1. Spirit Fanfics >
  2. Desafios da Adolescência >
  3. Quem é esse?

História Desafios da Adolescência - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Antes de começar, saiba de algumas coisas.
° Eu não curto fazer cenas muito românticas, prefiro uma coisa mais cômica, então, se quiser ler algo mais ‘picante’, procure outra história, há muitas boas por aí.
° Eu atualizo todo o Domingo, e procuro fazer durante a semana. A história já está concluída, eu organizei o que vai acontecer em cada capítulo, só falta escrever ;D.
° Podem fazer perguntas que eu irei responder, a não ser que interfira na história ou seja um spoiler, daí eu não vou responder. Algumas coisas que os personagens falam errado, não é porque eu errei, e sim porque eles falam errado mesmo (não significa que eu não vou errar :D).
° Outra coisa, aceito críticas construtivas, mas quero deixar claro que algumas coisas que os personagens dizem, não é de acordo com a minha opinião, todos os personagens são diferentes e eu pretendo dar uma visão mais realisticamente divertida da vida, como uma discussão em sala de aula.
Boa leitura!

Capítulo 1 - Quem é esse?


Marseille, 06:34         

O dia começou como todos os outros, o sol estava escondido atrás das nuvens deixando o ambiente mais escuro do que o normal, a possibilidade de chuva era grande nessa segunda-feira, trazendo a promessa de um dia no mínimo estressante.

Em um bairro nobre, dentro de um casarão no estilo vintage, havia uma ruiva com uma franja maior que a testa, se arrumando para a aula. Usava um uniforme de abotoaduras que tinha como símbolo um beija-flor e por cima uma saia azul marinho; suas roupas estavam perfeitamente alinhadas combinando perfeitamente com sua personalidade perfeccionista.

Quando se deu por satisfeita, começou a conferir sua pasta vendo se tinha pego tudo o que precisava para a aula, quase esqueceu-se de seu caderno de filosofia, era a primeira aula com o novo professor e ela queria causar uma boa impressão.

Ela levou um susto quando sua porta foi aberta de supetão, mas não ficou surpresa quando viu que quem entrava por ela era sua irmã mais velha, Jece.

- Não ouviu o Joffe te chamando Chloé?! Ou será que estava ocupada demais pensando em como entrar nas calças daquela sua amiga... qual é o nome dela mesmo? Questionou sua irmã com uma falsa cara de pensativa.

Era sempre a mesma coisa, provocações e mais provocações, algum dia ela daria um soco na cara de Jece que ela perderia a habilidade de se comunicar. As duas nunca se deram muito bem devido a forma como os pais as tratavam, Jece sempre foi deixada de lado enquanto Chloé tinha toda a atenção, além dos anos em que Adelaide, a mãe narcisista, abdicou sua filha mais velha mas mesmo assim, controlava tudo o que Jece tinha que fazer ou dizer, até o dia em que ela se rebelou; Chloé não lembrava muito desse dia, mas sabe que o relacionamento de sua irmã com seus pais nunca mais foi o mesmo.

 Cortando sua linha de pensamento, segurou sua mochila e com uma cara “azeda”, respondeu:

- Eu já ia descendo, pode voltar a tomar conta da sua vida.

A mais velha deu um pequeno sorriso malicioso para a ruiva e saiu mexendo os dedos.

A ruiva mais nova ainda se lembra de quando se dava bem com sua irmã, ela a defendia da ira da mãe, sentia falta desse relacionamento, mas o que ela podia fazer? Foi decisão da sua irmã se afastar, há males que vem para o bem, e foi o melhor para a saúde mental de Jece, entretanto, Chloé não entendia isso.

Chloé segurou sua pasta com uma raiva mal contida e desceu as escadas para tomar um café com seus pais antes de ir para a escola, para mais um dia onde teria que cuidar dos problemas de alunos que eram incompetentes demais para vigiar seus próprios materiais.

 Na sala de jantar só tinha seu pai, que parecia estar animado enquanto lia algum livro estúpido sobre fantasia, sua mãe, incrivelmente fútil, provavelmente havia saído para umas “comprinhas” com suas amigas igualmente frívolas.

 Ao notar a presença de sua filha mais nova, Joffe largou seu livro e abriu um sorriso enorme e acenou para que a mesma sentasse ao seu lado. A adolescente não mostrava a mesma empolgação, mas estava feliz por seu pai ficar tão animado. Por fim se sentou quieta esperando seu pai explicar o motivo de tanta alegria.

