1. Spirit Fanfics >
  2. Descompasso >
  3. Não Me Importo Mais

História Descompasso - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura <3

Capítulo 8 - Não Me Importo Mais



Meus olhos estavam extremamente pesados quando tentei abri-los. Mais uma vez em um curto período de tempo, eu me peguei correndo até o banheiro para vomitar. Vomitei bastante e dessa vez o vomito foi cor-de-rosa. Fiz uma careta, indo lavar o rosto e escovar os dentes.

Ao sair do banheiro, primeiro fiquei confusa, depois pensativa, depois assustada, depois chocada. Naruto estava deitado na ponta da minha cama. Ele estava com a roupa molhada e quando eu parei para olhar, a minha também estava e eu estava sem blusa.

Engoli seco.

Ao olhar para a janela, vi que ainda era noite. Não me recordava de como tinha chegado em casa, mas se Naruto estava ali, então estava tudo bem.

Ou talvez não. O que tinha acontecido?

- Hey, Naruto — chamei, vendo que o relógio na parede marcava cinco e quarenta. Em mais ou menos uma hora meu pai chegaria em casa. Suspirei. — Naruto, acorda — o balancei devagar, mas ele nem se mexeu. Bufei, resolvendo o deixar dormir e fui tomar um banho. Debaixo da água, fiquei intrigada. — O que será que aconteceu, Sakura 2?

“Digamos que foi... engraçado”

Franzi as sobrancelhas.

- Hm? — perguntei, sem entender.

“Finalmente eu consegui te assumir um pouco. Não foi nada demais, mas achei divertido”

- O que foi que você... digo, o que nós fizemos? — eu estava chocada. Apesar de ter dupla personalidade, ela conseguia se apossar do meu corpo agora?

“Nada demais”

- Você já disse isso — murmurei, olhando para minhas roupas molhadas penduradas e pensando em Naruto molhado na cama.

Irritada, me enrolei na toalha e saí do banheiro, parando perto do loiro, que parecia até sonhar.

- Naruto! — chamei mais alto, dessa vez lhe dando uns tapas.

- Hm... Sasuke — murmurou e eu fiquei pasma.

Ele estava sonhando com o Sasuke?

- Acorda, baka! — falei mais alto.

- Seu bastardo... volta aqui — grunhiu e eu nem conseguia acreditar que ele estava mesmo sonhando com Sasuke. Talvez fosse mais apaixonado por ele do que por mim.

- NARUTO! — gritei em seu ouvido e ele pulou de susto, caindo no chão. Assim que me viu, me olhou de cima a baixo e arregalou os olhos.

É mesmo, eu estava só de toalha.

- O que aconteceu? — perguntei, curiosa, ignorando os poucos panos entre nós e ele, quando desviou os olhos do meu corpo, fechou a cara.

- Nada — falou e eu ergui uma sobrancelha.

- Como nada? — ele desviou o olhar, ainda com cara de bosta. Mas que diabos?

- Você desmaiou na Ino e eu te trouxe embora — falou rápido. Disso eu me lembrava. Não da parte do desmaio, mas sabia que fiquei inconsciente.

- Por que eu estava molhada e você também?

- Hm... choveu — falou, coçando a cabeça e então eu comecei a desconfiar. Ele estava mentindo em algo ou omitindo.

- Me trouxe de moto inconsciente? — isso não era muito possível.

- Não... foi no carro do Sasori.

- Ué, mas nós não pegamos chuva? — questionei, o pegando na mentira.

- Hm, eu preciso ir, daqui a pouco seu pai vai chegar. Eu só fiquei porque não queria te deixar sozinha como estava, então... tchau — falou, praticamente saindo correndo pela porta.

- Naruto! — gritei, mas já era tarde. Ouvi sua descida rápida nas escadas e em seguida a porta bater. — Mas que raiva!

