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História Desejo das Estrelas - Capítulo 23


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Capítulo 23 - Suas intenções.


Fanfic / Fanfiction Desejo das Estrelas - Capítulo 23 - Suas intenções.

Ainda está acontecendo.

Thranduil olhava para Glorfindel a sua frente, do outro lado da mesa de carvalho enquanto Taelin estava ao seu lado com os documentos para serem assinados. Havia um ellon acompanhando o guerreiro loiro, mas o rei não sabia quem era, e tão pouco se importou.

- Ambas as partes concordam com isso? – questionou seu conselheiro em um tom de voz profissional e serena, nada comparado a indignação que o mesmo expressara a um minuto atrás.

- Sim. – concluiu o guerreiro com determinação, lançando-se um olhar enraivecido.

Thranduil observou o homem sair da sala para se encaminhar para a arena de treinamento dos soldados iniciantes. Taelin voltou os olhos verdes para ele ainda mais sérios e acusadores.

- Não entendo porque faz isso, meu senhor. – rosnou o ellon – este dia vai ser um marco em sua vida, e eu duvido que seja para melhor.

Entrecerrando os olhos, o rei ficou em silêncio enquanto seguia seu conselheiro para arena. Não poderia voltar atrás em sua palavra, nem em sua determinação, queria acabar com essa rixa em relação a Amarïe, até porque não poderia lutar pelo amor que ainda sentia, está luta daria fim a isso, quando saísse da arena, no fim da batalha, olharia para o amor de sua vida, e seguiria em frente sem ela.

Ele estava condenado por suas escolhas, e não iria, de forma alguma arrastar Amarïe e Legolas para o seu próprio inferno pessoal. Na arquibancada modesta, estavam todas as mulheres que tinha em sua vida juntamente com seus filhos, o rei se aproximou de Amarïe, o pequeno príncipe já inclinado em seus braços com um sorriso envaidecido nos lábios, os olhos azuis brilhando com sentimentos mistos e alegres, o rei tinha certeza que ele seria um menino de ouro, e que não existira alma no reino de Mirkwood que não o amaria profundamente.

- Dada! – a criança chamou, fazendo-o sorrir quando se inclinou para beija-lo no rosto e na coroa na cabeça.

- Tente ser um bom menino, minha pequena folha.

- Não tem que fazer isso. – pediu Amarïe uma última vez, o rei apenas se dirigiu a ela, segurando a parte de trás de sua cabeça para que não fugisse de seu beijo no topo de sua cabeça, ele inclinou o queixo para que pudesse sentir o aroma de seus cabelos, um suspiro pesado escapou de seus lábios.

Não queria magoar ela, nem ferir seus sentimentos, amava muito, e tudo que desejava era apaziguar sua dor, mas também tinha um reino para governar, e mostrar fraco ao declinar do duelo poderia levantar suspeitas sobre sua capacidade de reinar, e da mesma forma que por desejo dos elfos silvestres Oropher foi eleito um rei, ele poderia muito bem pelos mesmos motivos deixar de ser. Thranduil se afastou da loira para ficar diante da ruiva, Thawel tinha os olhos verdes inundados por lágrimas, e sua aparência era de uma menina emburrada, mas o terror refletido em suas orbitas eram reais, mas ele duvidava muito que esse sentimento estivesse dirigido a ele.

- Por favor. – a ruiva pediu – por que isto está acontecendo?

- Vai acabar logo. – ele garantiu estendendo a mão para tocar seu ventre levemente inchado, ainda nada muito perceptível. A moça agarrou seu braço com as duas mãos pequenas.

- Não vai não, está me deixando nervosa…e se você se ferir, ta-tanta coisa pode dar errado!

- Não vai. Confie em mim. – ele garantiu – afinal, nada vai dar errado para você e nossa criança.

- Não entende que te amo!

- Você não consegue entender que eu não me sinto feliz em saber disso? – ele levantou um sobrancelha, enquanto sua expressão ficava um pouco mais dura.

