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História Depois que te conheci - Capítulo 6


Escrita por: luzinanda

Notas do Autor


Junto com a madrugada vem o capítulo adiantado de presente, para quem tá acordado, boa leitura kkkkk
Esse capítulo tem duas músicas de inspiração/tema 🦋
ATENÇÃO; Aviso de gatilho! Ansiedade, ataque de pânico, insinuação de automutilação e angustia presentes até metade do capítulo.

Capítulo 6 - Human, Demons


Mas sou apenas humano
E eu sangro quando caio
Sou apenas humano
E eu me arrebento e me desmonto
Suas palavras em minha cabeça, são facas em meu coração


Novamente Levi estava trabalhando em uma série leve, batendo sem força no saco, treinando o posicionamento de seus pés e o giro correto do quadril, algo cansativo, monótono mas totalmente necessário.

Não queria tensionar seus músculos tanto assim, pois naquela mesma tarde iria ter um turno como garçom no bar de sempre, então pegou leve consigo mesmo visto que ficaria em pé durante boa parte da madrugada.

Acabou parando mais cedo que o costume, tomando um banho gelado e arrumando a mochila nas costas para sair da academia e ir a pé até seu destino.

Não foi surpreendente encontrar Kuchel parada na frente da academia, braços cruzados e corpo elegantemente vestido encostado em um carro bonito, cabelos soltos e maquiagem impecável.

Levi nunca poderia negar a beleza incrível de sua mãe.

– Mãe? – Perguntou, inseguro. Sabia que não tinha cumprido com o último pedido dela, então a visita não poderia ser amigável, nunca foi. – O que faz aqui?

– Você não sabe? – A mulher sorriu, mas o movimento não alcançou seus olhos prateados e frios. – Você não fez o depósito, querido.

Aquele tom não era amigável, Levi sentiu cada poro seu arrepiar, a nuca ficando gelada enquanto desviava o olhar.

– Eu esqueci. – Era verdade, Levi não tinha tocado no dinheiro, apesar de precisar dele. – Posso fazer a transferência agora.

– Claro que pode. – Kuchel olhou para as próprias unhas compridas, em descaso. – Mas isso não foi o que me trouxe até aqui.

– Não? – Juntou as sobrancelhas, observando a mãe desencostar do carro e dar um passo em sua direção. – Mas…

– O que? Não posso visitar meu único filho? – Novamente o sorriso falso estava lá, Levi sentiu seu coração acelerar, iludido com aquelas palavras.

Levi sabia que não deveria acreditar nelas, sabia que não deveria sorrir de volta, no entanto era mais forte que ele, a carência afetiva sempre seria.

– Mãe… – Começou, levantando a cabeça quando Kuchel parou em sua frente, ela sendo bons dez centímetros mais alta.

– Quando me pediu para assinar sua matrícula na faculdade, prometeu me deixar em paz, lembra? – Ela falou baixo, quase como se não fosse nada demais. Levi concordou lentamente com a cabeça. – Assim como prometeu pagar as mensalidades corretamente, de forma que nada seria descontado dos fundos que usamos como garantia, você prometeu, Levi.

– É o que eu fi-

– Não fez. – O sorriso sumiu e em um movimento rápido, Kuchel estava segurando seu rosto, unhas longas afundando na pele.  – Não fez a transferência e pior, deixou que a faculdade cobrasse o mês atrasado dos meus fundos, que belo filho tenho, não é?

Levi tentou responder, mas seu rosto foi esmagado com força entre os dedos frios da mulher, as unhas finas rompendo a pele pálida.

Seus olhos estavam arregalados e seu corpo, congelado, puro medo refletido.

– Seu pai me prometeu o mundo e olha o que ganhei, Levi, um filho fraco, irresponsável e perdido. Você não merece o sobrenome que carrega, não merece ser filho de quem é, teu pai teria vergonha de quem se tornou e do que faz. – Estreitou os olhos, ignorando o marejar intenso dos de Levi. – Eu te disse para servir ao exército quando se apresentou, eu dei o único caminho que deveria seguir e o que você fez? Quis me contrariar, quis ser rebelde inventando de se inscrever em algo que não pode pagar, que não é capaz de terminar, coloque-se no seu lugar, garoto.

Levi piscou lentamente, cada palavra se repetindo em sua mente, não era totalmente mentira, ele sabia que não. Não quis ser como seu pai, então não serviu ao exército, fazendo o contrário de tudo que o homem foi, fugindo do que sua mãe queria, decepcionando todos, como sempre, destruindo tudo.

Não conseguiu reunir energia para responder, não havia como bater de frente com a fúria mal contida de sua mãe e se não estivessem em público, seria pior, com certeza. Então fechou os olhos, fugindo dos cortantes de sua mãe, que sacudiu seu corpo na tentativa de fazê-lo responder, ela estava com raiva, furiosa.

– E o que você fez durante todo o mês depois que te liguei, Levi? Será que consegue ser mais do que inútil? – Sacudiu mais um pouco, sendo incrivelmente forte apesar de parecer uma senhora magra e frágil. – Aposto que continua sendo a putinha de sempre, não é?

Os olhos azuis se arregalaram com tanta força que Kuchel sorriu maldosa, conseguindo finalmente uma reação.

Levi se debateu, saindo do aperto com facilidade, fazendo a mulher torcer o rosto em desgosto em sua direção e sem dizer mais nada, bateu os pés até o próprio carro, onde entrou.

