História Descendants - Capítulo 2


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Categorias Os Instrumentos Mortais
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Church, Clary Fairchild (Clary Fray), Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Lily, Luke Graymark, Magnus Bane, Maia Roberts, Max Michael Lightwood-Bane, Personagens Originais, Rafael Lightwood-Bane, Rainha Seelie
Tags Cassandra Clare, Clace, Malec, Mundo Das Sombras, Sizzy, Unseelie
Visualizações 20
Palavras 3.794
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Capítulo 2


– Estão todos aqui? – perguntou Clary encarando cada um na biblioteca. Roxanne entrou, indo até a mesa onde todos estavam.

– Eu não achei Jack em lugar algum – disse a garota tomando um lugar a mesa.

– Estava procurando por ele? – Violet perguntou encarando Roxy. – Se eu soubesse teria dito que ele saiu para uma missão a alguns minutos atrás.

– Bem, então vamos começar logo – disse Jace e então se ajeitou na cadeira. – As fadas "pediram" a Clave uma segunda chance. Ela escolheu o Instituto de Nova York para receber a fada representante e avaliar as intenções desta.

– O que exatamente essa fada vai vir fazer aqui? – Gabriel perguntou.

– Ele nos ajudara com uma missão em particular, que será discutida quando ela chegar e quando estiverem todos presentes – respondeu Alec, referindo-se a Jack. – Entretanto fadas não são confiáveis e com certeza tem alguma coisa por trás disso.

– Elas nunca pediriam ajuda para ninguém, a não ser que precisassem realmente – refletiu Roxanne em voz alta.

– Exatamente. Por isso escolhemos Roxanne e Rafael parasupervisionar a fada – informou Clary e encarou ambos. – Vocês vão tentar descobrir o que ele ou ela pretendem vindo até aqui.

– Nós? – perguntou Rafael, sem acreditar no que ouviu.

– Vou ficar junto a vocês para garantir que nada ruim acontece – Alec declarou.

– O que? – perguntou Violet se exasperando. – Por que eles?

– Violet – Izzy disse a encarando. – Eles estão mais aptos para isso.

– Eu também estou. Eu me ofereço para o posto.

– Violet, você não terminou treinamento ainda e não irá! – disse Izzy num tom irritadiço que fez Simon dar um sobressalto no próprio assentos.

A garota franziu o cenho frustrada e saiu da biblioteca, fechando a porta sem fazer barulho. Embora irritada, Violet não era uma garota explosiva. Isabelle respirou fundo e encarou os outros, permitindo com o olhar que continuassem.

– Bem, – Roxy pigarreou – Fadas não podem entrar no Instituto, então como vamos supervisioná-las?

– A Clave não falou nada sobre isso, mas suponho que a melhor maneira seja alugar um apartamento ou algo do tipo – disse Jace, pensativo.

– Quanto tempo isso vai durar? – perguntou Rafael enquanto Jace olhava no próprio celular alguma coisa. Ele havia comprado esse celular não fazia muito tempo e o manuseava com maestria. Rafael supôs que ele estava pesquisando apartamentos disponíveis.

– Talvez um mês ou dois – respondeu Alec. – Vamos nos dividir em turnos, assim conseguimos mais eficiência.'

– Tem um apartamento na Hart Street por $850.

– Acho que em Nova York não conseguiremos nada muito mais barato – observou Simon.

–  Podíamos fazer um quarto no Santuário – sugeriu Gabriel.

– Pequeno demais – disse Clary e ficou pensativa. – Vale mesmo a pena?

– Se a Clave diz que sim... – observou Simon dando de ombros. Jace o encarou com ceticismo e revirou os olhos.

– A Clave não sabe o que faz boa parte do tempo.

– Bem, para apenas um mês acho que vale a pena – Isabelle se pronunciou. – Se o problema é quem vai pagar, nós dividimos. Estamos em cinco, então ficara mais em conta.

– Já é mobiliada? – Alec encarou Jace, que por sua vez olhou o celular e balançou a cabeça.

– É.

– Isso facilita as coisas – observou Roxy.

