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História Desejada por Fantasma - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Destinados


Fanfic / Fanfiction Desejada por Fantasma - Capítulo 2 - Destinados

Como prometido, fomos ao encontro de meu pai. Logo depois de algumas saudações com os outros presentes, Darius pediu licença para começar as apresentações. Todos tomaram seus lugares e me certifiquei de tratar aquela situação com o máximo de naturalidade possível, independente do que acontecesse, não poderia demonstrar fraquezas na frente de nenhum dos  presentes.

 “Por Deus...” repeti para mim mesma dentro de mim quando as luzes se apagaram e a única luz no local estava direcionada para Darius e seus dentes expostos.

-Senhoras e Senhores... Gostaria de agradecer a presença de todos em mais uma de nossas prazerosas noites de espetáculo, em especial... Gostaria de agradecer o enorme interesse de nosso patrocinador e sócio Arthur Lewis, nada disso estaria ao nosso alcance sem seus esforços em nos apoiar nessa missão. - Ele fez uma pausa, olhando em nossa direção antes de continuar..-Agora, sem mais delongas, é um orgulho apresentar...-Mais uma pausa, dessa vez acompanhada de uma versão de  “pop goes the weasel” tocada em notas mais baixas e  ritmo mais lento que o normal- seu entretenimento....

Ele abriu espaço no centro do picadeiro, as luzes se intensificaram enquanto homens altos de camisas brancas traziam corpos com rostos, marcas e objetos que a pouca luz da tenda não me permitiu ver antes, manchas roxas de distintos tamanhos e intensidade estavam dispersos ao longo de suas peles. Contei três crianças, dois homens e uma jovem que não parecia ser nem dois anos mais velha que eu. Duas das três crianças estavam devidamente costuradas, ligando as costas uma das outras, se não fosse pelas costuras recém-feitas, diria que já nasceram assim; A outra criança tinha os olhos cobertos por uma venda suja de sangue, seu próprio sangue, e o corpo cheio de cicatrizes, algumas partes de sua carne faltando; Os homens tinham boa dos membros costurados, as mesmas pareciam apodrecer aos poucos e alguns objetos metálicos atravessando seus corpos; por fim a garota... Estava inteira, mas cicatrizes de queimaduras, cortes, e diversos hematomas denunciavam que ela estava longe de sair ilesa, seu rosto ainda era distintamente bonito mesmo de baixo de algumas cicatrizes, mas seus olhos.... opacos e vazios... não estavam nos mostrando pessoas. Se algum dias tivessem sido humanos, Darius arrancou com maestria até os últimos resquícios de vida de suas pobres almas, que agora eram só um emaranhado da dor que sentiram e que ainda sentiam... Eles não poderiam ser ajudados. Meus estômago revirou quando tiraram a vendas da criança, seus olhos eram de cores diferentes, presumi que não eram tão naturais quanto sangue espesso e vivo que a mesma parecia estar derramando pelos olhos.

Cada um sofreu de um jeito diferente ao longo dos 30 minutos seguintes, a multidão soltava suspiros de felicidade, aplausos e risadas satisfatórias enquanto abriam mais cicatrizes visíveis e não visíveis nas mesmas figuras que tinha analisado cuidadosamente antes.

Devo ter soltado um suspiro aliviado depois que arrastaram o corpo imóvel do palco anunciando que era o último, pois a mulher do meu lado se dirigiu a mim:

-Sei como se sente...- Ela fez uma pausa enquanto eu tentava disfarçar a minha surpresa- Esse último durou pouco, então eu entendo a sua frustração...

Por Deus, que atmosfera doentia emanava de cada presente naquele lugar... era sufocante... os gritos, as risadas, os aplauso... todos os meus instintos percorriam o meu sangue, uivavam para que eu corresse dalí e só parasse quando minhas pernas não conseguissem mais se mover. Antes que eu pudesse cogitar sair do meu lugar, Darius chamou a atenção da plateia mais uma vez, apresentando o que realmente finalizaria o “espetáculo”.

