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História Desapaixonar - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Cruelmente


Fanfic / Fanfiction Desapaixonar - Capítulo 7 - Cruelmente

O tempo fica parado

Há beleza em tudo que ela é

Terei coragem

Não deixarei nada levar embora

O que está na minha frente

Cada suspiro

Cada momento trouxe a isso

A Thousand Years- Christina Perri

Meus passos são lentos, parece que tudo está girando ao meu redor, apenas caminho e caminho pelo corredor cheio de pessoas falando alto e rindo.

Entro na sala vazia me sentando na cadeira da frente, meus olhos vão para parte de trás da sala onde a cadeira dela está. Solto um suspiro nervoso voltando a olhar para minha mesa, tudo estava desmoronando, o sonho que acabará de realizar virou cinzas com um punhado de palavras bem direcionadas.

Agora nada mais me restava se não aguardar. Aguardar para ver se o coração da minha mãe amolecia e ela de alguma maneira me aceitasse do jeito que sou.

Começo a riscar alguma folha aleatória do meu caderno com o cérebro viajando na conversa que destruiu meu coração em mil pedacinhos.

Incrível como pais podem destruir os filhos, eles pensam que não mas o poder que exercem sobre nós é gigante. Meus olhos param na porta quando Zulema entra sorridente.

Não consigo sorrir de volta para ela, por isso desvio meus olhos novamente para a folha sem coragem de encarar o que deveria fazer.

— Tudo bem, Maca?

Pega uma cadeira qualquer se sentando do meu lado com seus olhos me mirando preocupados.

Sem forças me jogo nela a abraçando como se fosse meu bote salva-vidas.

Afundo minha cabeça em seu pescoço querendo gravar para  todo sempre aquele cheiro em mim, me afasto milimetricamente vendo ela me perguntando freneticamente o que eu tinha.

Segundo minha mãe a doença do meu corpo era amar demais Zulema. Seguro seu rosto trazendo-o para o meu, seus olhos eram tão brilhantes e vivos, tão expressivos.

Se isso fosse algum tipo de doença então ficaria feliz por ela me matar, fecho os olhos colocando minha boca na sua, absorvendo todo sabor e emoções que aquele ato trazia.

As mãos de Zulema foram aos meus cabelos me segurando ali, meu mundo girava e girava, e eu tentava me manter equilibrada com aquele beijo, mas meus olhos traíras não permitiram, deles descia todas as dores que mamãe me jogou.

Ao perceber que chorava ela se afastou de mim, também me virei limpando meu rosto e encenando um sorriso que não convenceu nenhum pouco Zulema.

— O que aconteceu? Me fala Macarena.

— Não aconteceu nada — dou um pequeno selinho nela — A Saray vem?

Ela segura meu rosto forçando meus olhos se encontrarem com os seus, o jeito que me olhava me fez engolir em seco tremendo por dentro.

— Não minta para mim, por favor.

— Não estou mentindo. Apenas não insista.

Ela assente levantando uma sobrancelha como se tentasse me desvendar. Eu também tentava fazer isso, entender as confusões e ações que precisava tomar naquelas circunstâncias contra minha mãe a favor da minha felicidade e saúde mental.

Os olhos verdes sempre me encaravam durante as aulas, ela estava insegura e nem mesmo papéis voadores teve.

Queria poder deixar Zulema mais tranquila só que eu mesma estava nervosa.

Ela iria me expulsar de casa, sem um pingo de dó ou pena, me deixaria na rua sem opções caso eu escolhesse Zulema. Eu perderia tudo, até mesmo não poderia ver meu pai, ele poderia não me aceitar ou talvez aceitasse, nunca saberia ao certo.

Tinha medo que minha mãe agisse pior do que prometeu,  ela parecia uma mulher má esperando qualquer atitude minha para me fazer pagar pelos pecados que cometi.

Me sentia fraca em relação a isso. Queria poder ter forças para enfrentar todos com punho de ferro porém me via encolhida diante essa situação, apenas esperando para ver o que o destino tinha preparado para minha vida.

Saio apressada sem nem mesmo esperar Zulema, não durou muito minha fuga pois antes de sair ela agarra meu pulso me obrigando a olhar no seus olhos.

