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História Depressed II KiriBaku - Capítulo 11


Escrita por:


Notas do Autor


Eai pessoal?

Vamos com mais um capítulo, esse ta fofinho graças a deus kkk

Boa leitura <3

Capítulo 11 - Essa Pessoa


Narrado por Bakugou Katsuki

Mal coloco o pé para dentro de casa e já escuto minha mãe gritando comigo.

– KATSUKI! Eu não quero ver uma roupa sequer largada no chão daquele quarto – reviro os olhos bufando e vejo Kirishima segurar o riso. Isso porque ainda avisei que traria alguém.

– Mas que caralho! Eu nem entrei ainda, porra. Da um tempo ai, velha – digo fechando a porta e me aproximando das escadas para o segundo andar. Ejirou me segue e paramos perto da cozinha antes de subir.

– Fala direito comigo seu... Ah, olá querido? Eu sou Mitsuki, é um prazer receber um amigo do meu filho, achei que ele tinha explodido todos – sua voz muda totalmente quando percebe Kirishima ao meu lado, o moreno fica corado e sorri um pouco o que me deixa estranhamente feliz. Foda-se se isso é sentimental demais, só que sinto que preciso contar cada sorriso, agora que não são mais habituais. Até ignoro o deboche da velha no fim da frase. – Vamos jantar!

[...]

Entramos no meu quarto depois do jantar constrangedor com minha mãe nos holofotes, suspiro frustrado depois de fechar a porta e jogo a mochila em um canto qualquer tirando a camiseta em seguida e jogando no meio do chão, só por rebeldia. Percebo que Kirishima parece meio perdido no meio do cômodo, na verdade, ele anda com essa expressão de incapacidade em quase todo o lugar, o que vem me deixando puto de preocupação. Mas que merda, eu sou muito viado, eu beijei ele mais cedo e me culpo por querer beija-lo também agora.

Me aproximo e pego a mochila de suas mãos, ele parece notar minha presença e se demora olhando meu corpo a partir da barra da calça até o meu rosto, suas írises vermelhas em contraste com o cabelo negro perscrutam cada centímetro da pele exposta antes de encontrar meu rosto, que denota um sorriso faceiro quanto à observação incisiva do moreno.

– Pode fotografar se quiser – eu digo com uma expressão arrogante e viro de costas para deixar a mochila dele junto com a minha, volto a erguer meu corpo e me surpreendo quando sinto os braços do rapaz rodearem minha cintura e seu rosto enterrado em meu pescoço, me arrepio ao sentir sua inspiração profunda em minha pele e coloco as mãos sobre as dele sem saber ao certo como reagir quanto a isso.

– Me desculpa, eu só precisava de um pouco... de você – ele sussurra em minhas costas e meu coração falha uma batida. Até mesmo sua voz tornou-se diferente, de animada passou a ser monótona, o tom parece mais grave e pesado. Me pergunto o quão isso vem o afetando, sendo que em quase tudo eu vejo algo que não combina com o Kirishima que eu conhecia, ou ao menos pensava conhecer.

– De boa – digo sem conseguir arrumar culhões para utilizar algum xingamento agora. O moreno se afasta e viro-me vendo-o se sentar na cama, ele tira o tênis e se senta com as pernas cruzadas olhando-me com certa expectativa. Analiso seu rosto emoldurado com o cabelo maior e completamente liso, a coloração negra como o céu em noites de lua nova. – Eu achava que seu cabelo era ruivo natural.

– Ah, obrigado pela parte que me toca – ele comenta dando um sorriso sarcástico e fico satisfeito com o rumo que consegui partir na conversa. Sento-me ao seu lado e ligo a televisão em frente a cama com o controle remoto. Olho para ele e pego o exato momento em que ele está me fitando com um brilho diferente nos olhos. Eu gosto, mas me pego pensando no que isso significa de fato. – Eu comecei a pintar no fundamental, era por causa do meu herói favorito. Meu pai também é ruivo, mas eu puxei a minha mãe que é... era morena.

Fecho a cara ao notar que acabei levando o assunto por água a baixo. Parabéns sua anta, você deixou um clima tenso pra caralho agora.

– Desculpa por te fazer lembrar disso – digo desconcertado, não imaginava que ele havia parado de pintar por esse motivo também. Queria saber o que dizer quanto a isso, mas não faço a menor ideia de como lidar com facilidade, estou apenas pisando em ovos, tentando não o prejudicar mais do que tento ajudar. Desvio o olhar para a tela da TV, usando o controle em minha mão para entrar na Netflix.

– Bakugou Katsuki pedindo desculpas? Cadê as câmeras – seu tom debochado chama a minha atenção e olho para ele fuzilando-o com o olhar.

– Vai se foder, Ejirou – resmungo mal humorado e olho para o catálogo sem saber o que escolher. Isso é estranho pra caralho, ter alguém dentro do meu quarto para assistir algum filme ou série, talvez o mais estranho seja eu gostando da situação. Confesso que ainda me sinto confuso quanto a isso, mas só estou me importando com a pessoa que se encontra do meu lado.

– Relaxa, eu não gosto muito do cabelo preto, mas gostaria de mantê-lo assim agora, por ela – ele declara com um sorriso saudoso em sua expressão melancólica. Fico tentando a me aproximar e acariciar seu rosto, porém, apenas observo seu olhar por mais algum tempo, o foco de sua visão entra em contato com o meu e parece haver uma conversa silenciosa entre nós, onde tudo era compreendido e elucidado na mesma intensidade. Quebramos o contato visual depois de alguns segundos e respiro fundo antes de olhar para o controle remoto quase esmagado em minha mão.

