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História Desafios da Adolescência - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Briga!


“- Meu nome é Edel de Täjä, sou o novo professor de filosofia, agora por favor, se apresentem.

                                                           ...

            A sala ficou em silêncio, todos se encarando; eles não sabiam por onde começar, além do mais, o professor parecia bem esquisito. Estranho.

            Dando um suspiro cansado, o homem continuou.

            - Como a primeira abordagem não funcionou, passamos para a segunda. Vai ser em ordem alfabética. - Ele teve um tempo procurando a chamada em sua pasta até continuar – Aimees Printempo.

            No fundo da sala, a garota de cabeça baixa respondeu com a voz baixa, um pouco alto para ser considerado um sussurro:

            - Presente.

            - Anderson Maltês.

            O garoto do topete foi quem respondeu.

            - Presente.

            - Chloé Vendetta.

            Edel não ficou surpreso ao ver que quem respondeu foi a ruiva de aparência impecável, o nome dela a refletia bastante.

            - Presente.

            - Jana Bolkiah

            A gótica atrás do espinhento foi quem respondeu, ela tinha uma voz meio profunda, parecia um garoto falando.

            - Presente.

            - Jonathan Matoso.

            - Aqui.

Esse tipo de aluno... o “diferente”, engraçadinho, o que custa ser um pouco formal? Ele não poderia como todos apenas dizer “presente”.

            - Se diz “presente” moleque, pelo menos tente agir de maneira civilizada e igualitária.

            O professor pôde ouvir umas risadinhas pela sala, e claro, uma refutação, vindo do adolescente corado, mas interrompeu-o ao continuar a chamada:

- Madra Craiceáilte.

Foi a vez do espinhento com corte militar, ele parecia inquieto, podia ser um drogado ou um hiperativo, não tinha muita diferença, mesmo.

- Presente.

O mais velho já sabia quem era Rivaille, ela parecia estar um pouco indignada, uma faceta com sobrancelhas e lábios franzidos.

- Por último, Rivaille Winch.

- Presente. - Outra garota que tinha voz de homem, a única diferença foi que a voz da mais alta era um pouco mais estridente.

Após a chamada, Edel começou a ouvir murmúrios vindo de seus alunos, provavelmente fofocando. Não querendo continuar ouvindo, ele começou a explicar como seriam as suas aulas de filosofia.

- Seguinte, minhas aulas funcionam aleatoriamente, eu gosto de ouvir sugestões sobre os assuntos que devemos debater, quem der uma ideia boa ganha um ponto. – Um breve suspiro - Se alguém tiver uma ideia, por favor, fale.

O novo professor era tão... Excêntrico, ainda mais do que todos pensavam, ele simplesmente chegou e começou a ditar coisa atrás de coisa, ele era exigente, e não trazia uma energia normal como os outros professores, na verdade, o clima parecia bem antipático.

Quem conseguiu quebrar o silêncio foi Rivaille, a vaidosa intrometida. Bem que tem jeito de querer ser a primeira em tudo.

- Podemos falar sobre homicídios, todos os tipos.

- Tá doida garota, e se tu tiver falando isso pra um serial killer. - Por mais incrível que pareça, Anderson falou isso seriamente, ele tentou manter a voz baixa, mas todos puderam ouvir o que ele disse, incluindo o dito serial killer.

O argumento do rapaz foi refutado pela ruiva que ficou embasbacada com a atitude de seus colegas:

- Pelo amor de Deus, deixem de ser estúpidos, homicídio não é um assunto a ser debatido Levi, e Anderson, de onde saiu a ideia de ter um professor assassino?

Edel, que estava quieto, começou a rir sozinho, inacreditável, ensinando jovens... Tão... Ele não tinha palavras para descrever a sua situação, eles pareciam ‘idiotas’ conversando entre si, ele conseguiria se divertiria com isso, e bastante.

- Eu quero que vocês deem sugestões em relação ao mundo real. Quero... Debater problemas na vida real, e não apenas frases filosóficas ditas há muito tempo atrás, estamos no século 21, tem que ser problemas desse século. - Explicou o novo professor.

De novo, foi surpreendido, eles realmente pararam para pensar em um assunto decente dos tempos modernos. A primeira pessoa a sugerir foi, Aimees, a mais tímida. No começo Edel pensou que ela fosse o “mascote” da classe... Ou quem sabe, muda.

