História Desejo 1 - Capítulo 1


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Categorias Corte de Espinhos e Rosas, Histórias Originais
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Palavras 868
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Avisando definitivamente que todo mundo precisa ler os livros originais antes de ler essa fic, muito porque vão ter spoilers e informações relevantes do livro original, e as vezes antes de acontecerem no livro original. SPOILERS — resolvi deixar bem claro e grande para todo mundo saber que há muito disso nessa fic. Mas é de todo o coração e animação por ver o que essa leitora queria que acontecesse, queria mudar, nesses livros maravilhosos.

Boa sorte... <3

Capítulo 1 - 1


Eu ofego na concavidade de um galho de árvore — posição que já tinha perdido a utilidade havia um tempo. Estava aqui há uma hora, monitorando os arbustos a procura de comida para o inverno. A fome tinha me levado mais longe de casa do que eu normalmente ousava, mas o inverno era lima época difícil. Rezei para os deuses há muito perdidos para nós, mas a comida não durou até a primavera. Então eu tive que procurar.

Passei os dedos dormentes nos olhos afastando os flocos que se agarravam aos cílios. Os cervos ainda não aviam passado pela trilha, as cascas permaneciam nas árvores. Era minha melhor opção de local. E não poderia perder essa chance ou eles viajariam ao norte, talvez para as terras féericas de Prythian — onde nenhum mortal ousaria pisar, a não ser que tivesse o desejo de morrer. E eu, definitivamente, não tenho.

Um calafrio percorreu minha coluna com o pensamento e tentei afastar a sensação, me concentrar na tarefa à frente. Como havia feito havia anos: me concentrar em sobreviver à semana, ao dia, à próxima hora. Eu pisquei. Feyre... meu nome é Feyre aqui. Demorei para notar que este corpo não era meu, que esta vida não era minha. Não até agora. E os pensamentos, os sentimentos dessa pessoa que não sou eu me acertaram com tudo, de uma só vez. Ainda sou eu, mas... não exatamente. Há um certo impulso pelo que ela quer fazer, ainda que eu controle isso.

Afrouxei o arco, contendo um resmungo quando braços e pernas enrijecidos protestaram contra o movimento, e desci da árvore. A neve dura estalou sob minhas botas desgastadas — barulho desnecessário. Contando com a visibilidade ruim, eu poderia dizer que estava a caminho de mais uma caçada infrutífera. Essa mentalidade vem dela, de mim. Eu nunca cacei na vida, mas no momento eu seguro o arco com certa maestria. Um arco antigo que minha mente ainda não faz ideia de como manusear, mas meu corpo tem esse impulso para me mostrar que sabe sozinho. Confiarei nisso.

Eu arriscara muito ao entrar tanto na floresta mas tínhamos acabado com o pão no dia anterior, e o restante da carne-seca, no dia anterior àquele. Mesmo assim, eu preferiria passar outra noite com fome a satisfazer o apetite de um lobo. Ou de um feérico. Não que houvesse muito de mim para se banquetearem.

Me agachei em um aglomerado de arbustos cobertos de neve, onde, em meio aos espinhos, tinha uma vista relativamente descente de uma clareira e do pequeno riacho que fluía por ela. Com sorte, alguma coisa passaria. Suspirei pelo nariz, tentando acalmar a mim mesma. Não duraríamos mais uma semana sem comida. E não precisaríamos. Só alguns minutos, só precisava esperar mais alguns minutos contra as rajadas de vento congelantes para que a corsa viesse. E com ela o lobo. O enorme lobo...

A neve caía e caía, dançando e rodopiando contra o marrom e o cinza do mundo. Nunca o vi assim, com tanta clareza  — o olhar de um artista. Algo em mim silenciou aquela parte inquieta e maligna de minha mente e continuei a observar o bosque coberto de neve. Perdida em pensamentos de uma vida em que pudesse pensar em cores e beleza e vida, contei com o instinto quando arbustos farfalharam na clareira. Saquei o arco. A menos de trinta passos estava uma pequena corça, ainda não muito magricela devido ao inverno  — poderia alimentar minha família durante uma semana ou mais.

Me perdi em como poderíamos usar sua carne, seu couro, e meus dedos tremeram. Tanta comida  — que salvação. Inspirei para me acalmar, verificando a mira mais uma vez. Havia um par de olhos dourados brilhando nos arbustos adjacentes. O lobo era mais enorme do que imaginava  — do tamanho de um pônei. Um lado meu me dizia para correr, me dizia que, se ele fosse feérico, eu já deveria estar correndo. Mas, talvez... talvez fosse um favor ao mundo, a minha aldeia, a mim mesma, matá-lo enquanto eu estava oculta. Meus dedos tocaram a flecha de freixo, sacando-a rapidamente, contendo os movimentos ao mínimo. Ele não olharia em minha direção, mas não quis arriscar. Segurei o arco e puxei ainda mais a corda. Não podia correr o risco de errar, não quando só tinha uma flecha de freixo. E precisava ser naquele momento.

O lobo disparou dos arbustos em um lampejo de cinza, branco e preto, as presas amarelas reluzindo. A corça não tinha chance. Disparei a flecha de freixo no lobo antes que ele destruísse mais a caça  — encontrou o alvo em um dos flancos do lobo. Sangue espirrou na neve, reluzente como rubi. O lobo apenas me olhou, e com um tipo de atenção e de surpresa que me fizeram disparar a segunda flecha. Só por precaução. Desnecessário, eu sabia. Morreu jazido na neve, seu objetivo era esse  — feérico ou não. Era preciso.

Desperdiçando cinco minutos preciosos, tirei a pele do lobo e limpei as flechas como pude. Enrosquei o lado sangrento da pele sobre o ferimento mortal da corça antes de jogá-la por cima do ombro. Nenhuma de nós sentiu remorso pela coisa morta  — ela por causa do inverno, eu por causa do que viria depois.



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