigir pela cidade.

– Tem razão. – Dando de ombros, Jean bufou, olhando rapidamente para Eren antes de voltar a atenção para a estrada. – Eu só estava bravo com toda a situação com o Marco, você sabe.

– Eu não tive mais nada com Marco desde que descobri sobre vocês dois. – Eren bufou de volta, fazendo Jean então bufar mais alto. – Você parece um cavalo relinchando assim.

– Tem certeza de que não está bêbado? – Estalando a língua, Jean apertou os dedos no volante.

– E Marco não te merece.

– Eu sei. – A resposta do Kirsten foi sussurrada, Eren sabe que o amigo é orgulhoso demais para lhe dar razão em qualquer situação, então é fácil reconhecer a tentativa. – Eu não poderia ficar com ele, de qualquer maneira. – A frase é dita junto de uma mordida de frustração, a mandíbula de Jean se projetando com o quão forte estava apertando os dentes.

– Eu apoio você no que decidir, cara de cavalo. – Fechou os olhos úmidos de lágrimas por um momento, sentindo sono mesmo que tenha dormido por muitas horas, cansaço ainda se apoderando de seu corpo. 

– Eu sei disso, cara. – Parando na frente de um bar conhecido pelos dois, Jean suspirou com força, chamando a atenção de Eren. – Acho que precisamos de uma boa cerveja agora, hein?

Eren olhou para fora e depois para o amigo novamente, sorrindo pequeno antes de concordar. Mesmo que não estivesse com vontade de beber, Eren reconhece que essa é a forma de Jean dizer que eles devem deixar tudo para trás, que os dois ainda são parceiros e amigos em muita coisa, que eles podem continuar a ser o que eram. Eren ansiou por muito tempo por isso para negar agora, principalmente quando mais precisa de um amigo.

– Talvez duas. – Disse por fim, acompanhando Jean até a entrada do bar.


Debaixo dessa avalanche com você, avalanche com você

Eu sinto o mundo desabando

Mas depois de tudo que passei, desde que estou com você

Ninguém pode me machucar agora

Está me quebrando, me quebrando até os ossos

Você está me salvando, disse para mim, eu não estou só





Notas Finais


O Levi acordou e o plot da história aconteceu, eu só espero não ser assassinada ou perseguida agora 🗣️
Próximo capítulo temos o ponto de vista do neném e o desenrolar de toda essa situação aqui hein (a história está longe do fim, gente, então se atentem)
Até o próximo ❤️❤️❤️


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