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História Descendentes 4 - Capítulo 23


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Capítulo 23 - Num momento


Nas masmorras do enorme castelo de Auradon, entravam duas figuras. O único som além das dos passos e batida ritmada do cajado tocando o chão a cada segundo era das chamas estalando, a única fonte de luz do ambiente subterrâneo. Os dois caminharam até uma das celas, onde a prisioneira segurava as grades de ferro.

– Bom dia, princesa. – Cumprimentou Heitor, em seu típico ar esnobe. – Espero que tenha passado a noite bem.

– O que você quer? – Resmungou Melody.

– Te apresentar alguém. Esta aqui é Kalila. – Indicou a morena de cabelos brancos que segurava o cajado de serpente. Kalila trajava um manto azul claro e abaixou o capuz que cobria o rosto para Melody enxerga-la.

– E por que eu me importaria? – Melody debochou.

– Imagino que esteja familiarizada com a história da sua mãe, certo? Úrsula precisou da voz de Ariel para encantar o seu pai. Preciso que você ceda a sua voz para mim.

– Você deve ser muito idiota se acha que te darei qualquer coisa. – Melody respondeu.

– A única razão para você estar presa é minha necessidade de ter sua voz de sereia. Me dê e você estará livre. Me parece um bom acordo, visto que ninguém vai te tirar daqui.

Melody ficou quieta, considerando a oferta. Ela sabia que não devia confiar na palavra de um vilão, mas duvidava que saísse dali sem que Heitor deixasse. O rapaz de cabelo azul, por outro lado, esperava paciente com um sorriso esnobe, ciente de que era o lado mais forte da negociação.

– Posso esperar você pensar no assunto, se assim desejar. – Sugeriu Heitor.

– Eu troco minha voz pela minha liberdade... E sua promessa de que não atacará meu povo.

– Ah. – Heitor riu. – Uma monarca se sacrificando pelo povo. Algo que faltou na geração passada. Mas Melody, você não está em posição de negociar.

– Você precisa da minha voz e eu preciso garantir a segurança do meu povo e da minha família. – Melody retrucou, segurando as barras de ferro com mais força.

– Existe mais de um jeito ter sua voz. – Heitor sorriu em silêncio por alguns instantes. Então levou a mão ao pescoço da princesa e o puxou para perto, contraindo o rosto de Melody contra as grades. A princesa grunhiu de dor, enquanto Heitor observava quieto, aproximando o próprio rosto devagar. – Eu posso ser bem persuasivo. Você me vai dar sua voz, Melody. Tenha certeza disso. Só quero saber se vai fazer isso agora ou depois que eu quebrar cada um dos seus ossos.

Heitor liberou o pescoço de Melody, agora marcado com seus dedos. A mulher se afastou, tossindo forte. O rosto latejava por ter sido forçado contra as frias grades da cela. Heitor e Kalila a encaravam, os olhos de Heitor brilhavam em um verde claro. Pela primeira vez, Melody sentiu medo por estar na presença de um vilão e entendeu que Heitor era diferente dos outros que já havia enfrentado. Ele não pegaria leve ou cometeria o erro de subestimar os heróis.

– Melody... – Kalila falou, tocando o ombro de Heitor para ele recuar e deixar que ela falasse. – Você é inocente. Não queremos que você se machuque. Nós vamos conseguir o que queremos, de um jeito ou de outro. Então por que se machucar? Também não precisamos de você aqui, assim que nos der sua voz, você poderá ir embora. – A mesma determinação que Melody viu em Heitor, ela via em Kalila. As abordagens eram diferentes, mas o olhar de Kalila era igualmente intimidador. – Temos um acordo?

– Não vou dar nada para vocês. – Melody respondeu firme, massageando o pescoço. A princesa faria de tudo para manter os vilões longe de qualquer que fosse o objetivo deles.

– Pois bem. – Kalila soltou um suspiro de decepção. Ergueu o cajado de serpente na frente de Melody e os olhos de rubi do objeto mágico brilharam. No instante seguinte, a princesa estava presa em um transe. – Melody, cante.

Sem demora, a princesa começou a melodia, igual à mãe. Kalila segurou a concha de Úrsula com a mão livre e iniciou o encantamento. Para sua surpresa, nada aconteceu. Kalila então interrompeu o transe de Melody e a mulher parou de cantar no mesmo instante.

– O que você fez? – Perguntou Melody desnorteada.

– O que aconteceu? – Heitor questionou ao se aproximar de Kalila.

– Parece que a voz da princesa não é mágica. – Kalila concluiu, examinando o colar de concha. – Como a gente já suspeitava.

– Parece que o plano de vocês foi pelo ralo. – Melody debochou com um sorriso.

– Você me subestima, princesa. Há sempre um jeito. – Heitor respondeu, imitando o sorriso de Melody. – Eu imaginei que não daria certo, mas não por causa do seu pai... De qualquer forma, vamos ao plano B. Você será meu trunfo. Se estiver disposta a ser uma boa prisioneira, serei um bom anfitrião. Pode sair da cela e usar o castelo. Dormirá no quarto ao lado de Bela e a ajudará nas tarefas do castelo.