– Mas quando essa fada chega? – perguntou Rafael encarado ao pai e tios. – E o mais importante, quem é?

– Nós não sabemos ainda – respondeu Izzy. – Apenas sabemos que ela vai chegar ainda hoje.

***

Jack se atirou para cima de um demônio que numa patada o mandou para o outro lado do local, fazendo-o bater com força contra uma árvore. Ignorando a dor ardente que o atingiu, ele usou a árvore como uma alavanca e se lançou para cima do demônio outra vez, decapitando-o no ato antes mesmo de chegar ao chão. Mais e mais demônios iam chegando e Jack os matava, lançando suas adagas em alguns e desmembrando outros. Mas eles não morriam se não fossem devidamente mortos, o que deixou Jack ligeiramente incomodado e irritado.

O ruivo logo percebeu a formação que eles estavam fazendo: cercando o Caçador, sendo ele o alvo central. Ele correu na direção de uma das árvores e usou ela de apoio para dar um mortal no ar e cair para fora do círculo. Jack odiava ter que fazer isso, mas começou a correr, fugindo dos demônios que não muito atrás o seguiam, soltando guinchos agudos – uns por dor, outras por simples raiva. Olhando para o lado pode ver alguns estavam conseguindo alcança-lo. Um deles saltou, as garras esticadas prontas para retalhar o garoto num golpe, mas num movimento rápido ele partiu o demônio em dois com sua lâmina. Icor espirrou para todo lado e Jack foi obrigado a soltar a lâmina que agora estava sendo corroída.

Eram muitos demônios, parecia não ter fim, aparecendo de sabe-se lá Deus da onde. Mais uma vez encurralado, Jack pegou suas adagas, esperando ansioso para o ataque de qualquer um deles, quando de soslaio pode ver uma figura humana surgir atrás de um dos demônios. A ideia de um mundano desavisado ali só deixou o Caçador mais tenso: agora a prioridade seria proteger o civil. Mas a questão era que não era um mundano, pois este matou um dos demônios, o que chamou a atenção dos outros. Jack aproveitou o momento para erradicar um dos Drevak próximo dele, cortando as patas deste, seu guincho cortando o ar. Ele caiu no chão e o Caçador de Sombras pôs fim ao demônio, enfiando sua lâmina em seu peito. Jack correu em direção do desconhecido que estava ficando encurralada, para ajuda-lo, mas ele não parecia precisar. Seus movimentos eram rápidos, o que fez Jack supor que eram runas de agilidade. A figura se assemelhava muito a um Caçador de Sombras, com movimentos ágeis e delicados, porém rápidos e mortais. Mas a forma como lutava, como deslizava na batalha, como em uma dança brutal, era diferente da de Jack.

Quando o alcançou só haviam mais dois demônios: um que ele próprio eliminou e o outro que ficou por conta do desconhecido. Jack o encarou, quase ofegante, com uma expressão entre a surpresa e a curiosidade. A figura tirou a touca que cobia suas feições e Jack pode avaliá-lo: ele tinha  um tapa-olho que cobria seu olho direito, suas orelhas pontudas em contraste com os cabelos negros como o céu daquela noite. Uma fada. Jack ficou em posição de ataque quando este correu em sua direção com a própria espada. O ruivo atacou, mas a fada nem sequer pareceu preocupada com o ataque do garoto. Num movimento rápido, socou a boca do estômago de Jack e o empurrou para o chão. De repente um demônio apareceu na frente do até então desconhecido membro do submundo que o matou sem grandes dificuldades.

– Você... me salvou – disse Jack meio pasmo. A fada, ou melhor, o elfo, perebeu um pouco tarde, o encarou com certo desprezo.

– E você tentou me matar no ato.

Jack se levantou e encarou a fada, a barriga ainda doendo pelo soco.

– Por que você me ajudou?

– Achei que vocês Nephilim soubessem da minha vinda. A não ser que um armistício não sejam o que vocês queiram.

– Então eles estavam mesmo falando das fadas – Jack finalmente se deu conta, falando mais para si do que para qualquer outro. – Sim, sabíamos da sua vinda. Eu só não sabia que seria você o representante e nem que viria hoje.

