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História Desejo Proibido - Capítulo 4


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Notas do Autor


Esse capítulo é mais romântico, podemos considerar que o relacionamento dos dois começa de verdade aqui. Sejam pacientes, que logo mais as coisas esquentam (sei que é disso que todo mundo gosta xP haha). É só que já tenho toda a história planejada na cabeça e não imagino a Hermione se jogando num episódio de tesão casual para perder a virgindade. Você concorda comigo ou discorda "de migo"? xD por favor, deixe seu comentário.

Capítulo 4 - Abrindo o Coração


 

 

Snape se aproximou vagarosa e argutamente, como se achasse que Hermione era perigosa e esperasse um ataque traiçoeiro da garota.

 

— Alunos não podem circular pelos corredores sozinhos depois do horário, srta. Granger.  Estou certo de que a senhorita está a par das regras e que não há exceção, nem mesmo por ocasião de briguinhas de, hum, namorados.

 

A última palavra fora proferida com especial desdém e uma nota de desprezo. Hermione congelara. Seria coincidência que depois de tudo, Snape falasse em namoro? Estaria com ciúmes de Rony? Ela duvidava muito. 

 

— Rony não é meu namorado. — Respondeu com a voz trêmula, secando o rosto rápida e discretamente com as pontas dos dedos, ainda que isso não pudesse disfarçar a vermelhidão de seus olhos.

 

— Ah... não? Tive a impressão que Weasley pensava diferente. Não que seja possível crer que algo preencha a cabeça de vento de Potter e Weasley. O que a levou então a deixar a festa daquela forma... turbulenta?

 

Irritada com aquela insinuação, sentindo-se ofendida pelo professor achar que ela seria tão volúvel ao ponto de beijá-lo daquela forma enquanto se relacionava com outra pessoa e também por ofender seus amigos — especialmente Harry, que não tinha nada a ver com a história —, a garota se encheu de coragem para responder, embora sua voz continuasse trêmula. 

 

— O senhor não sabe? — Snape observou-a com cuidadosa apreensão. Seus olhos negros perfuraram os da garota, que percebera sutilmente o ciúmes que sentira do professor com a tal de Ellie vindo à tona em sua mente, mesmo que ela não o evocasse. Sabia que o professor estava invadindo sua mente, mas sequer tentou encobrir seus pensamentos e sentimentos. Snape recuou um passo, como se seus maiores receios estivessem se concretizando. — Pensei que soubesse. Mas se não sabe, então o senhor não é tão mais sabido do que Harry e Rony. 

 

— Impertinente... — Sibilou ele. — Tem sorte de não ganhar uma detenção, Granger. Não espere ter a mesma sorte da próxima vez. Agora espere aqui enquanto procuro alguém para acompanhá-la à torre da grifinória.

 

— Covarde... — murmurou ela, mas Snape ouviu, virando-se ameaçador para encará-la.

 

— Como disse? — Perguntou ele baixinho e ameaçador como nunca, em tom de quem envenenaria o suco de abóbora da garota caso ela realmente se atrevesse a repetir o que dissera. 

 

 — Covarde... — Repetiu Hermione, usando uma coragem que nem sabia possuir para enfrentá-lo. — O senhor invade a minha mente porque tem medo que eu diga as palavras. E agora tem medo de ficar à sós comigo. A palavra não seria... covarde?

 

Depois de instantes que pareceram durar horas onde os dois se encararam em silêncio no corredor deserto, Snape ordenou, em um tom estranhamente brando. 

 

— À minha sala, srta. Granger. — E, vendo que ela não o seguia, acrescentou. — Agora. 

 

Hermione o seguiu, achando que ia desmaiar. Era isso, o fim. Poderia ser expulsa caso Snape resolvesse contar ao diretor o que ela fizera. Chamá-lo de covarde poderia tê-lo irritado ao ponto de denunciar a garota por ter lhe roubado um beijo? Seu pior pesadelo era ser expulsa e, pensando bem, o desprezo que os amigos sentiriam quando descobrissem tudo... 

 

A sala de Snape não inspirava romances. Fracamente iluminada por velas e archotes, quadros horríveis onde pessoas pareciam sofrer dores insuportáveis e outros com formas estranhamente distorcidas eram visíveis, assim como uma infinidade de frascos onde pequenas criaturas ou ao menos parte delas eram preservadas em um líquido esverdeado. 

