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História Descompasso - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


Volteeei e espero que gostem. Amei escrever esse ❤
Boa leitura!
(não revisei, então desculpe se tiver algum erro 😘)

Capítulo 12 - Fervendo


Naruto e eu estávamos estudando no meu quarto. Ele realmente estava se empenhando, dizendo que queria ir pra faculdade comigo e com Sasuke, mas ele tinha uma dificuldade de outro mundo. Eu já havia explicado uma conta simples para ele 3 vezes.

- Naruto, de onde você está tirando esse 16? — perguntei com tédio.

- Ué, quatro vezes quatro não é 16? — ele perguntou confuso e eu respirei fundo.

- Sim. Mas aqui não é quatro vezes quatro, é quatro elevado a quatro. O quatro, quatro vezes — expliquei e Naruto fez uma careta, que me fez rir.

Mais cedo Hinata já havia mandado o resumo das aulas mesmo antes de chegar em sua casa e também contado que Sasuke havia a chamado para sair. Admito que bem no fundo senti um ciuminho, mas estava feliz por minha amiga.

O primeiro dia de suspensão não estava ruim. Quer dizer, não foi legal levar um sermão do meu pai, mas ele entendeu o meu lado. Agora ele havia saído para fazer algumas compras, me deixando a sós com Naruto, o que a princípio me deixou um pouco nervosa, mas realmente estávamos estudando sério.

- Podemos estudar outra matéria? — ele pediu com uma carinha fofa que me deixou derretida. Ele estava usando uma blusa azul, que combinava perfeitamente com seus olhos penetrantes, calças claras e hoje usava um boné laranja virado para trás, além de estar muito cheiroso. Eu o admirei como se fosse a paisagem mais linda do mundo. E no meu mundo, acho que ele era mesmo.

“Quando foi que eu fiquei assim pelo Naruto, meu Deus? Que idiota!”

- Sakura-chan? — Naruto estava balançando a mão na frente do meu rosto, me olhando desconfiado e eu acordei do mundo da lua. Ou melhor, do mundo Naruto.

- Hm, oi?

- Eu disse para nós fazermos um lanchinho — ele riu, passando a mão pelo boné.

- Você é sempre tão morto de fome — fiz uma careta, mas me levantei e ele me seguiu até a cozinha. — O que você quer comer?

- Você vai cozinhar para mim? — ele abriu o maior sorrisão, esquenta coração e eu ignorei, me virando e abrindo a geladeira, procurando por alguns legumes. — Eu gosto dessa ideia. Eu poderia facilmente me acostumar a comer a sua comida pelo resto da minha vida — ele começou com suas investidas desconcertantes e apesar de vermelha, eu dei uma risada debochada.

- Até parece que se a gente se casar, eu vou ficar cozinhando pra você. Quer dizer, as vezes sim, mas você tem duas mãos!

“Como você é azeda!”

Sou mesmo. Eu mesma já deveria saber.

Peguei os legumes e coloquei na bancada sobre uma tábua. Estranhei Naruto estar silencioso, mas estremeci quando ouvi seus passos e sua respiração em meu ouvido, quente. Meu estômago revirou na hora, de ansiedade e nervosismo.

- Se a gente se casar? Quer dizer que pensa em se casar comigo? — sua voz baixa estava rouca e eu me arrepiei inteira, apertando minhas mãos em punhos.

Sempre que Naruto estava perto demais, eu me sentia desnorteada ao olhar para seus olhos azuis me encarando de uma forma tão excitante. Mas agora assim, com ele por trás, eu pude entender que não era sobre seus olhos. Eu ficava perdida com sua presença. A proximidade entre nossos corpos, mesmo que ele não me tocasse, esquentava minha alma. Eu me sentia quente, em todos os sentidos.

- Responda — ele mandou, autoritário e finalmente encostou seu corpo no meu. Um choque me percorreu por inteira e, estranhamente, eu tinha esquecido de como falar. Estava extasiada.

Eu deveria estar envergonhada do jeito como estávamos. Nem um garoto tinha ficado dessa forma comigo antes, mas ele era diferente. Era Naruto... e eu me sentia segura e a vontade ao lado dele. Eu sentia vários sentimentos confusos por ele, na verdade.

