História Desejos do Passado - Capítulo 13


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Capítulo 13 - 13. Surpresa!


- Hi, my love! - Jason veio da cozinha, trazendo duas taças em suas mãos. Seu sorriso era o mesmo de sempre: terno, carinhoso e feliz. Paola estava congelada ainda segurando a maçaneta da porta. Ele a abraçou e lhe deu um rápido beijo nos lábios. - Surprise! - Ele riu de leve, Paola sorriu e retribuiu o abraço.

- Oi, mi amor. - Respondeu Paola. - Que bom que conseguiu voltar antes! - Apesar do pânico de tê-lo ali inesperadamente, a presença de seu marido sempre a tranquilizava e a fazia se sentir em casa, em família. 

Paola aproveitou aquele momento com Jason, conversavam muito contando o máximo de detalhes possíveis tudo o que haviam vivido na ausência um do outro, jantaram e beberam um bom vinho num clima leve e amoroso. Jason sempre foi o porto seguro da argentina e, por mais que estivesse se sentindo péssima pelo que fez, deixou isso de lado pelo menos naquela primeira noite.

Na manhã seguinte, acordou com um carinho no seu rosto, Jason a despertava calmamente e anunciava que o café estava pronto. Como de praxe, ele havia preparado todos os mimos possíveis para ela: café na cama com direito a tudo que ela gostava, flores e muitos beijos. 

Foi ao estúdio para a gravação extremamente atrasada, mas não conseguia tirar o sorriso no rosto. Quando Jason voltava de viagem era sempre assim, a sensação de estar nas nuvens. Porém, quando chegou na Band, a realidade deu uma bofetada em seu rosto: Fogaça estava esperando escorado na porta de seu camarim, com o melhor dos sorrisos. 

- Está atrasada, chef. - Ele debochou enquanto se aproximava dela e a abraçava. Paola sorriu levemente, retribuiu rapidamente o abraço mas logo se afastou.

- Bom dia para você também. - Falou no mesmo tom de deboche. - Agora sai daí, preciso me arrumar rápido. - Ela puxou o braço de Henrique para tirá-lo da frente da porta. 

Quando entrou em seu camarim ficou paralisada. Flores. Mais flores. Puta que pariu. Pensou. Um buquê lindo de margaridas estava em cima da penteadeira.

- O que…? - Ela começou a perguntar.

- Queria lembrar o que eu falei ontem, eu não quero mais ficar longe de você. - Ele disse, seu tom de voz era baixo, quase tímido. Paola sorriu e colocou as duas mãos no rosto de Fogaça, olhando-o nos olhos. 

- Somos casados, esqueceu? - Ela sussurrou. Não queria magoá-lo, mas uma luz de sanidade bateu em sua mente e a fez racionalizar tudo aquilo. Sim, sentiam muito um pelo outro: amor, tesão, carinho. Mas não estavam inteiros naquilo, seus compromissos eram com outras pessoas. - Desculpe mas não podemos seguir com isso. Precisamos ser racionais, você recém se casou…

- Eu vou me separar. - Ele a interrompeu. Seu olhar era quase uma súplica.

- Mas eu não. - Foi a resposta de Paola, e as palavras foram como um soco no estômago de Henrique. Ele se afastou, com os olhos marejados, e se virou de costas. - Jason voltou ontem. - Ao ouvir isso, Fogaça bateu forte na mesa em que havia ali. - Fogaça, escuta… - Ela pegou na mão dele e o fez virar novamente para olhá-la. - A gente se iludiu pensando que poderíamos ter algo nesse momento. Mas eu não tenho coragem de continuar essa loucura, eu sei que dói, mas eu não sei se tô preparada pra acabar com meu casamento agora. Você sabe que sempre sonhei em ter uma família e agora eu finalmente tenho e me sinto segura. - Seu coração estava em pedacinhos por perceber os olhos do chef tão magoados.

- Cê tá enganada, Paola. Eu me iludi, você não. - Ele falou. - Sabe como eu me sinto quando você transa comigo e me descarta no momento seguinte quando teu marido chega? Um lixo. - Ele aumentou o tom de voz. - Mas, você tá certa, vai lá viver o teu conto de fadas. - Ele abriu a porta e saiu enfurecido, batendo-a com tanta força que tremeu a estrutura do camarim. 