– Resolva isso. – Ela disse antes de cuspir para fora da janela e dar partida, saindo dali.

A agonia irrompeu todo o corpo pequeno como uma onda de choque, lágrimas salpicaram o chão enquanto Levi tremia, frágil, punhos apertados em volta do corpo.

Suas pernas se moveram sem rumo, no automático enquanto Levi tentava inútilmente limpar as lágrimas que escorriam de seus olhos. Se odiava por estar chorando. Por estar afetado por ela, pelas palavras, por acreditar em cada uma delas. 

Sua visão estava ficando embaçada com a quantidade de lágrimas que surgiram de seus olhos, a respiração foi diminuindo e por um tempo, Levi não percebeu que não estava conseguindo respirar, seu peito subiu e desceu com força e fechando os olhos, cambaleou, tentando inutilmente tomar o controle de seu corpo e sua mente.

Se tivesse escutado sua mãe desde o começo, sido um bom filho, seguindo cada passo descrito, como Mike tinha lhe dito para fazer, como seu pai esperava antes de morrer e como sua mãe ansiava que fizesse, se tivesse sido minimamente bom, teria sido amado, ela teria estado do seu lado?

Kuchel teria acreditado nele, ao invés de forçá-lo a pedir desculpas a família Dietrich? 

Ele só tinha quinze anos e droga nenhuma faria com aquilo tudo fosse uma ilusão, Levi gostaria que fosse, ansiava para que nada daquilo tivesse passado de imaginação.

Mas as provas físicas estavam lá, porém nem elas foram o suficiente para receber um segundo olhar de sua mãe.

– Se seu pai estivesse aqui, ele teria nojo de você, nojo do que está dizendo, do que se tornou, você não presta, Levi. – Kuchel disse naquela época, ignorando o sangue, os fluidos e as lágrimas, ignorando o olhar quebrado e perdido de seu filho, que ainda tentando ser bom, abaixou a cabeça e fez o que ela mandava. 

Alex Ackerman era um bom homem, um pai incrível e um esposo que mimava a mulher que tinha, mandando presentes durante suas longas horas no quartel e deixando a conta bancária do casal sempre cheia, assim como deixou uma pensão boa, para mãe e filho, quando partiu da vida que tinha.

Eram poucas lembranças e diferente das que tinha com a própria mãe, eram as únicas com amor e carinho que podia se lembrar, Alex lhe amava e se ele não tivesse partido, talvez nunca teria se tornado o que era. Sujo e incompetente.

– Querido? – Uma voz feminina surgiu, assustando Levi que cambaleou para longe, mas foi firmemente segurado. – Oh meu Deus! Seu rosto.

O tom não cortante como o de sua mãe, nem de pena, como o esperado, era um tom afetuoso que fez Levi abrir os olhos, ainda zonzo pela falta de oxigênio, enxergou embaçado os cabelos castanhos escuros e grandes olhos cor de mel. Apesar das cores, o rosto da mulher parecia incrivelmente familiar.

– Você não está bem. – Não era uma pergunta e Levi agradeceu por isso. – Qual o seu nome, querido? – Definitivamente aquela era uma voz de mãe, não uma que Levi já ouviu sendo direcionado a si mesmo, mas uma que ouviu direcionada a colegas a vida inteira, ao qual ansiava tanto que se apegou a cada detalhe daquele tom, como a forma como sempre havia um suspiro no meio da frase e o tom se tornava uma mistura de afeição e desespero.

Piscou, tentando regular a respiração e sem que pudesse lutar, foi empurrado para sentar no banco de um carro com a porta já aberta, as pernas ainda na rua.

A mulher lhe estendeu um saco de papel, dizendo mais algumas coisas que achou difícil escutar, ela então encaixou a borda do saco em sua boca.

– Respire. – Ela disse, se afastando para que tivesse espaço. – Está tudo bem agora, você está aqui, está comigo, pode me ver?

Soprar dentro do saco pareceu mais fácil e com algumas tentativas, Levi estava se acalmando, conseguindo regular seus pulmões desordenados.

– Isso mesmo querido, você conseguiu. – Uma mão carinhosa afagou os fios escuros. – Tão novinho você é, qual seu nome?

– Le… vi. – Disse rouco, encarando o chão, envergonhado.

– Me chamo Carla. – Disse amorosamente, mantendo o carinho ao perceber que não foi afastada. – Vamos cuidar desses ferimentos?

– Ferimentos? – Piscou mais uma dúzia de vezes, confuso, Carla então sorriu gentilmente, pegando uma pequena bolsa branca do porta luvas. Levi se perguntou como uma pessoa aleatória poderia carregar tantas coisas… práticas.

– Pode arder um pouco, mas eu não quero que infeccione. – Carla disse preocupada, pegando um vidrinho com líquido transparente e um algodão da bolsa.

– O que são essas coisas? – Perguntou mais curioso do que desconfiado, por mais estranho que fosse, Carla tinha lhe trago de volta depois de uma crise que poderia acabar muito mal – talvez embriagado em um beco nojento –, então não reclamaria.

– Uh? Meu kit? – Sorriu tristemente. – É um costume muito antigo que adquiri, pois conheço alguém que precisava muito e na época era bem frequente. – Respirou fundo, começando a limpar os pequenos ferimentos espalhados pela pele de Levi, que fechou os olhos com a ardência. – Você vai ficar bem, são apenas arranhões.