- Podemos falar sobre o ensino moderno. É só uma ideia. - Ela estava escondida de baixo de seu capuz, deitada de bruços na classe parecendo hesitante ao falar aquilo, como se sua ideia fosse... insignificante.

Percebendo a falta de segurança de sua aluna, Edel comentou ao tentar reconfortá-la:

- É uma boa ideia, mas acho que não para uma primeira aula. - Antes que qualquer um pudesse dar mais propostas para a aula – Faremos o seguinte, quero que tirem conclusões precipitadas sobre seus colegas, finjam que não se conhecem e definam as personalidades uns dos outros apenas observando a aparência.

Para o aborrecimento de Edel, Chloé levantou a mão.

            - Fale. - Disse desinteressado.

            - Faremos isso em duplas ou no geral? Temos que anotar em uma folha ou apenas dizer em voz alta? Nós d-

            Antes que ela continuasse com as perguntas, Jana à interrompeu:

            - Não precisa fazer tantas perguntas, acho que ele nem tem habilidade cerebral suficiente para ouvir e responder tudo. Sem ofensas.

            Atordoado com a falação de Chloé, o homem respondeu de olhos arregalados e ainda mais inclinado em sua cadeira.

            - Quero que anotem em folhas de papeis, e quero que julguem todos os seus colegas. Mais alguma pergunta?

            Dessa vez quem levantou a mão foi a do penteado mullet, mas ela nem esperou por uma resposta.

            - Posso usar caneta rosa?

            O mais velho deu uma risada anasalada.

            A garota foi respondida por Jonathan, que debochou:

            - Se ela pode usar uma caneta rosa eu posso usar uma amarela, né? - Anderson ao seu lado, deu um tapinha no ombro dele rindo da pergunta besta.

            - Usem a porra da cor que quiserem, desde que façam eu não me importo.

            Os adolescentes se espantaram com o palavrão saindo da boca do mais velho, Madra quase caiu para trás com a risada que vinha de Jana. De repente, o clima na sala não estava mais tão tenso, e a atividade foi começada.

                                                                       ...

            Eles realmente se esforçaram para fazer a atividade, passaram a observar a fundo a aparência uns dos outros; quando terminaram avisaram a Edel, e começaram a se apresentar.

                                                                       ...

            - A primeira a se apresentar vai ser Aimees, e sim, eu estou fazendo pela ordem da chamada. - Falou o professor inclinado na cadeira de frente para o quadro, esperando a jovem ir para frente falar sobre seus colegas.

            Aimees levantou com os ombros contraídos, e caminhou até a frente em passos pequenos e rápidos. Ela resmungou alguma coisa antes de começar com uma voz baixa.

            - Tudo o que eu escrevi... Quero dizer... Olha, eu não escrevi baseada no que eu conheço de vocês, eu só... Me baseei no que vocês vestem.

            Jonathan, que não consegue segurar a língua, gritou, desnecessariamente:

            - Fala mais alto, porra!

            - Shiu. - Repreendeu o professor com o lábio indicador nos lábios e com uma cara demonstrando o seu desagrado com o comportamento, de quarta série, de Johnny.

            O garoto sossegou com um tapa na nuca de Anderson.

            A palavra “nervosa”, era insuficiente para descrever a emoção de Aimees no momento, talvez “desesperada” fosse mais apropriada. Um ódio mútuo que todos já sentiram, era de ter que ir na frente da sala inteira apresentar um trabalho, imagina então quando esse trabalho for julgar seus colegas pelas roupas que vestem.

            Voltando-se a garota, Edel disse:

            - Sim Printempo, é nisso que o trabalho consiste. - Ele não falou com o intuito de ser malvado, com a menina, na realidade ele queria ajudar ela, mas talvez a expressão indiferente que ele estava, fez com que essa frase soasse zombeteira.

            Quando o professor ouviu os alunos rindo, ele logo fechou a cara e sinalizou para que ficassem quietos, em seguida, acenou para Aimees continuar.

            Com uma voz baixa e doce, ela continuou:

            - Eu descrevi cada um em duas palavras, a primeira foi a Jana, “fechada e antipática”; Jonathan, “Egocêntrico e esportista”; Chloé, “Organizada e inteligente”; Madra, “Inquieto e desorganizado”; Andy, “Amigável e... funkeiro”... - Nesse momento a sala foi preenchida por risadinhas; novamente, o professor teve que mandar todos ficarem quietos. – Rivaille, “Bonita e fútil”. É isso, eu realmente não acho que vocês são assim, eu apenas descrevi o que eu vi pelas roupas de vocês...