Quando cheguei ao Instituto, estava com mau humor e dor de cabeça, o que já classificava o dia como péssimo. Fui direto até a lanchonete, pedi um grande copo de café bem forte e tomei quase tudo de uma vez, queimando a língua no processo.

Naruto tinha fugido de mim e agora, falando no mesmo, estava sozinho em um canto, na entrada do refeitório. Parecia esperar por alguém. Andei até ele.

- Naruto — chamei e diferente de hoje cedo, ele parecia normal ao me ver. Sem pânico. Talvez ele só tenha se desconsertado porque eu estava de toalha.

- Sakura-chan, está bem? — deu um leve sorriso de canto. Desgraçado lindo.

- Não... eu não tô bem, não — falei, devagar e minha cabeça começou ferver. — Eu nem devia ter ido a essa festa, isso é tudo culpa sua, baka — murmurei, massageando as têmporas e vi sua expressão se fechar.

- Sabe, eu estou muito cansado disso — ele falou, sério, enquanto olhava nos meus olhos.

- Disso o quê? — perguntei, sem entender.

- De você — falou, rápido demais e eu juro que se tivesse levado um soco seria menos inesperado. O que ele estava dizendo?

Meu estômago se contorceu na hora.

- Como assim, Naruto? — perguntei, sentindo algo terrível crescer em mim repentinamente. O que era isso?

- Eu não aguento mais você me tratando dessa maneira, quando tudo o que eu faço é sempre ser legal com você. Eu até entendo que sou um pouco burro e posso falar demais as vezes, sim, mas... por que você é assim comigo? Eu não mereço isso — ele começou a gesticular enquanto falava e o ar me faltou. Eu senti que comecei a tremer um pouco também e um bolo se formou em minha garganta.

- E-eu... eu... — comecei a gaguejar, mas não sabia o que responder? Por que eu era assim com ele?

- Não precisa responder... — ele murmurou, cabisbaixo.

Quando eu encarei seu olhar, totalmente desencantado, desapontado e magoado, me senti a pior pessoa do mundo. Seus olhos imediatamente me lembraram os do meu pai, ao ver minha mãe passando pela porta com várias malas, enquanto um cara 20 anos mais novo, esperava do outro lado da rua em um carro luxuoso.

- Eu não me importo mais — e falando isso, deu as costas para mim, andando para longe. Eu quis o chamar, ir atrás dele, mas não consegui. Paralisei a onde estava, nem sabendo descrever como estava me sentindo.

Bom, primeiro de tudo, indignada. Como ele ousava falar assim comigo? Oras, sempre o tratei assim e ele correu atrás, agora quer saber o porquê. Eu sempre deixei claro que queria que ele saísse do meu caminho com Sasuke.

Segundo, eu estava tão irritada com tudo e com todos a minha volta ultimamente. Tenten, Lee, mamãe, Sasori, Ino, Sasuke e até mesmo Hinata, que era minha melhor amiga, mas estava por aí andando com Sasuke pelas minhas costas sem me contar.

Terceiro, apesar de Naruto me estressar, no fundo sempre gostei que ele estivesse ali por mim, para o que eu precisasse e agora ele dizia que não se importava mais? E não se importava mais com o quê? Comigo?

Quarto, horrível. Sim, estava me sentindo horrível, péssima, sozinha e amargurada. Eu era uma pessoa tão horrível assim? Eu não merecia ser feliz? Ter amigo legais, o garoto que eu gosto gostando de mim, viver em paz, sem confusões?

Eu não merecia o Naruto?

- Sakura — senti uma mão tocar meu ombro e me virei, dando de cara com Temari. — Tá se sentindo bem? — perguntou, o que me era muito estranho, levando em conta que ela não se importava com ninguém, então eu devia estar parecendo bem mal.

- Eu tô bem... — falei, sentindo um bolo incomodando em minha garganta e me esforcei para ficar tranquila.

Mas não, eu não estava nada bem.


