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História Depressed II KiriBaku - Capítulo 30


Escrita por:


Notas do Autor


Eai pessoal?

Não estranhem o título "repetido", eu errei no anterior kkkk mas consertei depois.

Boa leitura <3

Capítulo 30 - Circunstâncias Inconstantes


Narrado por Bakugou Katsuki

Domingo, 15 de Setembro de 2019 –  Mesmo dia  

– Prazer em te conhecer, Bakugou. Pode me chamar de Toriu. – o homem ruivo diz estendendo sua mão para mim e minha vontade real é de arranca-la por ter ousado tocar em Eijirou de uma forma que ele nunca deveria ter que aguentar. Descruzo os braços e aperto sua mão deixando minha palma esquentar gradativamente, ainda que eu esteja me controlando para não derreter sua pele por completo só pela audácia de ter maltratado o meu namorado quando deveria estar ao seu lado.

Kirishima continua olhando para nós um tanto apreensivo e eu entendo seu medo, eu nunca fui conhecido pelo meu autocontrole, mas também não pretendo matar o pai dele na porrada, mesmo que eu queira imensamente fazer isso.

– Vai pegar suas coisas, Eijirou, eu te espero aqui – declaro para o moreno ainda apertado as juntas do homem com certa raiva, quando sei que Eijirou não está mais no nosso campo de visão solto a mão dele vendo-o agarrar o pulso e olhar para a palma da mão avermelhada pelo calor que controlei para que não o queimasse por completo.

– Olha garoto, eu sei que você não gosta muito de mim, mas... – ele começa a falar e dou risada de sua insolência, quem ele pensa que é para falar assim comigo?

– Olha aqui você, caralho, eu não gosto nem um pouco de você e é muito bom que você saiba disso – começo a falar interrompendo-o para que eu possa deixar bem claro o que penso a seu respeito, se é para nos suportarmos, que ele saiba exatamente onde está se metendo – Eu tô pouco me fodendo para o que você pensa sobre mim, estou te informando que não pretendo sair de perto do Eijirou, ele precisa de apoio e você falhou em fazer isso – me aproximo um pouco mais dele, notando que o mesmo recua alguns passos para evitar a maior proximidade. Sorrio para sua reação e fico satisfeito em saber que o mesmo compreendeu a gravidade da situação, cerro os dentes e me controlo ao máximo para não gritar – Eu sei o que você fez com ele e mesmo que ele tenha te perdoado, você nunca vai deixar de estar na porra da minha lista negra, você ‘tá me entendendo? Nem o maldito Deku de merda está nela, mas você foi capaz de conseguir a primeira posição. Então trate de tomar cuidado, porque se eu souber que você deixou o Eijirou pelo menos um pouco mais triste e desanimado, eu juro que farei você se arrepender pelo resto da vida.

Ele me encara boquiaberto e apenas cruzo os braços novamente já ouvindo o som dos passos de Eijirou na escada, arqueio uma das sobrancelhas como se desafiasse ele a dizer alguma coisa, porém ele parece não ter nada a dizer. Ótimo, melhor assim, pelo menos a mensagem que eu estava guardando para ele foi passada com sucesso e terei total liberdade para agir conforme o meu aviso caso venha a ser necessário.

– Vamos? – Kirishima pergunta me olhando com um brilho a mais nos olhos e fico mais calmo com sua presença em meio ao clima tenso e maçante que se instaurou no local, o moreno também parece extremamente ansioso para dar o fora e posso notar sua respiração acelerada por ter pego tudo o que precisava o mais rápido possível para não estender sua passagem por aqui, ou para não me deixar muito tempo sozinho com seu pai, as duas opções podem ser reais, de qualquer forma.

– A gente se vê por aí, senhor Kirishima – digo de forma condescendente, deixando explicito em meu tom de voz a irritação que venho tentando reprimir. Viro-me e saio pela porta sem ao menos esperar por Eijirou, o rapaz fica para trás e demora algum tempo até me encontrar na calçada. Seu semblante antes tenso e ansioso agora se mostrava um pouco mais sereno, portanto, decidi não lhe perturbar perguntando o porquê de sua demora. Se fosse algo ruim, ele teria me falado.