- Eu penso em me casar com você — ele começou, fazendo meu coração acelerar as batidas como uma bateria. — Penso em você todos os dias. Ou melhor... todas as noites. Você sendo toda minha. E desde que te vi nua...

Eu fechei os olhos, sentindo um frio gostoso na barriga e joguei meu corpo para trás, sentindo uma de suas mãos em meus cabelos. De repente comecei a me imaginar com Naruto, de uma forma como nunca me imaginei com ninguém e senti algo crescer dentro de mim, algo que explodia e se concentrava bem no meio das minhas pernas.

Quase vacilei quando ele começou a beijar meu pescoço.

- Você é tão linda... — e mais beijos. — Eu te quero tanto... — Beijos. — Diga que me quer também — sussurrou a última frase em meu ouvido e com sua outra mão, apertou minha cintura, me fazendo suspirar ao notar o volume dele atrás de mim. Eu estava tão doida que nem liguei para isso, apenas queria mais.

- Naruto... — gemi baixinho, sem forças para resistir.

“E por que resistir?”

- Sakura-chan... — ele sussurrou e eu não aguentei. Precisava olhar em seus olhos. Aqueles olhos que me faziam sentir a mulher mais desejada do mundo.

Me virei.

Se eu não soubesse o que era excitação, teria descoberto naquele momento. O olhar dele estava escurecido, com suas pupilas dilatadas e a boca entreaberta demonstrava que queria algo. Nós nos encaramos por não sei quanto tempo, mas eu queria mais daquilo, mais do joguinho de sedução.

Eu estava fervendo por ele.

- E desde que me viu nua... — provoquei, o puxando para mais perto e nossos corpos grudaram. Ele pareceu meio surpreso, mas em seguida franziu as sobrancelhas, como se se esforçasse para algo.

- Não sabe o que penso em fazer com você — ele disse, entre dentes, como se estivesse se segurando para não fazer o que ele dizia pensar.

- Não sei... — cheguei mais perto dele. — Por que você não me diz? — sussurrei em seu ouvido e senti suas mãos apertarem fortemente minha cintura contra seu corpo. Arfei em seu ouvido. — Ou melhor... me mostra — falei mais baixo ainda, e como se fosse o diabo para atazanar, tomei um susto com uma música de repente. Era o celular dele tocando. Me afastei e ele pegou e desligou, mas eu pude ver claramente que realmente era o diabo.

Poxa, era a segunda vez que essa Yukata nos atrapalhava, mas que saco! E o pior é que agora eu não sabia se ficava mais morta de raiva ou de vergonha.

O que havia acabado de acontecer entre nós? Kami!

E por que eu não pensei nisso antes? Naruto dizia gostar de mim e estava por aí com ela. Que belo gostar esse!

- Sakura-chan — ele me chamou, mas eu ignorei, voltando minha atenção para os legumes. — Eu nem sei por que ela ligou!

- Deve estar querendo ir ao motel com você de novo. Mas eu não ligo — falei entre dentes, enquanto pegava uma faca e tive que me esforçar muito para não enfia-la nele.

- Então por que está irritada?

- Quem disse que eu estou irritada? — Me virei (extremamente irritada) e ele olhou para a faca em minha mão, franzindo as sobrancelhas.

- Parece que quer me dar uma facada — ele disse baixo, mas logo sua cara assustada se transformou em um sorriso. — Sakura-chan, você finalmente está gostando de mim? — perguntou de repente e eu deixei a faca cair de tão impactada.

- Que ideia! — eu disfarcei. — Óbvio que não!

- Então por que ficou com ciúmes da Yukata? — ele se aproximou, ficando de frente para mim.

- Eu não fiquei com ciúmes dela! Só acho ridículo você estar ficando com ela e depois ficar atrás de mim.

- Eu não estou nem aí pra ela. Só quero você. Mas você não me quer. — ele suspirou e depois me olhou sério, levantando uma sobrancelha. — Ou quer?

- Não — falei sem nenhuma convicção, só faltando gaguejar e um sorrisinho vencedor ridículo brotou no canto de seus lábios. Ordinário!

- Não pareceu quando me deixou te tocar daquela forma — ele deu um passo a frente.

- Eu não preciso gostar de alguém para poder ficar — falei, vermelha da cabeça aos pés.

