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História Depois que te conheci - Capítulo 8


Escrita por: luzinanda

Notas do Autor


Eu tenho que parar de postar tão tarde, eu sei kkkkk mas é mais forte que eu, gente, Principalmente quando estou de férias.
Aqui vai mais um capítulo, espero que gostem, boa leitura.

Capítulo 8 - Powerful


Tem uma energia
Quando você me abraça
Quando me toca
É tão poderosa
Eu consigo sentir isso
Quando você me abraça
Quando me toca
É tão poderosa


Levi enrolou as bandagens nas mãos com calma, sentado no vestiário, pois graças a carona de Eren havia chegado no local com antecedência.

Onyankopon não estava longe, conversando com os organizadores sobre sua equipe, pelo que Levi tinha entendido, não era nada sério e ligado a liga nacional, eram apenas equipes pequenas competindo por um prêmio em dinheiro para os vencedores enquanto as entradas para quem assistiria seriam revertidas em doações e programas sociais.

Era uma boa causa e se não estivesse muito ocupado tentando sobreviver, Levi tinha certeza que tentaria se dedicar mais ao esporte.

Com uma organização mais bagunçada e informal que o comum, Levi não estranhou quando as pesagens foram feitas minutos antes de cada luta, quando o normal seria com vinte e quatro horas de antecedência. Não que para ele faria alguma diferença, pois nunca conseguia chegar abaixo de seus costumeiros sessenta e cinco quilos.

Os organizadores estenderam as luvas fornecidas para Onyankopon e eles sussurraram mais algumas coisas enquanto Levi se desligava do mundo, pulando para se aquecer e se alongando lentamente.

– Você vai pegar um lutador de chão. – O treinador de pele negra contou, um suspiro cuidadoso saindo de seus lábios. – Tenha cuidado, Levi, e se possível, nocauteie.

– Estou fora de forma. – Não era uma pergunta e Onyankopon não fez questão de responder. 

– Não quero que passe de três rounds. – O treinador observou o corpo exposto coberto apenas pelo protetor genital e o shorts esportivo azul. – Você tem um punho poderoso, use-o, não podemos perder, estamos empatados e a sua luta é a última da categoria.

– Entendido. – Os dois se encararam em silêncio por mais cinco minutos enquanto Levi terminava de se aquecer, logo a campainha tocou e os dois foram obrigados a andar até o octógono montado no meio do ginásio.

Em sua extremidade, Levi foi cutucado e limpo do suor de ansiedade que escorria de sua pele antes de sentar no banco do seu lado, Onyankopon manteve os olhos presos no outro lutador:

Um rapaz de pele marrom bem parecida com a de Eren, tatuagens cobrindo o peito e cabelo curto e arrepiado, olhos castanhos e uma atitude arrogante ao ver a figura mais baixa de Levi.

– Não tente ganhar por pontos. – O aviso de Onyankopon foi bem recebido. – Vê as pernas? Concentre-se nelas, ele te derrubará assim.

– Não posso esquivar por muito tempo, são apenas cinco minutos. – Resmungou, vendo o árbitro entrando no meio do espaço e começando a falar com a enorme plateia.

Levi se desligou, ignorando as palmas e o barulho insuportável de gente gritando, ignorando o fato de que não havia apenas Armin assistindo dessa vez, Eren também estava lá, sentado ao lado do loiro com seu terno caro e olhos brilhantes.

Ajustou as luvas que deixavam seus dedos de fora e o protetor bucal antes de ser anunciado e levantar. Diferente do outro lutador, não havia muita aposta e torcida ao seu favor.

Ignorou o anúncio da quantidade de vitórias do outro – Seu nome era Thomas? Não prestou atenção – e ignorou os gritos de guerra de sua equipe e torcida, concentrando-se para conseguir ao menos levar os três rounds sem envergonhar seu treinador.

Ali ele não podia ser Levi Ackerman, o garoto sem esperança e sem futuro, o garoto perdido no mundo, não, ali ele era apenas um lutador com punhos pesados para sua categoria e técnica mediana, alguém que poderia derrubar um cara maior que ele sem precisar recorrer a golpes baixos.

O árbitro iniciou a luta e durante os primeiros dois minutos, Levi manteve distância, levando os punhos para frente do rosto, de forma mais baixa que o outro oponente, manteve-se pulando sobre os dois pés e flexionando-os ao se defender das tentativas de chute que recebeu, eles estavam se estudando e o Ackerman não seria burro em ir para cima sem uma boa abertura.

Respirou fundo, desligando-se do barulho e dos gritos na plateia, da voz do locutor narrando a luta, sua atenção estava toda no homem a sua frente quando finalmente conseguiu uma abertura para retribuir o chute na altura da cintura. 

