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História Descobertas no Clube de Literatura - Capítulo 1



Capítulo 1 - Encontros e desencontros


Fanfic / Fanfiction Descobertas no Clube de Literatura - Capítulo 1 - Encontros e desencontros

No final das aulas, Ichihara Yukari estava lavando seu rosto na pia do banheiro feminino quando duas garotas entraram e lhe jogaram um balde de água. A água a encharcou completamente desde seus longos cabelos loiros até a ponta dos pés. Inutilmente, ela tentou espremer o excesso de água do seu uniforme escolar.

— Eu não te falei para não se aproximar do meu namorado?

Mas ela continuou calada e tentando tirar o excesso de água da roupa.

— Estou falando com você, idiota.

— Vamos, responda a ela.

Ela as encarou com um olhar de indiferença.

— Não tenho culpa se ele veio atrás de mim.

— Agora quer dizer que o culpado é ele?

— Se você não sabe manter ele perto de você, o que quer que eu faça?

— Como é? Repita isso de novo.

Quando a garota se preparava para desferir um golpe nela, Yukari desviou, correu para fora do banheiro e subiu as escadas rapidamente. Em seguida, as duas vieram correndo atrás dela.

“Por que isto está acontecendo comigo?”, Yukari pensou.

Ao virar num corredor do segundo andar, ela entrou na primeira sala que encontrou destrancada e fechou a porta atrás de si. Ela estava ofegando e pensando quando poderia sair, depois percebeu que havia mais alguém dentro daquela sala que possuía algumas estantes cheias de livros. Em uma mesa perto da janela, um garoto de cabelos pretos estava calmamente lendo um livro e parecia que nem havia notado sua presença. Seus cabelos cobriam parte de sua testa e seus óculos de grau deixavam-no com um aspecto misterioso e, ao mesmo tempo, distante.

— Desculpe interromper sua leitura — ela tentou se desculpar de alguma forma.

Mas o garoto continuou calado.

— Eu vou sair daqui a pouco. Por favor, não me expulse.

O garoto, que não havia ainda olhado para ela, sem tirar os olhos do livro, apenas apontou com a mão para uma cadeira que havia do outro lado da parede.

— Obrigada.

Em seguida, ela se dirigiu para lá e um silêncio tomou conta do lugar. Yukari olhava para ele que continuava com a cabeça abaixada e sem dirigir qualquer palavra para ela. Ela não sabia dizer se ele era mudo ou simplesmente não queria falar. Depois de um bom tempo em silêncio, ela pegou a cadeira e a colocou para sentar de frente para ele.

— O que você está lendo? — Yukari tentou quebrar o gelo.

— Um livro — ele respondeu o óbvio e a deixou com uma cara desapontada.

— Pode me dizer o nome? — Ela não desistiu de tentar conversar.

— “O Médico e o Monstro” — ele respondeu finalmente.

— Do que ele fala? — Ela perguntou apenas para não ficar calada novamente.

— O conflito do bem e do mal que convivem em cada um de nós.

— Parece interessante.

Ele fechou o livro com um marcador de página, depois olhou pela primeira vez para o rosto dela e ela se surpreendeu.

— Não queria atrapalhar sua leitura — ela falou ao perceber seu olhar a encarando fixamente.

— Não é um pouco estranho tomar banho de uniforme?

— Não é isso, foi só um... um...

— Quer dizer que foi um “acidente”?

— Mais ou menos.

Ele se levantou da cadeira, caminhou até o armário e tirou uma roupa de educação física e uma toalha. Depois disso, as colocou sobre a mesa.

— Eu vou esperar lá fora.

Dito isto, ele se encaminhou para a porta de entrada junto com seu livro.

— O que há com ele? Por que ele fez isso, se não me conhece?

Depois de pensar no que deveria fazer, ela decidiu tirar o uniforme e secou o corpo com a toalha. Depois pegou a roupa de educação física e começou a vesti-la: uma camisa de manga comprida azul e uma calça.

— Pelo menos a roupa parece limpa e não suada — falou depois de sentir o cheiro.

De repente, bateram na porta.

— Sou eu, posso entrar? — Ele perguntou do lado de fora.

— Só um minuto.

Yukari pegou seu uniforme molhado e estendeu na janela da sala.

— Entre — ela falou.

Ele abriu a porta e voltou a se sentar na cadeira.

— Obrigada — mas ela se lembrou que ainda não se apresentou. — Como você se chama? Meu nome é Ichihara Yukari.

— Nishima Homura.

— Que nome legal.

— Você acha? — Ele fez uma cara de quem não havia entendido.

— Acho fofo... digo... quer dizer...

— Por que está fugindo?

— Não estou fugindo.