Apesar de estar ali cuidando de um completo desconhecido, Carla não fez qualquer pergunta sobre seus motivos e Levi agradeceu a mulher internamente pela gentileza.

– Obrigado. – Sussurrou, se levantando. – Preciso ir, obrigado eu…

– Não se preocupe com isso, querido. – Ela sorriu, os olhos brilhando daquele mesmo jeito familiar de antes, Levi estreitou os olhos, estudando a pele clara e as pequenas rugas espalhadas pelo rosto bonito.

– Nos conhecemos de algum lugar? – Perguntou e Carla negou com a cabeça, sabendo que alguém como Levi seria difícil de esquecer. Também abriu a boca, mas foi interrompida por quatro adolescentes que chegaram de forma agressiva, empurrando Levi e apontando uma faca para a mais velha.

– A chave do carro, tia. – Um deles falou. – Se não quer morrer então é melhor ficar quietinha.

– O que é isso?

– Não te interessa, velha, passa a bolsa e o celular também. – O segundo adolescente empurrou Carla enquanto Levi era cercado pelos outros dois.

– Não faça gracinhas ou vai apanhar, baixinho. – O Ackerman estreitou os olhos, mais preocupado com Carla que puxou a chave do carro de dentro do bolso do casaco que usava.

Surpreendendo Levi e os outros quatro, a senhora gentil encaixou as chaves entre os dedos rapidamente antes de socar e desarmar o primeiro adolescente, girando então o corpo para acertar o segundo em um golpe com a perna que o próprio Levi tinha dificuldades em realizar.

Os dois adolescentes tentaram atacar Levi, mas foram empurrados por sequências rápidas de socos e chutes, os dois correndo para longe assustados, deixando os colegas para trás, que já se levantavam, sendo repelidos por Carla novamente.

O segundo tentou novamente atacar com a faca, mas Levi foi mais rápido, chutando o objeto para longe e fazendo o punho do garoto entortar em uma direção improvável.

Com o grito do adolescente, o outro correu, sendo acompanhado por este.

Só então Levi olhou em volta, percebendo estar em um estacionamento na beira de uma rua deserta, em frente a um mercado orgânico e chique que nunca tinha entrado.

O quanto tinha andado?

Várias pessoas estavam em volta deles, assistindo a cena e ligando para a polícia.

– Você está bem? – Carla perguntou, as sobrancelhas franzidas. – Você luta muito bem.

– A senhora fez um dolio tchagui? – Perguntou, desacreditado.

– São muitos anos ensinando. – Ela moveu as mãos como se não fosse importante. – Mas você se move bem, seria interessante te ver no meu tatame. 

– No seu?

– Sim. – Piscou um dos olhos, estendendo um cartão. – Porque não me liga em um dia desses? Poderíamos conversar sobre isso, o que acha? – Apesar de Carla parecer interessada, Levi não se enganou com as possibilidades, havia um motivo para ele não aceitar aquele tipo de oferta, nem de Onyankopon e agora nem dela.

– Eu não sei. – Foi sincero, pegando o cartão e enfiando no bolso, puxando do mesmo bolso seu celular para ver as horas. – Merda, estou atrasado para o trabalho.

– Tudo bem, pode ir e eu resolvo com a polícia. – Ela sorriu, movendo os braços. – Me ligue, sim?

– Uhum. – Levi não ligaria, já decepcionou pessoas suficientes. – Obrigado.

Precisou correr para chegar a tempo no bar e por sorte, conseguiu manter a cabeça limpa pelo resto da noite, apesar dos olhos e rosto de Carla serem incrivelmente familiares.

&&&

Armin estava terminando um livro quando Levi chegou, já era madrugada mas nenhum dos dois se importou. O Ackerman tomou banho e pegou uma cerveja, sentando ao seu lado no sofá enquanto fechava o objeto pesado.

– Você parece cansado. – Comentou, encarando o relógio na parede marcando duas da manhã.

– Você também. – Levi não estava dando espaço para conversa.

– Tudo bem?

– Uhum. – Virou a lata, bebendo tudo de uma vez antes de se levantar e seguir para o próprio quarto. – Boa noite.

– Boa noite. – Murmurou, encarando a porta agora fechada com o cenho franzido.

Armin podia não ser o amigo mais presente, mas era observador o suficiente para notar a distância emocional de Levi nos últimos dias, colocando os problemas de Armin na frente dos dele sempre que perguntava, sendo esquivo e distante.

Era doloroso assistir e sentir que nada podia fazer, não ter espaço para entrar e tentar ajudar.

Suspirou também levantando. Não poderia ser hipócrita, ele mesmo estava carregando tanto, se afundando nos estudos para fugir dos problemas óbvios em seu relacionamento, para fugir das palavras duras de Annie e do cansaço emocional que estava carregando. Nunca poderia culpar Levi por criar sua própria fuga.

Os dois só precisavam ter cuidado para não acabar se machucando no processo.

&&&

Ele tinha poucos pêlos nascendo no rosto, mas sempre foi minucioso em limpar cada um, achando sua aparência muito melhor sem os fiapos nojentos.

E nunca antes uma lâmina pareceu tão atrativa e por dez minutos inteiros Levi se viu encarando o objeto, pensando em como seria fácil acabar com tudo, apenas um movimento e não haveria mais volta.

Armin estava distraído demais para perceber.

