História Desired - Capítulo 25


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Romance, Vampiros, Yaoi
Visualizações 27
Palavras 2.130
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Fluffy, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Novo capítulo!
Sei que demorei para postar, mas vou pedir a compreensão de vocês com todo meu coraçãozinho porque as coisas andam muito difíceis na minha vida fora da internet e encontrar animação para escrever as minhas três histórias com frequência tem sido um pouco complicado. Não vou discorrer sobre os meus problemas pessoais aqui, mas estou sempre disposta a conversar por mensagem se alguém quiser esclarecimentos!
Sem mais delongas, boa leitura! çwç ❤︎

Capítulo 25 - Uma única amizade sincera


Laurence Graham não conseguia focar em seu trabalho de forma alguma.

Inicialmente, nem sequer estava com a típica sensação ruim que costumava ter quando seu namorado estava em perigo. Apenas não conseguia prestar atenção como usualmente, apesar de não se encontrar particularmente pensativo nem nada semelhante, o que era mais do que curioso. Apesar de ser um tanto desastrado, costumava saber o que fazia e não tinha problema algum com foco, e agora havia acabado de esquecer qual conjunto de flores estava organizando pela terceira vez na última meia-hora. Tudo parecia, nas mais simples palavras que encontrara, um tanto confuso e cansativo.

— Ren? Ren! — a loira chamou-o, tirando-o do inconsciente transe no qual se encontrava. Helena cruzou os braços, parecendo não muito alegre, e continuou. — O que aconteceu com você?

— Eu não sei... — murmurou, cobrindo o rosto repleto de sardas por alguns segundos antes de continuar. — Não estou me sentindo muito bem, só isso.

— Você não quer dar uma pausa? — questionou a garota, uma incomum preocupação surgindo em sua face.

— Não, não precisa, eu... Eu já faltei ao trabalho uma vez e não quero te prejudicar ainda mais com intervalos desnecessários.

— Ren... Você é um amor, mas claramente precisa de um momentinho — ela disse, aproximando-se e sutilmente deixando sua mão sobre o ombro do ruivo. — De qualquer forma, é melhor você descansar um pouco e ser produtivo pelo resto do dia do que continuar assim!

Laurence hesitou, sem saber exatamente o que dizer. O que menos queria era trazer à loira mais prejuízos e preocupações, mas, ao mesmo tempo, sentia que precisava parar um pouco, seu corpo aparentando estar muito mais pesado que o de costume. Antes que pudesse respondê-la, porém, uma súbita e forte dor passou a pulsar em sua cabeça, intensa o suficiente para que fizesse com que involuntariamente se ajoelhasse ao chão da floricultura enquanto tentava conter um som de dor, deixando as mãos sobre a testa e parte dos cabelos ruivos numa tentativa de ignorá-la.

— Laurence?! — Helena chamou-o, alarmada, abaixando-se com ele. Se já estava preocupada, a jovem ficou ainda mais, assustada com aquela reação súbita.

— Ahn... — grunhiu, sem sair da posição. Aquela dor era terrível e desesperadora, mas foi diminuindo gradualmente ao ponto que, após alguns minutos, tempo o qual passara sem que sequer percebesse, havia apenas um resquício daquele pesadelo.

Assim que foi capaz de abrir os olhos, apesar de dolorosamente, pôde notar que Helena estava à sua frente com um copo de água, um tanto inquieta, sem saber como reagir. Ela ofereceu-lhe assim que Laurence se recompôs, então se levantou para fechar as portas da floricultura durante aquele momento. Ren estava sinceramente agradecido por nenhum cliente estar ali enquanto aquilo acontecia.

— Tudo bem...? — ela perguntou, cuidadosamente se aproximando de novo. — Você deveria ir ao médico... Ou pelo menos para casa, descansar.

O ruivo tomou um gole de água antes de responder, sentindo certa dificuldade em falar, um aperto incomum no peito. Ainda estava com um pouco de dor de cabeça, mas conseguiu respirar fundo e responder, apesar de tudo:

— Sim... Eu vou ficar bem. 

— Vai descansar, Ren, por favor. Hoje estamos tendo poucos clientes, não vai ter problema algum se você precisar do dia livre...

Laurence esfregou os olhos e lhe devolveu o copo, refletindo sobre o que estava sentindo. Não sabia se era próprio de seu corpo ou algo relacionado a seu laço, mas, caso fosse a segunda possibilidade, decerto a situação era muito ruim. Talvez eu deva ligar para o Anthony, pensou, apenas para ter certeza de que está tudo bem.

— Acho que eu só preciso de um pouco de ar fresco... Tudo bem se eu sair um pouco?

— Claro! Pode me fazer o favor de deixar a porta aberta, então? — pediu, sorrindo calorosamente, mas, de certo modo, a preocupação ainda estava presente em sua face. Laurence concordou com a cabeça, esforçando-se para sorrir de volta, e se levantou com bastante cautela. Seu corpo parecia tão pesado...