Eu estava morrendo de vergonha!!!!

- Mas eu me lembro direitinho de você sempre dizer que eu era o último cara da Terra que você ficaria — ele ergueu uma sobrancelha, se aproximando e colando o corpo no meu. A sensação de calor insuportável me atingiu novamente.

Como ele fazia isso?

- O que mudou agora? — perguntou, levando as mãos a minha cintura e eu fechei os olhos quando senti o aperto. Eu não estava aguentando mais.

Queria tanto ficar com Naruto que meu corpo chegava a tremer.

- Me responde — ele forçou o corpo no meu, como se me dominasse. — Sabe o quanto eu gosto de você... o quanto te quero. Mas se você me quiser, vai ter que admitir — a essa altura eu já estava molhada, maluca e se ele mandasse eu admitir que matei, roubei ou o que fosse, eu admitira.

- Admitir... o quê? — perguntei baixinho e abri meus olhos, vendo os dele tão próximos que prendi a respiração.

- Que está atraída por mim — sussurrou e se aproximou ainda mais. — Que me quer tanto quanto eu te quero...

Seus lábios roçaram nos meus quando ele falou e ali eu perdi tudo. Já era. Eu daria tudo para beijar a boca dele agora mesmo.

- Eu admi...

- Sakura! — ouvi um grito e mais uma vez pulei de susto. Era meu pai.

- P-pai! — falei morta de vergonha, o vendo na porta da cozinha e Naruto não sabia onde enfiar a cara.

- Está aí se esfregando com um qualquer como a sua mãe! Daqui a pouco vai embora com ele também!

Eu esfriei quando percebi seu estado bêbado. Ele cambaleou para frente e Naruto correu para ampara-lo.

- Ingrata! Maldita hora em que te tive! Só me trouxe problemas! Afastou sua mãe de mim! — meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente.

- Já chega, senhor Kizashi, vamos subir! — Naruto pediu, mas papai o empurrou, sem nenhum efeito e caiu para trás no processo. Arregalei os olhos, o vendo estatelado no chão.

- Pai! — chorei e me abaixei perto dele, que também começou a chorar.

- Mebuki... — e chorou, enquanto eu chorava junto.

- Sakura-chan... — Naruto chamou e fez um sinal para eu me afastar. Ele levou meu pai para cima e eu me sentei no chão, arrasada.

Nenhuma parte da minha vida dava certo.

E pra piorar, eu estava louca pelo Naruto.


Hinata

- Estou na sua porta — Sasuke disse ao telefone e eu arregalei os olhos.

- O que? Você não pode entrar!

- Então vem aqui fora!

- Eu não posso. Estou de castigo!

- Castigo?

- Sasuke-kun... — suspirei.

- Não vou sair daqui enquanto você não vier falar comigo!

- Por que você é tão turrão? — me irritei e ouvi sua risada.

- É melhor se acostumar — não sei porquê, mas sua frase me afetou. Se acostumar com ele na minha vida?

- Me espera na rua de trás. Vou sair pelos fundos — eu disse e saí correndo, dando de cara com Neji no sofá. Ele me olhou desconfiado.

- A onde vai?

- Será que eu não posso mais nem comer sem você no meu pé? — perguntei estressada. Eu costumo sempre ser calma, mas eu poderia jogar Neji de uma ponte tranquilamente.

O ignorei e me apressei até a cozinha, vistoriando se havia algum funcionário, mas não, para minha sorte. Abri a porta e saí pelo corredor estreito que dava até o portão de trás. Sasuke estava lá, encostado sem seu carro, perfeitamente perfeito.

Suspirei.

- Eu não posso demorar. Neji está em casa. Não sei sobre o que estava falando quando disse para eu não me preocupar com ele, mas ele contou ao meu pai sobre eu fugir do castigo para me encontrar com você. No início ele até me propôs que eu trouxesse você para ele conhecer, acredita? Ele disse “se está tão interessada nesse rapaz, traga ele aqui”, mas aí o Neji disse que você usava drogas, que ia até para a escola drogado e então ele surtou e me proibiu de te ver! — falei tudo rápido demais e depois tomei fôlego. Sasuke ouviu tudo e foi franzido o cenho. Agora ele parecia extremamente irritado.