 - Olha, olha meu Bem-Me-Quer, se lembra daquela aposta que fiz com seu tio? Eu ganhei! O nosso time venceu a partida! Declarou o felizardo enquanto gesticulava com as mãos “energia positiva”.

 Uma ocorrência normal na família Vendetta, seu pai e seu tio viviam apostando em times de futebol, um em específico, os “Zangões de Mármore”. A jovem praticamente cresceu ouvindo seu pai falando que esse era o melhor time e que eles sempre venceriam, o que não era verdade, eles perdiam que nem todos os times normais, mas mesmo assim não mudava o amor que seu pai tinha por futebol. Toda vez que acontecia um jogo dos Zangões e Joffe podia ir, ele levava Chloé junto, que aprendeu a amar isso tanto quanto seu pai.

Chloé deu um sorriso leve para se pai e disse:

- Eu sabia que venceríamos, nosso time é o melhor, já consigo ver a cara de derrotado que Evelion vai fazer.

Antes que seu pai pudesse falar alguma coisa, sua irmã apareceu com os braços cruzados e uma carranca no rosto esbravejando:

- Onde está a Adelaide? Ela disse que levaria eu e a pirralha pra aula, e agora simplesmente some!

- Querida, acho que vocês podem ir a pé, a escola é aqui perto, não tem necessidade da sua mãe levá-las. Disse seu pai com calma.

Joffe era a pessoa mais tranquila da família de quatro pessoas, Cholé era a séria, Jece a mimada e Adelaide a “interesseira” (que é como suas filhas à descreveriam, já seu marido a achava esplendida).

A ruiva mais velha com sangue nos olhos disse:

- Aquela mulher me falou que iria nos levar! E agora que é pra ela levar ela some! Sinceramente pai, o que viu nela?!

- Talvez a mesma coisa que tem em você. Retrucou sua irmã mais nova cansada do comportamento infantil de Jece.

Pode parecer uma coisa pequena esse “ataque” da mais velha, mas dentro de sua mente era mais uma decepção que sua mãe a fez passar, sejamos sinceros, o relacionamento de Jece e Adelaide era horrível, a mulher sempre tratou a filha mal, fazendo com que se sentisse insegura a infância inteira até que Jece crescesse e tivesse que dar um basta nas atitudes de sua mãe por conta própria, mas a mais velha das irmãs via uma coisa positiva, sua mãe não trataria sua irmã mais nova mal enquanto ela estivesse por perto, mesmo que Chloé não percebesse isso.

Antes que a discussão fosse a diante Chloé perguntou à sua irmã:

- E qual é o problema de irmos a pé?

Ignorando a pergunta de Chloé, ela falou ainda estressada e com uma cara fechada:

- Se não quisermos chegar atrasadas é melhor sairmos agora.

Seu pai que até então estava quieto, apenas observando, desejou uma boa aula para suas filhas.

A de franja levantou-se da mesa, pegou sua pasta e saiu junto com sua irmã para mais um dia monótono.

                                                                       ...

Do outro lado da cidade, no mesmo horário, estava uma adolescente alta se maquiando e admirando sua forma no espelho que tinha em seu quarto, até ser interrompida por um de seus três irmãos entrando no seu quarto sem ser convidado e borrando seu rímel no ato.

- Bom dia flor-de-lótus, passei pr-

- Que porra é essa?! Me fez borrar o rímel que eu paguei caro Ikki! Cê tem problema garoto?! Exclamou a garota tentando limpar a ‘cagada’ que seu irmão a fez cometer. Enquanto isso o mais velho, com uma cara de culpado apenas questionou escorado na porta:

- Quer café? A Misa e o Bee já estão nos esperando na cozinha.

 Após o pequeno surto, olhou o reflexo de seu irmão no espelho enquanto corrigia o erro e acenou com a cabeça. Ikki com a energia recarregada falou:

- Vou fazer aquele Toddy dos bons Rívia, pra compensar sua cara borrada. Declarou e saiu alegremente fechando a porta com cuidado para não escutar sua irmãzinha reclamando.