Ignorar seus pensamentos conflituosos foi fácil enquanto trabalhava, cobrindo-os com as dúvidas sobre a mulher que o ajudou.

Mas agora em casa, com as paredes sufocantes e a solidão constante, a sensação de vazio inquieta, não havia nada para impedir que a voz de sua mãe o assombrasse; o lembrasse o quão fraco e destrutivo era.

Por sua causa uma mulher gentil que parou para ajudar quase se machucou. Sua mãe estava certa, sempre esteve.

Aproximou a lâmina dos pulsos, pensando em qual ângulo faria sangrar mais e se a dor seria muito insuportável.

Ninguém sentiria sua falta, talvez.

Não percebeu que estava chorando e por longos minutos continuou a encarar a lâmina e o braço. A mão segurando o objeto tremia tanto que Levi tinha certeza que acabaria se cortando por acidente, mesmo assim, ainda estava ali, encarando a proximidade, tomando uma decisão.

O quão covarde poderia ser?

Com um suspiro cansado, guardou e limpou tudo. 

Quando saiu Armin não estava mais lá e na geladeira já não havia mais nenhuma bebida, então saiu do apartamento, decidido a tentar se distrair com o ar fresco do lado de fora, talvez assim esquecesse tudo que ouviu naquele dia.

Andou por minutos sem processar nada ao seu redor, as mãos nos bolsos e os olhos no chão, seu celular e carteira estavam em casa, então não havia nada para ser assaltado.

Novamente estava chorando e até que começou a chover, uma garoa fina que não disfarçou suas lágrimas salgadas, grossas e pesadas, não tentou limpar seu rosto bagunçado.

Apesar disso, sua expressão estava tão limpa quanto antes, apática, escondendo o turbilhão emocional acumulado, na tentativa de parecer menos patético.

Acabou por andar em círculos, pois novamente estava na frente de seu velho apartamento, as luzes da rua piscando e as das varandas das casas apagadas.

– Levi? – A voz preocupada de Eren lhe fez saltar, ele estava do outro lado da rua, do lado do próprio carro, Levi não percebeu ele lá.

– Eren. – Disse baixo, embargado, virou o rosto, mas o Jaeger já tinha visto suas lágrimas. – O que faz aqui?

– Senti vontade de te ver… – Ele disse, sério e vestido em seu terno de trabalho, se aproximando a passos curtos. – Sai tarde do trabalho e como você disse que sairia do bar nesse horário, mandei mensagem mas você não respondeu, então vim tentar a sorte.

Não havia o sorriso de costume no rosto moreno, nem o olhar predatório que seria comum, apenas preocupação genuína desenhava a expressão dele e Levi se odiou por isso, preferia Eren sorrindo.

– Seu timing foi perfeito, então. – Sussurrou, rindo anasalado, sem humor algum. – Quer entrar?

– Levi. – Eren já estava na sua frente e sem avisar, abraçou Levi com força, apertando os músculos magros contra o corpo, pressionando o rosto ainda choroso contra o peito, com uma mão apoiada na cabeça cheia de fios escuros. 

Foi inevitável não chorar mais, Levi se sentiu desmoronar com o abraço, sentindo-se de repente muito quente, seguro, protegido. Seus olhos escorreram com força enquanto soluços escapavam de sua boca, Eren não se moveu, ficando ali, oferecendo colo e carinho nos fios molhados de chuva.

Nenhum dos dois se apegou a isso.

– Melhor entrarmos. – Eren disse depois de um tempo, Levi parecia mais calmo, porém ainda frágil.

Os dois subiram para o apartamento devagar depois de Eren trancar o carro. O Jaeger analisou todo o espaço pequeno, era simples e um pouco vazio, mas limpo e bem cuidado, para um lugar onde moravam dois universitários, achou incrível.

Armin estava em seu quarto, então Levi direcionou o Jaeger até o seu próprio e sem que precisasse falar, os dois tiraram os casacos molhados, Eren estendendo seu paletó em uma cadeira enquanto Levi buscava toalhas para os cabelos dos dois.

Com eles devidamente secos, Eren não se importou em puxar Levi para seu colo e deitar na cama de solteiro que havia no quarto, encaixando-o em seu peito como um bebê e cobrindo-o com um cobertor cheiroso e limpo.

– Obrigado. – Levi sussurrou, rouco.

– Você pode ligar para mim. – Eren disse tão baixo quanto.

– O que?

– Quando se sentir assim, em qualquer hora, pode me ligar, Levi.

– Não sabe o que está pedindo, Eren. – Apesar de contrariado, Levi não se mexeu do colo seguro e confortável.

– Talvez, mas eu quero estar aqui para você. – Acariciou o cabelo agora levemente úmido de Levi. – Sabe, as vezes é bom pedir ajuda, você não pode lidar com tudo sozinho.

– Eu sempre lidei muito bem com tudo sozinho.

– Não estou questionando sua força. – Eren falou calmamente, sem parar o carinho, a outra mão apertando a cintura fina. – Mas nem sempre você precisa ser forte, não existe nenhuma obrigação em você ser o melhor o tempo todo. Errar e pedir ajuda e ter alguém para te apoiar, diminuir o fardo, faz bem para a mente.

– Você fala como se soubesse.

– Todo mundo sabe um pouco. – Apertou o nariz inchado do choro recente. 