Me sinto deprimida apenas por ver seus olhos, ela estava mau e a culpa disso era minha, se não tivesse ido aquela festa nada disso estaria acontecendo, continuaria feliz sendo sua amiga mesmo que para isso perdesse os momentos encantadores de beijos e carícias.

Suspiro me soltando do seu aperto leve.

— Eu fiz alguma coisa que te magoou?

Mordo o canto da boca negando.

— É claro que não.

— Então o que houve? Você estava normal ontem, aí só bastou voltar para sua casa... — Coloca a mão na testa — Aconteceu alguma coisa com seus pais?

Fecho os olhos, sim Zulema aconteceu muito com meus pais, a começar pelas ameaças da minha mãe. Ela com certeza deve sentir nojo de mim e repugna qualquer relação homoafetiva e eu, advinha só, sou louca por você.

Reprimo a vontade de dizer tudo isso me contentando apenas em segurar no seu rosto com o máximo de afeto que consigo, tentando transmitir por esse ato todo meu sentimento, todo amor que estão guardados no meu peito e que pelos próximos dias vão permanecer, intactos porém escondidos do mundo.

— Não quero que se preocupe com nada, eu amo você e é só isso que deve focar.

Ela sorri beijando minha mão e se aproximando mais, antes que possamos nos beijar me afasto vendo a expressão decepcionada dela e saio porta a fora, precisava me acalmar para conseguir administrar minha vida.

Aperto o passo chegando em casa rapidamente, meus pés fracos pisam no meu quarto onde as malas grandes estão em pé.

Olho para minha mãe com os braços cruzados.

— Terminou com ela?

— Vai me expulsar de casa? — Perguntei limpando o canto dos meus olhos molhados.

— Isso colocaria seu pai em uma cova — Se aproxima — Eu pensei bem e, a melhor alternativa é você ir morar com sua tia em Chicago.

Coloco a mão na cabeça soltando um som surpreso.

— Não era esse o combinado.

— O combinado era você terminar com ela Macarena.

— Acontece que eu não consigo mãe! Se te pedisse para terminar com papai você terminaria?

— Seu pai é um homem não ouse comparar.

Me sento na cama puxando meus cabelos com raiva, como ela pode não ver a dor que está me causando? Isso não a sensibiliza nenhum pouco?

— Eu a amo.

Sussurro me encolhendo. Aperto meus olhos quando a mão da minha mãe passa pelo meu ombro e ela me abraça de lado.

— Não tem como você amar uma garota, e ela nunca te amaria de volta.

— Você tá mentindo — Minha voz sai rasgada com a dor.

— Não, não estou, minha filha eu quero que se salve, tudo que estou fazendo é para o seu bem, entende?

Nego com a cabeça chorando ainda mais, segundos se passam com minha mãe tentando me explicar que aquilo tudo era para o meu bem, mas eu não acreditava, o meu bem não era sofrer tanto, não poderia ser.

A porta se fecha levando ela para longe de mim, suas palavras apertam meu coração me sufocando.

Corro para abrir a janela, como peça do destino Zulema também abre, seus olhos perdidos logo encontram os meus e o sorriso que começava a nascer se desmancha vendo minha situação chorosa.

Meu celular vibra em cima da mesa, eu nem tinha dado meu número para ela mas provavelmente deu um jeito de pegar ele.

Vai me falar quando o que você tem? Eu posso te ajudar.

Leio entre soluços, ela não podia me ajudar, eu sabia disso mas essas palavras foram como um acalento ao meu coração, parecia que ela me abraçava e protegia.

Me encontre no ferro velho.

Digito simplesmente, precisava disso, dessa força. Meu coração estava cortado sangrando, tentava entender meu futuro mas tudo que via era uma vasta tristeza sem tamanho, como podia acreditar em dias melhores se estava deixando ela para trás?

Essa coisa que me doía era insuportável, queria poder desistir de tudo e correr para seus braços, esquecer dos meus pais e tudo mais, porém não podia, mesmo mamãe me matando por dentro eu ainda a amava, não seria feliz sem sua aprovação e muito menos sem a do papai.

Coloquei um casaco grande, lavando meu rosto para tirar os vestígios de choro, ela com certeza já sabe que estava triste, mas não quero deixar Zulema ainda mais preocupada, esse não é o intuito do encontro.

Eu só queria minutos ao seu lado para preencher esse vazio, essa coisa que me consome tenebrosamente.