Cilhos prontos e boca pintada, penteou seu cabelo castanho avermelhado e arrumou o casaco preto que estava vestindo; por baixo do casaco estava seu uniforme escolar com um beija-flor estampado, uma saia de couro sintético preto e botas esquisitas que pareciam ser feitas de escamas de crocodilo, obviamente falsa, ela não tinha dinheiro para comprar coisas de grife, todavia, sabia lidar com o que tinha.

Era claro que aparência era sua prioridade, nenhum parente próximo tinha tanto cuidado com isso, sua irmã Kimisa e seu irmão Bernard nunca ligaram para esse tipo de coisa e não se importavam com o que a mais nova usava ou demonstravam o mínimo interesse na ‘beleza’ da caçula, já seu irmão Ikki, por quem Rivaille mantinha um carinho enorme, respeitava e encorajava o cuidado da aparência da mais nova, desde que ela mantivesse suas notas boas.

Pegou a mochila que estava em cima da sua cama e foi até a cozinha onde estavam seus irmãos. Kimisa e Bernard estavam brigando por algum motivo que ela não se importava, já Ikki estava usando um avental rosa escrito “Avental”, enquanto lia alguma coisa atrás de um pacote de sucrilhos; quando notou a presença de sua irmãzinha, ainda segurando a caixa de sucrilhos, abriu um sorriso e apontou para a cadeira entre Kimi e Bernard, lá tinha um copo de Toddy, a única coisa que tomava no café da manhã. Passando por trás do Ikki na cozinha apertada, sentou-se entre os gêmeos briguentos para tomar seu Toddy até ser interrompida por seu irmão que bateu no braço dela, a bebida quase, quase foi derramada em sua roupa, ah se não fosse o quase.

- Puta merda Bee! Se chegasse a virar eu te faria lamber! Esbravejou enquanto conferia seu casaco e saia.

No mesmo instante os gêmeos pararam de brigar para provocar a caçula da família.

- O máximo que ia fazer é sujar, acho que leite não mancha. Disse Kimisa com uma cara séria segurando sua xícara de café na mão.

- Que tipo de leite? Maliciou Bernard.

A pergunta gerou três tipos de reações, Rivaille olhou para Bernard com uma cara de nojo, Ikki largou a caixa de sucrilhos e olhou chocado para seu irmão mais novo e por fim, Kimisa, que levantou de sua cadeira com um ar assassino e deu um tapão na nuca de seu irmão, o ato da irmã mais velha não gerou uma repreensão de Ikki, afinal, ela sempre tratava seu irmão dessa forma.

- Benny... Isso é coisa de dizer na frente das garotas? Perguntou seu irmão, ainda chocado com a frase maliciosa do seu irmão.

- Tu também! Começou cagar regra de o que dizer e o que não dizer na frente do “sexo frágil”! Vai tomar no teu cú! Xingou, a mais velha das garotas. Ela detestava quando seu irmão mais velho falava coisas desse tipo, parecia que ele estava dizendo que ela não podia ouvir ou falar palavras de baixo calão ou piadas “pesadas”, praticamente dizendo que mulheres deveriam ser delicadas e criadas de maneira diferente.

Rivaille, que não pretendia se meter, defendeu:

- Acho que o intuito do mano não era de ser escroto. Já o Beezus precisa guardar esses comentários babacas pra ele e os amigos idiotas dele.

- Quem aqui é idiota?! Perguntou o gêmeo gritando.

Rivaille pegou um espelho pequeno que guardava consigo dentro de seu casaco e o pôs para refletir o rosto de Bernard.

- Tá olhando pra ele.

Nem todos os dias eram de zombaria, algumas vezes as brigas eram realmente levadas a sério e Ikki teria que interferir usando a força, sem agredir ninguém, é claro, mas segurar um dos mais jovens quando estavam prestes a brigar para valer não era fácil.

- Tu é a versão que deu errado de mim. Afirmou Kimisa mudando de assunto, mas com o mesmo intuito de diminuir seu irmão.

Ikki, exausto das mesmas manhãs cheias de brigas que normalmente tinha, encerrou a discussão:

- Chega.

Por incrível que pareça, os mais novos ficaram quietos, o motivo foi bem simples, todos eles tinham um respeito mútuo pelo mais velho deles, Ikki assumiu a responsabilidade de cuidar deles quando o pai dos mesmos foi preso, ele desistiu da faculdade e passou a tomar conta dos seus irmãos recebendo um tipo de auxílio do governo. Por ser maior de idade conseguiu ficar com a guarda de seus irmãos com facilidade, sem se preocupar com eles sendo levados para um orfanato.

