História Despair in Resonance - Capítulo 1


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Categorias Danganronpa, Danganronpa The Animation
Personagens Monokuma, Personagens Originais
Tags Do Biel Também, É Culpa Dela, Karilus Eu Te Amo, Matem A Kalei
Visualizações 39
Palavras 4.305
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Mistério, Romance e Novela, Survival, Suspense, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


hewwo.
fiz essa história para fazer os amigos do discord sofrerem com os ocs deles.
é isso~

Capítulo 1 - Together in Despair



Hotaru, nós esperamos que se divirta em Hope’s Peak.
Você é uma jovem brilhante, nunca duvide disso.
Com amor, sua família e todos os amigos.
E… todos os seus robôs também.

Era para estar escuro, porém havia uma luz claramente na minha cara. Incomodava. Incomodava demais. Por que caralhos meu quarto não estava escuro? Eu sempre me certifico de apagar as luzes para não gastar luz. Na verdade não lembro a última vez que deixei as luzes do meu quarto acesas. Todo mundo que mora comigo sabe disso, então quem foi o PUTO ou a PUTA que deixou essa merda na minha cara perturbando meu sono? Quem foi o filho de demônio que—

...Meu teto não é dessa cor.

Cadê minhas estrelinhas? E os planetas? Cadê meu teto cuidadosamente customizado? Cadê? Cadê?

CADÊ?

“Para de gritar, Hotaru-kun.” Ordenou um rapaz de cabelos loiros em tons dourados enquanto massageava as têmporas, consequentemente interrompendo meu colapso mental. “Se eu tiver que refazer esse cálculo pela terceira vez, eu vou ter de tomar medidas drásticas.”

“Mas, mas…” Fiz beicinho, trazendo um dos travesseiros que jaziam comigo para o rosto. Abafei o berro na fronha para não tirar Jun’ichi do sério, porém não consegui controlar os resmungos que vieram logo a seguir. “Eu estou tão entediada que quero morrer.”

“Por que você não vai perturbar outra pessoa? A lista é grande. Tem outros quatorze adolescentes aqui.” Ele suspirou, ainda rabiscando o papel com o lápis que tinha em mãos. “Ninguém está pedindo para você ficar aqui. Afinal, nem eu sei o porquê de você estar aqui. Esse é meu quarto.”

“Ah, é que o seu tem uma vista melhor.” Respondi, sorrindo de canto a canto. “E tem essas paredes com vários rabiscos… muitas contas… números… Gosto do visual customizado. O da Homura e do Tsubaki são melhores, entretanto.”

“…Nenhum quarto tem vista para fora do prédio, Hotaru-kun.” Jun’ichi franziu a testa em uma expressão julgadora. “Honestamente às vezes não consigo acreditar no seu talento. Daichi-kun certamente é melhor em demonstrar que tem mais de um neurônio. E se meu quarto não lhe satisfaz como o deles dois, por que insiste em tirar seus cochilos aqui? Vá dormir na cama deles, i-idiota!”  

“Poxa, Jun-Jun. Assim fico até triste.” Me reergui para sentar na cama depois de me espreguiçar. “O seu colchão é estranhamente mais confortável, também. E tem esse cheirinho de matemática no ar.”

As maçãs do rosto de Jun’ichi ficaram tão vermelhas quanto um tomate, ao ponto dele jogar um dos livros que estavam na mesa em cima de mim. O rapaz cruzou os braços logo em seguida e virou a face para não me olhar nos olhos.

“U-Um gênio da matemática como eu não deveria ter de aturar essas coisas…” Murmurou, suspirando no intuito de se recompor.

JUN’ICHI SATO

ULTIMATE MATHEMATICIAN

“Eu tenho certeza que gênios da matemática não deveriam fazer muitas coisas ou estarem em muitos lugares porém aqui está você! Além de preso num hospital, dividindo sua cama com uma menina a qual conheceu há uma semana.” Levei a mão mecânica ao rosto, esboçando um sorriso travesso. “Safadinho.”

