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História Derivados - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Olá!
Conseguem adivinhar qual personagem teremos hj????
Boa leitura!

Capítulo 5 - Derivados dos sinais


1989

 

Namjoon tinha ido buscar Gguk na escola, então eu e Hope ficamos na loja. Ela estava radiante porque uma senhora tinha elogiado seus cabelos recém pintados de ruivo, então me obrigou a arrumar todas as prateleiras para poder ficar no caixa e se exibir mais.

Chamei ela de metida só de brincadeira e quando ela ameaçou tacar a caixa registradora em mim, fui fazer o que ela mandou.

O dia estava estranhamente cheio hoje, repleto de adolescentes atrás de bebida barata e adultos atrás de jantares industrializados. Eu estava repondo os produtos exatamente porque, depois de muito tempo, alguns deles estavam acabando.

Aliás, estou suspeitando que Namjoon foi buscar o Jeon na escola exatamente para fugir do trabalho, o desgraçado.

De qualquer forma, assim que desisti de rasgar a caixa com minhas unhas mais longas que o necessário e fui atrás de uma tesoura. Ouvi o sininho da porta bater e só pelos passos pesados do mais alto soube que ambos haviam voltado.

— Conseguiu assustar eles, oppa? — Hope perguntou, porque essa era a real intenção de Joon ao ir buscar o moreno, assim que soube que o roxo no olho do garoto não foi o poste que fez e sim um grupo de garotos que ficaram irritados com a falta de reação de Jeongguk aos xingamentos que eles estavam falando, o que na verdade não faz muito sentido, mas na cabeça dos babacas fazia. Assim, Namjoon, com todos os seus 2 metros e 10 de altura, foi deixar claro, indiretamente, que se aquilo acontecesse novamente o problema seria resolvido com ele. Apesar do maior mal fazer mau a uma mosca ele dá mais medo que eu, que provavelmente faria mais estrago.

—  Pelas caras eu acredito que sim. — Jeon jogou sua mochila no canto e foi recepcionado por um beijo na bochecha pela menina. 

Um outro detalhe é que os atos carinhosos de Hope se tornaram completamente normais entre nós. Abraços, beijos, cafunés, apertos na bochecha. Era o máximo de carinho que os 3 homens presentes haviam recebido, juntos, na vida toda, então os gestos foram estranhos no início mas completamente aceitáveis depois.

— Na verdade tenho certeza que o mais baixo se borrou todo, quase tive dó. — Namjoon disse, rindo e recebendo seu beijinho também. 

— Sorte que eles não sabem que o grandalhão é apenas um bebê. — Eu disse. Rimos muito e eu levei um sapato 46 nas costas.

 

[...]

 

Namjoon estava carregando uma Hope risonha na garupa, Jeon estava com seu típico capuz na cabeça e eu estava andando de costas, para poder olhar pra eles. Estávamos voltando pra casa, já estava escuro mas nada disso nos dava medo. Chegando lá, busquei a chave no bolso de Namjoon e deixei todos entrarem antes de fechar a porta.

— É… — Jeon parou, fazendo todos pararem atrás de si. — Tem uma criança comendo bolacha na bancada, isso acontece com muita frequência?

— O quê?

Quando cheguei mais perto realmente. A não ser que fosse um anão, realmente tinha uma criança agachada ao lado da bancada com um pacote de bolachas na mão comendo como se não tivesse uma refeição a muito tempo. A criança estava completamente encharcada e sequer tinha chovido no dia. Suas roupas eram sociais — uma camisa de botão sem uma das mangas e calças sociais com rasgos em ambos os joelhos —, o que não fazia o menor sentido, e ele estava descalço.

— Nunca vi essa criança na minha vida. — Namjoon respondeu.

Hope saiu das costas de Namjoon e por um tempo ninguém teve reação. 

— Hey, o que você tá fazendo aqui? — Jeon disse, irritado com o roubo.

Assim que a criança levantou os olhos até nós, os arregalou em completo desespero e começou mexer a boca sem produzir som, balançando a cabeça e parecendo prestes a chorar.

— Jeon! — Briguei com o garoto. Ele me olhou feio pelo desrespeito, mas depois percebeu que foi grosso e se calou.

— Oi garotinho. Tá tudo bem? Você tá perdido? — Hope se aproximou, meio inclinada e mostrando as duas mãos, tentando conquistar a confiar do menino. Ele recuou, com medo, até bater suas costas no balcão e negar com a cabeça. — Não vou te machucar, só quero te ajudar.

Ela estendeu a mão pra ele, que segurou rapidamente, se aproximando e lhe abraçando a cintura, escondendo o rosto em sua barriga. Ela pareceu surpresa por um momento, olhando pra nós com os olhos arregalados, mas logo colocou a mão nos cabelos encharcados do menino e afagou.

— Yoon, têm água quente hoje? — Hope perguntou suavemente.

— Vou checar. — Fui em passos rápidos até o banheiro.

— Namjoon, pega roupas limpas pra ele, as menores que tiver. Kook, prepare um lámen instantâneo no microondas, por favor. — Ela continuou dando ordens. Abri o registro e água começou a lentamente esquentar. Murmurei um “amém” baixinho, que sorte.

— Hope, pode trazer ele aqui, tá quente. — Gritei pra que ela me ouvisse lá de fora.