[...]

Quinta-feira, 19 de Setembro de 20194 dias depois

Coloco meu cotovelo sobre a mesa e apoio meu rosto sobre a mão, entediado pela aula que não é lá a minha favorita, exceto por ser a chance que tenho de ver Kirishima sendo mais expressivo com as pessoas e até consigo mesmo. Minha relação com música é superficial, eu gosto de tocar bateria pela adrenalina e pelo ritmo frenético, além de poder tocar as minhas músicas favoritas que estão mais concentradas no rock do que em qualquer outro estilo, mas Eijirou é totalmente o oposto, ele é completamente apaixonado por todos os estilos possíveis de música e por isso é fácil me perder na visão do mesmo conversando animadamente com os outros alunos sobre seus instrumentos ou sobre as músicas que podem ser boas para cada um.

Me pego olhando para o moreno que sorria minimamente ao falar com Deku e mesmo pelo ranço que sinto desse garoto eu não consigo perder tempo ficando com raiva, já que o que me interessa de fato está ao lado dele falando e gesticulando de um jeito animador. Lembro-me do final de semana, quando ele e meu pai resolveram tocar juntos.

“Sento no sofá ao lado da minha mãe que parece extremamente animada com o que está prestes a acontecer. Eu diria que estou ansioso também porque sempre que o moreno segura aquele instrumento nas mãos o mundo parece parar de girar para apreciar a sensação de vê-lo completamente entregue ao som do violino, mas minha pose despojada com os braços cruzados e uma expressão entediada tenta ao máximo mostrar outra coisa.

– Senta direito, Katsuki – minha mãe diz beliscando minha coxa e me fazendo saltar pela dor, mas que caralho, ela gosta mesmo de implicar comigo em tudo.

– Caralho, ta bom! – Digo encostando-me no sofá de um jeito mais comportado, porém ainda mantendo os braços cruzados na frente do peito. Meu pai aparece na sala segurando um violoncelo, que para mim nada mais é do que um violino gigante. Ele se senta na cadeira em frente ao sofá e logo Kirishima aparece com seu instrumento em mãos, este é diferente e eu nunca havia o visto, mas tenho certeza que combina bastante com o rapaz. Ele se senta na cadeira ao lado do meu pai e olha para ele com entusiasmo.

– O que vamos tocar? – Ele questiona com um brilho nos olhos que me faz sorrir automaticamente, coloco a mão no rosto para evitar mostrar minha expressão, mas não consigo simplesmente desfazer o sorriso em minha face ao constatar sua alegria com algo tão simplório.

– Você sabe ler partituras? Creio que tenho algumas legais por aqui – Masaru declara mexendo em uma caixa no chão ao seu lado, vejo que o mesmo está com um pouco de dificuldade e me levanto para ajudar a achar o que ele quer.

– Deixa que eu pego essa porra – falo e vejo dois cadernos iguais com cores distintas, olho o título e sei que ambos contêm a mesma música, uma tal de Summertime Sadness. Monto os suportes velhos para colocar os cadernos abertos e fico confuso com aquele monte de desenhos estranhos, mas como diabos essa merda vira algum som? São só várias bolinhas e varetas interligadas em cima de linhas.

Deixo tudo pronto e me afasto para voltar ao sofá, Kirishima olha para as folhas com o rosto focado e posiciona seu violino no pescoço, mantendo o outro braço levemente erguido e firme segurando o arco, quando ele posiciona o mesmo nas cordas e começa a tocar olhando fixamente para as notas eu fico completamente chocado, ele consegue decifrar aquele negócio e ainda toca maravilhosamente sem ter conhecimento prévio da música? Ta zuando com a minha cara.