 

— Sente-se. — Disse Snape secamente. Com um movimento displicente da varinha, fez surgir diante deles uma chaleira que começou a borbulhar, soltando um denso vapor. Em seguida, serviu o líquido ocre em duas xícaras, empurrando uma para Hermione, que examinou seu conteúdo, intrigada. — Me diga, srta. Granger, o que pretende ganhar com tudo isto?

 

Por um instante Hermione ficou confusa, depois entendeu a pergunta e sentiu seu coração bater furiosamente na garganta. Teria de falar sobre seus sentimentos para o professor. Inspirou profundamente para conseguir controlar o tremor que percorria o seu corpo. Já fora longe demais, não adiantava negar o que sentia. 

 

— Ganhar? — Sua voz estava mais alta e mais fina que o normal, num tom ligeiramente estridente. — Não quero ganhar nada. O senhor n-nunca se apaixonou? Não há interesse o-ou egoísmo no que sinto. Agora, se vai me expulsar... 

 

— Beba. 

 

Snape ordenou, apontando para a xícara, sem expressar qualquer sinal de emoção pelo o que a garota acabara de confessar. Hermione olhou outra vez para o líquido, que parecia demasiado espesso e inodoro para ser um simples chá. 

 

— O que é?

 

Perguntou ela insegura. Ainda que seu sentimento por Snape crescesse opressoramente em seu peito a cada dia, não podia deixar de pensar que, como antigo professor de poções, ele teria acesso a todo tipo de substâncias perigosas em seu poder. Mas diante do olhar duro de Snape, ela começou a bebericar um pouquinho do líquido, que tinha um gosto floral e agradável. 

 

— É algo para os nervos, não se preocupe, Granger. Não está envenenada. — Hermione corou e sorveu um grande gole da bebida. Sentiu-se aquecendo de dentro para fora e, sem sombra de dúvidas, a bebida era calmante. O tremor em seu corpo passou e ela sentia-se completamente em paz diante do homem por quem estava apaixonada e que podia, a qualquer momento, dar a notícia de que seria expulsa de Hogwarts. — Agora, me diga, srta. Granger, ainda se diz... apaixonada? 

 

— Espere um momento. — Ela tomou mais um pouco da bebida, franzindo a testa. — Reconheço um ingrediente. É semente de amarula, usada para o preparo da poção que desfaz todos os encantamentos... A poção equivalente ao encantamento conhecido como "a queda do ladrão". O senhor... O senhor acha que eu estou enfeitiçada? 

 

Snape pareceu muito surpreso, Hermione não sabia dizer se pela informação que ela possuía, que não estava no programa acadêmico da escola, ou se por constatar que a garota, de fato, não estivera enfeitiçada quando o beijou e quando admitiu estar apaixonada. 

 

Como Snape não respondeu, a garota continuou, estranhamente sem qualquer nervosismo ou mesmo vergonha, com uma satisfação acalorada lambendo seu estômago. 

 

— Não estou enfeitiçada. — Ela se levantou e deu a volta na mesa. Snape se levantou também. — A não ser... A não ser que considere este tipo de sentimento uma espécie de magia. Acho que Dumbledore pensa assim. 

 

Ela riu baixinho, se aproximando. Snape recuou até que suas costas tocaram a parede atrás de si. Estavam frente a frente agora. Ao que parecia, a poção também esgotara qualquer inibição que poderia existir na garota. 

 

— Pare, Granger. Afaste-se. 

 

— Por quê?

 

Seu rosto agora estava muito próximo do rosto do professor. E aconteceu novamente. Seus lábios tocaram os de Snape e, dessa vez, ele a beijou. 

 

Diferente da última vez, foi um beijo doce. Snape parecia acariciar sua boca lentamente com os lábios. Suas mãos envolveram a cintura de Hermione, estreitando-a delicadamente nos seus braços. 

 

Hermione achou, pela segunda vez naquela noite, que fosse desmaiar. Mas agora, era em razão da sensação maravilhosa e inexplicável que sentia nos braços de Snape. Sua boca era tão macia e delicada... Seu toque era firme e gentil. Ele parecia amoroso e entregue. A garota pensou que fosse derreter ali em seus braços. 