Hinata

Assim que pisei no colégio, suspirei. O dia não seria nada bom. Sakura iria me encher perguntas sobre Sasuke, Ino parecia estar querendo me matar, Neji estava no meu pé por ter chegado em casa de madrugada e Sasuke estava no meu pé para as aulas de conquista. Sem contar que agora eu estava me sentindo muito incomodada e constrangida de ficar perto do Naruto.

Atravessei o corredor dos armários, cabisbaixa, me recordando da madrugada.

Karin e eu corríamos atrás de Sasuke, totalmente transtornado, cambaleando pelas ruas escuras na madrugada de Tóquio. Em algum momento, ele xingou tanto Karin, sua própria amiga, que ela o xingou de volta de vários palavrões tão feios que eu nem conseguia repetir e me deixou sozinha com ele. Eu tentei o fazer ir para a casa, mas ele apenas se sentou no banco da praça, onde tinha um parquinho, próximo a casa de Ino e continuou a beber em silêncio. Ele tinha o olhar visivelmente frustrado e magoado. Ele murmurou coisas sobre Ino, Naruto, Gaara, Itachi, pai, mãe.

Quando me sentei ao seu lado, ele, completamente bêbado, começou a desabafar. Contou sobre tantos sentimentos guardados que eu tive vontade de chorar. Sasuke parecia estar em uma horrível depressão, se drogando para se sentir melhor, por causa de sua família rígida e uma incompreensível falta de vontade de viver. No final de tudo, ele disse que eu era uma garota legal e que não merecia ficar com um idiota como Naruto.

Agora, eu podia dizer que Sasuke não era tão babaca e sem noção quanto eu achava. Ele só era mal compreendido e estava claramente doente mentalmente. Ele precisava de ajuda, mas ninguém parecia entender o que ele tinha, saber conversar, ou saber como ajuda-lo.

Deve ser tão horrível.

- Hyuuga — escutei meu nome ser chamado quando estava prestes a subir as escadas e me virei, dando de cara com Ino e mais duas garotas que fingiam ser suas amigas.

- Oi... — falei, abaixando a cabeça.

- Olhe para mim quando eu estiver falando — ela praticamente ordenou, mas eu não obedeci, a ouvindo dar uma risada de deboche. Mordi minha boca, nervosa. Eu odiava chamar a atenção.

- Eu... — comecei, pensando em pedir desculpas, mas fui interrompida, por sentir algo gelado caindo sobre minha cabeça.

- Isso é para você aprender a se colocar no seu lugar e não ficar atrás do namorado dos outros — eu levantei o rosto, sentindo meus olhos marejarem e ela afastou o copo, agora vazio, de perto de mim. Todos estavam rindo e tirando fotos. Eu estava encharcada de coca-cola.

Corri depressa dali, sob os risos de todos e comecei a chorar, logo sendo puxada para trás com força. Me virei, pensando que Ino agora me bateria, mas encontrei os olhos escuros de Sasuke.

E ele não parecia nada feliz.

- Do que estão rindo seus otários? Acharam engraçado a garota levar um banho de refrigerante? Já que gostaram tanto assim, eu posso dar um em cada um de vocês... ou um de privada, se não calarem a boca e abaixarem os celulares!— ele gritou, olhando em volta para todos e eu arregalei os olhos. Os alunos voltaram a circular, cochichando e eu olhei para baixo, totalmente envergonhada. — Ela fez isso por minha causa. Foi mal, Hinata — disse ele, parecendo normal. Eu pensei que ele nem apareceria no colégio depois de toda aquela bebedeira.

- Tudo bem, não foi sua culpa. Ela só estava com raiva — falei, limpando minhas lágrimas e ouvi ele bufar.

- Caralho, você é muito boazinha, que irritante. Agora vem, vamos te limpar — falou mandão, me puxando daquele meio de curiosos.


Sakura

Ino tinha jogado refrigerante em Hinata e Sasuke a defendeu na frente da escola toda. Karin estava contando sobre isso, enquanto eu encarava meu prato intocado e não conseguia exatamente me importar. No fundo eu até estava curiosa e esperava Hinata vir falar comigo sobre, mas não tinha realmente importância.