Saiu da floricultura e sentou-se em um dos bancos decorados do lado de fora, feitos de madeira com traços bem detalhados, obra da própria dona com uma pequena ajuda de seu ex-namorado artista. Estar ao ar livre realmente o ajudou um pouco, mas não era exatamente para aquilo que havia saído: precisava fazer sua ligação urgentemente.

Enquanto digitava o número de seu melhor amigo, certa palpitação começou a surgir, a sensação ruim que costumava ter sempre que seu namorado estava em perigo, e sua combinação com a atual dor de cabeça não era uma das melhores. No entanto, daquela vez era diferente: ao mesmo tempo que estava ciente de que havia algo de errado, o sentimento era mais de angústia do que de qualquer outra coisa. Imaginava se era isso o que Ariel estava sentindo agora, e só de ter tal pensamento em mente o ruivo se preenchia de ansiedade.

— Anthony? — chamou-o assim que a ligação foi atendida, mal esperando uma saudação. — Anthony, está tudo bem aí?

— Ah... — O garoto do outro lado da linha suspirou, parecendo quase decepcionado, como se houvesse sido interrompido em algum momento importante. No entanto, alguns segundos depois, voltou à usual personalidade extrovertida que sempre tivera. — Oi, Ren! Desculpa, estávamos vendo um filme agora. Está tudo ótimo, não é, Ariel?

— É mesmo...? — questionou. — Posso falar com ele?

— Uhm, pode... Vou passar o telefone. Sem contar o que aconteceu, está bem, Ary? Senão você vai estragar o filme para o Ren... — ele falava, e Laurence não conseguia evitar perceber algo de estranho na fala dele, simplesmente não parecia natural. Talvez fosse apenas sua paranoia por estar se sentindo mal, mas algo lhe dizia que a situação era um tanto duvidosa.

— Ariel?

— Lauren... — ele murmurou, certo alívio em seu tom de voz. Era como se estivesse torcendo para receber aquela ligação.

— Você está bem?

A resposta demorou um pouco, mas veio, depois de uma longa respiração por parte do rapaz de cabelos negros:

— Sim...

— Tem certeza? A sua voz me diz o contrário...

— Eu estou com sono, só isso — apressadamente o respondeu. — Mas está tudo bem.

— Entendi...

Laurence não conseguia acreditar muito bem naquilo, apesar de parecer convincente. Não sabia se havia acontecido algo de incomum ou se seu desassossego era apenas fruto do medo de que Ariel não estivesse bem, mas, daquela vez, optou por não ignorar seus instintos — perdera chances de proteger o outro garoto todas as vezes que desmerecia suas suspeitas.

Após pedir para voltar a falar com o rapaz de olhos verdes, começou, tentando manter a calma:

— Anthony, eu vou buscar o Ariel mais cedo, está bem? Ainda tenho que chamar um táxi, mas devo estar aí em menos de uma hora.

— Mas já? Nós estávamos justamente começando a nos divertir... Apesar de que, para ser sincero, seu namorado já me parece meio cansado.

— Não se preocupa, ele é naturalmente sonolento — comentou, sorrindo ao se lembrar daquele pequeno detalhe. Entretanto, sua inquietação retornou logo em seguida, e optou por não prolongar a conversa. — Vejo você daqui a pouco.

— Está bem... — resmungou, e Laurence desligou sem pensar duas vezes, tirando alguns segundos para respirar.

Estava prestes a se levantar para avisar Helena de que partiria quando notou a própria loira se sentando ao seu lado, observando-o com uma expressão a qual Ren não conseguia interpretar muito bem.

— A-Ah — balbuciou, inicialmente surpreso. — Você... escutou toda a conversa?

— Não... Só boa parte dela. — Ela sorriu de leve. — Posso te dar uma carona até a casa do seu amigo, se quiser.

— Não precisa! Eu... Eu não quero atrapalhar seu trabalho mais ainda — disse, levemente envergonhado. Além disso, ela e Ariel definitivamente não se davam nada bem, e realmente não precisava ter mais um detalhe com que se preocupar.

— Ren... Por favor, eu só quero te ajudar. Você já não está muito bem, e um táxi provavelmente vai demorar demais. Vamos, prometo que não vou brigar com o seu... colega de quarto.

Laurence demorou um pouco para processar aquela última frase, refletindo sobre como Helena não sabia da atual relação deles, e não soube como reagir de primeira. Aparentemente notando a hesitação do ruivo, a garota continuou, olhando para baixo em direção às suas sapatilhas escuras, antes soltando um pequeno suspiro:

— Vocês estão juntos, não é? — perguntou, não conseguindo mascarar completamente sua decepção. — Tudo bem, Ren, eu... Eu entendo. Acho que ainda não superei o que tivemos juntos, mas não posso odiar aquele garoto para sempre por causa disso.

