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História Dérive - Capítulo 13


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Notas do Autor


Oi bebês, tudo bom? Tia Vit chegou. Espero que vocês gostem desse capítulo porque eu sou apaixonada nele. Ah, e o próximo (que talvez saia na segunda...) vai ser na visão do James, quero mostrar um pouquinho do outro lado da história também. Bom, chega de falar, vamos ao capítulo.
Boa leitura!

Capítulo 13 - 13 - Guarda Baixa


Oh, é assim que começa, um raio atinge o coração

Dispara como uma arma, mais brilhante que o Sol

Oh, nós poderíamos ser as estrelas, caindo do céu

Brilhando como queremos, mais brilhante que o Sol

- Brighter Than The Sun, Colbie Caillat

— Não, mãe, eu não estou queimando nada... — Eileen respondeu em português para Rosana do outro lado do iPad que estava sobre a bancada, analisando seus movimentos em frente ao fogão — ...e não é nada importante, só vou jantar com um dos meninos da Juventus, ele quer alguns treinos extras, e não é como se eu realmente tivesse muita coisa para fazer em Turim, então por quê não?

— E eu posso saber quem é o rapaz? Não, melhor, deixe-me adivinhar, é o Cris? — a brasileira recebeu um aceno negativo como resposta, levando o indicador aos lábios, pensando um pouco mais — É o Douglas?

— Não, dona Rosana. Não é o Cris, e também não é o Douglas. É o Dybala, você sabe, o de cabelo clarinho e de olho verde. — suspirou, virando a caixinha de creme de leite na panela.

— Um argentino, Eileen? Sério? — a mais velha parecia levemente desapontada — Eu entendo essa sua afeição natural por garotos sul-americanos, mas um argentino? Um colombiano já não era suficiente? Tudo bem que ele é bonitinho e tem aquela carinha de bebê, mas ser da Argentina é demais para mim.

— Mãe, pelo amor de Deus, eu não estou pedindo ninguém em casamento. É só um jantar de negócios, além disso, eu sei bem que a senhora namorou com um argentino antes de conhecer o papai. — sorriu vitoriosa ao ver a neurologista revirar os olhos — E ele é uma graça, você iria adorá-lo de primeira. É idêntico a você no quesito personalidade: irritante, teimoso e o passatempo favorito é “pegar no pé da Eileen”. Ele é... como eu posso dizer? Ele é como um Golden Retriever humano, doce mas ao mesmo tempo ligado no duzentos e vinte.

— Oh, vida! Oh, céus! O que foi que eu fiz para merecer uma filha que defende um argentino com tanta garra? Hans, você está ouvindo o que essa menina está falando? — passando a mão pelos cabelos, Rosana cutucou o marido que estava sentado ao seu lado no sofá.

— Sim, Meine Liebe, eu ouvi. Oi, Mäuschen, como você está? — acenou, sorrindo gentilmente para a filha — Não liga para a sua mãe, você sabe como ela é quando se trata de levar as rivalidades do futebol à sério, só não me odeia depois do sete à um porque felizmente eu sou lindo demais e ela jurou na igreja que iria me amar para sempre.

— Oi pai. — riu da fala do mais velho — Eu estou bem, e vou ignorar tudo o que ela disse porque eu tenho certeza que quando vocês vierem me ver ela vai adorar conhecer o Paulo, exatamente igual ela fez quando conheceu o Messi.

— Eu não tenho dúvidas, mas me diz, você e esse garoto estão... — deixou o final da frase em aberto, apenas franzindo o cenho com um sorrisinho lateral.

— Não, por Deus, eu não tenho nada com ele! Ele só é meu vizinho e jogador do meu clube. Nada além disso. Vocês precisam parar de achar que só porque eu trabalho o dia todo no meio desses bonitões eu estou afim de todos eles. Tudo que eu não quero é mais um relacionamento com algum deles, admiro quem consegue aguentar. Se a complicação pudesse ser comprada eu tenho certeza que viria num frasco em formato de jogador de futebol — reclamou de maneira exasperada.