“E-Eu nunca aceitei dividir minhas acomodações com você!” Ele exclamou, exasperado de embaraço ao entender a implicação da frase. “Você que veio e se apossou do quarto que foi designado a mim!”

“É o que todos dizem.” Dei uma piscadela antes de levantar, destrancar a porta e sair com um aceno de despedida.

É verdade que a semana passada, a qual nos conhecemos, não foi meu primeiro contato com Jun’ichi. Eu já o conhecia desde muitos anos atrás, quando ele ficou mundialmente famoso por desvendar cinco dos setes problemas matemáticos mais difíceis do mundo aos quinze anos. A princípio pensaram se tratar de uma fraude, porém quando o loiro repetiu a conta na frente de uma plateia em rede internacional, todos se curvaram diante da capacidade do menino.

A fama de Jun’ichi não parou por aí, pelo que o clã Tsubomi até procurou contratá-lo. Não preciso dizer que fiquei bastante eufórica em conhecê-lo pessoalmente, acontece que minha animação miou bastante ao saber que ele havia negado por não compactuar com os ideais da empresa. Eu achei que meu sonho havia morrido naquele momento, até a gente acordar tudo junto nesse hospital supimpa. É verdade que tive de dar um tapa em sua cara quando ele pirou por saber que estava preso e que não teria ninguém pra limpar a sua coleção de xícaras, o que consequentemente fez ele me dar um tapa também. Eu acho que a gente se estapeou por uns bons cinco minutos antes do Tsubaki e o cachorro dele nos separar.

Foi louco.

Desde então a gente ficou bem amigo e eu até esqueço que aparentemente fui sequestrada. Mas isso são só detalhes, já que tem outras pessoas também. É como eu sempre digo, melhor se fuder em conjunto do que sozinho. Eu admito que talvez deva ficar mais preocupada com minha situação, contudo eu gostaria de dizer que essa não é minha primeira vez. É uma história engraçada se eu parar para pensar em como a máfia Yakuza me sequestrou quando eu tinha quatorze anos para ajudar um dos membros que eu já não faço ideia do nome a utilizar o meu protótipo de raio laser em um fuzil sem se queimar todo.

Eles haviam furtado a peça de uma exposição que o Clã Tsubomi estava financiando e não prestaram atenção que tudo naquele local ou era experimental ou, bem, não deveria ser usado. O chefe da máfia sabia disso, mas é que havia um fã das minhas inovações que adoraria ser o primeiro a ter algo novo meu. Daí o roubo. Eu não preciso explicar que deu muito errado, né? A peça laser não estava pronta pois esquentava de forma um tanto exagerada toda vez que era usada por mais de três segundos, como também tinha o histórico de simplesmente explodir do nada como aqueles cachorros minúsculos que mais parecem ratos demoníacos do que cachorros.

O sequestro não demorou muito a acontecer depois deles se aperceberem disso, e lá eu estava em um porão bizarro com um monte de velho carrancudo e tatuado me olhando. Minha primeira reação deveria ter sido de gritar por ajuda, mas aí eu lembrei que meu braço direito é robótico e eu poderia, de forma muito fácil mesmo, me desvencilhar das cordas e nocautear todo mundo. Eu fiquei relaxada depois disso e só esperei saber o que eles queriam comigo, até porque não seria o primeiro grupo de estranhos me pedindo um favor. Que posso dizer? Vida de famosa é difícil, ainda mais no meu ramo.

Quando o velho poderoso e um garotinho apareceram e falaram comigo, eu entendi tudo. Se tratava apenas de pessoas simples que gostavam dos meus armamentos, se você não pensasse muito no fato de serem estupradores, assassinos, ladrões e outras coisas. Porém não se pode ser seletivo com clientes, então depois de resolver o problema e prometer uma atualização do protótipo, eles me deixaram sair. Viu? Tudo vai bem quando termina bem. Talvez seja por isso que não estou preocupada agora, até porque ninguém apareceu para explicar a situação.