– As fadas informaram da minha vinda – disse ele com uma expressão séria.

– Não é isso. É que... Foram meus pais que viram a mensagem. Eles não me informaram ainda.

– Hum – disse a fada analisando o Caçador de Sombras. – Você lutou bem para um criança Nephilim.

– E você também não foi mal para quem tem 300 anos de idade?– Jack disse confiante e chutando uma número. Sabia que fadas, assim como feiticeiros, não tinham a idade que aparentavam. Embora ao passo que feiticeiros eram imortais, fadas não. – Sou Jack Herondale.

– Ah, um dos filhos de Jace e Clarissa Herondale? – perguntou o olhando novamente como se pudesse pegar algo que não tivesse conseguido antes. – Imagino que você tenha algum dom como seus pais.

– Ah, bem... – Jack desviou o olhar para adaga que estava com icor de demônio. Ele suspirou, percebendo as armas que havia perdido nessa luta. – Eu não tenho nenhum poder especial. Além, é claro, das minhas habilidades de luta.

– Adoraria provar isso mais tarde – comentou a fada e deu um breve aceno de cabeça. – Me chamo Zion.

– Prazer – disse Jack e estendeu a mão, mas Zion não a apertou. Jack recuou a mão e o encarou. – Já que está aqui, então podemos ir para o Instituto de uma vez.

A fada confirmou com a cabeça e deixou que Jack o guiasse até o Instituto.

***

Violet desceu as escadas da entrada do Instituto. Jack já estava fora a tempo demais e a garota havia sentido que algo havia acontecido ao parabatai. Ela acelerou o passo quando notou ele se aproximando.

– Jack, você tá bem? O que aconteceu? Não eram só alguns demônios? – ela disse avaliando ele. Ele tinha um corte no braço, que foi curado assim que ela desenhou uma iratze nele.

– Não se preocupe, Vi. Eu estou bem. Teve mais demônios do que eu esperava, mas estou bem – Jack diz sorrindo para enfatizar o que disse. Violet sorriu de volta e deu um tapa na cabeça do ruivo, o fazendo soltar uma exclamação de dor e recuar. – AI!

– Seu cabeção. Esse seu ego vai acabar te matando um dia – ela disse fazendo uma cara de brava quando notou a pessoa atrás de Jack. Ela o encarou, os curiosos olhos de Violet avaliando as feições marcantes da fada. – É ele então?

– Você sabia?

– O pessoal fez uma reunião informando nós da vinda dele – explicou Violet e olhou para a fada, estendendo a mão. – Violet Lightwood.

– Zion – a fada fez uma breve reverencia, endireitando a postura com o olhar tão neutro e sério quanto antes.

– Jack, todos estão na sala de reunião. Avise eles sobre a chegada de Zion. Eu vou levá-lo ao Santuário, okay?

– Okay. Te vejo lá.

Jack acenou para Violet e subiu dois degraus por vez, desaparecendo dentro da grande catedral. A morena voltou seu olhar para Zion e sorriu, indicando com a mão para que ele o seguisse.

– Então – disse tentando puxar assunto, enquanto davam a volta na igreja para chegar aos fundos. – Por que usa um tapa-olho?

Violet sempre  fora curiosa e nunca fez questão de conter isso. Jack dizia que ele podia ser inconsequente, mas Violet era sempre muito inconsequente, não medindo muito as consequências do que dizia.

– Numa batalha, todos podem perder algo. – Respondeu curto e frio. A morena observou o tapa-olho da fada, entretida, e se perguntou contra que inimigos ele havia lutado para ter seu olho arrancado.

– Você é um guerreiro Seelie? Serve a rainha?

Faria sentido isso, afinal a maior conflito entre fadas e os Nephilim era com a os seelies, já que a Rainha Seelie foi quem apoiara Sebastian Morgenstern em sua luta contra os Caçadores de Sombras. Enviar um soldado ou servente seria o mais apropriado para tal situação.

– Você faz muitas perguntas. – Ele havia desviado da pergunta, algo esperado de uma fada, mas mesmo assim deixou a garota incomodada.