– Porquê está aqui? – Levi se encolheu com a própria pergunta. – Nós…

– Estamos nos conhecemos, não é? Porquê eu não estaria aqui, Levi? – Abaixou o rosto, aspirando o cheiro único do mais novo. – Porque acha que eu não deveria querer estar aqui? Essa é a pergunta certa.

O Ackerman não respondeu, mas riu completamente desacreditado.

– O que foi? – Eren perguntou, confuso.

– Você! – Cutucou o peito duro contra sua bochecha. – É inacreditável, sabia? Não achei que poderia ser assim…

– Assim? – Eren riu. – Adulto?

– Sim, você parece um pirralho na maior parte do tempo.

– Eu só tenho um bom humor. – O Jaeger brincou. – Diferente de certos adolescentes ranzinzas.

– Não sou um adolescente.

– E sua alma é velha.

– Eren.

– Hum?

– Me faça esquecer.

Eren se moveu e Levi também, o Ackerman agora ajoelhado na cama, de frente para o mais velho.

– Me faça esquecer tudo. – Piscou os olhos azuis lentamente, mordendo o lábio inferior.

– Você quer mesmo isso, Levi? – Eren mordeu o próprio lábio, inseguro. – Sabe que esquecer não é solução, não sabe?

Levi moveu a cabeça, montando no homem maior.

– Sabe que o mundo não vai desaparecer. – Eren continuou murmurando, mas deixando que Levi tirasse sua camisa. – Porra! Não existem maneiras de eu dizer não a você.

Sua voz saiu rouca quando Levi tirou a própria camisa, seus olhos estudando os mamilos arrepiados e rosados.

– Só me faça esquecer. – Levi disse baixinho, se inclinando para morder o lóbulo da orelha morena. – Me foda com força, faça com que nada mais importe, seja duro comigo, por favor.

– Eu vou te fazer esquecer. – Respondeu após respirar fundo, foi quando Levi sentiu o mundo girar e então estava por baixo. – Mas do meu jeito.

Seus dedos longos deslizavam pelos músculos do peito e do abdômen, trabalhado em cada detalhe, em cada curva.

– Eu não sei quem te disse que precisa te machucar para esquecer. – Segurou um dos mamilos eriçados entre o dedo indicador e médio, rolando-o provocativamente. – Essa pessoa não sabe de nada sobre esquecer, então.

– Eren. – Levi quase rosnou, impaciente. – Se apresse.

Eren não respondeu e com os olhos brilhando, puxou a calça do próprio corpo para fora, tirando a cueca enquanto Levi fazia o mesmo, deitado na cama.

Um analisou o corpo do outro, desde os músculos mais trabalhados até as ereções firmes entre as pernas, Levi esticou um dos braços, puxando da mesinha na cabeceira tanto preservativos quanto um vidro de lubrificante pela metade.

Eren levantou uma sobrancelha, fazendo o mais novo corar e desviar o olhar.

– Parece que você se diverte bastante.

– Eu não trago ninguém aqui.

– Bom. – Se encaixou novamente entre as pernas pálidas. – Porquê eu sou ciumento.

Levi não respondeu, duvidando das palavras. Já sabia o quanto Eren podia falar sem pensar e depois de tudo naquele dia, não se prenderia a ideias distorcidas.

– Eu me preparo. – Informou, puxando o vidro do lubrificante quando Eren tentou pegar. 

– Levi. – Eren chamou, mas foi ignorado pelo mais novo, que umedeceu os dedos com o líquido escorregadio antes de direcioná-los até o meio das pernas.

Segurou uma perna aberta com uma das mãos enquanto trabalhava para penetrar um dedo em si mesmo. Eren parecia quase estático na sua frente, assistindo com o pau na mão, se auto acariciando.

Levi gostou disso, do controle e do poder que sentiu ao ver o Jaeger tão fodidamente hipnotizado por seu corpo, gostou de se sentir no controle ao menos uma vez e com um gemido abafado, deslizou dois dedos de uma vez, indo o mais fundo que seus dedos curtos e a posição permitiam.

Eren gemeu junto, bombeando-se quase no mesmo ritmo, os olhos presos na figura na cama, corada e ofegante.

– Você é tão lindo. – Eren sussurrou, como se fosse um segredo. – Tão precioso, Levi, não sabe como quero cuidar de você, fazê-lo se sentir bem.

O Ackerman suspirou com as palavras, movendo seus dedos para dentro e para fora, as costas se arqueando sempre que chegava perto de lá, dos nervos sensíveis, apenas a pontinha do dedo encostando, enviando choques necessitados para seu corpo.

Se fodeu com mais força, batendo os dedos em sua entrada avermelhada, esticando-se na tentativa de alcançar o prazer prometido, seus suspiros estavam altos, combinando com os de Eren, que não desviou os olhos, quase hipnotizado.

– Me deixe cuidar disso, baby. – Eren pediu, mordendo o lábio com força. – Deixe-me cuidar de você.

Fazendo movimentos de tesoura, Levi concordou com a cabeça, retirando os dedos enquanto o Jaeger respirava fundo, alcançando os objetos ao seu lado, encaixando a camisinha no pau necessitado e lubrificante por cima.

Ficou de lado, pronto para se apresentar de quatro para Eren, esperando ser fodido sem sentido.

Mas não aconteceu, foi mantido no lugar com um aperto firme nos quadris e se inclinando, Eren tomou os lábios finos de Levi em um beijo calmo, esquentando-o novamente.