Paola percebeu que toda a felicidade que sentia alguns minutos atrás havia se esvaído. Havia tantas lágrimas em seus olhos que sua visão estava turva. Ela sentou no sofá e se permitiu chorar por alguns instantes, encolhida, sentindo-se minúscula e patética. Como sempre, eram intensos demais, 8 ou 80, iam de um extremo ao outro num piscar de olhos. Ana Paula adentrou a sala de repente, fazendo a argentina saltar de susto.

- Precisamos iniciar as gravações... - Ana anunciou e só então parou para perceber o estado em que Paola se encontrava. - O que houve, meu amor? - Ela se sentou ao lado da chef e a puxou para um abraço. Paola respirou fundo e limpou as lágrimas que haviam encharcado seu rosto. 

- Acabou, Ana. - Ela sussurrou. - Mas não podemos falar sobre isso agora, não posso atrasar mais ainda. Preciso da maquiadora para dar um jeito nisso, você a viu? - A apresentadora estava confusa, mas realmente estavam atrasados.

Logo a maquiadora chegou ao camarim de Paola e deu o seu melhor para disfarçar a cara de choro da argentina. Trocou de roupa, aceitando a sugestão da figurinista sem muita energia para argumentar e em alguns minutos foi ao estúdio de gravação. Todos já estavam posicionados para iniciar e Paola, sem erguer o olhar - temendo encontrar o de Fogaça - foi ao seu lugar de sempre. 

Foi um dia maçante, com muitos takes refeitos, cortes e berros no ponto solicitando uma interação maior entre os dois jurados que não estavam suportando a proximidade a qual precisavam manter para as câmeras. Fogaça tentava dar o seu melhor para não demonstrar tudo o que sentia naquele momento, o que era muito. 

Não entendia como pôde mergulhar tão profundamente no que sentia por Paola sem considerar que em momento algum ela havia falado em acabar com o seu casamento. Tinha sido tolo e, mesmo que soubesse que não tinha o direito de cobrar nada da argentina, estava extremamente quebrado. Não que estivesse se separando só por causa de Paola, seu relacionamento nunca foi saudável de qualquer forma, porém doía perceber que ele estaria sozinho e ela estaria feliz com seu companheiro. 

Fogaça decidiu que não poderia ser injusto com Paola, aquela situação o destruía, mas sabia que ela estava tomando a decisão mais correta e isso não anulava o que sentiam um pelo outro. Ele a amava e tinha certeza de duas coisas: 1) queria vê-la feliz, seu sorriso não podia, de forma alguma, ser evitado e 2) queria estar perto dela, mesmo que sendo apenas seu amigo. E seria o melhor amigo que ela poderia ter. 

Aquele primeiro dia foi difícil, não conseguiam se encarar. Fizeram o melhor que conseguiam para não transparecer em frente às câmeras, e assim que as gravações foram encerradas, saíram o mais rápido possível. Os pensamentos de ambos tinham o mesmo foco: não queriam mais se machucar, mas sentindo tanto, como isso poderia ser evitado? 

No dia seguinte, quando Paola chegou em seu camarim, deu de cara com Fogaça escorado na porta, distraído mexendo em seu celular. Ela permaneceu alguns metros afastada e o observou por alguns segundos, pensando em como abordá-lo. Não demorou muito para que ele erguesse o olhar e a visse ali. Fogaça sorriu levemente e saiu da frente da porta, a dando espaço para entrar. 

- Bom dia. - Ele disse. Ela estava paralisada e não conseguiu responder. - Eu acho que a gente precisa conversar, sabe… numa boa. - Ele coçou a barba nervoso. - Sei que não reagi bem ontem mas você tem razão. - Paola suspirou alto de alívio. Então ela finalmente se moveu e entrou no camarim, fazendo sinal para que ele fosse junto. - Você tinha sugerido uma trégua, né? - Ele perguntou. - Eu aceito. - Paola sorriu e o abraçou. Sentia os braços de Fogaça a apertando na mesma intensidade, com amor, carinho e gratidão por, apesar de tudo e naquelas circunstâncias, pertencerem um ao outro. Mesmo que de uma forma inexplicável. - Eu amo você e eu entendo e aceito as suas decisões. - Ele sussurrava. - Só não me peça pra ficar longe. 

- Nunca. - Ela falou e o apertou mais ainda. - Obrigada. - Ela disse enquanto se afastava do abraço delicadamente. - Agora vamos trabalhar, sí? - Ela perguntou. 


Notas Finais


Achei importante frisar no drama deles terem outros relacionamentos, pra dar uma pintadinha de realidade kkkk mas tenham paciência, logo logo fica tudo bem, vcs sabem que eles não conseguem evitar.


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