A mãe dos jovens, tinha sumido há muito tempo, desde que a mais nova nasceu, mas ela tinha as mesmas características de Ikki, ruiva com olhos verdes claros e uma pele bronzeada, aparência essa que apenas o mais velho recebeu, Kimisa e Bernard eram a cópia do pai, cabelos e olhos pretos com uma pele pálida, a caçula parecia uma mistura de melanina, olhos verdes quase pretos e cabelos num tom escuro de ruivo, as mesmas características faciais de seu pai, e com uma pele pálida.

Depois do café, cada um foi fazer o que precisavam, Kimi e Benny foram para a faculdade e Rivaille foi para a escola.

A caçula acenou para os gêmeos e deu um beijo na bochecha de seu irmão mais velho, e saiu para encontrar seus amigos no caminho da escola.

                                                                       ...

Em uma casa de madeira dentro de uma parte pobre da cidade de Marseille, estavam dois adolescentes no quarto se arrumando para a aula. Jonathan, ele parecia um estereotipo de um jogador de futebol americano, tinha um cabelo preto curto e espetado e olhos puxados que revelavam sua origem asiática, do lado dele, estava Anderson, que tinha um topete feito de gel e um bigode esquisito de “trombadinha”, tinha olhos expressivos que demonstravam um grande carinho por Johnny.

O mais alto, Johnny, estava sentado na sua cama esperando o tempo passar enquanto acariciava a cintura de Anderson, que por si só, estavam corrigindo os fios desalinhados do topete.

Os dois tinham um relacionamento turbulento, namoravam as escondidas porquê Jonathan tinha medo de assumir sua sexualidade, já o mais baixo não, ele era um homossexual assumido, que por incrível que pareça, namorava a primeira pessoa por quem se apaixonou.

- Lindo. Elogiou o asiático enquanto admirava seu parceiro.

Anderson soltou uma risadinha e refutou:

- Tá falando isso enquanto olha pra minha bunda?

- E se eu estiver? Vai fazer o que, meu querido? Retrucou divertido.

Parecia perfeito demais para ser verdade, depois de ambos passarem dois anos se acertando nessa coisa de namoro e se acostumando a seus jeito e maneiras de encarar a vida, passaram a viver um conto de fadas, ou quase.

- Escuta aqui, tu não pode ficar olhando pra minha bunda seu esquisitão, eu tenho namorado, compreende? Brincou Andy inocentemente ainda arrumando seu cabelo.

De repente a sala ficou tensa, após não ouvir resposta do seu namorado virou-se para atrás vendo Johnny com uma cara fechada e braços cruzados, parecia um tipo de brincadeira para Andy que apenas deu de ombros, seria adorável se as coisas fossem simples assim.

Dentro da cabeça de Johnny as coisas não estavam mais funcionando direito, logo a desconfiança irracional de uma possível traição de seu parceiro tomou sua mente, parecia estúpido, mas para a mente perturbada fazia total sentido, afinal porquê ele diria isso se não fosse verdade?

Vendo o estado do seu namorado Andy se corrigiu um pouco tenso:

- Eu tô brincando benzinho, eu só tenho olhos pra ti.

- Eu sei. Respondeu o mais alto tentando parecer mais relaxado e falhando miseravelmente.

Eles realmente se amavam, mas às vezes Johnny era muito intenso, trazendo à tona coisas ou pensamentos que nem deveriam ser discutidos, como uma possível infidelidade vindo da parte de Andy, o problema era que o de olhos puxados era inseguro demais nesse sentido sem nenhum motivo aparente.

Anderson segurou as mãos do seu namorado e tentou mudar de assunto:

- Acho que já tá na hora, bora, Johnny.

- Vamo, a Levi falou que ia encontrar a gente no caminho.

O ambiente não estava mais tão tenso e os dois saíram da casa de Anderson com o braço de Johnny nos ombros do menor, parecendo um cachorro tentando marcar território.

                                                                       ...

Em uma casa no centro havia uma garota com uma pele ébano se olhando no espelho em pé apenas de calcinha e sutiã, ela só conseguia ver defeitos em seu corpo, seus pensamentos sobre si mesma eram tão horríveis, ela se degradava, comparando-se a modelos de revistas, sua mente rondava uma perfeição que só existia em contos de fadas.