- Mas que porra! — ele sussurrou, nada feliz.

- Sasuke... — eu comecei, nem acreditando no que ia dizer. — Olha, eu acho melhor a gente ficar como estávamos.

- O que quer dizer? — ele expressou confusão, se aproximando mais de mim. Ele era o garoto mais bonito que eu já havia visto na vida... que inferno.

- Cada um na sua. Isso que está acontecendo entre nós, que eu nem sei o que é, só está nos trazendo problemas. É melhor cada um ir pro seu canto e...

- O que está dizendo? Nem começa com essa história, Hinata! Ninguém manda nas nossas vidas! Eu nem acredito que está me falando isso — ele gesticulou sem paciência, dando mais um passo a frente. 

- E o que quer que eu faça? Eu não quero ficar me encontrando as escondidas e mesmo que eu quisesse, o Neji está na nossa cola!

- Isso tudo é por causa daquele pau no cu! Não sei qual o prazer dele em infernizar a sua vida! Por que você não o enfrenta?

- Como é que eu vou enfrenta-lo se ele está mesmo dizendo a verdade? Você se droga! — eu aumentei o tom de voz, vendo ele passar a mãos pelos cabelos rebeldes, irritado.

- Não interessa o que eu faço! Interessa o fato de você deixar controlarem a sua vida!

- Sasuke-kun, o que nós estamos fazendo? Não quero lutar por algo sem sentido — sussurrei tristemente e senti ele pegar em minha mão. O encarei, esperando uma resposta.

- Hinata, eu...

- Sabia que estava aprontando! — escutei a voz de Neji atrás de mim e tremi de medo.

Não deu tempo de fazer nada. Sasuke avançou nele como um leão e os dois começaram a se atacar.

Minha vida tinha mesmo virado de ponta cabeça.


Sakura

O bom da suspensão era que eu podia acordar bem tarde e levantava de bom humor. Eu limpei a casa, fiz almoço e tomei um banho delicioso. Enquanto almoçava fiquei pensando sobre o que Hinata havia me contado pelo telefone noite passada.

Pior que eu nem podia crucificar o pai dela, já que Sasuke realmente usa drogas, mas Neji era um cretino que parecia ter prazer em estragar a vida da prima.

- Sakura... — meu pai desceu, coçando os olhos. Eu estava irritada com ele. Não ligava de seus surtos comigo, mas ele havia faltado no trabalho novamente.

- Bom dia... — murmurei sem a menor vontade.

- Você fez almoço?

- Sim.

- Hm... eu me lembro de chegar ontem e... — ele parou de falar e eu o encarei. Ele parecia um pouco acanhado. Eu não entendi. — Você e o Naruto estão juntos?

- Hm? — parei de mastigar, ficando instantaneamente vermelha.

- Estão ou não?

- Não! Nós estamos estudando juntos, só isso! — respondi, querendo encerrar o assunto e ele apenas assentiu, indo para a cozinha.

Disso ele se lembrava, né...

Suspirei e fiquei pensando se mandava ou não uma mensagem para Naruto perguntando se ele viria estudar hoje.

Eu tinha ido dormir super tarde por não conseguir parar de pensar no nosso momento na cozinha, duplamente atrapalhado, e no que aconteceria caso não tivéssemos sido interrompidos. Era vergonhoso admitir, mas eu tinha me masturbado pensando nele.

Eu havia virado uma garota patética.

Patética mesmo por não ter aproveitado dele antes!”

Eu puxei meus cabelos. Eu estava ficando louca.

Fiquei parte da tarde no sofá, assistindo série e comendo porcarias, quando a campainha tocou. Papai estava na mesa olhando algo no notebook e se levantou para atender. Pude ver a confusão em seu rosto quando ele deu de cara com Ino.

- Senhor Kizashi, quanto tempo! — ela disse, com um sorriso amarelo e meu pai ficou calado um tempo, mas logo deu espaço para ela entrar.

- Eu não sabia que vocês tinham voltado a ser amigas — Papai comentou, parecendo curioso e Ino me olhou.

‐ É porque é recente — respondi com tédio e meu pai nos encarou novamente, nos avaliando sério.