- É por ela não é? Sua costureira. – a ruiva acusou amargamente, afundando as unhas em sua pele através da túnica, enquanto olhava em direção da Amarïe.

- Nem pense! – ele rangeu os dentes – isso é um problema que não diz respeito a você.

- Você vai ser meu marido! Tudo que acontece a você, me diz respeito, e ao meu filho também! – ela se alarmou e começou a chorar, os ombros pequenos chacoalhando com a força dos sentimentos.

Ela não era uma elleth excessivamente baixa, mas para um ellon da altura dele, ela quase se assemelhava a uma criança, parecia tão vulnerável, quase incapaz de engana-lo da maneira que tinha feito. Talvez se não tivesse conhecido Amarïe, ele poderia ter caído nas teias da ruiva, e naquele momento se deu conta, de que ama-la seria infinitamente pior. Thawel era uma mulher manipuladora, naquele exato momento estava chorando tão fortemente porque sabia que estava sendo assistida por todos, sabia que a corte e os soldados, mais alguns moradores da cidade da floresta estavam reunidos para ver o duelo. Parecer vulnerável e delicada era sua intenção naquele momento, demostrar que se preocupava, talvez para ter preferência entre os súditos em relação a Amarïe, mas seus motivos ele nunca saberia. De qualquer forma teve que a abraçar, espremendo o pequeno corpo contra o dele, o rosto enterrado em seu peito, topo de sua cabeça não passasse da altura de seus antebraços. Ela inclinou a cabeça para oferecer seus lábios.

Thranduil a analisou, sua pele era pálida e cremosa, os cílios longos e ruivos, da mesma cor de seus cabelos longos e ondulados, os lábios eram estreitos e tinham um formato perfeito de coração. Ele deveria ceder a exigência, afinal já tinha decidido permanecer ao lado dela como marido, e todos ao redor os observavam, mas naquele momento seu coração parecia gelo, não sentia nada, então se inclinou e beijou sua fronte da mesma forma que tinha feito com Amarïe, e se afastou.

Meladriel estava quase na entrada da arena e o interceptou naquele lugar, agarrando seu rosto com as duas mãos e trazendo para si, um Celinho rápido foi depositado em seus lábios, seguido de uma oração rápida que ela sempre fazia quando ele tinha que fazer algo para o reino que poderia resultar na perca de sua vida, nada além disso foi dito por ela, e ele nada mais fez do que retribuir com gesto suave.

Taelin lhe entregou suas duas espadas, o olhar irritado enquanto fazia isso.

- Não vai usar armadura, nem escudo? – questionou enquanto levantava uma sobrancelha.

- Não uso escudo, sabe muito bem que sou péssimo lutando com eles. – o rei zombou – sou melhor com minhas espadas, sabe muito bem disso.

- Não concordo. – exasperou o conselheiro – uma luta até a morte? Isso é totalmente estupido! Sabe que vai matar este ellon, por seu preparo, por todas as batalhas que enfrentou! Não pode matar este homem sem causar sérios problemas com Lord Elrond.

- Não vou mata-lo. – rosnou o rei – mas tão pouco vou deixar de puni-lo, sabe muito bem que preciso fazer isso, não só por Amarïe, mas também pela corte.

O conselheiro sabiamente evitou olhar para a arquibancada onde os nobres estavam sentados, quase salivando para que a batalha começasse.

- O que vai fazer?

- Bater nele até que todos pensem que morreu.

- Isso vai ser horrível. – rosnou o ellon impaciente, mas o chefe do exército apareceu para dar início ao combate.

O rei respirou fundo enquanto olhava para Glorfindel logo a sua frente, o loiro também abandonou a armadura, e trançou os cabelos para que não o atrapalha-se. Segurando o cabo de sua espada, ele esperou que o que o sinal soasse para que começasse a luta, Glorfindel correu em sua direção, girando em seus pés para acertar o golpe, o rei bloqueou com uma espada, e o acertou com a outra, causando um ferimento superficial no estomago.

