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História Descanso - Capítulo 1


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Notas do Autor


Antes de começarem a ler, quero dizer que mudei alguns fatos nessa fanfic
— Na história, os espectros derrotados por Albafica tiveram a alma selada pelo rosário do Asmita logo depois da Sasha erguer a barreira ao redor do Santuário.
»» Créditos dos fanarts das capas: https://www.pixiv.net/en/users/12859487
É só isso. Boa leitura ♡

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Descanso - Capítulo 1 - Capítulo Único

Ombros, braços e punhos. Cada peça da sapuris é colocada em seu devido lugar pelas mãos do leal subordinado.

E assim, o Juiz do Inferno está pronto para subir no palco desta Guerra Santa. Para o primeiro ato, irá entreter os Cavaleiros de Atena com um hediondo e caótico espetáculo de marionetes.

— Tem certeza que aqueles espectros serão bem sucedidos na missão ao Santuário, meu senhor? — Lune questiona calmamente, embora uma tonalidade de preocupação em suas palavras.

Em suas mãos, o elmo de Minos, a última parte restante para completar a armadura. Desde alguns séculos, é um costume entre ambos que Balron será o único a vestir a sapuris em seu mestre e amante.

— Mesmo que Byako e os outros sejam derrotados, os Cavaleiros de Atena não terão chance contra mim — os lábios se retorcem em um sorriso arrogante, seguido de um discurso desdenhoso. — São fracos demais para impedir que seus corpos sejam manipulados com a ponta de um dedo. 

— Com todo o respeito, meu senhor, mas acho que deveria repensar sobre os espectros escolhidos para a batalha — implícito em sua sugestão, o desejo de acompanhar o juiz na missão que lhe foi entregue.

— Sou o único que conhece cada golpe dos cavaleiros e suas fraquezas, serei mais eficiente que os espectros que o senhor reuniu. Por isso, peço que por favor me deixe combater ao seu lado, Minos-sama.

Apesar do olhar persistente de Balron, suas palavras confiantes e até esnobes, Minos nem sequer reflete sobre o apelo do subordinado.

— Se eu não o convoquei para essa missão, é porque não preciso de você — uma resposta rápida e ríspida, um vislumbre de olhos dourados severos por trás da franja desordenada. No entanto, uma medida necessária para que o amante desistisse de tal ideia.

— Meu senhor, eu não sou inútil — mesmo com a negação imediata, Lune ainda é determinado em sua postura. Ele não pode aceitar que aqueles espectros, que sequer são capazes de rivalizar com um Cavaleiro de Ouro, foram escolhidos pelo seu mestre em vez de si. — Por favor, permita que eu-

Com um suspiro aborrecido, Minos interrompe Lune com um dedo nos lábios rosados.

— Preste atenção. A missão ao Santuário é só a primeira das inúmeras batalhas que vamos enfrentar nessa Guerra Santa — as feições se moldam em um rosto de seriedade. — Os Cavaleiros de Atena são marionetes lamentáveis, se quebram com uma facilidade patética. Mas não podemos negar que são ardilosos. Quem sabe o que estão planejando agora? É por isso que você tem que ficar aqui, aguardando por novas ordens da senhorita Pandora. Você me entendeu?

— Sim, Minos-sama — em tom de obediência, o espectro endireita o elmo, embora frustrado pela recusa.

Como subordinado, é seu dever alertar sobre decisões pouco cautelosas. No entanto, a palavra final sempre pertencerá a Minos, cabendo a Balron apenas cumprir a vontade de seu mestre.

Satisfeito, Minos envolve a cintura de Lune para colar o seu corpo com o dele. As pontas dos dedos percorrem o rosto pálido, seu pescoço e se fixam na nuca, provocando a pele sensível com uma carícia suave.

Lune estremece com o toque acalorado, um olhar de desejo em direção à boca avermelhada à sua frente. E no instante seguinte, captura aqueles lábios apetitosos em um beijo passional, línguas se acariciando afoitas enquanto Minos aprecia a textura sedosa dos fios prateados entre seus dedos.