Manteve a guarda levantada e a postura mesmo quando o contra ataque atingiu uma de suas coxas, doeu, mas isso não recebeu atenção e então Levi foi para a esquerda enquanto o outro cara ia para a direita, tomando distância novamente.

Thomas foi na ofensiva, baixo e rápido, mirou na perna esquerda de Levi, provavelmente testando seu lado mais fraco, o moreno só não esperava o bloqueio forte, a perna de Levi batendo com força o suficiente para lançar Thomas para trás e aproveitando a abertura, o Ackerman se lançou, fazendo uma sequência de cruzado e soco rodado.

Mais confiante, Levi se aproxima para golpear o rosto de Thomas, não se preocupando em bloquear o contra ataque dele, recebeu a dor afiada no ombro para distribuir o segundo golpe, um chute forte o suficiente para afastar o moreno novamente.

Os dois respiravam forte, se encarando com cuidado e voltando a fazer o círculo entre si, se estudando novamente.

Thomas estava mais confiante, Levi percebeu quando ele se aproximou rapidamente, um soco na altura da bochecha sendo facilmente bloqueado seguido de um chute e então uma sequência sua como contra ataque.

Seu oponente era mais descuidado com os socos, batendo com a guarda aberta a cada soco e chute enquanto Levi manteve a postura, agindo com calma ao bloquear e atacar.

Então aconteceu, Levi recebeu com um murmúrio baixo um chute doloroso na lateral, seguido de uma sequência de socos que o pressionou na rede do octógono, defendendo o rosto, desviou para a esquerda, desequilibrando Thomas momentaneamente, abrindo uma abertura boa o suficiente para trocar de lugar e ser aquele a pressionar o outro no canto.

Abaixando-se, Thomas tentou agarrar uma das pernas de Levi, que pulou, desviando da tentativa de levar para o chão, chutando novamente a abertura que o golpe abriu.

Os dois estavam se cercando novamente quando o árbitro apareceu, terminando o round com um apito e um sinal de mãos, eles se afastaram em direção a cada lado designado com pressa, bebendo água e um pano no rosto para secar o suor.

– Você foi bem. – Onyankopon elogiou, sabendo que Levi não responderia com o protetor na boca. – Você está pontuando muito bem e eles sabem disso, vão pegar mais pesado, então cuidado.

Acenando, Levi logo precisou voltar para o centro com o fim do tempo de pausa.

Novamente ele e Thomas se cercam, com menos cuidado agora, Thomas atacou com força, batendo nas laterais de Levi e enviando uma onda de dor, distraindo o Ackerman para a sequência de socos no rosto, Levi recebeu dois deles, sentindo o supercílio arder.

Em um momento estava de pé e no seguinte, de joelhos no chão e respirando fundo, Levi recuperou sua concentração ao fugir por muito pouco do agarre de Thomas, ficando de pé e pulando para longe.

Ainda com o corpo quente, Levi então se lança para contra atacar, girando do jeito que foi treinado, batendo no rosto e peito de Thomas, ganhando impulso para trás para acertar chutes altos nos antebraços dele, que tenta bloquear cada golpe rápido, mas é difícil, a força nos golpes é demais e se desequilibrando, Thomas cai para trás, tentando novamente puxar Levi para o chão.

Levi novamente desviou, respirando descompassado com o esforço que fez na última sequência.

Ele e Thomas se encaram e então colidem, uma sequência rápida se inicia entre os dois, socos e bloqueios e segundos antes do árbitro finalizar o segundo round, Levi tropeça para trás com o soco que recebeu, abrindo de vez seu supercílio em uma cascata de sangue.

Thomas sorriu antes de seguir para seu lado enquanto Levi pisca confuso, se dirigindo então para Onyankopon.

O treinador não está feliz, mas fica quieto enquanto usa cotonetes e estanca rapidamente o sangramento, garantindo a permanência de Levi no ringue.

– Nocauteie. – Onyankopon diz enquanto Levi bebe água, o corpo vermelho e suado. – Use sua força.

Piscando lentamente, Levi balança a cabeça para cima e para baixo, seus olhos se estreitando, daria o seu melhor.

Terceiro e último round, Levi novamente está na frente de Thomas.

Dessa vez o Ackerman não espera Thomas ir para a ofensiva e como um raio, ataca rapidamente em uma sequência de socos, fortes o suficiente para fazer Thomas dar passos para trás, esquivando-se o melhor que pode.

Ao invés de parar, como antes, Levi continua, usando sua velocidade e força no máximo, golpe após golpe, atordoando o outro lutador com seus punhos poderosos, Levi respira rápido agora, o corpo quente e os músculos doendo, mas ele não para, emendando suas sequências em uma rapidez que abre a abertura necessária para o último golpe.