Gaara era quem estava dando atenção a história de Karin, enquanto Temari comia em silêncio ao lado dele. Ela estava sentada em minha frente e ora ou outra eu sentia ela me observar. Era o primeiro dia que ela ia para a escola depois do acontecido com Shikamaru, então todos estavam cochichando sobre ela.

- Mas mudando de assunto, você e a Ino continuam se pegando, Gaara? — ela perguntou e eu levantei o olhar para ele. Ele tinha perdido o BV com Ino. Tadinho, devia ser um menino sensível, aguardando o momento especial e Ino fez questão de estragar, aquela porca do inferno.

- Ela quem me beijou. O Sasuke é meu amigo. Eu não quero nem falar sobre isso — suspirou e eu balancei a cabeça.

Estava quase resolvendo dar a primeira colherada em meu arroz, quando Naruto entrou no refeitório abraçado com Yukata, sorrindo radiante e embrulhou o meu estomago. Do outro lado, Ino entrou, sendo seguida por Sasuke e eles gesticulavam bastante, parecendo estarem em uma briga. Como daquela vez no bar, os olhos dele estavam vermelhos e ele não parecia bêbado nas aulas.

Ele havia cheirado.

Desviei meus olhos deles. Eu não queria mais saber dos problemas dos dois. Tentei ajudar Ino e só me ferrei e Sasuke... repentinamente eu estava me sentindo muito cansada dele. Só pensar nele um pouco parecia sugar todas as minhas energias.

Eu estava exausta de Sasuke Uchiha.

Voltei a olhar para Naruto e Yukata. Eles passaram ao lado da minha mesa e ele ignorou minha existência, se sentando com ela em uma mesa junto com Kiba e Matsuri. Ela parecia extremamente feliz, rindo atoa por ter a atenção dele só para ela. Atenção essa, que me pertencia.

Apertei as mãos, estressada e bufei, olhando para Temari, que me encarava curiosa. Tentei sorrir.

- E então, sabe se choveu essa madrugada?

Na hora da saída começou a chover e eu não tinha levado guarda-chuva.

Eu ouvi Ino reclamar sobre levar uma advertência por causa da “songa monga da Hyuuga”. Bem feito.

Falando em Hyuuga, eu estava me sentindo distante dela. Não conversamos muito nas aulas e agora, ela estava parada em minha frente, perguntando coisas aleatórias, enquanto eu nem escutava direito. Só conseguia prestar atenção no barulho da chuva, vendo as gotículas caírem e lembrar de Temari me respondendo que não tinha chovido essa madrugada.

Eu queria saber como acabei molhada com o Naruto.

- Sakura-san... o que você tem? — Hinata perguntou e eu a encarei. Eu não sabia bem responder essa pergunta, a única coisa que sabia é que me sentia mal.

- Hm, só uma dor de cabeça. Mas o que você estava falando?

- Sobre a chuva, de repente... disse que vou falar com Neji para te dar uma carona — ela disse e eu assenti.

- Não precisa não. Estou esperando um pouco, mas se não passar pego uma capa de chuva da escola. Eu até gosto de chuva — falei, olhando para o céu. Chuva para mim, deixava o dia preguiçoso, diferente e as vezes, triste, como era o caso de hoje.

- Tudo bem. E, eu até esqueci de te dizer. Foi culpa minha o Sasuke aparecer na Ino ontem — ela murmurou e eu prestei atenção. Ela contou sobre como encontrou Sasuke na lanchonete perto do condomínio deles e deixou escapar sem querer enquanto eles falavam algo sobre o Naruto. Parecia tudo verdade, então menos mal. Já estava achando que ela ia me esconder algo.

- Fiquei sabendo que ele te defendeu na frente de toda a escola — falei, no fundo, sentindo um pouco de inveja. Vi as bochechas de Hinata corarem e ela brincar com seus dedos, visivelmente nervosa.