— Que pena, eu ia adorar ver a cara da sua mãe se você dissesse que está com esse garoto. — Hans fingiu desapontamento — Mas você sabe, não dá para negar os instintos, querida. Logo você aparece com mais um jogador e eu vou rir na sua cara, desde pequena você sempre foi, como é que se diz no Brasil...

— Maria chuteira! — Rosana riu, fazendo a filha revirar os olhos.

— Isso! Desde bem pequena você sempre adorou os garotos que andavam para lá e para cá com uma chuteira e uma bola embaixo do braço. — acompanhou a esposa na risada para desgosto de Eileen.

— Fala sério, não acredito que eu tô ouvindo uma coisa dessas essa hora. — chacoalhou a cabeça de um lado para o outro — Se eu sou “Maria chuteira”, vocês dois são belíssimas “Maria bisturi”.

— Você não é legal como a gente, sua tentativa de piada foi recusada. — a mãe mandou um beijo no ar — Agora olha esse estrogonofe porque vai talhar se não desligar o fogo.

Eileen mexeu-se rapidamente para retirar a panela de cima do fogão enquanto ouvia a mãe e o pai de fundo reclamando sobre ela ter jogado muito pouca salsinha na mistura cremosa.

Quando finalmente conseguiu organizar tudo na mesa de jantar e colocar um moletom lilás sobre o short de malha preto e o top de academia da mesma cor, voltou para a bancada enquanto a mãe ensinava uma receita de mousse de morango que até o final do jantar ficaria perfeito como sobremesa. Não era o melhor e mais saudável dos jantares, mas tinha certeza que Paulo iria adorar.

E foi pensando no atacante que o interfone tocou, não precisando de muito para saber quem era. E enquanto o pai enumerava cada um dos motivos que o fazia torcer pelo argentino, liberou o acesso do rapaz, que sem saber da chamada com os pais, apenas entrou na sala de Eileen reclamando:

— Pelo amor de Deus, eu estava me sentindo um puto esperando você abrir o portão ali na calçada, graças aos céus ninguém passa nessa rua, imagina se perguntam quanto é o programa? E não atende o telefone mais não? Demorei um século para enxergar o interfone lá fora, já pensou em trocar a lâmpada da fachada que queimou?

Com os olhos arregalados e o iPad nas mãos, Eileen não teve tempo de avisá-lo da presença virtual do casal Dener antes de Rosana cair na gargalhada com Hans.

— Mãe, pai, esse é o Paulo. — virou na direção do jogador — Paulo, esses são meus pais, Hans e Rosana Dener.

Parando abruptamente, Paulo encarou Eileen com surpresa, não sabia que ela estava conversando com os pais.

— Eileen, esse garoto é ainda mais bonito olhando de perto — a mãe falou em espanhol, apenas para fazer a filha passar vergonha — Olha só para ele, parece uma escultura grega!

— Mein Gott, mãe! — sentiu o rosto queimar, ficando completamente ruborizada.

— A-ah, obrigada. — coçou a nuca — Olá, senhor e senhora Dener. E-eu sou Paulo, Paulo Dybala. — acenou timidamente.

— Oi, querido. Eileen falou de você, e nós te achamos uma gracinha. — a morena sorriu do outro lado da tela, chacoalhando Hans de maneira empolgada, nem mesmo parecendo com a Rosana de alguns minutos atrás que reclamava sobre a nacionalidade do atacante.

— Olá, Paulo. Não quero ser invasivo e nem nada, mas quais são as suas intenções com a minha filha? — o alemão passou a encará-lo diretamente com ambas as mãos unidas, a voz grave dando uma leve sensação de pânico no argentino.

— Argh, fala sério! — rosnou em exasperação, revirando os olhos ferozmente — Olha só, foi ótimo conversar com vocês, mandem um beijo para a Verena e o Julian e avisem que eu vou enviar umas coisas que eu comprei para a Ava. Tenham uma boa noite e eu amo vocês!

De modo apressado, a fisioterapeuta apenas desligou a chamada, evitando qualquer outro tipo de contato entre os três e visando manter a pequena dose de dignidade que sobrou no ambiente.