O sangue de Levi está fervendo, ele está no máximo e se não estivesse concentrado, poderia sorrir com isso.

Seu punho bate com força na têmpora de Thomas, a pele debaixo de seus dedos ondula com o golpe e o moreno cai no chão, desorientado.

O árbitro conta até dez junto com a platéia e quando Thomas não levanta, Levi pode respirar aliviado, caminhando até Onyankopon, que não diz nada e apenas sorri para ele.

Depois de ter sua vitória anunciada, Levi praticamente corre para o vestiário, tomando um banho rápido e se livrando do suor e sangue do corpo, vestindo-se novamente com as roupas que chegou. A adrenalina ainda corre em seu sangue, quente e excitante, deixando Levi quase zonzo, uma torção já conhecida na boca de seu estômago, ele está se sentindo poderoso, incrível.

Uma porra de vencedor.

Quando saiu de lá, Armin e Eren estavam na porta, ambos envolvidos em uma conversa animada com Onyankopon.

Seus olhos focam na figura de Eren, lindo e fodidamente gostoso no terno escuro, olhos brilhantes que se aproximam até que está sendo abraçado, braços longos serpenteando seu corpo com força, cheiro avassalador preenchendo seu nariz.

O mais velho abriu a boca, pronto para disparar elogios, mas sua voz foi engolida pelos lábios de Levi sem qualquer pudor, uma das mãos pálidas agarrando a cintura de Eren enquanto a outra agarra os fios castanhos na tentativa de aproximá-los ainda mais, Eren fica flexível, quase derretendo nos braços de Levi, deixando-se ser beijado e levado pelos lábios rosados.

– Porra. – Murmurou, respirações entrecortadas entre os dois. – Porra.

– Merda. – Eren resmungou de volta, ainda abraçado a Levi, peito subindo e descendo e respiração pesada soando entre os dois

A tensão foi quase palpável, sendo quebrada por um raspar áspero da garganta de Onyankopon, Armin rindo no fundo, nem um pouco constrangido.

– Você está aí. – O homem negro disse, olhos escuros ficando pequenos com o sorriso que esboçou. – Você foi incrível, garoto, muito obrigado.

– Não foi grande coisa.

– Como não? – Eren perguntou com uma animação que o Ackerman não havia notado até então. – você foi incrível, se movendo tão rápido, nunca vi nada assim.

– Ele tem razão. – Armin se meteu. – Você lutou muito bem, sempre lutou.

– Obrigado. – Disse envergonhado, sentindo as bochechas esquentando, virou o rosto, escondendo o rubor.

– Precisamos comemorar. – Eren disse, sorrindo. – O que acham?

– Uns drinks não seriam ruins, hein, Levi? – O loiro cutucou o amigo, sorrindo maliciosamente.

– É por minha conta. 

– Seria ótimo, mas ainda tenho lutadores para auxiliar hoje, nas outras categorias. – Onyankopon deu de ombros, batendo com a mão nas costas de Levi. – Parabéns pela vitória, garoto, nos vemos na academia.

Acenando com a cabeça, Levi assistiu o treinador se afastar antes de ser arrastado por Eren e Armin em direção a saída, ambos excessivamente animados com a perspectiva de parar em algum bar aleatório e beber sem parar.

E é exatamente isso que eles fazem, sentados em uma mesa discreta em um bar qualquer, eles começaram com cervejas e doses rápidas, Armin e Eren dominando a maior parte da conversa, descobrindo entre eles muitos pontos em comum.

Levi quis sorrir ao analisar o amigo loiro, Armin esteve muito triste nas últimas semanas, chorando antes de dormir e se isolando na maior parte do tempo, sempre com a sombra da saudade e do fim de um relacionamento ruim pairando sobre ele.

Então ver o amigo sorrindo e bebendo, falando rápido e gesticulando era tão bom que Levi não conseguiu desviar o olhar.

– Então você e o Levi são uma coisa, hein? – Meio bêbado, Armin finalmente comentou sobre o que estava pensando durante boa parte da noite, graças à coragem líquida ingerida. 

– Armin! – Levi chamou, mas foi ignorado, a pergunta sendo direcionada a Eren por um motivo, Armin sabia.

– Nós somos. – Eren ronronou, uma das mãos acariciando as bochechas agora vermelhas de Levi. – Ele é tão fofo, não é?

– Definitivamente. – Armin riu, tão bêbado quanto Eren. – Vocês ficam bem juntos.

– Eu também acho. – Eren ficou sério, olhando Levi em silêncio por alguns segundos. 