- Isso é ótimo. Talvez coloquemos o porta retrato de vocês duas de volta na sala, então? — ele sugeriu, meio perdido e nós apenas olhamos para ele em interrogação. — Vou subir para deixar vocês a vontade — dito isso, ele subiu.

- Hm, oi. Aconteceu alguma coisa? — perguntei, estranhando a presença dela ali. Tudo bem que tínhamos feito as pazes, mas não éramos exatamente grandes amigas de novo.

- É que... eu não queria ficar em casa, mas não tinha para onde ir. Pensei que você não se importaria.

- O que aconteceu? — bati no sofá para que ela sentasse e assim que se sentou, vi de perto seus olhos vermelhos.

- Meus pais voltaram de viagem e nós brigamos.

- Bem vinda ao clube então — ela me encarou confusa.

- Soube quando a sua mãe foi embora. Seu pai ainda não se adaptou?

- Ele bebe e me culpa pela ida dela. Mas não estou com cabeça para falar disso. Vamos falar de você — ela assentiu.

- Hm... eles voltaram hoje e vieram conversar comigo, dizendo que iriam se mudar de vez pra os Estados Unidos. Sabe que por um lado eu achei até bom, porque talvez eu pudesse começar uma nova vida, longe dos problemas daqui, mas acabou que eles me comunicaram que vão vender a casa e pediram para eu procurar um flat que eu gostasse para morar sozinha aqui, pois eu não precisava daquela mansão toda só para mim e vários empregados. Sakura, eles nem me perguntaram se eu queria morar com eles. Eles nem pensaram em mim lá. Eles nem se importam! — enquanto ela falava, seus olhos escorriam lágrimas. Fiquei extremamente irritada com a situação e compadecida, pois eu sabia muito bem o que era ser abandonada e esquecida.

- Ino, eu não tenho mais contato com a minha mãe desde que ela foi para a França — admiti. Não tinha contado sobre isso nem para Hinata e Naruto, mas não fazia mal. Eu confiava em Ino.

- É sério? — ela secou as lágrimas.

- Sim. E se eles não estão nem aí para você, esteja muito menos! Não vá atrás, não demonstre nada! Eles podem até achar que estão te comprando com dinheiro, mas um dia vão olhar para trás e se arrepender. Disso eu tenho certeza — eu disse com amargura.

- Você tem razão... — ela suspirou.

- A onde está pensando em morar, então? — sorri e ela ficou pensativa.

- Eu não sei ainda. Vou pedir para eles esperarem até a formatura para vender a casa, porque nem sei pra qual universidade eu vou. Pode não ser aqui em Tóquio.

- Hm... ainda pensa em Quioto? — perguntei ressabiada, desviando o olhar.

- É minha primeira opção e você? — ela respondeu desconcertada como eu. O sonho de ir para Quioto surgiu de nós duas juntas. Sonhávamos em ir para lá, dividir quarto juntas e se divertir em uma cidade diferente.

Esse sonho agora parecia tão distante e perto ao mesmo tempo. Apesar de não saber se iriamos passar, não tínhamos mais nossa relação de irmandade e caso passássemos mesmo, seria bem estranho vivermos juntas, todos os dias, como melhores amigas, sendo que não éramos mais.

- Talvez nosso sonho de criança se realize — ela brincou e eu a encarei séria.

- Acha que dá para sermos amigas como antes? — perguntei, esperando uma resposta sincera e Ino olhou para cima, se encostando no sofá.

- Não... — disse, completando meu pensamento de que nunca mais teríamos aquela relação. — Não como antes, porque nós somos pessoas diferentes agora. Seriam outras duas garotas, se conhecendo de novo e começando uma nova amizade — ela se virou e deu um sorriso e eu sorri se volta, achando a resposta dela perfeita.

- Eu sou Sakura Haruno, prazer em te conhecer — brinquei e nós duas começamos a gargalhar alto. Passamos o resto da tarde assistindo desenhos e comendo porcarias juntas, nos divertindo, agora como novas garotas, mas ao mesmo tempo como as antigas.

- Ino... agora me sinto a vontade para perguntar — chamei sua atenção e ela me encarou. — Você está a fim do Gaara?

Ela ficou vermelha na hora. Pega no pulo.

- O que?

- Você pode me contar se quiser — ela fez uma careta.