— Vou esperar por você, meu senhor — com os lábios agora separados, Lune declara em tom carinhoso. — Ficarei aqui para lhe dar as boas-vindas assim que retornar da missão.

— Nesse caso, talvez eu deva mostrar um pouco de misericórdia aos cavaleiros arrancando a cabeça deles de uma vez, para que eu possa voltar mais depressa para você.

O último diálogo entre ambos antes do juiz partir para o campo de batalha.

E a rosa branca, cujas pétalas são lindamente tingidas de um vermelho mortal, atravessa a sua armadura, a sua pele, a sua carne, e infecta o seu sangue com veneno. 

Minos, que só pôde enxergar o quão bela é uma rosa, parecendo tão frágil ao mínimo toque, não foi capaz de ver que a mesma é coberta de espinhos impiedosos.

Em seus devaneios, a visão se tornando turva, uma cena da Guerra Santa anterior antes de seu corpo impotente desabar.

— Meu senhor, cuidado!

Enquanto Griffon se divertia com a decadência de uma marionete dourada, impondo aos seus membros ângulos doentios, os braços de Lune lhe envolvem protetoramente para conter o golpe de um cavaleiro.

No momento em que Minos se vira para trás, uma ferida aberta e ensanguentada no abdômen de Balron.

— Lune... — um semblante torcido em preocupação.

— Está tudo bem, Minos-sama — um filete de sangue escorre pelo canto da boca. — O senhor não se feriu, certo?

Em um juramento silencioso, tendo aquele ferimento lancinante como testemunha, o juiz decidiu que jamais trará o amante para lutar ao seu lado outra vez. A devoção de Lune foi tão febril a ponto de fazê-lo se machucar por sua causa, Minos não deseja vê-lo se sacrificar de tal maneira.

"A sua vida também é preciosa para mim".

Um pensamento que exibe sua afeição, guardado somente para si, em um último lampejo de cosmo.

Discretamente, sem dizer uma única palavra a ninguém, Lune parte para o vilarejo próximo do Santuário. Se retirar o corpo do juiz do alcance da barreira de Atena, ele poderá reviver.

Em meio aos destroços, sangue fresco abundante pelo chão, seu senhor caído de bruços. 

Em um movimento elegante, Balron se ajoelha ao seu lado, e com delicadeza traz a cabeça de Minos para deitar em seu colo. A franja bagunçada se desloca para o lado, revelando um rosto sereno, um contraste gritante com a expressão maldosa de instantes atrás.

Uma carícia sutil com os nós dos dedos, cautelosa com o sangue envenenado que escorre pelos lábios pálidos em direção ao queixo e pescoço.

Não é a primeira vez em que Lune vê Minos dessa forma desonrada. Com o poder de tornar uma vida submissa à sua vontade, surge a arrogância e a vanglória, sentimentos que somente levam à ruína inevitável.

No entanto, os espectros são agraciados pela vida eterna. Mesmo que morram em batalha, basta que o Imperador Hades, que possui domínio absoluto sobre a morte, sopre vida em suas almas para fazê-los levantar mais uma vez.

Porém, o cunho de exército imortal não é nada além de um título inútil nesse instante. A alma de Minos, selada no rosário, lá permanecerá até a próxima Guerra Santa.

Agora, ele é apenas um corpo que não voltará mais a se mover. E pela primeira vez em séculos, os espectros experimentam a morte e a dor de perder seus companheiros.

— Meu senhor... — os dizeres sufocados pelo nó doloroso que se forma na garganta. Seu rosto, que é sempre tão calmo e sério, se retorce em uma expressão chorosa conforme as lágrimas nos cantos dos olhos.

— Perdão, Minos-sama — a voz quebrada que revela sua angústia. — Por favor, me perdoe por não ter impedido a sua morte. Perdão, perdão, perdão... — e as lágrimas escorrem silenciosas. A manifestação máxima de sua desolação.