Amarïe apertou Legolas em seu colo, acomodando-o para sentar em seu antebraço, o príncipe murmurou algo de se inclinar para frente, analisando com atenção a arena.  Não era seu desejo trazer Legolas para testemunhar algo assim, mas conforme as exigências teve que ficar, pelo menos por alguns minutos. A costureira tinha estado nervosa e ansiosa durante todo o dia, e estar ao lado de Meladriel, Thawel e sua mãe, não a estava ajudando. Não tinha conseguido evitar a batalha, nem salvar nenhum dos dois, sentia-se derrotada por conta disso.

- Dada – Legolas choramingou em seus braços apontando o dedo na direção da arena, a loira seguiu com o olhar, dissipando seus pensamentos para poder se concentrar no duelo.

A batalha tinha se desenrolado, Thranduil tinha um fino corte em seu braço desprotegido, ambos os ellons estavam tensos, os cabelos bagunçados e úmidos de suor.

- Dada! – o príncipe chorou mais alto, usa voz guinchada sobre saindo aos outros sons, chamando a atenção do rei.

Os minutos pareceram congelar enquanto os olhos gélidos analisavam ela e seu filho, Amarïe segurou a cabeça de Legolas, forçando o menino a enterrar o rosto em seu pescoço, impedindo seu filho de continuar assistindo a isso. Ela observou Glorfindel erguer a sua espada em direção ao rei, a lâmina fatiou sua mão, sangue esguichando enquanto a tirava das mãos do atordoado.

- Meladriel! – a loira chamou, virando-se para a rainha em uma suplica, a rainha concordou suavemente, sem esperar mais, Amarïe apertou seu filho contra o peito e correu de volta para o palácio.

Thranduil observou estranhamente sem nenhuma sensação a lâmina atravessada na palma da mão, com um dos pês ele empurrou Glorfindel, fazendo com que o mesmo puxasse a espada de volta, então a dor finalmente foi sentida com a sensação agonizante da aço saindo de sua pele. O rei moveu-se rapidamente acertando o outro loiro, o guerreiro caiu contra a terra, e o rei pressionou a lamina de sua espada contra a garganta pálida, o ellon abaixo estava ofegante, mas o fogo do ódio em suas orbitas ainda brilhavam.

- Chega! Thranduil! – gritou Meladriel – eu, como sua mãe, e como antiga rainha, imploro que termine esse duelo, agora.

A arquibancada ficou em silêncio, ou o rei achou que tinham ficado, porque seus ouvidos só escutavam o som do sangue de Glorfindel correr abaixo de sua lâmina, um fio fino de sangue escorreu como uma delicada lágrima.

- Encerre isso, aran nîn. – chamou o chefe de seu exército.

Thranduil se endireitou, respirou fundo, e por mais que que tivesse vontade de encerrar o assunto de uma vez por todas, seus olhos buscaram pela costureira entre os nobres, mas não a viu, apenas sua mãe estava ali, com os olhos tranquilos enquanto o observava, mas por amor a todos que estava protegendo, por amor a Amarïe, ele recuou, deixando a arena em passos largos.

Irritado, ele largou as espadas, e passou por entre seus guerreiros em passos largos, a mão dolorida enquanto sangrava. Quando dobrou um corredor, se deparou com Thawel chorando abraçada a Ellavorn, aquilo o deixou confuso, e furioso junto com a dor que sentia na mão, e todos os problemas que vivia no momento por culpa de sua estupidez. O escudeiro levantou o olhar para observa-lo, e seus olhos escuros não demonstravam medo, nem surpresa.

-Aran...

O rei agarrou o escudeiro e o pressionou contra a parede, seus olhos observando o ellon, Thawel gritou de surpresa, agarrando-se ao outro braço do rei.

- O que está fazendo?! – a ruiva gritou – ele está apenas me ajudando, não pode descontar sua frustração em seu escudeiro!

Não demorou muito para Taelin e um par de seus guardas pessoais entrarem no corredor, a respiração do rei estava pesada, e seu ódio muito mais palpável, enquanto olhava nos olhos de seu escudeiro.