— Você entrou sem bater, estava ofegando muito e se certificou de que ninguém a viu entrar. Além do fato de que estava encharcada.

— Você percebeu tudo isso?

— Não, foi só um chute.

— Você é estranho — ela lhe respondeu rindo.

— É o que dizem — ele respondeu sem demonstrar nenhuma emoção.

De repente, começaram a bater na porta.

— Quem é? — Homura perguntou.

— Podemos entrar? — Perguntaram do outro lado.

Por causa dessa resposta, ele deduziu que era mais de uma pessoa e ela constatou que era a voz de uma das pessoas que estavam a perseguindo.

— São... — antes que ela terminasse de falar, Homura a silenciou com o dedo indicador na boca e apontou com a outra mão para o armário, para que ela se escondesse.

Em seguida, Homura se levantou e abriu metade da porta enquanto Yukari havia se escondido, mas ele não deixou as visitas inesperadas entrarem.

— Em que posso ajudar? — Ele perguntou.

Quando elas viram o rosto dele, elas ficaram sem saber o que dizer, pois o acharam atraente.

— O que desejam? — Ele retomou a pergunta ao notar que continuavam em silêncio.

— Hã? Sim, é que... você viu alguma menina passar por aqui? Ela é nossa amiga e acabou se molhando em um acidente e viemos ajudá-la.

— Não a vi. Talvez ela esteja se trocando no banheiro ou já tenha ido embora.

— Desculpe incomodar.

— Você tem namorada?

— O quê?

— Nada, não. A gente se ver por aí.

As duas se despediram e comentavam que ele era bem fofo.

Ele suspirou e fechou a porta atrás de si.

— Por que você me ajudou? — Ela perguntou depois que saiu do armário.

— Elas estavam procurando uma menina, mas não me disseram qual era o nome dela. Poderia ser outra pessoa.

— Você não precisava fazer isso.

— Ichihara Yukari. Sala 1-B. Aparentemente foi vista junto com o namorado de outra menina.

— Como sabe disso?

— São os rumores, mas não ligo para eles.

— Você deve achar que eu sou uma garota fácil.

— Eu não vi nada, portanto, você não fez nada. É melhor irmos embora, elas já devem ter desistido.

Quando ele se virou para abrir a porta, ela começou a puxar a bainha de sua camisa por trás fortemente.

— Fique mais um pouco.

— Ainda tenho que fechar a sala do clube.

— Por favor, Nishima-san — as lágrimas dela começaram a cair.

— Acho que podemos ficar mais um pouco, mas só até às 18 horas quando a escola fechar.

— Obrigada.

— Pode me soltar?

— Desculpe.

Ela o soltou envergonhada. Ele apenas ajeitou a camisa calmamente.

— O que quer fazer agora?

— Bom... não sei.

— Este é o Clube de Literatura. No momento, sou o presidente e único membro. Pode pegar o livro que quiser.

— Você não vai me perguntar sobre o que aconteceu agora a pouco?

— Você não precisa me contar, se não quiser. Portanto, não vou perguntar.

Ela se aproximou dele e começou a encarar seus olhos.

— Se eu tivesse te conhecido mais cedo, acho que já teria me apaixonado por você.

— Eu vou continuar com minha leitura.

Dito isso, ele se sentou e ela ficou confusa pela falta de reação.

*          *          *

Quando chegou a hora prevista, Yukari não sabia como ia lidar com aquelas meninas amanhã e resolveu fazer uma aposta arriscada.

— Posso me esconder aqui amanhã?

— Não.

— Por que não? — Ela perguntou desanimada.

— Aqui não é um esconderijo.

— Entendo. Desculpe a minha pergunta. É lógico que você não ia aceitar — ela falou com a cabeça abaixada.

Enquanto ela estava falando, ele tirou um papel de dentro de uma pasta e colocou na frente dela.

— O que é isso?

— O formulário do clube.

— Por que está me dando isso?

— Estou atrás de membros e eles recebem uma cópia da chave — ele falou a segurando. — Só preciso que entregue isso na secretaria.

Yukari não sabia o que dizer, pois as palavras e as ações dele pareciam confusas de se entender.

— Vou pensar no assunto — ela falou por fim.

— Bom, vou fechar a sala agora. Não se esqueça de suas coisas.

Ela recolheu as roupas que estavam estendidas na janela, mas no momento que ele fechou a porta e ia se despedir, rapidamente, ela lhe deu um beijo na bochecha e saiu correndo.

— Até amanhã — ela falou sem olhar para trás e sabia que ainda teria que voltar para sua sala para pegar sua mochila.

Homura ficou parado e, em silêncio, depois de receber um beijo inesperado.

— Espero que ela não se decepcione por causa de mim.



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