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História Desejo Profundo - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Capítulo Cinco


Um dia já havia se passado desde aquela noite fatídica a qual Sam nem queria lembrar mais. Seu peito se apertava apenas de lembrar que ele tinha beijado justamente seu melhor amigo. Se arrependimento matasse, ele estaria morto desde a hora em que cometeu aquele ato que, para ele mesmo, era estúpido.

Em seu celular, havia várias mensagens do moreno de olhos azuis preocupado com ele e querendo conversar com ele. Castiel parecia preocupado com Sam, mas o cabeludo não queria saber nem um pouco disso. Apenas desejava se esconder em um canto qualquer até que tudo isso fosse esquecido e ele pudesse voltar pra sociedade e fingisse que nada daquilo havia acontecido.

"Burro, burro, burro." Sam pensava sobre si mesmo, batendo a cabeça no travesseiro em suas mãos. Sua cabeça já estava doendo e seu coração parecia estar sendo esmagado por alguma mão invisível. Não queria lembrar mas daquilo, mas sua mente sempre o lembrava dos lábios macios e adocicados do melhor amigo — parecia até mesmo que ele tinha o desejo de se autotorturar.

Mas sempre após a memória boa, que era sentir o doce sabor dos lábios de um de seus amados, vinha a memória do rosto assustado do outro garoto. Aquela expressão que assombrava Sam em cada segundo que passava desde aquele maldito beijo roubado.

"Por quê?" se perguntava olhando pro teto do quarto enquanto puxava a manga de seu moletom. "Por que eu tinha que beijá-lo? Arruinei minha melhor amizade apenas por causa de uma paixão tola e sem sentido." bufou e bateu a cabeça no travesseiro mais uma vez. "Eu me odeio."

Mas quando escutou um barulho na janela, o acastanhado levou um enorme susto. Levantou a cabeça do travesseiro e vou Castiel ali, apoiado no telhado frágil de sua casa quase à meia-noite do sábado pro domingo.

Desesperado, o de olhos verdes correu até a janela e abriu-a, segurando no colarinho da blusa do amigo e o puxando pra dentro, o que resultou no Novak caindo em cima do Winchester, que automaticamente enrubeceu de vergonha.

— O que caralhos tu tá fazendo aqui? — o cabeludo perguntou mordendo a bochecha por dentro e se levantando, indo até a porta para ver se não vinha ninguém. Felizmente todos dormiam e as luzes estavam apagadas, então Sam trancou a porta e se sentou na cama. — Olha, eu sinto muito por ter feito aquilo, de verdade, eu não…

Mas Castiel pôs sua mão na boca de Sam, que levou um susto com aquele ato repentino e sentiu seu coração bater ainda mais acelerado. O moreno se aproximou e lentamente tirou sua mão da boca do amigo para falar:

— Eu não vou dizer que eu não fui pego de surpresa, porque eu fui. — falou encarando a colcha da cama e abraçou os próprios braços, como se estivesse protegendo a si mesmo do frio. — Eu ainda estou tão confuso, são muitos sentimentos e coisas acontecendo atualmente. É um turbilhão de informações e eu nem sei como me organizar. Sinto como se fosse surtar, entende?

— Sim, eu entendo. — murmurou e seu pensamento foi automaticamente ao irmão. E ao contato "Amor da minha vida". Mas não é como se fosse possível que eles tivessem algo como Sam desejava, eles eram irmãos. Aquilo era pecado, abominável. O loiro certamente sentiria repulsa dele caso ele dissesse seus sentimentos verdadeiros sobre ele.

Em contrapartida, Castiel estava à sua frente. O outro motivo de suas confusões. Não bastando sentir tais coisas loucas pelo irmão, sentia pelo melhor amigo. Era possível amar duas pessoas? Desejá-las na mesma intensidade ao mesmo tempo? Sentir seu coração bater diferente quando ao menos pensa neles e imagina futuros utópicos deles juntos?

— A verdade — Castiel retomou sua fala, puxando Sam para a realidade — é que eu não desgostei daquele beijo. — sorriu de canto e levantou o olhar para ver o acastanhado, que estava boquiaberto. — Na verdade, ele foi o botão para reacender algumas coisas que eu sentia e, sendo sincero, ainda sinto por você.

Sam estava estático, sentindo como se cada um de seus órgãos internos estivessem funcionando mais rápido do que deviam, uma loucura só. Não conseguia acreditar no que estava escutando. Castiel estava ali, uma de suas paixões de anos estava à sua frente, lhe dizendo que seu beijo — que ele tanto julgou como desnecessário e se culpou durante horas por ter feito aquilo — havia lhe feito sentir aqueles sentimentos novamente.