Meu pai pega o embalo acompanhando-o com o violoncelo que possui um som um pouco mais grave aparentemente, ambos estão em sintonia e vejo meu pai sorrir abertamente como ele raramente o faz, minha mãe parece estar à beira das lágrimas pela entonação melancólica e delicada da música e eu fico apenas mais fascinado a cada acorde. Deixo meus cotovelos sobre os joelhos e inclino o corpo para me aproximar ao menos um pouco mais. Eu sinto a música e eu vejo Eijirou fazer o mesmo, está longe de ser algo do meu estilo, mas o rapaz que a está tocando sim, é completamente meu.”

– Ei Bakugou, a gente sabe que você ‘tá apaixonado, mas ‘tá me dando medo você sem piscar a tanto tempo – Sero comenta me tirando dos meus devaneios e olho para ele rosnando irritado, mas que porra, não dá nem para sonhar acordado em paz nessa merda.

– Vai se foder, fita crepe, vai lá ver se eu ‘tô na esquina, caralho – Resmungo irritado e volto meu olhar para outro canto qualquer, talvez eu tenha ficado realmente obcecado, ultimamente eu tenho sido mais possessivo que o normal e preferia não ter que me afastar de Kirishima nem por um momento, sei que isso pode deixa-lo sob pressão, portanto guardo esse sentimento obsessivo pra mim, mas talvez eu não consiga suportar sozinho por muito tempo, espero que essa merda que farei hoje valha a pena de verdade.

[...]

Termino de trocar de roupa e dessa vez, surpreendentemente, quem vem me buscar no quarto é Kirishima e não o contrário, ele está com um moletom vermelho e calças jeans escuras, enquanto eu estou confortável com minha calça bege e moletom preto, já um tanto surrado pela quantidade de vezes em que o usei, minha mãe vive dizendo para que eu o jogue fora, mas não consigo deixar de ser apegado a um pedaço de tecido velho.

– Vamos? Eu quero tomar um sorvete antes – Eijirou exclama segurando a minha mão e puxando-me quarto a fora, acompanho seus passos pelo corredor sentindo seus dedos entrelaçados aos meus, não tenho vergonha nenhuma de estar assim, porém os meus pensamentos não ficam por muito tempo nesse contato singelo.

– Baku, você vai adorar, o doutor Gaiato é muito legal, ele sempre me dá pirulitos escondido e... – Kirishima começa a falar sem parar sobre o terapeuta que vai me atender e isso me deixa ainda mais apreensivo. Eu sei que fui eu quem decidiu partir para isso, minha mãe não ficou surpresa quando pedi que ela fizesse a minha ficha na mesma clínica que o moreno frequenta, ele já foi em uma consulta na terça e ela o acompanhou para isso, mas agora que a quinta feira chegou e que tenho que encarar isso realmente sei que não estou preparado. Por que diabos eu estou me metendo nisso? Sei que é difícil lidar com meu nervosismo para cada passo que Eijirou dá depois do dia em que o impedi de pular de um prédio, mas talvez eu tenha me precipitado, eu realmente preciso disso?

Chegamos à sorveteria ao lado da clínica e fico tenso pela proximidade do local, ainda permaneço em silêncio sem ter muito o que dizer quanto a tudo o que Kirishima fala e me sinto levemente enjoado. Quando ele solta a minha mão para se escorar no vidro e escolher os sabores do seu sorvete fico aliviado, assim posso secar as palmas na calça para evitar que o suor se acumule e me faça ficar mais perto de explodir tudo ao redor simplesmente pelo meu nervosismo. Mas que porra, estou parecendo uma garotinha assustada e não gosto nem um pouco disso, esse lance de terapia tinha que me apavorar tanto assim?

– Ei, Baku, você ‘tá me ouvindo? – Eijirou questiona olhando para mim preocupado e coloco as mãos no bolso do moletom canguru para evitar mostrar minha ansiedade.