Somos apenas dezesseis adolescentes trancados em um hospital bem organizado até, ao ponto de parecer aqueles cenários de filme de zumbi. Eu adoro esses filmes, a propósito.

 

Seguindo meu caminho para a cantina sem muitas preocupações, as primeiras figuras que encontrei foram Tsubaki, Homura e Yūki. Os dois primeiros estavam sentados nas cadeiras acolchoadas usando da grande mesa no centro como uma canvas. Também tinha uns mil papéis amassados e espalhados, com Yūki destroçando os que estavam no piso ladrilhado com suas presas. Eles estavam concentrados demais em suas tarefas, pelo que eu tive que dizer um alto bom dia para acordar aquela galera do transe em que estavam.

“Hotaru-san, bom dia!” Tsubaki levantou o rosto com um tom alegrinho de criança. Ele tinha um hidrocor vermelho em mãos, enquanto Homura tinha um amarelo. “Como foi sua noite de sono?”

“Fala aí, Hou-Hou.” Homura deu um aceno sem perder a concentração do desenho.

“Caralho. Vocês acordam cedo, hein?” Dei um sorriso, puxando uma cadeira para que eu pudesse sentar e apoiar os braços e o queixo no acolchoado das costas do objeto. “Achei que não teria ninguém aqui além da Minako e da Sae provavelmente explodindo alguma coisa de novo.”

“Na verdade nós não dormimos. As ideias vieram, daí quando a gente percebeu já eram oito da manhã.” Tsubaki respondeu. “Mas a Minako-chan e a Sae-chan estavam aqui até a Homura-san pegar um peixe meio flambado e jogar na cara da Minako-chan.”

“Você jogou um peixe em chamas na cara da Minako?” Não pude controlar o riso.

Homura deu de ombros.

“Aquela PIRANHA loira meteu canetinha azul no meu desenho e estragou. Precisei dar uma lição, né.” A jovem de cabelos multicoloridos comentou em desagrado. “A Sae só ficou rindo e saiu correndo com medo de tomar peixada também.”

Eu devo salientar que a primeira vez que conversei com Tsubaki e Homura, achei que eles eram irmãos ou parentes não muito distantes. Por que? O motivo é que além dos dois esconderem a cara—Homura com uma máscara que ajuda a filtrar o ar e Tsubaki com uma máscara cirúrgica para aparentar malvadão—eles também curtem desenhar e completar a frase um do outro quando esquecem o nome de determinada cor.

O Tsubaki estava do meu lado no meu primeiro dia aqui. Quando acordei achei que ele era um estuprador, pois tinha uma cara meio que ranzinza e me encarava demais como se tivesse perdido alguma coisa—ou encontrado o bilhete premiado nos meus peitos. Só depois de alguns papos é que ele relaxou a expressão carrancuda de garoto problema por um mero segundo, oportunidade o suficiente para eu pegar ele no flagra e colocar diante da parede.

Tsubaki disse que forçava aquela imagem por razões pessoais, mas admitiu que ficava um tanto cansado da falsidade e gostava de ficar ao lado de pessoas que lhe permitiam ser ele mesmo. E foi assim que ele passou de estuprador para amigo que ocasionalmente faz enterro para as formigas que pisa no caminho pra cantina. Eu também descobri que ele é o Ultimate Graffiti Artist e estuda na Hope’s Peak depois de uma conversa sobre a minha prótese mecânica onde revelei ser a Ultimate Roboticist.

TSUBAKI HEIJIKAWA

ULTIMATE GRAFFITI ARTIST

Resumindo? Tsubaki é um cara legal.

Já meu primeiro contato com Homura foi mais traumatizante que o sequestro mafioso. E nada fácil de esquecer, por sinal. Depois que eu e o Tsubaki concordamos em dar uma volta pelo local, a gente parou na cantina assim que ouvimos uns barulhos estranhos. O que vimos? Uma maluca semi nua de cabelo multicolorido se cortando toda com um puta facão. Eu tava pronta pra xingar ela, mas o Tsubaki foi na frente e aparentemente eles já se conheciam. Resumo da história foi que ele conseguiu fazer a doida se desenhar com hidrocor em vez do facão que tinha em mãos depois de um belo jogo de cintura.