- É, foi bem legal da parte dele. Ino foi cruel e ele disse que a culpa era dele, por isso deve ter me ajudado — eu assenti. Era bem verdade. Ino tinha jogado refrigerante nela por causa dele, então nada mais certo do que ele ajudar, se ele não fosse Sasuke Uchiha. Não era nada normal ele ajudar ninguém.

Suspirei, sem cabeça para pensar em Sasuke e segui com o olhar, Naruto colocando uma capa de chuva em Yukata. Em seguida, eles correram até a moto dele, arrancando rapidamente.

- Moto nessa chuva, que perigo — falei e Hinata concordou.

- Eles parecem bem juntos — ela comentou, sem nem choramingar nem nada, o que era estranho e eu a olhei desconfiada.

- Sim. Você deve estar mal, né? — joguei verde e ela suspirou.

- Eu não quero mais pensar no Naruto-kun... não quero mais perder meu tempo nutrindo e imaginando algo com alguém que não sente o mesmo. Vou apenas sentir... sem nenhuma expectativa — ela sorriu, olhando para onde a moto tinha passado e eu fitei minha amiga admirada. Ela era tão bonita, gentil, inteligente e boa... eu sentia certa inveja dela sim, além dos peitos, é claro.

- Isso é uma boa ideia, Hinata... acho que é o mesmo para mim — falei, pensativa, mas sem saber exatamente se era isso, já que eu não estava mais tendo cabeça nem para pensar em Sasuke.

- O Neji saiu... eu vou indo, Sakura-san — ela se aproximou para me dar um abraço e em seguida se afastou, indo até o primo, que não tinha a cara nada boa. Neji é tão irritante.

Suspirei, dando meia volta e entrando no Instituto em busca de uma capa de chuva. Quando estava chegando ao fim do corredor vazio, dei de cara com um dos dois garotos que eu menos queria pensar no momento.

- Sasuke-kun — falei, alarmada ao ver seu estado. Ele parecia ter usado drogas demais e agora cheirava a álcool. Me senti mal instantaneamente por ele. — Por que faz isso consigo mesmo? — perguntei, decepcionada e vi ele se escorar na parede e fechar os olhos.

- Eu não preciso de sermão — murmurou e eu senti o forte cheiro de álcool.

- Vamos pedir um táxi para você, Sasuke-kun — eu falei, cansada, pegando meu celular, mas ele pôs a mão em cima dele.

- Sakura... você tem pais? — ele perguntou e eu o encarei, sem entender. Ele sabia que sim, e até os conhecia. Será que está usando tanta droga que esqueceu de algumas coisas? — Eu quero dizer... seus pais gostam de você? Você sente que tem alguém no mundo que goste de você, te ame e te entenda? — eu abri a boca, fitando seu rosto, tão bonito, e contorcido, olhos fechados e murmurando coisas que se arrependeria quando estivesse sóbrio.

- Eu não sei... — respondi sinceramente. Minha mãe tinha fugido com um novinho francês, não dava sinais de vida, meu pai sempre bebendo, sem se importar como isso me afeta, sem falar que eles não me entendem em nada. Não tenho irmãos... — Mas você tem seu irmão — falei e ele assentiu, ainda sem abrir os olhos.

- As vezes sinto que ele me ama, outras vezes já não sei... ele é distante, nunca sei no que está pensando — eu assenti. Sasuke se sentia sozinho, então. Eu também me sentia, mas lembrei de alguém que realmente se importava com ele e, que se eu não fosse tão megera, ainda estaria se importando comigo também.

- Você tem o Naruto... — quase sussurrei, fazendo Sasuke abrir os olhos.

- Naruto... ele acha que é melhor do que eu, quer me dar lições de moral — falou, com raiva e eu neguei.