- Levem Ellavorn para as masmorras e não o tirem de lá. – ele ordenou, a voz carregada de sentimentos amargos.

- Sim, aran.

- Por que está fazendo isso?! – gritou a ruiva, batendo seus pequenos punhos contra suas costas e braços, um tanto surpresa. O rei se virou para ela, agarrando a curva de seu cotovelo.

- Vocês acham que eu sou um imbecil?! – ele soprou entre os dente tão fermente apertados que pode sentir o esmalte se desgastar.

- Thranduil...

- Não! – ele gritou – eu estive com a mente tão ferrada por causa do amor que sentia, e da volta de Amarïe, por descobrir que tinha um filho com ela. Mas você, Thawel, sabia exatamente o que estava acontecendo e como se aproveitar disso!

- Eu não fiz nada! – ela chorou– eu amo, o amo! É você quem não me quer, que está louco para me trocar por aquela costureira.

O rei estava tão irritado que não tinha percebido que seus gritos atraíram muitos telespectadores, em maioria moradores do palácio. Sua noiva pôs a mão em seu ventre inchado e soluçou ruidosamente, chorando como se estivesse realmente sofrendo.

- Você ama Legolas, mais do que ama a meu filho! – ela gritou – prefere o amor dela ao meu!

- O único que poderia saber tudo o que eu faço, as mudanças que eu sofreria em meus hábitos, quem poderia lhe permitir entrar em meus aposentos sem nenhuma permissão, o único que poderia batizar minha bebida sem que eu me desce conta, é Ellavor! – ele finalmente explodiu apertando seu braço com um pouco mais de força.

- Não..

- Não ouse mentir para mim! Thawel! – o rei rosnou furioso – esse bebê em seu ventre nem se quer é meu! Você e Ellavorn estão acomunado com isso!

- Aran! – gritou Ellavorn – por favor, eu imploro que me deixe explicar! Por favor, não é culpa dela, é toda minha, por favor!

Thranduil respirou com dificuldade enquanto fuzilava seu escudeiro com os olhos, mas agonia refletida em seus olhos castanhos brilhavam tão fortemente que quase o fez se sentir mal. Com um aceno brusco de cabeça, o rei fez com que os guardas levassem o escudeiro para as masmorras, então ele soltou a ruiva, virando-se para encarar Taelin. Seus punhos estavam tão apertados que seus dedos e a palma de sua mão doíam, seu maxilar apertado também começou a incomodar, ele precisava urgentemente socar alguma coisa, ou acabaria ficando louco.

- Leve Thawel aos aposentos dela, e não a deixe sair de lá. – ele rosnou e saiu, atravessando a multidão com grosseria, sem se importar em desviar das damas e nobres em seu caminho.

Meladriel o seguiu com passos apressados, tentando manter o ritmo de seu filho enquanto ele ia em direção a sala de estudo do rei. Thranduil quase fechou a porta, mas a antiga rainha se enfiou entre a batente e a maçaneta.

-Thranduil, o que está acontecendo?! – ela exigiu – por que prendeu Ellavorn?! Não estou entendo seu comportamento!

- Eu também não sei. – ele rosnou baixo – tenho certeza que fui enganado por esses dois, e vou descobrir a verdade em breve.

- Não vai tortura-los, não é? – a loira sussurrou – Thawel está gravida, e frágil, não pode colocá-la sobre pressão.

- Vá consola-la então Nana! – o rei rugiu – estou louco para brigar com os punhos, e não pretendo perder meu tempo discutindo com a senhora o caráter de Thawel!

Ela suspirou observando-o, a tensão era palpável no ar gélido que a brisa se tornou, sem esperar que ela saísse da sala, o rei começou a praguejar baixinho, quebrando pequenas peças do imobiliário que não lhe fariam falta mais tarde. Depois de alguns minutos ele finamente se sentou, apoiando os cotovelos nos joelhos, e enterrando os dedos no couro cabelo, Meladriel demorou um pouco para compreender os sons suaves e baixos que ele emitia, mas quando se deu conta do que acontecia, se aproximou, envolvendo os braços ao redor dos ombros largos, e descansou a bochecha no topo de sua cabeça, acariciando suas costas com caricias lentas e reconfortantes.