Abro a porta me colocando para fora, tento descer as escadas silenciosamente porém minha mãe parecia muito mais concentrada em mim do que pensava.

— Onde vai?

— Sair — Desço as escadas mais rápido que posso mas ela consegue segurar meu pulso.

— Para onde? Com quem?

Enfim olho no seus olhos, como ela podia ser cruel daquele jeito comigo?

Solto o ar com força saindo do aperto da sua mão, cruzo os braços seriamente.

— Eu só quero me despedir, até isso não posso?

— Por que simplesmente não fingi que ela não existe?

Rio sem humor algum não crendo nessa versão maligna da minha própria mãe.

— Por que eu não sou robô mamãe. Não vou fazer nada de errado, eu prometo.

Ela cerra os olhos como se procurasse qualquer sinal de mentira da minha parte. Desistindo ela balança a cabeça dando alguns passos para trás.

— Ok, pode ir, mas não volte tarde.

Saio porta a fora, caminhando com o vento batendo no meu rosto, não saberia bem o que iria dizer para ela, se contaria a verdade ou apenas fingiria que estava tudo normal para podermos aproveitar um tempo juntas, talvez o último.

Pensar nisso era bem ruim, por isso tiro essas coisas da mente me concentrando no bom de ver Zulema, de ter um tempo a sós com ela sem minha mãe ou a mãe dela para interromper e atrapalhar.

Chego no muro fazendo conforme me lembrava, pulo para o outro lado apertando o casaco mais contra meu corpo.

— Bú.

Dou um grito assustado colocando a mão no meu peito acelerado enquanto ela gargalha pelo susto que me deu.

— Zulema! Eu quase morri do coração.

Ralho mas ela permanece com o sorriso no rosto me mostrando uma flor amarela, não consigo me manter brava com Zahir, faço minha típica cara de bobona quando coloca a flor no meu cabelo beijando minha testa com delicadeza.

— Ficou linda.

Reviro os olhos abraçando ela, seus braços me envolvem e seu queixo se apoia no topo da minha cabeça.

Sinto seu cheiro me invadir, todas aquelas sensações novas e gostosas de se sentir.

— Você está bem?

A pergunta vem como um sussurro calmo, aperto sua cintura me afastando um pouco para encarar seu rosto sereno.

— Melhor agora.

Sorrimos nos aproximando novamente lentamente, ela se inclina para baixo fazendo nossos rostos ficarem na mesma altura. Seus dedos agarram meu pescoço me puxando carinhosamente para me envolver naquele beijo cheio de coisas inexplicáveis mas maravilhosas.

Suspiro entre o beijo quando meu quadril é puxado contra o dela, não era exatamente essa conversa que deveríamos estar tendo entretanto parecia que quando mais próximas mais fogo em brasa.

Desço minhas mãos para seus ombros aprofundando o beijo, no entanto quando penso que vamos continuar Zulema se afasta um pouco ainda de olhos fechados.

Sorri para mim e pisca lentamente me deixando encantada pelas pupilas dilatadas.

— Adoraria continuar porém temos outros assuntos a tratar.

— Assuntos? Que assuntos?

— Maca — Se senta em cima de um carro me puxando para ficar no meio da suas pernas — Você estava estranha na escola, e também chorou não adianta me enganar. Temos que conversar sobre isso, quero te ajudar com qualquer coisa que seja.

Engulo em seco olhando para céu como se procurasse forças do além para me iluminar.

— Zule... — Começo hesitante.

— Não, Maca eu posso te ajudar sim — Encosta a testa na minha — Me fala o que foi.

Mordo meu lábio inferior, eu não queria que minhas últimas lembranças com ela fossem revestidas de dor e lágrimas por isso soltei um pequeno sorriso dando um selinho no seus lábios.

— TPM, fico péssima nesses dias — Ela me olha surpresa — Vai ter que me aguentar bem chorona.

— É só isso mesmo? — Pergunta com seus olhos me analisando, solta um sorriso radiante quando concordo veementemente — Bom, ainda bem, pensei que era algo pior.

— Minha TPM é horrível viu.

— Hum...— Beija a ponta do meu nariz — Posso comprar muitos doces para você.

— Muitos?

— Muitos — Sorrimos acabando a conversa entre beijos.


Notas Finais


Essa não☹️😔😭


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