Gostaria de frisar que, durante todo o momento da conversa entre eles, eu juro que não consegui tirar meus olhos dos peitos da Homura. Até porque além de bonitos, formosos e maiores do que os meus, ela os deixa expostos, com exceção dos mamilos que ficam tampados com uns adesivos de coração que a princípio achei serem tatuagens. Sendo um tanto sincera, o corpo dela é muito “quero pra mim.” Não em um sentido sexual, mas de inveja mesmo. Quero dizer, a Homura é toda trabalhada nas tatuagens. A minha favorita de longe são as flores no ombro. Além disso ela também tem metade do cabelo azul e a outra rosa, sem falar de um olho rosa e outro preto, assim como ter um nome famoso chamado Scherza! É muito legal.

Admito que fiquei conversando com ela e Tsubaki por um bom tempo naquele dia. Eles disseram que fizeram muitas colaborações juntas logo que se clicaram em Hope’s Peak. Foi daí que tirei a impressão deles serem parentes, porque Homura é a Ultimate Tattoo Artist e por coincidência está na nossa faixa etária e cursava seu primeiro ano na escola como eu e ele antes de acordar jogada aqui dentro.

HOMURA SHIMIZU

ULTIMATE TATTOO ARTIST

Entre outras palavras, esse é o segundo motivo para eu não estar surtando. Estou rodeada de pessoas legais, todos aparentemente da Hope’s Peak. Somos prodígios e protegidos do governo japonês. Não há o que temer.

 

Ouvi o som de minha barriga roncando em meio à conversa deles, pelo que me levantei e fui fazer meu café da manhã. Os pães estavam quentinhos e saborosos como sempre, logo apenas melhorei ainda mais o sabor juntando requeijão e patê de presunto. Acabei por besuntar o pão demais, fazendo um pouco escorrer para o chão. Não demorou para que Yūki sentisse o cheiro do presunto e decidisse se aproximar, agarrando minha perna como um cachorro pedinte—não que ele não sempre fosse.

“Ah. E aí, Yūki. Firmeza?” O cumprimentei com um sorriso, dando uma mordida no sanduíche. “Achei que você tava brincando com as bolinhas de papel.”

“Yūki tavo mas Ta-Ta cheira bom.” O rapaz respondeu de forma tão sincera que eu pude perceber uma gota de saliva escorrendo do canto dos lábios.

“Poxa, valeu. Porém acho que você tá falando do presunto e não de mim.” Dei um riso, onde molhei o dedo no patê e me ajoelhei para ficarmos de frente. “Toma, prova aqui.”

Yūki não demorou a agarrar meu pulso com ambas as mãos, lambendo o dedo sujo de patê de presunto como se fosse sua última refeição. Ao término do ato, ele passou a língua pelos lábios e voltou a me olhar de forma pedinte.

“Teus pais não te alimentaram não?” Brinquei, levando o olhar para Tsubaki e Homura que estavam conversando de um jeito fervente a respeito de arte ou seja lá o que fosse. “Toma, vai. Vamos dividir o pão.”

Eu precisei me sentar, apoiando as costas na parede para só então rasgar o pão na metade e dar uma das partes para Yūki. Sua cauda felpuda balançava tanto que fazia barulho quando batia no chão. Suas orelhas, também muito felpudinhas, estavam para trás em uma ideia de submissão.

“Acho que nunca te perguntei isso, mas não era pra você—sei lá—ter parte de gente em vez das de cachorro?”

“Yūki sempre ser assim, Ta-Ta que tem não parte de gente.” Ele respondeu um tanto no alvoroço entre devorar o pão e ficar irritado com a implicação de ser diferente.