Não demorou nada pra ela aparecer com o menino no colo, que estava com a cabeça enterrada em seu pescoço.

— Hey, pequeno, que tal um banho quentinho, hm? Quer? — Ele balançou a cabeça positivamente, mas não fez menção de se mover. Ela mexeu ele um pouco, pra que ele descesse de seu colo. — Cuida dele, vou pegar toalhas. — Ela me disse.

— Oi, tudo bem? — Eu indaguei, me agachando na frente dele. — Eu vou te dar um banho agora, okay? Posso tirar sua roupinha? — Ele nem era tão pequeno, mas eu queria parecer o mais amigável possível. O garoto só assentiu, desabotoando sua calça social. Levei minhas mãos lentamente até sua camisa, desabotoando ela também.

Eu estava um pouco constrangido, não sabia se tirava tudo ou deixava ele de cueca, não sabia se pedia licença ou se só esperava ele terminar sozinho.

— Quer que eu vire? — O menino negou com a cabeça. — Posso te ajudar então? — Ele assentiu novamente.

Eu estava estranhando a falta de palavras do menino, mas preferi não perguntar naquele momento. Ele sozinho tirou tudo e não pude deixar de notar alguns roxinhos, tipo em seu pulso e ombro, mas nada próximo de sua intimidade, fiquei aliviado por isso, nada de pior tinha acontecido. Seu corpo era magro, quase desnutrido e ele tinha um colar, o pingente mais parecia uma caixinha e quando coloquei minhas mãos perto pra tirar ele negou desesperadamente, segurando-o com força. Assenti a cabeça, pedindo desculpa.

Arregacei as mangas e a barra da calça o máximo possível, estava frio e eu realmente não queria molhar minhas roupas. Pendurei as roupas do menino no vidro do box, para tentar fazê-las secar.

— Venha, pode entrar. — O menino correu até a água, suspirando assim que ela tocou seu corpo. Lhe entreguei o sabonete, dizendo que ele poderia lavar seu corpo e avisado que passaria shampoo no seu cabelo. Seus fios eram extremamente mal cortados, formando uma franja curta demais e o resto meio irregular. Massageei com calma seus fios com o shampoo barato e tomei cuidado pra que nada caísse em seus olhos, depois tiramos o sabão de tudo e Hope voltou com toalhas.

Enrolei ele rapidamente e baguncei seu cabelo, secando-o. Dei risada, tentando o provocar e recebi uma risada sem som. Levei ele enroladinho na toalha até a sala, onde Namjoon estava com as roupas (todas minhas, já que sou a menor pessoa). Coloquei a calça rapidamente, sem me preocupar com roupa de baixo, já que não tenho uma nova e não ia colocar uma molhada a criança sequinha. Dobrei a calça até que ficasse certa pra ele e lhe vesti meias. Passei uma camiseta de manga comprida por sua cabeça, novamente dobrando as mangas e colocando um moletom por cima, somente puxando pra cima de suas mãos estranhamente grandes pro seu corpo.

— Prontinho. — Eu disse, sorrindo grande e sendo retribuído com um sorriso sem mostrar os dentes.

Sentamos todos em roda no chão e Jeongguk veio com um Cup Noodles e um par de hashis. Os olhos da criança brilharam quando ele o recipiente, logo depois ele fechou os olhos e inspirou bem fundo, sentindo o cheiro... da comida, provavelmente. Depois ele percebeu quem estava segurando e ficou claramente temeroso, pela grosseria que Jeon havia lhe falado anteriormente.

— Desculpa, okay? Agora coma antes que esfrie. — Ele disse, sem muita paciência mas se esforçando pra ser simpático.

A criança pegou tudo com o máximo de cuidado e começou a comer de maneira afobada.

Todos nos entreolhamos, criando silenciosamente teorias sobre aquele menino. Tínhamos tantas perguntas pra fazer… mas decidimos aguardar ele terminar pra tentar conversar.

Eu ainda estava encucado com a falta de palavras daquele garoto. Da onde ele tinha vindo? Como ele achou nosso lugar? Tinha algo muito estranho acontecendo.

O silêncio desconfortável não foi percebido pelo pequeno, já que continuou comendo com muito gosto, claramente satisfeito e feliz. Quando ele finalmente terminou, respirou fundo e limpou a boca com a manga do moletom, olhando pra todos nós decidimos tentar conversar.

— Então… — Namjoon pigarreou. — Qual é seu nome?

Ele parou por um segundo, pensativo, depois levantou o indicador como se tivesse lembrado de algo e levou as mãos até o colar em seu pescoço. Como minha teoria, era uma caixinha mesmo, ele a abriu e tirou de lá um papelzinho, entregando para o mais alto. Joon fez questão de ler o bilhete em voz alta:

— “Meu nome é Kim Taehyung e eu tenho 7 anos. Eu tenho uma condição, eu sou mudo, mas sei ler e escrever, caso precise falar comigo. Não tenho papai nem mamãe, eu morava num lugar ruim mas uma tia legal me libertou. Eu sou inofensivo, mas passei por coisas ruins, então tenha paciência comigo.” — Namjoon ofegou, em choque. Era uma caligrafia bonita, provavelmente escrita por uma mulher. Ele era órfão, era provável que tivesse vindo de um orfanato religioso, baseando pela suas roupas. Os roxinho que eu vi me faziam ficar ainda mais indignado com a situação, ele tinha sofrido maus tratos! Fiquei irritado pela irresponsabilidade da mulher de deixar uma criança muda vagar por aí sozinha, mas pensando pelo outro lado talvez dentro daquele lugar fosse ainda pior, me senti feliz de ele ter alguém que cuidou dele. Depois de Namjoon se recompor, tirando as mesmas conclusões que eu, ele deu um sorriso. — Então acho que precisaremos de lápis e caneta.

