História .desabafo de ume não-binárie cansade - Capítulo 1


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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drabble, Drama (Tragédia), LGBT
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


eu só tô cansade de tanto chorar no momento

AVISO: LINGUAGEM NEUTRA

POSSÍVEIS GATILHOS EM DISFORIA DE GÊNERO

Capítulo 1 - .ninguém quer me amar


    Eu queria ser amade, como nos filmes que assisto e nos livros que leio.

    Gosto de dizer que sou apenas viado ou boiola, mas, em termos mais realistas e compreensivos, encaixo-me em gênero-fluido e panssexual, poliamorose pra caralho. Acho que esse é o meu empecilho para viver qualquer romance, ninguém quer entender uma pessoa trans, especialmente uma não-binária.

Em algum momento, o mundo esqueceu todas as culturas que comentavam sobre a não-binariedade. Esses malditos europeus branquelos com seu cristianismo às avessas. Eu sei que Platão, na Grécia Antiga, dizia “homens, mulheres e andróginos”, que em religiões norte-americanas indígenas existe o conceito de “dois-espíritos”, que em alguns países no oriente descreviam a não-binariedade há muitos séculos atrás. Só que em algum momento, todas essas correntes foram silenciadas pela sociedade cissexista genitalista.

Pênis ou vagina, pau ou buceta, pinto ou xota.

Não se deram o trabalho nem de incluir intersexos nesse inferno, burros do jeito que são.

Quando eu digo não-binárie, riem, entram em estado de confusão ou negação. Esquecem-se que ali está um ser humano simplesmente pedindo por respeito para ter o mínimo de dignidade.

Não vou nem entrar no mérito de quando digo gênero-fluido, minha cabeça dói em pensar.

É difícil o suficiente ser do jeito que sou. Odiar os próprios seios a ponto de me enrolar numa faixa apertada que me dá dor nas costas e falta de ar. É difícil entender em espectro de gênero estou me identificando no momento. É difícil ser chamade por um nome que não é meu, que nunca foi. é difícil quando as supostas pessoas que me amam e me respeitam independente de qualquer coisa, ficam falando o inferno do nome que não é meu, fazem perguntas inconvenientes e me enchem o saco sobre qualquer mínima coisa. É difícil querer ser livre desse peso e, ao mesmo tempo, não poder me livrar disso porque seres humanos são nojentos (Thomas Hobbes, eu te entendo).

Só que além de tudo isso, vem ter que pedir o mínimo de respeito pra manter um pouquinho de conforto, vem ter um ciclo social fodidamente reduzido porque ninguém entende, porque nenhum cisgênero quer pelo menos tentar. Por consequência, desde o processo da minha auto-descoberta, meu achamento, eu nunca mais tive o mínimo de chances em um relacionamento, ou numa ficada simples.

Ninguém quer beijar uma pessoa que não se identifica como homem ou mulher e ninguém entende a palavra “alinhamento”. 

Sinto raiva, solidão e saudades de beijar, de ser amade, de ser chamade de amor.

Eu só queria viver um romance, como nos filmes que assisto ou nos livros que leio, mas nunca vai acontecer, porque, se você não é mulher com buceta ou homem com pau, tudo está acabado e você não passa de ume esquisite, como se você fosse de uma outra espécie.

Vão se foder.

 


Notas Finais


sinto muito, eu só não conseguia tirar isso da minha cabeça,

alex mar prado.


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