            A sala ficou novamente silenciosa, todos pensando, alguns ofendidos, outros nem aí.

            - Ótimo, ponto pra você Aimees. Digam se concordam sobre a opinião de Aimees, caso não concordem, deem suas opiniões. - Falou seu professor quebrando o silêncio.

            - Me chamou de egocêntrico, dangsin-ui so? - Disse o asiático com uma careta raivosa, seu corpo estava inclinado para frente como se quisesse furar a garota com uma caneta.

            - Não sei o que isso significa Matoso, mas deve ser palavrão, não lhe quero xingando aqui dentro, e outra, é uma atividade, e você parece aqueles jocks em filme americano que todos os espectadores odeiam; quanto ao resto, se controlem, vocês não são primatas. - O professor teve que intervir antes que virasse uma briga e a garota enfiasse a cabeça na terra, como um avestruz medroso.

            Não acho necessário comentar, que a morena estava tremendo na frente do quadro, temerosa sobre outros colegas reclamando sobre as coisas que disse; mal sabia ela que invés de prestarem atenção sobre o que ela disse, estavam rindo e caçoando do dito “jock”, mas como todo adolescente, ela só conseguia pensar na “vergonha” que passou.

            - Essa anã me chamou de “fútil”, e eu não tô reclamando. - Expressou Rivaille enquanto encarava Aimees com um olhar simpático, falso. Não preciso dizer que a morena ficou ainda mais envergonhada.

            - Tu parece, e é fútil, Levi. - Jana, opinou descaradamente.

            Infelizmente, ninguém na sala negaria essa afirmação, a garota se importava muito mais com atributos físicos do que atributos mentais, por exemplo, mas como qualquer pessoa normal, ela se magoava com pessoas pensando tão baixo dela.

            Antes que Rivaille pudesse se defender, Edel exclamou animado:

            - Isso, era isso que eu queria, vocês julgando uns aos outros; isso é estritamente errado meus caros jovens, falemos sobre preconceito. Quem ganhou o ponto foi Aimees, que começou essa zorra. - Enquanto falava o homem ia se levantando da cadeira desconfortável e voltava-se em direção ao quadro. – Me digam, o que é o preconceito? Printempo, já pode voltar para o seu lugar. Mandou o professor.

            Assim que Aimees se sentou, Jana e Chloé levantaram as mãos ao mesmo tempo. Chloé deu um olhar curioso para a gótica, estranhando a possibilidade dela saber a resposta, contudo, Jana não deu importância para o olhar julgador da ruiva.

            O mais velho ignorou as duas e direcionou a pergunta, especificamente, para o quieto aluno que estava no fundo da sala.

- Craiceáilte, tem estado tão quieto, por favor, me diga o que significa a palavra “preconceito”.

            O garoto parecia perturbado por ter sido questionado, mas mesmo assim respondeu com um pouco de incerteza na voz, ignorando o olhar incrédulo que Jana e Chloé o deram.

- Julgar sem saber?

- Exato, garoto. Alguém defina essa palavra pelo dicionário, quero um significado mais amplo. - Sem esperar pelos seus alunos, ele mesmo escolheu quem iria respondar a sua pergunta. – Winch, defina “preconceito”.

Surpreendentemente, a garota respondeu como se tivesse decorado a resposta uma semana antes, após ler o dicionário mais de cem vezes; totalmente confiante.

            - “Pre”, é ‘antes’, por exemplo, “eu sou uma pré-adolescente”; já “conceito”, tem como significado ‘compreensão’, o que dá a entender “antes da compreensão”. Ganhei um ponto?

            A maioria não estava surpreso, ela tinha uma facilidade enorme com “línguas”, ela conseguia aprender novas palavras com muita facilidade, além de saber um pouco de latim para entender a origem das palavras.

            Com um sorriso orgulhoso, Edel disse:

            - Não, mas foi uma boa resposta.

            - Eu que o diga. - Comentou Anderson, um dos poucos que não conhecia Rivaille tão bem, eles se conheceram no começo desse ano e não sabia o suficiente dela para saber que a garota era de humanas, e uma muito boa no assunto.

            - Pensei que os comentários maldosos viriam do seu namorado, Andy. - Disse Madra com um sorriso provocante nos lábios.