Taehyung bateu palmas, feliz de termos entendido.

 

[...]

 

Ele tinha finalmente dormido no sofá, Taehyung. 

— Vamos ficar com ele? — Perguntei em voz alta, olhando o fogo aceso no latão. 

— Ele não é um cachorro. — Hope me repreendeu, esfregando as mãos. — E eu particularmente não vou ter coragem de pedir pra ele ir embora, ele tem 7 anos de idade, provavelmente fugiu de um orfanato e sabe Deus como está vivo agora. Não quero deixá-lo sozinho.

— Eu concordo. — Jeon disse, o que era estranho sendo que ele não fala muito.

— Sozinho nesse frio não sei como ele não congelou. — Eu divaguei.

— Então acho que não temos escolha a não ser cuidar dele. — Namjoon concluiu, suspirando. Depois de um tempo em silêncio, ele voltou a falar baixinho. — Não sei se tenho dinheiro pra mais um.

Eu sabia do que ele estava falando. Ele praticamente sustenta nós 3, já que nenhum de nós conseguiu um emprego e adicionar mais alguém na lista de dependentes iria dificultar as coisas.

— Posso pedir mesada pros meus pais, não acho que eles negariam algo pro filho com câncer, e eles são ricos mesmo. — Gguk comenta, num tom de voz monótono na tentativa de parecer indiferente.

— Eu posso tentar arrumar algum bico. Sei cortar cabelo e cuidar de jardim, alguma idosa vai ignorar a confusão de gêneros que eu sou e aceitar o serviço. — Hope diz, parecendo mais confiante do que suas palavras fizeram parecer.

— Eu cuido do Tae, acho difícil aceitarem trabalho pago de um negro mesmo. 

Todos suspiramos em conjunto. Que merda.

— Okay, podemos tentar. — Namjoon disse, tentando parecer esperançoso.

Não queria parecer ingênuo mas eu estava estranhamente confiante também. Aquela criança tinha acendido em mim algo que eu não sentia fazia tempos.

— Preciso acordar cedo amanhã, boa noite. — O mais alto disse, deitando em um colchão.  Jeon assentiu - aquela foi sua forma de dizer boa noite - e deitou em outro colchão.

Fiquei ali mais um tempo olhando o fogo. Hope eventualmente beijou o topo da minha cabeça e foi deitar.

Eu queria fazer o possível pra Taehyung ter uma vida melhor do que a minha. Ele é apenas uma criança e já teve que lidar com mais coisas do que posso imaginar. Gostaria que ele pudesse voltar para a escola, ter mais oportunidades do que a maioria de nós, mas acredito que sua mudez e falta de origem seriam grande fonte de problemas e mais traumas. Crianças podem ser muito cruéis quando querem. Então é confuso e injusto que ele, apenas um garotinho, tenha que passar por todas as coisas. É injusto aliás que todos nós tenhamos que passar por coisas assim, não existe saída mais fácil para a nossa situação.

Mas parei de entender os limites da justiça a muito tempo atrás.

Pensar demais estava começando a me dar dores de cabeça, então fui dormir.

 

[...]

 

— Consegui um emprego na biblioteca municipal. — Hope entrou no galpão fazendo barulho com a porta que range e gritando, animada com a notícia.

— Parabéns Hope! — Namjoon disse, parando momentaneamente de fazer contas em seu caderninho. Taehyung, que estava sentado no balcão da cozinha, desenhando com uma das folhas que Namjoon tinha lhe emprestado e ainda  vestindo minhas roupas, bateu palminhas entendendo que era uma coisa boa.

— E já que não tem lá muitas coisas pra fazer naquele lugar, comecei a ler um livro sobre libras. — Ela disse, puxando o livro da mochila.

Parei pra analisá-la melhor e seus cabelos ruivos estavam presos num rabo de cavalo baixo. Ela usava uma regata magenta com uma blusa de zíper cinza por cima e estava com uma saia preta que chegava até seus pés, que no caso é a coisa que ela mais vêm usando de uns tempos pra cá. Ela usava aos mesmos coturnos encardidos de sempre. Ela também começou a passar uma coisa preta nos cílios, acho que é chamado de rímel… ou é delineador? Não me lembro... Também não faço ideia onde ela conseguiu aquilo, mas ficou incrivelmente bom nela, nunca tinha visto coisas assim antes, jamais havia reparado na verdade.

— O que diabos é libras? — Jeon perguntou, ouvindo música em seu walkman e aproveitando os dias longe de sua família. Ele estava com uma máscara no rosto e luvas que deixam a pontas dos dedos de fora. Seu cabelo um pouco mais longo que o necessário e fino, ficava preso próximo a sua cara pela touca vermelha que ele usava, assim escondendo boa parte do seu rosto.