Livrando sua mente desses pensamentos ela pôs uma saia comprida e um moletom largo por cima de seu uniforme, seus cabelos cacheados e hidratados foram presos em um rabo de cavalo com a ajuda de gel.

Em sua cabeça sua aparência não poderia melhorar, a falta de confiança em si mesma era frequente, ela sabia que precisava de ajuda, mas não queria atrapalhar ninguém, então apenas pegou seus materiais e os enfiou dentro de uma bolsa estampada com borboletas e saiu de seu quarto dando de cara com sua mãe, uma mulher muito bonita com um corpo rechonchudo cheio de curvas que sempre expressava uma felicidade genuína em sua face.

- Aimees! Dormiu bem filha? Perguntou a mulher sorrindo enquanto segurava o rosto da filha nas mãos.

Tentando desvencilhar-se das mãos da sua mãe, Aimees respondeu:

- Sim, mãe.

- Ótimo, então não se importa em tomar café comigo e com o Hélio, sim?

Hélio era seu padrasto, e o mesmo a odiava, ela veio de uma infidelidade da sua mãe com seu falecido pai, ‘talvez’ esse tenha sido o motivo de tamanho desprezo. A mesma deu risada com o pensamento. Não querendo causar motivos para uma discussão Aimees concordou, afinal, seu padrasto apenas a ignorava e não a tratava mal frequentemente, quando ele queria fazer com que ela se sentisse mal, ele insultava de maneira discreta sua aparência ou inteligência.

Hélio estava na sala de estar tomando café enquanto assistia alguma reportagem na tv. Aimees deu graças a Deus por não ter que aturar os insultos dele enquanto se alimentava, a chamando de “Bem nutrida”, sinônimo para “gorda”, e outras palavras venenosas que invadiam seus pensamentos não fazendo-a ficar bem consigo mesma. Ela sabia que deveria ignorar as coisas ruins que ele dizia à ela, mas após crescer sendo ‘sutilmente’ humilhada toda vez que ele a via, fez com que essas palavras se enraizassem em sua mente a deixando vacilante em relação a sua aparência e comportamento.

Sentou-se na mesa sozinha e tomou seu café em silêncio, ela não entendia o porquê de sua mãe fazer isso com ela, ela a chamou para tomar um café “em família” enquanto ela simplesmente desapareceu no banheiro. Pelo menos Hélio não está sentando à mesa com ela.

Depois de tomar café tirou seus talheres da mesa e os pôs na pia. Ela saiu da cozinha com sua bolsa no ombro e com a cabeça baixa saiu de casa para mais um dia de tortura na escola.

                                                                       ...

No terraço de um dos grandes quartos de uma mansão na zona sul de Marseille, estava um garoto tentando pular sem ser visto por um dos empregados ou por seu pai, o medo de morrer não existia na mente de Madra, que preferia pular seis metros de altura a ter que conversar com seu pai, ou melhor, ser esculachado por ele, porém seu plano foi interrompido ao lembrar-se que para ir à escola, precisava da sua mochila. Não querendo passar trabalho pulando com o trambolho nas costas decidiu que desceria pela escada evitando seu pai como o Diabo evitava a cruz.

Ele detestava seu pai, um sentimento mútuo, ele sabia que seu pai só não o abandonou porquê a imprensa ia cair para cima, deixando a influência de seu pai no chão. Pelo menos ele não o agredia fisicamente, antes insultos a agressão física, ao menos era o que o jovem pensava.

A mesma rotina de sempre, ele pegou a mochila e abriu uma fresta da porta do seu quarto, prestando atenção em possíveis empregados ou pior... seu pai, depois de não ver ou ouvir ninguém se aproximando saiu do seu quarto sem fazer barulho. Fechou a porta delicadamente e passou para a segunda parte, descer as escadas sem ser visto.

Desceu as escadas circulares ainda prestando atenção a qualquer sinal de movimento, talvez ele virasse espião quando crescesse. Não vendo nenhuma oscilação, ele correu como se sua vida dependesse disso até a porta da frente. Objetivo concluído! Parecia um daqueles momentos onde o herói venceu a fase final e vai para um lugar onde vai ter uma grande festa de comemoração, a diferença é que esse “lugar melhor” é a escola.

Talvez se ele e seu pai fossem amáveis um com o outro e tentassem construir um relacionamento sólido na base de amor paternal e compreensão, ele não teria que agir feito um ninja toda a vez que fosse sair de casa, nem que seja para a escola.