O moreno, avermelhado pela vergonha de estar se declarando ao melhor amigos, segurou as duas mãos do acastanhado em uma só mão e a outra levou até o rosto do mesmo antes de falar:

— Samuel Winchester, eu sou fodidamente apaixonado por você há anos e a vergonha de te dizer sobre este sentimento me fez acabar esquecendo-o. Mas aqui estou eu, à sua frente, dizendo-lhe que te amo com cada batida de meu peito e sinto que irei surtar se eu não puder ter-te para mim.

Sam não disse nada, apenas soltou suas mãos da de Castiel e levou-as até a cintura do mesmo, agarrando o tecido fino da blusa que o usava. E o beijou.

O beijo começou como um singelo selar de lábios, pois Castiel não esperava que toda a sua fala fosse de fato funcionar. Talvez ainda achasse que aquilo que Sam tinha feito na sexta-feira havia sido um impulso ou algo do tipo. Mas estava acontecendo de verdade agora, e ele iria aproveitar.

Fechou seus olhos e abriu levemente seus lábios para passar a ponta de sua língua no lábio inferior ao do amigo, que foi abrindo passagem para o beijo se aprofundar. Castiel levou a outra mão até a nuca de Sam e entrelaçou seus dedos nos fios longos do cabelo do outro, que rodeou a cintura do amigo com um de seus braços.

Suas línguas colidindo uma na outra fazia os garotos sentirem espasmos em suas genitálias, que davam a impressão de que iriam ficar eretas a qualquer momento. Enquanto ainda se beijavam, Sam deitou Castiel com cuidado em sua cama. Os dois rapazes pararam o beijo pois esse movimento leve já foi capaz de fazer o garoto de olhos azuis sentir cócegas e começar a rir.

Castiel era lindo. Não, era perfeito, mesmo com suas imperfeições. Seu sorriso que fazia duas covinhas grandes aparecerem era uma de suas perfeições. Sua risada estranha e anasalada era outra delas. Eram tantas coisas que se Samuel fosse parar para listá-las, passaria horas.

— Eu tô apaixonado por você, Castiel Novak. — acabou soltando e a risada do outro parou, mas o sorriso continuou em seus lábios.

— E eu estou por você, Sam Winchester. — e se beijaram mais uma vez, com o mais alto com seu braço ao redor da cintura do menor, que rodeou o quadril dele com suas pernas.

Os dois garotos pararam o beijo após ficarem sem fôlego e Sam atacou o pescoço branco de Castiel, beijando e dando algumas mordidinhas enquanto passava a mão por seu peitoral definido devido aos esportes que pratica por debaixo da blusa.

Reprimindo um gemido que Sam estava quase lhe fazendo soltar pelas carícias em tal área tão sensível, Castiel arqueou as costas e apertou a mão com os fios longos do cabelo do outro ainda entrelaçados em seus dedos.

— Oh, Sam… — Castiel soltou um gemido sussurrado, que deixou sua voz grossa e isso foi o suficiente para deixar Samuel completamente excitado. Quando acabou atingindo a ereção do menor abaixo de si, ambos arfaram e voltaram a se beijar desesperadamente de novo. Aquilo estava os enlouquecendo.

— É… é melhor pararmos ou isso vai resultar em algo que não queremos. — Sam disse com a respiração desregulada e Castiel sorriu maldosamente.

— E quem disse que não quero? — disse e deu uma mordida no maxilar marcado do garoto sobre si. — Mas entendo se achar que é cedo demais, pra mim é também. Apenas o tesão que me faz me tornar uma pessoa bem diferente da que sou. — ambos riram baixinho e deram um selinho rápido.

Se ajeitaram e ficaram deitados na cama de Sam, com Castiel tendo sua cabeça apoiada no peito esquerdo do mais alto e fazendo desenhos imaginários no peitoral do outro ainda por cima do moletom que ele usava.

Sam estava com seu coração batendo muito acelerado, ele ainda nem conseguia pensar no que tinha acontecido agora. Eram tantas informações e sentimentos que se sentiu à beira de surtar.

Mas diferente de antes, agora eram sentimentos bons que o deixavam entorpecido e meio louco. Havia beijado um dos homens que mais amava em toda a sua vida, isso era perfeito. Sim, era perfeito.

— O que nós somos agora? — perguntou Sam, ainda encarando o teto.