- A verdade é que eu nem sei o que é estar a fim de um garoto. Só lembro de gostar do Sasuke a minha vida toda. Nunca olhei para outros garotos. Gaara foi o primeiro — ela confessou e eu sorri, achando fofo.

- Vou te contar uma coisa, mas você não pode comentar isso nunca! Entendeu? — ela se animou.

- Oba, já estamos trocando segredinhos! — eu rolei os olhos. — Eu prometo sim.

- Tá... sabe aquele dia que você beijou ele? Ele era BV, foi o primeiro beijo dele!

- O que? É sério? — ela pareceu chocada. — Mas ele é tão gato! Como assim? Meu Deus!

- É, eu também fiquei besta quando soube, mas é verdade! — ela ficou calada, parecendo pensar e depois um sorriso surgiu em seu rosto e ela tampou o rosto com as mãos.

- Ai, testuda. Acho que estou apaixonada! — eu comecei a rir alto e ela me olhou meio envergonhada. — Mas agora que eu falei do Gaara, você também tem que me falar do Naruto! — ela praticamente acusou e eu suspirei, me sentindo quente só de lembrar do loiro.

- Ele me deixa louca. Tenho vontade de arrancar minhas roupas quando estamos juntos! — Admiti, frustrada e ela arregalou os olhos, com um sorriso no rosto. Era bom poder conversar sobre isso com alguém, pois se eu falasse sobre sexo com Hinata ela provavelmente desmaiaria.

- Meu Deus, vocês estão mesmo ficando? Eu perguntei, mas sem esperar por isso! Você sempre o desprezou!

- A gente não tá ficando! — ralhei.

- Então por que você tem vontade de tirar a roupa?

- Pelo jeito que ele me olha! Ontem... se meu pai não tivesse chegado nós tínhamos ficado. Foi a cena mais sensual de toda a minha vida!

- O que vocês fizeram? — Ino perguntou empolgada e curiosa.

E ali, conversando com ela como duas garotas apaixonadas, comendo besteiras, percebi que o tempo não havia passado para nós. Como se nunca tivéssemos deixado de ser amigas.

Quando Ino foi embora, já passava das seis. Eu resolvi me arrumar e sair. Tinha um plano na cabeça e estava me achando a tal. Quando Temari abriu a porta para mim, eu mostrei meu melhor sorriso para ela.

- Naruto ou Sasori? — debochou e eu ignorei, entrando na casa.

- Vim falar com você!

- Comigo? — ela perguntou confusa.

- Sim. Preciso fazer uma pergunta. Você ainda ama o Shikamaru? — fui direta e ela arregalou os olhos.

- O que?

- Por favor, eu sei quem sim! Vejo como você olha para ele! — pela primeira vez na vida eu vi Temari ficar vermelha.

- E daí? — ela não negou e eu sorri, a puxando para o sofá. Hoje eu resolveria dois problemas.

- Você não gostaria de voltar com o amor da sua vida? — ela me encarou com estranheza.

- A onde você quer chegar, Sakura?

- Eu posso ajudar vocês a voltarem!

- Você? — ela cerrou os olhos. — Como?

- Hm, bem... na verdade, a Ino quem quer te ajudar! — eu forcei um sorriso e ela pareceu perplexa.

- A Yamanaka? Me ajudar? A troco de quê?

- Bom, ela e o Shikamaru estão amigões de novo e ela disse que ele está triste sem você, que não aguenta mais ver ele assim e se sente culpada pelo término de vocês, essas coisas.

- Hm... isso não parece ela — Temari estranhou.

Ok, eu estava mentindo, mas era por uma boa causa. Eu realmente queria ajudar Ino e me partiu o coração vê-la indo embora para a mansão dos infernos. Com os pais dela lá era um inferno e sem eles lá, ela ficava solitária e sem ninguém por perto para vigia-la e ajuda-la com seus problemas, sem contar que se ainda arranjasse um novo e perfeito namorado para ela, eu seria a melhor amiga desse mundo.

- Mas é! Só tem um detalhezinho que precisamos discutir, mas eu vim aqui antes sem ela, pra você não a matar antes de ouvir o que ela tinha a dizer, então depois marcamos de nós 3 conversamos, pode ser?