            Em 20 minutos de aula nenhum de seus alunos tinham se provado amigáveis ou respeitosos uns com os outros, eles eram grandes felinos que viviam soltando as patas sem motivo aparente, uma comparação boba, mas muito verdadeira.

            - Madra, acho que prefiro você mudo do que perturbando a paz na sala, quanto aos outros, eu realmente me sinto orgulhoso – ironizou – vocês são tão bons presumindo, vivem se tratando mal e não se importam com o sentimento alheio, sinto que esse ano será de ouro.

            Os jovens estavam constrangidos com as palavras do novo mentor, quer dizer, ele mal entrou em sala de aula e já tinha que lidar com eles sendo hipócritas, vendo que a aula seria sobre o que eles mais faziam de errado, julgar.

            - Mas é tão normal... Quero dizer, a gente é assim o tempo todo. A gente vive se tratando “mal”. - Falou Anderson tentando denfender-se.

            - Concordo com o Andy, às vezes são só piadas. - Jana raciocinou.

            Edel estava cada vez mais ansioso, seus aluninhos eram tão estúpidos.

- E é nesse ponto que eu quero chegar, o bullyng vem de piadas, julgamento; tentem entender isso, quando Printempo falou sobre cada um de vocês baseada no que estavam vestindo, ela estava sendo preconceituosa, será que ela errou?

            Chloé que estava prestando atenção a cada palavra, pronunciou-se:

            - Eu já tinha entendido isso, esse seu esquema de nos fazer ficarmos contra uns aos outros e ferrar com o nosso convívio – Deu um suspiro – Mas, não acho que Aimees estava errada no que ela disse.

            O asiático revoltou-se, levantou da cadeira brabo e exclamou em resposta:

            - Tu só diz isso porquê ela te chamou de inteligente, seu pedaço de merda.

            - Matoso, olha a língua. - Interferiu seu professor.

            - É, o Johnny tá certo, Chlo, eu sei que fui chamada de “linda”, mas não significa que anulou o “fútil” da minha cabeça. - Comentou Rivaille, dando sua visão da história.

            - Eu já me desculpei, porque não esquecemos o ocorrido e seguimos adiante com a aula. - A esse ponto Aimees estava desesperadamente tentando acalmar seus colegas, balançando as mãos ainda sentada. Madra tentou confortá-la passando a mal pelos cabelos da mesma, mas não adiantou.

            O professor vendo o que aquilo ia virar, teve que intervir, mas de forma uma sútil que não destruiria esse clima de debate.

            - Vocês estão indo bem nesse debate, só quero lembrar que existem dois lados nessa história, alguém pode me dizer que lados são esses?

            Por um momento a sala parou para pensar um pouco, que diabo de lados esse cara tava falando. O momento parecia cômico, todos de olhos arregalados e olhando em direção ao quadro com uma careta pensativa. Até Jana se pronunciar.

            - O lado certo e errado?

            Virada para Jana e com um sorriso falso, Chloé rebateu:

- Isso é óbvio.

Não querendo ver as duas perturbadas brigando, Edel afirmou:

- Não, não é, existe um lado certo e um lado errado, mas isso vai com a opinião de cada um; enfim, acho que estamos nos distânciando demais do assunto, que é...

- Preconceito! - Exclamou Rivaille com a mão levantada e sorrindo.

- Isso Winch, como eu disse, sempre existirão dois lados, no preconceito também existe isso, há pessoas hipócritas que dizem que não podemos julgarmos uns aos outros, mas mesmo assim saem insultando as pessoas quando cometem um pequeno erro, na visão dela; tomo como exemplo, minha vizinha, que vai a igreja, mas vive falando mal das prostitutas que ficam na esquina da casa dela, julgando as mulheres que fazem o que podem para viver. Me falem, já foram preconceituosos com alguém ou sofreram algum tipo de preconceito? - Enquanto dizia isso, passava os olhos por seus alunos, que pareciam realmente interessados com o que o homem dizia; no final da explicação, ele deu um sorriso e voltou a se sentar.

A garota mais alta, Rivaille, pôs-se a fazer uma pose dramática, ela parecia uma atriz, as costas de sua mão na testa e mais uma cara de ‘sofredora’, ela expôs:

- Oh, acabei de sofrer disso, essa menininha adorável com lindos caichinhos me insultou! – Teve um tempo para se ajeitar e pôr as mãos contra o peito antes de continuar – Ela me chamou de fútil! Logo eu, uma criatura tão formosa.