Abraçou o maior com as pernas, a ereção úmida batendo contra sua entrada. Arqueou o corpo, ansioso para que fosse preenchido, para que fosse de Eren.

– Tão ansioso. – Eren ronronou, lambendo uma faixa de pele do pescoço pálido. – Me quer tanto assim, baby? O meu pau bem fundo em você?

Antes que pudesse responder, Levi sentiu o estiramento repentino, Eren entrou em um ritmo contínuo, indo até o fundo e parando, deixando Levi respirar, ofegante e tenso.

Dessa vez havia dor e o Ackerman segurou as pernas em volta de Eren com força, impedindo que se movesse, seus braços seguraram o pescoço dele enquanto se envolviam em mais um beijo, dessa vez desesperado, uma bagunça de saliva e suspiros que só serviu para provocar ainda mais seus corpos em chamas.

Quando suas pernas relaxaram, caindo abertas sobre o colchão, Eren se moveu, afastando apenas os quadris enquanto suas bocas ainda estavam juntas. 

E diferente do que pediu, o Jaeger não bateu sem sentido, em algum ritmo brutal, não, ele se afastou lentamente, pressionando o resto do corpo contra o seu, movendo somente os quadris estreitos, para então voltar com força, fazendo o corpo menor pender para cima.

Eren sorriu no beijo, enterrando a língua na boca de Levi, abafando o gemido alto e surpreso com sua própria boca, os quadris se afastando vagarosamente para repetir o ato.

Levi sentiu que sufocaria, pois mesmo apoiando o peso nos cotovelos, Eren ainda estava totalmente em cima de si, o corpo grande tampando o seu, as peles em completo contato e enquanto o Jaeger batia em sua próstata com força a cada volta, se esforçava para segurar nele, impedindo que se afastasse.

Estava muito quente, úmido e fodidamente delicioso, Levi sentia que iria desmoronar, Eren estava lhe desmontando a cada estocada, a cada batida mais forte, com os corpos tão próximos, a bocas sempre juntas, não havia para onde escapar.

Não percebeu que precisava daquilo até sentir seus olhos revirando, o tesão se espalhando como fogo, tornando impossível de aguentar mais, estava ali, na beira do seu estômago pedindo por liberação. E como se soubesse exatamente disso, Eren bateu com mais força que antes, tremendo junto com Levi quando os espasmos fizeram as paredes apertadas espremer o membro entre elas, sugando-o e levando-o para beira do precipício.

Eren se moveu mais uma dúzia de vezes, engolindo com um beijo desesperado os choramingos de super estimulação de Levi, batendo mais rápido do que antes, perseguindo o próprio orgasmo.

Os dois respiraram fundo sem desfazer a posição, permanecendo abraçados, com Levi ainda mole de seu orgasmo, as mãos ainda fincadas nas costas morenas.

Quando pediu para esquecer, Levi nunca imaginou que poderia ser assim, que o prazer poderia levá-lo para além da angústia em seu peito, que não somente a dor poderia sobrepor os sentimentos ruins.

Só percebeu que estava chorando quando Eren começou a beijar todo seu rosto, distribuindo selinhos carinhosos em toda a pele, sem dizer nada, apenas confortando.

– Gosta de comida chinesa? – Eren perguntou depois de minutos de silêncio, não havia mais lágrimas, porém os dois permaneceram abraçados, suados e pegajosos.

– O que?

– Comida. – Disse como se fosse simples. 

– Você quer que eu… coma? – Levantou uma sobrancelha, soltando Eren finalmente, deixando que se afastasse para enxergar melhor o rosto um do outro.

– Quero. – Deu de ombros, se levantando para pegar seu celular no paletó sobre a cadeira.

– Ok. – Eles se encararam e dando de ombros, Eren sorriu, começando a pesquisar por algum lugar vinte e quatro horas que pudesse entregar comida naquele horário.

Não podiam esquecer que estavam no meio da madrugada.

Levi encarou o teto, se perguntando se havia algo em Eren que não fosse perfeito, se havia algo que ele não pudesse fazer. O Jaeger não comentou sobre seu choro, suas lamentações ou fragilidade sem explicação em momento algum, não lhe pressionou ou tratou como uma foda casual.

Eren era sensível e completamente compreensivo, em um nível que nunca, nunca tinha visto ninguém ser.

Eren foi rápido em pedir comida, aproveitando que a loja também oferece outros produtos, acabou fazendo uma mini compra para Levi, pediu uma escova de dentes extra para si mesmo, alguns potes de sorvete, sua marca favorita, sucos, biscoitos, mantimentos não perecíveis, carne e até mesmo um pacote de maçãs.

Parou apenas quando percebeu o quão animado ficou com uma simples compra, e nem era para si mesmo. Desviou o olhar da figura pensativa na cama, precisava admitir que não era normal essa necessidade urgente de cuidar de Levi, em todos os aspectos, deixá-lo vestido, alimentado e feliz, fazer isso parecia certo, alguma necessidade estranha que não entendia, mas cedia sem reclamar.

Tomar banho foi rápido, como o banheiro era pequeno, foi um de cada vez, sendo Eren o primeiro.

Acabou também recebendo as compras e a comida enquanto Levi estava no banho, agradeceu mentalmente por Armin estar no quarto, pois seria muito constrangedor explicar o porquê de estar usando um roupão de Levi - ligeiramente curto -, atendendo a porta e recolhendo aquela quantidade de sacolas.