— A linguagem de sinais, sabe? Pra pessoas surdas e mudas. — Ouvindo a última palavra proferida, Taehyung levantou a cabeça, estalando os dedinhos e apontando pra si mesmo, com os olhinhos arregalados. — Sim, Taetae, como você. — Ela riu, se aproximando e afagando a cabeça dele.

— Linguagem? — Pergunto, porque nunca tinha sequer ouvido falar disso.

— Sim, existe uma linguagem usada por pessoas com essas deficiências, onde são usados sinais feitos com as mãos. É mais simples, rápido e prático do que escrever tudo. — A moça explicou. Tae abriu um sorriso quadrado e olhou as próprias mãos, como se admirasse o que pode fazer com elas. — Aliás, acho bom todos aprenderem, Taehyung não pode se comunicar sozinho né?

Ela sorriu pra ele, que acenou com a cabeça fervorosamente.

— O que vocês acham de irmos pra praça? — Namjoon disse. — Lá talvez Hope possa nos ensinar o alfabeto.

Todos concordamos e depois de nos agasalharmos o suficiente, saímos do galpão e andamos até a praça.

A princípio, não achei que fosse ser uma boa ideia. Sabe, essa cidade é pequena e o único lugar para famílias aproveitarem os fins de semana juntas era essa praça. Existiam sim outras praças mas as pessoas pareciam preferir coisas próximas à suas casas. Em outras palavras, locais lotados não eram pra pessoas como nós. Já cheguei a ser expulso de lugares assim, e as pessoas ficam olhando e julgando, deixando o lugar impossível de ficar. Porém aquele dia foi diferente. Taehyung pegou minha mão instintivamente e andava quase saltitando. Ele estava feliz e seus olhos brilhavam de empolgação ao ver as árvores sem folhas e os pássaros voando.

O clima parecia mais leve entre todos nós. Apesar das coisas serem boas normalmente, sair não trazia boas lembranças a ninguém. A presença da criança deixava as coisas diferentes, a preocupação com ele nos fazia esquecer nossos próprios problemas e dificuldades e focar no seu bem estar, porque além de ser apenas uma criança, ele também tinha sofrido coisas que jamais conseguiríamos imaginar, e nem teríamos coragem de perguntar. Era melhor não remoer essas memórias de qualquer forma. E Taehyung parecia tão leve, como se nada antes daquele exato momento importasse, como se seu passado não o afetasse e somente seu presente merecesse atenção. Era aliás uma mentalidade que todos deveríamos ter, parecia lhe fazer muito bem.

— Hey, Tae. — Namjoon o chamou. — Vem cá.

Confuso com o chamado, o menino foi até ele e foi surpreendido quando duas mãos gigantes levantaram seu corpo e Joon o colocou sentado em seu pescoço. Ele riu - obviamente sem emitir nenhum som - e abraçou o maior com seus braços, descansando seu queixo na cabeça do outro, demonstrando sua felicidade com o gesto.

Agradeço os céus por Taehyung ser uma criança tão expressiva.

Chegando lá, sentamos todos na sombra da árvore e o garotinho automaticamente tirou seus sapatos, mesmo no frio, e colocou seus pés na grama, mexendo seus dedos de forma engraçada, como se apreciasse a sensação.

Depois de se perder em seu próprio mundinho, ele virou pra nós e começou a mexer as mãos.

— O que foi, nenê? — Hope diz, tão confusa quanto nós.

— Você quer ir embora? — Namjoon pergunta, preocupado. 

Ele se frustra um pouco, mas logo aponta pros próprios pés.

— Seu pé ta doendo de tanto andar? Mas a gente mal andou. — Tentei adivinhar.

Ele negou de novo, bufando. Então franziu a testa, pensando em alguma coisa. Logo depois ele engatinhou até Jeongguk muito rápido, lhe dando um susto. Ele agarrou seu pé com uma força descomunal e puxou, fazendo com que Jeon batesse minhas costas no chão, o que arrancou risadas minhas e dos dois.

— Ei ei ei. — O garoto exclamou. Mas ele já estava desamarrando os tênis e os retirando, junto com as meias. Depois disso ele colocou os pés de Jeongguk na grama e olhou pra ele, como se dissesse “Viu, como é bom”.

— Acho que ele quer que a gente sinta a grama com nossos pés. — Namjoon disse, mirando os pés do mais novo. Taehyung olhou pra ele e assentiu, tão rápido que por um segundo achei que sua cabeça ia sair voando. 

Fui o primeiro a desamarrar meus tênis, recebendo um sorrisão. Ele se ajoelhou e foi um pouco pro lado, dando espaço pra Jeon e olhando atentamente enquanto todos nós tiramos nossos sapatos.

— É realmente bom. — Jeon disse baixinho, parecendo realmente afetado com o gesto. Eu sabia que ele tinha medo, todos os dias, de estar fazendo as coisas pela última vez na vida. Dessa forma, ele ficou quieto, mexendo de leve os dedos, fechando brevemente os olhos e quando voltou a abrir, estava com um olhar diferente, nostálgico nos olhos. A menina, também sabendo das condições complicadas do garoto, o abraçou de lado, acariciando seu braço.

— Então Noona, a linguagem de sinais. — Eu falei, esfregando as duas mãos, aquecendo-as.