O Ackerman sentiu sua barriga borbulhar com as palavras de Eren, mesmo que fossem apenas balbucios de bêbado, foi difícil não se sentir quente com as declarações.

Ele poderia acreditar nisso se não fosse tão estragado.

– Vocês estão bêbados. – Levi resmungou, constrangido e desconfortável, observou os outros dois rindo. – Tch, vou pedir outra rodada.

– Que tal tequila? – Eren sugeriu com um sorriso malicioso. Estreitando os olhos, Levi percebeu que aquela noite seria longa, com certeza.

&&&

Eren não conseguiu impedir o bico nos lábios ao se despedir de Levi naquela manhã, mesmo sabendo que os dois tinham trabalho.

– Eren… – Levi tentou chamar, mas sua voz não passou de um gemido estrangulado quando Eren mordeu e chupou seu pescoço, bem em cima da artéria pulsante. – Não posso me atrasar.

Observando a marca deixada com certo orgulho, Eren se afastou com outro bico, observando atentamente o garoto com bochechas vermelhas, respiração entrecortada e uma carranca que parecia muito falsa.

O Jaeger sorriu, sentindo aquela onda de afeto já comum surgir com a visão, seus dedos indo até uma das bochechas estufadas, acariciando com carinho.

– Velho carente. – Levi cruzou os braços, desviando o olhar como sempre fazia, da forma adorável de sempre, Eren pensou. – Não posso perder a hora.

– Eu sei, desculpe. – Se afastou um passo. – Fiquei algumas semanas sem te ver, quis aproveitar nosso tempo juntos.

Encolhendo os ombros levemente envergonhado, Eren viu como os olhos de Levi tornaram-se interessados, atenção total agora.

– Quinta feira. – O Ackerman disse baixinho, o lábio inferior preso entre os dentes.

– O que tem?

– É minha folga. 

Eren piscou, demorando bons segundos para notar o que Levi queria dizer de verdade. Era a primeira vez que Levi tomava iniciativa para estar com ele e para disfarçar a forma como seu coração disparou, Eren sorriu presunçoso, acompanhando o movimento dos dentes sobre os lábios pequenos e inchados dos beijos que trocaram por longos momentos preguiçosos na cama.

Desde que ele e Levi passaram a segunda noite juntos e passaram a trocar mensagens diariamente, quase sem parar, Eren sentia que estava se apegando demais, mesmo sabendo que talvez estivesse indo longe com alguém que não tem a mesma ideia, foi difícil resistir, principalmente com toda a fofura mal disfarçada de Levi e sua personalidade única.

É como eletricidade entre os dois, quando está com Levi não consegue manter as mãos longe e sem ele ali, se via preocupado e curioso com o outro, mandando mensagens e tentando chegar mais perto, passar pelas barreiras que Levi mantinha em torno de seus sentimentos e pensamentos mais sinceros.

Eren já acreditava no quanto Levi era forte antes mesmo de saber inteiramente sobre sua vida, antes do dia em que o encontrou chorando, de madrugada e na chuva, antes do meio desabafo e do choro angustiado pós sexo. Sendo um garoto muito jovem e vivendo sozinho, sem contar com ninguém, se virando e lidando com toda a merda adulta quando deveria ter uma rede de apoio sustentando-o, fez Eren desenvolver um sentimento de cuidado e proteção maiores do que qualquer pensamento racional.

Tinha percebido o quão a luta era algo pessoal e íntimo para Levi, depois da conversa na cozinha, ficou claro que ser convidado para assistir significava muito mais do que parecia. E assistir, descobrir o quão forte o baixinho podia ser, apesar da fragilidade que ele carrega por dentro, deixou Eren extasiado, cada golpe, bloqueio e recuperação fez surgir novamente aquela admiração em seu peito, assim como lembrar de alguém que podia lutar de maneira bem parecida – sua própria mãe.

Sempre foi alguém emocional, do tipo que age no calor do momento e se deixa levar pela intuição e desde que conheceu Levi, estava deixando ir, ficando completamente aberto para as possibilidades.

E que Deus o ajude, pois Levi estava conquistando muito mais do que Eren esperou dar, isso sem ter a mínima noção.

– Se-se não der para você, tudo bem, eu- – Levi começou a dizer, sendo cortado por Eren com uma lufada de ar.

– Quinta feira parece ótimo, te pego às sete? – Corado, Levi concordou com a cabeça. – Perfeito.

Observou o modo como Levi se mexeu, inseguro, um sentimento que Eren já havia identificado a muito tempo. O garoto podia tentar esconder a negatividade que carregava, mas sua angústia ficava muito clara mesmo com a expressão estóica, seus olhos azuis e lindos entregavam tudo para Eren.