- Oh, meu bebê. – ela suspirou dolorosamente – queria poder ajuda-lo com sua dor, com tudo que sente, tudo que pesa em seus ombros, em sua alma.

O rei não disse nada, mas permitiu que seus braços a envolvesse, e seu rosto se enterrasse confortavelmente em seu ventre. Meladriel continuou confortando seu único filho, ainda sem entender o estava acontecendo com ele, mas infeliz por saber que ele sofria.

- Eu me sinto um tolo. – ele finalmente proferiu suas palavras abafadas contra o corpo dela.

- Eu sinto dizer, querido, mas você foi um tolo. – ela sorriu – se amava tanto a Amarïe, por que a deixou?

Por alguns minutos o único som que preenchia o silêncio da sala era a respiração abafada e acelerada do rei.

- Você a ama não é? Por isso ainda rejeita a Thawel. – ela suspirou – mas ainda não vejo o motivo para prende-la dentro do palácio.

- Não quero falar sobre Thawel. – ele rangeu os dentes – eu vou resolver isso do meu jeito.

- E quanto a costureira?

- Eu a magoei muito. Duvido que possa me perdoar por isso.

- Ela escondeu a existência de Legolas de nós, Thranduil, é você quem não pode perdoa-la. – ela rosnou, enquanto o rei afastou o rosto de seu ventre, os olhos azuis límpidos pelas lagrimas se fixaram nela por um tempo.

- Eu a amo. – ele afirmou – não suporto quando a trata com tanto desdém, antes de rompermos, você a adorava, o que foi que mudou nana?

- Tudo. Eu tentei ajudá-la a recuperar seu amor, a fazer com que você pudesse enxergar que ela realmente o amava, mas então ela simplesmente desistiu de você e do seu amor. – ela esbravejou – quando eu deixei seu pai, ele nunca nem por um segundo desistiu de lutar por nós, e foi por causa dos esforços dele que consegui ver que realmente o amava, e que odiaria viver minha vida sem ele, eu amava minha família, e precisava de vocês dois, se não fosse por Oropher e a fé que ele tinha em nosso amor, e seu coração propenso a me perdoar, eu nunca conseguiria ter coragem de voltar para casa.

Seu filho a encarou por muitos segundos, então desviou o olhar, seu semblante ainda longe, pensativo. A rainha acariciou o rosto tão semelhante ao seu falecido marido, tentando entender o que se passava em sua mente.

- Agora quem precisa lutar pelos dois, é você, Thranduil. – ela suspirou – se quiser mesmo recuperar o amor dela, mesmo que tenha que deixar Thawel.

- Eu tenho que resolver um problema antes. – ele avisou, se levantando – eu a vejo depois, Nana.

- Eu o amo, meu filho querido. – a rainha sorriu, acariciando seu rosto suavemente.

Thranduill marchou com passos precisos até os aposentos onde Thawel ficava alojada, os guardas destrancaram as portas, abrindo para que o rei pudesse entrar. A ruiva estava sentada no canto do quarto, em uma poltrona, toda encolhida enquanto as lagrimas tiravam o melhor de si, parecia indefesa e acuada.

- Venha até aqui – ele disse tentando manter sua raiva sobre controle, os olhos verdes dela brilharam límpidos com as lágrimas.

- Por favor...

- Venha até aqui, Thawel, não vou pedir duas vezes. – ele chiou incapaz de não se sentir zangado.