— Ok. — Ela cruzou as pernas e endireitou as costas. — O alfabeto é a coisas menos usada, na verdade, já que a maior parte das coisas tem seu próprio sinal, tipo “fome” — Ela passou a mão espalmada em sua barriga. — Ou “ boa tarde” — Ela juntou os dedos dos lábios depois afastou, enquanto abria a mão. Em seguida aproximou a mão dos lábios novamente e juntou apenas o dedo do meio e o dedão, afastando novamente da boca. — Maaaas, pra vocês irem se acostumando, vou começar com o alfabeto.

Taehyung bateu palminhas, muito empolgado.

— Tae, quando você não entender e quer que eu repita, só fazer isso. — Ela fez o movimento e ele copiou. — Espera, você tava aprendendo ou realmente não entendeu?

Isso arrancou risadas de todos nós, ela não tinha jeito mesmo. Ele apenas riu, do seu jeitinho e fez um positivo com a mão, mostrando que entendeu.

— Eu esqueci o gesto pra “Entendi”, mas um jóia funciona. — Ela piscou um dos olhos para o menininho, que pareceu muito feliz.

Depois disso ela ensinou, a cada um de nós, as letras do alfabeto. A letra “a” com os 4 dedos fechados e o dedão reto, colado ao indicador; A letra “b” com o dedão na palma da mão e os outros dedos esticados pra cima e assim por diante. Namjoon não levava muito jeito pra coisa, se atrapalhava com certa frequência e sempre levantava o dedo errado ou girava o pulso ao contrário. Jeon desistiu uma hora, subitamente irritado, Hope não o obrigou a continuar mas ele recebeu “O olhar”. Eu precisei me preocupar comigo e com o pequeno Tae, que não parecia lembrar sempre do nome de cada dedo, olhando pra sua própria mão com confusão, girando seu pulso tentando entender, eu não tive muita dificuldade, apesar de não ser o melhor em decorar (metade do alfabeto já tinha saído voando da minha cabeça) 

Depois ela nos ensinou a soletrar nossos nomes e disse que anotaria e desenharia tudo numa folha, pra que treinássemos no tempo livre. Então, explicou que, quando se sentisse seguro, Taehyung podia escolher um gesto específico para se referir a nós, como se fosse um apelido, e que isso era comum no meio. Ele assentiu, sério dessa vez, provavelmente concentrado em fazer toda aquela enxurrada de informação gravar em seu cérebro.

Era hora do almoço quando ela deu a aula por encerrada e Gguk teve que ir pra casa - aparentemente seus avós iriam almoçar na casa dele - e o resto de nós foi pra casa.

A gente estava tentando manter uma alimentação melhor do que bolacha e miojo, por Taehyung. Ele merecia mais que migalhas. Mas isso nos fez perceber como é difícil e caro comer coisa decente, confesso que tive que passar a mão em algumas frutas da feira e em algumas carteiras de pessoas distraídas - quase fui pego algumas vezes, tive que como se minha vida dependesse disso, porque dependia, mas tudo bem - e briguei com Namjoon por causa disso. Ele me perdoou meia hora depois, quando eu comecei a chorar e no fim descobrimos que a fruta preferida de Taehyung é maçã. 

Depois que Hope escreveu parte das aulas em papel, eu comecei a treinar com Taehyung enquanto Jeon estava no colégio e os outros dois trabalhando. Porém eu não era um professor lá muito bom, já que eu mal sabia ler e escrever e a gente não tinha paciência um com o outro, então no geral nós aprendíamos juntos, sempre desistindo com uma grande facilidade. Nessa rotina, conheci Tae muito mais, fazendo com que eu interpretasse suas reações bem mais fácil. Ele às vezes ficava muito quieto e triste, às vezes me ignorava e quase rasgava o papel com o lápis, às vezes me puxava por todos os cantos e no fim eu tinha que dar pelo menos uma volta na quadra com ele, pra ele sossegar, às vezes ele estava insuportável e ficava puxando meu cabelo - nessas ocasiões eu gritava com ele e ele continuava cutucando minhas costelas pra me fazer cócegas até que eu imobilizasse ele e o enchesse de cócegas - e tinha vezes que ele estava carente e carinhoso, ficava aninhado ao meu colo por várias horas, até adormecer.

— TAEHYUNG VOLTE AQUI, TIRE ESSA CUECA DA CABEÇA, TÁ MALUCO? — Ele estava nu, molhado e correndo pela sala. Respirei fundo, contei até 10 e corri atrás dele.

Então a gente estava se acostumando com a presença um do outro. Eu dificilmente saía pra vasculhar com ele junto, já que era perigoso. Nunca pensei que precisaria cuidar de uma criança mas me fazia muito bem, estar ocupado me fazia pensar menos, logo eu não ficava remoendo coisas desnecessárias. 

Os dias passavam lentamente e isso já não era uma coisa ruim.

 

[...]

 

Estávamos esparramados pelo chão, cheios de preguiça e tédio. Eu estava deitado com as pernas e braços abertos no chão, Namjoon estava confortável em seu sofá e Hope e Jeon estavam dividindo um colchão, antes de Tae se espremer entre os dois e eles ficarem desse jeito. Os três estavam conversando.