Meu coração apertou quando ví duas luzes azuis se mexendo no fundo, era o garoto que eu tinha visto antes. Ele se debatia com todas as forças para se soltar das correntes de ferro espalhadas pelo seu corpo, as pessoas que antes faziam barulho e aplaudiam, pararam de fazer barulho enquanto analisavam o mais novo entretenimento. Meu sangue gelou quando fixaram as correntes de dois lados opostos do centro do picadeiro, de modo que todos pudessem vê-lo de frente. Não consegui mais escutar os minutos seguintes, mesmo os gritos de felicidade ou dor eram duramente abafados assim que a primeira corrente elétrica percorreu o corpo daquela pessoa acorrentada. Algo quebrou...

   Quando recobrei a consciência, o garoto parecia estar no seu limite, seus olhos pareciam mais opacos que antes, mas ainda eram tão brilhantes quanto antes. Darius agradeceu a presença de todos enquanto arrastavam o corpo exausto do garoto para fora do palco. O público se dissipou aos poucos, alguns prologavam a conversa noite a fora.

Meu pai mantinha a postura conversando com algumas pessoas restantes, que eu respondia de forma curta e breve quando se dirigiam a mim. Eu ainda estava me contendo para não correr dali quando senti a presença de alguém logo atrás de mim.

-O que acharam?- A voz de Darius ecoou antes que eu pudesse me virar para ver.

-Intenso... - Respondi quase sem voz.

-Precisamos discutir algumas coisas, mas no geral... Foi um sucesso.- Meu pai respondeu sério mas com um certo tom de satisfação.

-Podemos discutir o assunto em outro lugar se preferir... -Darius sugeriu e meu pai pareceu relutante com a ideia.

-Eu ficarei bem, podem ir... vou aproveitar um pouco do ar noturno enquanto vocês falam sobre os negócios- Tentei soar segura e confiante, tive sucesso pois logo depois os dois se direcionaram para uma tenda exclusiva mais ao longe.

Quando eles sumiram da minha vista, projetei meus passos o mais rápido que pude sem chamar atenção. Corri para a grande tenda que Darius tinha me guiado antes daquele pesadelo.

-Leve, rápida e precisa... - eu sussurrava enquanto tentava conciliar meu impulso com o meu plano.

Quando cheguei perto da tenda roubei silenciosamente as chaves de um guarda desatento que passava por ali. Parei na frente das grossas barras de ferro e repasse o plano. 3 guardas próximos, tenho que sair pela parte da floresta.

Abri a tranca da cela...

Alguns cavalos estão sob vigilância de um guarda, tenho que dar um jeito nele sem fazer barulho.

Tirei as correntes do corpo mole dele...

Meu pai demora em média 25 minutos debatendo um assunto, me resta pouco tempo até perceberem que eu sumi.

Carreguei-o para fora tentando deixa tudo como antes....

Mas é tempo o suficiente para ter vantagem sobre eles, preciso ir o mais longe que puder e sem deixar rastros.

Apoiei seu corpo em uma árvore perto dos cavalos enquanto matava o guarda...

 Achar um vilarejo, trocar o cavalo, conseguir alimento, ir para um lugar onde não nos encontrem...

Coloquei seu corpo encima do cavalo e soltei os outros na tentativa de atrasar o rastreamento...

Vai dar certo, só preciso ir o mais longe possível, no mínimo 20 minutos de distancia... eles vão levar tempo para achar os cavalos..

Subi no cavalo...

O garoto parecia se forçar a juntar as ultimas forças para se segurar em mim, enquanto desaparecíamos na noite....

Dream’off

Acordei assustada, a adrenalina\a ainda pulsava por todo o meu corpo. A luz alaranjada do pôr do sol atravessava as janelas e ressaltava o tom amadeirado das enormes prateleiras.

Levantei, minha cabeça latejava e eu me sentia tonta, talvez por ter passado o dia sem comer nada. Olhei pela janela e travei na hora... Pele pálida e gélida como a neve, os cabelos escuros de um tom estranhamente familiar para mim e... O resquício de feixe nos olhos azuis me fez largar os livros e arrastar a minha mochila freneticamente para fora da biblioteca, esquecendo completamente a noção e os bons modos saí em disparada pelos corredores em direção à parte de trás do prédio.

Não tenho dúvidas... É ele...


Notas Finais


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