Eren gostaria de se inclinar e perguntar o motivo do medo, da mágoa e da insegurança, queria garantir que não seria mais assim, queria cuidar e proteger o mais novo desse tipo de dor.

Gostaria de proteger Levi, mais especificamente, de seu próprio passado, nas dores que o acompanhou durante toda a juventude.

Mas não podia, Eren sabia que ao pedir qualquer explicação, deveria fazer o mesmo, e o Jaeger sabia que ainda não era o momento para isso.

Logo deixou Levi na cafeteria, seguindo então para a empresa, onde subiu do estacionamento direto para o escritório principal, precisando encarar apenas seu assistente no salão ante a sua sala.

Uma janela grande inteiramente de vidro estava na parede entre os dois espaços e sobre ela, as persianas que muitas vezes garantiram a privacidade com Marco.

Não faz muito tempo que esteve com o assistente fofo e competente, mesmo que sua situação atual fizesse parecer que eram meses, o que fez arrepios de arrependimento subir pela espinha de Eren.

– Bom dia senhor Jaeger. – Marco cumprimentou, ficando de pé com as bochechas levemente coradas, Eren apenas acenou, sem sorrir como costumava fazer.

– Bom dia, Bodt. – Devolveu mais frio do que gostaria, mas do jeito que deveria ter sido desde o começo. – Minha agenda?

Os dois caminharam lado a lado até a sala de Eren, a enorme mesa já com uma pilha de papéis.

– O senhor Zeke pediu por uma pequena reunião, existem algumas inconsistências que ele gostaria de acertar. – Marco informou, seus olhos presos na figura imponente de Eren, que não devolveu o olhar. – A assistente do senhor Kirsten também enviou para o email alguns dos novos projetos, para aprovação.

– Uhum. – Eren moveu a mão, deixando que Marco continuasse a falar, o que aconteceu. 

Foram bons minutos perdidos atualizando a agenda do dia até que Marco terminou de listar, Eren suspirou.

– Avalie as ligações do dia. – Mandou, pegando em sua caneta. – Antes preciso que chame a assistente do Zeke, não vai ser necessária uma reunião, ele pode mandar os papéis e eu analiso mais tarde.

Marco moveu a cabeça, prestando atenção, olhos pequenos e fofos presos nos brilhantes do chefe.

– Com Jean eu mesmo lido, passo lá antes de sair para o almoço. – Informou, tentado a falar com o amigo de infância que ainda se mantinha afastado.

Marco ficou ali, olhos focados no chefe, mais precisamente nos braços tatuados expostos quando Eren puxou as mangas para cima.

– Precisa de algo? – O Jaeger perguntou, a voz saindo seca, Marco negou com a cabeça, saindo da sala aos tropeços, constrangido.

Eren travou o maxilar antes de começar a trabalhar, não podia se distrair, principalmente com Marco que foi apenas um caso de escritório.

Acabou se distraindo durante toda a manhã e se Sasha não estivesse nesse exato momento ligando, Eren com certeza esqueceria do horário de almoço.

– Oi. – Cumprimentou ainda distraído, os olhos presos nos papéis na mesa.

– Eren. – Sasha exclamou em seu costumeiro tom de voz. – Ainda está no escritório?

– Uhum. – Murmurou, pegando a caneta e apoiando o telefone no ombro. – Muito trabalho.

– Sei, sei. – Eren ignorou os murmúrios mal humorados saindo pelo aparelho. – Ou você me encontra no restaurante de sempre ou eu vou até aí chutar sua bunda, o que vai me atrasar e me deixar com fome, você quer me deixar com fome? – A fala despertou Eren de seu estado focado, principalmente com a ameaça da amiga, Sasha com fome nunca era uma boa notícia.

– O que? – Piscando, Eren afastou o celular para olhar as horas, suspirando ao perceber que estava passando do seu horário livre. – Merda, me distraí.

– Não diga. – Podia imaginar o bico de Sasha. – Por acaso não está com o assistente fofo, está?

Eren olhou para a janela sem as persianas, percebendo então que Marco não tinha saído ainda, provavelmente lhe esperando para fazê-lo.

– Não, nós não temos nada. 

– Eren, isso nunca te impediu nada. – Eren sentiu o sorriso malicioso da amiga através da voz. – Não está trocando nosso dia de comer juntos por uma bunda fofa, né?

– Já disse que não. – Revirou os olhos antes de começar a se ajustar para ir almoçar. – Não há mais nada entre Marco e eu.

– Suspeito…

– Estou descendo, me espere.

– Amizade nenhuma vale a fome. – Sasha ainda reclamou antes que pudesse desligar.