– Levi, vieram algumas coisas junto com a comida, onde guardo? – Perguntou da porta do banheiro, tentando soar o mais inocente possível.

– Eu já estou saindo, não precisa se preocupar.

– Levi. – Resmungou, recebendo outro de volta.

– No armário. – O Ackerman foi quem cedeu.

Guardou tudo nos armários rapidamente, nem um pouco arrependido depois de perceber quão vazio estavam, então fez a tarefa mais animado do que antes, satisfeito em ser aquele a cuidar do baixinho ranzinza.

Quando Levi saiu do banho, Eren estava retirando as embalagens da comida, ajustando tudo para que pudessem comer.

– Os talheres ficam aqui. – O Ackerman informou, abrindo uma gaveta do armário. – Pode pegar pratos?

Eren alcançou a prateleira alta, apontada pelo menor, puxando dois pratos brancos de porcelana e colocando no balcão enquanto Levi pegava copos no escorredor na pia e servia os dois com um suco que pescou da geladeira.

– Isso é absolutamente gorduroso. – Levi comentou enquanto enchia seu prato, Eren levantou uma sobrancelha, estendendo a mão para alcançar a comida alheia, mas foi repelido por um tapa. – Nem pense nisso.

Riu da reação, fazendo beicinho antes de pegar o próprio prato.

Comer foi rápido e mais confortável do que qualquer um dos dois imaginou, não havia nenhum constrangimento ou tensão no ar, apenas um estranho conforto que fez com que se sentissem à vontade o suficiente para desfrutar da refeição nem um pouco saudável.

Eren não discutiu quando Levi foi cirúrgico sobre escovar os dentes, e apesar de sonolento, obedeceu cada ordem do menor com determinação, recebendo olhares de aprovação.

– Está cansado? – Perguntou casualmente, observando Levi retirar seu roupão, ficando apenas com uma camisa e um short curto. – Você trabalhou em dois turnos hoje.

– Estou acostumado.

– Essa não é a pergunta. – Bateu no nariz fofo, sorrindo com a reação já esperada, bochechas infladas e uma vermelhidão adorável.

– Não estou. 

– Bom. – Puxou então o próprio roupão do corpo, revelando sua nudez e uma semi ereção na virilha. 

– Você esteve pelado o tempo todo? – Levi arqueou as duas sobrancelhas, descendo o olhar lentamente pelos braços tatuados, o abdômen tonificado e então o pau semi duro entre as pernas. – Velho assanhado.

– Não te ouvi reclamar mais cedo. – Se aproximou devagar, tombando a cabeça e fazendo os fios castanhos deslizarem por seu rosto. – Então, Levi, o que quer fazer?

O mais novo não respondeu de imediato, sua primeira reação foi ficar de pé, analisando suas opções. Estava claro que não havia meios de negar uma segunda rodada a Eren, ele queria tanto quanto o moreno, porém dessa vez seria do seu jeito, por mais envergonhado fosse se sentir depois.

Puxou a camisa de uma vez, mordendo os lábios quando Eren se aproximou e com um puxão, tirou o short de algodão que usava, ficando tão nú quanto o outro e diferente dele, totalmente ereto.

Levi ignorou o calor flamejante em suas bochechas, ficando de costas e se arqueando na cama, apoiando o peso nos braços e nos joelhos, exibindo toda a sua parte inferior em um convite indecente.

– Eu quero que você me foda, Eren. – Respondeu no mesmo tom anterior, piscando orgulhoso ao assistir Eren estremecer com a provocação, o pau grande e cheio de veias agora completo duro, apontando para frente. 

Viu quando lubrificante cobriu os dedos de Eren e depois o membro antes dele sumir atrás de seu corpo, se posicionando atrás e foi quase natural ficar tenso, a dor e o desconforto inicial sempre eram esperados, mas isso não aconteceu, Eren se inclinou, iniciando uma linha de beijos molhados em sua espinha, do cóccix até a nuca, apesar de sentir a intimidade quente pressionada contra sua coxa.

Suspirou baixo quando sentiu chupões por todo seu pescoço, distraído demais para lidar com os hematomas deixados ali. Os dedos de Eren deslizaram sobre os mamilos de Levi, ainda escorregadios do lubrificante, acariciando lentamente os botões sensíveis.

A maneira como Eren tenta acalmar Levi é cuidadosa, Levi percebe isso, as pálpebras caídas e a respiração ofegante são provas, Eren trata com um foco determinado, mas com uma afeição que Levi, naquele momento, quis pensar ser apenas dele.

Nenhum dos dois estava paciente para provocações, então não foi necessário muito mais para Levi sentir Eren pressionando em sua entrada, deslizando dentro de suas paredes de forma gradual, entrando profundamente e arrancando um gemido baixo dos lábios finos. 

Eren gemeu junto, apertando os quadris de Levi como se dependesse disso, mantendo-os juntos e unidos, parado e esperando que o outro se acostume.

Levi sente todo o ar de seus pulmões escapando, ofegante e soluçando alto com o quão profundo Eren podia ir, com como essa posição lhe deixou exposto, disponível para ser manipulado como Eren quisesse, e por mais que o pensamento fosse confuso, estava mais duro que antes, pingando nos lenços de sua cama.