- Ele te ama como um irmão e só quer te ver bem. Se você quer saber se tem alguém que te ama, te entende e está com você, esse alguém é o Naruto. Acho que ele se importa demais com todas as pessoas importantes para ele — eu falei, me sentindo extremamente idiota ao ouvir minhas próprias palavras.

Sasuke ficou calado, me olhando. Parecia estar refletindo. Antigamente, estar tão perto dele, me causaria calafrios, mas agora eu apenas me sentia como com um amigo, apesar de ele não ser propriamente um.

- Agora é melhor pedirmos o táxi para você — murmurei, me concentrando nas letras miúdas do celular e caçando o número de Jon, o taxista americano que eu sempre costumo chamar. Ele é de confiança.

Sasuke novamente colocou a mão em cima do meu celular e eu olhei para cima, confusa. Fiquei tensa ao ver que ele estava próximo demais.

- Sasuke-kun? — questionei, mas ele nem me deu tempo para mais nada, chocando seus lábios contra os meus. Era nítido o gosto e cheiro de álcool que ele estava, mas deixei que ele me beijasse. Incrivelmente, eu percebi, enquanto beijava, que não tinha como eu amar Sasuke, se achava o beijo de Sasori muito melhor. Ficava até mais extasiada. Mas mesmo assim, mesmo naquele estado drogado e bêbado deplorável, o beijo dele era sim, bom, afinal, beijar é bom.

Ele começou a parecer apressado, me apertando na parede e beijando com mais urgência. Suas mãos passearam por minhas costas e por fim, se prenderem em minha cintura, me puxando cada vez mais para ele. Se eu ignorasse o fato de que Sasuke estava drogado, estaria até gostando, mas quando ele começou a subir a mão por dentro da minha blusa, eu tentei me afastar.

- Sasuke-kun — falei, tomando fôlego e tentando afasta-lo. Ele apenas murmurou algo incompreensível e tentou avançar novamente, mas eu virei o rosto. — Já chega, você não está bem.

- Estou ótimo — ele disse, beijando perto do meu ouvido e eu bufei.

- Eu vou te deixar em casa — falei, o empurrando, mas ele não saiu, apenas arredou o rosto um pouco para me olhar.

- Fique comigo hoje, Sakura — ele falou, devagar, fazendo minhas duas personalidades se assustarem.

- Hm? O que? Assim, de repente? — perguntei, encarando seus olhos extremamente vermelhos.

- Acho que estou carente — ele murmurou, parecendo dizer mais para si mesmo, do que para mim. Suspirei. Quando pensei em falar mais alguma coisa, ele voltou a me beijar e eu tentei afasta-lo novamente.

- Sas..kun — tentei falar contra sua boca, mas ele não dava folga. Estava começando a ficar irritada e até mesmo triste. Tentei com mais força, mas ele parecia imerso em outro mundo, completamente concentrado em me beijar. Me sentindo mal, acabei o chutando na canela, fazendo ele se afastar na hora.

- Que merda... — praguejou, se contorcendo todo e mordi o lábio, ficando extremamente chateada. Eu estava tão cheia e cansada de tudo.

Minha vida parecia estar em um horrível descompasso, do qual eu não parecia ser capaz de resolver.

- Desculpe, Sakura, eu... eu não estou bem — ele falou, bagunçando os cabelos com força, totalmente desnorteado e saiu apressado corredor a fora.

Eu o olhei com raiva, tristeza, decepção, pena, tudo junto.

E também pensando que Naruto nunca faria isso comigo.

Naruto... que droga.

Eu segui para fora da escola, apertando a alça da minha bolsa e mordendo a boca, ambos com força. Minha garganta estava fechada e de repente minha cabeça doía bastante. Ignorei a chuva torrencial que caía, entrando debaixo dela em direção a estação, que não era tão longe, mas até lá, deu para me molhar bastante. Fiquei pensando, em pé dentro do metrô, o que estava acontecendo com a minha vida.