Um pesar interno corrói sua alma e estrangula seu coração. O sentimento de culpa, arrependimento e o ódio a si mesmo.

Se julgando responsável, Lune olha para suas próprias mãos, enojado de sua conduta, como se fosse ele quem matou o seu mestre. As unhas fincam na carne ao apertar os punhos em repulsa a si próprio, filetes de sangue deslizam pelas mãos pálidas.

A dor que se apossa e perturba seu peito, é a sua punição por deixar seu mestre morrer. Em vez de querer arrancar essa sensação excruciante, seu desejo é que essa dor se torne insuportável, pois acredita que a mesma lhe é merecida por trair a confiança de Griffon. E ainda assim, não é suficiente para reparar o seu pecado.

Ele, o subordinado mais leal, não pode aceitar que cometeu um erro tão grotesco. Como a Estrela Celeste da Eminência, sua conduta deve ser sempre impecável e irrepreensível, especialmente para o seu senhor.

As pétalas de rosas, que dançam de forma graciosa com  o vento, são a prova de sua falha.

Se tivesse insistido mais para lutar ao seu lado.

Se tivesse dito para não subestimar o poder do Cavaleiro de Peixes.

Se tivesse o convencido de que massacrar míseros humanos era perda de tempo.

Teria sido diferente?

— Que incomum você deixar o trabalho de lado para vir ao campo de batalha, Lune.

Subitamente, uma voz conhecida alcança seus ouvidos. Uma tonalidade mais grave e profunda desde a última vez em que a ouviu há alguns anos, quando aquele rapaz era apenas um garoto.

Balron se apressa em enxugar seu pranto. Ele nunca permitiria que um oponente flagrasse suas lágrimas patéticas e sua postura fragilizada.

— Acha que vestir a Armadura de Áries fará com que os seus pecados desapareçam, Shion? — Lune retoma sua expressão séria habitual.

O cavaleiro, que em seus braços carrega o companheiro de armas, cuidadosamente o deita no chão.

— Suponho que esteja aqui para terminar o que o Minos começou — as feições se torcem em um rosto obstinado — Lamento informar, mas não vou permitir que nenhum espectro e nem o próprio Hades destruam o vilarejo que Albafica deu a vida para proteger! — e suas palavras de bravura carregam o seu senso de dever.

— Pelo visto, está ansioso para que o meu chicote reabra a ferida no seu pescoço — um sorriso desdenhoso, quase imperceptível. — Receio desapontá-lo, Shion. Isso ficará para o nosso próximo encontro. Vim apenas para recolher o corpo do meu senhor.

— Do que vai adiantar tirá-lo daqui quando a alma dele já está selada? Não perca o seu tempo, o Minos não vai voltar mais.

— Ao menos concederei a ele um enterro digno. Se depender de vocês, Cavaleiros de Atena, jogarão o corpo dele em uma vala qualquer — um tanto inconsciente, seus dedos finos concedem uma carícia breve aos cabelos de Griffon. — Agora, será que pode fazer o favor de não me atrapalhar? — um tom aborrecido com a intromissão do cavaleiro.

— Esse maldito... — lábios crispados em exaspero. — Esse maldito veio até aqui só para derramar o sangue de inocentes! Como tem coragem de dizer que pretende enterrar dignamente alguém que não possui nenhum respeito pela vida humana?!

Imperdoável não é apenas o estilo de luta odioso do juiz, que se excita em degradar brutalmente seus adversários. Imperdoável é a sua conduta sádica em devastar a paz daqueles habitantes.

Confrontado pela declaração enfurecida do cavaleiro, os olhos lilases se arregalam em nítido espanto.

Um fato inegável. Minos destruiu parte do vilarejo para saciar o seu desejo voraz por sangue, e certamente restariam apenas ruínas se não fosse a intervenção de Áries. Nem mesmo uma garota, uma criança inocente, foi exceção à sua perversidade.

Como poderia lamentar a morte de alguém que envolveu meros humanos na Guerra Santa?