—  Não achei que fossemos conseguir aprender libras. — Jeon comentou.

— Depois que você pega o jeito, não é tão difícil. — Hope responde, olhando para Tae que parecia estar dormindo, com os olhos fechados.

— Eu ainda me confundo quando tem que girar o pulso, porque tem vezes que gira pra dentro, vezes que gira pra fora…

— Acho que isso vem com a prática, de você usar o gesto com mais frequência.

— Entendendo o que o Taehyung diz, por mim tudo bem. — Jeon aparentemente estava sensível naquele momento.

— Fiquei surpresa do Tae ter tanta facilidade em aprender, achei que fosse demorar mais pra construir frases inteiras. — Hope falou.

— Deve ser por que ele é criança, normalmente elas aprendem mais rápido. — Namjoon comentou, entrando na conversa. Eu sabia que ele não estava dormindo porque ele ronca muito alto, é inconfundível.

— Também achei que ele fosse ter problemas em… controlar os próprios dedos, já que ele tem a mãozinha grande né…

Quando ela disse isso, Taehyung levantou com um pulo, seus olhos arregalados, as mãos juntas pressionadas no peito e lágrimas rolando de seus olhos.

Ele parecia ofendido, muito triste e já estava soluçando.

Levamos um susto, quando olhei para Hope seus olhos estavam marejados. Todos levantamos, ficando em alerta. Namjoon já olhou para a porta, com medo do menino fugir. Jeon gaguejou alguma coisa, mas desistiu de falar. 

— T-tae. — Ela levantou e tentou se aproximar, mas ele negou com a cabeça e chorou mais, recuando até a parede. — M-me desculpa, bebê, n-não foi isso que eu quis dizer. 

Ele começou a se engasgar com o choro, se afastando dois passos toda vez que ela avançava um. Quando ela tentou encostar nele, o garoto se debateu, a estapeando e recuando ainda mais rápido, com os olhos fechados. Ele negava com a cabeça freneticamente, como se quisesse se convencer que não era aquilo, ou talvez negando a aproximação dela, era difícil decifrar. A menina também começou a chorar, se encolhendo, puxando os cabelos e tentou falar alguma coisa, sem sucesso. Tae escorregou suas costas na parede, sentando no chão.

Andei até Hope, abraçando ela de lado.

— Ei, respira. — Sussurrei no ouvido dela. — Ele vai te perdoar, mas você precisa falar com ele, se acalma.

Ela assentiu, secando as lágrimas e olhando a criança escondendo a cabeça entre os joelhos, suas costas balançando com os soluços. Hope foi até ele e sentou em seu lado, fungando um pouquinho.

— Taetae, suas mãos são lindas. — Ela não encostou nele, mas estava bem próxima. — Elas são fofas e incríveis, fazem de você quem você é, e você é incrível. — Ela limpou as lágrimas do próprio rosto com a manga da blusa. — Não falei delas querendo te magoar, juro, eu estava preocupada de todo mundo ter dificuldade em aprender, o que é normal, mas você é tão inteligente que aprendeu super rápido, eu fiquei tão orgulhosa. 

Ele tinha parado de chorar, só estava com o rosto escondido pelos braços, porém parecia estar claramente ouvindo.

— Você me desculpa? Foi um mal entendido, eu juro que não quis te ofender.  — Ela baixou a voz. Suspirou, tentando pensar em algo que pudesse fazer o pequeno perdoar ela.  Então cutucou o braço dele levemente e quando apenas um olhinho dele apareceu, a olhando, ela demonstrou uma expressão de arrependimento e fez o sinal de “desculpa”. — Eu te amo, meu pequeno, você é perfeitinho da cabeça aos pés, eu não quis te magoar.

Hope abriu os braços, pedindo um abraço. Tae olhou para baixo e depois se jogou na menina, que deixou algumas lágrimas rolarem. Eu próprio soltei a respiração que nem tinha percebido que tinha prendido, aliviado por nada pior ter acontecido.

— Vamos lavar o rosto? — Ela sugeriu para ele, fungando um pouco e com o rosto vermelho. Ele assentiu e ambos foram ao banheiro de mãos dadas.

— Criança esperta. — Jeon disse, parecendo estar um pouco triste de estar participando da conversa que gerou a briga.

— Vocês não tinham como saber que ele estava acordado, não se culpe por isso. — Namjoon o confortou, com a voz mansa. 

Ele suspirou, assentindo.

Quando Hope saiu do banheiro decidimos comer uma das pizzas congeladas de emergência, para melhorar o clima. Tae ficou quietinho, o clima estava um pouco pesado, mas Hope já havia renovado sua energia natural e animou o lugar.

No fim, os dois dormiram abraçados, Taehyung com a cabeça enterrada no peito da mulher, que acariciou seus cabelos até que ambos dormissem.

Só após ter certeza de que ambos estavam dormindo que o resto de nós conseguiu descansar. 

 

[...]