Eu andava bebendo, faltando as aulas ou indo de ressaca, sem me preocupar com o vestibular, apesar de ter me inscrito em várias universidades já. Não estava dando nenhuma atenção a minha função no jornal da escola, indo a festas de Ino Yamanaka, cuja só me trazia problemas. Não me sentia feliz ao ser beijada por Sasuke Uchiha, ao contrário, estava muito triste e ainda estava dez vezes mais triste, não por isso, mas sim por Naruto Uzumaki, que sempre disse que nunca me magoaria, mas acabei eu mesma fazendo isso, ao magoa-lo primeiro e vendo que isso magoa a mim também.

- Ah! — eu exclamei, saindo da estação e levando as mãos até meus cabelos. A chuva começou a me molhar por completo, mas eu ignorei, aproveitando o momento para deixar tudo o que estava acumulado em mim saísse logo. Eu estava tão cheia e ao mesmo tempo vazia, triste e desnorteada, sem saber o que fazer. Não sabia nem mesmo o que estava acontecendo.

Sakura 2 não aparecia nessas horas para me ajudar, então fiz a única coisa que acho que qualquer um faria, comecei a chorar.

O pior de tudo é que não sabia exatamente porque eu chorava, só tinha vontade de chorar mesmo, com um sentimento horrível e melancólico dentro de mim.

Quando pensei em melancolia, lembrei de quando o doutor Indra disse que essa era uma péssima palavra, que remetia a sentimentos negativos profundos.

Pensando nisso, em pouco mais de 15 minutos, eu estava na porta de seu consultório, aos prantos e sua secretária simpática, estampou um nítido horror ao me ver.

- Haruno-chan, por Kami — disse ela, se levantando apressada e entrou por uma porta ao lado de sua mesa, saindo em seguida com uma toalha. Ela disse que traria um chá e avisaria o doutor Indra que eu estava ali. Em poucos minutos ele apareceu, saindo com um paciente e me olhou, parecendo surpreso e depois preocupado.

- Sakura, entra — ele pediu e eu o fiz, sentando em sua poltrona e agora, tremendo, enrolada na toalha, enquanto começava a parar de chorar aos poucos. — O que aconteceu? — perguntou, sério e sua forma macia de falar, junto a sua estonteante beleza, chegou até a me acalmar um pouco. A secretária voltou com o chá e eu tomei logo, agradecendo mentalmente, me sentindo um pouco mais quentinha.

- Eu estou me sentindo muito mal, mas não sei exatamente porquê. Só sinto que tudo está dando errado — contei e ele assentiu, me encarando. — A minha outra eu, agora pode até se apossar do meu corpo também — ele franziu as sobrancelhas.

- Se apossar?

- Ela tomou conta do meu corpo enquanto eu dormia e fez coisas que não me lembro.

- E como sabe que ela fez?

- Ela me contou e também... Naruto estava esquisito, disse que nos molhamos na chuva, mas nem choveu — murmurei, limpando uma última lágrima.

- Okay, por que não começamos pelo início?

Então eu contei a ele sobre meus dias. Sobre Ino, minha tentativa de ajuda-la, a festa, Naruto, Sasuke, Sasori, Hinata, Sakura 2 e tudo mais que me incomodava.

- Bem, o primeiro de tudo é parar de dizer “Sakura 2”. Você é apenas uma. Você é Sakura Haruno e tem que ter consciência disso, okay? Você pensar de várias formas diferentes sobre um assunto e isso não quer dizer que exista outra pessoa, ou melhor, outra consciência dentro de você. Então, você precisa aceitar isso, fazer as pazes com seus próprios pensamentos e entender que tudo o que passa pela sua mente, é o que você pensa, o que você acha, o que você sente. É sobre você, Sakura. Se você diz que algo é feio e seu pensamento diz que é bonito, não são porque são duas pessoas, é que uma parte em você diz o que acha que deve ser dito e a outra o seu senso comum, mas não é o que você pensa de verdade. Ter isso desde criança, parece ter feito você separar as coisas, como se fosse uma outra personalidade, mas na verdade, é tudo você. Faça as pazes com você mesma, se permita ser verdadeira e honesta sobre todos os seus sentimentos, tudo bem?