“Eu nasci cem por cento gente, falou? Só perdi dez por cento num dia desses aí.” Cruzei os braços após dar uma última mordida no alimento.

“Ta-Ta fede a fogo queimado.” Yūki já havia terminado, pelo que avançou em cima de mim e mordeu meu nariz. “Mas Yūki gosta.”

“Eu… acho que deveria ficar ofendida.” Disse, o que fez o garoto abaixar as orelhas e me olhar de forma triste. “… se você não fosse tão fofinho, vem cá! Quenhé o bom garoto? Quenhé?” Perguntei, o que fez a postura de Yūki mudar para uma incrivelmente alegre. Não resisti em fazer carinho em suas orelhas muito felpudas e coçar sua grande e embaraçada cabeleira.

YŪKI

ULTIMATE HUNTER

É verdade que à primeira vista, o Ultimate Hunter, ou Yūki para os íntimos, mais parecia um daqueles taradões que curtem se vestir de algum animal bizarro por puro fetiche. E sim, assim como todo mundo, essa foi a primeira ideia que passou pela minha cabeça. O que certamente não agradou Yūki quando se tornou o centro das atenções e passou a ser questionado com perguntas que o rapaz mal entendia. Ele acabou fugindo depois de dar um mordidão na mão de Minako, e só conseguimos tirar ele debaixo do sofá com muita paciência e esforço de Tsubaki.

Nós decidimos não questionar mais sobre suas características peculiares, pelo que só dissemos que ele precisava ser escovado como todo mundo ali. Yūki não protestou logo que foi tratado como um igual, nos dando a possibilidade de averiguar se ele não era um cosplayer muito do fanático ou uma aberração genética. As apostas estavam acirradas no cosplayer fodido, mas quem ganhou foi a equipe que escolheu a aberração depois da  notícia da avaliação de Chouko de que sim, todas as partes animalescas de Yūki—desde as unhas afiadas, dentição torta e pontuda, rabo, orelhas até a penugem no corpo—eram cem por cento reais.

Como tudo anda meio louco não só no mundo, como também aqui dentro desse cárcere privado, a turma meio que decidiu só aceitar para não terminar como Jun’ichi—que na primeira noite precisou tomar umas três pílulas para dormir sem ter um surto a cada dois minutos. Além dele teve Sora, que ficou demasiado confiante sobre sua teoria de que os lobisomens não eram folclore como pensávamos, mas sim criaturas inteligentes vindas de um planeta distante que vieram nos espionar por algum motivo digno de história dos mangás pornôs que lemos.

Eu quase acreditei, porque honestamente tudo é possível, porém é difícil de acreditar que uma criaturinha fofa como o Yūki consiga pensar em algo além das quatro necessidades básicas: comer, dormir, foder e se aliviar. É realmente ainda mais difícil quando se têm ele dormindo em cima de você depois de uma boa coçada no corpo. O que significa que não posso me mover pelos próximos trinta minutos ou até sabe se lá deus quando ele vai acordar.

“Er… Tsubaki, uma mãozinha aqui por gentileza?” Pedi, estalando os dedos para chamar a atenção do rapaz de cabelos prateados que ainda estava distraído junto de Homura com o maldito hidrocor. “Tsubaki, por favor… tá dando uma câimbra fodida aqui.”

“Eita, pera aí. Tô indo.” Respondeu ele, levantando-se depois de dar o último retoque no desenho da mesa, que nessa altura já a cobria quase por completo.

Não precisou de muito esforço para tirar Yūki de cima de mim, usando de seus ombros largos como apoio ao menino-cachorro adormecido. Fiquei livre para levantar sem peso na consciência de acordar meu colega animalzinho, onde dei um aceno em despedida no intuito de dar uma corridinha para tirar a dor dos músculos. Era provável que a dupla se despencaria para seus respectivos quartos depois de levar Yūki para o dele, então estava tudo certo.