— Eu não sei. — Castiel se levantou de seu peito e encarou o amigo, que voltou seu olhar para ele. Aquelas lindas orbes verdes junto ao seu cabelo longo castanho. Pequenas coisas que o faziam ser completamente perfeito. Completamente apaixonante. — O que você quer que sejamos?

— Eu não sei. — falou e se apoiou no braço, agora estando parcialmente levantado, mas o suficiente para estar com o rosto próximo ao de seu amado. — Apenas sei que te amo muito mais que um amigo e quero fazer muito mais coisas contigo. E te beijar o máximo que posso por todos os dias que eu conseguir. — a última fala fez o moreno rir e levar suas mãos até a nuca do mesmo, puxando-o para outro beijo apaixonado.

Depois, ao pararem o beijo pela falta de ar que voltou, viram que já era quase uma e meia da manhã. Castiel então deu um rápido selinho em Sam e saiu pela janela cuidadosamente para que não fosse pego. O cabeludo apenas ficou observando aquela cena fofa mas grotesca enquanto ria.

Após Castiel conseguir descer tudo e ir embora, Sam resolveu ir beber um pouco de água antes de ir dormir. Lentamente, abriu a porta e na ponta dos pés, desceu as escadas até escutar o som de choro abafado. Seu coração falhou uma batida antes de escutar uns murmúrios baixinhos. 

Devagar, o cabeludo foi na direção do barulho. Até que viu o cabelo loiro cortado baixinho de seu irmão. Sam sentiu como se sua cabeça tivesse dado umas cinco voltas e ele estivesse tonto.

— Dean? — chamou baixinho o irmão, que olhou para ele com lágrimas nos olhos. Aquilo partiu seu coração e Sam foi rapidamente até ele. — Dean, o que aconteceu? — perguntou preocupado, passando a mão pelos fios curtos escuros do mais velho e depois, fez carinho no novo cavanhaque do mesmo, que, na opinião de Sam, o deixava ainda mais lindo.

— Algo ruim, Sammy. Algo muito ruim. — resmungou e deitou sua cabeça na mesa. Foi quando o mais novo viu a garrafa de cerveja aberta ali e olhou preocupado com o estado do irmão.

— Dee, quantas dessas você bebeu? — perguntou fazendo carinho em suas costas, mas o mais velho bufou irritado.

— Nenhuma, eu tentei dar um gole nessa mas parece que meu estômago está dando cambalhotas. — disse e voltou a chorar. — Eu me odeio tanto, Sammy. Nunca terei alguém de verdade pra mim.

— Não diga isso. — Sam falou e puxou a cabeça do irmão pra cima, o fazendo encarar seus olhos verdes brilhantes. — Você é lindo, engraçado, legal e apaixonante. O homem perfeito que qualquer pessoa iria ter. — "E que eu queria ter também" completou no pensamento.

— Mas o Castiel não. — falou e isso fez seu coração doer. O que ele estava dizendo?

— O que você quer dizer com isso? — perguntou sentindo seu coração dar um nó ao ouvir o irmão dizer aquilo.

Dean grunhiu e abaixou a cabeça pra respirar fundo, foi quando levantou a cabeça para encarar os olhos arregalados do irmão mais novo e, mesmo com sua garganta querendo dar um nó, ele soltou:

— Castiel e eu estávamos namorando há quase oito meses, ou já tinha, não sei. Não consigo me lembrar direito. O fato é que eu até tinha colocado o número de contato dele como amor da minha vida. 

"Então era Castiel que estava mandando mensagens pra ele naquele dia." pensou Sam. "Por que não olhei as mensagens? Por que não prestei atenção na foto de contato?!"

— Hoje mais cedo, ele me chamou ir até a casa dele pra conversamos sobre algo e ele terminou comigo porque ainda me ama, mas está sentindo coisas estranhas por outro cara. — Dean continuou. — Eu disse que se conversássemos com ele e ele correspondesse aos sentimentos dele, poderíamos tentar um relacionamento poliamoroso. Eu não me importo com isso, eu só queria a felicidade do meu amor. Mas ele disse que se eu soubesse quem era, certamente iria ficar puto e não iria querer mais sequer olhar em sua cara.

Sam começou a se sentir angustiado e os sentimentos ruins voltaram a rondar sua mente, desesperado com aquilo. Castiel e Dean estavam namorando escondido — as duas pessoas mais importantes de sua vida e os dois homens que ele amava — durante esse tempo todo, e agora Castiel havia terminado com Dean por sua causa e há poucos minutos atrás, os dois estavam se beijando loucamente, quase a ponto de fazerem sexo.