Eu o encarei, quase sem piscar, ouvindo suas palavras.

Não existe uma Sakura 2, é o que ele dizia. Eu posso ter vários pontos de vistas sobre um assunto e acabei separando duas opiniões principais em mim mesmo, era basicamente isso?

Suspirei.

- E sobre seus outros problemas, bem... cabe a você resolver. Mas, me diga, o que está te deixando mais triste no momento?

- Eu não sei.

- O que você pretende fazer sobre Sasuke, Naruto e Ino? Ou sobre Sasori e Hinata?

- Eu acho que não pretendo fazer nada. Hinata é minha melhor amiga, eu não gosto do Sasori, não quero pensar em Sasuke, muitos menos em Ino, pois eles só me trazem problema e se Naruto não está nem aí para mim, eu estou muito menos para ele! — falei rápido demais e conforme falava, fui ficando com raiva.

Aham

AÍ estava Sakura 2 e então, eu consegui entender o que o doutor Indra dizia. Isso fui eu mesmo pensando com deboche sobre minhas próprias palavras, porque sei que é mentira.

- Mas o senhor me ajudou bastante. Eu me sinto melhor — lhe lancei um pequeno sorriso, realmente me sentindo bem em desabafar e entendendo mais sobre mim mesmo, mas ainda assim, um pouco amarga, abatida e confusa.

Conversamos mais um pouco sobre outros assuntos, sobre escola, futuro e por fim, ele chamou um táxi para mim, dizendo que não cobraria por aquela consulta repentina e que queria me ver na terça-feira sem falta.

Eu fui embora, chegando em casa e apenas querendo ser abraçada. De preferência um abraço de mãe. Eu queria ser consolada e amada.

Me lembrei instantaneamente de Sasuke, de sua carência, achando que ninguém o ama.

- Filha, não levou guarda-chuva? — papai perguntou e eu levantei o olhar para ele, que estava na bancada da cozinha, com uma tigela na mão, amassando alguma coisa lá dentro e o rosto sujo de farinha.

“Ele podia ser sempre assim”

É, 2, podia sim. Ou melhor, 2 não, porque isso era o que eu achava.

- Eu sempre deixo no armário, mas esqueci — falei, deixando a mochila num canto no chão e papai franziu as sobrancelhas, arrumando os óculos.

- Aconteceu alguma coisa? Você chegou tarde.

- Não... não aconteceu nada não — falei, suspirando. — Eu só fui no doutor Indra — papai assentiu.

- Você parece triste. Estou fazendo bolinhos de feijão para te animar — ele deu um sorrisão. — Tirou alguma nota ruim, foi? Ou é aquele garoto de novo... Sasuke Uchiha? — papai fez uma careta no final. Ele não gostava muito do Sasuke.

- Não é nada, pai — murmurei, sem muito saco. Eu sempre preferi não contar coisas pessoais para meus pais, mas se contasse seria para minha mãe. Sem contar que quando papai bebesse iria começar a remoer todas as histórias aos gritos para os vizinhos. — Eu vou tomar um banho — falei, subindo para o meu quarto e tirando a roupa molhada do corpo. No banho, infelizmente, tive vontade de chorar mais um pouquinho, mas não o fiz, resolvendo que não deixaria os problemas tomarem conta de mim.

Dei um pequeno sorriso.

“É assim que se fala, shannaro!”

Sorri para isso. Dali em diante, eu seria apenas eu. Só uma, só Sakura Haruno e suspirei, me sentindo liberta, mas ao mesmo tempo, triste com o fato.

- Chega de Sakura dois.


Continua...


Notas Finais


Vixi, Naruto cansou da Sakura e a Sakura cansou do Sasuke...
Vocês gostaram?
Kisses, até o próximo 💖


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...