– O que é? – Pergunto como se nada tivesse acontecido e finjo não ter ignorado tudo o que ele disse até o momento, mesmo que essa desatenção me deixe com uma culpa tremenda e inexplicável.

– Qual sabor você quer? – Ele pergunta pelo que parece ser a segunda vez e olho rapidamente para as massas geladas atrás do vidro. Penso em qualquer coisa e falo o que me veio à mente.

– Leite ninho trufado – respondo e o rapaz faz os pedidos enquanto eu olho ao redor para achar uma mesa, me aproximo de uma perto do vidro que dá para a calçada e sento na cadeira em frente, ficando com a vista da rua do meu lado direito. Olho para os carros passando e tento me acalmar, mesmo que ainda não reconheça o motivo real da minha apreensão, nem é nada de mais, eu vou sentar em uma sala e falar com alguém que eu não conheço sobre coisas que eu não costumo falar. Tá, puta que pariu, talvez seja sim alguma coisa.

Kirishima se senta na minha frente entregando-me a cestinha de biscoito com algumas bolas de sorvete, ele começa a comer o que ele havia escolhido e fico mexendo na sobremesa com a colher, sem muita vontade de come-lo, por mais que eu goste muito do mesmo. Talvez eu esteja surtando à toa, mas agora que estou prestes a entrar nisso me sinto confuso quanto ao que eu verdadeiramente sinto, o medo de me expor é grande, eu não deveria ter feito isso.

– Baku, você vive falando que eu devo ser sincero com você, mas até agora você sequer xingou ou reclamou de alguma coisa, acho que é sua vez de ser sincero comigo. O que foi? – O moreno questiona e finalmente tomo coragem para olhar em seus olhos, ele me encara ainda levando a colher a boca para sorver mais do sorvete de chocolate e percebo que estou sendo um idiota com ele, ao invés de aproveitar o seu bom humor que realmente ainda é um pouco raro.

– Nada a ver, eu não... – tento contornar a situação, mas Eijirou ergue as sobrancelhas me olhando como se já soubesse de toda a verdade sem que eu precisasse sequer dizer alguma coisa, suspiro frustrado e tomo um pouco do sorvete que já começa a derreter por minha falta de ação. – Eu sei lá... Estou desconfortável.

– Você quer mesmo fazer isso? Sabe que não quero que faça apenas por minha causa e... – O moreno começa a se explicar como se eu estivesse dizendo a culpa é dele e fico afobado com a situação, não é nada disso que ele está pensando. O semblante animado dele se desfaz e procuro rapidamente por algo que eu possa dizer, o receio maior é de acabar dizendo mais do que deveria.

– Não caralho, não é só por sua causa – quase grito e ele me olha assustado com os olhos arregalados, algumas pessoas olham para nós e eu as encaro de volta para espanta-los. Respiro fundo para me controlar e sinto as batidas do meu coração se elevarem repentinamente antes de voltar a falar, minha voz sai baixa e levemente rouca – Eu... Eu quero entender você, mas eu também me sinto meio insano... Eu tenho medo de te perder o tempo todo e mesmo que você esteja grudado em mim eu ainda fico nervoso pensando em quanto tempo vai levar até você me deixar.

– Baku, eu... Me desculpe, eu não queria... – ele começa a falar novamente e eu enfio uma colherada do meu sorvete na sua boca para fazê-lo se calar. 

– Cala a boca, você pediu que eu falasse, agora escuta, porra – reclamo vendo-o assentir positivamente e reviro os olhos pelo patamar em que chegamos, eu deveria ter deixado ele falar sem parar, assim eu não precisaria continuar. – Eu não sei o que você tem passado de verdade, mas eu sei que dói tanto em mim quanto deve doer em você. Eu não sei se isso é empatia ou só maluquice, mas isso me afeta e eu quero lidar com isso, ‘pra te ajudar a lidar também. 