 

Jeongguk estava irritado com seus pais, que haviam gasto dinheiro desnecessário com ele, em mais um de seus presentes. Eles tinham comprado um… video game. Eu não tinha a menor ideia do que era aquilo, mas parecia de fato bem caro. Hope conhecia a tal coisa, eles falaram até o nome, alguma coisa com N, e Namjoon já tinha ouvido falar. Eu e Taehyung ficamos curiosos, eu não me pronunciei mas o pequeno cara de pau pediu pra Gguk pra ver o que era. Ele fez isso em libras, aliás, já montando frases “Jeongguk, eu poder ver por favor” e eu descobri que as frases eram montadas dessa maneira estranha aí, o que fazia muito mais sentido do que tempos verbais. Tae já havia escolhido o gesto de Jeon, que era colocar as duas mãozinhas em cima da cabeça e mexer 2 vezes, como se fossem orelhas de coelho. Zoei ele o suficiente pra levar um chute na bunda.

Jeon, que também estava conseguindo entender a linguagem bufou mas no fim disse que sim. Disse que poderíamos dormir lá aquela noite, já que seus pais só voltavam no final de semana.

Eu era o único que já tinha pisado lá, então todos ficaram animados com o convite. Logo depois do expediente do Joon acabar fomos andando até lá.

Estava da mesma forma que vi da última vez, quando entramos Tae foi correndo explorar, mas com as mãos entrelaçadas atrás das costas, mostrando que não ia encostar em nada.

— Eu coloquei lá no meu quarto, não gosto de ficar aqui. — Jeon falou, apontando pras escadas.

— Como é o nome do negócio mesmo? — Perguntei, evitando encostar nas paredes enquanto andava.

— Nintendo NES. — Ele falou difícil de propósito, zoando comigo e falando de uma forma engraçada.

— Legal, agora fala minha língua, hyung. — Dei um soquinho no braço dele. Bobão.

— É tipo um programa de TV, só que é você quem controla o personagem do desenho, ele não se mexe sozinho. — Ele explicou. Que tipo de viagem doida é essa? 

— Mas que merda…? — Namjoon disse baixinho, pra não ensinar palavrão pra criança. Hope estava distraída olhando os quadros na parede, que eu não tinha reparado da última vez, mas tinham várias fotos de Jeon criança, junto com seus pais ou sozinho. Taehyung olhava para os degraus e subia lentamente, com medo de cair provavelmente, já que ele estava meio pendurado no corrimão.

Quando chegamos no quarto de Jeongguk, a primeira coisa que o mais novo fez foi se jogar na cama. Confesso que fazia muitos anos que eu não via uma cama de verdade e ela parecia extremamente confortável, então não o julgo. 

— Seu quarto é lindo, Gu. — Hope falou, dando um giro pra olhar o máximo que podia. Às vezes eu esquecia que Hope e Jeongguk tinham a mesma idade e não precisavam de honoríficos, a Noona parecia tão mais velha e o Hyung cada vez mais novo, por estar muito magro.

Namjoon e eu nos olhamos, compartilhando o mesmo “uau” só com o olhar, ambos encabulados de entrar no quarto que parecia brilhar de tão limpo. Joon hyung me entendia, aquela coisa de não querer encostar, com medo de levar uma bronca que provavelmente não chegaria, mas tal medo vivia dentro da gente, por viver tempo demais sendo olhados com nojo e repugno.

— O que exatamente é o tal video jame? — Eu perguntei, olhando e vendo diversas possibilidades no quarto, chutei por coisas que eu nunca tinha visto, mas nenhuma parecia certa.

— É game. — Namjoon me corrigiu, se inclinando pro meu lado.

— É, isso aí. — Repliquei, com um pouco de vergonha de ter errado.

— Isso aqui, meus amigos, é um video game. — Jeon apontou pra uma parada que estava embaixo da televisão.

Uma… caixa? 

— Hmm… — Não tive palavras pra descrever minha confusão.

— Uau, nunca tinha visto um tão de perto. — Hope disse, se aproximando e passando o dedo levemente em cima da parte branca, pra olhar com os dedos. Tae andou agachadinho em direção a mais velha e passou seu dedo minúsculo igual ela fez, só que mais lento ainda. Bobinho.

Jeon então apertou o botão pra ligar a TV e fez alguma coisa com a caixa que eu não consegui ver, ai a tela ficou azul, ele apertou uns botões e fez umas paradas lá e de repente a tela ficou colorida e as coisas piscaram.

É lindo.

Ele colocou uma mini caixa dentro da caixa, as coisas na TV mudaram de novo e aparentemente o que ele apertava naquele controle de lado fazia a coisas da televisão mexerem, mas de uma forma diferente do normal. Gguk chamou Taehyung com a mão, enquanto sentava no chão. A criança sentou entre suas pernas rapidamente, surpreendendo o Jeon.

E aí ele pegou os dedos de Tae e pressionou os botões do controle de lado que era conectado na caixa por um fio. Aquilo fez mexer os negócios na TV. Taehyung soltou as mãos e gesticulou, “o que você está fazendo?”. Essa e “Por quê?” eram as perguntas mais frequentes do pequeno Kim, então todos já entendiam sem pensar muito.

— Selecionando um jogo pra gente jogar. — Ele respondeu. Abriu uma caixinha e tirou de lá uma fita, acho que era esse o nome, e colocou ela lá dentro da caixa video game. Acredito que minha cabeça se inclinou para o lado em confusão igual a da criança, porque aquilo não fazia lá muito sentido, seria tipo escolher a caixa do jogo de tabuleiro?

Continuei observando tudo aquilo.