 – Vai querer ver o que? – Pergunto a ele e observo seu olhar passeando pela tela em busca de algo que pareça interessante.  

– O que acha de Ricky e Morty? Você gosta? – Ele questiona e fico perplexo, creio que nunca ouvi falar, mas pensando a fundo não consigo distinguir certamente qual parece ser o gosto de Kirishima, portanto estou no escuro até ver ao menos um episódio.

– Pode ser, vou pegar aquele sorvete odioso de tão doce – reclamo ao mesmo tempo em que aviso minha saída, ouço a risada do rapaz e acabo sorrindo involuntariamente também, já longe de sua vista. Eu sou muito gay, mas to pouco me fodendo pra isso. 

 Desço as escadas e vou para a cozinha, minha mãe ainda está no local terminando de guardar algumas coisas no armário. Abro a geladeira e me arrepio ao sentir o ar frio em contato com a minha pele descoberta. Tiro o pote de sorvete e pego duas colheres que havia em cima da mesa. Eu sei que ele vai comer praticamente tudo, não aguento essa quantidade de glicose em altas doses.

– Use camisinha, eu não quero netos ainda – minha mãe diz com uma voz maliciosa e fico paralisado no meio da cozinha, quando estava prestes a sair do cômodo.

– O que?! – Exclamo completamente chocado com sua fala repentina e desconexa.

– Preservativo, Katsuki e lubrificante também – ela responde com naturalidade e não consigo decifrar até onde ela está me fazendo de besta ou sendo sincera. É de cair o cu da bunda escutar isso da própria mãe.

– Ta louca? Por que acha que sou gay? – Questiono tentando parecer mais ofendido do que assustado por sua audácia. Não sei dizer o que pesa mais em mim no momento.

– E você não é? – Ela rebate quase imediatamente a minha exaltação e fico completamente mudo, fervendo de raiva. Sinto ódio por não ter conseguido dizer o “não” que me faria sair ganhando dessa. Seu olhar vitorioso me faz rosnar pela irritação. Que se foda, se até minha mãe pensa assim já não tenho dúvidas.

– Foda-se – resmungo marchando em direção as escadas sem condições de continuar essa conversa agora, começo a subir os degraus e tensiono os ombros quando escuto a voz da minha mãe se tornando distante.

– Proteção, meu amor! – Puta que pariu, velha inconveniente da porra, espero que ao menos Kirishima não tenha escutado esse momento constrangedor da minha existência.

Abro a porta do quarto e me surpreendo ao notar que Kirishima tirou a própria blusa e trocou pela camiseta que eu estava usando anteriormente. Não comento sobre e ele parece agradecer por isso, deixo o sorvete em suas mãos e observo sua animação ao abrir o pote e comer uma colherada da massa gelada com amendoim e caramelo.

– Isso é maravilhoso, obrigado – ele diz com a boca cheia e dou de ombros como quem não quer nada, sem verdadeiramente expor minha satisfação quanto ao pouco que pude proporciona-lo. Eu sou um fodido filho da puta o tempo todo, mas com Ejirou, eu só quero que ele não deixe de ser a minha luz.

[...]

– Essa porra é muito doida, gostei – digo depois que terminamos o terceiro episódio de Rick e Morty, olho para Kirishima e vejo-o sorrindo em concordância, mas seu corpo está tenso e trêmulo. Noto o pote de sorvete vazio em suas mãos e compreendo o que há com o rapaz.

– Acho que comi sorvete demais, tô congelando – ele declara deixando o pote de sorvete no gaveteiro ao lado, ele se abraça tentando se aquecer e eu puxo o cobertor que estava dobrado no canto da cama.

– Eu avisei pra você comer devagar, vem aqui – digo deitando ao seu lado e puxando-o para perto de mim, ainda fico um pouco tenso com esse tipo de contato já que não o tive antes com ninguém, mas quando o moreno se encolhe, aconchegando-se em meu peito, sinto como se eu tivesse vivido até agora somente para ter essa experiência. Cubro a nós dois com o cobertor para que ele se aqueça ainda mais, fora o calor que emana da minha pele. Eu sinto minha pele em chamas e meu coração batendo tão rápido, que temo ser possível que Ejirou o escute estando tão próximo. Me dou conta disso e sorrio um pouco, posso nunca admitir isso para o mundo, mas creio que essa aceleração, essa sensação de calor que se espalha pelo meu corpo, só se dá em momentos como este, com essa pessoa.


Notas Finais


Vamos lá hehehe.

Aqui podemos ver um pouco da perspectiva de quem vê a depressão de "fora" dela, alguém que convive com uma pessoa depressiva e está aprendendo a lidar com essa situação. O Bakugou nessa fic pra mim sempre foi um desafio e tanto, mas acho que pude desenvolver ele de uma maneira viável, sem perder a essência dele mesmo.

Uma personagem super importante que surgiu agora, Bakugou Mitsuki! Ahhhh como eu amo essa mulher, ela tomou uma importância enorme no enredo e eu nem percebi. Vocês verão isso nos próximos capítulos kkkk

Enfim, muito obrigada a todos vocês que seguem acompanhando, eu fiz e faço isso por vocês <3

Até mais! ><


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