Ele teve que correr uma boa parte do vasto jardim até os portões principais, enfim, conseguiu realmente “escapar”, seria bom se isso não se repetisse todos os dias, se ele pudesse escolher, ele teria o melhor relacionamento possível com seu pai, mas isso não dependia apenas dele.

                                                                       ...

Jana era o tipo de garota quieta e rebelde que por incrível que pareça, se dava bem com sua mãe, talvez porque as duas tenham personalidades e hobbies parecidos, ambas amam pescar e adoram ver filmes de terror gótico.

A adolescente tinha um cabelo preto e curto com uma franja ‘triângulo reverso’, era baixa para a idade e tinha um corpo mais “reto”, com seios pequenos e um quadril estreito, mas isso não a deixava menos bonita, pelo contrário, ela acreditava que a diferença dos corpos femininos eram lindas, graças à sua mãe que a criou sem rótulos e impôs que ela deveria se amar acima de tudo e todos e nunca deixar que a tratem mal.

Mas ela não era só uma garota forte, por dentro ela era tão sensível, uma vítima de abuso sexual, que possuía medo do toque das pessoas independente do sexo, sua desconfiança ia para qualquer pessoa que não fosse sua mãe; mesmo que ela não demonstrasse muito, às vezes as noites que passava sozinha em seu quarto enquanto sua mãe ia para o serviço na farmácia 24 horas, ela ficava com uma arma na mão, que era permitida, e não dormia, com medo de qualquer coisa que poderia acontecer com ela acordada.

As coisas ainda eram difíceis, todos os dias acordava com medo do dia, pelo menos podia contar com sua mãe, ela era uma mulher trabalhadora que ficou viúva muito cedo. Jana trabalhava depois da aula para ajudar a sua progenitora, ela amava sua mãe mais que tudo, e em momentos em que se sentia deprimida ao se lembrar do fatídico dia, ainda sorria, para não deixar sua melhor amiga, sua mãe, a ver triste. Isso quebrava o coração das duas, mas infelizmente, não se pode mudar o passado.

Não se deixando abalar tanto com problemas do passado, ela se levantou da cama ainda meio zonza com o remédio que tomava para dormir e foi se trocar um pouco atrasada. Não foi nada demais, ela pôs uma calça jeans preta e uma camisa larga com o emblema da escola e seus tênis.

Sua mãe não estava em casa, ela trabalhava quase 24 horas por dia, vendo que elas tinham pouco dinheiro para se sustentar, mas mesmo assim, elas davam um jeito, duas mulheres batalhadoras, sua mãe era o reflexo de quem ela queria se tornar.

Ainda sonolenta, ela saiu sem comer nada.

Conferiu sua mochila uma última vez antes de sair para a escola, ela não queria chegar já tendo que correr atrás de materiais, por mais que estivesse no final do ano. Seu último pensamento antes de sair foi “quem será o novo professor?”.

                                                                       ...

Edel de Täjä, era pouco ou nada conversador, ele tinha uma mente brilhante, sim, mas ele também tem uma mente muito complexa com pensamentos confusos que o deixavam tonto, alguns pensamentos vinham aleatoriamente já outros eram mais reflexivos e claramente analisados antes de serem ditos. Outra curiosidade sobre o homem, era que era um alcoólatra fodido que pensava que não tinha motivos para viver, mas não o confunda com um depressivo ou suicida, não, ele era ‘diferente’, não acreditava que uma força maior o criara para ensinar adolescentes sobre a vida e a refletir sobre situações do cotidiano, para ele, isso tudo eram coisas de idiotas, outra pequena curiosidade, ele era um grande hipócrita.

Levantar da cama foi uma tarefa mais árdua do que costuma ser, os dias estavam passando e ele não estava ficando mais jovem, suas costas estavam matando-o de dor, talvez ele devesse visitar um/a massagista ou um/a fisioterapeuta.

Ele se lembrou de nunca mais beber do jeito que bebeu na noite anterior, até parece.

Suas roupas eram as mesmas da noite anterior, pelo menos não estavam vomitadas foi o que pensou, finalmente, levantando-se e indo ao banheiro para escovar os dentes e tomar um banho para remover o cheiro horrível de tequila de seu corpo.