A ruiva se levantou, as duas mãos automaticamente se agarraram na forma de seu ventre como uma proteção, enquanto a força do choro fazia seus ombros chacoalharem. Ela parecia mais uma criança que seria repreendida, os cabelos vermelhos estavam transados elegantemente ao redor de sua cabeça como uma coroa, e seu vestido amarelo pálido lhe dava aquela impressão infantil. A elleth parou em frente a ele, ainda nervosa, e usou o pulso para limpar o rosto, o rei suprimiu um suspiro e a agarrou pelo ombros, forçando-a a sentar na beirada da cama, e ficou diante dela, com os braços cruzados e seus olhos especulando-a o máximo que poderia.

- Thawel, se você quiser um pouco de misericórdia, é bom me contar tudo que sabe, e tudo que aconteceu, sem mentiras, somente a verdade. – ele ameaçou fazendo-a estremecer um pouco, seus braços abraçaram ainda mais seu ventre como se pretendesse proteger o bebe de seu olhar.

- Você sempre foi muito distante. E depois que Amarïe partiu para Rivendell, o senhor se tornou mais sombrio e fechado, recusando-se a se relacionar comigo em qualquer Nível. – ela suspirou derrotada – eu queria ajudar, assim como sua mãe e Ellavorn. Queríamos que levantasse desse luto e dessa melancolia que estava drenando-o.

- E essa foi sua ideia brilhante? – o rei sussurrou fazendo uma careta, então relaxou os braços ao longo do corpo antes de colocá-los para trás enquanto dava passos medidos em frente a cama.

- Não foi assim.  Eu queria ajudar, e a senhora Meladriel estava tentando, com seu jeito de mãe aconselha-lo, mas isso estava tornando seu estado pior, e então a rainha começou a ficar como você...afastada, retraída. – a ruiva mordeu os lábios – Ellavorn passava relatos de seu dia para nós, como você estava abatido, as horas que passava em frente à janela, ou sentado diante da lareira, com o olhar distante, vivendo em um mundo dentro de si mesmo.

Thranduil voltou seus olhos para a janela do quarto de hospedes, e pensou no quanto andava realmente distraído quando Amarïe ainda morava em Rivendell. Como seu coração estava cheio de remorso e culpa, como sua alma pesava em cada respirar, como desejou a morte desde então.

- Sabíamos que seu espirito não era mais o mesmo, queríamos restaura-lo, mas cada vez que tentávamos, você se retraia...

- Conte logo. – ele rosnou – não vou esperar a eternidade. Suas justificativas não me importam nem um pouco.

- Eu sofri por você! – ela esbravejou – eu sofri! E ninguém veio por mim, além de Ellavorn. Ele me consolou, e se tornou meu amante...você, nós, não tivemos nenhuma relação, nosso casamento seria de aparência, e eu pensei que você poderia me dar a autorização de ter um amante.

A ruiva inclinou-se enxugando as lagrimas que umedeciam suas bochechas. Thranduil respirou pela boca, a urgência e o medo que sentia eram sentimentos novos em relação a sua noiva, mas estavam ali espreitando e rondando seu humor já instável.

- Então os rumores sobre Amarïe começaram, e minha mãe já tinha suspeita de que era por mais do que amor a ela que você sofria. – ela fungou – eu me desesperei, porque ainda queria…ainda quero uma relação contigo. Minha mãe então sugeriu que eu deveria tentar me esforçar mais para ser sua noiva, e sua mulher.

- Você adulterou meu vinho. – ele concluiu – e nós estivemos juntos aquele noite? Você sabe se esse bebê me pertence?

- Eu não saberia dizer... – ela murmurou envergonhada – Eu estive com Ellavorn regularmente, e também estive com você aquela noite.

-Realmente aconteceu. – rezingou amargurado, seus olhos voltando-se para a janela aberta, contemplando as nuvens calmas do fim da tarde.

Pensando em quantos erros cometeu, e como isso afetou sua vida, e a vida de todos que amava. Seus olhos pálidos se voltaram para a ruiva que ainda fungava e acariciava seu ventre.

- Você tem noção do que fez, Thawel?

Os olhos verdes se voltaram para ele, cheios de um arrependimento amargurado, tão parecido com o que ele experimentava em seu próprio coração. O rei se sentou ao lado dela, e tocou seus cabelos, afastando-os de seu rosto, desgrudando alguns fios úmidos do alto de suas bochechas.