Ele me olha por longos segundos e o silêncio é extremamente sufocante, abaixo a cabeça para evitar sua observação cortante e termino de comer o sorvete que havia restado na casquinha. Olho para a rua através do vidro e noto as nuvens densas que se unem no céu, escurecendo-o antes do tempo previsto. Sinto o toque da mão de Kirishima sobre a minha e fito o contato de nossos dedos por alguns instantes, é como se eu pudesse sentir as vibrações que ele emana inconscientemente, uma sensação calorosa que ele sempre foi capaz de transmitir para quem quer que fosse e que há muito tempo eu não tinha a chance de apreciar.

– Eu também fiquei com medo quando vim a primeira vez – ele declara e ergo meu olhar apenas para capturar suas írises vermelhas me encarando com ternura por debaixo de alguns fios negros que cobrem sua testa, sua expressão é calorosa, mas a veracidade das suas palavras não me agrada.

– Eu não ‘tô com medo, cacete – digo com os dentes cerrados e fecho a mão em punho, ele dá risada brevemente e depois usa as duas mãos para desafrouxar o aperto dos meus dedos sobre a mesa, ele entrelaça sua mão na minha e fico levemente corado pela afronta, ele nunca teve medo de mim, isso me agrada e me assusta em duas vertentes muito parecidas.

– Ta bom, ta bom! Então... aflito? Apreensivo? Ah, deixa quieto, eu não sou bom com sinônimos – sua risada sincera me faz sorrir também e aos poucos consigo me libertar um pouco da tensão que vem me consumindo ao longo do dia, ou talvez da semana, já não sei dizer quando estive verdadeiramente livre de qualquer pensamento ruim sobre o futuro incerto.

– Tenso – falo com sinceridade e ele acena com a cabeça, acariciando o dorso da minha mão com o polegar, um gesto simples, mas que faz com que arrepios percorram meu corpo de um jeito extravagante.

– Sei que parece assustador, até pouco tempo atrás eu não levava a sério, na verdade... – o moreno suspira olhando para o vidro e uso esse pequeno intervalo de tempo para olhar seu perfil um pouco mais, sua cicatriz na pálpebra, seu nariz empinado e seus lábios sendo levemente mastigados pelos dentes afiados sempre que o mesmo está pensativo. Tudo nele me atrai, mas isso pode ser minha ruína ou minha salvação.

– Eu sei disso – declaro encarando-o com pesar, sua falta de responsabilidade com isso o levou a ser negligente e sua situação se tornou pior ainda. Por mais que ele não leve a sério, eu não seria capaz de ajudá-lo na mesma proporção que um profissional faria, claro que isso me deixa puto para um caralho, mas só me resta aceitar.

– Eu achei que era perda de tempo, mas depois de sexta... na primeira consulta que eu fui depois daquilo, eu consegui perceber mais algumas coisas, que estavam nubladas demais pela minha teimosia. Eu ainda me sinto um lixo, – quando estou prestes a rebater sua fala depreciativa ele olha para mim sério e com um dedo erguido como se pedisse silêncio, fico emburrado, mas faço o que me pede – mas sei que há outras coisas que eu sou e que talvez eu possa ser. Eu não posso dar muitas certezas, eu estou sendo mais aberto, mas ainda tenho muitas coisas transbordando em mim. Eu sei a minha situação e tento sair dela, mas a compreensão nem sempre deixa as coisas mais... fáceis.

Fico pensativo sobre sua constatação e me pego ainda mais preocupado, sei que os batimentos acelerados do meu coração se dão pela ansiedade que sua franqueza me passa, por mais que eu tenha pedido a ele que fosse sincero sobre tudo, não pensei que sua verdade seria para mim algo tão doloroso. Respiro fundo e aceno com a cabeça sem ter muito o que dizer. Nos levantamos em silêncio e pago tudo o que havíamos consumido, saímos da sorveteria e caminhamos apenas alguns metros até a entrada da clínica, as portas de vidro deixam um ar elegante e sofisticado, mas as paredes brancas e com poucos detalhes de cores claras me deixam ainda mais aflito.