— De qualquer forma — a voz grossa de Dean fez Sam sair de seus devaneios —, eu o amava com todo o meu coração, mas também amo outra pessoa. É errado, eu não devia. Mas eu amo essa pessoa com todo o meu coração, da mesma forma que eu amo Castiel.

— Então diga pra essa pessoa sobre seus sentimentos. — Samuel disse acariciando a bochecha macia de Dean com o polegar. — Qualquer pessoa que tenha seu amor é uma sortuda. Se declare pra ela.

— Eu não posso. — o loiro falou. — É um pecado abominável que eu sinta isso, se eu disser-lhe sobre essas coisas, certamente ela irá me odiar.

— É impossível te odiar, Dee. Diga pra essa pessoa que você está apaixonado por ela, ela não vai te odiar, eu tenho certeza.

— Samuel, eu estou apaixonado por você! — exclamou o loiro, fazendo Sam puxar o ar com força pelo susto devido ao tom e as palavras ditas pelo homem. — É nojento que eu esteja apaixonado pelo meu próprio irmão, um pecado abominável e que se eu já iria pro inferno por amar outro homem, certamente vou por causa do incesto. Mas eu te amo desde quando você se assumiu pra nossa família, mesmo que sejamos de uma cidade interiorana e o papai tenha um jeito mais bruto que poderia significar que ele seja um preconceituoso. Eu amo quando você me abraça e seu cheiro doce entra em meu nariz, e tudo o que sinto é este aroma perfeito. Amo quando você usa roupas provocantes, que me obrigam a cobrir minha virilha de alguma forma para que não perceba que estou de pau duro por você. Amo que mesmo que seja mais alto, eu que te envolvo na conchinha e ficamos deitados assim durante horas. — falou tudo isso se levantando da cadeira e se afastando de Sam, que ainda estava estático na cadeira.

Sua mente estava ainda mais confusa, mas uma coisa estava bem clara em sua mente: ele desejava com todas as suas forças beijar Dean.

Então se levantou rápido e segurou na mão do loiro para que ele não se afastasse mais. Quando ele se virou para ver o que estava acontecendo, o mais alto levou a mão livre até sua bochecha outra vez e o puxou para selarem seus lábios em um beijo apaixonado.

Dean estava assustado, mas não pestanejou e fechou os olhos antes de começarem a beijar apaixonadamente. Com a mão livre, segurou na cintura de Sam e puxou mais para si, colando seus peitorais. Como o irmão mais novo era um pouco mais alto, o mais velho elevou um pouco mais seus pés e aquilo estava perfeito.

Suas línguas se chocando, com Sam sentindo um leve gosto amargo de cerveja e tinha seu rosto arranhado pelo cavanhaque de Dean. Aquilo era maravilhoso, tão perfeito quanto seu beijo com Castiel.

Castiel.

Após lembrar o nome do melhor amigo, Sam parou o beijo, arfando devido a intensidade que aquele beijo tinha tido. Sua mente estava um turbilhão de coisas.

Ele estava tremendo.

Beijar os dois homens ao qual ama há anos foi um sonho sendo realizado, mas agora tinha se lembrado de que eles tinham lhe escondido aquele fato importante. Não era como se fosse qualquer pessoa namorando, eram Castiel e Dean. O seu melhor amigo e seu irmão.

— Sammy, você está bem? — perguntou o loiro, passando a mão pelos fios longos e castanhos do irmão.

— Dean, eu te amo e sinto a mesma coisa por você. E devo ser sincero que sinto coisas por Castiel. — o mais velho pareceu ficar meio chocado com tal revelação. — Eu o beijei após a festa na sexta e hoje, beijei você. Foram ótimos e acho que a melhor coisa que já fiz na vida. Mas agora caiu a ficha que vocês dois estavam namorando esse tempo todo e não me falaram nada.

— Sam, eu… — Dean parou de falar após Sam se afastar dele e ir até a escada de madeira.

— Antes de homens aos quais eu sou apaixonado, você é meu irmão e ele é meu melhor amigo. — a voz do mais novo estava embargada pelo choro que segurava e isso partiu o coração do mais velho. — Durante oito meses, vocês não confiaram em mim pra me dizer sobre isso. Isso é o que dói.

— Sammy, eu posso explicar. — tentou falar Dean se aproximando de onde o irmão estava, mas o outro estendeu o braço, o fazendo parar novamente no lugar em que estava.

— Eu preciso ficar sozinho, Dean. — o cabeludo falou e subiu as escadas, voltando para o quarto, onde se jogou na cama e reprimiu as lágrimas que queriam sair, até que finalmente dormiu, tendo um pesadelo horrível.



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