O Jaeger se moveu devagar, saindo e entrando com suavidade, evitando qualquer dor atual ou posterior, sendo cuidadoso e calmo ao tratar Levi, priorizando o prazer conjunto, mesmo que estivesse duro a ponto de doer e grunhido com a forma como estava quente e apertado em volta de si.

– Levi. – Não havia provocação no chamado, apenas desejo desesperado e profundo. – Mais forte… posso?

A forma como Eren pediu, tão desesperado, ofegante e desejoso, deixou o Ackerman absolutamente extasiado, derretido com a voz rouca de necessidade do outro.

– Por favor. – Implorou, mordendo os lábios quando Eren foi rápido em lhe atender, batendo com força em seus quadris e impulsionando o seu corpo para frente. Como antes, Eren levou o seu tempo, surrando a próstata de Levi em movimentos fortes e lentos, massageando as bochechas da bunda agora vermelha dos tapas que deu enquanto mete no núcleo avermelhado à sua frente.

Escorregar para dentro de Levi era quase sufocante, dolorido de tão bom, um arrastar quente no abdômen de Eren, o auge do tesão que deixou os dois extasiados, viciados.

Os gemidos de Levi, baixos e abafados contra o colchão eram tão bons, enviando ondas de tensão por todos os músculos de Eren, conduzindo-o para o orgasmo como música, hipnotizando-o.

Os dois estavam perto, Levi estava lhe esmagando quando bateu com força e ficou, dobrando o corpo o suficiente para alcançar os braços que apoiavam o corpo menor. Eren não teve escrúpulos em puxá-los para trás, derrubando Levi para frente e prendendo-o à sua total mercê.

Levi não reclamou, gemendo perdido com a nova posição, tremendo ao sentir seus braços presos por apenas uma mão do outro, forte e obstinado, Eren lhe prendeu, forçando o corpo ainda mais para frente ao invés de se afastar, afundando profundamente, fazendo Levi soluçar com os olhos arregalados.

Quando Eren empurrou ainda mais, estimulando sem cessar a glândula sensível, Levi revirou os olhos, a queimação é tão forte que fica impossível de respirar e a libertação é como uma onda de choque que lhe faz tremer, apertando Eren tão intensamente, obrigando-o a se desfazer quase que ao mesmo tempo.

Os dois respiram por pouco tempo antes de Levi resmungar sobre a sujeira, Eren jogado em cima de seu corpo não estava ajudando.

Quando reclamou mais alto, Eren apenas rolou para o lado, recuperando o fôlego em puxadas generosas de ar.

– Não morra na minha cama. – Levi começou. – Velho.

– Você é tão agradável.

– Me conte uma novidade.

– Levi, cinco minutos. – Pediu, já sabendo o motivo de estar sendo incomodado. 

– Preciso trocar os lençóis. – Levi parecia tão cansado quanto Eren. – Ei, Eren, o que foi isso?

– O que? – A curiosidade quase infantil do outro fez Eren piscar confuso, Levi ainda estava na mesma posição, deitado de bruços com a cabeça virada. 

– De segurar os braços, pareceu uma… torção?

– Um fetiche? – O Jaeger olhou para o teto, as bochechas levemente vermelhas. – É mais ou menos isso.

– Acho que… gostei disso. – Eren não sabia de onde estava vindo a onda de sinceridade, mas gostou disso, sendo Levi alguém tão fechado, difícil de desvendar, era surpreendente quando conseguia fazê-lo até mesmo sorrir.

– Vou me certificar de lembrar disso.

– Não estou vendo seu rosto, mas posso sentir seu sorriso presunçoso de merda.

– Você não pode me elogiar e ofender logo após, Levi.

– Eu não elogiei você, seu merdinha. – Levi falou muito baixo, totalmente sonolento e cansado da atividade anterior.

O Jaeger riu soprado antes de se levantar e caminhar – totalmente nu – até o banheiro no corredor e voltar com uma toalha úmida e quente na mão. Levi ronronou como um gatinho enquanto era limpo, cansado demais para se envergonhar.

– Hum… – Eren murmurou, parecendo constrangido. – Seu amigo não estava dormindo.

– O que? – Abriu os olhos de uma só vez, anuindo de dor ao se sentar.

– Bem, Armin me viu… pelado, no corredor?

– Você está me perguntando? – O desespero seria cômico se a situação não fosse constrangedora. – Mas… como…

– Eu disse oi e entrei aqui, por sorte já estava voltando. – Riu constrangido. – Mas acho que alguém bateu na porta da frente.

– Humpf. – Se jogou de volta no colchão. – Não posso lidar com isso agora, definitivamente não.

– Se servir de consolo, não estou envergonhado. – Levi revirou os olhos. – Já Armin...

– Eren! – Riu quando um travesseiro foi jogado em sua direção. Levi sorrindo em resposta, o movimento alcançando os olhos, deixando-os pequenininhos, sem perceber.

Mas Eren percebeu, piscando e sorrindo, a barriga retorcida, como se estivesse cheia de borboletas.

Quando você sentir o meu calor
Olhe nos meus olhos
É onde meus demônios se escondem
É onde meus demônios se escondem
Não se aproxime muito
É escuro aqui dentro
É onde meus demônios se escondem
É onde meus demônios se escondem

Notas Finais


Esse final é 🦋🦋 literalmente, né ereno?
Próximo capítulo tem um pouquinho de emoção também, mas não tão centralizado no Levi, podem adivinhar com quem é?
Até 😘


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