— Que jogos tem aí? — Namjoon perguntou, com as costas apoiadas num baú.

Aí eles entraram na conversa sobre o jogo mas eu não dei atenção, meu foco estava todo na tela se mexendo, o conceito parecia bem simples mas ver acontecer era algo incrível e Tae compartilhava da mesma opinião, já que ele gesticulou exatamente isso pra mim. Gesticulei de volta que era sim incrível, mas que não estava entendendo nada, ele riu e balançou as pernas, ansioso. 

— Vem aqui Tae, vou te ensinar. — Jeon chamou e o menino foi engatinhando rápido até ele. Na tela tinha um macaco e várias prateleiras, ele tava jogando coisas pra baixo. — Olha, você é aquele bonequinho ali embaixo, você tem que chegar até lá em cima sem ser acertado pelos barris. — Taehyung assentiu, mas não se moveu, apenas olhando pra tela. — É… você faz isso com o controle.

Fazendo uma cara tipo “Oh!” Tae pegou o controle das mãos do mais velho e experimentou mexer nos botões. Ele fez umas coisas erradas, desajeitado como era e sem saber muito bem o que fazer mas em menos de 15 minutos ele estava vidrado na tela, nem piscava de tão concentrado, mexendo os dedos como se fizesse aquilo a anos.

Como crianças aprendem rápido.

Tae ficou meio emburrado de ter que dividir o controle com os outros, ele queria continuar brincando pra sempre, mas logo passou a se divertir assistindo também.

Na minha vez, bem, eu tive mais dificuldade que o menino para aprender, perdi diversas vezes e fiquei ainda mais frustrado, tendo que ser consolado pelos outro. 

As coisas ficaram mais interessantes quando ele trocou a “fita” de dentro do video game e colocou um com uns carrinhos fazendo corrida. Ele falou que era o jogo do Mario, mas eu não sabia quem era esse então fiquei quieto.

Bom ele tirou mais um controle de sei lá onde e aí passamos a jogar de 2 em 2 mas éramos todos extremamente competitivos, passamos a gritar um com os outros e Tae chegava a ficar de pé e sapatear.

— VAI VAI VAI VAI VAI. — Hope mexia o corpo junto com seu personagem, como se aquilo fosse fazer alguma diferença. 

— AH, NÃO VAI. — Namjoon gritou. Fiquei surpreso com quão eufórico ele ficou, sendo sempre tão tranquilo. Acredito que foi um medo geral ele esmagar o controle com aquelas mãos enormes, mas ele levava jeito em mexer só os dedões, apesar de às vezes apertar um botão próximo sem querer, o fazendo perder.

Tae estava sapateando como se ele próprio estivesse correndo e não o carrinho.

— NAMJOON VIRAAAAA. — Eu gritei, puxando meu corpo pro lado da curva inconscientemente.

— HOPE CUIDADO COM A BOLA. — Jeongguk apontou pra tela. Uma coisa engraçada desse jogo é que eventualmente os personagens podiam tacar coisas um no outro, inclusive uma bola enorme que fazia você desacelerar. Aquela bola Namjoon que tinha jogado.

— AHAAAAA. — Ele gritou, quando passou na frente dela e ficou em primeiro lugar.

— NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO. — E no fim ela perdeu. Tae se jogou no chão - ele estava torcendo pra ela - e ela se jogou do lado, o cabelo escondendo o rosto. Jeon colocou as mãos no rosto, ele também estava torcendo pra ela.

Eu e Namjoon por outro lado gritamos em delírio e ele me deu um abraço de urso que me deixou sem ar de maneiras preocupantes. Depois fizemos dancinhas da comemoração e jogamos na cara deles o quanto éramos melhores (só Namjoon era, eu era é bem ruim, mas eu tratei a vitória dele como minha porque éramos um time).

Quando fizemos uma pausa e Jeon e Hope foram buscar alguma coisa pra nós comermos, deixamos Taehyung jogando alguma coisa que não me preocupei em prestar atenção sozinho, aquilo serviu pra deixar o menino quieto por um longo tempo, algo que eu não estava nada acostumado.

Ele não quis nem comer, se recusando a parar de jogar. Eu acabei abrindo a boca dele e lhe dando comida enquanto ele não desviou o olhar da televisão. 

Mas o real problema foi quando precisamos ir embora. Eu já não tinha paciência pra lidar com a birra de Taehyung e deixei isso com Hope e Namjoon. O mais velho precisou pegar a criança no colo, Jeon tirou a televisão da tomada e a mulher não parou de conversar com ele um instante, tentando o convencer a ir conosco, ele não ia poder dormir ali com Jeon.

Depois de meia hora de luta saímos com uma criança emburrada presa aos braços do tatuado, se recusando a olhar pra qualquer um. Nos despedimos de Gguk e fomos andando até o galpão. Hope precisou dar uma bronca em Taehyung, levantando um pouco a voz com ele e indo um pouco atrás com ela, precisei conversar com ela o caminho todo pra que a coração de manteiga não chorasse por ter sido tão dura com o “bebê”. Eu o amava mas as vezes ele merecia umas broncas dessas, estávamos criando ele afinal.

Chegando em casa e fazendo algumas piadinhas ele voltou a rir daquele jeitinho dele e dormiu abraçado com Hope.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado!
Até o próximo capitulo.


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