- Pode — ela disse simplesmente, mas ainda estava desconfiada. — Acho muito estranho você e a Ino amiguinhas. Não me desce ainda — ela comentou e de repente Sasori apareceu, vindo da cozinha.

- Sakura — ele cumprimentou sem animação. Logo me lembrei que ele ainda devia estar pensando na foto do meu beijo com Sasuke no gossip day. Mas que porra! O que ele tinha a ver com isso também? E o pior é que eu me sentia igual uma retardada devendo explicação.

- Hm... eu vou subir — Temari notou o clima e subiu, nos deixando a sós.

- Olha, você pode me dizer primeiro no que está pensando?

- Em nada. Você não me deve nada — ele deu de ombros.

- Então por que não está normal comigo?

- Eu não gostei de ver aquela foto e aquela matéria idiota, só isso, mas você beija quem quiser, não tem que me dar satisfações — eu encarei ele confusa.

- Hm... então como resolvemos isso? — perguntei meio lerda. Com Naruto era mais fácil. Ele berrava, eu berrava e tudo dava certo. Sasori era tão calmo...

- Não tem nada para resolver.

- Então você ficou com ciúmes e não quer falar sobre isso? — indaguei incerta e ele deu um riso, se aproximando e sentando no sofá ao meu lado.

- Por que a gente não deixa isso pra lá? Ele está com a sua amiga agora mesmo. Você está de boa com isso?

- Sim, inclusive preciso pensar em como ajudar os dois e pôr o Neji no lugar dele, mas tem dois casais na frente antes — ele riu.

- Desde quando virou cupido?

- Bom, se eu não dou sorte no amor, talvez sirva para dar uma forcinha na sorte das minhas amigas.

- Tem certeza que quer mesmo um amor? Porque eu não sou fácil — ele brincou e eu ri.

- Você é muito bobo.

- Você parece diferente. Depois que desencanou do Uchiha parece estar mais bem humorada. Você costumava ser bem rabugenta.

O que ele disse fez sentindo para mim. Sakura 2 estava cada vez com menos frequência, eu não andava mais reclamando, porque não estava tão estressada. Meu estresse na verdade, além dos meus pais, eram apenas 3. Eu tinha feito as pazes com Ino, não ligava mais para Sasuke e Naruto tinha ficado magicamente agradável aos meus olhos, então se não fosse por meus pais eu estaria na completa paz.

- Acho que estou mais leve... e feliz — refleti e me senti bem. Finalmente minha fase ruim estava passando.

- Talvez eu possa completar sua felicidade — ele se aproximou rápido para me beijar, mas ainda estava apenas no selinho, quando ouvi o grito estridente de Naruto.

- Maldito! — ele gritou, descendo as escadas com pressa e eu dei um pulo do sofá. — Sakura-chan vem me ver e você a agarra! Seu animal! — Naruto ia partir pra cima, mas eu o segurei.

- Ele não me agarrou, Naruto! E quem disse que eu vim te ver? — ele parou e me olhou.

- Então você veio ver ele? — ele perguntou, de repente amuado e eu rolei os olhos.

- Não. Eu vim falar com a Temari.

- Naruto, Sakura beija quem ela quiser. Você tem que parar de ser escandaloso! Por isso que ela não te suporta!

- Sasori, não provoca! — pedi.

- Até parece que ela ia querer beijar um cara como você!

- Você é quem fica beijando aquela insuportável da Yukata — ele zoou. Eu olhei para Naruto, concordando totalmente com Sasori e ele bufou, impaciente.

- Sakura...

- Tchau, Naruto — disse séria e deixei os dois plantados lá.

Passei a vida toda me estressando por Sasuke e não estava a fim de ficar desse jeito de novo por mais ninguém.

Estar leve era tão bom...

Pensando assim, senti meu celular vibrar e quando peguei e li, toda minha leveza sumiu.

1 chamada perdida – Mãe


Continua...


Notas Finais


Narusaku esquentandooooo
É disso que o Brasil gosta kkkkk
Briguinha Sasuhina e mãe da Sakura dando sinal de vida hein
O que acharam? Até o próximo! (Que vocês vão gostar mais ainda, tô escrevendo até rindo 😂)
Beijossss 😘😘


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