- Está ciente de tudo que vai ter que abrir mão? – ele sussurrou com pesar – a corte não vai facilitar nem abrandar nada para vocês, e eu não vou poder interceder, conhece nossas leis, Thawel, como foi se meter com algo assim?

Ela voltou a chorar, e se agarrou a ele, quase subindo em seu colo, Thranduil estava tão atordoado com o que iria acontecer que não conseguiu afasta-la, apenas a abraçou, sufocando em seu peito todos os soluços dolorosos. Por um tempo ficaram assim, até que ele pode deita-la na cama e deixou sozinha, a moça fingia estar adormecida, mas ele sabia que ela nunca voltaria a descansar durante restante de sua curta vida.

Thranduil voltou para seus próprios aposentos, e derramou vinho em seu cálice, sentimentos estranhos se misturavam dentro de seu corpo, fazendo-o sentir-se esquisito. Queria poder fugir de tudo isso, mas a realidade que suas decisões haviam preparado para ele estava sendo realmente muito mais pesado do que supunha ser. A porta adjacente ao seu quarto foi aberta, e Amarïe olhou para dentro do quarto antes de entrar, procurando-o.

- Você está bem? – ela questionou caminhando em sua direção, ele fingiu não está observando-a, enquanto ainda bebia de sua taça.

- Poderia estar melhor. – respondeu cansado – Legolas está bem?

- Ele ficou agitado por não entender o que estava acontecendo, ficou preocupado e com medo. – ela suspirou – chorou um pouco, fez pirraça, mas dormiu. Ele ficou exausto.

- Sinto muito, não queria que visse a luta, mas está nas regras.

- Eu entendo – ela parou atrás dele e inclinou o rosto – o que aconteceu depois? Sua mãe parecia muito preocupada quando venho me ver.

O rei virou-se para encara-la, os olhos azuis líquidos estavam reluzentes e sua boca rosada um pouco avermelhada, seus cabelos estavam soltos em ondas cacheadas de puro ouro. Amarïe sempre seria a mulher mais bonita em sua vida.

- Descobri que Thawel e Ellavorn estavam cometendo traição. – ele rezingou – vou ter que prende-los, e prender a mãe dela também.

- Como assim traição? – sua estrela parecia realmente confusa enquanto colocava as mãos para trás.

- Os dois são amantes, e o filho dela pode não ser meu.

- Pode prende-los por isso? – a loira ficou surpresa, as sobrancelhas douradas se juntaram em confusão.

- Não. Mas Thawel admitiu adulterar minha bebida na noite em que estivemos juntos. – o rei balançou a cabeça – tantas coisas aconteceram, eu sinceramente não tenho cabeça para mais disso hoje Amarïe.

A loira ficou em silêncio contido, analisando o semblante do rei, ele parecia tenso, as feições mais duras, a boca apertada em uma linha fina, o olhar distante. Ele levou o cálice a boca, e seus dedos seguravam com força desmedida o recipiente de metal, ela notou que a mão que estava esticada ao lado do corpo tremeu quase imperceptível antes que ele fechasse o punho. Meladriel não explicou nada para ela do que estava acontecendo, mas avisou que seu filho não estava bem, que o algo o atormentava terrivelmente, com a confissão de que Thawel havia adulterado a bebida dele....

- Thranduil...- ela hesitou – se ela realmente adulterou bebida e transou com você, isso seria violação não é? Se a corte a culpar, ela poderá ser condenada a forc...

- Não hoje Amarïe. – o rei se moveu na direção dela, largando a taça de vinho, então segurou as suas mãos e as beijou suavemente, os olhos azuis ainda colados nela.

Isso a fez lembrar de quando ainda eram noivos, da maneira como ele beijava seu corpo inteiro, as vezes começando pelos dedos das mãos, as vezes pelos dedos dos pés. Seu corpo formigou com a lembrança, sua boca se abriu para respirar, antes que seus pensamentos corressem para o outro lado. Um lado muito gostoso, como as benditas promessas de beijos ardorosos.