Rumei minha corridinha para o lado oposto aos dormitórios, indo em direção à área de recreação para crianças—ou assim dizia a placa. Assim que pisei o primeiro dedinho no carpete, quase perdi um olho com um carrinho de plástico que foi jogado bem na minha cara.

“Eu disse que precisava ter colocado meu estalinho super desenvolvido antes de jogar nela, biscoitinho.” A voz de Sae foi a primeira que ouvi. Ela tinha outro brinquedo em mãos e um pacotinho daqueles estalinhos vagabundos que a gente compra em feiras.

“Droga.” Minako franziu o cenho, desgostosa. “Vai tomar no cu, Hotátá.”

“Vai você, peste.” Retruquei, pegando o brinquedo do chão e arremessando nela com o braço robótico. Isso deu o dobro de força e velocidade no arremesso que por pouco não deixou a loirinha aleijada. Ela teve sorte em desviar de uma forma muito esquisita com o corpo todo torcido no último segundo.

Ao lado das duas estava Kronnata, que batia palmas alegremente com a guerra entre nós que rapidamente se alastrou. Eram duas contra uma, porém eu tinha o poder da amizade e de animes ao meu lado.

“As doidonas não passarão!” Dei meu grito de guerra, rolando para detrás da mesa e jogando as pelúcias mais próximas de mim na direção delas.

“Acerta ela, Bomba-chan! Vai, vai!” Exclamava Minako, jogando literalmente tudo ao seu alcance.

Diferente dela, Sae era mais controlada e esperava minhas brechas para me acertar com umas bolas de massinha com estalinhos dentro que eu honestamente não faço ideia de como eles explodiam ao bater em mim. Eu tava muito melecada mas nunca que ia perder para duas cheiradoras de suco em pó.

A batalha durou por um bom tempo até todos—ou a maioria—dos brinquedos estarem quebrados ou longes demais para serem alcançados. No fim só ficamos deitadas no chão sem forças para sequer levantar um dedinho.

“Empate técnico?” Perguntei, buscando recuperar o fôlego.

“Por enquanto!” Respondeu Sae, também visivelmente cansada.

“É! Por enquanto!” Minako repetiu, mais parecendo um pombo morto no chão do que uma pessoa.

Kronnata até então estava sentada em uma das mesas de pintar. Ela batia palmas com um sorriso, até pegar seu guarda-chuva e rodopiá-lo aberto no ar. Uma chuva de estrelinhas caiu sobre nós, algo que fez Minako tossir quando ela abriu a boca de propósito.

“Bem feito.” Comentei, rindo. A fala também tirou um riso de Sae e Kronnata, mas diferente da primeira, nenhum som saiu de sua boca.

A minha primeira experiência com as três ocorreu exatamente dessa forma. Eu e Jun’ichi decidimos averiguar o local após conversar com boa parte daqueles que estavam presos junto conosco. Ninguém podia prever, contudo, que teria a cara amassada por um objeto de teor suspeito logo que abrisse uma porta. E foi assim que conheci Minako, a loirinha que mais parece a personificação da bandeira dos Estados Unidos do que uma pessoa. Eu tive de jogar um catarrão nela para ela sossegar naquele dia e conversar que nem gente, algo que durou uns cinco minutos antes da macaca aloprar.

MINAKO MOCHIZUKI

ULTIMATE CHEERLEADER

Ter um diálogo com ela foi bastante difícil sem querer dar um tapa naquela fuça e jogar ela da escada, mas depois da sétima disputa sobre quem cuspia mais bolinhas de papel babada no teto… a gente meio que só aceita e se acostuma.

Não obstante estava Sae, que definitivamente fazia jus ao título de louca. Essa besta não só quase incendiou a biblioteca como tem a capacidade de explodir tudo o que toca. Tá certo que eu descobri que ela rouba ingredientes da cozinha e da lavanderia para fazer umas misturas que desafiam as leis da química, porém isso não muda o fato de que ela já quase matou o Jun’ichi umas três vezes só nessa primeira semana. Não preciso dizer que ele desde então procura ao máximo evitar estar sozinho no mesmo ambiente que as duas, né?

