História Destinada - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Família, Violencia
Visualizações 14
Palavras 1.477
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Capítulo IV


1 de janeiro de 2016

Ano novo. 

Nunca foi um dia diferente para mim, pois eu sabia que no ano que vem seria a mesma merda tudo de novo.

É, assim que eu chamava minha vida. Uma merda.

Tudo se baseava em ficar no refeitório, junto a outras dezenas de crianças hiperativas ou solitárias, com um pequeno discurso das professoras. A única coisa boa eram os biscoitos de canela que elas compravam.

Sei que não era de coração, mas eu não me importava. E sempre dava um jeito de pegar mais.

Era só escapar um pouco antes dos dia começar e ir até a cozinha. Normalmente, estava vazia, pois a cozinheira sempre dormia perto da dispensa. E as caixas ficavam empilhadas em uma mesa.

Nem era tão difícil de pegar um pacote, e eu sabia que elas compravam a mais para si mesmas. Adoravam tomar vantagens...

E era assim minhas noites de ano novo. Comendo biscoitos de canela frios, sentada no chão e observando a rua. 

Acho que eu não consigo largar esse hábito de olhar a janela, pois é exatamente o que estou fazendo. A diferença é que não tenho biscoitos, mas mesmo assim, estou me sentindo bem.

O dia clareava mais e mais, quando eu ouvi a porta bater e Marion (o nome da avó de Bruno) aparecer, com uma camisola azul bebê e cabelo preso em um coque. 

— Ah, já está acordada, querida? Jovens não costumam acordar tão cedo assim. — ela disse, após se assustar ao me ver de pé.

— Eu sempre acordei cedo. Virou hábito.

— Então, bom dia. Eu preparei o café, se quiser. Bruno também acordou cedo porque precisa ir até o banco resolver algumas burocracias. Você poderia ir com ele, assim já faria algumas compras para mim?

— Claro, o que precisar.

Ela sorriu docemente e passou a mão pelo meu cabelo. Algo que me lembrou muito a minha velhinha..

— Você é uma linda moça, Maya. E muito centrada, também. Não fique constrangida com o que vou dizer, mas acho que fará muito bem ao meu neto.

Foi inevitável corar pela sua fala, e também achar graça. Tive que me segurar para não rir de qualquer que seja o motivo para ela pensar nisso.

— Obrigada. Acho melhor já me arrumar, não é? — a melhor forma de escapar de constrangimento, é mudando de assunto.

— É claro. Foi exatamente para isso que vim. Sabe, eu nunca tive a chance de ser a mãe que a minha filha queria. Ela sempre foi muito do mundo e me condenava porque eu não podia dar a ela tudo. — sua feição mudou e ela desviou o olhar para um outro canto do quarto. Senti que era um assunto delicado, então não falei nada. — Posso estar pedindo demais a você, mas o que acha de experimentar um vestido?

— Vestido..?



Eu não tinha coragem de sair do banheiro. Meus ombros estavam cobertos por duas mangas pretas 3/4, mostrava um pouco o busto e tinha uma saia rodada cobrindo-me até um pouco acima do joelho. Os detalhes deixavam aquela peça bem atraente, mas fazia tempo que não usava um vestido. 

Acho que eu ainda era criança quando minha mãe me obrigava a colocar aquelas peças rosas e vermelhas berrantes.

Saí finalmente e olhei para Marion, que me analisava inteira com um sorriso no rosto. Acho que o sonho dela estava realizado...

— Está linda, meu amor. Sabia que te serviria muito bem. Parece mais radiante ainda.

— Obrigada.. — respondi tão sem graça, que achei que fosse morrer ali mesmo.

— Se não estiver confortável, não precisa usá-lo. Está bem?

— Eu gostei dele. Obrigada, de verdade.

— É seu. Ficaria feliz que ficasse com ele. Agora desça e vai falar com Bruno. Vocês precisam sair daqui a pouco, e já deixei a lista do que precisamos com ele.

— Tudo bem. — ela saiu do quarto e eu me joguei na cama. Suspirando.

Não que me incomodasse, mas a situação é tão inédita que não me sinto preparada pra tal. O que está acontecendo?!

Desisti de meus pensamentos e passei a me ocupar em colocar as minha botas, já que não havia outro sapato, e uma leve jaqueta, mas que aquecia bem. O tempo já estava melhorando. Agora parecia mais um outono do que um inverno.

Desci até a cozinha e encontrei Bruno, com seu cardigã azul e jeans surrados, mas com o mesmo boné de sempre prendendo seus cabelos. Sua xícara tinha estampa do Batman, ao mesmo tempo em que ele lia um jornal. Era como a representação da passagem da adolescência para a vida adulta, tão cômica.