 

— Não... — Demasiado cedo, Snape separou-se da boca da garota. Mas não foi duro e tampouco ríspido como da outra vez. Parecia muito abalado quando colou a testa na de Hermione e falou como se implorasse. — Não... Não posso... 

 

Hermione segurou o rosto do professor entre as suas mãos e olhou nos seus olhos. Naquele momento, não parecia existir nada mais certo no mundo do que ficarem juntos.

 

— Mas por quê? — Insistiu ela, tristemente. 

 

Snape tirou as mãos da garota de seu rosto lentamente e passou a andar de um lado para o outro, parecendo preocupado.

 

— A srta. é apenas uma garota. 

 

Ele parecia estar falando mais para si mesmo, mas lançou um olhar para Hermione, como se implorasse e se desculpasse ao mesmo tempo. 

 

— Sou uma mulher. Já sou maior de idade, completei dezessete anos em setembro. Além disso, vivi e aprendi mais coisas nos últimos anos do que muitas bruxas formadas... 

 

— Sou seu professor. Sou velho demais para você.

 

— E continuará sendo meu professor, uma coisa não tem a ver com a outra. Podemos cuidar da nossa vida particular e não é da conta de ninguém o que professores e alunos fazem depois das aulas... ou nas férias. E quanto a ser velho... O senhor... Digo, você... É. Você realmente acha que uma pessoa na casa dos trinta é velho? Eu não acho. Na verdade, acho você formidável. 

 

E corou ao dizer isso, embora soubesse que a timidez que sentiria se não houvesse tomado aquela infusão sequer a permitiria fazer uma afirmação daquela. Snape olhou para ela de volta, parecia mortificado e preocupado, como se não acreditasse no que fizera.

 

— Você... Você não sabe o que está fazendo. — Ele falou, parecendo um homem desolado. 

 

Hermione segurou suas mãos. Estava muito mais segura agora que percebia que era correspondida. Seu coração ameaçava explodir de felicidade. Tudo o que ela queria era abraçá-lo, beijá-lo, ficar com ele, sentir seu calor... 

 

— Eu sei... — Disse ela, pousando uma mão gentil na face do professor, que estava gelada. — Sei o que estou fazendo. Prometo. 

 

Snape pareceu sem fala, até que Hermione tentou beijá-lo outra vez. Ele segurou suas mãos com gentileza, impedindo o gesto. Seu rosto parecia uma máscara de dor. 

 

— Há outra pessoa... 

 

Nem o efeito da poção calmante atenuou a sensação de pancada que sucedeu aquelas palavras no estômago da garota. Ela recuou, os olhos marejados de lágrimas. 

 

— É aquela Ellie Anton? 

 

Por um momento, Snape pareceu não entender do que ela estava falando, mas então fez um gesto displicente. 

 

— Não, é claro que não. É alguém... que já se foi. Se foi há anos. Mas ainda a amo. Não posso... trair sua memória.

 

Então Snape havia amado uma mulher e ela havia morrido? Não era de se admirar que fosse uma pessoa amargurada e, muitas vezes, desagradável. Tinha o coração muito ferido. Compreender aquilo fez o sentimento da garota pelo professor se tornar ainda mais caloroso. Ela queria abraçá-lo, consolá-lo, amá-lo... 

 

Ela se aproximou cuidadosamente, temendo ser rejeitada. Mas isso não aconteceu. Ela abraçou Snape e ele a abraçou de volta, tão forte, que parecia estar extraindo algum consolo para sua dor.

 

— Sinto muito... Ah, sinto muito mesmo...  Mas por favor, não pense assim... A memória de quem amamos sempre ficará viva em nossos corações. Você não está traindo a memória dela, nem deixando de amá-la. Não quero tomar o lugar desse sentimento. Quero apenas... um novo lugar.

 

Durante um tempo, ficaram apenas ali, nos braços um do outro. Hermione jamais imaginou descobrir alguma fragilidade em Snape. Por outro lado, jamais achou-o tão forte como naquele momento.


Notas Finais


Não esqueça de dizer o que está achando, por favorzinho. xD


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