Kirishima avisa sobre nós na recepção e não sei ao certo como agir, penso em me sentar, mas minhas pernas poderiam facilmente não funcionar mais quando eu precisasse levantar, deixo as mãos nos bolsos e olho para meus pés, buscando não pensar demais a fim de evitar um infarto.

– Olá Eijirou, esse é o famoso Bakugou? – Uma mulher loira aparece na recepção vestida com roupas bem despojadas e fico perplexo, pensei que todos os médicos usassem jalecos e coisas do tipo. Assim até parece que ela está saindo para um passeio no shopping. Noto que sou reconhecido por ela e olho para Kirishima a fim de obter alguma explicação sobre isso, suas bochechas estão coradas e ele olha para ela com cumplicidade, agora entendi, ela é a terapeuta dele.

– Sim, é ele. Ele veio conhecer o doutor Gaiato – ele diz para a mulher que me analisa de cima a baixo antes de se virar para nos indicar um corredor longo.

– Vamos levar ele até a sala e ficamos na nossa depois, então – ela declara sorrindo de forma mansa e eu engulo em seco pela tensão que me toma, meus pés não se movem de imediato e logo Kirishima segura minha mão para seguirmos a mulher. Ela caminha quase até o fim do corredor e indica a última porta à esquerda que permanecia entreaberta. Olho para a mesma e depois para Eijirou, que me olha com cautela.

– Você tem certeza? – Ele questiona mais uma vez, segurando meu rosto com as mãos sem ao menos se importar com a mulher nos observando atentamente. Olho no fundo dos seus olhos buscando um pouco mais de motivação para encarar a mim mesmo e aceno com a cabeça sem conseguir proferir uma palavra sequer no momento. Ele sorri largamente e isso já faz com que toda essa angústia pelo desconhecido valha a pena. Seus lábios tocam os meus rapidamente e seguro seus pulsos para manter suas mãos em meu rosto por mais alguns segundos. – Eu vou te esperar na recepção, não se preocupe, ‘tá bom?

Ele se vira para entrar na sala e a mulher loira sorri para mim antes de segui-lo, já iniciando uma conversa antes mesmo de fechar completamente a porta. Me vejo sozinho no fim do enorme corredor e penso que talvez essa seja a minha chance de fugir e esquecer essa ideia tosca, porém meu peito dolorido e minha respiração quase ofegante pela falta de Eijirou sob as minhas vistas me fazem hesitar quanto a isso. Verdadeiramente, eu sei que não consigo lidar com isso sozinho, por mais que meu orgulho seja estraçalhado com essa afirmação, eu não suportaria perde-lo simplesmente porque não sou capaz de lidar comigo mesmo. Olho para a porta e suspiro antes de bater e entrar. Agora não tem mais volta, eu não estou fazendo isso só por ele, estou fazendo isso por mim também.


Notas Finais


Bom, vamos lá, esse é um dos meus capítulos favoritos por muuuuitos motivos, primeiro, pelo esporro que o Bakugou da no sogro, ah, mas eu fiquei muito bem escrevendo isso, falo mesmo!

Acho que muitas coisas na visão do Bakugou nos mostram como ele também tem lidado com tudo isso não acham? Ele admirando o Kiri todo fofinhozineo também enche meu coração de amor, mas o que é mais importante aqui, é perceber o quanto ele admite estar constantemente ansioso pelo Eijirou, ele se sente sempre à postos para sair correndo ver como o namorado está por medo de se deparar com uma tragédia novamente.

Isso é muito comum quando a gente conhece alguém que tenta algo assim, obviamente, mas imaginem o quanto isso não o prejudica também? Creio que ele ter escolhido ir para o psicólogo também foi uma escolha muito madura, ainda assim, ele tem suas inseguranças quanto a isso e é bom ver ele se abrindo ao menos um pouco com o Kiri.

Bom, teremos mais uma longa jornada, espero que gostem e perdão pela demora <3

Até mais!


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