SAE KUROSAKI

ULTIMATE BOMB MAKER

Apesar dos pesares, ambas são muito gente boa. Sae, por exemplo, já foi presa em um ato terrorista contra a Hope’s Peak. Ela afirma que não sabia de nada que o grupo o qual participava era uma gangue antigoverno pois só estava interessada em fazer bombas. A sorte foi que ela não deixou a bomba explodir e matar todo mundo do colégio e como recompensa ganhou o direito de estudar lá depois que prometeu acabar com o terrorismo doidão. Acontece que essa história toda aparentemente é confidencial então eu apenas fingi que não ouvi. Resumindo? Ela fala demais se você deixar.

Já a relação com a Kronnata é um pouco diferente. Primeiro que ela lembra muito um sorvetão napolitano de pernas e braços. É sério. Eu entendo o senso de moda da Homura mas o da Kronnata é outro nível. Além do cabelo ser metade moranguinho e metade chocolate, suas roupas também possuem a mesma gama de cores. E seus olhos? Bem, eu juro que já vi eles trocando de cores umas duas vezes. Mas talvez pode ser só loucura da minha cabeça mesmo.

KRONNATA

ULTIMATE MIMIC

Não é difícil conversar com Kronnata. Na verdade, é sim. Eu não faço ideia das coisas que ela diz na maior parte do tempo já que não sei linguagem de sinais. Por causa disso eu pensei que ficaria um clima muito merda entre nós, porém a jovem nunca deixou que tal coisa acontecesse já que… ela usa um rádio para se comunicar. Sim, a porra de um rádio pequeno de bolso. Quando eu e Jun’ichi a pegamos comendo sorvete na cantina, nossa primeira reação foi de a interrogar como estávamos fazendo com os demais. A resposta para a simples pergunta “quem é você” foi respondida com um “eu sou seu pai” na voz do Darth Vader.

A coisa toda me pegou tão de surpresa que eu fiquei sem ar de tanto rir com as tentativas de Jun’ichi de manter uma conversa com alguém que respondia tudo com falas de filmes ou versos de música. O meu riso deixou ela tão feliz que nosso interrogatório virou um show de mágica muito divertido… para mim. Jun’ichi teve zero senso de humor. Ele de longe estava interessado em ilusões ou brincadeiras naquele momento devido ao medo que ainda o dominava. Isso não agradou Kronnata que, após algumas tentativas, teve seu leque de cartas estapeado por um matemático aflito.

Desde aquele dia Jun’ichi não sabe o que é paz. Toda vez que ele vai tomar o café, por exemplo, ele volta sujo de alguma forma. Das vezes que perguntei, ele disse que o cereal simplesmente explodiu na sua cara, assim como a vez que ele abriu o armário e caiu um esqueleto em cima dele. Demorou uns três dias para eu descobrir—com a ajuda de Sora e Arisa—que se tratava da sorvetinha pregando peças nele. Eu tentei conversar com ele a respeito do assunto, mas Jun’ichi não quis ouvir. Disse que as brincadeiras dela eram de longe engraçadas ou minimamente divertidas, e é por isso que agora ele anda precavido com tudo e todos ao redor.

“Puta merda, vocês me fizeram ficar fedida.” Reclamei após voltar à realidade do meu breve cochilo. “Vou tomar banho. Não se matem.” E assim me levantei, não antes de ser parada na porta por Kronnata, que fez uma careta e tirou um geloco do meu ouvido. Eu acabei rindo e agradeci por ter limpado minha audição, indo rumo ao banheiro público feminino em seguida.


Notas Finais


Um adendo!
Homura, Sae e o Yuki estão participando de outras fanfics de DR, porém eu gosto muito deles e decidi reutilizar nesse plot junto com meus demais ocs e os do migos do discord. Vou deixar alguns links nos comentários para facilitar (imagens dos personagens, mapa e etc!)

byebye


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