Quando parei em sua frente, senti que ele me olhou de cima a baixo, mas tentei não me importar e peguei um pouco de chocolate quente para mim.

— Bom dia. — ele disse, largando o jornal e pegando um biscoito do pacote. Fiz o mesmo. Chocolate. 

— Bom dia. — acabei rindo pela situação. — Sua avó disse que temos que sair para comprar algumas coisas, certo?

— É, eu ainda tenho que passar no banco para resolver algumas contas. Mas será rápido. 

— Mas não é estranho que eles já voltem tão rápido ao trabalho mesmo sendo ano novo?

— Essa cidade não costuma seguir os padrões dos feriados ou datas especiais, ainda mais que é grande o número de visitantes. Eles tomam vantagem disso para lucrar mais.

— Ah, faz sentido. — e voltamos para o que fazíamos.

Meia hora depois, já estávamos em sua bicicleta a caminho do banco central da cidade. Tudo era tão perto e bonito, que até aquela manhã estava digna de ser admirada. 

Tudo antes era tão cinza, e agora, vejo que tem mais cores por aí..

Bruno entrou assim que paramos em frente ao local, mas decidi ficar e cuidar da bicicleta. Não tenho paciência para me envolver nisso, então prefiro observar a rua e sentir o vento.

Mas a sensação de um tempo atrás voltou. Um frio na espinha e um sentimento ruim me rodeou. 

E eu o vi. Entre as pessoas que caminhavam, eu o vi me olhando. 

Não podia ser mais imaginação minha. Eric estava me rondando, eu tinha certeza.

Tomei coragem e saí de onde estava para encontrá-lo. Não iria querer mais sentir aquilo de novo, já basta de me sentir desprotegida.

Mas, ele desapareceu como em um truque de mágica. No meio da multidão, ele sumiu, igual a outra noite..

Senti vontade de chorar mais uma vez, mas já bastava daquilo.

Voltei ao banco, encontrando Bruno meio confuso ao ver que havia saído.

— Está tudo bem?

— Sim. Eu só quis andar um pouco.

— Bom, ok. Vamos ao mercado agora? A gente aproveita e compra algumas besteiras, porque minha avó não deixa, mas eu tô com muita vontade.

Nós dois rimos e eu concordei. Logo nos dois estávamos de partida até às compras.

Parecíamos duas crianças brincando pelos corredores do mercadinho. Mas conseguimos tudo que foi pedido na lista de Marion. Itens básicos de limpeza e para alimentação, suficiente para durar mais um mês no hostel, pelo que Bruno disse.

Pelo que vi, Marion adorava servir massas para os seus visitantes, pois a maior parte da lista se baseava nisso ou em acréscimos dessas receitas. Gosto, espero conseguir algo também..

Como prometido, Bruno me deixou escolher no mínimo duas besteiras, pois era o que se podia comprar hoje. E eu optei por uma caixa de bombons diversos e um pacote de bolachas de canela.

Tradição. Essa é a única coisa que quero levar dos meus anos sendo "órfã".

Bruno encheu a sacola de salgadinhos de queijo super gordurosos e foi até o caixa pagar. Não deu um preço absurdo pois a época era propícia.

Finalmente, depois de arrumar as coisas em uma caixa, a prendemos na cesta da bicicleta e partimos. 

— Foi minha avó que lhe deu esse vestido, não foi? — Bruno não costumava falar nessas horas, mas seu tom de voz me fez ficar em alerta. Parecia melancolia..

— Sim.. Ela me disse que me serviria bem, mas não sei o porquê.

— Ela sempre fez vestidos para minha mãe, mas ela sempre foi muito do mundo e acabava sempre em discussão.. — ele suspirou e diminuiu um pouco a velocidade, mas sem parar de pedalar. — Minha mãe odiava esses vestidos. Acho que foi por isso que minha avó lhe deu.

— Quer dizer que sua avó está me usando para viver o que ela não teve com sua mãe?

— Não diria assim. Acho que ela queria se sentir bem em fazer o que mais gosta, para alguém que ela gostasse. Não sei se você sabe ou não, mas ela te adora demais, Maya. Ela te trata como se realmente fosse filha dela.

Aquilo deve ter mexido muito comigo pois eu não tinha palavras para expressar e responder Bruno. Eu podia sentir seu carinho e cuidado, mas não achei que fosse tão mais profundo para ela..

— Não pense demais nisso. Aproveite. E, aliás, esse vestido lhe caiu realmente bem..

Sorri nervosa e sussurrei um obrigada com muito esforço. 

Elogios. Não sei lidar com isso..


Notas Finais


:)


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