Como estava atrasado, decidiu que passaria para falar com Jean mais tarde, quando estivesse voltando, então liberou Marco, dando alguns minutos extras para o moreno almoçar antes de seguir para a recepção, onde encontrou Sasha batendo papo com a recepcionista, Mina.

– Senhor Jaeger. – A recepcionista cumprimentou, sorrindo educadamente, Eren sorriu de volta, acenando com a cabeça, alguns funcionários que passavam por ali fizeram o mesmo, recebendo o tratamento educado que Mina recebeu.

– Vamos, tem um restaurante de comida italiana aqui na esquina. – Sasha exclamou, ansiosa.

– Pensei que iríamos comer no Nicolo? – Encarou Sasha confuso, principalmente quando a morena bufou e balançou a cabeça.

Permaneceram em silêncio até que estivessem sentados e acomodados em uma mesa no dito restaurante. Eren percebeu o incômodo da amiga, mas não comentou sobre até que ela própria estivesse coçando a garganta, quebrando o silêncio.

– Então… – Ela começou, olhando para a mesa redonda. – Você não está mais ficando com o Marco, isso é por causa do Jean?

– Sim. – Foi sincero, estreitando os olhos com a tentativa de mudança de assunto, mas não forçou mesmo assim. – Marco é legal, fofo e muito competente, mas se eu soubesse de Jean antes não teria começado isso.

– Tem certeza? – Os dois se encararam, sérios. – Você e Jean já estavam afastados antes de tudo acontecer, principalmente depois que ele fez certos comentários homofóbicos, e o Marco e ele sempre foram próximos, todos já desconfiavam.

– Eu não fazia ideia. – O tom duro deixou claro o quão absurdo a ideia de Sasha era. – Nunca tentaria machucar Jean assim, propositalmente.

– Desculpe. – Sussurrou, claramente arrependida. – Acho que descontei minhas frustrações em você.

– Tudo bem. – Eren sorriu, apoiando o rosto nas mãos e os cotovelos na mesa. – O que está acontecendo?

– Meus dois maridos idiotas aconteceram. – Desabafou, deitando o corpo dramaticamente sobre a mesa. – Dois malditos idiotas.

– Preciso de um pouco de clareza aqui, Sa. – Usou um tom carinhoso, mostrando seu apoio.

– Eles não estão se falando. – Grunhiu, apertando os punhos juntos. – O clima lá em casa está tão desconfortável, eles mal se olham, sabe?

– E você não sabe o porquê? – Eren bebeu de seu suco, escondendo sua expressão quase divertida atrás do copo enquanto Sasha se sentava de novo, agora focada.

– Não faço ideia, eles não falam sobre isso.

– Você perguntou a Isabel? – Bateu os dedos na mesa, observando como lentamente a expressão de Sasha ia mudando.

– Porque eu perguntaria a Isa?

– Porque até ela com a cabeça de vento que tem, percebeu o que anda acontecendo na casa. – Suspirou quando Sasha continuou perdida. – Nunca reparou nos olhares entre eles? 

Eren então se permitiu sorrir divertido enquanto a ficha cai sobre Sasha, os pontos se ligando ao mesmo tempo que a comida é depositada na mesa.

– Entende agora? – Perguntou casualmente, depois de minutos de silêncio, o prato de Sasha já vazio enquanto o seu estava na metade. – O que acha?

– Uhum. – Pensativa, a Braus deu de ombros antes de voltar a falar. – Não é um problema, eu só estou… surpreendida, em tantos anos, eles nunca mostraram qualquer interesse.

– Você é sortuda, hein? Conseguiu dois maridos bissexuais. – Eren brincou, tentando distrair a amiga.

– Não tão sortuda quanto você. – Fez bico e cruzou os braços. – Se não é Marco com quem está saindo, quem é então?

– Quem disse que-

– Eren, você não desgruda do celular mais, some sem avisar e está sempre com um sorriso idiota na cara. – Como se estivesse provando seu ponto, o celular de Eren chiou, anunciando uma nova mensagem, o Jaeger precisou engolir em seco para não verificar rapidamente, como esteve fazendo desde que se sentou na mesa. – Quem é?

– Não é nada sério. – Gemeu debaixo do olhar nada impressionado de Sasha. – Ele é mais novo, você não conhece.

– Mais novo quanto? – Levantando as sobrancelhas, Sasha observou Eren corar adoravelmente.

– Alguns anos. – Enfiou a última garfada de comida na boca, finalizando a conversa. – Preciso ir, ainda tenho que falar com Jean.

– Eren. – Choramingou assistindo Eren pagar com cartão. – É crime fazer uma fofoca pela metade.

