História Desconfiança, um presente. - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Amigos, Amizade, Confiança, Desconfiança, Diferenças, Infância, Passado, Timidez
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Palavras 619
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Jardim de Infância.

Não havia pessoas pra brincar no parquinho, tampouco alguma amiga para conversar sobre barbies, pollys ou qualquer tipo de coisa que eu fazia.
Pulei um ano, pessoas mais velhas que eu. Nada mudou.

Primeiro ano.

Mesma coisa. Nada mudou, exceto as salas e o parque. Observava os garotos jogarem futebol numa minúscula quadra de futebol, ao lado de uma piscina para as crianças que não sabiam nadar ainda.

Segundo ano.


Eu fizera uma amiga, mas isso era tudo. Eu aprendera a tabuada inteira antes da sala, me fazendo ser vista como "a esperta". Não era algo ruim, mas não passou disso. Continuava vendo os garotos jogarem futebol, às vezes brincando com uma ou outra pessoa por obrigação.

Terceiro ano.

Minha amiga mudou-se para outro estado, mas em compensação eu fizera outra amiga. Não era tão próxima dela no começo, mas isso mudara com o tempo. Sim, finalmente algo mudara.

Quarto ano.

Como se não bastasse, eu fizera outra amiga. Nós três brincávamos juntas, porém essa era mais ou menos popular. Eu e a amiga do terceiro ano éramos excluídas dos grupos da sala.
Não gostavam muito dela, não sei por quê. Nos intervalos brincávamos com um garoto autista que não juntava mais de duas palavras em uma só frase. Eu queria ensiná-lo palavras, ela também. Assim ficamos todos os dias.

Quinto ano.

Outra amiga, não da escola, de outro estado. Diferente de mim, que sou a quieta tímida e ela é a extrovertida sem vergonha. O resto ficou no mesmo.

Sexto ano.

A unidade da escola mudara, a exclusão também diminuira. A primeira era até o quinto ano. Essa era do sexto ao terceiro. Os professores gostaram de nós. Caladas, mas competentes com as avaliações dentro da sala e nas provas. Estudávamos das sete às doze.

Sétimo ano.

A do quarto ano se mudara para outro estado também. Na escola, eu falava cada vez menos com as garotas. Não via mais assuntos que chamassem minha atenção. As garotas eram totalmente diferentes de mim e da esquisitona.
Nesse ano eu também ficara mais próxima de outra amiga, zombada por sua altura.

Oitavo ano.

Minha amiga do terceiro se mudara também. Éramos uma dupla. Antes nada mudou, nesse ano tudo mudou. Só tinha uma ou duas amigas de verdade, o resto? Eram apenas colegas. A metade da sala? Nem falava.

Oitavo ano foi quando minha grande amiga foi embora, depois de cinco anos. Não fiz muitos amigos depois disso, não via mais graça até certo ponto. 
Tudo mudou no oitavo ano. Era uma pré-adolescente que usava casaco apenas por vergonha de sua magreza, que não fazia educação física com medo das outras opiniões a consumirem por dentro, por mais bobas que eram.

Não quero mostrar que eu não gostava de ser excluída, nem era, pois as coisas mudaram pouco a pouco.
Quero mostrar que pessoas entram e saem da sua vida e você só percebe a mudança tempos depois. Não os "semi-amigos", mas as pessoas com real intimidade e confiança, o que é amizade. Ter alguém pra matar aulas de educação física era tão bom.
Nunca gostei de ter muitos amigos, prefiro ter um verdadeiro à cem "de mentira". Demorei para fazer amigos e demoro até hoje, nunca confiei cegamente em ninguém.


Também não queria ter vergonha do meu corpo magro, mas não tinha nada a fazer, não iria engordar do nada.

Uma nerd desconfiada e obcecada por matemática nunca iria achar alguém como ela. Era pedir demais, ainda mais a parte da desconfiança. Confiança no século 21 não é algo chamativo. Apenas números importam. A população faz questão de mudar por números. Eu também, mas mudo por números em cálculos.


Nesses anos tudo mudou, mas nada mudou.


Notas Finais


Algo que todos já sabem, mas lembrar nunca é demais.


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