História Destinada - Capítulo 10


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Família, Violencia
Visualizações 4
Palavras 974
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Capítulo X


Eu podia sentir o cheiro da bebida e do cigarro queimando ao passo que me aproximava dela. Os olhos fundos, o corpo magro, as roupas gastas e a voz embriagada com os dentes descuidados. 

Aquela não era mais Annelise. Era o seu corpo sem alma discutindo com o barman por este não lhe dar mais uma garrafa de bebida.

Eu senti um profundo desgosto ao vê-la assim, mas o lado meu que nunca deixou de amar aquela mulher perdida... Eu não pude deixá-la daquele jeito.

Me aproximei e a segurei pelos ombros. Ela tentou me bater até olhar para mim. Logo ela se acalmou e começou a chorar. Onde antes só se ouvia gritos, mudou para soluços e choro.

Ficamos quase a noite toda sentados no meio fio da rua, tomando um café horrível e vendo o tempo passar. 

O tempo passava e a Annelise que eu conhecia podia ser vista bem no fundo daquele pobre corpo. 

Então, ela me contou tudo. De como o casamento estava desgastante, de como ele a deixou e de como a vida era uma merda.

Tudo. Ela derramou tudo pra cima de mim.

E no fim daquela noite, levei ela para casa. E foi quando te vi pela primeira vez. Tão pequena e inocente, nem entendendo quem era o cara estranho que tinha entrado com sua mãe na sala.

Eu pude ver as marcas em seus braços. Não tinha certeza absoluta, mas era inevitável pensar que sim, ela abusava de você.

Os dias foram passando e nos reaproximamos cada vez mais. E ela também foi melhorando. Parecia mais alegre com a vida, mesmo que os vícios continuassem.

Apesar de tudo estar indo bem, minha vida foi caindo. Não tinha trabalho, nem função. Eu era um Zé ninguém. Annelise insistia em usar o dinheiro comigo. Passei a viver com vocês e abusar muito, confesso.

Não me orgulho de nada que tenha feito desde aquele dia. Nem mesmo das vezes em que te ajudei quando ela te machucava, pelo simples motivo de permitir que ela continuasse com aquilo. 

Mas tudo piorou após ela ter te largado naquele lugar horrendo, aquela prisão disfarçada de orfanato. Fico até surpreso de te ver inteira..

Dias de tormenta preencheram minha vida, sendo eles divididos em derrames de lágrimas pela falta da filha que a mesma jogou fora e em bebedeiras com o demônio da arrogância e ambição, falando de planos futuros que obviamente não me envolviam. Apenas ela.

Eu juro que achei que fosse capaz de mudar essa mentalidade doentia por riqueza dela. Mas não. Eu fui fraco e me deixei levar por toda aquela loucura.

Quando percebi no que havia me metido desde o momento que a vi naquela sala de aula, já era tarde demais pedir para recuperar minha juventude.

Sua mãe me envolveu em falsificação de cartões de crédito, cheques e identidades. Ela era amiga dos caras mais descarados da região, dos tipos que cometem contrabando  e serviços ocultos.

E cada vez mais estávamos nos distanciando...

Apesar de sermos teoricamente um casal, eu sabia muito bem que ela sempre estava com um cara diferente por aí. Eu sabia muito bem que era zoado. Mas eu não ligava, pois ainda sentia amor por ela.

Era mais forte do que eu.

É mais forte do que eu..

Literalmente todos os dias havia aquela sensação de que eu estava prestes a morrer. 

Ou mesmo, havia motivo suficiente para eu acabar na cadeia por pelo menos uns vinte anos. E sua mãe sabia bem disso.

E só para fechar essa grande história, Annelise resolveu criar o plano perfeito de vingança contra seu pai. Ela o culpava por ter ido embora e deixá-la com uma filha para cuidar sozinha. 

Minha raiva falou mais alto naquele momento e fui atrás.

Nós o perseguimos durante alguns dias. Sabíamos praticamente toda a sua rotina. Conhecíamos a sua família e relacionamentos.  

A vida dele estava nas nossas mãos.

E, em uma noite em que o mesmo voltava para casa, nós estávamos prontos para o perseguir com o carro. Andamos por várias ruas até que o fizemos bater de frente com uma árvore. Ele estava desesperado aparentemente.

Annelise correu até ele e o arrastamos até o nosso carro, já que o mesmo estava desacordado.

Não quero contar todo o esquema doentio que fizemos com seu pai, mas envolveu um galpão sujo, tortura e muito xingamento. Muito mesmo.

Estávamos o matando pouco a pouco. 

Fizemos daquilo uma operação de resgate, com um pedido de 25 milhões de dólares. Mais a garantia de não sermos pegos na nossa troca. 

E a cada hora que passava eu me sentia mais e mais sujo. Ignorante, egocêntrico, estúpido.

Um verdadeiro lixo humano.

Tanto que eu nem me senti mal ao pegar os dois em um ato amoroso no quarto sujo do galpão...

Eu era traído e usado. 

Já não sentia mais nada. Cheguei no ápice quando fugi daquele lugar, abandonando Annelise e todo seu plano nojento. Corri e corri. Mais do que podia aguentar.

Com o pulmão estourando e a mente perturbada, as luzes dos carros naquela rua era a única coisa que eu via. 

E bastava três passos para acabar com tudo aquilo.. 

Mas ao invés de acabar com tudo naquele momento, andei até um pequeno hotel na estrada e roubei uma moto que havia lá.

E foi assim que eu acabei indo te procurar em tudo quanto é cidade. E claro, para fugir da polícia. 

A madrugada já estava cada vez mais densa durante a história. Minha mente, meu coração, meus olhos... Uma confusão se criava em minha cabeça.

Eu nem sabia o que dizer para Eric naquele momento, mas parecia que o mesmo não esperava por uma resposta de qualquer forma.

— Relaxe um pouco a mente, só queria que você soubesse do porquê eu estar aqui. Boa noite, garotinha.

E saiu, sem mais nem menos.

Minha mãe.. vingativa. Amiga de gangues e falsa.

Será que os genes que os pais passam aos filhos tem o poder te deixá-los tão ignorantes e idiotas quanto?

Espero que não..









Notas Finais


Desculpem o tanto tempo para atualizar. Esse capítulo me levou semanas. Mas também pelo fato de ter viajado me atrapalhei um pouco...

Enfim, espero que gostem :)


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