Um peculiar interesse e animação cresceu no peito de Violet. Ela nunca teve a chance de confrontar cara a cara uma fada e poder conversar. A garota deu uma leve risada, o que atraiu o olhar de Zion, embora este ainda não expressa-se muito mais que indiferença. Ela olhou para frente, a postura ereta e dominante que somente Caçadores de Sombras com seu ego e orgulho elevados poderiam ter. Ele a avaliava e Violet sabia disso.

Chegaram ao santuário, o qual foi aberto por Violet, que foi na frente. Zion a seguiu, não muito atrás, e olhou em volta. Era maior do que esperava. Um candelabro iluminado com luz enfeitiçada se elevava sobre suas cabeças; um sofá cinza estava encostado num dos cantos e a sua frente havia uma mesa de centro; as paredes eram feitas de pedra e do outro lado da sala, pode-se ver portas duplas, agora abertas, levando a um corredor que se estendia a um par de portas grandes e pesadas. Zion encarou Violet com certo tédio.

– Vão demorar?

– Está com presa para ir a algum lugar? – Violet respondeu o encarando e, para sua surpresa, ele deu um leve sorriso, parecendo entretido, e foi se sentar no sofá.

A garota não esperava causar essa reação. Ela apenas respondeu como achou apropriado, pois, afinal, eram assim que as fadas conversavam na maioria das vezes, se não sempre – brincando com as palavras e traçando ilusões da verdade como teias de uma aranha, deixando que o ouvinte se enroscasse no que achava ser a verdade não realmente verbalizada.

As portas do final do corredor de abriram e Violet viu os pais entrando, acompanhados de Alec, Roxy, Rafael e Jack. Ela se perguntou brevemente onde estaria Max, mas descartou o pensamento quando a conversa começou.

– Seja bem-vindo – saudou Jace. – Sou o líder do instituto, Jace Herondale.

Zion acenou com a cabeça, breve e simples.

– Sou o representante das fadas, Zion. Espero que minha estadia prove a lealdade das fadas para com vocês.

– Bem, sem mais enrolações, vamos direto ao que interessa

***

Roxanne remexia nas roupas do armário, avaliando o que era realmente importante levar. Magnus havia se oferecido para resolver a transação do apartamento e ajeitá-lo para eles. Zion esperava pacientemente – ou pelo era o pressuposto – no Santuário enquanto Roxy arrumava suas coisas. Rafael e Roxy haviam decidido entre si que seria melhor ela pegar o turno da noite e ele de manhã nos momentos que a fada não estaria ajudando-os com uma missão em particular, que mais tarde do dia seguinte seria discutida. Dessa forma, Roxanne continuaria seu treinamento, embora só fosse durar por mais um mês antes dela completar oficialmente 18 anos.

Roxy levantou o olhar quando a porta se abriu e sorriu ao ver Max no batente, a encarando.

– Oi – ele saudou caminhando até a menina.

A luz da pedra enfeitiçada, a pele de azulada de Max parecia se tornar mais clara de alguma forma, realçando a tonalidade escura de seus olhos azuis cobalto. Roxy continuou arrumando sua mala quando ele se sentou sobre a cama, olhando o que havia dentro.

– Então você vai mesmo, né?

– Dá para acreditar? – ela agora tinha um sorriso animado no rosto. – Quero dizer, eu ainda não tenho 18 anos, mas finalmente me deram uma missão importante.

– Isso é bom – Max tinha um sorriso no rosto, mas isso não se refletia em seus olhos, que agora estavam tão profundos e distantes.

– Isso é maravilhoso. Confiam em mim – Roxanne segurou as mãos do melhor amigo com um sorriso radiante, mas enfraqueceu quando percebeu sua expressão. – Não está feliz por mim, Max?

–  Não. Quero dizer, sim, é só que... Não sabemos a intenção das fadas. Só estou preocupado.

Roxanne riu, achando graça, e passou as mãos para trás da cabeça, relaxada.

– Não precisa se preocupe, Maxwell, eu sei me virar. Posso acabar facilmente com ela se ela tentar algo.

– Eu sei, é só que...