— Helena...

— Aceita a minha carona, por favor. Pode considerar essa a minha redenção — brincou, mexendo de leve nas mechas loiras, um pouco sem jeito. — Eu só quero que você fique bem.

Laurence imediatamente sorriu, apesar de surpreso, feliz em ver que a garota estava se esforçando tanto apenas para vê-lo melhor.

— Você sempre vai ser minha melhor amiga, sabe disso, certo? 

— Pensava que Anthony era seu melhor amigo.

— É, também... Vocês dois são — disse, mas pensou um pouco antes de continuar. — Sempre vou te amar como amiga, eu juro.

Ela sorriu de volta e o abraçou de um modo carinhoso até demais, mas o ruivo preferiu fingir não se incomodar, não querendo estragar o momento. Apesar de já terem falado do que ocorrera entre a garota e Ariel anteriormente, só agora realmente haviam deixado a relação clara e sido completamente sinceros um com o outro, então era, de certa forma, uma ocasião especial.

Separando-se do gesto, agora mais animada, Helena levantou-se e estendeu a mão para o amigo, dizendo:

— Vamos lá, faço questão de te levar. Não aceitarei um “não” como resposta!

O rapaz de olhos azuis finalmente concordou, sentindo-se um pouco melhor após aquele momento de diálogo sincero, mas ainda preocupado com seu namorado e decidido de que esperar por um táxi realmente não era a melhor das opções se quisesse agir logo.

 

Chegando à porta de Anthony, com Helena aguardando no carro após decidir que obrigatoriamente os levaria para casa depois, Laurence estava certo de que nunca se sentira tão inquieto. Estava ansioso e com um gosto amargo na boca, seu estômago parecendo embrulhar-se, a preocupação por Ariel sendo o único fator capaz de fazê-lo seguir em frente e tocar a campainha.

Quando o garoto de cabelos castanho-claros abriu a porta, o primeiro detalhe em que Ren inevitavelmente reparou foi a marca quase arroxeada em sua bochecha, bem próxima dos lábios. Era fraca, porém visível, e Laurence acabou por perguntar sem pensar duas vezes:

— O que... O que aconteceu com você?

— Ah, isso aqui? Não é nada, não se preocupa.

— Isso não foi culpa do Ariel, certo...?

— Foi um acidente, digamos assim. Acho que a culpa foi minha por tentar assustar ele no meio do filme! — Riu, enquanto o ruivo não conseguiu evitar desconfiar um pouco. Aquele definitivamente não era um ato usual por parte de seu vampirinho. — Ariel, seu príncipe encantado chegou, pode vir! Ah, não se esquece de pegar sua jaqueta...

O garoto de cabelos compridos cuidadosamente apareceu na porta, ajustando a jaqueta, demorando um pouco para reagir ao se encontrar com seu humano. Laurence esperava um abraço, uma declaração de saudades ou ao menos um bom e alegre sorriso de reencontro, mas nada daquilo aconteceu. O mais baixo observou-o por alguns segundos como se não soubesse o que dizer, e Anthony lhe deu um tapinha sutil nas costas, incentivando-o a deixar a porta da residência.

— Pode ir, você está livre de mim agora. Pelo menos nós nos divertimos um pouco, não é? — perguntou o de cabelos castanho-claros, sorrindo tipicamente, mas Ariel pareceu não saber o que responder. Entre Laurence e Anthony, olhava de um ao outro, seus lábios partidos como se estivesse prestes a dizer algo, mas nada dali partia. O sorriso do rapaz foi lentamente se dissipando simultaneamente ao aparecimento da aflição no rosto do menor, que se encolheu sob o braço de seu namorado.

Apesar de se sentir muito confuso naquele cenário, sem saber como interpretá-lo ou como deveria reagir, um pequeno detalhe fez com que Ren agisse sem pensar duas vezes. No momento em que baixou seu braço de forma a acolher o moreno, parcialmente o abraçando, Ariel automaticamente encolheu-se ainda mais próximo a si, agarrando em suas vestes de um jeito particularmente defensivo. Ele aparentava querer proteção no corpo do ruivo, mas ao mesmo tempo não falava nada, indeciso se deveria ou não se pronunciar. Para Laurence, seria impossível descrevê-lo de outra maneira que não como um garoto inseguro que buscava por uma escapatória e, àquele ponto, estava certo de que o de cabelos castanhos não havia sido o melhor dos amigos naquele dia — e esse foi o ímpeto para que o jovem de olhos azuis realizasse uma ação a qual nunca faria em circunstâncias comuns.

Infelizmente, Anthony terminaria aquela tarde com duas dolorosas marcas em seu rosto; e Laurence definitivamente não se sentia culpado por ser o causador da segunda.



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