— E-eu... quer dizer... olha, não fala nada. Vamos fingir que esse momento não aconteceu, tá legal? — interrompeu o argentino que abriu a boca várias vezes sem dizer uma única palavra, apenas acenando positivamente — Eu fiz o jantar! Tá com fome?

[...]

— Acho que foi o melhor jantar que eu tive em meses... — Paulo afundou um pouco na cadeira, afastando a pequena taça de vidro onde o mousse de morango feito por Eileen esteve momentos antes — Obrigada por isso, acho que eu estava precisando de um momento assim, sabe, com alguém que não olha para mim como um troféu ou sei lá.

— Então estamos quites, tirando ontem à noite, esse foi o primeiro jantar que eu realmente me sentei em uma mesa com tudo organizado e com alguém que olhou nos meus olhos e conversou comigo a noite toda sem desviar para o celular em muito tempo. — suspirou, recolhendo os pratos e talheres — Vou lavar isso aqui e a gente já vai conversar sobre seus treinos, okay?

— Eu te ajudo com isso, você já fez o jantar, não é justo te deixar com todo o trabalho. — pegou tudo da mão da alemã, indo para a cozinha — Mas por que esse foi seu primeiro “jantar real” em meses?

— Você lembra da minha conversa com o Juan não lembra? — recebeu um gesto positivo — Enfim, nós nos conhecemos na Copa América em Junho, eu era a “namorada adorável” do camisa dez da Colômbia, nem sei se você me viu mas eu te vi nos jogos. Nós já não estávamos exatamente bem nesse época, mas não é importante. Fiquei com o James por onze meses, e quatro dias atrás nós faríamos um ano juntos, mas nós não nos falávamos direito desde agosto. Nós vivíamos igual estranhos na mesma casa, jantávamos cada um com seu celular, ou eu na cozinha e ele na sala, e raramente quando a Salo estava em casa nós passávamos algum tempo juntos, então comer sozinha era mais que um hábito já. Eu achei que ia me casar com ele, e tudo que eu ganhei foi descobrir que ele ia ter um filho que não seria meu... — riu sem humor, procurando por um pano de prato — No final de setembro eu terminei com ele e no mesmo dia pedi demissão do Madrid. Zidane não me queria mais lá e James e eu não tínhamos mais solução. Coloquei um ponto final na minha vida na Espanha e estava planejando voltar para a Alemanha e assumir o setor de fisioterapia do hospital dos meus pais, até receber o email do Andrea e acabar aqui, jogando meus problemas em cima de você quando eu quem deveria resolver os seus. — sorriu minimamente enquanto pegava os pratos recém lavados para secar.

— Eu não fazia ideia de tudo isso, quer dizer, a parte de você ser namorada do James eu sabia porque o Juan explicou um pouco por cima, mas eu não sabia de todo o resto. Eu sinto muito. Se serve de consolo, eles quem saíram perdendo, você é incrível. E eu fico feliz por estar me contando essas coisas, você me ouviu e me ajudou, acho que era a minha vez de retribuir. — sorriu para a médica — Às vezes a gente perde o chão e parece que estamos caindo do topo do mundo direto para o fundo do poço, mas a verdade é que esse é só mais um jeito da vida colocar a gente de volta no caminho certo. Vai ficar tudo bem, e agora você tem a minha presença na sua vida, e isso já compensa qualquer coisa.

— Se você tá dizendo... Mas vamos, eu separei algumas coisas para você dar uma olhada e arrumei a academia para você testar. Como dizem em espanhol: "mi casa es tu casa". — apontou para o corredor ao lado da escada, indo na frente do atacante.

— Por que eu estou vendo esse sorriso suspeito no seu rosto? — estreitou os olhos após passar em frente à um espelho no corredor, onde teve a visão do rosto da fisioterapeuta.

— Eu só estou feliz, por quê? Não posso estar feliz? — ergueu as sobrancelhas, mantendo um sorrisinho lateral.

— Esse não é um sorriso de quem está feliz, é um sorriso de quem quer matar o outro e sabe muito bem como. — afirmou com convicção.