– Só que o que? – ela perguntou encarando o garoto azulado com certa preocupação. Ele retribuiu o olhar, admirando mais uma vez os olhos dourados de Roxanne, olhos estes que herdou de Jace. A medida que Jack se parecia mais com Clary, Roxanne era a cópia feminina perfeita de Jace. Sua beleza era angelical e ela sabia disso, sendo narcisista muitas vezes, embora nunca esnobe. Max deu um sorriso de lado e balançou a cabeça, desviando o olhar.

– Nada. Só acho que devíamos sair para comemorar a sua... hã, poderíamos chamar isso de promoção no seu cargo de Caçadora de Sombras? – o garoto de uma leve risada.

Roxanne riu, assentindo para Max.

– Só vou terminar a minha mala e você e eu vamos comemorar com um lanche no Hunter's.

***

Já eram 21:00 horas quando Roxanne e Max saíram do Instituto. Comumente a conversa fluiu entre eles. Eram coisas aleatórios que geralmente debatiam, as vezes sobre coisas do submundo, as vezes de possibilidades distantes. Os tópicos sempre mudavam.

– Então, Smurf – disse Roxy com um sorriso. – Se pudesse pedir qualquer coisa no mundo,  o que pediria?

– Hum... difícil – ele pareceu pensativo enquanto andavam pela Madison St. – Acho que desejaria ser um pirata, com um navio bem veloz para explorar terras desconhecidas, como Jack Sparrow.

Roxanne lançou a cabeça para trás, gargalhando.

– Você tá zoando, né?

– Você seria a co-capitã – disse Max e ambos riram juntos.

O rapaz dissera isso, pois sabia que Roxy tinha conhecimento do seu desejo, quando criança, de ser um pirata. Mas a verdade é que seu maior desejo era poder parar o tempo, mesmo que  por alguns anos, para os amigos e familiares, já que querendo ou não, um dia eles iriam embora. Quando Max completou 20 anos, ele acordou no meio da noite, se sentindo estranho, um arrepio percorrendo se corpo. Alguma coisa havia mudado e ele sentia isso. Max ficou sentado no sofá da sala quando Magnus apareceu para se sentar ao falado do filho.

– Max– ele havia chamado –, tudo bem?

Max havia descrito a sensação que havia sentido e Magnus explicou, sorrindo, que era algo natural, que acontecia com todos os feiticeiros e que com ele aconteceu aos 19 anos: o momento em que eles paravam de envelhecer e mantinham a aparência atual pelo resto de suas vidas imortais. Max não expressou muito sobre isso, apenas ficou pensativo, se dando conta que sempre pareceria jovem enquanto os outros envelheciam. Isso deixou ele incomodado e Magnus pareceu perceber, pois disse depois de um longo tempo em silêncio.

– Não pense demais no que vai acontecer, okay Max? Com o tempo você vai perceber que os momentos vividos e valorizados agora, te faram mais feliz no futuro do que você perceber que não aproveitou nada se preocupando demais.

Aquilo ficou flutuando na cabeça do rapaz por um longo tempo até ele decidir seguir o que seu pai havia dito. No momento, Roxy falava de seu desejo, que envolvia alguma coisa haver com armas e demônios. Ele sorria e assentia de tempos em tempos, quase automático, ao que a amiga dizia. Sim, não dizer seu verdadeiro desejo tinha sido a escolha mais sabia.

Eles então chegaram ao Huntrer's que estava particularmente lotado aquele noite, mas não o suficiente para não conseguirem um lugar para se sentar. A maioria dos clientes ali eram membros do submundo, que pareciam entretidos demais em suas conversas para prestar atenção na Caçadora de Sombras que acabara de entrar. Eles pediram seus lanches, Max escolhendo uma opção vegetariana e Roxanne um lanche de frango, ambos pedindo refrigerante.

– Então você vai ficar quantas horas no apartamento com a fada?

– Das seis da noite até seis da manhã – disse dando de ombros.

– Acho que vou ter que madrugar meus sábados sozinhos a partir de hoje.

Roxy riu.

– Você pode ir lá me visitar. Ai ficamos de vigia juntos assistindo A Mansão Winchester.

– A Mansão Winchester?