– Eu não estou fofocando.

– Mas eu estou. – Cruzou os braços, seguindo o amigo para fora. – Eu quero conhecê-lo.

– Não.

– Não é uma pergunta. – Cutucou Eren nas costelas. – Você nunca ficou constrangido assim antes, no mínimo tem que estar gostando muito desse rapazinho.

– Não exagera.

– Leve ele no restaurante do Nicolo, talvez sábado?

Eren parou de andar, encarando a amiga e seus olhos brilhantes, a expressão ansiosa denunciando que ela só estava tentando cobrir um problema usando seu inexistente relacionamento. Com um suspiro, cedeu sem pensar muito, era melhor assim.

– Quinta feira estaremos lá a partir das sete.

Dando um gritinho animado, Sasha agarrou o pescoço de Eren antes de saltar em direção ao seu próprio andar, deixando o Jaeger com um sorriso gentil no rosto enquanto entra no elevador, nenhum dos dois percebendo os suspiros dos funcionários que assistiram a cena.

Parando no andar do marketing, Eren acenou rapidamente para os funcionários que cumprimentavam o chefe enquanto andava em direção a sala nos fundos do salão, esta com a mesma janela que a dele, as persianas abaixadas.

Bateu na porta, escutando um entre seco antes de se esgueirar para dentro, deparando-se com uma sala cheia de projetos presos nas paredes, em cavaletes e na mesa, em frente a ela, com o computador ligado e lápis na mão está Jean.

– Vejo que está ocupado. – Comentou o mais casualmente que pôde, observando Jean levantar os olhos rapidamente ao perceber quem estava ali.

– Graças a nova inauguração. – Jean foi frio e por um minuto inteiro, os dois se encararam em silêncio, isto até que Eren estivesse coçando a garganta, incomodado com toda a tensão. – Precisa de algo, senhor Jaeger?

Ignorou completamente o deboche na voz de Jean.

– Vi os projetos prontos. – Começou, desviando então os olhos verdes do ex amigo. – Eles estão aprovados, então-

– Poderia ter dito isso a minha assistente. – Jean cortou, seco. – Mais alguma coisa? Estou ocupado agora.

Respirando fundo, Eren negou antes de sair da sala, seu coração falhando uma batida enquanto a culpa se instaura ainda mais forte em seu estômago.

Jean estava ainda mais distante e naquele momento, Eren sentiu medo de nunca mais conseguir recuperar a proximidade com a pessoa que era um de seus melhores amigos, aquele a quem contou segredos e sabia demais, aquele que esteve com ele quando tudo parecia ruim.

Chegou ao seu andar com uma carranca no rosto, seu humor bem diferente do que tinha quando chegou ali e sem surpresas, encontrou Frieda parada perto da mesa de Marco, ambos tinham os olhos estreitos na direção do outro.

– Senhor Jaeger. – Frieda falou quase ronronando, se aproximando demais do chefe, que levantou uma sobrancelha. – Os documentos do senhor Zeke.

– Certo, pode deixar com Marco, Frieda, obrigado. – Disse sem sorrir como faria normalmente, seu humor piorando a cada segundo, principalmente quando a mulher não se moveu, permanecendo onde estava e olhando-o de baixo para cima em uma postura submissa.

Era adorável, Frieda podia ser bonita, mas não conseguia despertar nada em Eren.

– Precisa de algo mais, Senhor? – Novamente aquele tom. Eren desviou o olhar enquanto Marco se mexeu desconfortável em sua cadeira.

– Não preciso, pode ir.

– Se precisar, estou a disposição. – Sorrindo suavemente, Frieda saiu diante o olhar nada impressionado dos dois homens no salão.

Não era a primeira vez que a Reiss fazia isso desde que começou a trabalhar na última semana, suas investidas não eram sutis, apesar de sempre estarem disfarçadas com trabalho, até mesmo Marco percebeu.

E da mesma forma que Eren se mantinha longe do Bodt, cortava qualquer aproximação com a irmã de Historia, não se deixaria levar, não quando estava focado em outra pessoa.

Assim que entrou em sua sala, o telefone tocou novamente, sendo uma mensagem de Levi, sendo mais uma reclamação mal humorada sobre o chefe invasivo e excessivamente animado dele, Hanji.

[Eren 14:15]: Já sei onde te levar quinta.

[Baixinho 14:15]: Espero não ser nada esquisito.

[Eren 14:16]: É só onde servem a melhor comida da cidade.

Com um sorriso, sentiu seu humor melhorar um pouquinho enquanto aguarda uma resposta de Levi.

&&&

Os dois estavam no carro, com Eren como sempre dirigindo em direção ao tal lugar incrível que disse durante toda a semana.