A sala se encheu de risadinhas novamente, dessa vez até Edel sorriu, já Aimees, não parecia mais tão nervosa, entrando na brincadeira com seus colegas.

- Eu também sofri – Disse Johnny entrando na brincadeira – fui taxado de egocêntrico, logo eu, o próprio Sol.

- O único Sol aqui sou eu, com meus lindos cabelos de fogo. - Chloé se vangloriou depois de balançar seus cabelos.

- Chega, acabou a palhaçada. Esses foram bons exemplos de preconceito, perceberam que Aimees ao julgar a aparência de Rivaille, ela disse dois tipo de características, uma positiva e uma negativa, “linda” e “fútil”, respectivamente; “linda” é um bom julgamento, concordam? - Questionou o professor, descansando em sua cadeira.

- É, mas pra mim ela só disse coisas ruins - Jana reclamou – não precisa se sentir mal Aimees. - Acrescentou ao ver o estado em que a garota ficou.

- Isso é verdade, mas de novo, vai da cabeça de cada um, como eles veem a pessoa que estão julgando, talvez ela tenha visto você, Bolkiah, mais amigavelmente, e não teve medo de te “insultar”, porque ela sabe que você não ficaria chateada. – Concluiu o professor com o rosto tranquilo, mas ao ver que o aluno temperamental ia falar alguma coisa, inerrompeu – Matoso, você é diferente, é especial, por isso que ela te chamou de egocêntrico, um enorme elogio para afagar o seu ego.

            E ele não estava errado, o moleque ia reclamar com a garota, mas parou depois de ouvir as palavras de seu mentor.

            - Então percebe-se que existem vários tipos de julgamentos, dos doces aos amargos; e mesmo que não gostemos, o preconceito sempre existirá.

            Seus alunos acenaram com a cabeça; Anderson perguntou enquanto escrevia as palavras de Edel:

            - O senhor não acredita na possibilidade de um mundo sem rótulos ou julgamentos?

            - Olha, Maltês, eu não acredito que um mundo assim seria melhor, “se as pessoas conhecem os momentos ruins, saberão aproveitar os momentos bons”, uma frase simples sem nenhum criador aparente, que dá sentido a vida.

            Rivaille entrou na conversa:

            - O senhor acredita em frases brégas mas não acredita em um mundo ideal? Parece meio hipócrita.

            Como já foi dito antes, Edel é um grande hipócrita, seus alunos não o entendiam, talvez porque tenham acabado de conhece-lo, mas ele os enchia de curiosidade, instigava-os a perguntar e questionar suas opiniões e pensamentos, eles ainda não sabiam se ele fazia de propósito ou se ele era só um idiota, não sabiam se essa curiosidade era boa ou não no mundinho em que viviam, cada um preso em uma pequena bolha que protegia-os do mundo real e de grandes questionamentos. Na sala o silêncio se fez, Edel estava quieto pensando em como responder a garota.

            - Acho que... são duas coisas diferentes, Levi, algumas frases nos fazem pensar, sabe? Já um mundo ideal é algo impossível. - Tentou Anderson, expressando sua opinião.

            - Vou ter que concordar com o Andy, são duas coisas diferentes e as pessoas podem concordar com uma e discordar da outra sem parecer um hipócrita. - Concordou Chloé enquanto olhava para ver se alguém ia falar alguma coisa.

            - Credo, vocês parecem militantes do Twitter. Eu quis dizer que, os dois parecem a mesma coisa, frases bregas e mundo ideal, são ambas visões “bobas” quando comparadas ao mundo real, sabe? - Rivaille parecia certa do que dizia, ela realmente inspirava confiança com o tom que usava.

            - Sim, sim... Pensando por esse lado são iguais mesmo. Mas o Sidney não disse que concordava, ele só falou uma frase qualquer pra contextualizar. - Jonathan era outro que transpirava confiança, a diferença é que se discordassem dele, você ia tomar um “choque de confiança” na cara.

            A parte de “Sidney” deixou a sala um pouco mais leve com a discussão acontecendo; Jonathan tinha a mania de chamar as pessoas por apelidos, principalmente por famosos com quem se pareciam.

            - De onde saiu “Sidney”? - Perguntou Edel divertido, ele até se inclinou um pouco na mesa em uma postura transpirando tranquilidade.