– Ta brincando que você nunca assistiu, né? – Roxanne parece incrédula.

– Desculpa, eu deveria?

– É um clássico – disse entusiasmada. – Quero dizer, não sei se é um dos clássicos do terror, mas é terror e baseado em fatos reais. É sobre uma senhora cujo falecido marido vendia armas, as espingardas Wintchester, e quando ele morreu, os fantasmas assassinados por suas armas começaram a assombrar a casa da velha mulher em busca de vingança. Ela começou a construir quartos que pudessem acalmar os espíritos e a casa virou uma verdadeira bagunça, com portas que não davam a lugar algum e janelas que davam em paredes.

– Isso é bizarro.

– E você vai assistir esse filme comigo – ela diz sorrindo quando a atendente chega com seus pedidos.

***

Assim que terminaram o lanche, Roxy e Max saíram do estabelecimento, caminhando pelas ruas barulhentas da cidade que nunca dorme. Estavam andando por uma rua mais deserta quando ouviram um grito. Roxanne olhou na direção do som, instintivamente sacando sua lâmina serafim do sinto, que incrivelmente Max não havia notado por sob a longa Blusa branca de Roxy.

Do outro lado da rua, uma mulher e um homem alto conversavam. A mulher parecia mundana ao passo que o homem tinha uma pele pálida e um sorriso quase louco no rosto.

– Acredita em histórias? – ele disse numa voz desafinada e deu um risinho. – De vampiros e lobisomens?

– Me deixe em paz! – a mulher visivelmente estava assustada, afastando-se devagar como uma presa de seu predador.

– Aonde vai? Nós mal começamos a conversar – disse e gargalhou alto, fazendo uma dança estranha. Ele estava completamente louco.

Max olhou para a amiga, que não havia perdido tempo e já não estava mais ao seu lado. Roxanne já estava entre a mulher e o vampiro, instruindo a moça que corresse. Ela sem pestanejar obedeceu, fugindo para o mais longe possível.

– Ah, lá se foi o meu jantar – o vampiro pareceu decepcionado e pareceu finalmente notar a Caçadora de Sombras a sua frente. – Quem é...?

– Você estava transgredindo a lei, vampiro. Sabe qual é a punição por atacar mundanos?

– Eu realmente não ligo – disso e, num movimento tão rápido que os olhos de Max mal puderam acompanhar, o vampiro se atirou na direção de Roxanne, mirando em seu pescoço.

A Caçadora se moveu também, desviando do bote indo para o lado, sua lâmina rápida como um raio sendo enfiada nas costas do vampiro. Ele gritou e pode-se ouvir o chiado de sua pele queimando com os símbolos da lâmina. Ele se virou e parecira furioso quando atacou Roxanne novamente. Eles caíram no chão, a garota pondo todas as suas forças para afastar o vampiro de si. De repente o peso do corpo sumiu e Roxy viu Max estendendo a mão para ajudá-la.

– Obrigada – disse aceitando a ajuda do menino azul. Ela olhou para o vampiro que se contorcia no chão, claramente agonizado com a dor da lâmina e da magia de Max. Roxy foi até ele, pegando a lâmina de volta e, no ato, o vampiro fechou os olhos.

– Ele morreu?

– Nunca esteve vivo – disse Roxy cutucando o corpo no chão. Não se mexeu.

– Você me entendeu – Max pareceu incomodado.

– Não tenho certeza, mas acho que sim – Roxy encarou a lâmina ensanguentada e se espantou. O sangue preto que escorria pela ponta da arma era espesso, como se tivesse se coagulado. A Herondale sacou a pedra de luz enfeitiçada e sua luz forte e esbranquiçada permitiu que vissem melhor. O sangue além de parecer diferente, cheirava diferente. Ainda tinha o seu odor original, mas de um jeito mais doce. – Mas o que diabos é isso?

– Não sei, mas devíamos levar para o instituto e mostrar aos outros – sugeriu Max e Roxy assentiu, encarando o corpo do vampiro. Ela pode ver as veias saltadas no pescoço do morto e, notou tarde, o quão magro ele parecia estar, quase doente.

 



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