Ao parar em uma semáforo, observou Levi com cuidado, se preocupando com as olheiras cada vez mais intensas, mas que nada apagavam a beleza do rosto bem desenhado, a boca rosada estava rachada e os cabelos no mesmo corre de sempre.

Levi vestia a mesma camisa da Prada que tinha obrigado ele a ficar – não se arrependia –, uma calça também preta e coturnos, uma jaqueta também escura encaixada no braço. Eren não pôde deixar de suspirar com a visão, achando Levi incrível vestido todo de preto, cor que realça sua pele muito branca e destaca seus olhos claros.

Enquanto ele vestia uma camisa de botões e de mangas três quartos larga e listrada, exibindo suas tatuagens do braço e sua clavícula com os dois primeiros botões abertos, uma calça alfaiataria abraçando suas coxas e bunda e sapatos escuros.

– O que foi? – O Ackerman perguntou, desconfiado. 

– Já disse que você está lindo? – Sorriu antes de começar a andar com o carro novamente, o sinal agora aberto. 

– Já. – Levi foi direto, levantando uma sobrancelha quando Eren riu, seu rubor mal disfarçado. – Você parece ansioso.

– Estou um pouco, sim. – Eren se moveu no banco enquanto Levi esperava que continuasse a falar, ele sempre foi o mais falante entre os dois, afinal. – O restaurante é de um dos maridos da minha melhor amiga.

Levi arregalou os olhos, Eren se perguntou se a surpresa era pelas duas revelações ou apenas uma delas.

– Deveria ter me avisado. – As bochechas de Levi ficaram mais vermelhas e um biquinho se formou em seus lábios. – Não me vesti para isso.

– E aí eu não te veria assim. – Disse, quase ronronando. – Fofo.

Levi não se restringiu ao socar o braço do mais velho, que gemeu de dor, encolhendo os ombros.

– Não sou fofo. – Levi quase rosnou, desviando o olhar para a janela, como sempre fazia. – E como assim um dos maridos?

– É um relacionamento a três. – Explicou, observando que Levi não pareceu incomodado com a informação, talvez curioso, mas não julgador, o que era bom, muito bom na verdade.

Levi permaneceu pensativo até que estivessem no restaurante e lá, foram saudados por uma mulher animada e com um sorriso enorme, uma pequena embalagem de batatas fritas em uma de suas mãos.

– Você realmente veio. – Ela disse, observado os dois homens com cuidado. – Vem, vou levar vocês até a mesa e depois buscar o Nicolo, ele vai gostar de saber que estão aqui mesmo.

– Obrigado, Sasha. – E enquanto eram guiados, percebeu Levi com os olhos arregalados e tremendo levemente, o garoto parecia enjoado e Eren se viu apreensivo enquanto a amiga se afastava da mesa.

– O que aconteceu? – Perguntou, puxando uma das mãos de Levi por cima da mesa depois de sentar. – Não se sente bem?

– Eren… – Levi engoliu em seco, fazendo um grunhido esquisito, apertando a mão de Eren contra a sua, mas antes que pudesse falar, um garçom já se aproximava.

– Água, por favor. – Eren pediu, esperando o homem voltar e deixar o copo com o líquido gelado e uma rodela de limão sobre a mesa. – Bebe. – Estendeu para Levi, que bebeu alguns goles, seus olhos naturalmente pequenos estavam arregalados. – Consegue falar agora?

– Sasha, que tem dois maridos… – O Ackerman começou a falar e Eren se sentiu apreensivo, não sabia como lidaria com um possível preconceito por parte dele. – Ela é a mãe da Isa?

Eren piscou e Levi também, os dois se encarando com preocupação, desacreditados.

Não tinha pensado nisso, na realidade tinha esquecido totalmente o quão discretos eles deveriam ser com a relação, principalmente quando Levi era tão mais novo e estudava com sua afilhada.

– Ô merda. – Murmurou, pálido enquanto Levi suspira, tentando se recuperar da situação. – Não passou pela minha cabeça.

– Você não pensou que eles contariam?

Levi largou o copo na mesa, fazendo um tilintar suave soar enquanto estreita os olhos azuis em sua direção, Eren engoliu em seco.

– Eu não pensei nisso.

– Eren, você é um idiota.


Não poderia ir embora nem se eu quisesse
Porque alguma coisa me puxa de volta para você



Notas Finais


Exatamente por ele ser esse idiota que você tá se apegando, né Levi?
Kkkkkkk
Eren fazendo merda não é novidade para ninguém gente 🤧🤧🤧💃🏿
Próximo capítulo tem finalmente algumas informações bem importantes para a história aparecendo. Até o próximo 🥰


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