            Com uma risada, Madra disse:

            - Esse pedaço de merda inventa apelidinhos idiotas pra cada um que conhece.

            - Inclusive o seu, Cachorro Louco! - Bradou Johnny se levantando para brigar.

            - Me chama assim de novo, filho da puta! Vai ver o que eu vou fazer com essa sua cara! - Ao final da frase Madra também levantou-se para ir com tudo na cara de Jonathan, mas foi segurado por Aimees que tentou fazer com que ele se sentasse. Anderson também teve que controlar Jonathan para não fazerem um barraco dentro da sala de aula, os dois pareciam crianças trocando insultos enquanto suas mães o seguravam, mas dessa vez as “mães” não estavam dando conta, vendo que o asiático já estava com os punhos para o alto esperando uma briga, Madra estava com ambos os cotovelos segurados por Aimees que ainda tentava acalma-lo com palavras.

            Os desentendimentos dos dois eram frequentes, eles agiam assim desde a sexta série, quando entenderam o quão diferente seus mundos eram; Jonathan vinha das favelas, criado por um tio trabalhador que tratava seu sobrinho como adulto desde tenra idade, ele não conheceu seus pais, nem queria, eram inúteis; Madra, vinha de uma família rica, seu pai era vereador e sua mãe, que fugiu, era uma aeromoça, ele podia não se dar bem com seu pai, mas foi criado em um berço de ouro, com empregados até para escovar seus dentes e o pôr para dormir. Um choque de realidade, dois estudantes com personalidades semelhantes, criados em mundos opostos, foi isso que os dividiu, o dinheiro. Talvez se um dos dois fosse criado em condições semelhantes ao outro, eles poderiam se tornar amigos... Mas não é assim que o destino trabalha.

            Voltando à discussão.

            - Puta merda! Parece que eu to numa rinha seus animais! Não se pode falar uma coisinha que já viram uns bichos, porra! - Berrou Rivaille, seguida por Chloé:

            - Até animais irracionais conseguem ser mais comportados do que vocês dois.

            Nesse momento estavam quase todos de pé, Chloé com as mãos cruzadas e uma cara irritada; Rivaille com as mãos na cintura e brigando junto; Jana, estava bem sentadinha assistindo tudo em primeira mão e Edel, seguiu o exemplo da gótica e apenas deixou o caos acontecer sem interferir.

            Por fim os dois se acalmaram com as palavras do seu professor neutro.

            - Já mandei cuidarem o que falam, se alguém entra nessa merda e vocês estão falando palavrão quem se fode sou eu. - Repreendeu Edel calmamente, sem nem se importar com a discussão acalorada entre os galos de rinha, também chamados de Madra e Jonathan - Ninguém respondeu minha pergunta. - Finalizou.

            Jonathan voltou a se sentar ignorando seu professor. Com uma cara fechada, deixou-se ser acariciado no rosto por Anderson, Madra também voltou a se sentar emburrado com Jana o insultando.

            Dando um suspiro para manter-se calmo, o asiático disse:

            - Tu parece o Sidney Magal.

            O momento tenso foi quebrado pela risada descontraída dos alunos, o ambiente ficou até mais leve.

            Ainda rindo Jana disse:

            - Ele não parece o Sidney Magal.

            Anderson, que tinha a risada mais engraçada, falou:

            - Bom, se tirar a cor do cabelo, o formato do rosto e as características facias fica igualzinho. - Uma piada boba, mas que pareceu muito engraçada após a ‘quase’ briga, até mesmo Edel estava dando umas risadas fracas. O momento foi interrompido pelo sinal estridente de final de aula.

            Os alunos começaram a arrumar suas coisas para ir embora, uns iam calmamente como se o tempo não importasse, e os outros pareciam até chitas, de tão velozes, Jonathan com certeza estaria na liderança se fosse uma corrida. Eles saíram rapidamente da sala se despedindo do professor.

            Já Edel, estava se preparando para uma chegada em casa onde ele faria um chá de erva-doce e assistiria algum filme de fantasia, o sonho de todo o inglês. Sua vida não era muito emocionante, afinal, a parte mais importante do seu dia era uma tartaruga chamada Sasha, que ele cuidava com muito carinho, por sinal.

            Saindo da sala, ele murmurou para si mesmo:

            - Talvez eu veja Mathilde hoje.

                                                                       ...



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