Depois do banho ele optou por colocar uma calça jeans desgastada e uma camisa comprida com um casaco de inverno com pelugem na touca, e sapatos de lenhador que ele não gostava mas calçou pelo conforto que eles traziam.

Sentado na mesa observando o ar condensado do café, ele refletia sobre como serão seus alunos e que tipo de conhecimentos eles teriam a oferecer, os problemas que ele trariam e o quanto ele estava disposto a lidar com tudo isso, mas ao mesmo tempo em que ele pensava, ele não memorizava nada, complicado, não? Bem, não é para ser simples.

Depois de seu café ele lavou a louça e saiu do conforto da sua casa para seu carro seminovo, a única certeza que restava em sua mente filosofal, era de que não importa como sejam os alunos, ele ia se estressar.

A viagem até a escola não foi muito longa, na verdade, foi bem rápida, a escola ficava no centro da cidade e era bem conhecida. Ele deu sorte de conseguir esse novo emprego.

Ele mal entrou na escola e foi parado por uma mulher com aspecto de estagiária, ela usava um terninho vermelho e cafona com ombreiras desnecessárias, tinha o cabelo amarrado e uma franja que na opinião de Edel, deixava a sua testa ainda maior, e seus óculos então nem se fala, redondos, pareciam óculos de secretária em um filme pornô.

Sem se deixar abalar pela cara enojada que Edel deu à ela, reclamou com o próprio:

- Senhor de Täjä! O senhor está muito atrasado! O sinal já bateu e seus alunos do primeiro período já estão o esperando! Na próxima vez eu espero que o senhor tenha mais comprometimento com seu trabalho!      

A mulher parecia que tinha descarregado toda a raiva acumulada em seus anos vivos, desde a pré-história, onde ela caçava dinossauros enquanto os homens e mulheres da época tinham medo da maluca.

Invés de retrucar ou expressar seus sentimentos pela mulher ele apenas disse:

- Onde fica a sala de aula?

Em toda a vida dele ele nunca tinha visto uma pessoa tão furiosa, ela parecia estar prestes a explodir, da mesma forma que a raiva veio ela foi embora, e ela apenas o ignorou e sinalizou para segui-la.

Os corredores eram enormes, ele poderia facilmente se perder ali, mas como estava atrasado ela só o direcionou para a sala onde ele daria aula, e sem falar nada, ela andou na direção oposta.

Entrando lá ele nem olhou para a cara de seus alunos ou demonstrou algum interesse para ver como eram os pirralhos, apenas organizou sua mesa e sentou-se inclinado para trás.

Finalmente, parou para analisar seus novos alunos, ficou surpreso por ter apenas sete. A que estava sentada na primeira fila era uma garota ruiva de franja, ela tinha os olhos verdes e tinha uma carranca séria no rosto, era o tipo de aluna exemplar na opinião de Edel, ele confirmou isso ao ver a postura ereta que a garota tentava manter.

Atrás da ruiva tinha um garoto musculoso que parecia arrogante, ele tinha um sorriso de escarnio no rosto e estava inclinado na mesa com a mão no queixo, um idiota, pensou o professor, ao lado dele tinha um garoto que tinha uma aparência mais amigável, ele tinha um topete esquisito. Os dois pareciam bem... “amigáveis” um com o outro.

Na fileira do meio estava uma garota com um penteado mullet e bem maquiada, ela era provavelmente do tipo vaidosa, mas tinha umas marcas nas mãos como se brigasse frequentemente, talvez algum tipo de narcisista que pratica artes marciais?

No fundo da fileira do meio tinha uma garota meio encolhida, usava roupas largas e tinha jeito de ser insegura, talvez até depressiva, ou intimidada, mais problemas.

No fundo da sala, bem do lado da janela, tinham mais dois, um garoto espinhento com um cabelo estilo militar, outro inseguro, mas ainda assim desafiador, ficou o encarando desde que se sentou. Atrás dele tinha uma menina baixa com uma franja esquisita, um tipo de triângulo invertido, gótica, ela estava com a sobrancelha levantada em sinal de desconfiança.

O que Edel pôde concluir foi que, todos trariam problemas para sua vida, até então, pacífica e calma.

Corrigiu calmamente sua postura e se apresentou aos ‘aborrecentes’:

- Meu nome é Edel de Täjä, sou o novo professor de filosofia, agora por favor, se apresentem.

                                                                       ...


Notas Finais


Espero que tenham gostado!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...