Como poderia amar um homem tão distorcido?

— Sim, é verdade — uma expressão sombria recaí em seu semblante, o olhar direcionado às feições pacíficas de Minos. — A violência do meu senhor certamente foi desnecessária, mas...

Lentamente, ele ergue o rosto. Tão calmo como de costume.

— As vidas humanas que foram tomadas pelo meu senhor não significam nada para mim — uma declaração mórbida proferida em tom suave.

Para retratar a vida dos humanos, a empatia pelos mesmos deve ser abandonada. Para si, essas vidas de tristeza e desespero, que são transcritas e arquivadas pelas suas próprias mãos, não são nada além de um divertido enredo para lhe entreter.

E por tal razão, Lune é capaz de aceitar a selvageria de Minos, sendo tão distorcido quanto ele. 

— Como ousa prote-

— Silêncio! — sobrancelhas franzidas em uma expressão severa. — Você só conhece o Minos quando ele veste a sapuris. Que direito você tem de julgar o que o meu senhor merece, quando não sabe nada sobre ele além da armadura?

As faces esboçadas no campo de batalha são tudo o que espectros e cavaleiros conhecem uns dos outros. Mas em um vislumbre mais profundo, revelado somente aos companheiros de armas, está a lealdade, o zelo, a ternura.

E assim, Lune é capaz de ver a afeição, o calor e a nobreza de seu mestre. Traços que os cavaleiros jamais associariam ao manipulador de marionetes.

Seja ele certo ou errado, cruel ou benevolente, os sentimentos de Lune por Minos são imutáveis.

— Vejo que o Minos te adestrou muito bem — em tom debochado, Shion retoma o pisciano para os seus braços. — Agora que ele se foi, me pergunto para qual dos dois juízes você pretende abanar o rabo.

— Diga o que quiser, criança tola — o espectro se levanta com Griffon em seus braços. — O meu senhor só tem a mim. Se não for eu, ninguém mais virá para buscar o corpo dele.

De lados opostos, Shion carrega o corpo de Albafica. E do outro, Lune carrega o corpo de Minos.

E nas ruínas de uma civilização antiga, cujas paredes desgastadas pelo tempo guardam as histórias e os segredos mitológicos da Ilha de Creta, o túmulo daquele que governou esse pedaço da Grécia em uma vida anterior a de espectro.

— Você se foi rápido demais nessa Guerra Santa, meu senhor — em uma última reverência respeitosa, Lune graciosamente se curva para o seu mestre. — É solitário não tê-lo por perto — palavras tristonhas ao tocar à terra à sua frente, os grãos esvaindo entre os dedos, quase como se pudesse sentir o toque do amante junto ao seu.

— Mas a sua morte não será em vão — um semblante de determinação inabalável ao se colocar de pé. Em suas mãos, o elmo de Griffon. E em seu coração, a força para se reerguer.

Ele sabe que não há tempo para se afogar em lamentações e arrependimentos inúteis. Chorar não trará Minos de volta a esta era, ou fará com que o Exército do Submundo vença esta guerra. Se o amante pudesse ver as suas lágrimas, certamente o lembraria de que ele é um Balron, um demônio flamejante. E como tal, nada deve ser capaz de lhe abater.

O que resta é trilhar este caminho de perdas e conquistas por ambos.

— Farei tudo o que estiver ao meu alcance para que o Lost Canvas seja completado. Até lá, desejo que tenha um bom descanso, Minos-sama.

E com um beijo suave no elmo, Lune o coloca carinhosamente para adornar o túmulo de Minos.




 


Notas Finais


Caso não tenham entendido o final, no gaiden do Hasgard (q aliás é o meu gaiden favorito e é o cavaleiro do meu signo ♡), é revelado q o Minos do Lost Canvas é o Minos mitológico. Ou pelo menos uma reencarnação dele, o q deve ser mais provável, já q o Radamanthys tbm apareceu nesse mesmo gaiden e só se tornou espectro séculos depois
Obrigada por lerem :)


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