- Quando eu fui a Rivendell para ver você, eu esperava encontra-la casada, sendo mãe de um filho de outro homem. – ele confessou – para mim, meu mundo acabou no dia que a deixei, e me tornei miserável no minuto em que percebi que você era o amor da minha vida. Quando Thawel me disse que tinha se casado e era mãe, eu desejei morrer.

- Thranduill... – ela começou mas ele não a deixou falar, colocando um dedo longo e elegante contra seus lábios. Seus olhos azuis pálidos brilhavam constantemente, sua imagem linda enquanto ele estava contra a luz do entardecer.

- Eu queria que você pudesse me perdoar pelo que fiz. Tenho me comportado com crueldade em relação a você, Amarïe, magoando-a privando-a de sua liberdade, e fazendo aturar a humilhação que os outros dirigem a você pelo fato de ter um filho fora do casamento. – ele respirou – sei que muitas decisões minhas a feriram de forma irreparável, mas eu a amo tanto, e queria poder mudar tudo que fiz.

Amarïe o observou, suas mãos ainda seguras nas dele muito maior, o calor da pele, do olhar, os cabelos dourados caíram para frente quando ele a beijou novamente, seus lábios úmidos estavam cheios de adoração, beijando um dedo por vez, como fazia quando eram noivos. Seu coração bateu de forma irregular, e ela esperou ansiosa para que ele levasse um dos dedos a sua boca perfeita, ela queria sentir o calor úmido novamente, queria que esses olhos continuassem fixos nela enquanto fazia isso. Ela estava ficando louca. Podia ver em seus olhos a dor e o amor que se refletiam, a única coisa que ela estava pensando era indecoroso.

- Eu não sei se posso. – ela respirou com dificuldade, os olhos ficando úmidos, Thranduil a magoou muito, e ela ainda o amava de forma dolorosa, isso a fazia despreza-lo.

Talvez estava sendo injusta por se sentir assim, mas não conseguia evitar. Thranduil a seduziu, a mimou, mostrou a bondade e a justiça de seu coração, o amor de um ellon, a enredou e prometeu um sonho, uma vida, um amor pela eternidade, fez com que ela se apaixonasse por ele, e depois a dispensou, daquela forma fria e indiferente, ficou distante, encontrou uma nova elleth para substitui-la...fez amor com ela na cabana e prometeu que seria a última vez. Naquela noite Amarïe também prometeu que seria a sua última vez, nunca mais deixaria que seu amor por ele afetasse seu raciocínio, nem que governasse suas decisões. Ele tinha feito uma escolha, e ela fez outra.

- Posso tentar te perdoar. – ela sussurrou – por ser pai do meu filho. Mas nunca vou conseguir confiar em você novamente.

O rei soltou suas mãos lentamente, a língua avermelhada umedeceu os próprios lábios, o peito largo expandiu enquanto ele respirava e seus cabelos moveram-se conforme o movimento de sua cabeça. Então o rei esticou a mão para tocar em seu rosto, acariciando o alto de sua bochecha, o calor de seu corpo era quase abrasador, e isso a fez querer desesperadamente chorar.

- Melinyes Amarïe, mas eu sei que a perdi. – Thranduil sussurrou, sua mão escorregou para segurar a parte de trás de seu pescoço com carinho, e então plantou um beijo suave no topo de sua cabeça.

Ela ficou parada enquanto o calor a enredava, mas então o rei se afastou, voltando para sua mesa de vinhos, encheu novamente sua taça e virou o liquido em sua garganta. Amarïe não sabia o que fazer, ainda atordoada e sem entender o que tinha acontecido, mas foi de volta para o seu quarto, e observou Legolas dormindo na cama, quando sentou-se ao lado de seu filho, foi incapaz de impedir que as lágrimas caíssem de seus olhos, seu peito doía de forma avassaladora, mas ela ainda não entendia o porquê.



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