– O que me impede de fugir? – Perguntou Melody, observando Heitor abrir a cela.

– Sugiro que não tente isso se quiser manter a cabeça grudada ao corpo. Helena e Will não querem que eu te deixe solta, mas acho mais divertido assim. De qualquer forma, concordei com eles que se te vissem fugindo, poderiam te matar.

– Se me matar você perde seu trunfo. – Melody respondeu triunfante.

– E quem vai contar que você morreu? – Heitor sorriu e se afastou, abrindo a cela para Melody sair. – Não faça nada estúpido, Helena está atrás de qualquer motivo para te matar. E pior, ela vai poder me dizer "eu avisei".

Enquanto Melody saia da cela sem entender muito o que fazer, longe dali, na Fortaleza de Mulan, outros heróis se reuniam para discutir os próximos passos. Saphira e Jay haviam chegado na noite anterior e agora contavam tudo o que descobriram sobre Heitor e o envolvimento de Atlântida para Mal, Mulan, Evie, Arkin e Ben.

Na sala, Mal andava de um lado para o outro, absorvendo as informações. Jafar tentou ajudar Atlântida, mas Heitor e o grupo tinham silenciado o vilão por motivos que ainda eram um mistério. Kalila estava do lado de Heitor o tempo inteiro, Mal estava certa em desconfiar da mulher.

O ataque surpresa falhou de todas as maneiras possíveis. Heitor foi capaz de não só impedir o rei Tritão e o exército do rei Eric, como também sequestrou a princesa Melody. A tentativa de resgatar Bela foi em vão, pois a sogra se recusou a ir com ela. Porém, havia lhe dado uma missão. O pingente em formato do símbolo real de Auradon estava escondida em seu bolso. Deveria questionar Aurora sobre a origem da barreira e Beth, a primogênita de Bela. Além disso, deveria encontrar Cinderela para descobrir o paradeiro da Fada Madrinha. Esta desapareceu após a morte da filha, mas agora, mais do que nunca, a fada era necessária para vencer a guerra.

Não o suficiente, ainda tinha outro problema. Uma estava na enfermaria, se recuperando a última batalha. Mal nem sequer queria imaginar como a amiga reagirá ao descobrir que Harry fugiu e ela não o impediu.

– O que faremos, Mal? – Perguntou Ben, após o final do relato de Jay e Saphira.

– Não devíamos ir atrás de Harry? – Arkin sugeriu.

O olhar de Mal encontrou o de Evie. Em uma conversa silenciosa, elas concordaram que não. Anos atrás, Mal precisou fugir de Auradon para encontrar o seu lugar, a Ilha dos Perdidos. Pediria desculpas a Uma depois, mas queria acreditar que Harry estava indo embora para se encontrar. Confiaria no rapaz.

– Temos outras prioridades. – Mal respondeu. – Não é mais seguro ficar aqui, tão próximo do castelo de Auradon.

– Por favor, não me diga que vamos abandonar Melody e minha mãe. – Ben pediu. Olhar o rapaz nos olhos ficou difícil após ter mentido em relação ao encontro com Bela. Decidiu esconder a conversa  com a mulher de todos. A versão contada foi a de não ter encontrado a rainha e ter sido obrigada a fugir.

– Nós estamos muito fracos, Ben.

– Temos que nos recuperar, rei Ben. – Mulan interferiu. – Faz parte de um comandante admitir a derrota de uma batalha para vencer uma guerra. Você como um rei deveria entender isso.

Ben não ficou satisfeito com a resposta, mas concordou. Doía em Mal ser tão impotente para finalizar a guerra, resgatar pessoas inocentes das mãos de vilões e tornar o sonho do marido realidade. Ela tinha que ficar mais forte. Acreditava que buscar respostas sobre Beth era o primeiro passo, mas faria aquilo sozinha.

– Prepararei as tropas para marchar. – Mular afirmou, ao levantar-se da mesa.

– Para onde vamos? – Ben questionou.

– Ao reino de Corona. Rapunzel e Flynn vão nos receber. – Mal respondeu, com os braços cruzados.

Enquanto todos iam se ajeitar e recolher suas coisas, Mal tinha outros planos. Iria ao encontro da rainha Aurora e questiona-la, conforme Bela pediu. Pegou duas capas e foi ao encontro de Ben, com cuidado para não ser vista pelos outros.

– Ben? – Ela perguntou, entrando no quarto do rapaz sem bater?

– O que foi, Mal? – O loiro perguntou preocupando, vendo o semblante da mulher.

– Eu e você temos que ir a outro canto primeiro. – Mal respondeu, revelando a verdade sobre Bela.

–Eu tenho uma irmã? – Ben estava confuso, atônico com a revelação.

– Ben, a gente conversa depois. Anda. Precisamos voltar antes que notem nossa falta.

O loiro confirmou com a cabeça, apressado. O casal escapou da fortaleza de maneira sorrateira. Eles vestiram as capas, para esconder a identidade. Não podiam ser vistos por ninguém. Bela insistiu que Aurora deveria ser confrontada sozinha, sem a presença do rei Philip. Além disso, os vilões ainda estavam a solta e ansiavam pela cabeça do rei e rainha de Auradon. 



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