— Sabe o que é engraçado? Você vai de fofo à gentil e de gentil à desconfiado tão rápido que chega a ser cômico. Eu sei que eu tenho cara de problema e de que provavelmente consigo te matar e esconder o corpo sem deixar pistas, mas olha, eu sou muito inofensiva quando confio em alguém e, querendo ou não, eu confio em você. Então é bom confiar em mim também, porquê eu sou sua médica e posso te envenenar sem ninguém saber, muito menos você. — falou como quem não quer nada — Entra aí, separei um tapete de yoga azul claro para você, para lembrar da sua Argentina.

Abriu a porta de madeira, revelando um ambiente branco e iluminado exatamente como o resto da casa mas com menos vidro e mais espelhos.

— Eu não tenho medo de você, se é o que quer saber. E não é nada pessoal, mas alemães são meio imprevisíveis, não dá para contrariar a natureza tanto assim, só prefiro ter cautela. — mordeu o lábio inferior, olhando na direção da parede espelhada à tempo de ver Eileen revirar os olhos.

— Você fica nervoso quando está perto de mim, eu acho uma gracinha. — sorriu genuinamente, os olhos sendo levemente comprimidos na altura da linha das bochechas — E dá para saber porquê você já limpou a mão três vezes no tecido da calça, seu rosto fica avermelhado e você fala absolutamente qualquer coisa que vêm à mente. O Paulo com o filtro desativado é mais legal.

— Eu não fico nervoso perto de você, é só... excesso de cautela. — tentou buscar uma desculpa.

— Excesso de cautela? Eu já disse, não vou te atacar de novo, aquilo foi só um acidente. E eu não teria coragem de fazer nada com você, seria o mesmo que maltratar um filhote de labrador, impossível. Pode não parecer, e às vezes realmente eu sinto vontade de te jogar para algum urso pardo faminto, mas eu gosto de você. É estranho porque você é insuportável, mas eu gostei de você desde o momento em que descobri que podia te convencer à qualquer coisa usando chocolate. — sentou-se em um pufe apoiado em uma das paredes laterais, indicando o outro à sua frente.

— Sua mãe também gostou de mim, me senti importante por ter sido mencionado. — suspirou.

— Ela gosta de todo mundo, quer dizer, do James não tanto, e ela tem um fraco por hispanohablantes, então não conta. — deu de ombros — E não acha que eu falei muito de você, só mencionei que ia vir jantar aqui hoje para conversar sobre os treinos extras.

— Mas falou, já é alguma coisa. — brincou — E então, como vai me convencer de que pode me ajudar a melhorar?

Não sem antes revirar os olhos uma última vez, Eileen mostrou alguns esquemas, técnicas e meios de fazer Paulo chegar à plenitude física desejada, e com um pouco de persuasão e bom senso, foi fácil convencê-lo a aceitar os treinos diários durante a noite e contrariando o que imaginava, difícil foi convencê-lo a aceitar que não cobraria nada dele no primeiro mês, e que se realmente achasse o suficiente, aí sim decidiriam um valor. Com o clima de acerto e com tudo resolvido, foi ainda mais divertido fazê-lo se esticar em algumas posições de yoga quase impossíveis apenas para seu sádico prazer pessoal fingindo que era uma avaliação verídica.

— Você é cruel, e é por isso que eu não confio em você. Que tipo de sadista filma o sofrimento alheio apenas para postar no Instagram? — reclamou enquanto Eileen o acompanhava até a porta, rindo ao rever os vídeos curtos do atacante.

— Eu só precisava me divertir um pouco com a sua cara, você sabe, é meu jeito de dizer que gosto de te ter por perto. — riu.

— E você realmente gosta da minha presença ou está sendo gentil?

— Eu não sou um exemplo de gentileza 24/7, então sim, eu gosto da sua presença. E eu prometi que ia te ajudar, eu sempre cumpro minhas promessas. Não vou te deixar jogar um talento tão grande no lixo, você é nossa joia por algum motivo, não vai perder esse posto tão cedo. Temos um trato? — ofereceu uma das mãos em cumprimento, sendo ignorada e puxada para um abraço.

— Eu prometo que não vou te decepcionar. Nunca. — afirmou, apertando-a entre os braços.


Notas Finais


Obrigada pelo carinho de sempre, amo vocês daqui até Marte 💙


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